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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2024-12-15
Words:
1,562
Chapters:
1/1
Comments:
3
Kudos:
79
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1
Hits:
882

Camaleão - NagiReo

Summary:

Nagi deixa escapar para os colegas do Blue Lock um dos motivos para Reo ser parecido com um “Camaleão”.

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English: Chameleon - NagiReo

Nagi tells his Blue Lock colleagues one reason why Reo looks like a "chameleon".

Fanfic in Portuguese.

Notes:

Olá,
Estreando fanfic em um fandom novo, porque estou obcecada pelo Reo e pelo Nagi. Porém, nessa história, eles infelizmente estão divorciados.

Agradeço a @Tsuyushi pela betagem.

Boa leitura!

Work Text:

Nagi Seishiro estava exausto após mais um dia intenso no Blue Lock. Treinar tanto era um verdadeiro castigo para alguém de natureza preguiçosa. Por isso, ele passava boa parte do tempo restante pensando em formas de otimizar as demais tarefas do dia a dia, para fazer o mínimo esforço possível. Enquanto encarava o chuveiro, sonhava acordado com o dia em que alguém lhe daria banho. Quem sabe assim, finalmente ele poderia descansar de verdade.

Se ainda estivesse falando com seu antigo amigo, Reo Mikage, talvez conseguisse convencê-lo com sua melhor cara de cachorro que caiu do caminhão da mudança. Mas, no momento, Reo o via como rival e tudo isso era uma grande chatice. Resignado e sem alternativas, passou espuma de banho em todo o corpo de uma vez, incluindo os cabelos e entrou debaixo da ducha morna.

Após sair, dirigiu-se até a área de banho coletivo e pulou na grande jacuzzi, torcendo para não ser notado, porque não queria falar com ninguém. Não que fosse completamente antissocial, é que mexer o maxilar também cansava.

Outros jogadores descansavam enquanto batiam papo; alguns sentados à beira da jacuzzi com os pés na água, outros acomodados nos cantos, aproveitando os jatos de massagem para relaxar as costas. Nagi destoava dos demais, pois boiava no meio da piscina.

— Ei, seu perna de pau, não sabe ler as regras de uso, não? — Barou, de pé do lado de fora, gritou com sua voz imponente.

Nagi só percebeu que ele era o motivo do ataque de pelanca de Barou quando notou uma bola vindo a toda velocidade em sua direção. Em um reflexo rápido, ele se virou de costas, segurou a bola com a nuca e a devolveu com um voleio certeiro, chutando-a de volta para Barou, que conseguiu se defender. Depois desse contratempo, voltou a boiar.

— Boiar é diferente de nadar. E o regulamento também diz que não pode usar bola aqui, rei insano — Nagi respondeu com seu tom monótono.

Barou acabou desistindo de usar a jacuzzi naquele momento e voltou para a ducha, já que ficava mais estressado do que relaxado acompanhado daquela multidão de pernas de pau. Nem sabia quem tinha levado a bola para aquela área, mas aquilo também se acrescentou às coisas que o deixaram irritado.

Os demais competidores do Blue Lock sempre se surpreendiam com os reflexos de Nagi e sua facilidade para executar qualquer movimento corporal com criatividade e improviso. Yukimiya, seu parceiro da terceira seleção, começou a rir da situação.

— Nagi, outro dia falei que você parecia um bicho-preguiça, mas retiro o que disse. Você boiando, com os cabelos brancos espalhados e brincando com uma bola, me lembra uma foca polar! — Ele ria com a mão na boca, balançando a cabeça.

— Foca de circo, né — acrescentou Bachira, que prestava atenção a tudo, em tom de brincadeira.

A piscina explodiu em risada, e quando acalmou, Nagi complementou, ainda sem desviar os olhos do teto:

— Hum, tanto faz… Mas você continua parecendo um tarsius psicopata, Yukki.

Yukimiya engoliu em seco, pensativo. Ainda não compreendia a comparação feita por Nagi. Afinal, ele nem sequer estava usando seus óculos redondos que poderiam lembrar o pequeno animal de olhos arregalados.

— E eu? E eu? — Bachira interrompeu com os olhos brilhando de animação. — Eu pareço com qual animal, Nagi?

Nagi, ainda boiando na água quente, ponderou por um tempo antes de responder.

— Suricato.

— Concordo. O Bachira é ágil, cheio de energia e travesso — disse Yukki.

Bachira nadou até o meio da piscina e começou a analisar os presentes, animado.

— Agora é minha vez. Hmmm… deixa eu ver… — Ele apontou para Igarashi com um sorriso travesso. — O Igaguri parece uma tartaruga.

— Namastê, Bachira. Sou zen, mas sei dar meus corres, principalmente aqui no Blue Lock, onde serei o maior atacante do Japão — respondeu de forma determinada.

Os demais jogadores apenas reviraram os olhos ou murmuraram um “aham”, sem qualquer entusiasmo. O monge, então, seguiu com a brincadeira, escolhendo Raichi por parecer um tubarão — uma escolha tão óbvia que lhe rendeu uma vaia.

— Tubarão, é? — resmungou Raichi, avançando lentamente pela água como um predador. — Vou aproveitar pra dar dentada em vocês se eu continuar jogando como zagueiro nessa bosta de lugar! Alguém vai me dar uma posição melhor para eu jogar meu futebol sexy — urrou de braços abertos.

Seus colegas jogaram muita água nele na tentativa de acalmá-lo, até chegar a vez de escolher o próximo participante. Raichi os encarou com atenção e, talvez influenciado pela conversa sobre futebol sexy, fixou o olhar em Chigiri. O rapaz, com os longos cabelos vermelhos jogados para o lado, exibia um olhar enigmático por cima do ombro.

 — Já que é minha vez, vou analisar a madame! — Raichi abriu seu sorriso de dentinhos pontiagudos, cheio de malícia, antes de continuar a falar. — O Chigiri é tão ágil e elegante que parece uma chita-

— ... parece a Pantera Cor-de-Rosa — Nagi falou junto com Raichi.

O riso da plateia foi imediato, com exceção do próprio Chigiri.

— Teu cu — respondeu ele, seco e direto, cruzando os braços.

O rapaz andrógino e sem papas na língua recusou-se a escolher alguém para dar sequência à brincadeira improvisada, o que gerou um bafafá, com todos falando ao mesmo tempo. Barou voltou a se aproximar da jacuzzi, com uma toalha enrolada na cintura, incomodado porque queria silêncio e os plebeus não lhe obedeciam nem sumiam dali.

— Isso aqui parece um zoológico! — Barou gritou, atraindo a atenção de todos. — Se é para parecer bicho, por que não vão pastar?

— Namastê, Barou, ninguém nem balançou um lenço vermelho na sua frente para estar tão brabo assim — interviu Igarashi, tentando manter a paz como um bom monge.

— Boa, o Barou é um touro chifrudo! — Bachira complementou. — Agora é a vez do rei, você escolhe quem?

— Eu tenho mais o que fazer — respondeu Barou rispidamente, acomodando-se na frente de um jato de mensagem e colocando uma toalha na frente dos olhos para não ver mais ninguém.

 — Então eu vou continuar. — Bachira nadou até o melhor amigo e o empurrou para que ficasse em evidência para os demais, continuando a brincadeira. — E o Isagi? Ele parece com qual animal?

— Parece um besouro por causa da antena no cabelo — respondeu Nagi prontamente. Depois, se levantou e virou-se para Isagi, analisando-o demoradamente de cima a baixo com seus olhos grandes e brilhantes. — Não dá para perceber agora porque o cabelo dele está molhado.

Reo, o ex-melhor amigo de Nagi, estava no local tentando se manter indiferente à conversa, mas foi repentinamente tomado pelos ciúmes ao ver seu tesouro falando e analisando o novo crush desavergonhadamente bem na sua frente — pelo menos era assim que Reo enxergava a situação. Ele ainda estava magoado por Nagi tê-lo preterido por Isagi em uma das etapas do Blue Lock.

— Concordo — disse Reo, muito sério. — Isagi é um inseto que eu vou esmagar quando tiver a oportunidade — disse com olhos roxos brilhando de rancor, acompanhados de uma risada maquiavélica, enquanto apertava a mão com força.

Isagi nunca entendeu a relação confusa entre Nagi e Reo, e mais uma vez se sentia como uma bola de futebol quicando no meio daquela disputa, pronto para ser chutado. Antes que o drama se agravasse, ele tentou tirar o foco de si.

— E o Reo, hein? Parece um camaleão, né galera? — perguntou Isagi para os colegas que estavam na piscina, com um sorriso forçado e a voz um pouco tensa, esperando a resposta óbvia, já que “camaleão” era o estilo de jogo do rapaz.

As pessoas concordaram, algumas citando que a sua especialidade era copiar jogadas, enquanto outros comentavam sobre a língua dele nunca estar dentro da boca, pois sempre a apontava para os colegas.

Nagi, que havia voltado a boiar na piscina, ponderou sobre a pergunta de Isagi.

— Concordo, ele parece um camaleão porque usa essa língua melhor que ninguém — disse com naturalidade.

Os jogadores se entreolharam após o comentário. Alguns tentavam não rir, enquanto outros franziam a testa, confusos. Reo, constrangido, trocou de cor e ficou vermelho, como um bom “camaleão”. Após um silêncio embaraçoso, o jovem tentou desconversar.

— Ah é, é porque eu falo várias línguas, né? — Reo, tenso, abriu um sorriso sem graça. — É que meu pai me fez aprender porque ajudaria nos negócios da família.

Nagi, entretanto, sabia muito bem do que estava falando. Ele se levantou e começou a se explicar.

— Não, Reo, eu estou falando quando você massageava meus ombros e depois dava umas mordidinhas na base e ia deslizando a língua pelo meu pescoço — enquanto narrava, ia apontando com o dedo. —  Nossa, era tão bom e– — Nagi continuou a falar com serenidade até ser interrompido por Reo, que avançou apressadamente e o afundou na piscina.

Todos pararam para observar mais um drama público dos ex-amigos, incluindo Barou, que tirou a toalha dos olhos para assistir. Raichi parecia triunfante, pois havia ganhado uma aposta com Igarashi sobre Nagi e Reo serem, ou terem sido, mais que amigos. Talvez continuassem inimigos após a indiscrição de Nagi.

— Tá vendo, esses dois nunca perdem a oportunidade de se embolar. Esse foi o dinheiro mais fácil que ganhei na vida — disse Raichi, apontando para a dupla.

Quando Nagi conseguiu finalmente se desvencilhar de Reo, observou que a maioria dos colegas os observavam boquiabertos e de olhos arregalados.

— O que foi? — Nagi perguntou, sem entender o alvoroço.

Como ninguém respondeu, ele suspirou, analisando os colegas paralisados.

— Vocês agora parecem um bando de corujas!