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Pedido

Summary:

Jayce tem um pedido muito importante para fazer à Viktor.

Ou, onde Jayce encontra fotos dele e do marido quando eram crianças e imediatamente um desejo antigo volta à superfície.

Notes:

Espero que gostem da história!!! Em brevê irei traduzir para o inglês tbm🙏🏽
Boa leitura!

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Quando Jayce tinha doze anos, ele tinha um sonho.

Era um sonho bobo para aquela pequena idade, mas ele queria viver aquilo um dia.

Ao ver sua mãe construir um lar para eles, o desejo de ser o dono do lar foi crescendo e criando raízes até o começo da adolescência. Mas foi guardado profundamente dentro do seu mar de emoções confusas ao perceber que não seria tão fácil atingi-lo como queria.

Quando se apaixonou por Viktor no auge dos vinte anos, o desejo reacendeu. Ele não sabia como falar com homens, nem flertar com eles. Mas Viktor pareceu perceber o mar intenso que eram os sentimentos dele e como era difícil para Jayce dizer o que sentia, por isso tomou o primeiro passo: chamou-o para um passeio. Desde então eles formaram uma amizade verdadeira e confiável, o porto seguro para ambos.

O anúncio do namoro veio quase cinco anos depois. E não demorou nem dois anos para o casamento mais belo do mundo –, de acordo com Caitlyn, – acontecer. Agora, aos vinte e oito anos, um ano após o casamento, Jayce sabe que tem a vida que sempre quis ao lado de Viktor, ao lado do seu grande amor.

Toda a sua trajetória como um dos cientistas mais brilhantes da sua época não foi o grande desafio para ele. Nem mesmo ser prestigiado e aclamado pelo país fez Jayce esquecer seu mais querido e belo sonho que agora estava guardado no abismo.

Jayce mentia ou se esquiva quando lhe perguntavam quando ele teria filhos, quando uma família viria, se ele e Viktor estavam pensando em adotar uma criança. Não que Jayce não pensasse nisso, mas ele achava que Viktor não fazia o tipo de homem que seria pai, por isso nunca trouxe o assunto à tona e dispensou a resposta quando o marido lhe perguntou antes de se casarem.

Se Jayce dissesse seu verdadeiro desejo, se ele pedisse por isso, talvez Viktor não aceitasse e… Viktor era a pessoa mais importante do mundo para ele, a ideia de perdê-lo era inaceitável.

Jayce foi tirado dos seus pensamentos quando o barulho de uma caixa caindo se fez presente. Parado na porta do quarto de hóspedes da nova casa estava Viktor, com um ar cansado. A caixa de papelão caída aos seus pés indicava que ele se arriscou ao pegar algo pesado e, dada a deficiência em sua perna, não suportar.

— Vik, já disse para me chamar quando for pegar as caixas mais pesadas. — Falou, pegando a caixa em seus braços e deixando na cômoda.

— Eu não sou de vidro, Jayce. — A voz do outro veio sarcástica. Ele ajeitou a camisa grande demais em seu corpo, sinal óbvio que era do marido. — Veja o que tem aí dentro e jogo fora o que não for importante. Vou pegar a última caixa.

Viktor saiu do quarto antes que pudesse ver o aceno positivo de Jayce.

Virando-se e prestando atenção na caixa, abriu-a e começou a vasculhar os itens que ficariam na casa e os que iriam deixar ir de vez. Jayce achou coisas muito inúteis, como giz de cera velhos e cadarços de tênis mais antigos que sua avó. Outros objetos, como uma luminária do homem de ferro, um caderninho com a capa do relâmpago mcqueen e uma antiga bússola iriam ir, – não o primeiro item, Jayce não tinha tanta coragem assim.

Ele pensava ter acabado de ver tudo quando suas mãos alcançaram objetos mais sólidos no final da caixa. Curioso, pegou-os. O suspiro nostálgico que escapou dos seus lábios foi quase como uma canção de verão. Em suas mãos ele tinha três porta-retratos medianos, dois deles sendo seus e um sendo de Viktor. A época das fotos era muito antiga, quando tinha entre dez e doze anos. Jayce tinha que admitir que o olhando agora ele entendeu porque todos teimavam em apertar suas bochechas quando era mais novo, ele era muito adorável, assim como Viktor.

Jayce não sabia que, ao olhar aquelas fotos, a barragem que protegia seu coração tinha rachado e agora estava vazando para todo lugar.

Não foi intencional e nem planejado quando seu rosto foi molhado por uma pequena lágrima que, ainda tímida e carregada de sentimentos há muito presos, viajou sozinha e triste pela sua face.

— Como eu queria… — Os dedos de Jayce traçaram seu próprio rosto juvenil no retrato. O sussurro quase sem som foi segredado em confiança ao nada, um pedido preso na garganta e um desejo brilhante em seus olhos.

— O que você queria? — A voz calma de Viktor assustou o marido. Ele suspirou ao ver o rosto choroso de Jayce. — Por que estava chorando, Jay?

— Não é nada. — Apressou-se em guardar os retratos na cômoda onde depois iriam decidir o local exato de cada objeto. — Bobagem, Vik. Não se preocupe.

— Se te fez chorar não é bobagem, Jayce. — Viktor deixou a caixa menor na cama e aproximou-se do marido, puxando seu corpo para ficar em frente ao seu. Seus olhos passearam ligeiramente pelos retratos no móvel e depois pararam nele. — O que te deixou tão emotivo? Diga-me.

Jayce tentou não demonstrar, mas ele não conseguia mentir tão bem como Viktor que sempre conseguia ver através dele e enxergar suas mentiras como água.

A troca de olhares durou por alguns longos segundos até que Jayce desistiu e assumiu a derrota. Viktor não iria desistir e deixá-lo ir até que lhe contasse tudo que estava guardando.

— Eu tenho um pedido. — A voz de Jayce estava trêmula e carregada de incerteza.

— Peça-me o que quiser, querido. — Viktor sorriu ao segurar o rosto do seu grande amor e deixar um beijo singelo e carinhoso em sua bochecha.

A respiração de Jayce ficou instável por duradouros minutos, ele estava entrando em um ataque de pânico silencioso e Viktor o abraçava forte, fazendo círculos calmantes em suas costas e sussurrando vários “eu te amo” lentamente até que ele voltasse ao seu normal.

O pedido de fato veio algum tempo depois, quando Jayce desfez o abraço e encarou os olhos escuros de Viktor.

— Podemos… Podemos ter um bebê?

A pergunta voou como um pássaro, calma, mas que fez o vento se mover em diferentes direções. Jayce estava prestes a chorar novamente e já sentia as lágrimas se formando em seus olhos. O tópico da conversa era sensível para ele e não ter se preparado para isso antes estava lhe matando. Por outro lado, ele estava feliz em ter tido coragem de falar abertamente com Viktor sobre seu mais querido e belo sonho.

Quando Viktor não respondeu, Jayce continuou.

— Você não precisa dizer sim, nem agora e nem no futuro. Foi só um pensamento rápido… Mas se você quiser considerar em algum momento, eu… Eu vou ficar muito feliz, Vik. — Ele se odiou por estar tão gago e falando frases sem sentido, mas o nervosismo não lhe deixava fazer nada corretamente.

— Você quer ser pai? Por que não me disse isso antes, Jayce? — Viktor estava calmo, mas a acusação e traição na voz eram perceptíveis. — Há quanto tempo você tem pensado nisso? Por que não me contou que tinha esse desejo? Jayce… Isso é grande… — Ainda surpreso com a notícia, Viktor trouxe o rosto do marido para outro pequeno beijo, bochecha e um abraço. — Meu amor, eu teria dito sim, é claro que sim, Jayce. Eu quero ter uma família com você.

O jeito como Jayce desabou em choro em seu abraço doeu no coração de Viktor. Ele se agarrou em seu corpo como sua salvação e rodopiou impulsivamente o marido em seus braços, tirando risadas nervosas e engraçadas dos dois. O ar no quarto parecia mais alegre e feliz, assim como eles. Os sorrisos doces combinavam com o vento e a luz natural do sol da tarde que entravam pela grande janela ao lado da cama.

— Viktor, eu te amo tanto meu amor… — Jayce beijou seus lábios docemente. — Me perdoe, eu não sabia como te contar, fiquei com medo de dizer que esse é um dos meus maiores desejos… Sabe, eu sempre sonhei que a pessoa por quem eu me apaixonaria seria a mãe ou pai dos meus filhos. Eu sempre sonhei em ter uma família grande, com crianças correndo por toda casa. Esse sempre foi meu desejo. — Os ouvidos de Viktor ouviam tudo atentamente, não deixando nenhum detalhe escapar. — Eu… Desde criança eu sonho com meus filhos, mas achei que seria difícil já que você nunca me contou nada sobre querer ter uma família. Eu assumi que você não queria isso, então… Nunca falei. Estou feliz por contar agora.

Jayce beijou-o novamente, um daqueles beijos profundamente apaixonantes, que parecem que só existem em livros e novelas.

Após o beijo, Viktor trouxe o rosto dele para mais perto, sentiu-o deixar um suave selar em sua testa.

— Jayce, eu te amo, meu amor. — As palavras de Viktor fizeram um sorriso nascer no rosto de Jayce. — Seu sonho é nosso sonho…

Quando Jayce tinha doze anos, ele tinha um sonho. Quando Jayce tinha vinte e oito anos, ele realizou seu sonho.

Jeyza Tallis, a primeira dos quatro filhos que Jayce queria, nasceu um ano depois.

E ela era perfeita.

Notes:

Espero que tenha gostado dessa fofura! Essa história foi postada originalmente no Spirit Fanfics no meu perfil em
22/11/24
Meu perfil : @ narnie