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Jogos de Paciência

Summary:

Liderar a Liga dos Vilões nunca foi uma tarefa fácil, mas para Tomura Shigaraki, o maior desafio não são os heróis ou seus planos de dominação. É lidar com a convivência caótica e imprevisível de sua gangue de desajustados.

Notes:

FELIZZZ 2025 PARA TODOS VOCÊS

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: Não negligêncie atenção

Chapter Text

Inicialmente ele não sentiu dor, devia ser o choque e surpresa do ataque repentino. Porém, logo veio o formigamento, a ardência e, por fim, a dor.

Tomura Shigaraki arregalou os olhos enquanto testemunhava o sangue escorrer da ferida em sua mão, formando um pequeno riacho que descia pelo braço do sofá puído da base de operações da Liga dos Vilões. Ele ainda segurava o controle do videogame com a mão intacta, como se seu cérebro estivesse tentando processar o que havia acabado de acontecer.

Seu olhar subiu lentamente, encontrando a fonte do ataque. Himiko Toga estava ajoelhada no sofá ao seu lado, segurando a faca que ainda gotejava o sangue dele, e exibia aquele sorriso inocente e despreocupado que nunca parecia sair de seu rosto.

— MAIS QUE MERDA, TOGA!!! — gritou ele, a voz saindo mais rouca e estrangulada do que pretendia.

Ela inclinou a cabeça, os olhos brilhando como se não tivesse acabado de apunhalar o líder da Liga.

— O que foi? — perguntou, com um tom que oscilava entre a curiosidade genuína e a diversão travessa.

— O que foi?! — ele repetiu, incrédulo, erguendo a mão ferida para que ela pudesse ver o estrago. — Você acabou de me esfaquear!

Toga deu uma risadinha, lambendo os lábios como se estivesse admirando uma obra de arte.

— Bem, você esta muito viciado, Tomura. É chato quando você prefere ficar nesse videogame idiota.

Ele apertou os dentes, sentindo uma nova onda de dor irradiar da ferida. Ele segurou o pulso firmemente, observando o sangue de sua mão que antes pingava no sofa, agora em sua coxa

— Isso não é motivo para me apunhalar! — retrucou, ofegante. — Isso vai sangrar para um caralho

Toga piscou, parecendo genuinamente alegre com sua afirmação.

— Ora, por que você está tão bravo? Eu posso lamber o sangue se quiser, assim não desperdiça nada! — Ela riu de novo, animada.

Shigaraki sentiu sua paciência – algo que ele havia trabalhado arduamente para cultivar – começando a se esvair. Antes de responder, comprimiu a ferida com um pedaço da própria camisa, tentando conter o sangramento.

— Escuta aqui, sua lunática... — começou ele, mas foi interrompido quando um som metálico ecoou pelo cômodo.

O videogame, que ele havia deixado no chão ao lado do sofá, agora estava em pedaços. Dabi, que até então assistia à cena com uma expressão entediada, chutou o console quebrado e deu de ombros.

— Bom, parece que o problema do videogame foi resolvido — comentou ele, com o mesmo tom monótono de quem anuncia o clima do dia.

— Vocês estão tentando me matar de raiva? — gritou Shigaraki, levantando-se de supetão.

Compressa improvisada em uma mão, ele apontou um dedo acusador para Toga com a outra.

— E você! — Ele respirou fundo, tentando controlar o impulso de usar sua individualidade para reduzir o sofá – e talvez Toga junto – a pó. — Você não pode sair esfaqueando as pessoas aqui desse jeito!

Toga pareceu pensar nisso por um momento, então inclinou a cabeça novamente.

— Humm... mas não é como se você fosse morrer disso, né? Eu sei exatamente onde cortar para não acertar nada importante.

Dabi soltou um riso baixo.

— Essa é a sua garota, chefe. Boa sorte lidando com isso.

Shigaraki se virou para ele, lançando um olhar assassino, mas Dabi já estava se afastando, as mãos nos bolsos e o típico ar de desprezo casual.

Voltando a atenção para Toga, Shigaraki se forçou a respirar fundo novamente. Ele tinha que ser adulto. Tinha que ser o líder. Era o que se esperava dele agora.

— Toga, esse não é o ponto — começou, tentando manter a voz calma. — Eu tenho quase certeza quer oque você queira era atenção, mas há outras maneiras de fazer isso, entendeu? Maneiras que não envolvem destruir meu videogamer, facas afiadas e meu sangue no sofá.

Ela piscou novamente, como se estivesse absorvendo suas palavras, e então sorriu amplamente.

— Entendido, então da próxima vez, eu só vou te morde bem forte — Ele franziu o olhar, porém dando um longo suspiro

— Isso... é um começo, eu acho — ele murmurou, exausto.

Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Toga se inclinou para ele, puxando sua mão ferida para mais perto. Ele tentou se afastar, mas ela era surpreendentemente forte para alguém tão pequena.

— O que você está fazendo agora?! — ele exclamou, com os olhos arregalados.

— Limpando a bagunça, oras! — respondeu ela alegremente antes de passar a língua na ferida, ignorando as tentativas desesperadas dele de se desvencilhar.

Shigaraki sentiu um calafrio percorrer sua espinha e finalmente conseguiu puxar a mão de volta.

— ARGH! Não toque em mim!

Toga riu, parecendo genuinamente encantada com a reação dele, e se jogou no sofá ao lado, balançando as pernas como uma criança satisfeita.

Enquanto Shigaraki voltava a cuidar da ferida, com a paciência mais uma vez esticada ao limite, ele se perguntou, não pela primeira vez, como havia acabado cercado por um grupo tão insano.

A porta do cômodo se abriu, e Spinner entrou carregando sacolas de supermercado. Ele olhou para Shigaraki, depois para o sangue no sofá, e finalmente para Toga, que ainda segurava e lambia a faca com um enorme sorriso

— O que eu perdi? — perguntou ele, confuso.

Shigaraki soltou um suspiro longo e cansado. O que fez Spinner balançar a cabeça e ir para a cozinha sem dizer mais nenhuma palavra.

Apos cuidar do ferimento Shigaraki afundou no sofá, sentindo o cansaço finalmente se instalar. Ele sabia que precisava falar com Toga mais tarde sobre limites – talvez até estabelecer algumas regras para o bem-estar de todos. Mas, por enquanto, ele só queria um momento de paz.

Infelizmente, na Liga dos Vilões, isso era pedir demais, principalmente agora que sua única fonte de serotonina e dopamina foi destruído a custo de nada.

Notes:

Espero que tenham gostado :)

Espero ver vocês muito em breve