Chapter Text
《Notícia da última hora. A manhã começou agitada para os heróis, um casal de vilões atacou um banco que fica em uma rua nas proximidades do colégio UA. O vilão tem uma individualidade do tipo gosma ácida e com isso deixou cinco polícias que fizeram a segurança do banco completamente ferida. Todos os civis dentro do prédio foram feitos de refém. A individualidade da parceira do vilão, não se sabe até o momento qual é, muito menos se ela chegou a usar.
Tudo o que sabemos é que os heróis Dynamight, Red Riot e Pinky chegaram ao local bem rapidamente, após o alarme de emergência do banco ser ativado. Pelas informações que recebemos nenhum civil se machucou. Porém, fontes afirmam que Dynamight saiu de dentro do banco com um bebê, ao qual ele não achou os pais então o entregou aos paramédicos.
Uma civil que trabalha no banco, que foi feita de refém junto com outros, deu uma entrevista a um dos repórteres no local, afirmando que encontrou o bebê próximo ao alarme de alerta de emergência, embaixo de algumas roupas. A mulher parecia indignada que algum pai simplesmente largo o filho ali. Então ela disse ao repórter:
"Que pai faria uma coisa dessa? Abandonar o filho desse jeito."
Red Riot foi filmado ajudando os paramédicos com os policiais feridos pela individualidade do vilão, enquanto Pinky foi vista ajudando outros policiais que tinham acabado de chegar ao local com o vilão da individualidade de gosma ácido que tentava resistir à prisão, mesmo usando uma algema que impedia ele de usar seus poderes. Já a companheira dele parecia muito mais resignada e se transmitiu sem fazer nenhum escândalo.
Na entrevista que a heroína Pinky deu, ela disse que a vilã diferente de seu parceiro não reagiu quando ela, Red Riot e Dynamight entraram no local, que ela ficou encolhida em um canto, enquanto o parceiro dela quem atacou eles jogaram gosma ácida por todo lugar. Pinky disse na entrevista:
"Uau foi realmente difícil lidar com o vilão. Ele simplesmente atirava as gosmas ácidas para todo lado de forma descontrolada, e isso colocava a segurança do civis em risco. Porém, a parceira dele nem reagiu, ela parecia assustada e preocupada, quase como se nem quis está ali, sabe. Não queremos nem ver ela usar qualquer tipo de individualidade."
No fim, apesar de um dos vilões ter feito um grande estrago dentro do banco ao enfrentar os heróis, e ter ferido os policiais. Pelo que se sabe, eles não estavam realmente preparados para assaltar um banco, não chegaram nem a tocar no dinheiro dentro do cofre. Civis disse que a parceira dele estava tão nervosa com toda a situação, que parecia que ela não queria isso fazendo aquilo, parecia mais que estava sendo obrigada pelo parceiro.
Essas são todas as informações que obtivemos até o momento em relação ao ataque ao banco que aconteceu esta manhã, qualquer informação nova sobre o ocorrido traremos para vocês. Agora, comece com alguns momentos do Red Riot e Pinky dando alguns autógrafos, veja enquanto ao fundo Dynamight surta com um fã que estava tentando filmar ele e o herói explosivo não gostou nada de ter seu espaço invadido... 》
•••
《Katsuki Bakugo》
Acordar cedo foi um pesadelo recorrente para Katsuki Bakugou. Apesar de sua disciplina rigorosa, ele simplesmente odiava as manhãs. Dormir cedo era parte de sua rotina para manter a produtividade, mas isso nunca o tornava uma pessoa matinal. No entanto, ser um herói tinha que lidar com emergências a qualquer hora do dia ou da noite, e muitas vezes, mesmo em suas folgas, o trabalho acabava roubando suas preciosas horas de sono.
Hoje, porém, não era uma folga, e para piorar, ele foi arrancado de seu sono profundo por uma ligação urgente às seis da manhã. Um ataque a um banco próximo da UA deixou cinco policiais feridos, e os reféns estavam em perigo. Ao ouvir o relatório enquanto vestia seu uniforme, Katsuki só conseguiu ganhar confiança. “Que merda...” ele resmungou, sentindo o peso da manhã se intensificar. No entanto, ele sabia que não tinha escolha. Isso era parte de sua responsabilidade como herói, e ele nunca se esquivava de um desafio, por mais exausto que estivesse.
Ao chegar ao local, a cena era tão caótica quanto ele imaginava. Viaturas da polícia bloqueavam as ruas, e o som de sirenes e gritos ecoavam pelo ambiente. Os vilões, um casal aparentemente, o homem tinha uma individualidade do tipo gosma ácida que dificultavam o confronto, a parceira dele no entanto não reagiu em momento algum, pelo contrário ela ficou encolhida em um canto o tempo todo. Obviamente, aquilo era estranho, mas já estava ocupado demais me preocupando em desviar dos ataques do vilão, enquanto Kirishima, – ou melhor Red Riot – tentava proteger os civis.
Os vilões aviaram feitos dezoito pessoas reféns dentro do banco. Katsuki não perdeu tempo. Suas mãos já estavam formigando, prontas para destruir qualquer obstáculo em seu caminho. Pinky, usou sua individualidade contra o vilão para que pudesse ajudar Katsuki a conseguir se aproximar e matar a cara do idiota, que atacava descontroladamente, destruindo a estrutura de dentro do banco com aquela gosma ácida estúpida.
Depois de um confronto intenso, os vilões foram neutralizados. – Bom, o maluco descontrolado, porque a parceira dele foi entregue de bom grado. Isso foi algo que só deixou mais ainda Katsuki e os outros dois heróis que observaram tudo ainda mais confuso. Aos olhos de Katsuki e dos outros deixa claro que ela nem queria ter participado de nada.
Katsuki junto dos outros heróis certificou de que nenhum refém esteve gravemente ferido e começou a organizar o caos ao seu redor, antes dos jornalistas enfiarem a porra de uma câmera na cara dele e dos outros dois – que diferente dele, davam entrevistas animadamente – perguntando um monte de coisa, que ele não estava nem um pouco a fim de responder. Porque novamente, ele não é uma pessoa matinal. E lidar com pessoas irrita ele. Foi então que uma funcionária do banco se mudou com algo em nossos braços: um bebê.
“Encontrei ele no meio de umas roupas próximas a onde fica o alarme de emergência.” – Disse ela, sua voz trêmula. O bebê, surpreendentemente calmo, olhou ao redor com curiosidade, como se não tivesse ideia da gravidade da situação. Katsuki arqueou uma sobrancelha, confusa.
“E os pais?” – Perguntei e a mulher balançou a cabeça, frustrada.
“Sinal de Nenhum. Não tinha documentos nem nada. Quem faria algo assim? Que tipo de pessoa abandona um bebê desse jeito? Se não quis ele, por que não levaram para adoção?” — Disse a mulher.
Katsuki rangeu os dentes, causando uma confusão de raiva e incompreensão. Ele pegou o bebê, segurando-o com cuidado, algo que não fazia parte de sua rotina como herói. O pequeno poderia-se diretamente para ele e deu um sorriso bobo, como se estivesse completamente alheio à situação. Isso o desarmou por um instante. Ainda mais porque o bebê tinha olhos verdes, que lembravam ele de um certo nerd.
“Tsk. Que droga de dia.” – Ele murmurou para si mesmo, mas seus movimentos ao segurar o bebê mostravam uma delicadeza que contrastava com suas palavras.
A funcionária o observava com uma mistura de admiração e surpresa. “ Os paramédicos saberão o que fazer.” disse ela, antes de se afastar para se juntar aos outros reféns que estavam prestando depoimentos à polícia.
Enquanto caminhava em direção à equipe de emergência, Katsuki não conseguiu tirar as palavras da mulher da cabeça. Que tipo de pais fariam algo assim? Ele olhou para o bebê novamente, e notou que além dos olhos verdes, o cabelo que cresceu também era verde. E isso fez com que ele encarasse o pacotinho em seus braços – que agora estendia uma mãozinha para tocar seu rosto – com ainda mais intensidade.
“Ei, não me pega desprevenido assim, fedelho.” – Ele disse, com uma careta que não conseguia esconder completamente o pequeno sorriso que ameaçava surgir.
Entregar o bebê aos paramédicos deveria ser algo simples, mas, por algum motivo, o peso daquela situação ficou com ele. Mesmo enquanto o caos do ataque ao banco começava a se dissipar, a imagem do bebê tão confortável nos braços de seus apoiados ecoando em sua mente. Alguma coisa atraia ele para aquele bebê, mas não sabia explicar o que era exatamente...
“País sem coração.” – Ele murmurou para si mesmo, com os punhos cerrados. Era um lembrete de que, mesmo em um mundo cheio de heróis, ainda existiam pessoas que não estavam à altura da responsabilidade de cuidar dos outros. E isso, mais do que qualquer outra coisa, o enfurecia.
Deixar o bebê com os paramédicos foi o fim de uma parte do caos, mas Katsuki Bakugou não estava nem perto de relaxar. Ele ignorou os jornalistas, que já estavam empurrando microfones e câmeras em sua direção, e caminhou a passos firmes para longe do tumulto. Foi então que uma suposta fã invadiu seu espaço pessoal, enfiando uma câmera de celular quase na sua cara.
“Ei, Deus da Grande Explosão Assassina Dynamight! Olha pra câmera!” – Ela especificamente, com uma animação que Katsuki achou insuportável.
O olhar de esperança mortal que ele lançou foi o bastante para afastar qualquer outra pessoa sensata, mas a garota não se abalou. Katsuki cerrou os dentes, quase cogitando pegar o celular e jogá-lo longe, mas se conteve. Resmungando um palavrão bem alto, ele deu meia-volta e encontrou Kirishima no meio da multidão.
“Ei, cabelo de merda! Fica você e a Pinky com os jornalistas irritantes. Tô fora.” – Disse, sem rodeios. Kirishima, como sempre, aceitou a situação com um sorriso compreensivo.
“Relaxa, cara. A gente cuida disso aqui. Vai lá esfriar a cabeça.”
Com um aceno breve, Katsuki disparou no ar usando suas explosões, deixando para trás o caos dos repórteres. Ele sabia que deveria ir direto para a agência e redigir seu relatório sobre o incidente, mas sua mente estava em outro lugar. Especificamente, em uma certa pessoa: Izuku.
Desde que Izuku perdeu o One for All e assumiu o papel de professor na UA, eles tinham visto com menos frequência o que Katsuki gostaria. Ele nunca admitiu, mas sentiu falta das conversas com o nerd. E como já estava próximo da UA, não custava nada fazer uma visita.
Ao fundo na entrada da escola, Katsuki atraiu olhares de estudantes e professores que passavam. Alguns o encaravam com admiração, outros com orgulho, e havia aqueles que exibiam uma ponta de inveja. Katsuki falou provocativamente, satisfeito com a atenção, mas não parou para dar atenção às garotas que gritavam seu nome de herói. Ele tinha um objetivo claro: encontrar Izuku.
Os corredores estavam relativamente silenciosos na hora da manhã. Katsuki caminhou diretamente para a ala dos professores, sabendo que Izuku provavelmente já estaria ali, organizando suas coisas antes das aulas. No entanto, ao chegar na sala dos professores, encontrou apenas uma figura familiar: Aizawa Shouta, sentado preguiçosamente em sua cadeira com uma xícara de café nas mãos.
“Olha só quem resolveu aparecer.” – Disse Aizawa, levantando os olhos cansados para Katsuki. Apesar dos anos, o professor parecia praticamente o mesmo, exceto pelo cabelo curto mais curto e algumas linhas extras de cansaço no rosto.
“Tá sozinho aqui, Aizawa-sensei? Cadê o nerd?” – Katsuki perguntou, sem rodeios. Ele cruzou os braços, observando a sala. Algo chamou sua atenção imediatamente: uma mochila amarela surrada sobre uma mesa. Era a mesma que Izuku usava nos tempos de colégio, e só de olhar para ela, Katsuki já sentiu uma pontada de retorno.
“Sério que ele ainda usa essa coisa velha?” – Murmurou. Aizawa deu um pequeno sorriso.
“Ele saiu faz pouco tempo. Disse que tinha algo importante para resolver, mas que estaria de volta antes do início das aulas.” – Katsuki bufou, frustrado.
“Claro que ele tá correndo pra lá e pra cá. Nunca sabe ficar quieto.” – Disse. Aizawa deu de ombros, tomando outro gole de café.
“Você sabe como ele é. Alguma coisa me diz que ele sabia que você iria aparecer.”
Katsuki desviou o olhar, sem querer dar muita conversa. Ele caminhou até a mesa onde estava a mochila e passou os dedos pela alça desgastada, pensativo. Uma parte de si queria esperar pelo mesmo, mas outra parte estava impaciente demais para ficar parado. Ele não foi autorizado em voz alta, mas queria ver o logotipo Izuku. Conversar com ele sempre teve um efeito estranho em Katsuki — como se o mundo desacelerasse por um momento.
“Vou esperar do lado de fora. O nerd não vai demorar.” – Disse ele, saindo da sala antes que Aizawa pudesse responder. Enquanto caminhava pelos corredores, ignorando os olhares dos alunos, Katsuki não conseguiu evitar o leve aperto no peito ao pensar no que estava por vir. Ele sabia que algo grande os esperava em poucos meses — algo que poderia mudar tudo para sempre.
•
Depois de esperar vinte minutos e nada de Izuku voltar, Katsuki começou a sentir uma perturbação crescente. Faltavam menos de dez minutos para o início das aulas, e ele sabia que Izuku era a pessoa mais pontual e meticulosa que conhecia. Nunca se atrasava, e sempre chegava cedo para organizar suas coisas. Algo não estava certo.
Um aperto desconfortável tomou conta do peito de Katsuki, uma preocupação que ele não conseguiu ignorar. O pulso acelerou, e sem pensar duas vezes, ele pegou o celular e ligou para Izuku. Uma vez, duas, três… várias tentativas sem sucesso. As chamadas caíram direto na caixa postal, e as mensagens que ele investiu ficaram sem resposta, não visualizadas. Katsuki cerrou os dentes, uma mistura de tranquilidade e ansiedade fervendo em seu interior.
Com passos rápidos, ele retornou à sala dos professores. Dessa vez, o lugar estava completamente vazio. Aizawa provavelmente tinha dito isso para dar aula. Katsuki foi direto até a mochila surrada de Izuku. Ele se abriu, vasculhando desesperadamente em busca de qualquer pista sobre onde o nerd poderia ter ido. Nada. Apenas cadernos, uma garrafa de água e um pacote de salgadinhos nada saudável — algo que Katsuki faria questão de chamar a atenção mais tarde.
“Droga, Izuku! Onde você se meteu?” – Rosnou para si mesmo, fechando a mochila com raiva. A preocupação estava se desenvolvendo em um pânico sutil, mas crescente. Ele respirava fundo, tentando se concentrar. Decidiu que eu avisaria Best Jeanist sobre seu atraso. Não era comum para ele chegar tarde à agência, mas isso estava longe de ser um dia comum.
Antes que você pudesse fazer qualquer coisa, um barulho suave chamou sua atenção. Veja de baixo de um monte de papéis empilhados em uma mesa próxima. Katsuki se mudou, removeu os papéis e congelou ao ver o que estava ali: a carteira de Izuku, contendo todos os seus documentos, e o celular dele, que vibrava novamente.
Automaticamente, Katsuki pegou o celular. A tela de bloqueio se acendeu, revelando uma lista de chamadas perdidas — todas dele — e algumas mensagens recentes. A primeira mensagem foi da mãe de Izuku, Inko Midoriya, ou tia Inko, como Katsuki a chamava desde criança. Ele franziu o cenho ao ler as mensagens:
“Então, como foi?”
“Tudo certo? Vai mesmo comprar aquele apartamento?”
Katsuki ficou parado por alguns segundos, absorvendo as palavras. Izuku não tinha dito nada sobre comprar um apartamento. Uma pontada de segurança misturada com algo que ele não conseguiu identificar atravessou seu peito. Por que o nerd não contornou nada para ele? Ele balançou a cabeça, tentando afastar esses pensamentos. Havia coisas mais urgentes agora. Outra mensagem apareceu na tela:
“Se o banco pedir referência para o empréstimo, fale com o Katsuki. Tenho certeza de que ele vai te ajudar com isso.”
Katsuki sentiu o sangue gelar. Banco? Ele piscou, ligando os pontos rapidamente. Izuku tinha ido a um banco naquela manhã. E o único banco próximo à UA era exatamente o que tinha sido atacado mais cedo.
“Droga, Izuku! Você está me sacaneando?” – Katsuki murmurou, agora com o coração disparado. Sem perder tempo, ele pegou o celular e a carteira de Izuku, colocou-os no bolso e saiu correndo da sala. Assim que alcançou a área externa do colégio, ele disparou no ar com suas explosões, soprando o mais rápido que podia em direção ao banco.
O vento batia com força em seu rosto enquanto ele cortava o céu. A preocupação fervia em seu peito, cada vez mais intensa. Ele não queria admitir, mas o medo de que algo tivesse acontecido com Izuku era esmagador. As memórias do ataque ao banco manhã que passamm por sua mente — os reféns, os feridos, o caos. E agora, a possibilidade de Izuku ser envolvido nesse cenário fez seu estômago revirar.
“Segura as pontas, nerd. Eu vou indo.” – Ele murmurou para si mesmo, forçando-se a focar no caminho à frente. Nada poderia acontecer com Izuku. Não enquanto Katsuki estava por perto.
•
A luz do sol ainda era pálida no horizonte quando Katsuki pousou com um estrondo em frente ao banco interditado. As fitas amarelas de segurança tremulavam ao vento, cercando o edifício danificado, agora uma cascata de caos. A estrutura estava parcialmente colapsada, com manchas negras nas paredes onde o ataque do vilão havia deixado marcas permanentes. Mas nada disso foi importante para Katsuki. Ele tinha um objetivo claro: encontrar Izuku. Passando pelas barreiras, ele se mudou de um grupo de policiais que ainda trabalhavam no local.
"Ei, algum de vocês viu essa pessoa?" — Katsuki atirou, segurando a identidade de Izuku diante deles. A foto mostrava aquele rosto conhecido e irritantemente otimista. Os policiais franziram a testa, trocando olhares antes de balançar a cabeça com qualidades.
"Não, ninguém com essa descrição foi encontrada entre os civis. Vasculhamos todo o banco. À primeira vista, não havia mais ninguém além dos reféns e dos feridos." A confirmação fez um frio percorrer a espinha de Katsuki.
A possibilidade de algo ter acontecido a Izuku o atingiu como um soco no estômago. Ele não era do tipo que se deixava dominar pelo pânico, mas o pensamento do pior o fez apertar os punhos tão fortes que as unhas cravaram na palma de sua mão. Katsuki sentiu o sangue gelar. Sua mente, sempre tão afiada, começou a ser consumida por cenários horríveis.
“E se ele… e se aquele bastardo da gosma ácida o…?” Ele atrasou o pensamento com um rosnado. Não poderia se dar ao luxo de perder o foco agora. Precisava de respostas. Ele respirou fundo, obrigando-se a pensar com clareza. Não tinha tempo para entrar em desespero. Izuku ainda estava por aí, ele tinha que estar.
Katsuki voltou sua atenção para o banco. Ele deu suas respostas, e a melhor forma de obtê-las era ver com os próprios olhos ou que as câmeras de segurança tivessem marcas registradas. Sem pedir permissão — porque ele não era de pedir nada — Katsuki se esgueirou para dentro do prédio interditado, evitando os olhares dos policiais. Havia rachaduras nas paredes e cheiro de produtos químicos misturados com fumaça impregnava o ar. O chão estava coberto de destruição, papéis espalhados e manchas ácidas corroendo superfícies. As botas de Katsuki ecoavam enquanto ele caminhava rápido pelos corredores destruídos. Ele sabia onde precisava ir: a sala de vigilância.
“Droga, nerd, onde você se meteu?”
Chegando à sala de vigilância, encontrei o equipamento coberto por poeira e parcialmente danificado. “Nada que eu não possa trazer” surgiu, pegando o teclado. Seu conhecimento em tecnologia era algo que poucos reconheciam, mas que ele valorizava em silêncio. Katsuki acessou rapidamente o sistema de câmeras. Ele não era um especialista em tecnologia por escolha, mas seu intelecto e necessidade de resolver as coisas isoladas o tornavam extremamente competente. Em poucos minutos, ele estava analisando as filmagens daquela manhã.
As imagens eram granuladas, mas nítidas ou suficientes. Katsuki rapidamente ajustou a linha do tempo para quando os civis entrassem no banco. Então ele viu. Izuku. Os cabelos verdes bagunçados, o jeito energético, o sorriso leve enquanto conversamos com a funcionária na caixa. Aparentemente, Izuku disse algo engraçado, porque a mulher riu – ou, na visão de Katsuki, ela poderia estar flertando com o nerd sem que ele percebesse. Katsuki sentiu uma pontada de raiva irracional.
“Ela está flertando com ele? Você só pode estar de brincadeira…” – Pensou Katsuki, cerrando os dentes. Mas não tinha tempo para perder com raiva mesquinha. Ele realmente entendeu o que aconteceu depois.
Izuku parecia ter notado algo ao colocar a mão no bolso — provavelmente percebendo que havia esquecido os documentos e o celular. Quando ele começou a se dirigir à saída, o caos teve início. Civis começou a correr, e os policiais que estavam ali foram jogados contra as paredes, um após o outro. Izuku, em vez de fugir, agiu de forma furtiva, desaparecendo da visão da câmera.
"Claro que o nerd vai se meter nisso, mesmo sem individualidade."
Katsuki acompanhou a gravação, alternando entre câmeras até encontrá-lo novamente. Ele viu Izuku se aproximar de um painel de alarme e acionar o dispositivo de emergência. Seu coração se abriu ao perceber: Izuku foi quem acionou o pedido de ajuda. Um orgulho quente tomou conta dele por um momento. “Maldito nerd heróico”, murmurou, com um sorriso involuntário. Mas o sorriso desapareceu quando a próxima cena apareceu na tela.
O orgulho foi rapidamente substituído pelo desespero ao ver o vilão se aproximando de Izuku. Katsuki garantiu a respiração enquanto assistia. Izuku estava encurralado. O vilão da gosma ácida estava a poucos metros dele, e Izuku, embora tentasse se manter firme, tinha uma expressão de apreensão clara. Katsuki se inclinou para frente, como se pudesse fazer algo através da tela. O vilão específico a mão na direção de Izuku. Katsuki esqueceu como respirar.
Ele fechou os olhos por um momento, incapaz de ver o que poderia acontecer. Mas quando reuniu coragem para olhar novamente, Izuku havia desaparecido da cena. Nada de sangue, nada de explosão. “Não…” o pensamento horrível atravessou sua mente. Ele quase destruiu o teclado de tanto apertar para retroceder e avançar os frames. Foi então que notou as roupas de Izuku no chão. Mas nada de corpo. Apenas as roupas. O coração de Katsuki afundou.
“Isso não faz sentido. Se o vilão tivesse usado os poderes nele, nem as roupas ficaram sobradas.”
Ele assistiu enquanto a outra vilã, que antes parecia apática, se aproximava das roupas de Izuku. Ela se agachou e mexeu em algo, bloqueando a visão da câmera por alguns segundos. Quando se retira, algo pequeno se mexia no meio das roupas. Katsuki deu zoom na imagem e se sentiu como se tivesse levado um soco no estômago.
“O quê?!” – Era o bebê. O mesmo bebê que ele era seguro, protegido e entregue aos paramédicos.
Katsuki prendeu a respiração. Tudo fazia sentido agora, mesmo que fosse absurdo. A gosma ácida não o tinha matado; porque não foi o vilão quem o atingiu, e sim, a parceira dele, ela o tinha transformado. A realização o atingiu como um soco. O bebê que ele segurou nos braços naquela manhã, que ele entregou aos paramédicos… era Izuku.
"DROGA!" – Gritou Katsuki, socando a mesa com tanta força que a tela tremulou.
Ele sentiu uma mistura de colapso e fúria. Alivio por saber que ele estava vivo. Fúria por ter segurado Izuku em seus braços sem perceber. Ele xingou repetidamente, a raiva misturada com desespero. Como ele não tinha percebido antes? Como aquilo era possível? Ele precisa voltar ao hospital. Precisava confirmar que o bebê estava seguro, que Izuku estava bem, mesmo naquela forma.
Sem perder tempo, Katsuki saiu do banco em um turbilhão de explosões, os pensamentos correndo tão rápido quanto seu corpo. Não importava o que fosse preciso fazer, ele protegeria Izuku. Afinal, salvar o nerd sempre tinha sido seu objetivo — mesmo que ele não admitisse isso em voz alta.
•
Caminhando pelos corredores iluminados do hospital, Katsuki sentiu uma perturbação crescente de sua paciência se esgotando. A cada passo, o som de seus sapatos ecoava em contraste com o burburinho calmo e ordenado do ambiente. Ele não estava ali para perder tempo. Assim que chegou à recepção, encarou a funcionária com uma expressão dura.
"Preciso saber onde está o bebê que foi trazido hoje de manhã pelos paramédicos. Ele é... importante." — Sua voz era firme, mas sem revelar muito.
A funcionária consultou para ele, um pouco intimidada pela intensidade de sua presença. Após alguns segundos de consulta ao sistema, ela balançou a cabeça com qualidades.
"Não tenho informações sobre isso, senhor."
Katsuki estreitou os olhos, mordendo o interior da garganta para não gritar. Ele sabia que a solução não estava ali. Saiu se apressou e começou a procurar pelo paramédico que ele se lembrava vagamente. Depois de vasculhar algumas áreas e perguntar para alguns enfermeiros, finalmente o encontrei em um corredor.
"Ei! Você." — Disse, apontando diretamente para o homem, que parou no meio de uma conversa com um colega. "O bebê que foi entregue mais cedo, onde ele está?" – O paramédico relaxou as mãos em um gesto de calma, um pouco assustado com a abordagem direta.
"Ele foi levado para a área de neonatologia. O doutora fez exames para garantir que estava tudo bem e tentar identificar os pais."
Sem dizer mais nada, Katsuki se virou e disparou pelos corredores. O som de sua respiração pesada ecoava enquanto ele ignorava olhares curiosos e advertências de enfermeiros que o viam correr pelos corredores. Finalmente, ele alcançou a área dos bebês. Katsuki olhou para todos os lados, seus olhos frenéticos procurando por um sinal familiar. Nada.
Porém, ao virar para o corredor lateral, viu uma enfermeira segura um pequeno pacote envolto em um cobertor branco. Os cabelos verdes. Sem pensar duas vezes, Katsuki atravessou o corredor em passos largos e tomou o bebê dos braços da mulher.
"Ei, o que está fazendo?" — A enfermeira exclamou, claramente alarmada.
Katsuki a ignorou completamente, segurando o pequeno com firmeza, mas com cuidado, contra o peito. Ele mal registrou os protestos da mulher, sua atenção focada no pacotinho adornado em seus braços. Quando viu quem ele era, uma enfermeira ficou em silêncio, incapaz de argumentar contra um dos maiores heróis do Japão.
"Obrigado pelo cobertor." — Foi tudo o que ele disse antes de sair do hospital. Do lado de fora, com o bebê seguro, Katsuki pegou o celular e ligou para Aizawa.
"Sensei. Eu encontrei o nerd ."
Informando por ligação tudo o que aconteceu com Izuku. Houve um breve silêncio do outro lado da linha antes de Aizawa responder, com a voz cansada mas firme: "Traga-o para a UA. A Recovery Girl vai examiná-lo. Precisamos saber exatamente o que aconteceu com ele."
Sem perder tempo, Katsuki chamou um táxi. Assim que começou, ele ajeitou o bebê em seu colo, garantindo-se que fosse confortável. O pequeno estava enrolado no cobertor, respirando suavemente, alheio ao caos que sua situação havia gerado. Katsuki suspirou, olhando para o rosto sereno do bebê.
"Idiota." — Murmurou baixinho, passando o dedo pelo tufo de cabelo verde. — "Claro que você daria um jeito de se medir em confusão até sem individualidade."
Apesar de suas palavras, senti uma onda de colapso tão forte que quase chegou a ser insuportável. Ele sabia que ainda havia muitas perguntas sem respostas, mas pelo menos Izuku estava vivo. Ao chegar à UA, Aizawa e All Might retornaram esperando por ele na entrada. A preocupação nos olhos dos dois ficou evidente assim que viram o pequeno pacote em seus braços. Katsuki apenas passou por eles com um grunhido, sem dizer nada, seguindo diretamente para a enfermaria.
Lá, a Recovery Girl estava esperando, com toda a sua calma habitual. Assim que Katsuki colocou o bebê em uma pequena cama de exames, ela começou a trabalhar. Aizawa estava no fundo da sala, falando ao telefone com uma expressão séria. Katsuki captou pedaços da conversa: a individualidade da vila, a busca por informações. Enquanto isso, All Might se moveu, colocando uma mão reconfortante no ombro de Katsuki.
"Mesmo sem individualidade, o jovem Midoriya sempre encontra uma forma de salvar os outros." – Katsuki bufou, cruzando os braços enquanto mantinha os olhos fixos em Izuku, que ainda dormia serenamente sob os cuidados da Recovery Girl.
" Tch. Não preciso se arriscar assim. Idiota."
Mas, no fundo, ele sabia que era exatamente o que Izuku faria. E nunca fosse embora admitir em voz alta, sentir um orgulho imenso. Katsuki apenas esperava que o nerd voltasse ao normal logo. O mundo poderoso de Izuku. E, embora jamais fosse dizer isso em voz alta para as pessoas, Katsuki também é preciso.
•
A enfermaria da UA ficou silenciosa, quebrada apenas pelo distanciamento de conversas no corredor. Katsuki estava sentado em uma cadeira ao lado da maca improvisada onde o bebê Izuku dormia, enrolado num cobertorzinho branco que parecia tão pequeno quanto ele. Não que Katsuki fosse especialista em bebês, mas era estranho pensar que aquele garotinho de cabelos verdes desarrumados fosse o mesmo nerd que ele conhecia desde a infância.
Agora, Izuku não era mais o herói Deku, o homem que enfrentava vilões com um sorriso determinado no rosto. Ou, o professor de um bando de pirralhos que quer virar heróis. Ele era apenas um bebê de 8 meses. Um bebê que, de acordo com Recovery Girl, estava perfeitamente saudável.
Katsuki encarava Izuku enquanto ele dormia, os pequenos punhos cerrados descansando ao lado do rosto rosado. Ele parecia tão vulnerável, tão... indefeso. Isso o irritava mais do que ele queria admitir. Foi então que Aizawa entrou na enfermaria, trazendo consigo o peso de novas informações. O olhar cansado do professor era inconfundível, mas também trazia uma espécie de gravidade que fez Katsuki endireitar a postura imediatamente.
"Falei com o Present Mic." — Começou Aizawa, cruzando os braços. "Ele encontrou uma mulher que usa a individualidade no Midoriya."
"E o que ela disse?" — Katsuki disparou, impaciente. Aizawa suspirou, como se já esperasse a falta de impaciência dele.
"Parece que ela não quis machucar ninguém. Na verdade, ela conheceu Midoriya como um dos heróis que derrotou All For One e Shigaraki na guerra." -Disse Aizawa. Katsuki bufou, descrente.
"E por isso ela achou que transformar ele em um bebê era uma boa ideia? Que coisa genial." — Aizawa ignorou o sarcasmo.
"Segundo ela, o marido — o vilão do gosma de ácido — estava descontrolado e ameaçava machucar ou até mesmo matar o Midoriya. Ela usou sua individualidade para poder ajudá-lo. Pelo menos foi a única coisa que a mesma foi capaz de fazer isso . época momento."
Por um instante, Katsuki ficou em silêncio. Ele sabia que Izuku era um imã para problemas, mas ouvir que mesmo uma vila havia reconhecido o sacrifício e a importância dele... era não admitir, pelo menos para si mesmo, que o nerd tinha algo especial.
"Tá. E o que mais?" — Katsuki disse, embora seu tom fosse menos hostil.
"Ela disse que não queria estar envolvida em nenhum crime. Depois da guerra, ela e o marido enfrentaram dificuldades financeiras. Quando o governo não cumpriu as promessas de ajuda, o marido começou a enlouquecer. Ela foi forçada a participar do assalto ao banco." -Disse Aizawa. E ele se lembrou de como a mulher realmente parecia assustada com toda a situação.
Katsuki respirou fundo, apertando os punhos. Ele entendeu o desespero de quem estava passando por dificuldades, mas isso não justificava colocar outras pessoas em perigo.
"E a individualidade dela?" — Katsuki perguntou, sua voz mais firme agora. "Como funciona? Quando o Izuku volta ao normal?" — O semblante de Aizawa ficou ainda mais sério.
"De acordo com ela, ele vai voltar ao normal, mas..."
"Mas o quê?" — Katsuki interrompeu, o tom ficou mais agressivo.
"Vai levar meses, Bakugo. Talvez até um ano." — Afirmou o ex-professor.
Katsuki sentiu um peso cair em seus ombros. Meses. Hum, ano. Ele não sabia o que era pior: a ideia de Izuku estar assim por tanto tempo ou o fato de que ele não se lembrava de nada até então. Aizawa continua:
"A mulher admitiu que não tem controle total sobre a individualidade. Ela relatou que não usava sua individualidade com frequência, muito menos em humanos, então nem ela sabe todos os detalhes. Mas o que sabemos é que o corpo de quem foi afetado volta gradativamente à idade original. Midoriya vai crescer, mas de maneira irregular."— Katsuki franziu o cenho.
"Irregular como?" — Ele questionou.
"Ele pode sair de um bebê de 8 meses para uma criança de 1 ano em duas semanas. Ou pode demorar mais e pular para 2 anos em um mês. Talvez, até mais tipo 4 anos em um mês. Vai parecer natural para ele, mas..." — Aizawa fez uma pausa, como se tentasse escolher as palavras com cuidado. "Ele não terá memórias de quem era antes de ser transformado." — Katsuki arregalou os olhos.
"O que você quer dizer com isso? Ele vai esquecer tudo?" - Concorda Aizawa.
"Exato. Ele não vai saber quem você é, Bakugo. Nem quem eu sou. Ou quem ele é." — Katsuki sentiu o sangue ferver.
"Então ele vai meses passar sem saber de nada? Sem lembrar de ninguém?"
"Sim." — Aizawa fez uma pausa antes de continuar. "Mas quando ele atinge a idade original novamente, as memórias antigas vão voltar. E as memórias que ele cria enquanto cresce vão desaparecer."
Katsuki não sabia o que era pior: o fato de Izuku não se lembrar de nada agora enquanto crescia ou a ideia de que ele esqueceria tudo o que vivenciaria nesse período. Ele se pronunciou abruptamente, começando um andar de um lado para o outro na enfermaria.
"Isso é uma droga, Aizawa-sensei!" — Ele falou, uma frustração evidente em sua voz. "Como é que a gente vai lidar com isso?" — Aizawa está calmo, como sempre.
"Com paciência. Ele está seguro, Bakugo. E ele tem você." — Katsuki parou, olhando para o professor como se ele tivesse acabado de dizer a coisa mais estúpida do mundo.
"Eu? O que eu posso fazer?" — Aizawa deu de ombros.
"Seja o que ele precisa agora. Um apoio. Ele pode não se lembrar de você, mas você ainda é importante para ele." — Katsuki olhou para o bebê novamente. Ele parecia tão frágil, tão pequeno. O oposto de Izuku que ele conhecia.
"Tá." — Ele soltou um suspiro pesado. "Mas quando ele voltar ao normal, eu vou garantir que ele saiba tudo o que aconteceu." — Aizawa especificamente, satisfeito com a determinação de Katsuki.
A enfermaria da UA foi tomada por uma calma quase incômoda, contrastando com o turbilhão de pensamentos que atravessavam a mente de Katsuki. Ele estava sentado em uma das camas, olhando para o chão com uma confusão de raiva e frustração enquanto tentava processar as palavras de Aizawa. As luzes fluorescentes lançavam um brilho frio sobre a sala, refletindo no piso impecavelmente limpo. O som do monitor cardíaco próximo corte o silêncio em intervalos regulares, como se lembrasse Katsuki da fragilidade da situação.
Ele levanta os olhos por um momento, observando Izuku, que dormia na pequena cama preparada pela Recovery Girl. O bebê estava tão tranquilo, respirando de forma ritmada, o cobertor branco subindo e descendo com cada respiração. Katsuki nunca foi um cara sentimental, mas viu Izuku assim, tão indefeso e alheio à gravidade da situação, mexia com ele de uma forma que ele não queria admitir.
"Então é isso?" — Katsuki finalmente cortou o silêncio, a voz reforçada, o olhar indo para Aizawa, que permanece encostado na parede, braços cruzados, com o olhar firme de sempre. Katsuki soltou um bufo pesado, massageando as têmporas com as mãos. Ele se sentiu como se o peso do mundo estivesse em seus ombros.
"Sim". — Aizawa confirmou, inclinando a cabeça levemente. "Para ele, vai ser como qualquer criança crescendo. Ele não vai perceber as mudanças bruscas de idade."
Katsuki fechou os olhos por um momento, tentando digerir as informações. Era muita coisa para analisar. Izuku, o maldito nerd que ele conhecia desde criança, não se lembrava de nada. Ele não se lembraria de sua mãe, dos amigos da UA, de suas lutas, suas conquistas... nem de Katsuki.
"Ele não vai lembrar de mim..."
Aquele pensamento específico o atingiu como um soco no estômago. Ele e Izuku tiveram um passado complicado, cheio de rivalidades, brigas e momentos que Katsuki preferiria esquecer. Mas, ao longo do tempo, algo mudou. Eles construíram uma amizade estranha, mas sólida. Eles se entenderam de uma maneira que ninguém mais entendeu. Aizawa, percebendo o conflito interno de Katsuki, resolve dizer:
"Bakugo, eu sei que é difícil. Mas ele está bem."
"O que eu posso fazer além de ficar sentado, ver ele crescer sem saber quem eu sou?" — Aizawa manteve o tom calmo, mas sério.
Ele pensou em todas as memórias que Izuku não teria: as tardes na UA, as batalhas que enfrentaram lado a lado, a amizade que construíram. E pensei em todas as coisas que Izuku perderia agora. O aniversário de 25 anos, a surpresa que ele, All Might e os outros extras já foram planejados... tudo parecia insignificante agora.
"Tá bom." — Katsuki disse, mais para si mesmo do que para Aizawa. Ele gentilmente olhou para o ex-professor, a decisão brilhando em seus olhos vermelhos. "Eu vou cuidar dele." — Compradores Aizawa, parecendo satisfeitos com a resposta. "É só isso que eu posso fazer agora, né?" — Katsuki continua, voltando o olhar para Izuku.
"Exatamente." — Aizawa respondeu, voltando para sua posição encostado na parede. Enquanto Katsuki se sentava novamente ao lado da cama, ele fez uma promessa silenciosa.
"Você pode não se lembrar de mim agora, Izuku, mas eu vou garantir que você volte a ser quem você é. E quando isso acontecer, você vai saber que eu estive aqui o tempo todo."
Ele respirou fundo, sentindo a raiva e a frustração se transformar em uma determinação que ele conhecia bem. Katsuki não era do tipo que desistiu. Não importa quanto tempo levasse, ele faria o que fosse necessário para proteger Izuku.
•
Assim que saí da UA com o pequeno Izuku nos braços, já senti um nó se formando na garganta. Minha vida já era uma bagunça o suficiente, e agora, com um bebê? Não tinha a menor ideia de como lidar com isso. Peguei um táxi na pressa, sem pensar muito, mas o motorista logo fez questão de lembrar quem eu era por causa do meu uniforme de herói. Assim que entrei, ele arregalou os olhos, sacou o celular e começou a tirar fotos, falando sem parar sobre como era um privilégio ter o grande Dynamight em seu carro. Minha paciência já era curta por natureza, e ele estava testando cada limite dela.
"Cala a boca antes que você acorde o moleque." — Rosnei, minha voz de confiança.
O pedido de desculpas de imediato, mas o motorista eu percebi que ele não estava nem um pouco incomodado com meu tom. Provavelmente, consegui que fiz parte do "pacote Dynamight". Pelo menos ele parou de falar tanto, e eu consegui respirar fundo, tentando me concentrar no que vinha a seguir.
Quando finalmente cheguei no meu apartamento, me senti um pouco mais tranquilo. Era o meu espaço, onde poderia tentar me organizar. Fui direto para o quarto e coloquei o Izuku na minha cama. Ele estava enrolado no cobertor ainda, parecendo mais um pacotinho frágil do que qualquer outra coisa. Para garantir, ajeitei um travesseiro de cada lado dele. A última coisa que eu precisava era que ele rolasse para fora da cama enquanto eu não estava olhando.
Deixei o quarto e fui direto para o banheiro. Enquanto eu libero o uniforme de herói, liguei para o Best Jeanist. Ele provavelmente saberá da situação. Expliquei tudo rapidamente, deixando claro que não ia conseguir fazer a patrulha hoje.
"Entendido, Bakugo. Se precisar, tire mais alguns dias." — Disse ele, sua voz calma e compreensiva do outro lado da linha.
Eu não era do tipo que tirava folgas. Era praticamente um crime na minha mente. Mas desta vez, aceitei dois dias. Precisava colocar a cabeça no lugar e, bem, descobrir o que fazer com um bebê. Depois da ligação, tomei um banho demorado. A água quente ajudava a aliviar o cansaço acumulado, mas minha mente não parava. " Como isso foi acontecer?" — eu me perguntava repetidamente. Quando terminei, me enrolei em uma toalha e voltei para o quarto.
Assim que entrei, vi que Izuku estava acordado. Seus olhos verdes brilhavam enquanto se mexiam de um lado para o outro, como se estivessem olhando algo — ou alguém. Dei alguns passos na direção dele, sem saber exatamente o que esperar, mas assim que ele me viu, um sorriso apareceu em seu rosto. Era pequeno, mas tão genuíno que me pegou de surpresa. Ele começou a fazer um som estranho, quase como uma risada abafada. Fiquei ali, parado, sem saber o que fazer.
Antes que eu pudesse me impedir, eu já estava pegando ele no colo. Era como se algo dentro de mim soubesse exatamente o que fazer, mesmo que minha cabeça estivesse uma completa confusão. Seguro o pequeno contra o meu peito, sentindo seu calor contra minha pele nua. Ele parecia tão confortável ali, e seu sorriso crescia ainda mais.
Sem perceber, comecei a acariciar seus cabelos verdes. Eles eram macios e finos, e eu podia sentir o peso da responsabilidade que vinha com ele. Ele esticou uma das mãoszinhas, gordinha e pequena, e agarrou meu dedo. Fiquei olhando para aquela cena, completamente hipnotizado. Meu peito parecia que ia explodir, mas não de raiva ou segurança — era algo diferente, algo que eu não consegui descrever.
Um sorriso se formou no meu rosto. Eu nem percebi quando isso aconteceu, mas lá estava ele. Grande, sincero, quase bobo. Não admitia que isso nem fosse tortura, mas aquele moleque me conquistou completamente. Ali, com ele no meu colo, percebi que não importava o complicado ou difícil fosse, eu daria um jeito de cuidar dele. Ele era minha responsabilidade agora. E, pela primeira vez em muito tempo, senti que talvez estivesse pronto para enfrentar algo que realmente importava.
•
Horas depois, estava no sofá com Izuku no colo. Meu celular já mostrou mais de meia hora de pesquisa sobre como cuidar de um bebê. Às vezes, passava o questionamento pela tela enquanto a outra mão acariciava a barriguinha dele. Izuku segurava um dos meus dedos, como se fosse um brinquedo. Era estranho, mas às vezes até esquecia que ele era o nerd. Agora, ele parecia só um bebê comum. Ficar paradoxo, porém, não era meu forte. Decidi que estava na hora de resolver as coisas.
Peguei o Izuku no colo, a carteira e as chaves de casa e do meu Porsche. Peguei o elevador até a garagem do apartamento, então logo estávamos dentro do carro. Olhei para Izuku e descubra que não tinha cadeirinha de bebê. Um detalhe que claramente me escapou. Suspirei, frustrado, mas não ia deixar isso me dissuadir. Ajeitei Izuku no meu colo com cuidado e passei o cinto de segurança entre nós dois. Talvez não fosse o mais ideal, mas confiava na minha direção. Sempre fui o melhor em tudo que fazia, e dirigir não era exceção.
Enquanto dirigia para as compras mais próximas, pensei na antiga turma do 1-A. Todoroki e Iida eram os dois outros da turma que tinham carros e provavelmente continham cadeirinhas nos carros deles — não porque primeiro eles, mas porque eram exatamente o tipo de pessoas que eram sempre habilidosas. Claro, eles também tinham dinheiro de sobra. A diferença foi que meu Porsche não veio dos meus pais. Trabalhei duro para comprá-lo. Isso me fez lembrar que fazia meses que não conhecia com a velha bruxa — Mitsuki Bakugou. E nem com meu pai. Talvez devesse ligar, mas só de pensar nas perguntas da minha mãe sobre casamento, minha paciência já ia para o espaço. "Foda-se como se isso fosse da conta dela", resmunguei em pensamento.
Ao chegar no shopping, percebi que aquilo seria um desafio por si só. Compras nunca foram meu forte. Se não fosse uma necessidade, seria evitado ao máximo. Em compensação os dois patetas, cabelo de merda e cara de idiota, eram capazes de torrar o salário no shopping, só com coisa inútil e que eles nem precisaram.
Mas hoje era diferente. Precisava de tudo para o Izuku: roupas, fraldas, mamadeiras... a lista parecia interminável. Ao entrar com ele no colo, sinto os olhares de todo o mundo. Alguns me consideraram como o herói Dynamight, outros simplesmente simplesmente encantados com a cena de um homem bonito carregando um bebê tão fofo. Podia ouvir vozes de mulheres dizendo que eu devia ser o pai da criança. Tive que me segurar para não bufar alto.
“Não é meu filho” , pensei, mas dizer isso em voz alta só ia piorar as coisas. Izuku, como sempre, parecia alheio a tudo isso. Ele estava entretido brincando com uma das alças da minha camiseta. Por mais que me irritasse toda a atenção, não podia negar que ele era absurdamente fofo. Claro, ainda preferia o nerd em sua forma adulta, com suas sardas idiotas e...
Pare. O pensamento me pegou de surpresa. Sardas idiotas e lindas? Meu rosto esquentou imediatamente. Estava mesmo pensando no Izuku como alguém fofo e bonito? Balancei a cabeça, tentando espantar a ideia. Não tinha tempo para essas coisas. Tinha um trabalho a fazer. Respirei fundo e me concentrei no objetivo: comprar tudo que Izuku precisava antes que ele começasse a chorar ou algo assim.
A missão estava apenas começando.
•
Assim que terminei as compras no shopping, coloquei as sacolas no banco de trás e peguei a nova cadeirinha de bebê. Pelo menos agora Izuku estaria mais seguro. Instalei-a no carro com mais facilidade do que pensei, ajustando os cintos e verificando duas vezes para garantir que estava tudo certo. Não vou admitir para ninguém, mas ver o pequeno Izuku ali, com aquele sorriso curioso enquanto mexia as mãoszinhas, fez meu peito aquecer. Era tão… fofo. Antes que você possa evitar, tire uma foto com o celular.
"Essa vai direto para o nerd quando ele voltar ao normal", pensei, tentando ignorar o fato de que já estava planejado salvar uma foto como se fosse um momento precioso. Subi no banco do motorista e comecei a dirigir. O próximo destino era o mercado. Já tinha feito compras na semana passada, mas nada feito do que tinha na despensa servia para um bebê de oito meses. "Nada de comida gordurosa ou carnes apimentadas, Katsuki," Pensei, com uma mistura de conforto e cansaço.
No mercado, estacionei na vaga mais próxima à entrada. Seguro Izuku no colo, e ele, como sempre, parecia tranquilo. Algumas pessoas olharam curiosamente, acompanhando o “Herói Dynamight” com um bebê. Ignorava a maioria delas, mas a sensação constante de ser observada me incomodava. Peguei um carrinho e ajeitei Izuku na cadeirinha improvisada, enquanto ele continuava a brincar com a barra do meu colete.
O mercado estava movimentado, cheio de famílias fazendo compras. Andei pelos corredores com uma lista mental: leite em pó, papinhas, e qualquer coisa que um bebê pudesse comer sem engasgar. Claro, as pessoas cochichavam conforme iam passando, mas decidiam ignorar… até que uma mulher, aparentemente morando na casa dos trinta, resolveu se aproximar.
"Ah, que bebê lindo! É seu?" — Disse, inclinando a cabeça em um sorriso exagerado.
"Não." — Respondi curto e grosso, sem parar de andar. Ela, no entanto, segue do meu lado, claramente achando que aquilo era um convite para continuar.
"Você é tão gentil. Um homem com um bebê é sempre tão… atraente." — Sua voz deixa claro suas segundas intenções, a mulher estava claramente flertando comigo e eu senti meu sangue começar a ferver. Parei o carrinho de repente, girando para encará-la.
"Escuta aqui." — Rosnei, a voz baixa, mas cheia de ameaça. "Se você não sumir da minha frente em cinco segundos, eu vou queimar sua cara."
O sorriso da mulher desapareceu instantaneamente, substituído por um olhar de puro pânico. Sem dizer mais nada, ela se virou e praticamente correu para longe. Suspirei, ajustando Izuku no carrinho. Ele me olhou com os grandes olhos verdes, como se estivesse tentando entender o que tinha acontecido.
"Relaxa, nerd. Só espantei uma maluca." — Murmurei, fazendo cafune nos cabelinhos dele.
Fui direto para a seção de alimentos infantis. A variedade era absurda: papinhas de todos os sabores, latas de leite em pó para diferentes idades, e até biscoitos especiais para bebês. Peguei algumas papinhas, tentando ignorar como aquelas coisas são nojentas. “Carne com legumes” e “frango com arroz” a aparecia não era nenhum pouco apetitosa, mas, segundo as embalagens, eram bons para a saúde do Izuku.
Na hora de escolher o leite, preciso de mais tempo. Peguei várias latas, lendo rótulo por rótulo. "Para bebês de seis a doze meses", "enriquecido com ferro", "sem lactose"… parecia um quebra-cabeça, mas depois de muita análise, escolhi o que parecia mais adequado.
Quando terminei, joguei as latas no carrinho e fui para a caixa. Mais pessoas me acompanharam observando, algumas cochichando ou apontando, mas desejaram ignorar. Izuku, por outro lado, estava adorando o passeio. Ele balançava as perninhas e soltava barulhos de alegria enquanto segurava uma papinha de cenoura que tinha conseguido pegar no carrinho.
Com as compras feitas, saí do mercado carregando Izuku no colo e equilibrando as sacolas no braço livre. Estava quase chegando ao carro quando, do nada, um paparazzi apareceu na minha frente, câmera em mãos. Antes que eu pudesse reagir, ele disparou o flash na minha cara, tirando várias fotos seguidas.
"Olha para cá, Dynamight! Quem é o bebê? Seu filho?" — Disse ele, com um sorriso provocador. Meu sangue ferveu imediatamente.
"Some da minha frente antes que eu te exploda, seu idiota!" — Gritei, minha voz compartilhada de raiva.
O homem arregalou os olhos e deu alguns passos para trás, claramente assustado. Ele continua tirando fotos, mas de uma distância segura. Ignorei ele e fui direto para o carro, colocando Izuku na cadeirinha com cuidado.
"Tá tudo bem agora, nerd." — Murmurei, enganando mim mesmo tanto quanto ele.
Assim que ajeitei as sacolas no banco de trás junto com as outras, entrei no carro e bati a porta com força. Precisava de silêncio, de distância de todos aqueles olhares curiosos e comentários irritantes. Dirigir de volta para o apartamento parecia a única coisa sensata naquele momento.
Enquanto o motor do Porsche roncava, olhei pelo retrovisor. Izuku estava confortável na cadeirinha, brincando com uma das tiras de segurança. Ele parecia tão alheio a todo o caos que eu só podia suspirar.
"Você realmente não faz ideia da confusão que trouxe pra minha vida, não é?" — Falei, meio sorrindo, enquanto olhava para ele. Izuku respondeu com uma risadinha, e eu não pude evitar outro sorriso. Era impossível ficar irritado com ele por muito tempo.
Quando finalmente cheguei em casa, estava exausto. O dia inteiro tinha sido uma mistura de tarefas complicadas e irritações constantes. Mas, ao ver Izuku dormindo na cadeirinha, com a respiração suave e o rosto tranquilo, sinto que talvez, só talvez, eu pudesse dar conta de tudo isso. Peguei ele no colo com cuidado, levando-o para o quarto. Depois de ajeitá-lo na cama com os travesseiros de proteção, senti-me na beirada, olhando para o pequeno por alguns instantes.
"Vamos dar um jeito nisso, nerd. Eu prometo." — Minha voz saiu mais suave do que eu esperava. E, pela primeira vez em muito tempo, senti que estava no controle. Mesmo que minha vida tivesse virado de cabeça para baixo, havia algo de certo em cuidar dele. Algo que faz tudo valer a pena.
•
Depois de um dia infernal, tudo o que eu queria era um pouco de paz. Izuku finalmente dormia no sofá, só de fralda, com um daqueles brinquedos de borracha que eu tinha comprado mais cedo na boca. O apartamento estava silencioso, exceto pelo barulho baixo da televisão que eu tinha ligado para preencher o vazio. Eu estava na cozinha, tentando decidir o que comer, quando ouvi batidas fortes na porta.
"Que droga, e agora?" — Murmurei, já com paciência sem limite.
Abri a porta e dei de cara com ninguém menos que Kirishima, meu parceiro de equipe e, segundo ele mesmo, meu melhor amigo. Ele estava com uma expressão séria, o que era raro, e antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele entrou no apartamento.
"Bakubro, por que você não apareceu na patrulha hoje? Todo o mundo ficou preocupado!" — Disse ele, a voz cheia de preocupação, mas, ao mesmo tempo, firme como sempre.
Eu não tive tempo de resposta. Assim que ele entrou na sala, seus olhos se fixaram em Izuku. Lá estava o pequeno, sentado no meio do sofá, mordendo o brinquedo com entusiasmo. O silêncio de Kirishima durou apenas dois segundos antes de surgir completamente.
"O QUE É ISSO?" — Falou ele, apontando para Izuku com os olhos arregalados.
Eu fechei a porta com força e respirei fundo, já sentindo uma dor de cabeça se formando. Kirishima correu até Izuku, agachando-se ao lado dele, e começou a fazer caras e bocas, completamente encantado.
Parece um idiota mesmo
"Ele é tão fofo!" — Exclamou, antes de se virar para mim com uma expressão de pura indignação. Ele se moveu num piscar de olhos, agarrando meus ombros com força e me chacoalhando como um boneco de pano. "BAKUGO, VOCÊ TEM UM FILHO E NÃO ME CONTOU? COMO ASSIM?"
"KIRISHIMA, EU VOU TE MATAR!" — Gritei, empurrando-o com força suficiente para fazê-lo recuperar. Ele parou de me chacoalhar, mas a indignação ainda estava estampada no rosto dele.
"Quem é a garota? Por que você nunca me apresentou? Cara, somos melhores amigos! Como você esconde uma coisa dessas de mim?" — Continuo ele, agora gesticulando exageradamente. Minha paciência já tinha acabado há três horas no mercado.
"Cala essa maldita boca, cabelo de merda!" — Rosnei, apontando um dedo para ele. "Primeiro, eu não tenho um filho, sua idiota. Segundo, eu não to saindo com nenhuma garota estúpida. E terceiro, para de falar como se tivesse algum direito de saber da minha vida amorosa!"
"Mas então... quem é ele?" — Disse Kirishima, apontando para Izuku, que agora olhava para nós dois com uma expressão curiosa, ainda mordendo o brinquedo de borracha. Suspirei profundamente, esfregando as têmporas. Eu sabia que explicar isso seria um pesadelo.
"Escuta aqui, e preste atenção, porque eu não vou repetir." — Sentei no sofá, gesticulando para que ele fizesse o mesmo. Ele obedeceu, embora ainda estivesse com aquela cara de confusão. "Lembra do ataque ao banco hoje de manhã?"
"Claro, estávamos lá. Foi uma loucura."
"Pois é. Foi o nerd que acionou o alarme de emergência. Ele estava lá antes da gente chegar." — Apontei para Izuku, que soltou um som animado como se estivesse respondendo ao ouvir seu nome – ou nesse caso, apelido. "E, ele foi encurralado pelo maldito vilão, mas a parceira daquela que ficou toda assustada em um canto quando entramos no banco, conseguiu salvá-lo de ser atingido pela idiota da gosma ácida. Só que, para isso, ela fez alguma porcaria com a individualidade dela e...” — Apontei dramaticamente para Izuku "Agora ele tá assim." — Kirishima piscou algumas vezes, processando o que eu tinha acabado de dizer.
"Então... esse bebê é... o Midoriya?" — Disse, lentamente.
"Sim, é o maldito nerd." — Passei a mão pelo rosto, exausto. "Agora ele tá assim, e eu estou cuidando dele até que ele volte ao normal." — Disse. Kirishima olhou para Izuku novamente, desta vez com um olhar mais cauteloso.
"Cara, isso é... intenso. Mas, sério, Bakugo, você está cuidando dele? Sozinho?"
"E quem mais faria isso? Você?" — Retruquei, cruzando os braços.
"Eu ajudaria se você tivesse me pedido!" — Respondeu ele, com um tom defensivo.
"Eu não preciso de ajuda." — Minha voz saiu mais dura do que eu pretendia, mas não me importei. "Eu dou conta." — Kirishima não respondeu imediatamente. Ele ficou em silêncio por alguns segundos, olhando de mim para Izuku. Então, um pequeno sorriso se formou no rosto dele.
"Sabe, você tá se saindo bem, cara. É meio estranho, mas... parece que cuidar do Midoriya tá te fazendo bem."
"Cala a boca antes que eu te exploda." — Resmunguei, mas minha voz saiu sem força.
Izuku, como se percebesse que a tensão tinha diminuído, soltou uma risadinha e bateu as mãos contra o brinquedo. O som preencheu a sala, e, por um momento, até Kirishima e eu esqueci a situação caótica em que estávamos.
"Ele é mesmo fofo." — Admitiu Kirishima, olhando para o pequeno. "E, ei, se precisar de ajuda, sério, me chama. Somos uma equipe, lembra?" — Olhei para ele por um momento antes de balançar a cabeça.
"Tá, cabelo de merda. Vou lembrar disso." — E, com isso, o caos da minha vida continuava. Mas, pelo menos, eu sabia que não estava completamente sozinho nisso.
Eu finalmente consegui um momento para mim depois de um dia caótico. Deixei o Kirishima na sala com Izuku enquanto preparo o meu jantar. Cozinhar me ajudava a esfriar a cabeça, e, convenhamos, eu não ia ficar me alimentando de porcarias só porque minha vida tinha virado do avesso. O prato da noite? Kare Raisu, um tipo de curry japonês, mas, é claro, com o toque Bakugo: tão apimentado que poderia deixar qualquer um suando em segundos. A cozinha estava imersa no cheiro das especiarias — mais alho, e aquela combinação de pimentas que eu adorava. Movendo a frigideira com agilidade, comecei a refogar a carne e os vegetais no molho grosso e picante. De vez em quando, jogava uma olhada na sala, garantindo que o cabelo de merda não estivesse destruindo nada.
E lá estava ele. Kirishima, o grande cavaleiro de cabelos vermelhos, agachado feito um bocó na frente de Izuku. Ele fez caretas ridículas e soltou barulhos absurdos, tudo para arrancar risadinhas do bebê. Izuku parecia estar se divertindo pra caramba, soltando aquelas risadas pequenas e fofas que, por algum motivo, me fizeram sorrir de lado, sem nem perceber. “Idiota”, pensei, mas o sorriso não desapareceu. Era um som que... sei lá. Não incomodava.
Kirishima ficou tão empolgado que nem viu que estava fazendo como um palhaço. Do jeito que ele tirou fotos do Izuku com o celular, provavelmente já tinha mandado tudo para o maldito grupo do 1-A. Podia imaginar a mensagem : “Pessoal, o Bakugo virou pai! Olha só isso!” Claro, eu já consegui ver o Todoroki e o Bakusquad, como os idiotas gostam de se chamar – particularmente estúpido na minha opinião. Me enchendo a paciência por dias.
“Depois eu mato ele.” — Resmunguei, voltando a mexer o curry. Assim que terminei de preparar a comida, estava casualmente me preparando para finalmente colocar a comida no prato, um som me pegou de surpresa.
— UAAAAAAAHHHH!!!
O choro alto e sofrido de Izuku fez meu coração parar por um segundo. Era tão desesperado e intenso que meu instinto era jogar os hashis na pia e correr para a sala.
"O que porra você fez, Kirishima?!" — Gritei, entrando no ambiente como um furacão.
A cena que encontrei fez meu estômago revisar de preocupação. Izuku estava no colo de Kirishima, chorando como se o mundo estivesse acabando. Lágrimas gordas rolaram pelo rosto dele, e ele já estava ficando vermelho de tanto esforço. As mãoszinhas fechadas, os pezinhos chutando o ar.
"Eu não fiz nada!" — Exclamou Kirishima, segurando Izuku com cuidado, mas visivelmente em pânico. "Juro, Bakugo! Ele tava rindo até agora há pouco, e do nada ele começou a chorar assim!"
Me aproximei e peguei Izuku dos braços de Kirishima, sem nem pedir. O nerd continuava berrando como se estivesse sentindo dor. Encostei ele contra o meu peito, apoiando a cabeça dele no meu ombro, enquanto uma das minhas mãos começou a acariciar os cabelos verdes e macios.
"Shh, shh... calma, nerd. Tá tudo bem." — Murmurei, tentando fazer minha voz ressoar o mais tranquilo o possível, o que era um esforço gigante para mim.
Nada. O choro não diminuiu, o desespero começou a crescer no meu peito. "Será que é efeito da individualidade aquela vilã?", pensei, a garganta apertando. Ou pior, "Será que ele está doente?". Olhei para Kirishima, que parecia mais assustado do que eu.
"O que diabos aconteceu?" — Rosnei, ainda embalando o Izuku.
"Eu já falei!" — Ele respondeu, levantando as mãos como se defendesse de um ataque. "Eu tava brincando com ele, e de repente ele fez um barulho estranho, tipo um... um gemido baixinho. Aí, puff! Ele começou a chorar!" — Disse ele. Estreitei os olhos.
"Um barulho estranho? Que tipo de barulho?"
"Sei lá, cara! Tipo um... "Pruuuh!" " — Tento ele, imitando o som de forma bizarra. Antes que eu pudesse xingá-lo por ser um completo inútil, um outro barulho ecoou pela sala.
Pronto.
Nós dois congelamos. O som foi tão claro e... revelador. Não demorou nem dois segundos para um cheiro horrível começar a subir no ar. Eu e Kirishima nos entreolhamos, os olhos arregalados, enquanto o choro de Izuku diminuía até parar completamente. A pequena agora estava calma, aprimorada no meu ombro, soltando até um pequeno suspiro de brincadeira.
"Não... não é possível." — Kirishima foi o primeiro a falar, tapando o nariz com uma mão. "Foi isso?!" — Olhei para Izuku, que agora parecia o bebê mais inocente do mundo, e soltei um suspiro pesado.
"Ele fez coco." — Declarei, irritado, mas aliviado ao mesmo tempo.
"Sério?!" — Kirishima riu, apesar do cheiro nojento. "Todo esse escândalo por causa de um coco?"
"Cala a boca e me ajuda com as fraldas!" — Rosnei, marchando em direção ao trocador improvisado que eu tinha montado com um lençol no sofá. Izuku deu um risinho baixinho, provavelmente sentindo meu peito vibrar de frustração. Kirishima veio atrás de mim, ainda rindo, mas agora com lágrimas nos olhos.
"Cara, isso é ouro. Ó grande Dynamight derrotado por um coco! Eu vou lembrar disso pra sempre!" — Disse ele, rindo.
"Se você não calar essa boca, eu vou enfiar essa fralda na sua cara!" — Ameacei, trocando o Izuku com uma rapidez surpreendente.
"Ei, pelo menos ele tá bem, né?" — Kirishima tentou se especificar, ainda se limita para não rir mais.
Olhei para Izuku, que agora estava limpo, feliz e dando gargalhadinhas como se nada tivesse acontecido. Meu coração finalmente desacelerou, e eu passei os dedos pelos fios verdes bagunçados do moleque.
"É... pelo menos ele tá bem." — Murmurei baixinho. Mesmo exausto e com meu jantar quase frio, não pude evitar um pequeno sorriso. Afinal, o nerd tinha um jeito especial de transformar qualquer dia em um caos completo.
•
Finalmente, o cabelo de merda foi embora. Já estava tarde, e eu preciso que ele descanse para a patrulha de amanhã. Assim que a porta se fechou atrás dele, o silêncio caiu sobre o apartamento. Olhei para o Izuku, que agora estava sentado no sofá, brincando com o mesmo brinquedo de borracha de antes. Ele parecia tão despreocupado que quase me fez esquecer do caos do dia.
Eu soltei um suspiro longo e pesado, passando a mão pelos cabelos enquanto ia para a cozinha. Meu jantar estava praticamente frio quando toquei nele novamente, então tive que esquentar tudo de novo. Comi rápido, estava com muita fome, mas a mente ainda ocupada com o pequeno nerd no outro cômodo. Foi quando a ficha caiu: Ele não comeu nada o dia todo!
"Merda." — Murmurei baixinho, levantando apressado e abrindo uma das sacolas de compras. Peguei um dos potinhos de papinha — sabor leguminosas, porque parecia o mais seguro — e voltei para a sala. Izuku me olhou com curiosidade, a cabecinha inclinada para o lado, como se perguntasse o que eu estava fazendo.
"Tá com fome, nerd?" — Perguntei, sentando no sofá e ajeitando ele no meu colo. Não que eu espere uma resposta, é claro. Mas quando ele esticou as mãozinhas para o potinho, entendi que a resposta era sim. Abri uma papinha e peguei uma colherzinha. A textura parecia meio estranha, mas antes que eu pudesse pensar muito nisso, Izuku deu um gritinho impaciente.
"Tá, tá, calma aí, caramba." — Coloquei um pouco da papinha na colher e levei até a boca dele. "Abre aí."
Ele obedeceu sem hesitar, e assim que o gosto atingiu a língua dele, os olhos verdes brilharam. Izuku começou a mastigar — ou pelo menos tentar mastigar — de um jeito tão adorável que me arrancou um sorriso involuntário. Claro, eu não vou admitir isso em voz alta nem sob tortura. A cada colherada, a papinha escorria um pouco pelo canto da boca dele. Suspirei e peguei um paninho para limpar.
"Cara, você é uma sujeira só." — Resmunguei, mas com um tom mais leve do que o normal.
Izuku simplesmente deu uma risadinha, eu olhando como se aquilo fosse a coisa mais divertida do mundo. E eu não sei por quê, mas ver ele comer quase tudo o potinho me deixou... satisfeito. Talvez porque, no fundo, eu sabia que ele precisava de mim agora.
Depois de alimentá-lo, segui o que tinha visto na internet e fiz ele arrotar. Não era difícil, mas era um pouco estranho estar cuidando de alguém assim. Quando terminei, deixei ele no sofá de novo e voltei para a cozinha. Lavei a louça, guardei o que sobrou do jantar e da papinha, e só então fui ao banheiro para começar a encher a banheira.
A água caiu no ritmo constante do chuveirinho, enchendo a banheira com um som relaxante. Testei a temperatura algumas vezes, ajustando para garantir que não estivesse nem muito quente, nem muito frio. Quando eu estava do jeito certo, voltei para a sala e peguei Izuku. Ele me olhou com curiosidade enquanto eu tirava a fralda dele.
"Tava mijada, né, seu porquinho?" — Comentei, jogando a fralda no lixo. Leve-o para o banheiro e use o chuveirinho para limpar a sujeira antes de colocá-lo na água.
Izuku deu um pequeno gritinho quando entrou na banheira, mas logo relaxou. A água parecia acalmá-lo, e um pequeno sorriso surgiu em seus lábios enquanto ele chutava levemente, espalhando água por todo lado.
"Ei, sem bagunça, caramba." — Ajeitei ele com cuidado, pegando o shampoo de bebê.
Comecei lavando os cabelos dele, tomando cuidado para não deixar nada escorrer para os olhos. A espuma cheirosa deixou os fios verdes brilhando ainda mais. Depois, usei o sabonete líquido para lavar o corpinho pequeno e rechonchudo.
Quando terminei, posicionei Izuku de barriga para baixo contra o meu peito, com a cabeça dele segura bem no meu ombro. Ele parecia confortável ali, as pernas dobradas e a respiração calma. A água da banheira subia até o meio das costas dele, mantendo ele aquecido enquanto eu fechava os olhos por um momento.
Finalmente, um pouco de paz.
O peso pequeno e quente do Izuku contra o meu peito me fez relaxar de um jeito que eu não esperava. O dia tinha sido um inferno, mas ali, naquela banheira, tudo parecia... quieto. De repente, senti algo encostar na minha mão, que estava balançando na água. Abri os olhos e vi Izuku tentando pegar o meu dedo com as mãoszinhas pequenas e gordinhas.
"Tá tentando aprontar o quê agora, nerd?" — Disse, mas aproximadamente o dedo de propósito.
Quando ele finalmente conseguiu agarrar, fiquei surpreso com o quão pequeno ele era. Sua mãozinha nem conseguiu fechar completamente ao redor do meu dedo. Senti algo apertar no meu peito, mas ignorei. Então, para minha surpresa, ele começou a puxar meu dedo em direção à boca.
"Ei, o que você está fazendo?" — Tentei fugir, mas ele já tinha começado a morder meu dedo como se fosse um brinquedo de borracha. "Meu dedo não é pra morder, caramba." — Franzi a testa, tentando parecer sério, mas Izuku simplesmente deu uma risadinha travessa, os olhos brilhando com uma malícia inocente. Suspirei, derrotado
"Você não facilita, né?" — Por algum motivo, o som da risadinha dele ficou na minha cabeça. Talvez porque, no fundo, fosse bom saber que ele estava feliz e seguro. Mesmo que sua situação não fosse uma das melhores.
•
Quando a água da banheira começou a esfriar, percebi que era hora de terminar o banho. Levantei com Izuku no colo, sentindo a pele quente e macia dele contra o meu peito. Ajeitei o chuveirinho para esvaziar a banheira, depois alcancei o meu roupão, um de cor preta com detalhes em vermelho e um X laranja nas costas – parte da coleção Dynamight que saiu no mês passado – me vesti rapidamente. Peguei uma toalha macia, branca com pequenas estampas de foguetes, para envolver o Izuku. Ele parecia confortável, soltando um suspiro quase satisfeito enquanto eu o carregava para o quarto.
Coloquei o pequeno na cama, que estava arrumado com lençóis simples, mas limpos, enquanto abria a sacola de compras que trouxe do shopping. Lá estava o pijama que eu tinha escolhido para ele: um conjunto azul-claro com o rosto do All Might estampado bem no centro. Havia até pequenas faixas amarelas e vermelhas simulando a "capa" do herói.
"Claro que você ficaria feliz com isso, nerd." — Revirei os olhos, mas não pude evitar um pequeno sorriso.
Peguei a fralda nova, a pomada contra assaduras e o hidratante. Peguei uma toalha e sequei cada pedacinho com cuidado, prestando atenção para não deixar nenhuma área úmida. A pele dele já era macia, mas o hidratante dava um toque extra. Não é a toa, a expressão "feito bumbum de neném". Enquanto colocava a fralda, Izuku tentava mexer nas minhas mãos, balançando as perninhas e soltando sons engraçados.
"Para de se mexer, nerd. Vai deixar isso mais difícil." — Ele respondeu com um gritinho, como se estivesse desafiando.
Quando terminar, veja o pijama nele. A calça era azul, com pequenos raios amarelos espalhados, e a blusa tinha o rosto sorridente do All Might, com a frase "PLUS ULTRA!" em letras grandes logo abaixo.
"Tá satisfeito agora, nerd? Parece um comercial ambulante." — Ele deu uma risadinha enquanto balançava os bracinhos, claramente confortável.
Deixei Izuku deitado na cama, todo ajeitado, enquanto procuro um pijama para mim no armário. Peguei uma camisa preta com uma caveira estilizada no peito, me lembrando das roupas que usava no colégio. A calça era cinza e simples, mas pelo menos confortável. Me vesti rapidamente, trazendo a atenção para o bebê. Ele estava olhando para o teto, meio distraído, mas parecia relaxado. Peguei Izuku no colo, certificando-me de que ele estava seguro, e o levei para a sala.
No sofá, eu me senti e posicionei Izuku de forma que ele ficasse reclinado contra o meu peito. Ele parecia satisfeito com a posição, se aconchegando e soltando um pequeno bocejo. Ligue a televisão, navegando pelos canais até encontrar um filme de ação. Não que eu tenha sido muito exigente na escolha, mas preciso de algo para desligar a cabeça depois de um dia tão longo
O som de tiros e explosões preenchia o ambiente enquanto eu dava batidinhas nas perninhas do Izuku, mais para manter a calma do que por qualquer outra razão. Foi quando meu celular começou a vibrar em cima da mesa do centro.
"Que droga é agora?" — Murmurei, ajustando Izuku no colo para poder me inclinar e pegar o telefone. Desbloqueei a tela e vi que era o grupo do Bakusquad.
"Tão original..." — Resmunguei, clicando nas mensagens. Claro, era o cabelo de merda, a Mina, o Sero e o cara de burro, todos tagarelando sobre virem para a minha casa.
Kirishima : "Bakugou, a Mina quer saber qual o horário de visita pra gente conhecer seu filho."
Kirishima: "Cara, Midobro como bebê é muito fofo! Acho que todo mundo deveria ir vê-lo!"
Mina: "Bakubaby é papai agora?!! Eu PRECISO ver isso ao vivo!"
Kaminari : "Cuidado, Mina, ele pode machucar a porta na sua cara."
Sero: "Eu quero ver se ele tá cuidando bem do moleque. Vai que o Izuku volta todo traumatizado!"
Sero : "Será que o Bakugo sabe trocar fralda? 🤔"
Kaminari : "Duvido. Aposto que ele só grita e resolve as coisas na força."
Cerrei os dentes, sentindo a raiva crescer com cada mensagem . “Papai”? — Vocês só podem estar brincando comigo.
Bakugou: "Vocês são todos uns idiotas. Esse moleque não é MEU filho! E se vocês vierem aqui, eu nem abro a maldita porta!"
Kirishima: "Relaxa, mano, a gente só quer ajudar!"
Bakugou : "VOCÊS NÃO VÃO VIR AQUI! Não vou abrir a PORRA da porta pra nenhum de vocês, seus idiotas!"
Mina: "Pai estressado detectado."
Kaminari: "Bakugou, tudo bem? Você está sendo o pai mais explosivo do mundo."
Minha paciência estava se esgotando rapidamente.
Bakugou: "Eu não sou pai de ninguém, seus malditos! E, de novo, não venham aqui!"
Izuku olhou para mim, como se sentisse minha raiva, e deu um balbúcio. Baixei os olhos para ele, e, por algum motivo, minha raiva atrasou um pouco. As respostas vieram quase que instantâneas.
Mina : "Pensa no Izuku! Ele merece todo o carinho. 🥺"
Sero : "Vai ser divertido! Prometo que ninguém vai quebrar nada."
Kaminari : “Talvez.”
Eu respirei fundo, segurando o impulso de jogar o celular na parede. "Esses caras ainda me deixam louco..." — Murmurei, olhando para Izuku, que estava quietinho no meu colo. Ele parecia estar quase dormindo, alheio a toda a confusão.
Bakugou : "Se você aparecer aqui, vou fazer questão de EXPLODIR a cara de cada um. ENTENDERAM?"
As mensagens pararam por um momento, provavelmente porque eles sabiam que eu estava falando sério. Coloquei o celular de volta na mesa e me recostei no sofá, olhando para a tela da televisão. Izuku soltou um pequeno suspiro, se aninhando mais contra o meu peito.
"Pelo menos você fique tranquilo, nerd." — Passei a mão pelo cabelo dele, tentando rir mais de mim mesmo do que ele. O filme contínuo, mas minha atenção estava dividida entre a tela e o pequeno peso quente em meus braços.
Talvez cuidar de você não seja tão ruim assim.
•
Depois que Izuku ficou sonolento, decidiu que era uma hora para encerrar o dia. Com cuidado, levante o sofá, segure o pequeno contra o peito para evitar acordá-lo. Ele era quentinho e confortável em meus braços, o que me fazia questionar como o nerd tinha tanto talento para ficar fofo mesmo em situações assim.
Desliguei a televisão e peguei meu celular da mesa do centro antes de ir para o quarto. O lugar estava mergulhado numa penumbra agradável; a luz suave que entrava pelas frestas da cortina deixava o ambiente com uma atmosfera tranquila. Coloquei Izuku na cama, ajeitando um travesseiro no lado esquerdo para evitar qualquer acidente enquanto estiver longe. Ele já estava praticamente dormindo, com os olhos semicerrados e a respiração se tornando mais lenta.
"Beleza, nerd, fica aí um segundo. Vou resolver umas coisas." — Murmurei, mesmo sabendo que ele não entenderia.
No banheiro, escovei os dentes com movimentos rápidos, e usei a privada, lavando as mãos depois. Quando me olhei no espelho, quase ri do estado do meu cabelo. Estava bagunçado como se tivesse passado por um vendaval, e meus olhos tinham aquele brilho cansado de quem já queria dormir há horas. Dei de ombros. Não era como se tivesse alguém aqui para reparar isso fora do bebê. Como é que eu, de todas as pessoas, acabei nessa situação?
Depois, fui para a cozinha. A casa estava silenciosa, exceto pelo som do piso rangendo sob os meus pés. Peguei a jarra que sempre deixo no quarto para evitar a trabalheira de sair da cama no meio da noite. Enchi com água fresca e voltei ao quarto. Assim que entrei, vi que Izuku já estava com os olhos completamente fechados. O rosto parecia tranquilo, as mãoszinhas descansavam sobre as bochechas, e ele respirava de forma ritmada. O moleque tinha um jeito inteligente de dormir: sempre com a mãozinha perto do rosto, como se estivesse se protegendo de algo invisível.
Coloquei uma jarra de água na mesa de cabeceira e me ajeitei no lado direito da cama. Puxei a coberto para nos cobrir, certificando-me de que Izuku estava bem confortável. Mantenha uma pequena distância, o suficiente para evitar qualquer acidente, mas perto o suficiente para sentir sua presença ali. Ajustei meu travesseiro e, finalmente, deixei o cansaço me vencer. Meus olhos se fecharam quase instantaneamente.
Não sei quantas horas se passaram, mas o som do choro de Izuku me tirou do sono como um soco no estômago. Abri os olhos, o coração batendo forte. Era por volta das três da manhã quando o choro de Izuku cortou o silêncio do quarto como um alarme estridente.
"Sério? Essa hora? — resmunguei, sentando-me na cama com um suspiro pesado.
Olhei para ele. Izuku estava completamente acordado, chorando com todas as forças que aquele corpinho pequeno conseguia reunir. Seu rosto já estava vermelho, e lágrimas escorriam pelas bochechas. Izuku estava chorando com força, com as mãos agitadas. Peguei ele no colo e tentei balançá-lo para acalmá-lo, mas ele não dava sinais de que fosse parar tão cedo.
"Tá, tá, já entendi! Calma aí, deixa eu descobrir o que tá pegando." — Primeiro, verifiquei a fralda. Nada. Estava limpo. Depois, tentei verificar se ele tinha gases, massageando a barriguinha dele. Mas também não era isso.
"Você está brincando comigo, nerd? Sério? Tá complicando as coisas de propósito, né?" — O choro continuava, cada vez mais alto, e foi quando descobriu que só podia ser uma coisa: fome.
"Tá bom, já saquei. Vamos resolver isso."
Levantei com ele no colo, embalando-o enquanto caminhava para a cozinha. Ele ainda chorou, mas o movimento ajudou a acalmá-lo um pouco. Seus olhos verdes me olharam cheios de expectativa, como se fossem notícias que eu resolveria tudo. Quando chegamos à cozinha, coloquei ele apoiado no meu braço esquerdo enquanto pegava a lata de leite em pó com a mão livre. Coloquei água morna na mamadeira, medi uma certa quantidade de pó e sacudi bem até dissolver tudo. Fiz tudo rápido, mas com cuidado. Já tinha entendido que não dava pra relaxar com algo tão importante.
"Tá vendo o que eu faço por você, nerd? Isso aqui não é fácil."
Misturei o leite em água quente e agitei a mamadeira vigorosamente até ver que tudo estava bem dissolvido. Testei a temperatura no dorso da mão. Ainda estava quente demais.
"Você vai ter que esperar, Izuku. Não vou queimar sua boca."
Seguro Izuku com firmeza enquanto voltávamos ao quarto. O choro estava mais baixo agora, mas ele ainda soluçava de leve, as mãoszinhas agarrando minha camiseta como se eu fosse desaparecer. Senti na cama e continuei embalando ele enquanto esperava a mamadeira fria. Depois de alguns minutos, testei novamente a temperatura. Estava morna, o suficiente para ser segura.
"Finalmente. Tá aqui, vai."
Ofereci o bico da mamadeira, e Izuku pegou imediatamente. Ele sugava com tanta força que dava para ouvir o barulho do leite sendo engolido. A felicidade no rosto dele era evidente, o que fez meu humor melhorar, mesmo no meio da madrugada.
"É isso que você precisa, né? Drama por nada."
Enquanto ele mamava, seus olhos começaram a se fechar lentamente. Sua expressão relaxou completamente, e ele parecia quase em transe. Era impossível não notar como ele era pequeno, como seus dedos eram minúsculos e as mãos seguravam a mamadeira com tanta determinação que era impossível não achar uma gracinha.
"Você não faz ideia de como o mundo é uma bagunça, né? Só tá aí, confiando que alguém vai sempre cuidar de você."
Depois que ele terminou, coloquei a mamadeira na mesa de cabeceira. Ele parecia sonolento, mas ainda não tinha adornado completamente. Então, deitei novamente, colocando Izuku sobre o meu peito. Sua cabeça ficou bem no centro, e suas mãos pequenas se abriram contra minha camiseta.
Puxei a coberta sobre nós dois e comecei a dar batidinhas folhas nas costas dele. Aos poucos, sua respiração ficou mais lenta, e percebi que ele estava ouvindo meus corações. Por algum motivo, parecia que ouvir o meu coração batendo ajudava ele a relaxar. Talvez fosse uma sensação de segurança, como se o ritmo constante dissesse que tudo estava bem.
"Isso te acalma, né, nerd? — Murmurei, um pouco mais para mim do que para ele. "Tá seguro aqui, nerd. Podemos relaxar."
Demorou cerca de dez minutos até ele finalmente cair no sono profundo, o rostinho enterrado no meu peito. Fiquei acordado por mais um tempo, ouvindo a respiração dele e sentindo o peso confortável daquele pequeno corpo. Eventualmente, o cansaço me venceu de novo, e eu também adorei, com Izuku ainda seguro contra o meu peito. Por mais trabalhoso que fosse, cuidar dele tinha se tornado... menos insuportável. Talvez até algo que eu comece a valorizar, mesmo sem querer admitir.
•
O sol ainda não tinha sequer iluminado todo o quarto quando fui acordado. Não pelo alarme que tinha configurado para as 10h, mas por uma vibração insistente no meu celular, que estava em cima da mesa de cabeceira. Abri um olho, resmungando algo ininteligível, só para ver o nome que brilhava na tela: Velha Bruxa.
Minha mãe.
Suspirei profundamente, sentindo a segurança se acumular no peito antes mesmo de atender. Não eram nem 7 da manhã, e ela já estava me atormentando. Decidi ignorar. Apertei o botão de silenciar a ligação e fechei os olhos novamente, tentando recuperar o sono. O silêncio durou exatos trinta segundos antes de o celular começar a vibrar de novo. Ignorei mais uma vez. E de novo. E de novo. Quando ela chegou à quinta tentativa consecutiva, conseguiu que, se eu não atendesse, o único resultado seria Izuku acordando com o barulho irritante.
Olhai para baixo. Izuku ainda dormia tranquilamente no meu peito, seu rostinho relaxado e tranquilo, os fios verdes espalhados de forma bagunçada. Apesar do cenário caótico do momento, minha mão instintivamente começou a acariciar os cabelinhos dele, tentando manter a calma. Com um último suspiro de frustração, atendi a ligação.
"Que merda você quer tão cedo, velho?" — Murmurei, tentando não aumentar a voz e acordar Izuku. O celular não estava no viva-voz, mas a gritaria da minha mãe era tão alta que parecia que ela estava no mesmo cômodo.
"COMO ASSIM VOCÊ TEM UM FILHO E EU SOU A ÚLTIMA A SABRE?!" — Quase joguei o celular na parede de puro reflexo.
"O quê?!" — Minha voz saiu mais alta do que deveria. Olhei para Izuku, mas, por sorte, ele continua dormindo.
"QUEM É A GAROTA?! EU CONHEÇO? SEU PIRRALHO, COMO VOCÊ TEM AUDÁCIA DE ENGRAVIDAR ALGUÉM E NÃO CONTAR PRA SUA PRÓPRIA MÃE?!" — Pude ouvir meu pai no fundo, enganando-a claramente. "Mitsuki, deixa o garoto falar!" — Claro que ela ignorou completamente. " Eu te botei nesse mundo, Katsuki, e eu posso te tirar dele! PIRRALHO INGRATO!" — Eu esfreguei os olhos, tentando processar o absurdo que estava acontecendo.
"Que diabos você está falando, hein?" — Sibilei entre os dentes, ainda tentando manter o tom baixo.
"Como pode fazer isso com seus pais?! Titico que descobrir através de um jornal maldito!" — Ela continuou, como se eu não tivesse dito nada. " E todo aquele papo de "foda-se, não quero saber de nenhuma garota estúpida atrapalhando minha carreira como herói”? E agora você aparece com um filho?! O que você acha que é um filho, Katsuki? Um bichinho de hóspedes?!"
Minha paciência, que já era curta, não tinha limite. Com cuidado, tirei Izuku do meu peito e o deitei na cama, usando o travesseiro como barreira. Ele ainda dormia profundamente. Sai do quarto em passos rápidos, apertando o celular na mão como se estivesse dentro de uma granada. Cheguei à cozinha, fechei a porta para garantir que Izuku não ouvisse, e finalmente soltei:
"CALA A BOCA, VELHA!" — O silêncio do outro lado durou exatamente dois segundos antes de ela começar a gritar de novo.
" Ah, não grite comigo, moleque!"
"Escuta aqui, bruxa, essa merda de notícia é FALSA, tá bom?! Eu não tenho filho nenhum, muito menos com alguma garota estúpida. Você realmente acredita nessa porcaria de jornal? Igual aquela vez em que um fã irritante agarrou meu braço, e um paparazzi inventou que era minha namorada?! E você caiu nessa também!"
"Então quem é o bebê na foto, Katsuki?! A gente viu! Tá nas redes sociais! Você tá segurando uma criança!" — Suspirei, esfregando as têmporas. Não tinha como fugir dessa conversa.
"O bebê é o Izuku. Não é MEU filho, droga. Você acha que eu teria um filho e não contaria? Aquela nerd idiota acabou transformando seu bebê por causa de uma merda de vilã com uma individualidade bizarra. Tô cuidando dele até que ele volte ao normal."
Silêncio.
“... Ó Izuku?” — A voz dela finalmente baixou um pouco, mas dava pra sentir a confusão.
"É, o Izuku! Quem mais seria?!" — Ouvi meu pai rindo no fundo.
"Isso explica porque ele parecia familiar..." — Ouvi meu pai dizer ao fundo. Minha mãe finalmente parou de surtar, mas agora parecia preocupada.
" E você tá cuidando dele sozinho? Você mal sabe cuidar de você mesmo, Katsuki! Como você acha que vai cuidar de um bebê?!"
"Tô dando conta, tá legal?" — Minha voz saiu mais duramente do que pretendia. "Não preciso de ninguém me dizendo o que fazer. E que papo é esse de: "não sei cuidar nem de mim"? Sempre fui um dos mais responsáveisentre meus colegas, velha bruxa. Muitos deles mesmo hoje em dia não sei nem o que é lavar uma roupa..." — Bufei de raiva.
"Tá bom, tá bom. Mas e a mãe dele? A Inko sabe disso?"
"Não. E ela não vai saber. A tia Inko tá viajando, se aposentou, e foi ideia do Izuku que ela tirasse esse tempo pra ela. Eu não vou ferrar com isso. Então não abra a boca pra ela." — Houve um silêncio do outro lado. Finalmente, ela respondeu:
"Tudo bem. Mas se você precisa de qualquer coisa, QUALQUER coisa, me liga, entendeu?"
"Tá, tá." — Resmunguei
"E trate de cuidar bem do Izuku. Ele é um bom menino."
"Eu sei disso." — Disse por fim.
Desliguei antes que ela continue com qualquer sermão adicional. Soltei um longo suspiro, encostando a testa na porta da geladeira. Isso era exatamente o tipo de coisa que eu não queria lidar tão cedo de manhã. Respirei fundo e voltei para o quarto. Izuku ainda estava dormindo profundamente, o que, pelo menos, foi um rompimento. Me deitei novamente, puxando a coberta sobre nós dois.
"Espero que o resto do dia seja mais tranquilo, nerd..." — Murmurei, antes de fechar os olhos novamente.
•
O alarme tocou às 10h em ponto, emitindo aquele som desagradável que parecia o único capaz de me arrancar da cama ultimamente. Esticei o braço sem abrir os olhos, apalpando a mesa de cabeceira até encontrar o celular e silenciar o som. Suspirei e fiquei ali, ainda deitado, aproveitando mais alguns segundos de paz antes de encarar o dia.
Foi quando um cheiro nojento invadiu minhas narinas, e o conforto sumiu num instante. Meus olhos se abriram imediatamente, e virei a cabeça para a origem daquele fedor. Ali estava o culpado: Izuku, com aqueles grandes olhos verdes me encarando como se fosse o bebê mais inocente do mundo. Eram olhos realmente fofos. Não dava pra negar. Mas ou cheiro?
"Ah, não. Não. NÃO!" — Rosnei, eu levantando em um pulo. Peguei Izuku pelo tronco, segurando ele a uma distância segura do meu rosto enquanto corri em direção ao banheiro.
"Como uma coisinha tão pequena pode feder tanto?!" — Reclamei enquanto Izuku apenas soltou um som baixinho, meio que um riso, como se achasse tudo aquilo muito engraçado. Chegando ao banheiro, deitei Izuku no trocador improvisado que tinha montado na bancada e comecei a tirar as roupas dele, que eram, obviamente, um desastre.
"Ótimo. Mijo e coco. Os dois. É claro que tem os dois. Porque você nunca facilita minha vida, né, nerd?" — Izuku só continua a me encarar, balbuciando murmúrios desconexos, como se respondesse.
"Eu sei, eu sei. Você é só um bebê. Não precisa me lembrar disso."
Descartei a fralda numa sacola plástica, amarrei bem e joguei longe da minha vista antes de abrir o chuveirinho e ajustei-o para a temperatura morna. Peguei Izuku no colo e senti ele dentro da banheira, que estava vazia. A água escorria pelos cabelos verdes, e ele parecia até relaxar.
"Tsc. Você é só trabalho, sabia?" — Falei, mas uma parte de mim não conseguiu deixar de sorrir ao ver a expressão contente de Izuku enquanto eu lavava ele.
Peguei o sabonete líquido infantil e comecei a ensaboá-lo com cuidado. O cara era pequeno, mas, impressionantemente, parecia capaz de produzir sujeira suficiente pra um batalhão.
"Eu já enfrentei vilões com poderes que puderam destruir uma cidade, e ainda assim isso aqui é mais difícil, nerd." — Ao terminar, coloque Izuku em uma toalha macia e o nível de volta para o quarto. Lá, escolhi um macacãozinho azul escuro que tinha um ursinho na frente. Nada de fantasias de heróis dessa vez.
"Não vou deixar você ficar se achando nessas fantasias de heróis, mesmo sendo só um bebê." — Resmunguei, enquanto abria uma pomada contra assaduras.
Passei a pomada com cuidado, depois apliquei o hidratante que tinha um cheiro suave e deixava a pele dele ainda mais macia. Peguei outra fralda – a quarta desde ontem, sério – e vesti com precisão para garantir que não vazasse. Depois, ajustei o macacãozinho no corpo pequeno de Izuku e ajeitei os botões.
"Pronto. Agora tá parecendo um bebê normal. Não é tão irritante assim."
Enquanto eu me levantava para cuidar de mim mesmo, Izuku começou a brincar com os próprios pés, levando um deles até a boca. Parei por um momento, olhando aquilo com um misto de fofura e humor.
"Sempre muito flexível, né, nerd?" — Murmurei, sacudindo a cabeça.
Lavei meu rosto rapidamente no banheiro, usando o sabonete líquido que sempre deixa minha pele com uma sensação refrescante, e molhei os cabelos só o suficiente para dar uma ajeitada. Voltei para o quarto e peguei Izuku no colo.
Na sala, coloquei ele no tapete macio no chão. Melhor prevenir do que remediar. Se ele caísse do sofá, seria um desastre. Pelo menos no tapete ele estaria seguro enquanto eu fazia as coisas na cozinha. Deixe alguns brinquedos por perto para mantê-lo ocupado enquanto prepara o café.
"Você se comportou aí, entendeu? Nada de drama, nada de choro." — Izuku respondeu com um som agudo que não consegui decifrar, mas pareceu um protesto.
"Vai aprender a respeitar as regras aqui, mesmo como bebê, nerd."
Enquanto uma cafeteira trabalhava, comecei a preparar uma mamadeira dele. Medir o leite em pó, esquentar a água na temperatura certa, mexer bem até não sobrar nenhum grumo. Cada passo era meticulosamente seguido, mas, ainda assim, parecia mais complicado do que enfrentar vilões. Quando terminei, voltei para a sala. Izuku estava rolando no tapete, os olhos verdes brilhando ao ver que eu me aproximava com a mamadeira.
"É, eu sei. Eu sou incrível, né?" — Disse, olhando para aqueles olhos grandes e verdes. Izuku murmurou parecendo até que estava concordando.
Sentei no sofá, peguei ele no colo e ofereci uma mamadeira. Ele agarrou com as mãos pequenas e começou a mamar com entusiasmo, o olhar fixo em mim como se eu fosse algum tipo de salvador.
"Você é mais trabalho do que vale, sabia?" — Mas, mesmo enquanto resmungava, não pude deixar de sentir um leve calor no peito ao vê-lo tão relaxado e confiante em meus braços. "Aproveita, nerd. Isso não vai durar pra sempre."
Enquanto Izuku mamava tranquilo no meu colo, a sala parecia mergulhada em uma estranha paz, interrompida apenas pelo som rítmico da sucção na mamadeira e o leve ruído do vento passando pelas janelas. Mesmo sem assumir em voz alta, havia algo reconfortante em segurar aquele jeito. Era como se, por um momento, o caos do mundo lá fora simplesmente não existisse.
Os olhos verdes de Izuku piscavam devagar, quase fechando. O leite parecia estar fazendo efeito, deixando-o sonolento e completamente relaxado em meus braços. Eu o observava enquanto segurava a mamadeira, esperando que ele terminasse o suficiente para voltar a dormir.
"Você deveria aprender a dormir direto, sabia? Fazer essas pausas no meio da noite e agora essa preguiça toda... Quem você acha que está cuidando de você? Algum robô?" — Murmurei, sabendo muito bem que ele não entendeu nada, mas era reconfortante falar. Ele respondeu com um leve suspiro, quase como se estivesse concordando.
Assim que a mamadeira ficou vazia, tire o bico da boca dele com cuidado e coloquei a mamadeira vazia na mesinha ao lado. Izuku olhou pra mim, meio perdido, com as bochechas cheias e rosadas. Era quase impossível não soltar um pequeno sorriso ao ver aquilo.
"Tá bom, tá bom. Vem cá."
Levantei-o e coloquei de pé no meu colo, segurando firme para que ele não caísse. Comecei a dar leves tapinhas nas costas dele, esperando o tão esperado arroto. Ele parecia meio confuso com o que eu estava fazendo, mas logo um som alto e esmagador ecoou pela sala.
"Aí está. Não me decepcione da próxima vez, entendeu?" — Falei, rindo baixinho enquanto ele fazia uma careta engraçada, quase como se estivesse irritado com o próprio arroto.
Depois de alguns minutos, percebi que ele estava ficando cada vez mais molinho. A morte estava vencendo. Decidi deitar no sofá com ele, acomodando-o no meu peito, como fiz durante a noite. A cabeça dele estava posicionada exatamente no lugar onde meus corações eram mais audíveis.
Era engraçado como isso parecia acalmá-lo mais do que qualquer outra coisa. Isso me pensou que talvez fosse porque ele sabia o que eu tinha passado, as cicatrizes no peito que carregava depois da guerra contra AFO e Shigaraki. Mas era impossível, primeiro porque no momento ele era só um bebê inocente. Segundo, ele não tem memórias do que vivemos naquela época. Então, é provável que ele saiba que ali, naquele momento, ele estava seguro. Passei a mão pelos cabelos dele, sentindo a maciez e o cheiro suave do hidratante infantil que tinha usado mais cedo.
"Se alguém te visse agora, juraria que você é o bebê mais bem comportado do mundo. Mas eu sei a verdade. Você é um mini vilão disfarçado, né?" — Brinquei, mas ele já estava dormindo profundamente.
Deitado ali, olhando para o teto, comecei a pensar no quanto minha vida tinha mudado literalmente da noite para o dia. Nunca achei que ficaria responsável por algo tão pequeno e frágil, ainda mais sendo o nerd. O mesmo nerd que sempre me irritava, que falava sem parar, resmungava, que insistia em correr atrás de mim...E agora, aqui estava ele. Pequeno. Inocente. Dependendo completamente de mim.
Suspirei.
"Você sabe que eu sou incrível, Izuku. Outro no meu lugar já teria pirado."
Fechei os olhos por alguns minutos, sentindo o peso confortável dele no meu peito. O silêncio só foi quebrado pelo som do meu próprio celular, vibrando no bolso da calça. Suspirei de novo, com mais confiança dessa vez. Peguei o aparelho com cuidado para não acordar Izuku. Era uma mensagem da velha bruxa.
“Não se esqueça de alimentar ele direito. Se você machucar meu neto, eu caio com você. Beijos, mamãe.”
“Neto?” — Murmurei revirando os olhos, mas um sorriso pequeno escapou. Era irritante, mas... talvez eu deva agradecer por ela ter ficado preocupada. Pelo menos não estava sozinho nessa responsabilidade absurda que era cuidar do nerd. Guardei o celular de volta no bolso e olhei para Izuku, dormindo profundamente como se o mundo inteiro não pudesse tocá-lo.
"Não vai ser fácil, mas a gente vai dar um jeito, nerd. Não sei como, mas vai." — E com isso, me permiti fechar os olhos por mais alguns minutos, abraçando o breve momento de paz que parecia tão raro ultimamente.
•
A manhã até que tinha começado bem, mas, como de costume, parecia que o universo tinha planos diferentes pra mim. Deixei o Izuku dormindo na cama, protegido por travesseiros em cada lado, e fui até a cozinha terminar de preparar meu café. O cheiro do café recém-passado era reconfortante, mas mal tive tempo de aproveitá-lo antes de ser lembrado por que eu preferia manter minha vida pessoal em segredo.
Com a xícara fumegante na mão, fui para a sala e liguei a televisão. Talvez alguma notícia sobre as patrulhas ou atualizações de heróis me ajudaria a distrair a cabeça. Mas, claro, a primeira coisa que apareceu foi uma manchete completamente absurda estampada na tela:
《 Herói Dynamight tem um filho? E quem é a mãe?》
Minha foto, com o Izuku nos braços, aparece em destaque, como se fosse algum tipo de prêmio de fofoca do ano. Atrás da manchete, a voz animada de um jornalista anunciou:
"Pelas informações que recebemos, Dynamight foi visto fazendo compras no supermercado, e comprando coisas exclusivamente para bebês. Será mesmo que Dynamight é o mais novo papai do ano? Assim que possível traremos mais informações. Tenham um bom dia!"
Meu corpo inteiro travou. Por um momento, a única coisa que poderia fazer era encarar a tela, tentando processar o absurdo da situação. Então, a explosão começou a subir.
"Mas que porra é essa?!" — Rosnei, sentindo minha mão quase esmagar a xícara de café.
Troquei de canal imediatamente, evitando a estupidez que acabei de ver. Mas não adiantou. No próximo canal, meu rosto estava lá de novo, dessa vez em um daqueles programas ridículos de fofoca. Uma apresentadora falou com entusiasmo sobre as possíveis mães do “suposto filho do Dynamight”.
“Nossa equipe especula que uma das possíveis candidatas pode ser ex-colegas de classe do Dynamight ou Camie Utsushimi. Fontes afirmam que os dois já tiveram algo no passado.”
Meu cérebro congelou. Camie? Cami?!
"QUE PORRAÉ ESSA?" — Explode, meu grito ecoando pela sala vazia.
De onde esses imbecis tiraram essa ideia? Uma Camie? Aquela coisa irritante, superficial e completamente ridícula? Como alguém teve a audácia de associar meu nome ao dela? Meu sangue fervia enquanto a mulher no programa continuava a falar, com aquele tom falso de quem sabia de tudo. Ela falou com tanta confiança que parecia estar lá no suposto “relacionamento” que estava inventando pra mim.
“Eles já foram vistos juntos em alguns momentos, e Dynamight sempre foi muito discreto sobre sua vida pessoal. Não seria uma surpresa se o bebê fosse fruto de um relacionamento secreto.”
Fechei os olhos por um segundo, tentando controlar o impulso de jogar algo na televisão. Respirei fundo, mas as palavras da mulher ainda ecoavam na minha cabeça.
"De onde tiraram essa merda?! Eu nunca tive nada com ela, seus infelizes!"
Andei de um lado para o outro na sala, me enganando. Mas era inútil. Só de pensar nas pessoas que viram isso e realmente acreditando, eu sinto meu sangue ferver ainda mais.
"Se eu encontrar essa apresentadora..." — Murmurei, cerrando os punhos.
Naquele momento, o som de um resmungo vindo do quarto interrompeu meus pensamentos homicidas. Izuku deve estar acordado. Suspirei, tentando forçar a raiva por muito tempo. Não era culpa dele que o mundo estivesse cheio de idiotas.
"Ótimo. Só o que eu preciso, nerd. Agora até você tá metido nas minhas manchetes idiotas."
Desliguei a televisão antes que quebrasse algo, mas minha mente ainda estava a mil. Peguei meu celular e mandei uma mensagem para minha assessoria:
“Resolva essa merda AGORA. Não quero meu nome envolvido nessas ridículas fofas, e muito menos mencionando a idiota da Camie. Limpem essa bagunça antes que eu perca a paciência de vez.”
Deixei o celular do lado e fui até o quarto. Izuku já estava acordado mordendo a mãozinha, piscando com os olhos verdes grandes e inocentes, como se nada no mundo pudesse preocupá-lo.
Suspirei.
"Pelo menos você não entende a bagunça que está rolando, nerd. Sorte sua."
Peguei ele no colo e saímos do quarto. Tinha um dia inteiro pela frente, e se tinha algo que aprendi de ontem para hoje, era que Izuku prestou mais atenção do que qualquer jornalista ou fofoca estúpida. Que se dane o resto do mundo. Eu tinha coisas mais importantes pra cuidar.
•
A metade da tarde foi surpreendentemente tranquila, considerando o furacão que era ter Izuku por perto. Eu finalmente aprendi a diferenciar os tipos de choro dele, e, honestamente, isso me fez sentir como se tivesse subido um nível no manual de sobrevivência com bebês. Agora, sabia quando ele chorava por fome, fralda suja ou por causa de gases. Era quase como decifrar um código secreto, mas, com cada vitória, vinha a recompensa de ver aquele nerdzinho feliz de novo.
Depois de alimentá-lo com uma papinha de carne com arroz, Izuku comeu tudo como um verdadeiro campeão. O barulhinho que ele fazia mastigando — ou tentando mastigar, já que ele ainda era um bebê — quase me fez rir. Claro, ele também fez questão de sujar a própria cara com os restos da papinha, mas isso fazia parte da diversão, aparentemente. Quando ele terminou, limpei a boca dele com cuidado.
"Você é um desastre comendo, nerd. Um desastre fofo, mas ainda assim um desastre."
Deitei ele no tapete e brinquei com os brinquedos que tinha comprado no dia anterior. Izuku dava risadinhas tão óbvias que, mesmo que eu nunca admitisse em voz alta, eu me senti derretendo por dentro. Quem diria que o bebê Izuku poderia ser tão... fofo?
Tudo estava indo bem até que ele fez uma careta estranha. Por um segundo, pensei que ele estava tentando fazer algo engraçado, mas logo lágrimas caíram a brotar em seus olhos. Em seguida, veio o choro. Não era um choro desesperado como quando ele estava com fome, mas era menos forte do que aquele de gases.
"Merda, o que foi agora?" — Murmurei, me aproximando rapidamente. Peguei Izuku no colo e o coloquei deitado no trocador. O cheiro me deu uma resposta antes mesmo de eu precisar verificar.
"Ah, tá de sacanagem comigo, Izuku. De novo?"
Afastei a fralda e confirmei minha suspeita: cocô. Bastante. Fiz meu trabalho rápido, limpando tudo com os lençóis umedecidos. Durante todo o processo, Izuku foi parando de chorar e me observou com aqueles olhos enormes verdes, brilhando como se estivesse genuinamente grato.
"De nada, nerd" — Murmurei com um sorriso curto, enquanto colocava a fralda nova e ajustava a roupinha que ele já estava usando antes.
Deixei Izuku limpo e cheiroso novamente, e ele voltou a ser o bebê feliz de sempre. Peguei ele no colo e fomos para a cozinha. Eu preciso de um lanche antes de perder toda a minha energia cuidando dele.
Deixei Izuku sentado sobre a bancada da ilha, devidamente seguro, enquanto preparava algo pra comer. Ele parecia fascinado com cada movimento que eu fazia, os olhos verdes acompanhando como se estivesse estudando tudo. Claro, ele não conseguiu tirar o brinquedo de borracha da boca, mas isso não diminuiu sua concentração.
Abri a geladeira e peguei algumas coisas: pão de forma, um pedaço de queijo, presunto e uma cabeça de alface que parecia prestes a se aposentar. Preparei um sanduíche simples, com uma camada generosa de maionese, queijo e presunto grelhado, e terminei com algumas folhas de alface para dar aquele toque "saudável". Enquanto grelhava o pão, senti o olhar fixo de Izuku sobre mim.
"Tá estudando pra virar chef agora, Nerd?" — Disse, arqueando uma sobrancelha enquanto o via morder o brinquedo de borracha com mais emoção. Ele respondeu com um sorriso banguela que quase me fez rir alto.
Depois que o lanche ficou pronto, peguei Izuku e levei ele para a sala. Coloquei o prato e meu copo de suco na mesa do centro e acomodei Izuku no tapete. Ele parecia muito satisfeito em chacoalhar os brinquedos ou mordê-los como se houvesse algum tipo de prêmio de consolação.
Enquanto mordia meu sanduíche, liguei a televisão no noticiário. Estava passando uma reportagem sobre um ataque de vilão que aconteceu mais cedo. A equipe que lidou com ele foi composta por Red Riot, Todoroki (ou meio-a-meio, como eu o chamava), Uravity e Kaminari. Pelo visto, nenhum civil saiu ferido, mas a individualidade do vilão saiu pela culatra, causando uma explosão de fogo.
"Kirishima e o meio-a-meio deram conta, como sempre. Bom trabalho, idiotas." — Izuku parecia completamente alheio ao que estava passando na televisão, muito ocupado em tentar enfiar um brinquedo em formato de estrela na boca.
"Sério, nerd? Esse aí é um pouco grande até pra você."
Ele olhou pra mim como se tivesse entendido, e, claro, continuasse tentando. Suspirei, me recostando no sofá enquanto terminava de comer. Cuidar de Izuku era um trabalho que nunca acabava, mas, vendo ele ali, tão contente e tão dependente de mim, não pude deixar de sentir algo próximo de orgulho. Eu, Katsuki Bakugou, estava mandando bem nisso.
•
Fazia um bom tempo desde que Izuku tinha comido a papinha, então achei que já estava na hora de preparar um leite pra ele. O moleque tinha que se manter alimentado, e eu estava pegando o jeito de cuidar dele, mesmo que isso significasse passar o dia todo em função de suas necessidades. Com ele ainda deitado no tapete, confortável e entretido com um brinquedo em forma de estrela que insistia em morder, peguei os pratos e copos que usei no lanche e fui até a cozinha.
Joguei os itens na lava-louça. Não era sempre que eu falava aquele trambolho — normalmente, eu lavava tudo na mão, mas tinha dias em que a preguiça falava mais alto, e hoje era um desses dias. Enquanto a máquina começava a trabalhar, comecei a preparar uma mamadeira do nerdzinho. Como sempre, fui meticuloso: água na temperatura certa, medidas exatas de leite em pó. Não ia ser por minha causa que o moleque ia passar mal. Foi então que a campainha tocou.
Dei um passo para trás e olhei na direção da porta com uma expressão que provavelmente dizia tudo. Quem diabos estaria me importunando agora? Não preciso pensar muito para saber quem era. Só podia ser aquele bando de idiotas que eu tinha o desprazer de chamar de amigos. Ó Bakusquad. Respirei fundo, já sentindo uma frustração crescer.
"Eu disse ontem que NÃO ERA PRA VOCÊS VIR! — Gritei antes mesmo de chegar na porta.
Claro, eles ignoraram completamente minha ordem. Eu pude ouvir a voz do cabelo de merda (Kirishima) tentando soar razoável, enquanto cara de burro (Kaminari) berrava como se estivesse em um show de rock.
"ABRE LOGO ESSA PORTA, BAKUGOU!" — Ele falou. "A gente trouxe coisas pra te ajudar, cara!" —Disse Kaminari. Então veio uma ameaça que me fez gelar. A voz de Mina, doce, mas carregada com pura determinação.
"Se você não abrir essa porta agora, Katsuki, eu MESMA vou dar um jeito nela com a minha individualidade."
Minha cabeça virou na direção da porta como se tivesse levado um soco. Ela não faria isso... faria? Com ela, nunca se sabe. Por precaução, decida que não iria arriscar. Bufei alto, praguejando entre os dentes, e fui até a porta. Quando abri, parei com todo o circo completo: Kirishima, Mina, Kaminari, Sero, Todoroki e... Uraraka?!
Mas o que diabos ela estava fazendo aqui?! E eu o meio a meio de merda?
Sem me dar tempo para processar, o bando de idiotas começou a entrar, como se a minha casa fosse algum tipo de salão comunitário. Os únicos que pediram licença foram Todoroki e Uraraka, e honestamente, isso só me irritou mais, porque ficou ainda mais claro como o resto do grupo era sem-noção.
"Porra! ISSO AQUI É A CASA DA MÃE JOANA?" — Rosnei, batendo a porta com força.
Ninguém respondeu. Em vez disso, eles foram direto para a sala, onde Izuku estava deitado no tapete. Kirishima foi o primeiro a se agachar ao lado do moleque, olhando para ele com um sorriso largo e apontando.
"Olha só! É o Izuku bebê! Ele ta ainda mais fofo do que ontem, mano." — Disse. Mina se juntou a ele, os olhos brilhando enquanto ela apertava as bochechas do Izuku com delicadeza.
"Eu não aguento! Olha só essas bochechas! Bakugou, como você consegue ficar irritado cuidando de um bebê tão fofinho?"
"Fácil. É só estar rodeado de idiotas como vocês" — Rebati, cruzando os braços enquanto me apoiava no batente da sala.
Kaminari pegou um brinquedo do chão e começou um balanço na frente de Izuku, que olhou para ele com os grandes olhos verdes cheios de curiosidade.
"Ei, pequeno Izuku, quer brincar com o tio Denki?"
"Que merda do tio Denki." — Disse revirando os olhos.
"Ué, você é como um pai, então eu sou como um tio." — Assim que Kaminari disse isso, fiz uma careta de desgosto.
"Vai a merda, cara de burro." — Disse com voz bem irritada.
Izuku, sendo um bebê e não entendendo nada do que estava acontecendo, apenas riu, e o som foi o suficiente para fazer o grupo inteiro suspirar de emoção. Eu estava prestes a explodir de frustração quando Uraraka finalmente abriu a boca.
"Bakugou, você está... lidando bem com isso tudo?" — Sua pergunta parecia óbvia, e ela olhou para mim com um tipo de preocupação que era desconcertante. Por algum motivo a presença dela aqui, me irritava mais que a dos outros idiotas que chamo de amigos. Suspirei, passando a mão pelo cabelo.
"É, claro que estou. Sou Katsuki Bakugou, não a nada que eu não consiga fazer bem. E também, não é como se eu tivesse outra escolha, né? O nerd vai ficar nessa situação por um tempo, e alguém tem que cuidar dele." — Respondi olhando bem sério para ela.
"Sei que você não é muito chegado em crianças. Qualquer coisa que eu possa fi- " — Eu interrompi a fala dela, já sabia onde ela queria chegar com isso.
"Não preciso de você. E Izuku muito menos. Eu conheço ele desde a infância, sou obviamente a melhor pessoa para cuidar dele. Então, não se intromete a onde ninguém te chamou cara redonda." — Rosnei o apelido dela e todos olharam na minha direção surpresas com meu tom raivoso.
"Calma, Bakubrô. Uraraka só está oferecendo ajuda!" — Disse Kirishima envolvendo o braço no meu ombro.
"E eu não pedi ajuda!" — Exclamei, tirando os braços dele perto de mim. Todoroki, que ficou quieto até então, deu um passo à frente e olhou para mim com aquela expressão neutra que ele sempre carregava.
"Você está indo bem, Bakugou. É difícil, mas você está dando conta."
Por algum motivo, ouvir isso dele não me irritou tanto quanto eu esperava. Talvez porque ele não estivesse falando com aquele tom de superioridade que eu costumava odiar. Ele só... parecia sincero. Antes que eu pudesse responder, Kirishima bateu palmas e olhou para mim com aquele sorriso irritante e cheio de dentes.
"Ei, já estamos aqui, por que não nos ajudamos? Aposto que podemos fazer algo útil, né?" — Olhei para o grupo, ainda agachado ao redor de Izuku, que parecia estar se divertindo com toda a atenção. Suspirei novamente.
"Se vocês quebrarem alguma coisa ou fizerem ele chorar, eu vou matar todos vocês." — O grupo riu como se eu estivesse brincando. Não estava.
Deixei os idiotas na sala com Izuku e foi em direção a cozinha terminar o que estava fazendo antes de eles chegarem. Assim que terminei de preparar a mamadeira do Izuku, testei a temperatura no pulso. Perfeito, pensei, já me virando para levar a mamadeira até a sala. Mas antes que eu pudesse dar dois passos, um berro estridente veio da sala, me fazendo congelar no lugar. Meu coração disparou, e a primeira coisa que veio à cabeça foi: Izuku.
Sem pensar duas vezes, saí correndo da cozinha, a mamadeira ainda na mão. Meus passos ecoavam pela casa enquanto disparavam em direção à sala. Quando cheguei, a cena que encontrei quase me fez sofrer: Izuku estava nos braços de Uraraka, chorando desesperadamente, o rostinho todo vermelho e com lágrimas gordas escorrendo. Ele soluçava de forma tão intensa que parecia mal conseguir respirar. Uraraka, por sua vez, estava tentando balançá-lo para acalmá-lo, mas ele só chorava ainda mais alto.
"O QUE DIABOS VOCÊ FEZ COM ELE?" — Rosnei, pisando forte enquanto me aproximava. Meu tom era rispido, carregado de raiva.
Uraraka me olhou com os olhos arregalados, a boca se abriu para tentar se justificar, mas antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, tirei Izuku dos braços dela de forma brusca. Ele chorou tanto que eu consegui sentir as pequenas soluções tremendas pelo corpinho dele.
"Calma, nerd... tá tudo bem, eu tô aqui." — Murmurei, tentando aconchegá-lo nos braços. Mas o choro continuava, desesperado, como se ele estivesse com muita dor. Olhei para Uraraka com fogo nos olhos.
"O que eu disse sobre fazer ele chorar? Você é burra ou o quê?" — Mina, vendo que eu estava prestes a matar alguém de verdade, entrou no meio da situação com as mãos levantadas, como se estivesse lidando com um animal selvagem.
"Calma, Bakubaby! Não foi ela quem fez ele chorar. Ela só estava enganando o Izuku, juro." — Disse Mina. Franzi o cenho, ainda tentando processar, e então questionou:
"Então quem foi?" — Um silêncio pesado parou na sala. Foi Kaminari quem cortou o gelo, levantando a mão lentamente, como se confessasse fosse salvar sua pele.
"E-eu... foi um acidente, tá?!" — Disse ele, claramente envergonhado e com medo de me encarar.
"Acidente?!" — Minha voz saiu como um rugido. "Que tipo de acidente?" — Todoroki, sempre com aquele tom monótono, decidiu explicar.
"Kaminari tocou nele, mas... acho que ele ainda estava emitindo eletricidade residual da luta contra o vilão de hoje." — Kaminari rapidamente balançou a cabeça em concordância, os olhos arregalados.
"É isso! Eu não percebi que ainda tinha eletricidade nos meus dedos, foi sem querer, Bakugou! Juro que foi sem querer!" — Minha cabeça girou por um segundo antes de ser tomada por pura raiva.
"PORRA! VOCÊ ESTÁ ESTÚPIDO?" — Gritei, o rosto queimando de fúria. "Desde o colégio você sabe que, depois de usar muita carga, seu corpo ainda emite eletricidade! Eu desvio te matar por isso!" — Kirishima se mudou, levantando as mãos em um gesto de paz, me afastando do Kaminari.
"Katsuki, calma! Não adianta gritar com ele, foi realmente um acidente. Ele não queria machucar o Izuku."
Ignorei Kirishima completamente, concentrando-me no bebê em meus braços. Izuku estava tão vermelho de tanto chorar que mal conseguia respirar direito. Meu desespero começou a tomar conta. Ele parecia sentir tanta dor, soluçando sem parar, e eu não sabia o que fazer.
"PUTA MERDA! Claro que ele tá chorando desse jeito, deve estar morrendo de dor! Ele é um BEBÊ, caralho. Se nem um adulto lida bem com choque, imagina um bebê? Todo o corpo dele é frágil!"
Olhei para Izuku novamente, sentindo o desespero apertar meu peito. Ele continua chorando, sem mostrar sinais de melhora. Minha mente começou a correr com possibilidades, mas nada parecia certo. Finalmente, tomei a única decisão que parecia lógica naquele momento.
Com a mão que segurava a mamadeira, larguei a mesma na mesa de centro e tirei meu celular do bolso. Digitei rapidamente o número que eu sabia que poderia ajudar e levei o telefone ao ouvido. Recovery Girl atendeu no terceiro toque.
"O que foi, Bakugou?" — Disse ela, e sua voz firme, mas calma, era como um fio de esperança.
"Eu preciso que você venha até minha casa AGORA! É uma emergência, o Izuku... ele tá... só venha rápido!" — Minha voz saiu desesperada, quase suplicante, mas eu não me importei. Ela respondeu ao tom e respondeu sem hesitar.
"Estou no caminho. Me passe o endereço novamente."
Passei a localização rapidamente, e ela prometeu que estaria aqui o mais rápido possível antes de desligar. Com o telefone ainda na mão, olhei para os idiotas ao meu redor, minha raiva fervendo novamente.
"Se ele tiver alguma coisa por causa disso, Kaminari, você está morto."
Os olhos do Kaminari se arregalaram, e ele deu dois passos para trás, balançando a cabeça como se isso fosse ajudá-lo. Izuku, ainda chorando nos meus braços, era a única coisa que importava no momento. Eu me sento no sofá, balançando-o de leve e murmurando palavras suaves.
"Calma, nerd... vai ficar tudo bem. Ela já tá vindo." — Minha voz era o mais calmo o possível. Mas, internamente, eu estava um caos. Se alguma coisa acontecersse com ele... eu nunca me perdoaria.
•
Assim que a campainha tocou, correu para abrir a porta, quase arrancando-a das dobradiças no processo. Recovery Girl estava lá, carregando sua inseparável maleta médica, o rosto com a expressão séria, mas ao mesmo tempo calma.
"Onde está ele?" — Disse sem rodeios, seus olhos cortando diretamente para mim.
"Na sala, chorando sem parar. Ele levou um choque." — Minha voz saiu mais tensa do que eu queria, mas eu não tinha tempo para fingir que estava calmo.
Ela entrou rapidamente, e eu a conduzi até Izuku. Peguei ele nos meus braços, o corpinho tremendo com soluços enquanto chorava, o rostinho todo vermelho e os olhos inchados. Recovery Girl estendeu os braços.
"Deixe-me ver."
Relutante, passei Izuku para ela, me sentindo como se estivesse abandonando meu posto. Ele começou a se contorcer ainda mais nos braços dela, e meu coração aberto.
"O que aconteceu?" — Perguntou ela enquanto examinava o pequeno. Cruzei os braços, tentando conter minha raiva enquanto apontava com o queixo para Kaminari.
"Deixei ele dois minutos com esse bando de idiotas, e um deles conseguiu dar um choque nele." – Recovery Girl arqueou uma sobrancelha e virou-se para Kaminari.
"Você esqueceu que seu corpo ainda emite eletricidade residual depois de usar uma grande quantidade dela na batalha, não é? Tocou o bebê sem verificar se ainda carga acumulada." — Kaminari abaixou a cabeça, claramente envergonhado, mordendo os lábios inferiores.
"Foi um acidente… eu só queria fazer cocegas nele."
Eu olhei para ele como se estivesse pronto para matá-lo. Um acidente? Era isso que ele dizia enquanto Izuku estava ali, chorando daquele jeito? Minha raiva borbulhava, mas eu forcei a focar em Izuku. Ele precisa de mim agora, não da minha explosão de raiva. Recovery Girl deitou Izuku no sofá com cuidado.
"Onde exatamente você tocou nele?" — Perguntou a velha, e Kaminari designado para a barriguinha de Izuku, ainda olhando para o chão.
Ela está começando a abrir o pequeno macacão de Izuku com movimentos suaves. Eu fiquei do lado dela, observando cada movimento, e quando o tecido saiu, lá estava. Uma pequena marca vermelha na barriga de Izuku, uma queimadura causada pela eletricidade.
"Não é nada sério, mas a pele do bebê é extremamente sensível. Por isso, por mais pequena que seja a queimadura, ainda é muito dolorida para alguém como ele." — explicou ela.
Eu cerrei os punhos, sentindo uma mistura de raiva e culpa. Eu prometi cobri-lo, mas ele estava ali, machucado, e eu não pude evitar. Recovery Girl se inclinou e deu um beijo suave na queimadura e predominantemente, a pele começou a se regenerar, voltando à sua coloração normal. Izuku continuou a chorar, mas o som foi chegando aos poucos, até que, finalmente, ele parou. Ele olhou para mim com aqueles grandes olhos verdes, agora molhados, mas calmos. Meu peito finalmente relaxou, e uma onda de emoções me inundou. Sem pensar duas vezes, me aproximei e fechei o macacão dele novamente, pegando-o nos braços. Com um lenço, comecei a limpar seu rostinho molhado de lágrimas, murmurando:
"Pronto, pronto. Tá tudo bem agora, Izuku. Eu estou aqui."
Ele soltou um pequeno resmungo, mas se aconchegou contra mim, e eu o abracei com força, temendo soltá-lo. Era como se, ao segurá-lo, eu pudesse garantir que nada de ruim acontecesse de novo.
"Obrigado, velhota." — Murmurei para Recovery Girl, sem tirar os olhos de Izuku. Ela deu um pequeno sorriso, pegando sua maleta.
"Cuidado com quem você deixa perto dele, Bakugou. Ele é só um bebê, e acidentes podem acontecer. Mas ele está bem agora. Qualquer coisa, me ligue."
Assenti, sem realmente confiar na minha voz para responder. Assim que ela saiu, peguei a mamadeira que estava na mesa do centro e fui para a cozinha com Izuku no colo. Na cozinha, coloquei uma mamadeira no micro-ondas para esquentar por alguns segundos, o silêncio preenchendo o espaço. Izuku estava calmo, mas ainda com o rostinho vermelho pelo choro. Enquanto esperava, dei um longo suspiro, sentindo o peso da culpa ainda no meu peito.
Quando a mamadeira estava morna novamente, eu me senti em uma das cadeiras da bancada e coloquei o bico na boca de Izuku. Ele agarrou a mamadeira imediatamente, com as mãos pequenas tentando segurar o recipiente enquanto eu dava suporte por baixo.
"Aí, nerd, calma. Você ainda é pequeno demais para segurar sozinho." — Brinquei, a tensão finalmente começando a sair do meu corpo.
Izuku mamava com calma, os olhos verdes fixos em mim, brilhando com algo que parecia admiração. Meu coração aberto de novo, mas dessa vez de um jeito bom. Sem perceber, um sorriso se formou no meu rosto.
"Isso... tá tudo bem agora. Eu prometo que não vou deixar nada assim acontecer de novo." — Sussurrei para ele, com uma determinação renovada. Enquanto ele terminava de mamar, aquele momento de paz era tudo o que eu precisava. Izuku estava bem, e eu faria de tudo para garantir que ele continuasse assim.
Depois de Izuku finalmente terminar a mamadeira, ergui ele contra meu ombro, dando leves tapinhas nas costas dele para ajudá-lo a arrotar. Ele soltou um pequeno arroto que me fez rir de leve.
"Aí, nerd, foi um bom trabalho."
Estava tudo mais tranquilo agora, e eu comecei a sentir o peso do que tinha acontecido se dissipar. Izuku já parecia mais relaxado, os olhos verdes piscando preguiçosamente enquanto ele descansava no meu colo. Mas é claro que a calmaria nunca durava muito tempo.
Kirishima entrou na cozinha devagar, como se tivesse medo de pisar no território errado. Eu fingi que ele não estava lá, me ocupando com Izuku. Ele se moveu, colocando as mãos na cintura, com sorriso aquele meio sem graça.
"Ei, Bakugo... sei que você tá puto, mas... dá uma chance pro Kaminari, tá? Foi um acidente. Ele tá se sentindo péssimo por isso."
Meu primeiro pensamento foi mandar ele se ferrar. Mas antes que as palavras saíssem, suspirei. Eu sabia que acidentes aconteceram, e, por mais que eu quisesse arrancar a cabeça do Kaminari pelo que ele fez, sabia que ele não faria mal a ninguém, muito menos ao Izuku.
"Tá. Eu perdoo o idiota. Mas só dessa vez. Se ele fizer mais alguma merda, vai ser o fim dele." — Kirishima abriu aquele sorriso largo, exibindo os dentes de tubarão.
"Valeu, mano! Você tá sendo muito bacana."
Balancei a cabeça, meio irritado com o tom de gratidão dele, mas deixei passar. Enquanto ajeitava Izuku no colo, não pude deixar de pensar em como Kirishima era uma idiota às vezes. Era óbvio que ele tinha uma queda por Kaminari, mas não tinha coragem de fazer nada a respeito. Isso porque ele contou aquela história no colégio, de quando Kaminari se declarou para Jirou e foi rejeitado.
Kirishima concluiu que Kaminari só gostava de garotas. Mas eu sabia que ele estava errado. Eu já tinha visto Kaminari com ciúmes de Kirishima, não importava se era garota ou garoto se jogando em cima dele. Kaminari sempre ficava com aquela cara de bobo irritado, mas Kirishima estava cego demais para perceber.
"Idiotas." — Murmurei para mim mesmo, saindo da cozinha com Izuku no colo e alguns salgadinhos embaixo do braço.
Na sala, o clima ainda estava tenso. Kaminari olhou para mim com aquela expressão de cachorrinho que foi chutado, esperando claramente outra bronca. Mas eu só acenei a cabeça.
"Tá perdoado. Mas se fazer de novo, eu te mato." — Ele sorriu timidamente, e Mina deu uma tapinha nas costas dele, rindo.
"Viu? Sabia que o Bakubaby tinha coração!"
Ignorei o comentário dela, indo direto para o sofá. Sentii no meio, ajeitando Izuku no meu colo. Ele parecia completamente hipnotizado por mim, os olhos verdes brilhavam enquanto eu olhava.
"O que foi? Tá achando o quê, que eu sou bonito?" — Brinquei, e ele soltou um som que parecia uma risadinha, balançando as mãoszinhas. Uraraka veio sentar-se ao meu lado, e antes que eu percebesse, ela estava se aproximando para segurar Izuku de novo.
"Agora que sabe que não fiz nada, deixa eu ficar com ele um pouco." — Ela sussurrou.
"Não. Ele tá melhor comigo." — Disse, sem nem olhar na direção dela. Ela franziu o cenho, claramente não gostando da resposta.
"Você nem sabe disso, Bakugo. Não custa nada deixar-lo comigo um pouco." — Disse ela, elevando um pouco a voz.
"Ele tá confortável comigo. Por que eu te daria agora?"
Ela bufou, claramente irritada, e antes que eu pudesse impedir, tentou pegar Izuku abruptamente. Assim que ela o pegou, Izuku arregalou os olhos, assustado, e começou a fungar.
"Viu o que você fez?!" — Gritei, pegando Izuku de volta enquanto ele esticava os bracinhos para mim, desesperado. Uraraka tentou argumentar, mas eu a ignorei completamente, focada no rostinho de Izuku. Ajeitei ele no colo, segurando-o firme contra o meu peito.
"Tá tudo bem, nerd. Eu estou aqui." — Izuku piscou os olhos. Era bizarro como realmente parecia que ele entendia o que eu dizia. Os outros ficaram em silêncio, claramente esperando outra explosão minha. Mas eu estava cansado.
"Kirishima, troca de lugar comigo. Não quero ficar perto dessa louca." — Digo, e ele oferece o lugar dele sem permissão, e assim que me movo para a ponta do sofá, longe da Uraraka, Izuku se acalmou de novo, apoiando a cabecinha no meu peito.
Mina e Kaminari finalmente escolheram um filme. Era uma comédia romântica clichê chamada "Quando a Estrela Cai". Era sobre dois amigos de infância que se reencontravam anos depois e fingiam estar em um relacionamento para fazer ciúmes aos seus ex-parceiros, mas acabavam se apaixonando de verdade.
"Sério, esse tipo de filme?" — Resmunguei, mas ninguém me deu atenção.
O filme começou, e enquanto todas as situações absurdas no enredo, eu fiquei focado no Izuku, que agora estava com os olhos fechados, dormindo tranquilo. Uraraka, no entanto, não parecia ter desistido completamente.
"Ele só tá calmo porque está dormindo. Aposto que ficaria bem comigo também." — Ela resmungou
"Cara redonda, se você tentar pegá-lo de novo, eu juro que vai se arrepender." — Ela revirou os olhos, e Todoroki deu uma leve tossida, antes de dizer:
"Talvez seja melhor você deixar o Izuku onde ele está. Ele claramente prefere o Bakugo." — Sorri internamente. Pelo menos alguém tinha bom senso.
O filme contínuo, e a noite silenciosa sem mais incidentes. Apesar de tudo, eu me sinto bem. Izuku estava calmo, e aquele olhar de admiração que ele me deu antes de dormir ainda estava fresco em minha mente. Mesmo com todos os idiotas ao redor, eu sabia que estava fazendo uma coisa certa por ele.
•
A sala estava mergulhada em uma atmosfera curiosa. O filme segue com seu roteiro previsível, mas ninguém parecia realmente prestar atenção nele, exceto Mina e Kaminari, que eram altas das piadas bobas e exageradas. Enquanto isso, eu estava focado no Izuku, ainda segurando ele com cuidado no meu colo. O moleque estava completamente tranquilo agora, respirando de forma suave, com as mãos minúsculas entrelaçadas no tecido da minha camisa. Aquele pequeno peso no meu peito era quase reconfortante, e, pela primeira vez naquela noite, senti que talvez as coisas estivessem voltando ao normal.
"Ei, Bakubrô. Como tá o Midobrô?" — Disse Kirishima em voz baixa, se inclinando na minha direção para não atrapalhar o filme. Olhei para ele de Soslaio.
"Tá dormindo. Finalmente." — Suspirei e ajeitei Izuku um pouco melhor nos braços. "Depois do que aconteceu, ele merece descansar em paz." — Kirishima especificamente e voltou a prestar atenção no filme.
Do outro lado da sala, Kaminari ainda parecia desconfortável. Ele jogou pipoca para o alto e tentou pegá-la com a boca, mas a expressão no rosto dele denunciou que a culpa ainda estava pesando. Mina notou isso e deu um leve empurrão no ombro dele.
"Relaxa, Denki. Tá tudo bem agora. O Kacchan perdoou você. Isso é quase um milagre, sabe?" — Revirei os olhos ao ouvir ela me chamar de Kacchan.
"É..." — Kaminari murmurou, olhando rapidamente para mim antes de desviar o olhar. "Mas eu ainda me sinto um idiota por aquilo."
"Porque você é um idiota." — Respondi sem nem olhar para ele, o que arrancou uma risada nervosa de Kirishima e um suspiro de Mina.
"Bakugou..." — Mina começou, mas eu a cortei.
"Só estou falando a verdade. Mas, por enquanto, vou deixar passar. Desde que ele não encoste no Izuku de novo."
Kaminari murmurou um “entendido” quase inaudível, e Kirishima deu um leve tapa na própria testa, claramente achando graça da situação. O filme contínuo rolando, mas o clima ainda estava estranho. Decida que deve melhorar as coisas antes que outra briga possa começar.
"Escuta aqui, seus idiotas. Já que vocês invadiram minha casa e fizeram essa bagunça, o mínimo que posso fazer é ajudar a arrumar antes de ir embora." — Todos me olharam como se eu tivesse acabado de decretar uma lei universal. Mina, claro, foi a primeira a responder.
"Mas, Bakugou, a gente só tá assistindo um filme! Nem fez tanta bagunça assim."
"Não me interessa. Se quiser continuar aqui, vamos colaborar. Senão, saiam agora." — Disse, mas sem o tom de voz raivoso.
Ela fez um beicinho, mas acabou concordando com a cabeça. Kaminari e Sero também murmuraram algo como "beleza", enquanto Todoroki apenas assentiu em silêncio, como sempre.
Uraraka, no entanto, ainda parecia um pouco azeda com a situação. Ela estava quieta, mas podia sentir o olhar dela sobre mim e Izuku, como se estivesse tentando entender por que eu não o deixava com ela. Resolvi ignorar. Izuku estava comigo, e eu sabia que ele estava bem assim.
"Qual é o plano, então?" — Perguntou Kirishima, cruzando os braços de forma descontraída. Olhei para ele, depois para o grupo, e um leve sorriso surgiu no meu rosto.
"Vamos terminar esse filme ridículo, depois vocês me ajudarão a colocar tudo no lugar. Quem reclama, fica de fora do próximo filme."
"Eu escolho o próximo filme!" — Mina disse a mão, empolgada.
"Que seja um de ação dessa vez. Nada dessas besteiras de romance." — Murmurei.
"Ah, mas onde está o amor no coração do Kacchan?" — Brincou ela, fazendo todos rirem, inclusive eu. A não ser por Uraraka que não riu.
O resto da noite passou de forma surpreendentemente tranquila. Izuku dormiu profundamente no meu colo, como se o caos inicial nunca tivesse acontecido. E, apesar das piadas, das discussões e das idiotices, sinto que talvez não seja tão ruim assim ter esses idiotas por perto.
Quando todos finalmente decidiram ir embora, já era tarde. A sala estava mais arrumada, mas o cansaço era evidente no rosto de cada um. Antes de sair, Kirishima olhou para mim e Izuku uma última vez.
"Ei, Bakugo. Você é um ótimo pai para ele, sabia?"
"Tsc. Sai daqui, seu idiota." — Ele riu e saiu, seguido pelos outros. Quando a porta finalmente foi fechada, a casa ficou em silêncio. Olhei para Izuku, ainda dormindo nos meus braços, e suspirei.
"É, nerd... parece que a gente tá indo bem, hein?" — Levei ele para o quarto.
Depois de colocar o Izuku na cama pensei que finalmente teria um momento de descanso. Mas, assim que ajeitei o cobertor nele, os olhos verdes se abriram como se eu tivesse acabado de apertar o botão de "ativar". Ele soltou um pequeno som curioso, como se dissesse: " Ainda não, Kacchan ". Suspirei, mas, no fundo, não consegui ficar bravo com ele.
"Tá bom, nerd. Vamos aproveitar enquanto você está acordado. Mas não adianta reclamar depois, porque eu resolvo tomar um banho e te levar junto."
Izuku respondeu com um balbuciar animado, quase como se tivesse entendido. Peguei ele no colo, indo direto para o banheiro. Fiz o mesmo esquema da noite anterior: enchi a banheira com água quentinha e fui testando a temperatura até ficar perfeita. Segurei Izuku no colo com cuidado, certificando-me de que ele estava seguro, e entrei na banheira com ele.
"Você tá realizando a fantasia de muitos por ai, sabia? Banho na banheira com o grande Dynamight... quem diria."
Izuku soltou uma risadinha quando começou a lavar o corpinho dele com o sabonete líquido de bebê. Aquele cheiro suave e não muito doce enchia o banheiro, e, por algum motivo, deixava o ambiente ainda mais calmo. Ele riu alto quando esfregou a barriguinha dele, chutando as perninhas na água e espirrando para todos os lados.
"Ei, calma aí, Izuku! Tá tentando inundar o banheiro?" — Ele riu mais ainda, e eu não consegui evitar um sorriso. Seguro ele pelo tronco e o levantei no alto, como se fosse voar. Izuku gargalhou, aqueles olhos verdes enormes focados completamente em mim.
"Você sempre teve essa mania de estar sempre me observando, sabia? Até quando você era mais velho." — Comentei, a voz saindo mais suave do que eu esperava. "Sempre dizendo que eu era incrível... meio que faz falta ouvir isso agora, sabia?" — Izuku soltou um som animado em resposta, balançando os bracinhos, como se estivesse concordando comigo.
Depois de terminar de lavar ele, foi minha vez de me limpar. Lavei meu cabelo, que estava uma bagunça, e dei um jeito em mim mesmo. Quando saímos, enrolei Izuku em uma toalha macia e me cobri com o roupão. Fomos para o quarto, e seguimos a rotina que tinha criado: sequei Izuku com cuidado, passei a pomada contra assaduras e vesti um pijama novinho nele, o uniforme inspirado na bandeira dos Estados Unidos do All Might. O pijama ficou folgado nele, o que só o deixou ainda mais fofo.
"Pronto. Você tá parecendo um herói mirim. Agora fica quieto, beleza?"
Depois de arrumar ele, fui cuidar de mim. Peguei meu próprio pijama, que também foi temático do All Might, com o sorriso estampado na camisa e o "Plus Ultra" escrito no short. Enquanto arrumava meu cabelo bagunçado no espelho, ouvi Izuku balbuciando no quarto.
"Já estou indo, calma aí."
Quando terminei, percebi que ele ainda não tinha sinal de sono, então resolvi voltar para a sala com ele. Coloquei alguns brinquedos para ele no sofá e liguei na televisão, ajustando no canal de notícias. Enquanto Izuku brincava, eu assistia as últimas atualizações sobre os eventos do dia.
Izuku estava sentado no sofá, segurando um brinquedo de borracha na boca e outro na mão, chacoalhando como se fosse um troféu. De vez em quando, ele fazia um som baixinho, um murmúrio, e olhava para mim com aqueles olhos enormes antes de voltar a brincar. Não dava para evitar sorrir ao ver como ele parecia feliz e tranquilo. No meio disso, meu celular começou a tocar. Peguei do bolso e vi que era o Aizawa-sensei.
"Ei, sensei." — Atendi, colocando o celular no ouvido.
"Bakugo. Só liguei para saber como estão as coisas com o Izuku. Tudo em ordem?"
"Tá indo bem. Já até criamos uma rotina. Ele é um pouco agitado, mas eu estou lidando com isso." — Disse. Do outro lado da linha, ouvi um grunhido de aprovação.
"Fico feliz em ouvir isso. Mas fiquei sabendo pela Recovery Girl sobre o incidente com Kaminari. Algum problema?"
Suspirei, lembrando da confusão.
"Foi só um susto. Ele levou um choque, mas já tá bem. A Recovery Girl cuidou dele. Não é nada pra se preocupar." — Aizawa ficou em silêncio por um momento, enquanto processava a informação.
"Entendido. De qualquer forma, Toshinori quer saber como ele está. Consegue mandar algo pra ele?"
"Claro. Vou gravar um vídeo e mandar."
Encerramos a ligação, e fui direto para o sofá. Peguei o celular e filmei Izuku brincando alegremente, seus murmúrios animados enchendo o vídeo. Quando terminei, enviei para o All Might com uma mensagem rápida. Não demorei muito para receber uma resposta.
All Might : "Obrigado pelo vídeo, jovem Bakugo. Você está fazendo um trabalho incrível cuidando do Izuku. Estou orgulhoso."
Olhei para a tela por um momento, sentindo algo parecido com... orgulho. Não respondi, mas deixei o celular do lado e me virei para o Izuku. Ele olhou para mim com os olhos brilhando e estendeu a mãozinha, segurando o brinquedo de borracha. Peguei o brinquedo que Izuku estendeu na minha direção e comecei a chacoalhar na frente dele, só para ver sua ocorrência. Como esperado, os olhos dele brilharam de entusiasmo, e ele soltou uma risadinha animada. Era engraçado como algo tão simples poderia deixá-lo tão feliz. Ele esticou as mãoszinhas, tentando pegar o brinquedo, mas eu afastei levemente só para provocar.
"Vai, nerd, pega. Você consegue." — Izuku fez um som determinado, como se realmente entendesse o desafio, e se inclinasse para frente, tentando alcançar. Não consigo evitar um sorriso. Ele era mesmo muito esforçado, até essa idade.
Enquanto balançava o brinquedo, minha mente começou a vagar. Quanto tempo isso tudo vai durar? Duas semanas? Talvez um mês? Eu queria saber se, conforme ele crescesse de novo, a rotina que construímos teria que mudar completamente. Como seria cuidar de um Izuku de dois anos? Ou de cinco? Será que ele continuaria tão comportado quanto parecia agora? Pelo que me lembrava da nossa infância, Izuku sempre foi mais tranquilo do que eu. Talvez lidar com ele conforme fosse crescendo não seria tão difícil assim.
Mas, mesmo que fosse agradável ter o Izuku pequeno por perto, não dava para negar que eu senti falta do outro Izuku, o verdadeiro. Aquele que passa horas rabiscando cadernos com teorias e estratégias sobre individualidades. Aquela que resmungava sem parar quando eu o provocava, mas que nunca fugia de mim. E, principalmente, aquele que tinha um jeito de olhar para mim...
Era pensar estranho nisso, mas eu realmente sentia falta daquele olhar. O jeito como ele me encarava, com uma mistura de admiração e confiança, sempre me fazia sentir como se eu fosse a pessoa mais importante do mundo para ele. Mais importante até que a mãe dele ou o All Might, que literalmente confiou o One for All ao Izuku. Olhei para Izuku agora, ainda pequeno, tentando engatinhar no sofá para alcançar o brinquedo que eu segurava. Ele resmungava baixinho, determinava a chegar onde queria. De repente, senti uma vontade estranha, quase impulsiva, de segurar a mão dele.
"Talvez o nerd gosta da ideia de eu segurar a mão dele quando voltar ao normal."
Murmurei isso mais para mim mesmo, enquanto observava Izuku, mas ele, como se entendesse, soltou um som animado e agarrou meu dedo com as mãos pequenas e firmes. Olhei para ele, surpreso com o gesto. Não disse nada, mas deixei que ele segurasse meu dedo. Ele finalmente alcançou o brinquedo, segurando com firmeza e balançando para cima e para baixo como se tivesse conquistado o mundo. Ele me olhou com aqueles olhos verdes enormes e radiantes, sorriso aquele bobo e inocente que só um bebê poderia dar.
"Tá bom, campeão. Você venceu dessa vez."
Izuku riu de novo, como se entendesse a vitória. Então, do nada, ele começou a engatinhar com dificuldade para mais perto de mim, largando o brinquedo de lado. Ele subiu no meu colo com um esforço desajeitado, se ajeitando até estar de frente para mim. Ficou ali, me encarando, e depois encostou a mãozinha pequena no meu rosto.
"O que foi, hein? Tá achando que sou travesseiro agora?" — Provoquei, mas não afastei ele.
Izuku soltou um som animado, como se estivesse satisfeito. Ficando assim por alguns minutos, ele apenas olhou para mim como se estivesse completamente fascinado. Era estranho como, mesmo assim, ele ainda poderia me deixar desconcertado.
"Você realmente gosta de olhar pra mim, né, nerd? Sempre foi assim. Mesmo quando você crescer de novo, acho que isso não vai mudar."
Izuku soltou um balbúcio animado, como se concordasse. Não sabia por quanto tempo ele ficaria daquele jeito, mas algo me disse que eu estava aproveitando o máximo possível, mesmo sem perceber. Depois que Izuku não mostrou nem sombra de sono, mesmo com o passar das horas, decidiu mudar sua estratégia. Não fazia sentido insistir em colocá-lo para dormir se ele ainda estivesse cheio de energia.
Deitei no sofá e acomodei Izuku sentado em cima de mim. Ele segurava firme o brinquedo que parecia ser sua nova obsessão — um daqueles com luzes que piscam e um som estressante. Eu estava começando a pensar que comprar aquilo tinha sido um erro, mas pelo menos estava mantendo Izuku entretido. Na televisão, um filme de ficção científica chamou minha atenção. Parecia um daqueles clássicos onde a humanidade provavelmente enfrentaria uma ameaça. No caso, eram criaturas meio insetos gigantes que atacavam colônias espaciais em planetas distantes. O protagonista, um soldado meio inconsequente mas carismático, liderou uma missão suicida para salvar a galáxia.
Enquanto o filme avançava, eu ficava cada vez mais absorvido na história. Entre tiros de plasma e explosões em gravidade zero, mal percebido quando Izuku começou a se inclinar para frente, apoiando as mãoszinhas no meu peito. Ele balbuciava, como se estivesse comentando sobre os conhecidos ou talvez apenas tentando competir com o barulho da televisão.
"Tá gostando do filme, nerd? É melhor que o jornal de antes, né?" — Izuku respondeu com um som que parecia um "ah" animado. Eu ri, mais para mim mesmo do que para ele.
Não sei exatamente em que momento apaguei. Só lembro que as luzes das explosões no filme começaram a parecer mais distantes, como se estivessem se apagando junto com a minha consciência. Quando dei por mim, já era de manhã. Bocejei enquanto me espreguiçava, ainda meio sonolento. Foi então que a ficha caiu: eu tinha dormido no sofá. E Izuku? Senti de repente, o coração disparando. A primeira coisa que percebi foi o vazio no meu colo. O peso do Izuku, que eu deveria ter sentido, não era mais ali.
"Merda, onde está o Izuku?" — Murmurei, os olhos varrendo o ambiente.
Meu pânico durou apenas um segundo. Quando olhei para o lado, lá estava ele. Izuku estava deitado ao meu lado, encolhido entre mim e o encosto do sofá. Dormia profundamente, respirando de forma ritmada e calma. Suspirei aliviado, sentindo meu corpo relaxar completamente. Ele parecia tão pequeno ali, enrolado como um gatinho. Por sorte, ele tinha rolado para o lado seguro do sofá e não para o chão.
"Você está me dando trabalho até quando está dormindo, hein, nerd?"
Me inclinei para ajeitar melhor ele no sofá. Depois, envolvi Izuku em um abraço leve, mas firme o suficiente para que ele sentisse meu calor. Ele, ainda dormindo, automaticamente se aconchegou mais em mim. Um sorriso pequeno, quase imperceptível, apareceu nos meus lábios. Era engraçado como ele parecia tão confortável ali, como se aquele fosse o lugar mais seguro do mundo.
"Fofo pra caramba... mas não conta pra ninguém que eu disse isso." — Murmurei baixinho, fazendo cafune no cabelo bagunçado dele. Apesar de todo o cansaço, ver Izuku assim, tão tranquilo, faz tudo valer a pena.
Passei os minutos seguintes apenas olhando para ele. Não tinha pressa de me levantar ou de começar o dia. Talvez, só dessa vez, eu pudesse ficar mais alguns minutos ali, aproveitando o momento. Afinal, nem sempre foi fácil ter o nerd tão quieto — em qualquer versão dele.
•
O sol da manhã entrava pelas frestas das cortinas da sala, iluminando suavemente o ambiente. A luz dourada refletia nos fios esverdeados do cabelo de Izuku, que permanecem profundamente adornados no sofá, protegidos pelo meu abraço firme e caloroso.
Por alguns instantes, fiquei apenas observando Izuku dormir. A pequena mexia dos dedos da mão, como se estivesse sonhando. Era quase impossível não se perder naquele momento, vendo o rosto tão inocente e pacífico de alguém que, mesmo em sua forma adulta, sempre carregava uma pureza incomparável. Katsuki sabia que jamais presumiria isso em voz alta, mas havia algo reconfortante em cuidar de Izuku nessa fase. Era como se pudesse proteger não apenas o corpo dele, mas também sua essência.
Izuku suspirou baixinho, aconchegando-se ainda mais. Katsuki sentiu uma onda de ternura invadi-lo, algo que não era exatamente comum em sua personalidade. Ele tirou uma mecha de cabelo do rostinho de Izuku, que se mexeu um pouco, mas logo voltou ao sono tranquilo.
"Você está mesmo confortável aqui, né?" — Katsuki murmurou, com um sorriso discreto.
O silêncio da casa era reconfortante, quebrado apenas pelo som suave da respiração de Izuku e pelos ruídos ocasionais do mundo lá fora e o som de fundo da televisão que ficou ligado a noite toda. Ele ajustou o pequeno corpo de Izuku, tomando cuidado para não acordá-lo. Enquanto fazia isso, notou os traços suaves e delicados do rosto de Izuku, algo que sempre esteve lá, mesmo quando ele já era um adolescente determinado e cheio de força de vontade. Katsuki deixou escapar um pequeno suspiro.
"Você sempre foi assim, hein, nerd? Cheio de energia, mas, quando finalmente descansa, parece um anjo."
Katsuki sabia que aquele momento de tranquilidade não duraria muito. Izuku, mesmo como bebê, parecia ter uma fonte de energia interminável. Logo estaria acordado, cheio de vida e pronto para explorar qualquer coisa que chamasse sua atenção. Decidindo aproveitar enquanto podia. Encostei a cabeça no encosto do sofá, fechando os olhos por alguns minutos. Não queria dormir de novo, mas aquele cansaço acumulado era difícil de ignorar. Só preciso recarregar as baterias o suficiente para enfrentar mais um dia com Izuku.
Depois de um tempo, senti um movimento leve. Quando abriu os olhos, Izuku estava acordado. O bebê piscava devagar, parecendo confuso por um momento antes de olhar para Katsuki. Quando seus olhos verdes encontraram os vermelhos de Katsuki, um sorriso pequeno e bobo surgiu no rosto de Izuku.
"Bom dia pra você também, nerd." — Katsuki disse, sua voz rouca de sono.
Izuku esticou os braços, pedindo para ser pego. Katsuki, mesmo sentindo o peso do cansaço nos ombros, não conseguiu negar. Levantou Izuku no colo e o segurou com cuidado.
"Tá com fome? Porque eu estou. Vamos lá, fazer algo pra comer."
Izuku murmurou algo incompreensível, mas parecia contente de estar nos braços de Katsuki. Ele segurava com força o colarinho da camisa de Katsuki, como se tivesse medo de ser colocado no chão.
"Tá bom, tá bom, você vai comigo. Não precisa ficar agarrado assim, pirralho."
A cozinha estava silenciosa e organizada, ao contrário de quando o pessoal chegou na noite anterior. Ele tinha se esforçado para manter as coisas limpas mesmo cuidando de Izuku, afinal, não podia deixar o pequeno em um ambiente bagunçado. Enquanto preparava algo simples — torradas e café para ele, e a mamadeira de Izuku — Katsuki se pegava pensando novamente no futuro. Quanto tempo Izuku ficaria assim? Ele sentia que o bebê já fazia parte de sua rotina, mas também ansiava pelo dia em que o Izuku adulto voltasse.
"Ei, nerd... Quando você voltar, vou te contar tudo o que você aprontou, nesse meio tempo. Por mais que você esteja sendo divertido cuidar de você."
Izuku olhou para mim com curiosidade, como se entendesse cada palavra, mas sabia que não era o caso. Então ri baixo e dei uma tapinha leve na testa de Izuku antes de lhe entregar a mamadeira.
"É, vamos lá. A gente tem mais um longo dia pela frente."
•
Sair de casa parecia uma boa ideia. Izuku já tinha passado tempo demais dentro do apartamento, e Katsuki sentiu que ambos precisavam de um pouco de ar fresco. Claro, isso é tudo um processo de preparação. Katsuki começou a arrumar Izuku.
Escolheu para o pequeno um macacão azul bebê com detalhes em amarelo, combinando perfeitamente com os cores do All Might, como sempre. Os mangás eram curtos e havia pequenos botões dourados no ombro, tornando a roupa prática para vesti-lo. Katsuki também colocou meias brancas com desenhos de estrelas e um par de sapatos acolchoados, ideais para os pés ainda tão pequenos e frágeis. Para completar o visual, uma touca de malha azul clara, porque Katsuki tinha certeza de que o nerd ainda era mais adorável com ela.
"Pronto, tá parecendo até propaganda de loja de bebê, nerd." — Izuku apenas respondeu com uma risadinha e esticou as mãos para o rosto de Katsuki, como se tentasse mostrar que estava entendendo o que ele estava falando.
Katsuki então cuidou da própria roupa. Escolheu algo confortável e prático: uma camiseta preta simples, justa o suficiente para destacar os músculos, mas sem exagero, e uma calça jeans escura, levemente rasgada nos joelhos. Nos pés, um par de tênis brancos limpos, porque, afinal, era uma saída casual, mas ele ainda tinha um padrão a manter.
Antes de sair, peguei uma bolsa de bebê que tinha comprado. Era um negócio que ele, no começo, descobriu um pouco estranho de carregar, mas logo veremos o quanto seria útil. Ele ajeitou no ombro, verificando se tinha tudo: fraldas, pomada, roupas extras, mamadeira na área térmica, brinquedos e até uma toalha para emergências.
"Beleza, nerd, tudo pronto. Bora sair por aí."
Izuku parecia animado desde o momento em que Katsuki o colocou na cadeirinha no carro. O pequeno ficou olhando para o teto do Porsche, como se houvesse um show rolando ali. Enquanto viajava, Katsuki usou o assistente de voz do celular para perguntar onde poderia ir com um bebê. Afinal, ele precisava de informações, mas não era um irresponsável que dirigia mensagens no celular.
"Onde posso ir com um bebê sem me sujar de terra ou areia?" — Katsuki disse em tom irritado, porque só o pensamento de ter que lidar com a sujeira já o incomodava.
A voz digital sugeriu um parquinho infantil em um shopping distante da casa dele, e embora Katsuki achasse o conceito meio bobo, decidiu que valia uma tentativa. Chegando ao shopping, Katsuki pagou a entrada para o parquinho e quase reclamou em voz alta do preço.
"Isso tudo pra um bando de pirralhos brincarem? Melhor valer a pena." — Resmunguei para mim mesmo.
O lugar era, sem dúvida, um paraíso infantil. Havia brinquedos de todos os tipos: escorregadores de várias alturas, balanços, túneis de espuma, e as famosas piscinas de bolinhas. A maior parte era dividida por idade, o que Katsuki achou inteligente. Os bebês tinham um espaço separado, com bolinhas macias e superfícies acolchoadas para evitar qualquer tipo de acidente. Tudo era colorido, em tons vibrantes de vermelho, azul, amarelo e verde.
O lugar estava cheio de crianças rindo, gritando e correndo de um lado para o outro. Katsuki, normalmente, ficava irritado com o caos, mas quando viu os olhos de Izuku brilhando ao olhar para a piscina de bolinhas, ele viu que tinha valido a pena.
"Você quer isso, nerd? Tá parecendo que nunca viu bolinha colorida na vida." — Disse olhando para ele, até que... "Pensando bem...provavelmente não viu, já que não tem memória anterior ao seu acidente com individualidade." — Izuku soltou um som animado, balançando os braços, o que fez Katsuki rir baixo.
"Tá bom, tá bom. Vamos lá. Mas se você fizer um escândalo, eu juro que te deixo aqui."
Claro que ele não faria isso, mas eu preciso manter a pose. Katsuki tirou os sapatos e entrou na piscina rasa, colocando Izuku com cuidado no meio das bolinhas. O bebê ficou encantado, agarrando as bolinhas coloridas com as duas mãos, tentando segurá-las como se fossem preciosas. Katsuki se sentou ao lado dele, observando cada movimento.
"Você é fácil de agradar, hein, nerd? Olha só pra você. Parece que ganhou na loteria só de ter tantas bolinhas a sua volta."
Izuku gargalhou alto quando tentou jogar uma bolinha para Katsuki, mas ela caiu direto no colo dele. Katsuki, para animar ainda mais, pegou outra bolinha e rolou suavemente na direção do pequeno, que tentou agarrá-la com paixão, mas perdeu o equilíbrio e caiu sentado de novo, rindo ainda mais.
"Tá se divertindo, hein? Quem diria que um saco de bolinhas resolveria todos os seus problemas."
Outros pais e crianças ao redor olharam com curiosidade para Katsuki. Ele era claramente o único adulto que parecia deslocado, mas sua atenção focada em Izuku mostrava o quanto ele estava se esforçando. Katsuki não se importou com os olhares; A única coisa que importava era que Izuku estivesse feliz. Depois de um tempo, Izuku começou a ficar cansado. Ele apoiou as mãoszinhas nas pernas de Katsuki, olhando para ele com um misto de cansaço e satisfação.
"Tá bom, nerd, acho que já chega de bolinhas por hoje. Vamos comer alguma coisa antes de voltar pra casa."
Katsuki pegou Izuku no colo, ajeitou-o contra o peito, e saiu do parquinho, satisfeito por ter conseguido proporcionar aquele momento de alegria para o pequeno. Enquanto caminhava pelas compras, ele pensava em como, apesar de tudo, cuidar de Izuku estava se tornando algo natural. E, secretamente, ele sabia que não trocaria isso por nada.
É, nerd parece que me importo mais com você que sou capaz de assumir em voz alta na sua frente.
•
Sair para almoçar parecia simples no papel, mas nada na vida de Katsuki Bakugo era simples. Ele precisava de um restaurante que servisse comida decente, algo saboroso e saudável, sem exagerar na gordura. Ah, e que tinha cadeiras apropriadas para Izuku. Depois de vinte minutos pesquisando no celular, finalmente encontrei o lugar perfeito: um restaurante conhecido por refeições equilibradas e, para sua surpresa, papinhas de bebê de vários tipos.
"Parece que até você vai comer direito hoje, nerd." — Katsuki murmurou para Izuku, que estava apoiado em seu peito, observando o mundo ao seu redor com aqueles olhos enormes e brilhantes. Com o destino decidido, começei a sair do shopping. Porém, antes mesmo de alcançar o carro, fui abordado na saída por um grupo de garotas que claramente o consideraram como Dynamight.
"Ai meu Deus, é o Dynamight!" — Às garotas gritam.
Katsuki prendeu a respiração. Não porque estava lisonjeado, mas porque não estava com paciência para lidar com os fãs. Ainda mais enquanto segurava um bebê.
"Dá pra dar autógrafos pra gente? Por favor!" — Uma delas pediu, estendendo um caderno.
"Não." — Katsuki respondeu secamente, tentando passar direto. Mas claro, elas não desistiram. Ele mal deu dois passos antes de sentir uma mão agarrando seu braço direito. Instintivamente, Katsuki parou, girando os olhos na direção da pessoa em uma posição um pouco mais defensiva.
"Escuta aqui, eu já disse que não-..." — Antes que eu pudesse terminar de falar, a garota que segurava meu braço começou a se esfregar nele, flertando de forma descarada.
"Você fica tão sexy segurando um bebê."
Foi uma gota d'água. Katsuki fez uma careta de puro desgosto. Ele sentiu a raiva subir como um meteoro ao entrar em contato com a terra. Para piorar, a garota teve a audácia de tentar pegar Izuku de seus braços.
Izuku, que até então estava tranquilamente com a cabecinha encostada no ombro de Katsuki, observa uma mudança. Seus olhos grandes e verdes arregalaram-se de medo quando ele sentiu que estava sendo afastado de Katsuki. A confusão rapidamente se transformou em desespero.
"Ei! Não encosta nele, sua maluca!" — Katsuki rosnou, mas já era tarde demais. O bebê Izuku começou a fungar, e então veio as lágrimas. Grandes, gordas, rolando por suas bochechas coradinhas.
"Ah, que droga."
Izuku soltou um berro que ecoou pela entrada do shopping, atraindo olhares curiosos de todas as pessoas. Katsuki sentiu o sangue ferver. Suas mãos começaram a suar nitroglicerina, pequenas faíscas surgindo enquanto ele resistia ao impulso de explodir alguma coisa. Ele respirou fundo. Dez... nove... oito... , ele contou mentalmente, como uma psicóloga dele sempre disse para fazer em situações em que ele sentia muita raiva.
Limpando as mãos na calça, ele agarrou Izuku de volta com firmeza, segurando-o contra o peito enquanto o pequeno soluçava, ainda assustado. Katsuki tentou enganar o bebê, passando a mão livre pelas costas dele em círculos lentos.
"Tá tudo bem, nerd. Tô aqui, tá? Não precisa chorar." — Izuku, ainda soluçando, enterrou o rostinho no pescoço de Katsuki, buscando o conforto de seu calor e cheiro familiar. Katsuki virou-se para uma garota, seu rosto é uma mistura de fúria e desprezo.
"Você tem algum problema, sua estúpida?! Quem você deu o direito de encostar nele? Ou em mim, pra começar?!" — A garota se assustou, surpresa com explosão verbal. Mas Katsuki não parou.
"Isso aqui é um bebê, sua idiota! Você acha que pode simplesmente sair agarrando as pessoas e pegando o bebê delas? Tá maluca?! Vai arranjar outra coisa pra fazer, porque eu juro que na próxima vez que eu te ver você não vai gostar do que vai acontecer!"
Enquanto ele gritava, viu que algumas pessoas estavam filmando a cena, inclusive um paparazzi que parecia ter surgido do nada. Katsuki não se importava. Ele estava além de qualquer preocupação com manchetes naquele momento.
"Que seja! Tirem suas fotos malditas! Não tô nem aí!" — Com Izuku ainda agarrado a ele, Katsuki deu meia-volta e saiu andando em direção ao estacionamento, passos rápidos e decididos.
Quando finalmente chegou ao carro, ele acomodou Izuku na cadeirinha no banco de trás. O bebê já estava mais calmo, embora seus olhos ainda estivessem vermelhos de tanto chorar. Katsuki sentou-se no banco do motorista, descansando as mãos no volante por um momento enquanto respirava fundo.
"Que bela manhã, hein, nerd?" — Ele olhou pelo retrovisor para Izuku, que agora estava brincando com as mãoszinhas.
"É... pelo menos você tá bem. Isso é o que importa."
E com isso, Katsuki deu partida no carro, finalmente indo em direção ao restaurante. Ele já poderia imaginar como manchetes no dia seguinte, mas, sinceramente, ele não dava o mínimo. Desde que Izuku estava seguro e feliz, nada mais importante.
•
Finalmente, Katsuki estava sentado à mesa de um restaurante que parecia perfeito para ele e Izuku. O lugar tinha um ar sofisticado, mas era acolhedor, com luzes quentes e suaves que tornavam o ambiente confortável. O som de uma música instrumental tocava ao fundo, abafando a conversa baixa dos outros clientes. Katsuki suspirou, sentindo que, pelo menos naquele momento, as coisas estavam no lugar.
À sua frente, um prato que ele escolheu cuidadosamente: peito de frango grelhado com ervas, acompanhado de purê de batata-doce, brócolis no vapor e uma porção pequena de quinoa temperada. Simples, mas cheio de sabor e nutrientes. Ao lado, Izuku estava acomodado em uma cadeirinha de bebê adaptada à mesa, com um pratinho que continha uma papinha colorida e nutritiva feita de legumes, frango e arroz.
"Certo, nerd. Hora do almoço. Nada de fazer bagunça, entendeu?" — Katsuki resmungou para o pequeno enquanto misturava a papinha com uma colher, verificando a temperatura antes de levar à boca de Izuku.
Izuku respondeu com um som animado e incoerente, olhos brilhando enquanto recebia a primeira colherada. Katsuki ficou surpreso com o quão contente o bebê parecia estar com a comida, mastigando (ou o equivalente disso) com motivação e balbuciando sons que só ele entendeu.
Enquanto isso, Katsuki aproveitou sua refeição, dividindo entre comer e alimentar Izuku. Ele fazia isso de forma quase automática, um ritmo que ele sequer sabia que era capaz de manter.
"Tá gostosa, né?" — Katsuki murmurou, enquanto Izuku respondia com mais filhos felizes e mexia os bracinhos.
Era um momento calmo, e Katsuki estava agradecido por isso. O restaurante, embora cheio, parecia respeitar sua privacidade. Ele sabia que tinha o reconhecido — era impossível não o fazer — mas ninguém se atreveu a incomodá-lo. Nem mesmo um olhar prolongado ou uma tentativa de interação.
Quando finalmente terminaram, Katsuki limpou o rosto e as mãoszinhas de Izuku com uma toalhinha antes de chamar o garçonete. Ele pagou a conta e, satisfeito com o atendimento e a qualidade da comida, deixou uma gorjeta generosa. Antes de sair, fui convidado a deixar o meu autógrafo no mural do restaurante, o que fiz sem consentimento, sabendo que isso poderia atrair mais clientes para o local.
"Só não vão colocar minha cara num prato especial. Isso seria patético." — Ele disse ao gerente, que riu nervosamente.
Com Izuku já sonolento na cadeirinha do carro, Katsuki suspirou ao entrar no veículo. Era o último dia da folga dele, e amanhã voltaria à rotina de patrulhas. Um pensamento o atingiu: o que faria com Izuku? Ele sabia que não poderia levá-lo para o trabalho, e deixá-lo sozinho estava fora de questão. Foi então que uma ideia cruzou sua mente. Ele olhou para Izuku pelo retrovisor, o pequeno já piscando lentamente como se estivesse lutando contra o sono.
"Certo, nerd. Acho que está na hora de visitar a velha bruxa."
Katsuki virou o volante e mudou de rota, dirigindo em direção ao bairro onde cresceu. A nostalgia começou a se infiltrar enquanto ele se aproximava das ruas familiares, embora ele tentasse afastá-la. Ao chegar à casa dos pais, Katsuki parou o carro e desligou o motor. Ele pegou Izuku com cuidado da cadeirinha, ajeitou a bolsa de bebê no ombro e foi até a porta da frente. Tocar a campainha era estranho, quase desconfortável, mas fazia sentido, já que ele não vivia ali há anos. A porta se abriu rapidamente, revelando a mulher que ele conhecia tão bem. Mitsuki Bakugo o olhou de cima a baixo, seu olhar crítico parando em Izuku.
"Olha só quem resolveu aparecer depois de meses! Sem nem mandar uma maldita mensagem pra saber se a gente tá vivo." — Ela disse. Katsuki bufou.
"Tô ocupado salvando vidas, caso tenha esquecido."
"Vai, pirralho, entra logo antes que eu mude de ideia e feche a porta na sua cara."
Ele revirou os olhos, passando pela porta com Izuku no colo. O cheiro familiar da casa atingiu-o de imediato, uma mistura de café, flores e algo que ele não conseguiu identificar, mas que sempre esteve lá.
"E quem é esse bebê? Finalmente me deu um neto sem me avisar, ou roubou de alguém?" — Mitsuki disse com o tom sarcástico característico, zombando de Katsuki, afinal, ela já sabia que o bebê em seu colo era Izuku.
"Nem começa. É o nerd." — Disse. Ela arqueou uma sobrancelha.
"Ó nerd? Como assim, ó nerd?" — Ela disse ainda provocando ele, fingindo não saber que era o Izuku ali.
"Porra, já deu dessa palhaçada. Você sabe que o bebê é o Izuku. E que ele tá assim por causa de uma porcaria de individualidade. E que eu sou responsável por ele, até que volte ao normal"
"Claro que está. Porque nada na sua vida pode ser normal, não é, Katsuki?" —Enquanto ela falava, Masaru Bakugo apareceu na porta da cozinha, limpando as mãos em um pano.
"Katsuki! É bom ver você, filho. E o bebê Izuku também." — Meu pai sorriu gentilmente. "Bem, entra. Vamos conversar. Parece que você precisa de uma pausa." — Katsuki suspirou, seguindo para a sala. Mesmo que não quisesse admitir, era bom estar de volta à casa onde cresci, mesmo que por um breve momento.
Sentado no sofá da sala onde cresceu, segurando Izuku no colo, uma sensação estranha de familiaridade e desconforto se misturava dentro de mim. Era raro eu estar ali, e agora, com um bebê nos braços, parecia mais surreal ainda. Izuku, por outro lado, parecia estar bem no momento. Ele estava entretido brincando com meus dedos, mas bastou meu pai, o velho Masaru, sentou ao meu lado para que o pequeno começasse a ficar inquieto.
"Relaxa, pirralho, ele não vai te morder." — Murmurei, tentando acalmá-lo enquanto meu pai olhava para Izuku com um sorriso gentil.
Meu pai, sendo o homem calmo e paciente que é, simplesmente mexeu a mão devagar, fazendo carinho nos cabelos verdes do bebê. Izuku arregalou os olhos, ainda desconfiado, mas não protestou. Então meu pai começou a fazer cocegas suaves em sua barriguinha. Foi nesse momento que ouvi algo que me pegou de surpresa: uma risada leve, doce e cheia de alegria. Izuku riu. E, de repente, toda a tensão que parecia parar no ar se dissipou.
"Ah, meu Deus, Katsuki! Ele é tão fofinho quando ri!" — Minha mãe exclamou, do outro lado da sala, com um brilho incomum nos olhos.
"Ele é um bebê, claro que vai rir." —Retruquei, tentando não demonstrar que eu também estava um pouco derretido por aquele som. Meu pai continuou brincando com Izuku, e logo o pequeno estava relaxado novamente. Isso me deu a deixa perfeita para abordar o motivo de eu estar ali.
"Certo, velha bruxa. Vamos ao que importa." Comecei, olhando para os dois. E ouvi minha mãe resmungar que a velha era vó dele. Ignorei. "Amanhã eu volto para as patrulhas, e... bom, eu não posso levar o nerd comigo." — Minha mãe arqueou a sobrancelha.
"Você está querendo que a gente cuide dele enquanto você vai salvar o mundo, é isso?" — Eu bufei.
"Isso. E antes de você reclamar, vou deixar tudo o que você precisa. Fraldas, mamadeiras, roupa limpa, brinquedos, tudo. Não vai ser tão difícil assim." — Meu pai deu um sorriso leve, enquanto minha mãe cruzava os braços, fingindo que estava considerando uma ideia.
"Você acha mesmo que eu vou reclamar, Katsuki? Eu gosto do pequeno Izuku. E, pelo visto, ele é mais fácil de lidar do que você era nessa idade." — Ela disse com um tom de provocação.
"Claro que é. Ele é o nerd, não eu."
No final, ambos concordaram sem muita resistência, o que foi uma maravilha. Eu sabia que poderia contar com eles, mas ainda assim, ouvir isso era bom. Do nada, percebi que Izuku estava me encarando. Ele inclinou a cabeça de um jeito adoravelmente confuso, alternando o olhar entre mim e minha mãe.
"E aí, pirralho? Qual é o problema agora?" — Perguntei curioso, sabendo que não receberia uma resposta. Meu pai riu, atraindo meu olhar.
"Acho que ele é confuso, Katsuki. Você e sua mãe são parecidos demais. Na aparência e, principalmente, sem temperamento." — Rolei os olhos, mas antes que pudesse responder, minha mãe estendeu os braços.
"Dá ele aqui, quero ver se ele vai gostar do colo da avó Mitsuki." — Ela disse.
"Avó Mitsuki? Caralho, agora todo mundo resolveu tratar o nerd como se fosse meu filho." — Resmunguei.
Relutante, passei Izuku para ela. Geralmente, ele hesitava em sair do meu colo, mas, para minha surpresa, aceitou. Ele olhou para minha mãe com aqueles olhos grandes e brilhantes, a expressão dele mais confusa do que nunca. Minha mãe, claro, aproveitou para falar com ele com aquele tom carinhoso e exagerado que ela nunca usou comigo.
"E aí, coisinha fofa? Sabia que eu vou ser seu vovó nos próximos meses? Isso mesmo! Já que meu pirralho idiota, não tem a capacidade de me dar um neto de verdade." — Assim que ela disse isso, eu queria xingar ela.
Izuku alternava o olhar entre mim e ela, claramente tentando entender. Sua cabecinha virava de um lado para o outro, como se estivesse tentando resolver um quebra-cabeça impossível. E então, como se ele finalmente tivesse chegado a uma conclusão, os olhos dele começaram a marejar. Antes que eu pudesse reagir, ele começou a chorar. Um choro desamparado, com lágrimas grandes escorrendo pelas bochechas enquanto ele esticava os braços na minha direção.
"Droga... tá bom, tá bom." — Me levantei rapidamente, pegando Izuku de volta. "Que drama todo é esse, nerd? Ela nem fez nada com você."
"Eu diria que o pequeno Izuku finalmente conseguiu, que vocês não são a mesma pessoa. E isso deve ter deixado ele sobrecarregado de emoções confusas." — Disse meu pai com aquele típico jeito calmo dele.
Izuku imediatamente se agarrou a mim, escondendo o rosto no meu ombro e fungando. Sua respiração foi desacelerando aos poucos, mas ele ainda estava visivelmente abalado. Senti no sofá novamente e peguei a mamadeira que ainda estava bem manhã da bolsa.
"Toma, pirralho. Isso vai te excitar."
Ele aceitou a mamadeira sem problemas, sugando com força enquanto eu encarava com aqueles olhos grandes e esverdeados. Ele parecia exausto, mas completamente tranquilo agora que estava no meu colo de novo.
"Você é mesmo o porto seguro dele, Katsuki." — Meu pai comentou com um sorriso.
"Claro que sou." — Respondi, ajeitando Izuku nos braços. "Ninguém é melhor do que eu pra isso." — Minha mãe riu.
"Ele é só um bebê, mas já sabe quem é o mais confiável. Bem diferente de você quando era pequeno."
"Cala a boca, velho." - Rosnei.
Eles riram, e, pela primeira vez em muito tempo, eu não me importei de estar sendo provocado. Olhei para Izuku, agora quase dormindo em meus braços, e senti algo estranho no peito. Uma mistura de orgulho, responsabilidade e... bom, algo que eu ainda não consegui colocar em palavras. Quando Izuku finalmente apagou no meu colo, pensei que era a deixa perfeita para ir embora. Mas, claro, meus pais tinham outros planos.
"Por que você não fica até o jantar? Faz séculos que não temos uma refeição juntos, Katsuki." — Meu pai sugeriu com aquele tom calmo que sempre falava quando queria me convencer de algo.
"Não sei, velho. A velha bruxa vai começar a me provocar, e eu não tô com paciência pra isso hoje." — Resmunguei, lançando um olhar para minha mãe, que cruzou os braços com um sorriso desagradável.
"Você se preocupa demais, pirralho. Eu sou um anjo." — Ela respondeu com aquele sarcasmo habitual. Meu pai colocou a mão no meu ombro.
"Vamos lá, Katsuki. Vai ser bom pra todo mundo. E não precisa aguentar a sua mãe o tempo todo, você pode ir descansar até a comida ficar pronta." — Eu bufei, acabei de ceder.
"Tá bom. Mas só porque não dormi direito ontem, e o nerd aqui tá me dando trabalho."
Subi para o meu antigo quarto, carregando Izuku nos braços. A primeira coisa que senti ao entrar foi o cheiro familiar. Nada havia mudado ali, desde os pôsteres de heróis nas paredes até a cama de solteiro no canto. Era como voltar no tempo.
Deitei Izuku na minha antiga cama e fui até o armário buscar um cobertor. Assim que eu ajeitei na cama e o cobertor pra nós dois, deitei ao lado dele e tirei Izuku pra cima de mim, só por segurança. A cama era minúscula comparada ao king size do meu apartamento, mas dava pro gasto. Olhei para ele uma última vez antes de fechar os olhos. O corpo pequeno e quente dele era um peso confortável, e antes que eu percebesse, já estava mergulhando num sono profundo.
•
Quando acordei, foi com o som de fungadas perto do meu rosto. Relutante, abriu os olhos e percebeu que o quarto já estava escuro, iluminado apenas pela luz fraca da rua entrando pelas cortinas. O som se repetiu, e olhei para baixo. Izuku estava com os olhos cheios de lágrimas, claramente prestes a começar um berreiro.
"O que foi agora, nerd?" — Murmurei, sentando-me com ele nos braços.
Ele não respondeu, obviamente, então comecei a passar pelas possibilidades. Não era fome; ele tinha tomado a mamadeira não fazia muito tempo. Verifiquei a fralda, mas estava limpa. Então, o que diabos estava incomodando? E aí caiu a ficha: gases. Claro, eu esqueci de fazer ele arrotar depois de dar a mamadeira.
"Droga, Katsuki. Tá vacilando, hein?" — Murmurei para mim mesmo enquanto o posicionava no meu ombro. Comecei a dar batidinhas leves nas costas dele, e depois de alguns segundos, ouvi o arroto mais aliviador da noite.
"Aí, pronto, nerd. Era só isso." — Mas junto com o arroto veio um cheiro inconfundível. Suspirei, afastando Izuku um pouco para encará-lo. Ele estava com um rostinho relaxado, claramente satisfeito.
"Claro que você está relaxado, né? Se livrou dos gases e ainda mandou um presente pra mim." — Me levantei e fui até a porta. "Ei, velho! Traz a bolsa de bebê pra mim!" — Gritei do corredor. Enquanto esperava, improvisei uma troca na minha antiga mesa de estudos. Meu pai chegou logo depois com a bolsa, torcendo o nariz assim que entrou no quarto.
"Putz, filho. Esse aí tá competindo com você em quem faz mais estrago." — Revirei os olhos.
"Só me dá isso aqui, velho." — Bufei.
Limpar Izuku não era exatamente o trabalho mais glamoroso, mas já estava acostumado. Tirei a fralda podre, limpei ele direitinho, passei pomada contra assaduras e coloquei uma fralda limpa. Quando terminei, joguei a fralda velha no lixo do banheiro e voltei para o quarto. Izuku, agora limpo e cheiroso, estava completamente sem sono. Olhei para o celular: quase oito da noite. Era hora do jantar. Peguei Izuku nos braços e desci para a sala de jantar, onde minha mãe estava terminando de colocar a comida na mesa.
"Tá aí, pirralho. Fiz umas coisas apimentadas pra você, como sempre gostei." — Ela disse, apontando para uma tigela fumegante de karē bem temperada.
Peguei uma papinha de Izuku da bolsa e coloquei na mesa, mas percebi que não tinha nenhuma cadeirinha para bebê por ali. Suspirei, ajustando Izuku no meu colo.
"Vai ter que ser assim, nerd. Dá trabalho, mas você vai comer direitinho." — Murmurei enquanto abria o pote de papinha.
Comecei a alimentá-lo, e ele, como sempre, estava bem comportado, abrindo a boca toda vez que eu aproximava a colher. Meus pais, por outro lado, me observaram como se tivesse crescido uma segunda cabeça.
"O que foi? Nunca viu uma pessoa alimentando um bebê?" — Minha mãe riu.
"Não é isso. É só que nunca imaginei você nesse papel, pirralho. Tá estranho te ver assim... tão responsável."
"Eu sempre fui responsável, velha." — Disse com uma careta. Meu pai sempre sincero acrescentou:
"Ela quis dizer que você está indo bem, filho. Dá pra ver que o Izuku confia em você."
Olhei para o bebê no meu colo, que estava agora lambendo os lábios depois de terminar a papinha. Um sorriso pequeno, quase imperceptível, apareceu no meu rosto.
"É, eu sei."
Passou completamente imperceptível aos meus olhos a trocar de olhares entre meus pais. Eu estava bem concentrado no pequeno ser no meu colo. Izuku como sempre me olhando. Isso me deixou feliz e ao mesmo tempo sem graça. Receber tanta admiração de alguém que um dia sofreu. Por um momento, uma sensação de amargura abrindo meu peito.
"Nunca mais vou te machucar. E nem vou deixar que alguém te machuque Izuku. Deixei bem claro no hospital que quero que continuemos a perseguir um ao outro pelo resto de nossa vida. E quando você voltar ao normal, vou repetir isso para você. E nesse dia você entregará algo que vai trazer de volta o seu sonho de ser um herói." — Meus pensamentos sobre Izuku continuaram pelo resto da noite, eu mal prestei atenção na conversa de meus pais.
•
Estava dirigindo de volta para casa com Izuku dormindo na cadeirinha no banco de trás, o pequeno estava tão quieto que por um momento o carro parecia completamente vazio. Olhei pelo retrovisor e vi a cabecinha dele inclinada para o lado, os escolhidos longos descansando contra as bochechas gordinhas. Ele parecia tão tranquilo, completamente alheio ao dia cheio que tivemos. Era uma paz quase estranha, mas, claro, ela não durou muito. Meu celular começou a vibrar. Peguei e olhei o nome na tela. "Cabelo de merda".
"O que foi, Kirishima?" — Atendo e coloco no viva-voz.
"Ei, Bakugo! Como foi o dia com o Izuku?" — Soltei um suspiro.
"Foi... tranquilo, até. Tirando um monte de gente me encarando como se nunca tivesse visto um cara com um bebê antes. E o nerd aprendeu a engatinhar. Tá dando trabalho, mas pelo menos não tem chorado tanto." — Do outro lado, ouvi o riso abafado de Kirishima.
"Parece que você está tirando isso de letra, cara. Mas eu liguei por outro motivo. Você está estampado nas manchetes de fofoca de hoje." — Meus dedos apertaram o volante.
"O quê? Que merda é essa agora?"
"É sobre o incidente no shopping. Uma garota que agarrou o seu braço? As fotos dela chorando e você saindo irritado com Izuku no colo tão em tudo quanto é site. Está dizendo que você foi grosseiro com um fã desesperado por atenção." — O sangue subiu para minha cabeça na hora.
"Tô é pra perder a paciência com esse povo idiota! Ela me agarrou enquanto eu estava segurando o Izuku, Kirishima! Quase fez ele cair! Assustou ele, fazendo o mesmo chorar. Você tem noção de como eu fiquei puto na hora?"
"Relaxa, Bakugo, eu entendi. Só queria avisar. Se você quiser, posso dar uma entrevista explicando a situação e deixar claro que o bebê não é seu filho e que você não tá envolvido com ninguém. Assim, talvez parem de encher o saco ." — Respirei fundo, tentando me enganar.
"Valeu, Kirishima. Faça isso. E aproveita pra deixar bem claro que eu não tenho paciência pra essas merdas, tá?"
"Pode deixar. Te vejo amanhã na patrulha, cara. Boa noite pra você e pro Midobrô."
"Até amanhã."
Desliguei o celular e olhei para o retrovisor mais uma vez. Izuku agora estava acordado, os olhos curiosos observando as luzes da rua pela janela. Ele parecia tão alheio ao caos que sempre segue meu nome que, por um momento, senti um peso a menos nos ombros.
Chegamos em casa, e minha rotina começou. Primeiro, preparei uma banheira para o Izuku. Não demorou muito para tirar as roupinhas dele e colocá-lo na água morna. Ele adorava a hora do banho, sempre confundindo as mãoszinhas e jogando água para todos os lados.
"Ei, nerd, para com isso. Não estou afim de limpar mais bagunça hoje." — Resmunguei, embora uma pequena parte de mim achasse graça.
Depois de dar banho e enxugar Izuku, vesti nele um pijama novo da coleção do All Might. Ele estava cheiroso e limpo, o que era bom, mas também cheio de energia. Deixei ele no tapete da sala com os brinquedos, mas percebi rápido que ele não ficaria parado por muito tempo. Ele começou um engatinhar, um pouco desajeitado, mas determinado. Mesmo caindo algumas vezes, levantava e continuava tentando. Fiquei sentado no sofá, observando cada movimento, pronto para entrevir se ele se machucasse.
Enquanto isso, peguei o celular de Izuku. Prometi ao Aizawa que responderia as mensagens da mãe dele fingindo ser o próprio nerd, só pra ela não se preocupar. Quando finalmente desbloqueei o celular dele, descobri que a senha era uma combinação do aniversário do All Might e do meu. Por um momento, fiquei em silêncio, sentindo meu rosto esquentar. "Idiota ," Pensei, mas o sorriso no meu rosto não dava pra esconder. Só o Izuku conseguiu me deixar assim, cheio de sentimentos confusos.
Terminei de responder as mensagens e deixei o celular do lado. Izuku estava agora sentado no tapete, segurando um dos brinquedos e balançando-o de um lado para o outro. Ele olhou para mim e deu um sorriso bobo, e naquele momento, todos os pensamentos complicados desapareceram. Mas não por muito tempo. Enquanto observava ele, pensei em tudo o que tinha passado. Sobre como percebi que sentia algo por ele, mas nunca tive coragem de falar. Primeiro, porque achei que não teria acaso, ainda mais quando sempre fui péssimo em demonstrar sentimento. E o fato de que era orgulhoso demais para mostrar fraqueza. Depois, porque a guerra quase me matou. Literalmente.
E então veio o dia do hospital em que ele disse que o One For All estava só como brasas, e que ele não poderia mais ser um herói ao meu lado. Foi ali que decidi que não tinha o direito de jogar mais peso nos ombros dele. Ele já estava perdendo tanto...
Mas agora, as coisas eram diferentes. Eu sabia que ele sentia o mesmo que eu. Mesmo que ele fosse denso e lerdo demais pra perceber. Era só uma questão de tempo até eu abrir o jogo e acabar com a confusão dele. Afinal, não dava pra esperar a vida toda. Mesmo que eu tenha saído completamente fora dos meus planos, terei que esperar mais alguns meses para finalmente entregar a armadura. E traga de volta o herói Deku. E então, finalmente podemos voltar a estar lado a lado.
•
Já passava a meia-noite, e eu estava no limite da minha paciência. Amanhã tinha que estar de pé às cinco da manhã para deixar Izuku com os meus pais e ir direto para a patrulha em seguida, mas o Izuku parecia completamente alheio a isso. O moleque estava mais animado do que nunca, engajando-se pelo apartamento como se tivesse planejado descobrir um tesouro escondido. Ele fazia aqueles sons engraçados que só um bebê conseguia fazer, e eu não sabia se ria ou se sobretava de exaustão.
"Ei, nerd. Tá na hora de dormir, sabia?" — Me agachei perto dele
Ele parou, virou a cabecinha para me encarar com aqueles olhos grandes e finos, inclinando a cabeça para o lado de forma absurdamente fofa. Mas ao preferir obedecer, ele deu um sorriso bobo e voltou a se engajar em outra direção. Suspirei, esfregando o rosto . "Por que você tem tanta energia, hein?" Pensei, me levantando para segui-lo. Talvez, se eu preparar uma mamadeira ajudasse. Fui para a cozinha, preparei o leite e voltei com ela na mão, balançando na frente dele como se fosse algum tipo de prêmio.
"Aqui, olha. Você quer isso, né? Então vem cá."
Izuku olhou para a mamadeira por um segundo, mas em vez de se interessar, como eu imaginei que aconteceria, ele soltou um som animado e começou a engatinhar de volta para a sala. Foi então que percebeu o que tinha chamado sua atenção: a televisão. Sem perceber, eu tinha deixado a televisão ligada em um canal que passava desenhos antigos depois da meia-noite. Estava passando um especial antigo do All Might, aquele desenho onde ele era um samurai. A musiquinha tema tocava ao fundo, e Izuku ficou sentado no tapete, olhando fixamente para a tela, com a mãozinha na boca. Ele balbuciava baixinho, remexendo o corpinho como se tentasse acompanhar a melodia. Suspirei de novo, mas dessa vez, com um pequeno sorriso no rosto.
"Então era isso, hein? O All Might sempre foi seu ponto fraco."
Senti atrás dele no tapete, deixando a mamadeira de lado por enquanto, e olhei para a tela. Fazia anos que não via aquele especial. A nostalgia bateu de repente, e por um momento, era como se eu tivesse tido apresentações no tempo. Lembrei de quando eu tinha três anos, a primeira vez que vi o nerd. Ambos com o chapéu de samurai do All Might na cabeça, andando na direção do parquinho perto de casa. A musiquinha do desenho estava fresca em nossas cabeças, e nós dois estávamos cantando ao mesmo tempo. Foi assim que nos esbarramos.
Eu me lembro bem. Ele olhou pra mim com aqueles olhos enormes e abriu um sorriso tão grande que ficou sem palavras. A partir daí, éramos inseparáveis. Sempre brincávamos juntos, sempre com o All Might como o centro de tudo. Só que, pensando agora, eu era uma babaca completa. Sempre quis ser o All Might nas brincadeiras. Nunca deixei ele ser. Mesmo quando a mãe dele deu aquela roupinha do All Might pra ele – que obviamente eu também tinha igual – eu ainda tinha que ser o herói, e ele sempre era o vilão ou a vítima que necessariamente seria salva por mim. Olhei para o Izuku bebê ali na minha frente, distraído com o desenho . "Puta merda," eu pensei . "Que tipo de amigo eu era? Você ainda queria ser meu amigo, mesmo assim. Por quê?"
Puxei ele para o meu colo, e ele nem reclamou. Apenas se ajeitou, os olhos ainda focados na televisão. Peguei a mamadeira e coloquei na frente dele. Ele agarrou o bico de imediato, sugando o leite enquanto continuava a prestar atenção no desenho. Inclinei ele um pouco no meu colo, segurando firme para que ele fique confortável.
"Sabe, nerd, eu não sei como você sempre teve tanta paciência comigo. Mesmo quando eu era um idiota. Acho que, de alguma forma, você sempre viu algo em mim que eu mesmo não consegui ver."
Ele não respondeu, obviamente. Só contínuo mamando, os olhos piscando devagar, finalmente dando sinais de cansaço. A música do especial tocava ao fundo, e eu me vi cantando baixinho junto. Por um momento, era como se o tempo tivesse parado. O apartamento estava silencioso, apenas o som da televisão e a respiração de Izuku enchendo o ar. Olhei para ele, que agora tinha os olhos quase fechados, finalmente cedendo ao sono. Um pequeno sorriso apareceu no meu rosto. "Tá vendo, nerd? Até o All Might te ajuda a dormir."
Levantei com cuidado, ainda segurando ele nos braços, e o levei para o quarto. Coloquei ele na cama com delicadeza, cobrindo-o com o cobertor. Ele se mexeu um pouco, mas logo se acomodou, soltando um suspiro satisfeito. Fiquei ali por um momento, olhando para ele. "Um dia", pensei, "um dia eu vou dizer tudo o que sinto. E espero que você ainda seja o mesmo nerd que sempre acreditou em mim." — Apaguei a luz do quarto e voltei para a sala para arrumar a bagunça dos brinquedos. Amanhã seria um dia longo, mas, por agora, tudo parecia certo.
•
Eu estava no que parecia ser o melhor sono da semana quando senti um peso inesperado no meu rosto. Ainda meio perdido no sono, comecei a despertar com a sensação de algo fazendo cócegas no meu nariz. Meu instinto foi afastar as perturbações que estava sentindo, mas assim que abriu os olhos, percebeu o que estava acontecendo: Izuku, o pequeno nerd, tinha engatinhado até mim e agora estava com a cabeça literalmente plantada na minha cara.
Minha ocorrência foi instantânea. Surpreso, empurrei ele para trás sem pensar, e o bebê acabou tombando de costas no colchão. Meu coração deu um salto. "Droga, machuquei o moleque!" Pensei, sentando rápido para ver se ele estava bem. Mas antes que eu pudesse fazer algo, Izuku, com aquela determinação de que ele sempre teve (até mesmo agora, como um bebê), ajeitou-se com dificuldade e começou a engatinhar de novo na minha direção.
Dessa vez, ele parou na minha coxa e deitou a cabecinha nela, olhando para mim com aqueles olhos e enormes verdes que é capaz de ver dentro da minha alma. Eu tinha acordado irritado, mas aquilo... aquilo fez meu peito apertar de um jeito estranho e confortável ao mesmo tempo. Suspirei, levando uma mão aos cabelos bagunçados dele.
"Tá achando que posso me acordar desse jeito e se safar, hein?"
Passei os dedos pelos cachos macios, e ele fez um barulhinho feliz, fechando os olhos por um segundo. Isso teria sido o fim perfeito para a cena, mas eu sabia que não poderia deixar aquilo passar. Peguei ele pelo tronco e o ergui no ar, vendo como seus olhos se arregalaram de surpresa antes de ficarem curiosos, como se ele tentasse entender o que eu estava fazendo.
"Escuta aqui, nerd. Não é só porque você é um bebê todo fofo que pode deitar no rosto das pessoas desse jeito." — Ele inclinou a cabeça para o lado, confuso, mas ainda sorrindo daquele jeito bobo. Eu mantenho ele erguido apertando-o com cuidado.
"Isso foi perigoso. Eu poderia ter te machucado, sabia?"
Minha tentativa de bronca foi completamente ignorada. Ele riu, mostrando aquela linguinha de bebê que sempre aparecia quando ele estava animado. Revirei os olhos.
"É por isso que você nunca levava bronca quando era criança. É todo pequeno e fofo."
Izuku não entendeu nada, é claro. Mas ele parecia se divertir com o som da minha voz. Então, sem aviso, ele esticou os bracinhos para o meu rosto. Fiquei quieto, esperando para ver o que ele iria fazer. Com um movimento lento e cheio de cuidado, ele esfregou a bochecha gordinha dele contra a minha, soltando um som baixinho e feliz.
Fiquei completamente parado, surpreso. Ninguém, absolutamente ninguém, faz isso comigo. E mesmo assim, ali estava ele, me dando o tipo de carinho mais desajeitado e puro que eu já tinha recebido. Suspirei de novo, dessa vez mais leve, e deixei ele continuar por mais um tempo.
"Tá bom, tá bom, nerd. Você venceu."
Puxei ele para perto e o abracei contra meu peito. Ele se aninhou ali sem resistência, com aqueles olhos fechando de novo. Fiquei ali por um momento, só ouvindo a respiração dele e sentindo o calor daquele pequeno corpo.
Quem diria, hein, Izuku? Você ainda tem esse poder de me desarmar, mesmo agora.
Mas é claro que o momento não iria durar. Ele começou a se mexer de novo, tentando escapar do meu colo. Ri baixinho, colocando ele de volta na cama.
"Tá bom, agora vamos levantar. Tenho que me arrumar, e você... você precisa de um café da manhã decente antes de começar a aprontar de novo." — Peguei ele no colo e saí do quarto, pensando no quanto aquele pequeno nerd complicou minha vida... e no quanto eu não me importou nem um pouco.
Depois de um café da manhã reforçado, dei uma mamadeira pro Izuku, troquei a fralda dele e preparei uma bolsa de bebê com tudo o que ele pudesse precisar. Era uma rotina que eu já tinha dominado, mas mesmo assim, cada dia com aquele moleque parecia trazer um desafio novo. Ele estava dormindo na cadeirinha enquanto eu dirigia para a casa dos meus pais. Era raro pedir ajuda pra eles, mas eu precisava fazer meu trabalho de herói e sabia que o Izuku ficaria bem cuidado lá.
Estacionei o carro em frente à casa deles e saí para tocar a campainha. A casa ainda tinha aquele mesmo cheiro de infância, o que sempre me fazia lembrar do tempo em que eu era apenas um moleque revoltado – bom, ainda sou um pouco. Depois de tocar a campainha, voltei ao carro e comecei a mexer na cadeirinha. Achei que seria uma boa ideia deixar-la lá, caso precisassem sair com Izuku. Só que, no instante em que movi a cadeirinha para fora do carro, o moleque acordou.
Ele piscou algumas vezes, claramente sonolento, mas então arregalou aqueles enormes olhos verdes e, do nada, começou a chorar. Não era um chorinho qualquer, era aquele tipo de berro que faz você pensar que algo muito errado aconteceu. Fiquei completamente confuso.
"Ei, calma aí, nerd. Tá tudo bem."
Tentei pegá-lo no colo, mas, em vez de ajudar, isso só piorou. Ele começou a se debater e chorar ainda mais, como se eu fosse algum tipo de monstruoso tentando machucá-lo.
"Que porra esta havendo com você?!" — Resmunguei, tentando segurar ele sem que se machucasse.
Foi quando meus pais saíram de casa às pressas, provavelmente atraídos pelo escândalo que o Izuku estava fazendo. Minha mãe, como sempre, veio direto para cima.
"Katsuki! O que você fez com o bebê?!" — Ela falou parando do meu lado.
"Eu não fiz nada! Ele só começou a chorar do nada!"
Izuku continuava berrando, o rostinho todo vermelho e cheio de lágrimas. Aquilo começou a me deixar chateado. Ele nunca tinha chorado assim comigo antes. Era como se ele realmente tivesse medo de mim, e isso... doeu mais do que eu esperava. Minha mãe mudou as mãos do Izuku, com aquela expressão típica de "eu resolvo tudo".
"Me dá ele aqui, eu cuido disso."
Sem saber o que mais fazer, entreguei Izuku para ela. Assim que ela o segurou, o pequeno esticou os bracinhos na direção dela, como se estivesse pedindo socorro. Aquilo me irritou mais do que deveria. " Sério, nerd? Depois de tudo que eu faço por você?" Pensei. Mas, claro, minha mãe não teve mais sorte do que eu. Izuku começou a soluçar e a chorar de novo quando ela falou algo para tentar acalmá-lo. Ele olhou para ela com uma expressão confusa e, em seguida, assustado, como se percebesse que ela não era quem ele pensou que era. Meu pai, que até então estava quieto, finalmente resolvi se aproximar. Ele analisou a situação, olhando de mim para Izuku e de Izuku para mim, me olhou de cima para baixo. Depois, ele deu um pequeno suspiro e falou:
"Acho que sei por que ele tá chorando assim." — Meu pai disse.
Eu e minha mãe viramos para ele ao mesmo tempo, perguntando: "Por quê?" Meu pai olhando para mim com aquele tom calmo e sábio que sempre me irritava um pouco, disse:
"Katsuki, ele não está te registrando. Você está usando seu uniforme de herói. Ele cobre parte do seu rosto, e, se você pensar bem, é meio intimidador pra um bebê." — Ele disse arqueando a sobrancelha, então contínuo. "E ele chorou com a sua mãe porque, apesar da aparência dela ser parecida com a sua, a voz não é. Então, quando ela tentou falar com ele para acalmá-lo, ele viu que também não era você." — Fiquei parado ali, processando o que ele disse. Minha mãe olhou para mim e depois para Izuku, finalmente entendendo.
"Faz sentido... Katsuki, abaixe essa gola do seu uniforme e tente falar com ele." — Mandou a velha bruxa. Suspiro.
Sério? Era só isso?
Abaixei o tecido do uniforme que cobria parte do meu rosto e peguei Izuku de volta, mesmo com ele ainda chorando. Comecei a balançá-lo levemente, da mesma forma que sempre fazia.
"Ei, Izuku. Sou eu, tá vendo? Não precisa ter medo."
Minha voz saiu mais suave do que eu esperava. Ele ainda soluçava, mas, aos poucos, parou de se debater e começou a olhar pra mim. As lágrimas continuavam caindo naqueles olhos enormes, mas havia um brilho de reconhecimento neles agora.
"Viu? É só uma roupa. Estou aqui, nerd. Com ou sem uniforme, sou eu."
Ele piscou algumas vezes, como se quisesse ter certeza. Então, finalmente, suas soluções começaram a diminuir. Eu continuei falando com ele, explicando que era o mesmo Katsuki, enquanto ele me encarava com curiosidade. Por fim, ele se aninhou no meu peito, segurando um pedaço do tecido do meu uniforme com a mãozinha gordinha. Fiquei ali parado, sentindo o calor dele contra mim.
"Tá vendo? Não tem nada pra temer. Eu nunca vou te deixar, Izuku."
Bom, só quando você tiver que ir patrulhar a cidade.
Meu pai mostrou de canto, enquanto minha mãe bufava, provavelmente frustrada por não ter conseguido resolver a situação antes.
"Filho, você tem jeito com ele. Mais do que imagina."
Revirei os olhos com o comentário do meu pai, mas não pude evitar um pequeno sorriso enquanto olhava para Izuku, que já parecia pronto para tirar mais um cochilo. Provavelmente gastei toda a energia que tinha chorando.
A manhã tinha sido uma bagunça. Depois de tudo, Izuku finalmente estava dormindo de novo, mas eu não conseguia relaxar. Enquanto ele descansava na minha antiga cama, sentado na poltrona da sala dos meus pais, explicava minha preocupação. Não era só o choro histórico que ele tinha dado antes; Era o fato de que parecia que ele só estava realmente bem comigo por perto.
"E quando ele acordou? Quando vê que não estou aqui? Vocês viram o quanto ele chorou. Ele vai acabar passando mal desse jeito, ou sei lá." — Minha mãe, com aquele jeito confiante, deu de ombros.
"Relaxa, pirralho. A gente cuida dele. Já criamos você, lembra? Nada vai dar errado." — Ela disse.
Revirei os olhos. Como se você pudesse comparar meu bebê que mal chorava com a versão daquele nerd que parecia chorar por qualquer coisa. Meu pai, por outro lado, deu um sorriso tranquilo e completo:
"Confia na gente. Se ele sentir sua falta, encontramos uma solução. Faz o que precisa fazer, filho." — Mesmo relutante, apenas concordo.
Depois de garantir que tudo estava na bolsa e expliquei onde estava tudo, voltei para o carro. No caminho até a agência, tentei me concentrar no caminho, mas minha mente continuou voltando para Izuku. Cheguei à agência do Best Jeanist a tempo para a reunião sobre a patrulha do dia. A sala de reuniões estava cheia, com rostos familiares como Kirishima, Todoroki, Jirou, Sero e Tsuyu. Cada um recebeu uma área para vigiar, e acabamos divididos em duplas: eu com o Kirishima, Todoroki com o Sero, e Jirou com o Tsuyu. Nosso objetivo era cobrir bairros considerados perigosos e garantir a segurança. Assim que nos afastamos para iniciar a patrulha, Kirishima me lançou um olhar curioso.
"Ei, Bakubrô, você tá no meio aéreo hoje. Tá tudo bem?" — Questionou ele.
Bufei. Não era como se eu tivesse planejado compartilhar aquilo, mas o olhar insistente dele me venceu. Contei sobre a manhã caótica com Izuku e como ele chorou porque não me seguiu com o uniforme.
"Cara, sério? Ele chorou por isso?" — Ele começou a rir, mas logo parou quando lancei um olhar mortal. "Desculpa, desculpa! Não estou rindo de você, só... é meio engraçado imaginar o Midoriya tão apegado a você assim. Mas, sério, você está cuidando muito bem dele, Bakugou. Dá pra ver que você se preocupa pra caramba. "
Deixei o comentário passar, mesmo que ainda estivesse irritado. Ele tinha razão, de certa forma, eu me preocupava muito com Izuku, mas admiti isso em voz alta era outra história. A patrulha foi tranquila. Nada muito grave aconteceu, e nos reunimos por volta das onze horas para decidir onde almoçar. Entre discussões sobre restaurantes e aparições ocasionais de fãs e paparazzi – que eu, obviamente, ignorei – o grupo decidiu por um restaurante italiano.
Não foi a minha primeira escolha. Massa não era exatamente o tipo de comida que me agradava, mas aceitei a decisão. Porém, antes que eu pudesse sequer entrar no restaurante, meu celular começou a tocar. Quando vi o nome da velha bruxa na tela, meu estômago deu um nó.
"O que foi?"
Do outro lado da linha, ouvi o som do choro estridente do Izuku. Aquilo me atingiu como um soco no estômago. Minha mãe explicou que ele já estava chorando há meia hora e que nada parecia funcionar.
"Você tentou cantar pra ele? Tentou a mamadeira? Brincar?" — Perguntei, jogando todas as opções.
"Katsuki, eu tentei de tudo! Ele só chora mais e mais." — Minha mente começou a correr. Quase considerei usar minhas explosões para ir voando direto pra lá, mas então tive uma ideia.
"Coloca no viva-voz. Deixa o celular perto dele." — Assim que ela fez isso, comecei a falar. Mantive minha voz calma, tentando não transmitir a preocupação que senti. "Ei, Izuku, sou eu. Não precisa chorar, pirralho. Eu estou aqui. Você está ouvindo?"
No começo, ele continuou chorando, mas aos poucos os soluços diminuíram. Ele ouviu minha voz, e aquilo parecia bastar para acalmá-lo. Depois de um tempo, consegui ouvir os sons característicos que ele fazia quando estava feliz. Suspirei, aliviado.
"Pronto, agora tente dar a papinha enquanto eu continuo falando com ele." — Disse.
Minha mãe ouviu a sugestão, e finalmente Izuku parou de chorar completamente. Continuei conversando com ele enquanto entrava no restaurante. Claro, não perdi a chance de dar uma bronca no pequeno.
"Tá me ouvindo, nerd? Você precisa parar de ser tão chorão. Eu não vou a lugar nenhum, entendido?"
Em resposta, ouvi uma risadinha do outro lado, como se ele achasse graça de mim. Só poderia ser uma brincadeira. Depois que minha mãe confirmou que consegui alimentá-lo, desliguei o celular, mais tranquilo. Me juntei ao grupo, e o Sero foi o primeiro a abrir a boca.
"Cara, você realmente tem jeito com crianças. Não imaginava isso de você, Bakugou." — Ele disse. Todoroki concorda com um aceno de cabeça.
"É bom saber que o Izuku está em boas mãos. Você aprendeu muito desde o colégio." — Todoroki disse, com um sorriso quase imperceptível.
Até Jirou e Tsuyu me parabenizaram, enquanto Kirishima insistia que era tudo "incrivelmente másculo". Tentei ignorar os elogios, mas, no fundo, sinto uma pontada de orgulho. O resto do dia foi relativamente tranquilo. Apenas ocorreu um incidente envolvendo uma criança que abriu um buraco no chão do parquinho com a individualidade dela, mas ninguém se feriu gravemente. Resolvemos a situação rapidamente, e antes que eu perceba, o turno havia acabado.
Depois de tomar banho na agência e trocar de roupa, dirigi de volta para a casa dos meus pais. Estava na hora de pegar Izuku nos braços de novo. Por mais irritante que ele pudesse ser, o nerd chorão tinha se tornado a pessoa mais importante na minha vida.
•
A primeira semana com Izuku foi, no mínimo, um caos organizado. Não demorou muito para que o moleque estabelecesse uma rotina por conta própria — e por "rotina", quero dizer: me acordar de forma nada convencional. Cinco da manhã, como um maldito relógio biológico, ele se engatinhava até onde eu estava deitado e se jogava no meu rosto. No começo, eu quase perdi a paciência. Quem é que gosta de ser sufocado por um bebê logo cedo? Mas, com o passar dos dias, acabei por me acostumar. Era irritante, mas... admito que era meio engraçado.
"Moleque, você não pode continuar fazendo isso!" — Eu reclamava, empurrando-o gentilmente para o lado.
Izuku só ria, com aquele sorriso banguela, e balbuciava algo incompreensível. Como eu poderia brigar de verdade com ele? Depois disso, amanhã realmente começava. Preparava meu café da manhã e a mamadeira dele, trocava sua fralda e arrumava a bolsa de bebê. A bolsa tinha tudo que meus pais poderiam precisar durante o dia: fraldas, lenços, roupinhas extras, papinhas e até um brinquedo ou dois. Eu me certificava de que nada faltasse. Colocava meu uniforme de herói e ajeitava o Izuku, já cochilando de novo, na cadeirinha do carro.
A viagem até a casa dos meus pais era tranquila. Izuku dormia o caminho todo. Não tivemos mais problemas por ele não me reconhecer com o uniforme de herói. Meus pais estavam fazendo um ótimo trabalho em cuidar do Izuku enquanto eu ia fazer meu trabalho de herói. Minha mãe teve a ideia de salvar no celular um áudio meu falando com o nerd, e, para minha surpresa, isso funcionou. Quando ele começava a ficar inquieto, ela colocava o áudio, e Izuku se acalmava.
"Você é mesmo o herói dele, Katsuki." — Ela disse, rindo um dia enquanto eu entregava a bolsa. "Ele para tudo quando ouve a sua voz." — Não sabia exatamente como responder a isso. Era estranho, mas reconfortante, saber que ele confiava tanto assim em mim.
Cuidar do Izuku não era tão difícil quanto eu imaginava. Demorei um pouco, mas já sabia identificar os diferentes tipos de choro: fome, fralda suja, cólica, gases, ou apenas birra. Claro, a birra era a que mais me tirava do sério, mas eu dava um jeito.
Quando tinham tempo livre, alguns dos nossos ex-colegas apareciam para visitar. Eles queriam passar tempo com Izuku bebê, e, na maioria das vezes, eu deixava. Apesar de não gosta de tantas pessoas frequentemente visitando a minha casa, como se fosse a casa da mãe Joana. Não havia muito problema nisso, exceto quando era a Uraraka. Ela grudava no moleque como um chiclete, e isso me irritava mais do que eu queria admitir. Sempre dava um jeito de tirá-lo dela.
"Ei, Izuku, vem cá, ta na hora de alimentar você." — Dizia, pegando-o do colo dela.
Izuku, para minha sorte, não parecia se importar. Ele não fazia questão de ficar com ela, o que só reforçava minha superioridade. É claro que Uraraka não gostava, quando eu afastava Izuku dela. A mesma até se oferecia para dar a papinha para ele, mas sempre arrumava um desculpa, como: "Ele não come com qualquer pessoa", "Eu sou melhor nisso", "Ele preferi ficar comigo". Meus comentários sempre enfureciam ela, mas não estava nem aí. O único motivo por qual permitia que ela colocasse os pés em minha casa e ficasse perto do Izuku, foi porque Kirishima e Mina, chamaram minha atenção dizendo que não era legal eu trata-lá mal, já que ela fazia parte dos amigos do Izuku. O Dekusquad...
Puta merda! Esse pessoal não tem ideia melhor? Bakusquad? Dekusquad?
Mas, de todas as visitas, quem realmente me incomodava mais era o Todoroki. Não era que eu tivesse algo contra ele, mas... talvez fosse um pouco de ciúmes. Izuku gostava de ficar no colo dele, o que me irritava mais do que deveria. Todoroki tinha aquele jeito estranho de se expressar, mas sabia chamar a atenção do Izuku com a individualidade dele. Fazia pequenos flocos de neve ou criava formatos com gelo que o moleque adorava. Izuku ficou hipnotizado, com aqueles olhos arregalados de nerd.
"Olha só isso, Katsuki, ele gosta mesmo." — Todoroki disse, com um sorriso discreto enquanto fazia mais uma figurinha de gelo.
Eu não poderia deixar isso barato.
"Ei, nerd, olha aqui!" — Estalei os dedos, fazendo faíscas dançarem no ar.
Izuku imediatamente desviava o olhar do meia a meio e fixava os olhos caídos nas faíscas em minhas mãos. Começava a bater palmas e dar risadinhas animadas, esquecendo completamente do Todoroki.
"Viu só? Ele prefere o meu, que é muito mais impressionante." — Disse. Todoroki só deu de ombros, sem parecer realmente se importa.
"Ele gosta dos dois. Isso é bom. Significa que ele se sente seguro com nos dois." — Bufei, mas, no fundo, sabia que ele estava certo. Mesmo assim, me senti vitorioso ao ver Izuku tão fascinado pelas minhas explosões.
Izuku não era só um bebê normal; ele era aquele mesmo nerd, que ficava impressionado com as individualidades, só que era menor. De algum jeito estranho e meio torto, estávamos nos virando bem juntos.
•
A segunda semana com Izuku estava sendo tranquilo até então. A rotina seguia a mesma: acordar às cinco da manhã com o nerd jogado na minha cara, fazer o café da manhã, dar a mamadeira, preparar a bolsa de bebê do Izuku, e levá-lo para a casa dos meus pais antes de ir para a agência. Nada fora do normal, nada que eu não tivesse me acostumado já. Tudo estava bem, até que chegou o sábado.
Na sexta à noite, coloquei o moleque para dormir como sempre. Depois de uma mamadeira bem cheia, ele apagou rápido, e eu não pensei mais no assunto. Era mais um dia encerrado. Mas, quando acordei no sábado, algo estava diferente.
Muito diferente.
Pela primeira vez desde que a rotina tinha começado, eu despertei sozinho. Não tinha um peso no meu rosto, nem aquele resmungo baixo seguido de risadinhas. Só silêncio. Franzi o cenho e virei para o lado, olhando para o Izuku. Ele ainda estava deitado dormindo, respirando calmamente. Eram cinco e meia da manhã, e ele nem tinha se mexido.
"Ei, nerd..." — Sussurrei, estendendo a mão para mexer nele.
Izuku resmungou baixinho, mas não acordou de verdade. Ele estava mole, como se estivesse exausto, e mesmo quando eu o cutuquei um pouco mais, ele apenas abriu os olhos por um segundo antes de fechar de novo.
Isso não tá certo.
Não tinha tempo para pensar muito sobre isso. O relógio já estava contra mim, e eu tinha que me apressar. Fiz meu café da manhã correndo — mais simples do que o normal — e preparei a mamadeira dele. Quando coloquei Izuku no colo para que ele mamasse, ele parecia tão sonolento que mal conseguia segurar a mamadeira direito.
"Ei, o que tá pegando, hein? Você não é assim, nerd." — Falei, tentando manter a calma enquanto ajustava à posição dele.
Ele mamou um pouco, mas logo largou a mamadeira e encostou a cabeça no meu peito, caindo no sono de novo. Meu estômago revirou, mas continuei seguindo o plano. Enquanto fazia a bolsa dele, olhei para Izuku no sofá. Ele estava tão quieto que quase parecia... estranho. Ele não era o bebê agitado que eu estava habituado. Quando terminei, troquei sua fralda, e ele continuou dormindo. Trocar a fralda de um bebê dormindo era inusitado, mas naquele momento, era apenas mais um detalhe que alimentava a preocupação crescendo dentro de mim.
No carro, Izuku dormiu o caminho inteiro, como sempre. Isso, pelo menos, não era fora do comum. Mas o que realmente me incomodou foi quando cheguei na casa dos meus pais. Tirei a cadeirinha do carro, junto com Izuku, e ele continuou dormindo como se nada tivesse acontecido. Minha mãe apareceu na porta, sorrindo como sempre.
"Bom dia, Katsuki! Já trouxe o pequeno terrorista?" — Suspirei, colocando a cadeirinha no chão.
"Tá estranho hoje, bruxa velha. Ele não acordou até agora." — Ela franziu o cenho, aproximando-se e tocando na testa de Izuku.
"Ele parece quente... Talvez seja só sono, mas vou ficar de olho." — Meu pai apareceu logo atrás dela, olhando curioso. "Não esquenta, garoto. A gente cuida dele. Qualquer coisa, te ligamos." — Ela disse. Mesmo assim, algo não parecia certo.
"Se ele continuar assim, vocês me avisam de verdade. Não quero saber, qualquer mudança, é para vocês me avisar." — Disse totalmente sério.
"Pode deixar, pirralho. Agora vai trabalhar. Ele vai ficar bem."
Naquele dia, na agência, minha cabeça estava em outro lugar. Participei das reuniões, fiz as patrulhas e cumpri minhas obrigações, mas tudo parecia mais difícil. Toda vez que meu celular vibrava no bolso, meu coração acelerava. Eu estava esperando uma ligação, mesmo torcendo para que ela não viesse. Quando finalmente voltei para a casa dos meus pais, o coração estava na garganta. Mal bati na porta, minha mãe já estava lá para abrir.
"E então?" — Falei, a voz mais firme do que eu me sentia por dentro. A velha bruxa suspirou, cruzando os braços.
"Ele teve um pouco de febre à tarde, mas já melhorou. Comeu um pouco, dormiu muito, mas está melhor."
Passei por ela e fui direto para a sala. Lá estava Izuku, preso em um cobertor no sofá. Quando me aproximei e mexi nele, seus olhos se abriram lentamente, e ele estendeu as mãoszinhas para mim, com aquele sorriso fraquinho pequeno e banguela que fez a minha preocupação derreter, mesmo que só um pouco. Peguei-o no colo e suspirei aliviado.
"Você me deixou preocupado, Izuku."— Murmurei, segurando-o contra o peito. Ele balbuciou algo e encostou a cabeça no meu ombro, ainda com sono.
"Acho que ele só precisa de um pouco de descanso extra, Katsuki. Não precisa se preocupar tanto." — Minha mãe disse, colocando a mão no meu ombro.
Assenti, mas a sensação de preocupação ainda estava lá. Eu não gosto de vê-lo assim, tão vulnerável. Era como se ele estivesse tentando me lembrar que, o estado dele não era normal. Me lembrando que ele estava nessa situação por causa da individualidade da vilã que usou seus poderes nele. Eu era o responsável por ele. E isso exigia que, a partir de agora, eu tivesse que redobrar a atenção.
•
Na volta para o apartamento, Izuku continuou dormindo profundamente na cadeirinha do carro. A cada sinal vermelho, eu dava uma olhada rápida para trás, só para ter certeza de que ele estava respirando direito. O moleque estava quente desde cedo, mas agora parecia ainda pior.
Assim que entrei no apartamento, não perdi tempo. Coloquei a cadeirinha com Izuku na sala e fui direto para o banheiro, enchi a banheira com água morna. Ele precisava de um banho para baixar essa febre, e eu também precisava relaxar um pouco depois do dia que tive. Peguei Izuku, ainda dormindo, tirei a roupinha dele com cuidado e entrei na banheira com ele. Ele era tão mole que parecia uma boneca de pano. Apoiei o corpinho dele no meu peito e deixei que a água morna o envolvesse. Depois de alguns minutos, ele abriu os olhos.
"Finalmente acordou, nerd?" — Murmurei, aliviado, enquanto começava a ensaboá-lo com o shampoo de bebê.
Ele não respondeu, é claro, mas tentou erguer a mãozinha na direção da água, soltando um som baixo. Era o máximo de energia que ele conseguia reunir naquele momento. O incômodo cresceu no meu peito. Ele não era assim. Mesmo na forma de bebê, Izuku sempre estava cheio de energia, rindo ou tentando pegar alguma coisa.
Depois de enxaguar o cabelo dele com o chuveirinho, lavei meu próprio corpo rapidamente, saindo da banheira com Izuku no colo. Enrolei-o em uma toalha macia e vesti o pijama dele, um modelo fresquinho com estampa do All Might. Enquanto isso, eu coloquei um short qualquer, sem nem me preocupar em colocar uma camisa.
Na sala, deixei Izuku no tapete felpudo com um DVD antigo do All Might rodando na TV. Era o tipo de coisa que sempre conseguia prender a atenção dele, mesmo que por pouco tempo. Fui para a cozinha preparar algo para comer. O dia tinha sido longo, e eu estava faminto, mas com Izuku daquele jeito, não dava para fazer nada muito elaborado.
Decidir fazer onigiris com recheio de salmão. Era rápido, simples, e pelo menos me daria energia para aguentar o resto da noite. Enquanto o arroz cozinhava, pensei que seria melhor dar o jantar do Izuku primeiro. Peguei uma das papinhas favoritas dele, de frango com legumes, e voltei para a sala. Quando entrei na mesma, o que vi fez meu coração parar por um segundo. Izuku não estava mais sentado. Ele estava deitado no tapete, com os olhos fechados.
"Ei, Izuku!" — Larguei a papinha na mesa de centro e corri até ele.
Peguei-o nos braços, e a sensação quase me fez entrar em pânico. Ele estava quente. Muito quente. Muito mais do que antes. Sua pele parecia febril ao ponto de sentir como se pudesse criar queimaduras em sua pele
"Droga, droga, droga!"
Peguei meu celular e, com os dedos tremendos, disquei para a Recovery Girl. Era quase onze da noite, mas eu não tinha outra opção. Depois de alguns toques, ela atendeu.
"Recovery Girl falando."
"Velha, é o Izuku. Ele tá com febre alta, muito mole, e não para de dormir. Eu não sei o que fazer!" — Ela ficou em silêncio por um momento antes de responder, calma como sempre:
"Fique calmo, jovem Bakugo. Vou até aí imediatamente. Faça o possível para mantê-lo instável enquanto eu chego."
Assim que desliguei a ligação com ela, coloquei Izuku na cama, ajustei o travesseiro e voltei correndo para a cozinha. Tirei o arroz do fogo antes que queimasse, mas comer já não estava nos meus planos. Minha cabeça estava a mil. Pouco depois, ouvi a campainha. Corri até a porta, praticamente voando pelo apartamento.
"Finalmente!" — Abri, esperando ver a Recovery Girl, mas eu parei com Kirishima, carregando uma sacola com lanches e bebidas.
"Ei, Bakubrô! Achei que você poderia estar precisando de companhia—"
"NÃO TEM HORA PIOR PRA ISSO?!" — Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia, mas eu não tinha tempo para me explicar. "Izuku tá com febre alta, Kirishima. Estou esperando a Recovery Girl. Não posso ficar lidando com besteiras agora!" — Kirishima levantou as mãos em sinal de rendição, mas não parecia ofendido.
"Tá, tá, entendi. Relaxa, cara. Não estou aqui pra atrapalhar. Só achei que você estava tenso e precisando de ajuda." — Por um segundo, pensei em manda-lo embora, mas o tom genuíno na voz dele me desarmou.
"Desculpa, Kirishima... É que eu estou surtando aqui. Ele está tão quente que parece que vai queimar." — Kirishima colocou a mão no meu ombro.
"Eu entendo, mano. Vai ficar tudo bem. Você tá fazendo tudo certo. A Recovery Girl tá vindo, e você não tá sozinho nessa." — Respirei fundo, tentando absorver aquelas palavras.
"É melhor ela chegar logo, senão..." — Antes que eu termine, outra batida soou na porta. Dessa vez, era ela. Eu nunca me senti tão aliviado em toda a minha vida. Recovery Girl mal entrou no apartamento e já começou a perguntar: "Onde está o garoto?"
"No meu quarto, velha, mas o que está acontecendo com ele?!" — Perguntei, seguindo-a enquanto ela caminhava rapidamente até o quarto.
Ela não respondeu, apenas balançou a cabeça, o que me deixou ainda mais nervoso. Quando tentei entrar logo atrás dela, Kirishima segurou meu ombro.
"Ei, Bakugo, quer que eu faça alguma coisa? Tipo, buscar remédio para febre dele ou algo assim?"
"Hum... talvez. Mas deixa eu perguntar pra Recovery Girl primeiro. Quero saber o que está acontecendo antes de sair correndo por aí." — Eu ainda estava respondendo quando a voz de Recovery Girl me chamou do quarto.
"Bakugo, venha aqui, por favor!"
Havia algo no tom dela que fez meu coração parar por um segundo. Não era o habitual tom calmo e direto. Soava... tenso. Sem pensar duas vezes, corri para o quarto, com Kirishima logo atrás. Ao chegar na porta, vi Recovery Girl inclinada sobre a cama. Ela bloqueou minha visão do Izuku, então dei alguns passos mais cautelosos, meu coração disparado.
"Velha, o que tá acontecendo? Ele está piorando? — Pergunto, tentando controlar o pânico. Antes que eu conseguisse me aproximar completamente, ela falou sem nem olhar para mim:
"Vai precisar comprar roupas novas e um novo tipo de fralda." — Ela disse. Minha mente travou por um momento.
"Hein? Que diabos você está falando?"
Finalmente consegui dar mais um passo e vi o Izuku. Meus olhos arregalaram, e minha boca se abriu, mas nenhuma palavra saiu de imediato. O pijama dele estava em trapos, rasgado como se ele tivesse crescido dentro dele. A fralda estava completamente despedaçada.
"PUTA MERDA!" — Gritei, incapaz de conter meu choque. Kirishima, que estava logo atrás, se assustou com o meu berro.
"O que foi? O que aconteceu?!" — Ele disse, tentando espiar por cima do meu ombro.
Eu continuo olhando para Izuku, que parecia tão... diferente. Não era mais o bebê pequeno que eu tinha deixado no quarto a poucos minutos. Agora, ele parecia ter...
"Ele cresceu..." — Murmurei, ainda processando o que estava vendendo. Recovery Girl finalmente olhou para mim e confirmou com a maior calma do mundo:
"Isso mesmo. Pelo que vejo, Izuku agora tem cerca de um ano." — Falou. Eu só consegui piscar, tentando entender.
"Como assim?! Ele tinha oito meses a poucos minutos atrás! Isso é... isso é normal?"
"Não é comum, mas também não é exatamente surpreendente, considerando a atual situação dele. Pelo que notei, o corpo de Izuku está sendo influenciado pela individualidade. Parece que ele passou por um crescimento acelerado, e isso explica a febre alta e a letargia. O corpo dele estava trabalhando duro para lidar com as mudanças."
Ela fez mais alguns exames rápidos com seus instrumentos, enquanto eu fiquei parado como um idiota tentando entender tudo aquilo.
"Ele vai ficar bem?" — Falei, mais baixo do que pretendia.
"Sim, não se preocupe. A febre vai diminuir em breve. Vou especificar um xarope para ajudar. Ele provavelmente também sentiu algumas dores de crescimento, mas agora está tudo sob controle." — Kirishima pegou um bloco de notas que parecia ter surgido do nada e começou a anotar tudo o que Recovery Girl dizia.
"Tá, eu compro o xarope. Pode deixar, Bakugo."
"Kirishima..." — Comecei, mas ele apenas deu um sorriso, como sempre.
"Relaxa, cara. É pra isso que servi os amigos, né?" — Ele disse.
Depois que eles saíram do apartamento, voltei para o quarto. Olhei para Izuku, que ainda dormia profundamente por causa da febre. Agora que sabia que ele estava bem, a realidade começou a me atingir.
"Merda... Roupas novas. Fraldas novas. Como diabos eu vou resolver isso no meio da noite?".
Procurei algo no armário que pudesse servir nele. Ele ainda era pequeno, mas agora definitivamente maior do que antes. Encontrei uma camiseta velha minha que parecia pequena o suficiente para improvisar, pelo menos até eu conseguir algo melhor. Cobri Izuku com um lençol e dei um suspiro pesado. Meu olhar caiu sobre ele, e mesmo com toda a confusão, e um quase colapso. Ele ainda era Izuku.
E, acima de tudo, ele estava seguro.
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