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Português brasileiro
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Published:
2024-12-27
Words:
4,800
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1/1
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1
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6
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33

Christmas Eve

Summary:

Park Chanyeol conheceu Byun Baekhyun na véspera de natal de 2005. E foi na véspera de natal, que percebeu que havia o perdido para sempre.

[chanbaek x natal x lovers to ex’s]

Work Text:

Para Todos Os Finais Não Felizes

 

Park Chanyeol conheceu Byun Baekhyun na véspera de natal de 2005. 

A neve cobria os cabelos escuros e enroladinhos de Chanyeol, que esfregava as mãos uma na outra, tentando aquecê-las quando seus olhos encontraram os de Baekhyun pela primeira vez.  

Assim como todos na cidade, foram pegos de surpresa pela nevasca, que atravessou seus corpos com um vento gelado e cortante, e Chanyeol, jurou que estava numa onda de azar por essa situação. Apertou os braços ao redor do corpo e correu em direção a primeira loja que viu, suspirando aliviado ao sentir o calorzinho do local junto ao cheiro aconchegante de chocolate quente. 

Mal teve tempo de aproveitar a quentura, já que uma mão coberta por uma luva preta o impediu de fechá-la. E ao erguer o olhar, deu de cara com os olhos castanhos mais bonitos que poderia ter visto em todos os seus anos de vida. O garoto de cabelos castanhos claros estava com o rosto vermelho por conta do frio, as bochechas rosadas junto ao nariz fino avermelhado pareceram a imagem mais bela que Chanyeol poderia imaginar.

E, deuses, não sabia dizer o que sentiu naquele momento.

Com o pigarreio de uma atendente, os rapazes perceberam a cena que estavam fazendo e abaixaram a cabeça envergonhados enquanto Chanyeol dava passagem para o mais baixo entrar. 

— Realmente, essa nevasca veio de surpresa. Se soubesse nem teria saído de casa — o rapaz disse risonho, tirando o cachecol do pescoço, enrolando o tecido nas mãos. Chanyeol riu fraco. — Byun Baekhyun — Baekhyun estendeu a mão direita — E qual o nome do meu companheiro azarado?

Chanyeol abaixou a cabeça, mordendo o interior das bochechas em vergonha, não demorando para apertar a mão de Baekhyun com a sua direita.

— Sou Park Chanyeol. 

Os rapazes sorriram envergonhados, não percebendo que aquele aperto estava durando mais que o necessário, que na realidade não era desconfortável. Tanto Chanyeol quanto Baekhyun pareciam estar perdidos no olhar um do outro como dois idiotas.

O Park notou, então, que o cabelo de Baekhyun ainda estava com alguns resquícios da neve que caía com ainda mais força do lado de fora. Num movimento, quase que natural, Chanyeol tocou os fios com delicadeza, limpando-os da neve restante. 

Baekhyun sentiu o corpo esquentar ainda mais em vergonha, as bochechas junto de suas orelhas ficando mais vermelhas do que já estavam. 

— Bom, acho que te devo um chocolate bem quente por ter me ajudado a não ficar preso na nevasca e por ter me poupado uma nova ida ao salão para arrumar meu cabelo. Além disso, acho que vamos passar a véspera de Natal presos aqui por um bom tempo — sorriu — Aceita?

Os olhos de Chanyeol vagaram brevemente pelo local. Havia poucas pessoas ali além deles e da atendente, e assim como eles, estavam esperando a nevasca diminuir para poderem aproveitar o restante do dia, tanto que nem tiveram vontade de pedir algo para comer ou beber.

Chanyeol o encarou com os olhos brilhando, balançando a cabeça em afirmação, recebendo um sorriso que esquentou cada parte de seu corpo. Baekhyun, num gesto que pareceu tão natural para eles, segurou sua mão, puxando-o para uma das mesas afastadas, nos fundos da cafeteria.

Conversaram sobre tudo que poderiam imaginar, sobre suas vidas, situações engraçadas de seus relacionamentos passados, famílias e sonhos, nem notando que a nevasca havia acabado e que a cafeteria começava a se esvaziar. Estavam tão alheios que permaneceram no local até perto do horário de fechamento; praticamente foram expulsos pela pobre atendente que apenas queria ir para casa.

Os garotos sorriram envergonhados e pediram inúmeras desculpas por complicarem seu horário de saída.  

Trocaram informações de contato como seus números de celular e seus usuários no MySpace, perfil que Chanyeol passou horas da madrugada olhando, rolando a página enquanto lia as postagens, descobrindo as músicas, filmes e livros que Baekhyun gostava. E a uma certa distância, Baekhyun fazia o mesmo, sorrindo abobalhado com tudo que encontrava, sentindo o coração se aquecer e um friozinho gostoso em sua barriga.

E nos três meses que se seguiram, os dois se aproximaram rapidamente. Suas personalidades, por mais que um pouco diferentes, se completavam. Baekhyun era a espontaneidade que faltava na vida de Chanyeol, enquanto Chanyeol era a calma que o Byun precisava nos momentos mais complicados. 

Estavam apaixonados.

Não demorou muito para que as saídas se tornassem mais frequentes, as chamadas de vídeo por horas na madrugada fossem agora parte da rotina, mesmo que amanhecessem mortos de sono, os sorrisos enormes no rosto e os corações acelerados e ansiosos para a próxima rodada de conversas eram a resposta de que tudo estava valendo a pena.

Obviamente, começaram a namorar pouco tempo após se conhecerem.

Eram intensos e apaixonados, viviam cada dia como se fosse o último de suas vidas miseráveis na Terra, compartilhavam sonhos de uma vida juntos enquanto exploravam mundos diferentes e descobriam ainda mais sobre eles mesmos. Estavam construindo o que seria o seu próprio mundinho, onde a felicidade seria eterna e os sonhos realizados.

E por muitos anos, os dias foram repletos de risadas, cantorias e tudo de bom que o mundo poderia oferecer. Alugaram um pequeno apartamento perto do centro quando completaram o terceiro ano de namoro, no quarto começaram a juntar dinheiro e pesquisar locais no mundo onde a união entre pessoas do mesmo gênero era legalizada para realizarem o sonho de se casarem.

No sétimo ano, começaram os pensamentos de terem filhos, construir a própria família mesmo que tivessem que virar o mundo do avesso e por mais que Chanyeol estivesse relutante no início, passou a acreditar que não seria tão ruim ter uma ou duas crianças correndo por aquele apartamento. Suas famílias ficaram muito contentes com a ideia, porém, os advertiram que cuidar de uma criança era algo sério, que deveriam se preparar para cuidar de outro ser humano, que seriam responsáveis por ajudar aquela pessoa a formar um caráter e que deveriam ter noção de todas as responsabilidades daquela decisão.

O casal concordou em esperar mais alguns anos antes de iniciarem um processo de adoção, acreditavam que precisavam de mais algum tempo para entender o peso disso tudo. 

Baekhyun, quando estavam abraçados antes de dormir e conversavam sobre o futuro, contava do desejo de ter uma menina. Falava que a trataria como a soberana do universo e se pudesse daria o mundo a ela. Ao seu lado, Chanyeol ria fraco, acariciando os fios do namorado, dizendo que aquela garota teria sorte de ter Baekhyun como pai.

Contudo, esse sonho acabou sendo deixado de lado conforme os anos se passavam e suas vidas pessoais passaram a ser deixadas em segundo plano devido a suas carreiras. Baekhyun havia se formado em jornalismo e na época era o editor chefe de um dos maiores jornais do país, chegando até a receber condecorações por seu trabalho espetacular. Chanyeol era engenheiro da computação e sonhava em um dia abrir sua empresa e se tornar um conhecido desenvolvedor.

Beirando o nono ano de relacionamento, a carreira de Chanyeol ganhou uma nova dimensão quando ele passou a ser reconhecido por seus projetos e passou a receber mais e mais propostas de trabalho, o que deixou o rapaz ainda mais ansioso para o futuro brilhante que estava quase na palma de suas mãos.

Com as propostas de trabalho batendo-lhe a porta com mais frequência, Chanyeol passou a ficar mais tempo na empresa que trabalhava ou fazendo pequenas viagens de negócios para fora da cidade, que no começo durava no máximo três dias, mas que, conforme o tempo passava, já havia se tornado comum o rapaz passar uma semana fora de casa. Baekhyun estava orgulhoso do sucesso do parceiro, seu coração se enchia de alegria sempre que Chanyeol contava o quão elogiado havia sido e de como muitos outros empresários estavam fascinados com seu trabalho, e por isso, encarou as viagens e a mudança no comportamento de Chanyeol com compreensão, acreditava que as coisas se ajeitariam com o passar do tempo e suas rotinas logo voltariam ao normal, afinal, ele também estava passando mais tempo na editora, então não o culpava inteiramente, contudo, notou que a distância entre eles começou a crescer.

Baekhyun fez de tudo para organizar seus horários de forma que conseguisse passar mais tempo com o namorado e para, talvez, fazer o que costumavam. Estava até planejando uma viagem para a cidade natal do Park, acreditava que faria bem a ele dar um tempo da correria do trabalho. Contudo, sempre que tentava iniciar uma conversa sobre essa possibilidade, era interrompido por chamadas no celular de Chanyeol, as quais ele respondia prontamente, deixando de lado um Baekhyun com peso nos ombros e coração dolorido.

Mas, Baekhyun ainda tentava ser paciente.

Quando chegaram à marca de dez anos juntos, o relacionamento já não era mais o mesmo. Chanyeol estava mais ocupado do que nunca, chegando a passar noites trabalhando e sempre prometendo que logo tudo se acalmaria, que estava lutando para dar a Baekhyun todo o luxo existente no mundo. Foram várias as madrugadas que o Park chegou em casa e encontrou Baekhyun dormindo no sofá, cansado de tê-lo esperado por horas a fio, ato que após alguns meses não aconteceu mais, agora quando chegava em casa, Baekhyun já estava dormindo, sendo abraçado pelo vazio gelado da cama que compartilharam por tantos anos.

Quando perguntado quando as coisas se acalmariam, Chanyeol respondia que em breve, mas esse em breve nunca chegava. Baekhyun, por outro lado, se sentia cada vez mais sozinho, mesmo quando estavam juntos. Ele desejava a atenção e a presença de Chanyeol como nos primeiros anos, mas parecia que o trabalho sempre vinha em primeiro lugar. 

Ainda assim, tentaram resistir por mais algum tempo.

Chegaram a planejar viagens para tentar trazer o fervor do começo do namoro, tentaram voltar a ter noites dedicadas ao outro, jantares românticos, até chegaram a conversar sobre a situação que estavam passando, mas os esforços pareciam desiguais. Baekhyun investia todo o coração, enquanto Chanyeol, embora ainda apaixonado, estava consumido pelas demandas de sua carreira.

As coisas não eram mais as mesmas e por isso, o término foi inevitável e numa manhã fria de inverno, ironicamente, igual a que se conheceram, Baekhyun colocou um ponto final no grande amor de sua vida.

As últimas palavras que trocaram saíram com um forte gosto amargo.

Era inacreditável que aqueles olhos, que outrora se encaravam com tanta ternura e paixão, agora carregassem um semblante decepcionado, raivoso e abatido. Que aquelas vozes que um dia gritavam ao mundo juras de amor e promessas de um amor eterno, agora gritavam palavras duras e frias como gelo, perfurando e machucando cada canto dos peitos dos rapazes que um dia foram almas gêmeas, mas que agora, se tornaram desconhecidos de longa data.

O apartamento que um dia fora abarrotado do calor intenso de uma paixão, agora estava gelado e vazio. As paredes que por muitos anos carregaram as lembranças do que foi uma vida maravilhosa, agora mais se pareciam com muros de um local abandonado. 

Infelizmente, o amor que os uniu por tanto tempo não foi suficiente para toda uma vida.

 

 

~🎄~

 

Com um longo suspiro, Chanyeol guardou o celular no bolso do casaco grosso, querendo xingar Deus e o mundo pelo estresse que estava passando. Se estava tendo um dia ruim, faria com que todos tivessem um dia péssimo. 

Aos quarenta e três anos, podia se considerar um homem com uma vida dos sonhos. Morando fora de seu país natal há anos, era CEO de uma grande empresa do ramo da tecnologia com filiais em todo o mundo, morava num luxuoso complexo de apartamentos na área mais nobre da cidade, além de várias outras coisas que muitos matariam para ter.

Chanyeol apertou os olhos com o polegar e o indicador, sentindo leves pontadas na cabeça devido ao estresse. Odiava as festas de final de ano, odiava como era difícil trabalhar nessa época do ano. Durante todo o dia seu celular apitou com mensagens de sua mãe perguntando mais uma vez porque ele não foi passar o natal em casa, com sua família. E mais uma vez, Chanyeol disse que tinha coisas mais importantes para fazer e que não poderia deixar o trabalho para viajar para Coreia naquele ano.

Assim como todos os anos que se passaram desde que deixou sua terra natal.

Estava tão irritado, que sentia que poderia matar o primeiro que passasse em sua frente por aqueles corredores. Por isso, numa tentativa de diminuir seu estresse e se preparar para mais uma noite no escritório, decidiu sair para comer ou beber alguma coisa, então tratou de pegar as chaves de seu carro e seguir para o estacionamento da empresa, que como o esperado, estava congelando, então soltou um suspiro aliviado ao sentir a quentura do automóvel. 

Por mais que fosse véspera de natal, as ruas estavam relativamente cheias, nada diferente do esperado para uma cidade como Nova Iorque. Pessoas perambulando por todos os lados, restaurantes lotados e decorações de natal tão brilhantes que Chanyeol quase sentiu seus olhos arderem e por sorte, encontrou uma cafeteria um tanto vazia.

Bom, alguma coisa boa tinha que acontecer naquela noite. 

Chanyeol pouco falou quando entrou no local, se limitando apenas a pedir um café expresso forte com alguns docinhos para beliscar mais tarde. 

Estava impaciente.

Quanto mais rápido comprasse as coisas, mais rápido voltaria para seu escritório e talvez, tivesse a chance de voltar para casa antes da madrugada e aproveitar mais uma noite no tácito apartamento. Os dedos batucavam no balcão, sua perna esquerda não parava de balançar e seus olhos se viravam para o relógio em seu pulso esquerdo mais vezes do que o normal para uma pessoa comum.

Os cinco minutos para que seu pedido ficasse pronto pareceram cinco horas, então, nem se deu ao trabalho de sorrir quando pegou o café e os bolinhos e seguiu para fora da cafeteria em passos apressados, torcendo para que não fosse pego por uma nevasca ou chuva no caminho de volta ao escritório, tudo o que menos queria era ter que passar horas preso no trânsito quando tinha inúmeros papéis em sua mesa o esperando para serem resolvidos.

Tudo parecia estar contra Chanyeol naquela semana, e com toda certeza, o mau tempo estava incluído no pacote.

Contudo, não era o tempo que estava contra ele naquela noite, mas sim todo o universo e essa certeza veio quando, ao estar prestes a entrar em seu carro, escutou o som que acreditava estar trancado a sete chaves no interior de suas memórias.

O som da voz que um dia fez seu coração disparar e acreditar em finais felizes.

— Chanyeol?

O arrepio que atravessou o corpo de Chanyeol foi como uma descarga elétrica e seus dedos começaram a formigar e por muito pouco não derrubou o café que segurava. 

Chanyeol hesitou por um momento, sua respiração descontrolou e sentiu a garganta secar ao virar o corpo, não acreditando no que estava diante de seus olhos e por mais que tentasse não transparecer o choque, sabia que essa tentativa havia falhado, afinal, Byun Baekhyun estava a sua frente depois de tantos anos.

Baekhyun estava estonteante.

Os cabelos mais curtos do que se lembrava, agora pintados de preto com alguns cachinhos que ele tinha a lembrança viva de passar horas e horas mexendo enquanto assistiam alguma série ou quando ficavam abraçados na cama antes de dormir. Ele vestia um pesado casaco preto, o pescoço envolto por um cachecol felpudo e os dedos longos cobertos por uma fina luva preta.

E da mesma forma que havia posto os olhos pela primeira vez nele, o nariz e as bochechas vermelhas devido ao frio e os cabelos com pequenos flocos de neve o decorando.

Baekhyun estava diferente.

Parecia mais maduro, mais vivido, como se tivesse vivido muitas vidas no tempo que ficaram separados. Era como se estivesse encarando outra pessoa e não seu ex-namorado. Era como se aquela versão do Baekhyun de anos atrás tivesse se tornado um desconhecido e agora estava diante de uma pessoa nova.

Eles ficaram se encarando por um tempo, sem dizer nada, até que Baekhyun, com um sorriso tímido, se aproximou.

— Uau… não pensei que te encontraria de novo, não depois de todos esses anos — disse Baekhyun, a voz baixa, mas que ainda carregava um certo ressentimento. Mordeu o interior das bochechas vermelhas de frio, sorrindo nervoso enquanto analisava a figura do ex-namorado — Como tem passado? E sua mãe? E Yoora? 

Chanyeol não respondeu de imediato. Ainda estava tentando processar a presença de Baekhyun a sua frente após tantos anos e depois de tudo o que aconteceu entre eles.

O Park piscou várias vezes para voltar a si e pigarrou, tentando encontrar as palavras que desapareceram de sua mente.

— Realmente faz muito tempo, Baekhyun — falou baixo, com um sorriso tímido nos lábios que tremiam levemente. A boca fechou-se numa linha fina, enquanto sua mente tentava buscar as palavras certas para falar, não esperava encontrá-lo, por isso, não sabia o que fazer. Engoliu a seco e ergueu o olhar — Bom, o de sempre, sabe como é… trabalhando — respondeu sem graça — Quanto a elas, desde que me mudei para cá, não tenho conseguido manter tanto contato como antes, mas tenho certeza que estão bem. Apenas chateadas já que não vou passar as festas de fim de ano com elas.

Baekhyun soltou um riso sem humor, uma fumaça branca saindo de seu nariz por conta do frio.

— Você realmente não mudou, não é, Park?

O tom da voz de Baekhyun fez Chanyeol sentir uma pontada de vergonha de suas atitudes. Sabia do que ele estava falando. Seu vício em trabalho foi o estopim da ruína de seu relacionamento.

Chanyeol pigarreou.

— Mas e você? Está aqui a trabalho? — disse rapidamente, tentando mudar de assunto quanto antes — Lembro que sempre dizia que jamais pisaria nesse país.

A risada alta de Baekhyun chegou aos seus ouvidos, aquecendo seu peito assim como antes. Foi impossível não lembrar de quando passavam horas rindo das besteiras da vida, das noites viradas conversando sobre os planos para o futuro, onde iriam morar, quantos cachorros teriam e se comprariam uma casa de campo quando ficassem velhinhos; das vezes que nem viam as horas passarem quando estavam juntos, aproveitando o calor de seus corpos, sentindo o amor quase que transbordar.

As lembranças desse tempo tão bom inundaram sua mente e seu peito pesou.

Não era hipócrita, por muitas vezes, nos primeiros após o término, imaginou como seria reencontrar Baekhyun.

Imaginou cenários nos quais pedia perdão por suas atitudes ou pedia para recomeçar, passando uma borracha em tudo. Porém, conforme o tempo passava, a ideia de um reencontro ficou guardada nos fundos de sua mente e acabou sendo esquecido em meio aos pensamentos repletos de trabalho e compromissos.

— Realmente, se tivesse a opção de não pisar nesse lugar, aproveitaria a oportunidade — respondeu brincalhão, tentando quebrar a parede de gelo que se formou entre eles — Estou aqui por motivos pessoais, coisa de família.

— Aconteceu alguma coisa com seu irmão? Ou com seus pais?

Baekhyun balançou a cabeça, em negação.

— Para o seu alívio, não aconteceu nada com eles… falando no Baekbeom, ele casou, sabia? E além, disso, agora sou tio de duas crianças maravilhosas!

Chanyeol sorriu.

Sabia que um dos sonhos de Baekhyun era ter uma família grande e que esperava ansioso para o momento que teria sobrinhos para mimar. E durante o tempo que ficaram juntos, Chanyeol também se pegou imaginando como seria cuidar daqueles que seriam seus sobrinhos, dando presentes ou levando para viajar. 

Sonhos de uma vida boa.

Uma vida que escapou de suas mãos por conta de seu egoísmo. 

— Mande minhas felicitações a eles. Lembro o quanto ele falava que sonhava em ser pai, fico feliz que ele realizou esse sonho — Chanyeol disse finalmente, com um sorriso sincero. Ainda com os olhos fixos em Baekhyun.

Chanyeol mordeu o interior das bochechas, sentindo o vento gelado bater em seu rosto mais uma vez. Seu coração disparou, os dedos tremiam, não mais apenas de frio, mas de uma ansiedade pavorosa. 

As palavras estavam entaladas em sua garganta e por breves segundos, foi como se tivesse voltado no tempo e estivesse no dia que Baekhyun acabou com o que tinham. Subitamente se viu novamente com trinta anos, escutando as palavras frias saírem da boca do homem que tanto amou e da sua, respostas ainda mais ásperas. Seus olhos estavam com pequenas lágrimas surgindo e seus lábios tremiam. Tinha muito o que falar mas não tinha ao menos ideia de como.

Engoliu a seco e encarou Baekhyun. 

— Muitas vezes me perguntei se deveria ter feito as coisas de outra forma, se deveria ter falado mais coisas ou deixado de falar outras — murmurou Chanyeol, os olhos castanhos encarando os olhos brilhantes de Baekhyun — Talvez as coisas tivessem sido diferentes, talvez, ainda poderíamos estar juntos.

Baekhyun engoliu seco, tentando manter a cabeça no lugar. 

— Chanyeol... — A voz dele soou mais baixa do que imaginava. A cabeça balançando em negação — O que aconteceu, aconteceu. Não podemos mudar o passado, e também, falar que deveríamos ter feito certa coisa não vai mudar o que já aconteceu. Eu segui em frente, Chanyeol. Eu realmente segui em frente. Conheci novas pessoas, amei e chorei por elas. Precisava viver, não podia ficar preso ao fantasma de nosso relacionamento. 

O coração de Baekhyun apertava a cada palavra. 

Sofreu tanto quanto ele quando terminaram. Ficaram juntos por dez anos, dez anos de dedicação que obviamente não seriam esquecidos do dia para noite e mesmo com os anos que se passaram, ainda era uma ferida que doía quando cutucada. Contudo, precisava viver, sabia que tinha que seguir em frente e que de nada adiantaria ficar revirando aquela história, se perguntando se não havia lutado o suficiente por eles.

Foi preciso um certo tempo para entender que aquela relação se tornou insustentável e que sim, havia lutado com todas as forças para salvá-la. Estava com a consciência limpa e isso já bastava.

Chanyeol fechou os olhos, respirando fundo.

— Eu sei, Baekhyun. Eu só… só quero me desculpar por tudo. Por não ter notado o que estava acontecendo entre a gente — engoliu a seco, tentando manter a calma e não se enrolar nas próprias palavras — Me desculpar por não ter sido a pessoa que você merecia.

Baekhyun o encarou com um sorriso triste.

— Isso está no passado, mas se te alivia, eu fui feliz, realmente fui. Você me deu os que foram os melhores anos da minha vida e serei eternamente grato por tudo que vivemos, mas a situação estava insustentável — o Byun umedeceu os lábios antes de continuar — Você passava mais tempo no trabalho, focado nos seus sonhos que esqueceu que eu também tinha os meus, esqueceu dos nossos sonhos e não notou que praticamente estávamos vivendo como dois estranhos. Você esqueceu da gente.

Park permaneceu em silêncio. 

Baekhyun estava certo.

E ele precisava ouvir aquelas palavras, precisava ter a noção de que seu egoísmo foi o que acabou com o relacionamento com o amor da sua vida, que foi por causa dele, que perdeu Baekhyun. 

No instante que Chanyeol abriu a boca para falar, foram interrompidos por uma voz baixa e delicada.

— ¿Cariño?

Baekhyun virou-se na direção da voz e Chanyeol olhou por cima de seu ombro. Atrás dele, se aproximava uma mulher de cabelos escuros até a cintura e pele bronzeada, vestindo um casaco pesado de tonalidade vermelha. A desconhecida se aproximou de Baekhyun, segurando seu braço enquanto falava alguma coisa para ele numa língua estrangeira, que reconheceu como sendo espanhol, porém, não entendeu sobre o que falavam.

Seu coração apertou ao notar o olhar carinhoso, que um dia foi direcionado apenas para si, se perder nas feições belas da mulher a sua frente. Junto do sorriso envergonhado e olhar preocupado que apenas confirmou o tipo de relação que aqueles dois tinham.

A mulher perguntou algo para Baekhyun, indicando Chanyeol com a cabeça e o Byun pareceu voltar a si, lembrando que ainda estavam no meio da rua. 

Baekhyun coçou a garganta antes de falar.

— Mi amor, este és Chanyeol… un amigo — Baekhyun começou em espanhol, fazendo a mulher o encarar com um sorriso brilhante nos lábios — Chanyeol, essa é Jongin, minha esposa.

Esposa.

O mundo de Chanyeol pareceu ruir ao ouvir as palavras que saíram da boca de Baekhyun e apenas naquele instante, notou a grossa aliança dourada na mão esquerda do mais velho. Ficou tão inerte com o reencontro, que nem percebeu aquele detalhe importante. 

Jongin parecia estar em outro mundo. Com um sorriso contagiante nos lábios, se aproximou de Chanyeol, e estendeu-lhe a mão. Raramente encontrava os amigos do marido da época em que ele morava na Coreia, então aquele momento era realmente especial para si.

— Prazer em conhecê-lo — disse Jongin, para surpresa de Chanyeol, num coreano perfeito. Sua expressão surpresa não passou despercebida pela mulher que soltou uma leve risada — Sou colombiana. Filha de mãe coreana e pai colombiano, então cresci com as duas línguas em casa. Por mais que me sinta mais confortável falando espanhol, acredito que se sentiria melhor se nossa conversa fosse em sua língua materna.

Chanyeol sorriu sem graça, apertando a mão da mulher. 

— Não sabe como fico feliz em conhecer algum amigo do Baek, principalmente quando são aqueles que ele não encontra há anos — disse Jongin, sorridente e visivelmente muito animada.

O Park suspirou com pesar.

Baekhyun havia realmente o apagado da história de sua vida, agora era um amigo que não o encontrava há anos. Uma lembrança de um passado que um dia foi bonito, mas que agora era um mar de lembranças dolorosas.

Chanyeol então encarou o casal a sua frente. Baekhyun perguntou algo em espanhol e Jongin prontamente respondeu, indicando a cafeteria, de onde saíram minutos atrás, com a cabeça. Quando a mulher virou-se para ele novamente, pode notar uma leve protuberância em sua barriga, escondida por conta do casaco pesado e que passou despercebido por si.

— Você... está grávida? — Chanyeol perguntou, a voz suave, mas com tom de surpresa.

Jongin sorriu ainda mais, sua mão acariciando a barriga com carinho.

— Sí! — exclamou, olhando para Baekhyun com um brilho no olhar — Estou entrando no sexto mês e já não aguento mais meus pés — riu alto — Mas estou contando os dias para conhecer a nossa menina. Até já escolhemos o nome. Esperanza, em homenagem a minha avó.

— Parabéns pelo bebê — disse Chanyeol, a voz levemente rouca, observando-os por rápidos segundos. A felicidade genuína nos olhos de Baekhyun quase o fez perder o equilíbrio — Você deve estar nas nuvens, Baekhyun, lembro que dizia que sonhava em ser pai de uma menina. 

As palavras de Chanyeol, de certa forma, tiveram um peso nas costas de Baekhyun. Por anos conversaram sobre a oportunidade de formar uma família e dos sonhos de Baekhyun de ser pai de uma menina, de encher aquela criança de laços, babados e bonecas e agora, esse sonho foi realizado, e Chanyeol não fazia parte dele.

— Obrigado, Chanyeol. — Baekhyun disse, com um sorriso suave, dando um passo atrás enquanto sentia o peso das palavras. Umedeceu os lábios e coçou a garganta, enlaçando a cintura da esposa com delicadeza — Bom, melhor voltarmos ou sua mãe vai arrancar meus cabelos por te deixar pegando friagem. 

Jongin concordou com a cabeça, estendendo a mão para se despedir de Chanyeol com um sorriso que era capaz de iluminar o mundo, prometendo que faria questão de manter contato, se fosse da vontade do rapaz, é claro, para que seu marido não deixasse de falar com aquele amigo tão querido. 

Baekhyun virou-se para Chanyeol mais uma vez.

— Feliz Natal, Chanyeol. Espero que encontre a sua felicidade.

Chanyeol fungou.

— Obrigado, Baekhyun. Feliz Natal e felicidade aos dois.

Baekhyun sorriu uma última vez antes de se afastar, e Jongin acenou sorridente enquanto se distanciavam e logo a figura do casal retornou para a quentura da cafeteria, deixando Chanyeol parado, encarando o vazio deixado por aquele reencontro.

A neve continuava caindo. Porém, o frio não era nada comparado ao vazio que se abriu novamente em seu peito, ainda mais profundo e doloroso. Chanyeol respirou fundo, tentando encontrar algum consolo na ideia de que Baekhyun estava feliz, mesmo que não fosse ao lado dele. Mas, por mais que tentasse, ele sabia que aquela segunda despedida o marcaria por muito tempo.

Pela primeira vez em anos, Chanyeol admitiu para si que talvez nunca havia deixado de sentir falta de Baekhyun e por mais que tentasse, a dor do vazio em seu peito nunca iria embora. 

Park Chanyeol conheceu Byun Baekhyun na véspera de natal. 

E também foi na véspera de natal que observou aquele que foi o amor de sua vida, desaparecer diante de seus olhos, não se atrevendo a olhar para trás, deixando Chanyeol sozinho com, além do café gelado em suas mãos, as amarguras que as escolhas de sua vida lhe trouxeram.