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Capítulo 1
Em cinco de novembro de 2024 um soldado argentino retornou de uma missão no exterior e veio para nossa cidade. Naquele dia tudo mudou, eu tinha 16 anos, e estava na escola, era um dia normal. Porém, no segundo período, os celulares dos colegas começaram a tocar uma mensagem de emergência parecia como as que aparecem nos filmes.
“ Atenção isso não é um treinamento, mantenham-se calmos reúnam suas famílias, façam estoques de alimentos e evitem contato com estranhos e pessoas com os seguintes sintomas:
Pele pálida, olhos vermelhos, nariz sangrando, vômito constante e cansaço.
Isso não é um treinamento, estamos em quarentena! ’’
Naquele momento só consegui pensar na minha família, pedi para meus colegas mandarem uma mensagem para minha mãe, pedi para ela colocar os nossos cachorros para dentro de casa e esperar por mim. A escola estava agitada, os alunos foram embora aqui ficaram menos de 15, eu sabia que ficar aqui era a melhor opção já que é mais seguro, esperei até que a poeira baixasse e fui para casa trazer minha mãe e os cachorros.
Os alunos que ficaram foram:Eu, Thaila, Lúcio, Maria, Mariana, Paula, Nicoly, William, Eduardo, Kauã, Renata, Samuel e Perlla.
Conseguimos ficar com as chaves da escola, após nos estabelecermos, começamos a nos informar, as coisas estavam acontecendo muito rápido, tudo aquilo estava nos assustando parecia que estamos em um apocalipse zumbi, não conseguia acreditar, os vídeos que estavam circulando eram claros mostrando as pessoas atacando umas as outras.
Minha mãe tentava manter contato com meus irmãos e sobrinhos, graças a ela conseguimos convencer Paulo a trazer Erick e Alice e se juntar a nós, os outros conseguiram trazer suas famílias também, conseguimos vários mantimentos como: Comida, roupas, cobertores, armas brancas (facas e facões ). As coisas pioraram a partir das 15:00 da tarde quando o vírus começou a dominar a cidade, fizemos barricadas improvisadas e passamos o resto do dia.
Dia 2:
No meio da madrugada fomos acordados com gritos havia uma mulher se contorcendo em frente à nossa escola, seu corpo se torcia cada vez mais seus gritos de agonia ficariam em nossas cabeças pelo resto de nossas vidas, aquela foi a primeira vez que tivemos contato com eles. Tentamos distrair as crianças que acordaram.
Decidimos nos separar em dois grupos:
Samuel e Eduardo ficaram como olheiros .
Lúcio, Nicoly, Paula e Maria se revezam na ronda pela escola.
Perlla, William e Kauã ficam junto às crianças e adultos restantes.
Eu e Thaila fazemos as estratégias e organizamos as coisas.
As crianças e adultos ficaram responsáveis com a alimentação e organização dos “quartos”.
Thaila e eu analisamos os estágios e os documentamos.
Estágio 2: Pele vermelha, bolhas parecidas com as de queimaduras, olhos brancos e estresse.
Estágio 3: Agressividade, raiva, bolhas estouradas expelindo um líquido preto.
Estágio 4: Perda total da sanidade e controle do corpo se tornando um zumbi por completo.
Enquanto conversava com Thaila anotamos os pontos fracos.
Kelly: Você viu que quando estão no segundo estágio eles ficam mais lentos?
Thaila: Sim e também ficam mais fracos e cansados.
Depois de um tempo conversando concordamos que o estágio que seria o melhor para atacarmos é o segundo já que a partir do terceiro estágio se tornam mais agressivos e perigosos
Notamos também que teríamos comida para no máximo uns 12 dias já que temos 30 pessoas aqui.
Dia 3:
Decidimos limpar e utilizar a horta embora não saibamos como se inicia o vírus é nossa melhor aposta por enquanto. Começamos a limpeza após as 9, tentando ao máximo não fazer muito barulho, as crianças brincavam na pracinha nós tentamos deixá-las fora de tudo que estava acontecendo.
Tudo estava indo bem até que ouvimos alguém no portão, quando chegamos vimos que era um homem de uns 30 anos ele queria entrar, os outros estavam relutantes e queriam que ele entrasse, eu sabia que tinha algo errado com ele.
Kelly: Levem as crianças lá pra cima e mantenham elas lá, eu não confio nesse cara.
Lúcio: Mas não podemos deixar ele lá fora daqui a pouco enche de zumbis na rua.
Kelly: Mas é perigoso, ele pode estar infectado!
Paula: eu concordo com a Kelly, não conhecemos ele.
Kelly: Vamos fazer o seguinte, amarrem ele e o levem para aquele banheiro do ginásio, já que não podemos deixá-lo. Ok?
Lúcio: Melhor do que nada.
A porta é aberta e antes que ele possa falar alguma coisa nós o amarramos e então eu digo:
Kelly: Se o senhor concordar com o que irei lhe dizer você fica ok?
Matheus: Sim qualquer coisa, meu nome é Matheus por favor me deixa entrar.
Thaila: Nós iremos mantê-lo amarrado lhe daremos alimentos e roupas novas, mas no momento em que você cometer qualquer tentativa de nos atacar ou algo que não gostarmos você tá fora.
Após o colocarmos no banheiro entregamos água e um pouco de comida.
Ele não apresentava nenhum sintoma do primeiro estágio mas ainda sim estava muito cautelosa em relação a ele.
Informações dos personagens
Maria: 18 anos Sanidade:60%
Não infectada Agilidade:80%
Saúde:100%
Lúcio:18 anos Sanidade:70%
Não infectado Agilidade:75%
Saúde:100%
Thaila:16 anos Sanidade:85%
Não infectada Agilidade:85%
Saúde:100%
Kelly:16 anos Sanidade:85%
Não infectada Agilidade:50
Saúde:100%
Paula:16 anos Sanidade:70%
Não infectada Agilidade:100%
Saúde:100%
Nicoly:17 anos Sanidade:75%
Não infectada Agilidade:70
Saúde:80%
Renata:16 anos Sanidade:60%
Não infectada Agilidade:75%
Saúde:100
Mariana:16 anos Sanidade:65%
Não infectada Agilidade:75%
Saúde:100
Kauã:17 anos Sanidade:80%
Não infectado Agilidade:89%
Saúde:100
William:15 anos Sanidade:75%
Não infectado Agilidade:85%
Saúde:100
Eduardo:18 anos Sanidade:85%
Não infectado Agilidade:85%
Saúde:100
Perlla:17 anos Sanidade:50%
Não Infectado Agilidade:85%
Saúde:100
Samuel:16 anos Sanidade:85%
Não infectado Agilidade:100
Saúde
Itens:
Maria: Canivete, faca, água.
Lúcio: Enxada, machado e bandagens.
Thaila: Mochila com lanternas e analgésicos.
Kelly:Faca, lanterna, caderno e lápis.
Paula: Água, pá, jaqueta e estilete.
Nicoly: Estilete, mochila média com cobertas e sementes.
Renata: Urso, livro infantil e tesoura.
Eduardo: Bastão com pregos e remédios.
Samuel: Mochila com comidas enlatadas e um facão.
William: Mochila com garrafas com água, uma faca e um facão.
Kauã: Comidas enlatadas, bandagens e curativos e machado.
Perlla: Roupas, cobertores e faca.
Dia 4: No quarto dia decidimos começar a explorar as casas próximas evitando ao máximo os zumbis, um pequeno grupo composto por: Lúcio, Kauã, Paula, Eduardo e Samuel.
A exploração
Na primeira casa foi fácil entrar mas nela havia um cheiro forte de carniça decidimos evitar a área do banheiro. Então começamos a vasculhar a casa para ser mais rápidos nos dividimos, Kauã ficava de olho para caso algo acontecesse, Lúcio e Paula encontraram comida e frutas, Eduardo e Samuel estavam procurando armas, até que Lúcio notou que no teto havia um pequeno compartimento e então foi verificar o que tinha lá, era uma mala preta do tamanho médio.
Lúcio: Gente olha aqui.
Paula: Da onde tu tirou isso?
Lúcio: Tava ali em cima.
Eduardo: Vamos abrir la no ciep. Vocês já pegaram as coisas?
Paula: Sim, conseguimos 3k de feijão, 3 pacotes de massa, farinha e açúcar e vocês?
Samuel: Achamos mais facas de cozinha e só aqui não tinha muita coisa não. Que que tem aí?
Eduardo: A gente vê depois.
Lucio derruba a mala no chão, o que faz um barulho alto que atrai os zumbis próximos.
Kauã: Mas vocês não podiam ficar quietos não? Agora tão vindo uns zumbis.
Samuel: Quantos?
Paula: Tinha que ser tu, né Lúcio?
Lúcio: Desculpa foi sem querer ela é pesada.
Os zumbis se aproximam da casa e, agora tentando entrar, Eduardo: São três no mínimo, eu abro a porta e vocês atacam ok?
Os dois acenam com a cabeça enquanto se preparam.
No momento em que Eduardo abre a porta, eles entram rapidamente e partem em direção a Lúcio e Paula e então Kauã intervém e acerta o primeiro com o machado, Samuel repete seu gesto atacando o segundo, Eduardo acerta o terceiro e último zumbi pelas costas dando um golpe certeiro em sua cabeça.
Lúcio e Paula assistem aterrorizados, aquelas criaturas já foram alguem, elas tiveram famílias e amigos e agora tiveram esse fim trágico.
O retorno.
A volta para nossa “Casa” foi silencioso, Lúcio e Paula traziam a comida, Eduardo levava a mala. Desta vez não os evitamos, cada um que passava por perto se tornava nosso alvo.
Kelly
Eu estava preocupada já que não tinha nenhum sinal dos outros, já fazia muito tempo que haviam saído. Maria estava comigo, ela também estava assustada, este é o quarto dia e já estamos nessa situação, metade do país já foi dominado, enquanto conversávamos notei que eles estavam chegando e então comecei a retirar as barricadas improvisadas. Algo estava errado as roupas dos meninos estavam com sangue encharcadas na verdade, eu fui até eles para ajudar a trazer as coisas Eduardo carregava uma mala, deve ter algo importante quando entramos os Eduardo, Samuel e Kauã foram direto trocar de roupa, eu não falei nada, nem sabia o que dizer para início de conversa, pedi para Maria chamar os outros para nos reunirmos na biblioteca. Depois de uns 15 minutos estavam todos à espera dos meninos, quando finalmente chegaram coloquei a mala em cima da mesa.
Kelly: Vou abrir ela agora ok?
Renata: E se for algo perigoso, sei lá.
Kelly: Melhor ainda, embora talvez sejam só roupas mesmo.
Lúcio: Eu espero que o que tenha aí valha a pena.
Começo a abrir o zíper da mala, desejando que fosse algo útil. Quando finalmente abro vejo que havia um saco dentro dela e então pedi para me alcançarem uma tesoura.
William: Só o que falta é ser drogas.
Paula: Cala a boca William. Ela soava como se estivesse brava, mas eu sabia que ela estava rindo.
Já estava com a tesoura na mão no momento em que um barulho chamou minha atenção, alguém estava lá fora como estávamos na biblioteca tínhamos uma boa visão de quem era parecia ser uma adolescente, ela estava com uma jaqueta que cobria metade do corpo, tinha cabelos cacheados e pele morena.
Thaila: Vou lá ver quem é essa guria, fiquem aqui, Kelly vem comigo.
Eu aceno em concordância e a sigo até o corredor, no momento em que chegamos na porta soube exatamente quem era, Kamilly nossa colega ela estava assustada. Nicoly veio até nós com um pedaço de corda.
Kamilly: Gente deixa eu entrar por favor
Thaila: A gente deixa mas, tu vai ter que ficar amarrada até termos certeza de que não está infectada.
Kamilly: Tá bom, deixa eu entrar por favor.
O portão foi aberto e no mesmo instante comecei a amarrar os pulsos dela.
Kelly: Vamos levar ela pra sala do AEE lá é mais confortável, Nicoly pega um travesseiro e uma coberta e leva lá.
Kelly: Agora me lembrei, e aquele tal de Matheus tu falou com ele?
Thaila: Sim falei, ele disse que tava lá no centro quando tudo aconteceu ele viu de perto como tudo começou.
Kelly: E como ele não foi infectado?
Thaila: Ele disse que estava num prédio que ele fazia uns trampos. Ele também falou que o tempo da transformação varia de 10 a 20 minutos para os estágios avançarem.
Kelly: Ele falou mais alguma coisa?
Thaila: Não, só agradeceu por a gente deixar ele entrar e dar comida pra ele
Kelly: Vamos voltar para a biblioteca e abrir aquele saco.
Voltando a biblioteca vi que os outros estavam curiosos e discutindo sobre o que tinha lá dentro.
Maria: Eu acho que deve ser só algumas roupas.
Mariana: Verdade, mas porque ela estaria escondida?
William: Tô falando que é droga.
Kauã: Quem que era lá fora?
Thaila: A Kamilly, a Nicoly levou ela pra sala do AEE.
Kauã: Eu vou lá ver ela. Ele diz saindo da sala.
Kelly: Vou abrir o saco agora ok.
Peguei a tesoura e cortei o pacote colocando o na mesa logo em seguida.
Dentro dele havia nove milímetros, o número de série estava raspado, tinha munições dentro do saco também.
Samuel: Pelo menos valeu a pena, tudo aquilo.
Eduardo: Mas quem vai ficar com ela?
Kelly: Vamos fazer o seguinte, ela vai ser usada em casos de emergência mas numa emergência mesmo.
Thaila: O barulho dela atrai os zumbis, mesmo que eles não tenham uma boa audição eles escutariam.
Renata: Concordo com as gurias.
William: Tá, mas quem usaria ela?
Thaila: Depende de quem for lá fora.
Eu guardo a pistola dentro da mala novamente e a fecho.
Kelly: Por hoje é isso, a mala ficará aqui, vamos sair daqui a comida deve estar pronta.
Todos vão em direção ao refeitório e eu fecho a porta.
Dia 10:
Nos dias anteriores não aconteceu nada importante então decidi não registrar, hoje libertamos a Kamilly já que não está infectada como não sabemos como funciona o tempo da transformação exatamente nós a soltamos somente agora, Matheus por outro lado foi decidido que não iremos soltá-lo afinal mal o conhecemos.
Já plantamos quase tudo e as crianças estão ajudando molhando e cuidando, eu sei que elas estão com medo e tentando ignorar o que está acontecendo, tenho pena deles são muito novos para tudo isso, estamos tentando dar uma boa infância para eles.
Como começamos a plantar ficamos com menos tomates, batatas e cebolas estamos com esperança de que tudo cresça e traga bastante comida, os guris querem sair novamente mas estou receosa eles conseguiram escapar daquela vez mas é muito perigoso, querem ir no no bolicho do Moisés que deve ter bastante coisas, mas a rua tem muitas daquelas criaturas, embora não sejam muitos deve ter mais do outro lado da rua.
Thaila: Kelly, eu acho que eles devem sair sim, sei que é perigoso.
Kelly: Eu sei mas quem quer sair?
Thaila: O Eduardo, Samuel e Lúcio, dessa vez a Paula não quer ir.
Kelly: Vamos reunir eles então.
Eduardo: A gente já tá aqui.
Eu olho para trás e vejo eles encostados na parede, não tinha escutado, devia estar presa nos meus pensamentos.
Kelly: O que vocês querem levar?
Lúcio: Duas mochilas, facões e…. você sabe a pistola.
Thaila: Ela é para emergências.
Samuel: A gente sabe mas é só pra caso aconteça algo.
Kelly: O barulho vai chamar atenção deles, a pistola fica aqui.
Eduardo: Então vamos lá.
Kelly: Vejam se mais alguém quer ir.
Depois de uns quinze minutos os vejo saindo, fui em direção ao armazém verificar o que tínhamos de alimentos, a comida está acabando eu acreditava que duraria mais tempo, desse jeito teremos que ir para o mercado ainda deve ter algumas coisas lá mas é muito longe e não temos nenhum meio de transporte tenho que falar com a Thaila sobre isso, eu a encontrei na sala junto com as crianças, aqui é o único lugar tranquilo assim dizer.
Kelly: Thaila vem aqui um pouquinho. Ela se levanta e vem na minha direção e então saio da sala e vamos para o corredor
Thaila: Do que que tu precisa?
Kelly: Tu já viu o quanto temos de comida? Eu acho que não vai durar até semana que vem.
Thaila: E o que tu acha que devemos fazer? Os guris já estão se arriscando saindo.
Kelly: Que opção nós temos? Ficar aqui e morrer de fome?
Thaila: E como vamos sair daqui? A pé? A rua tá lotada daqueles bichos.
William: Bora roubar um carro.
Kelly: Que susto William da onde tu saiu.
William: Eu já estava aqui quando vocês vieram pra cá.
Thaila: Justo, mas como vamos roubar um carro?
William: A gente improvisa.
Kelly: Uma gambiarra então. Mas quem sabe roubar um carro?
William: Não tenho a mínima ideia, vamos perguntar pra alguém lá de baixo.
Kelly: Vamos indo então. Enquanto descíamos a escada demos de cara com o Kauã e aproveitamos para perguntar a ele.
Thaila: Kauã, tu conseguiria ligar um desses carros da rua?
Kauã: Eu posso tentar porque?
Kelly: Precisamos de um deles para irmos mais longe, a comida vai acabar mais cedo do que o esperado, precisamos ir no mercado.
Thaila: Tem que ser um com bastante espaço.
Kauã: Aqui passando o Pig tem uma kombi numa das ruas.
Kelly: Você quer ir lá agora?
Kauã: Pode ser mas quem vai ir junto?
Kelly: Eu posso ir mas não garanto que serei muito útil.
Kauã: Só a gente então?
Kelly: Não sei se mais alguém vai querer ir junto.
William: Eu vou com vocês.
Thaila: Não acham melhor ir amanhã? Ou esperar os outros chegarem, se vocês irem ficarem com pouco pessoal.
Kauã: Vamos esperar os guris então.
Lúcio.
Fomos mais longe, dessa vez não havia muitos zumbis na rua, estamos na padaria bom o que restou dela na verdade, antes mesmo de entrarmos vimos o sangue espalhado no chão e mesmo receoso entrei, o lugar estava horrível tudo estava fora do lugar uma trilha de sangue foi o que chamou minha atenção era vermelho diferente do marrom escuro dos zumbis, decidi seguir a bendita trilha quando cheguei no final notei que havia um homem, seu corpo estava encostado na parede suas roupas estavam ensanguentadas me aproximei e vi que faltava um pedaço da sua perna foi cortado com muita precisão, obviamente aquilo foi feito por um humano precisamos sair daqui agora.
Lúcio: Galera, vamos embora, temos que sair daqui agora.
Samuel: Por que? Mal conseguimos encontrar comida.
Lúcio: Se continuarmos aqui nós vamos ser a comida.
Eduardo: Do que tu ta falando guri.
Lúcio: Esse cara aqui não foi morto por um zumbi, estamos num abatedouro, alguém vivo matou ele e o deixou aqui para comer mais tarde.
Eduardo e Samuel se aproximam notando o corpo.
Samuel: Que merda, imagina sobreviver até agora pra morrer assim.
Lúcio: Eu não sei vocês, mas eu não quero acabar como ele.
Eduardo: Vamos embora rápido.
Quando estavam saindo, uma voz os chamou.
?????: Onde estão indo? Fiquem aqui, voltem agora.
Eduardo: Não sou louco, vamos correr daqui agora.
Enquanto corríamos me virei e vi uma mulher, ela tinha uns 50 anos e estava nos observando, ela murmurou alguma coisa e em seguida deu um sorriso macabro que fez meu corpo inteiro se arrepiar.
Não conseguimos pegar nada daquele lugar agora estamos voltando sem nenhum alimento ou algo útil. Com a cabeça baixa seguimos em direção a nossa “casa”e assim que chegamos contamos os outros o que aconteceu na padaria. E assim como nós ficamos surpresos, Kelly e Thaila já estavam planejando algo para caso aquela velha tivesse nós seguido, enquanto todos conversavam a única coisa que não saia da minha cabeça era aquele sorriso, queria saber o que ela havia dito.
Kelly, Kauã e William disseram que vão tentar pegar um carro amanhã, segundo eles precisamos ir até o mercado, pensei que levaria mais tempo até irmos tão longe assim.
Dia 11:
Está noite não consegui dormir, estava preocupada com o que aconteceu ontem na padaria não saia da minha cabeça, afinal canibalismo não era algo que eu esperava que acontecesse bom pelo menos não tão cedo, vamos começar a evitar aquela área não sabemos se aquela velha trabalha sozinha ou está em grupo como nós.
Comecei a arrumar as coisas que acho que serão necessárias, coloquei: Três facões, água, tesoura e um par de luvas. Essa seria minha primeira vez lá fora desde de que tudo começou eu estou com medo mas não posso ficar aqui para sempre.
Fui dar uma olhada na sala das crianças, Erick e Alice estavam dormindo, minha mãe acordada olhando pela janela, eu fui até ela e a abracei. As oito os outros acordaram e fomos para o refeitório comemos e por um momento parecia que era como antes, como se fosse mais uma manhã e que iríamos para sala estudar mas não era. Kauã, eu e William pegamos nossas coisas, aparentemente Samuel decidiu se juntar a nós, ele não conseguia ficar dentro daquela escola e eu entendo, com o tempo se tornou um lugar sufocante como se estivéssemos num lugar sem esperança alguma. Quando sai foi como se um peso tivesse sido tirado de meus ombros, eu carregava a mochila em minhas costas dando enfim os primeiros passos em direção ao estacionamento, olhando agora percebi como tudo estava diferente às casas vazias e sangue espalhado na rua, tivemos que avançar mais um pouco até onde era a casa da Aline, eu espero que ela e sua família estejam a salvo o caminhão do Hulk magrelo não está aqui então acredito que foram embora, havia vários carros na rua mas precisamos de um espaçoso, avançamos mais um pouco e encontramos a bendita Kombi, Kauã quebrou o vidro com uma pedra próxima, eu olhei em volta para caso os zumbis vierem para mais perto, comecei a me sentir estranha, observada para ser mais exata, me afastei e procurei se havia mais alguém ali além de nós, o barulho do motor chamou minha atenção e dei o sorriso mais sincero a dias. A volta foi tranquila, agora o clima estava mais leve, decidimos deixar a Kombi no estacionamento e colocar ela para dentro mais tarde, nós nos juntamos na biblioteca para decidir se iríamos hoje ou amanhã no mercado.
Renata: Vocês não acham melhor ir amanhã?
Paula: Porque não hoje?
Mariana: Tá ficando mais arriscado eles estão saindo quase todos os dias, ficamos sozinhos aqui e com aquela velha maluca que eles viram ontem é pior ainda.
Nicoly: Não sabemos nem se ela seguiu eles e se ela está sozinha, e se ela tentar alguma coisa contra a gente e eles não estiverem aqui?
Thaila: As gurias tão certas vamos esperar alguns dias e então podem ir lá, ainda temos comida aqui.
Kauã: Pode ser então mas não podemos esperar tanto assim, vamos daqui a 2 dias
Dia 13:
Ontem retiramos dois bancos do carro abrindo mais espaço para os mantimentos, estamos bem alertas, não sou a única que se sente observada, William me disse que desde domingo quando estávamos na rua, ele acredita que viu alguém nos observando numa daquelas casas não sei se é porque estamos sendo paranoicos ou algo assim mas melhor prevenir do que remediar, eu quero retirar as grades de algumas salas para caso haja algum tipo de emergência e precisarmos sair. Os guris já estão prontos e estão preparando o carro, acredito que a ida até lá vai ser difícil a rua está cheia de zumbis hoje mas não temos outra opção as plantações ainda não deram frutos e temos comida apenas para amanhã, falando na horta as crianças estão regando as plantas nesse exato momento.
São 9:00 Samuel, Lúcio, Eduardo, Kauã e Paula estão se despedindo dos entes queridos, afinal não sabem como será a viagem, quando ouço o carro saindo eu soube que a partir de agora não teria mais volta mas pelo menos sabia que proteção não os faltaria.
Paula
No caminho passamos por cima de várias daquelas coisas, meu corpo tremia a cada vez que o carro se movimentava, gostava de pensar que era apenas um quebra molas mas no fundo eu sabia que não. Chegamos mais rápido do que eu esperava ou não estava pensando direito, o portão estava fechado talvez haja alguém ali? Tomara que não, Kauã abriu a porta emperrada fazendo um barulho estranho, levamos duas lanternas acreditando que estaria um breu lá dentro mas surpreendentemente estava claro como era antes mas o que diferenciava era que tudo estava fora do lugar, os freezers no chão, as garrafas de bebidas quebradas no caminho da entrada, fomos em busca de comidas enlatadas, um sorriso iluminou meu rosto quando vi que ainda tinha salgadinhos e alguns doces já fazia muito tempo que não comia algo assim, coloquei o máximo possível deles dentro da mochila e fui atrás dos guris. Lúcio estava inquieto olhando para trás repetidamente como se tivesse alguém lá, eles encheram suas mochilas também agora havia mais peso em nossas costas o que nos deixa mais lentos, tudo estava bem até que ouvimos o portão se fechando lá na frente meu coração começou a bater rapidamente eu não conseguia pensar meu corpo travou no lugar que estava, voltei a pensar quando Kauã me puxou e me escondeu atrás de uma das prateleiras eu não conseguia respirar direito como se houvesse um peso enorme em meu peito, eu olhei para o lado e vi que Samuel e Lúcio estavam nas prateleiras dos cantos tentando ver quem estava ali, Samuel sussurrou alguma coisa e apontou para uma pequena sala atrás de nós tudo estava acontecendo muito rápido, novamente Kauã me puxou e me levou em direção a ela Lúcio pegou a mochila de Samuel e a do Kauã e colocou ao meu lado e começou a tentar a abrir a porta da pequena sala. Olhei em volta e vi que tinha alguém vindo em direção ao lugar em que estávamos peguei um brinquedo de cachorro e joguei na direção oposta, a porta atrás de mim se abriu Lúcio e ele entrou colocando as mochilas lá dentro também Kauã passou por mim e saiu correndo para trazer a kombi para cá, Samuel estava sozinho distraindo quem quer que estava aqui dentro me levantei e fui pegando as coisas que tinham no chão e fui jogando em várias direções quando levantei minha cabeça vi que no final do corredor tinha umas três pessoas, assim que olhei para Samuel o vi engolir seco ele se aproximou de mim o mais silenciosamente possível e então sussurrou: É aquela velha daquele dia da padaria.
meus olhos se arregalaram, eu não queria virar comida para aquela gente.
Paula: E agora? O Kauã foi buscar a Kombi, o que a gente faz?
No momento em que terminei de falar alguém puxa meus cabelos me arrastando para longe, eu gritei Samuel pegou o seu facão e avançou eu tentava me soltar mas doía muito lágrimas embaçaram meus olhos nesse momento lembrei que tinha um estilete na jaqueta o peguei e atingi homem na perna direita o fazendo se afastar e cambalear para trás.
???: Sua merdinha
Samuel o atacou acertando-o com o facão em seu braço e em seguida seu pescoço, Lúcio veio para avisar que Kauã trouxe o carro para a saída mas quando viu o que estava acontecendo veio em nossa direção com o machado em mãos passando direto por mim e atacando a mulher que começou a gritar dizendo: Vocês mataram ele Lucas levanta. Repetidamente.
Samuel me puxou e me tirou do caminho faltava mais uma pessoa onde ela tá? Onde ela está? Que merda, comecei a olhar em volta procurando qualquer resquício da terceira pessoa. Lúcio nos chamou para sair, peguei uma das mochilas e entreguei para Kauã que estava na saída fui alcançando uma por uma, quando um cheiro forte dominou meu olfato e então olhei para trás e vi que a mulher estava agachada perto do corpo e junto a ela um homem segurando algo que não reconheci.
Samuel: Sai sai é gás É GÁS CORRE DAQUI. Ele me empurrou pela saída quando ocorreu a explosão, além de malucos eram maldito suicidas, eu acabei caindo no meio da calçada não conseguia escutar nada além de um zumbido constante, minha perna esquerda ardia ela estava queimando me movi para ver como estava quando vi que Samuel estava no chão sem se locomover rastejei em sua direção e vi que suas costas estavam queimadas demais, chamei seu nome várias vezes e sem resposta alguma. Lúcio se aproximou dele e colocou sua mão no pescoço dele e em seguida a retirou.
Lúcio: Ele tá pelando.
Kauã: Vamos tirar ele daqui.
Enquanto eles o colocavam dentro do carro comecei a verificar minha perna, a calça havia sido queimada até o joelho, minha pele estava exposta coberta de queimaduras e de repente tudo começou a ficar embaçado e minha visão escureceu.
Lamentos
Enquanto dirigia minha mente estava a mil por hora disse para Lúcio tentar acordar a Paula pois sabia que entre os dois ela seria a única a acordar.
Kauã: Lúcio tenta fazer de tudo pra acordar, joga um pouco de água na cara dela, não sei.
Lúcio: To tentando, pega minha mochila ai do banco e pega as ataduras rápido.
Seguindo suas instruções fiz o mais rápido que pude enquanto mantia os olhos na estrada, eu os observava pelo retrovisor Lúcio enfaixou a perna de Paula, meus olhos se voltaram para o corpo de Samuel no banco atrás deles ele não se mexia eu sabia que ele não sobreviveria hoje até mesmo está morto agora meus pensamentos estão em branco eu não sei o que a gente vai acontecer agora eu esperava que fosse mais uma saída e que nada muito grave acontecesse o Samuel é um ano mais novo do que eu ele era muito nova para isso se isso aconteceu com ele pode acontecer com qualquer um não conseguimos pegar comidas Sim vamos precisar sair novamente seguir isso aconteceu agora imagina o que pode acontecer com os outros meus pensamentos soltaram em si quando a chuva começou a atingir o vidro do carro meus olhos se enchendo de lágrimas meu coração continua batendo muito rápido eu olhei eu olhei para rua nós tá voltado daquelas criaturas parece que estamos em um filme de uma série tipo the walking dead ainda não consigo acreditar que tudo isso está acontecendo nós vamos morrer assim mesmo mal vivemos em nossa vida são as crianças praticamente e cá estamos aqui sofrendo neste mundo não sei o que vai acontecer quando chegarmos lá no colégio não sei nem se vou conseguir falar alguma coisa sinto como se tivesse um peso dentro da minha garganta como eu mostrar o que aconteceu isso não era para ter acontecido nada de escrever por enquanto temos que focar em manter a Paula salva a perna dela foi muito queimada ela vai ficar em defesa por muito tempo principalmente que o corpo dela é pequeno que merda a gente vai morrer a gente vai morrer não temos o que fazer vamos acabar com o Samuel. Esses pensamentos negativos dominaram minha cabeça e pioravam cada vez mais, estávamos chegando na escola isso que fui o mais rápido que pude quando chegamos tirei Samuel de dentro do carro mais rápido que pude Kelly os outros já tinham abrido as portas estavam à nossa espera quando olhei para o seu rosto vi que já tinha percebido que tinha acontecido Maria que estava nos esperando deu passos para trás Kelly, Thaila e Eduardo vieram eu passei por eles e levei Samuel direto para a biblioteca o colocando no chão quando eu coloquei no chão finalmente olhei pera aí como ele estava metade do seu rosto estava queimado sua roupa havia grudado na sua pele, me sentei ao lado dele, eu não sabia o que fazer o maior perigo para nós agora não são zumbis mas sim os humanos e isso só nos mostra que estamos indefesos, nós pensamos em nos proteger contra aquelas criaturas mas não contra nós mesmos, vamos acabar morrendo de qualquer jeito mesmo sobrevivendo aos zumbis somos um bando de adolescentes,crianças e idosos o que que a gente vai fazer, lágrimas escorriam pelo meu rosto fechei meus olhos e me encolhi.
Kelly
Estava tudo calmo, Nicoly e Mariana estavam comigo enquanto esperávamos pelos outros, nenhuma de nós sabia o que aconteceria agora, eu estava muito preocupada.
