Chapter Text
Um clima estranho, uma viagem repentina, um descuido sutil; a Aliança Rebelde não deixava nada passar. Roier ainda se perguntava como tudo aquilo aconteceu. Seu pai precisou fazer uma viagem de última hora para um reino vizinho, aliado a eles, diga-se de passagem, para resolver alguns problemas no tratado que tinham. A chuva caía forte, quase como uma tempestade, com um vento intenso de derrubar árvores. Numa curva tênue, entre muitas que existiam em meio às montanhas que faziam parte da trajetória, um estrondo pôde ser ouvido. A carruagem foi derrubada desfiladeiro abaixo por um grupo de quatro pessoas a cavalo, completamente vestidas de branco. Apenas um dos tripulantes da carruagem real sobreviveu; infelizmente, não foi seu pai. No início da queda, Quackity disse ter se enroscado nas árvores e ficado preso ali, uma história que não foi muito bem recebida por todos, mas naquele momento não havia como provar nada contra ou a favor do de cabelos pretos.
Não conseguindo mais ficar no pátio do castelo, vendo todas aquelas pessoas ao redor do corpo sem vida do rei, como formigas ao redor de um cubo de açúcar, resolveu ir ao segundo andar, onde se encontravam os aposentos reais. Caminhar por aqueles corredores agora lhe parecia tão mórbido. As paredes de pedra rústica estavam até mais geladas ao toque. O castelo parecia ter morrido junto com seu líder governante. Uma lágrima insistente desceu.
Chegou à frente do quarto de seu amado pai. A porta estava entreaberta desde o momento em que ele saiu às pressas. Ninguém havia pisado ali desde então. Empurrou a porta com a pouca energia que tinha. Sentia-se tão vazio por dentro. Vagou os olhos pelo aposento luxuoso e belo. Seu pai tinha um incrível bom gosto. Ao lado da porta, havia uma cômoda rústica de madeira escura e brilhosa. Passou a mão por ela e abriu a gaveta. As roupas ainda estavam ali. Fechou a gaveta e deu alguns passos. A cama era do material mais macio da região, com lençóis brancos e uma coberta macia de veludo vermelho. Os travesseiros eram de plumas de ganso. Os quatro cantos da cama tinham pilastras de madeira escura que, em cima, formavam uma espécie de teto feito de tecidos. Sentou-se ali. Ainda podia sentir o cheiro do perfume favorito de seu pai.
Olhou ao lado e viu o criado-mudo com um whisky que provavelmente era mais velho que ele, em cima de uma bandeja redonda de prata. Mas algo lhe intrigou ali. Abaixo do objeto reluzente, era possível ver a ponta de um papel, quase escondido. Deveria pegá-lo? Receoso, puxou-o com cuidado e, ao identificá-lo, viu que era a letra do rei. Se permitiu ler a carta.
Para Roier escrevo esse bilhete...
Meu filho, ultimamente estamos sendo cada vez mais cercados pela Aliança Rebelde. Eles têm obtido cada vez mais informações internas, de dentro da própria corte. Estou escrevendo isso porque sinto que o pior está por vir, e se você está lendo agora, ele realmente veio. Por favor, mantenha a calma e não se esqueça de nada que lhe ensinei ao longo desses anos. Não confie em ninguém que eu mesmo já não confiava. Sei que está sendo difícil, mas eu te amo muito e acredito que você consegue passar por isso. Como minha última ajuda para ti, atrás deste papel, desenhei um mapa que te levará até a única saída para que não aconteça o pior com você. Trata-se de um antigo cavaleiro que defendeu o reino com tudo o que tinha, mas infelizmente tive que afastá-lo por motivos da corte, já que o mesmo causava horror a quem via suas barbaridades. Apesar de tudo, é muito inteligente, leal e um sublime guerreiro. Pode confiar completamente nele, apenas se atente ao seu humor, pois ele pode ser um pouco inconstante...

