Work Text:
O quarto estaria totalmente escuro se não fosse pela luz da lua adentrando pelas enormes janelas. A brisa que vem do mar balança as cortinas suavemente, e, se você fechar os olhos, você consegue ouvir o barulho das ondas batendo na praia. Deitada de barriga pra cima, você vira apenas o rosto para o lado, observando Rafayel respirar profundamente, os enormes — e invejáveis — cílios descansam em suas maçãs do rosto com seus olhos fechados enquanto ele dorme. O perfume naturalmente suave que vem dele normalmente é o suficiente pra te ajudar a dormir, mas hoje algo não está como de costume.
Engolindo o suspiro pra não fazer barulho, você vira o rosto de volta pro teto, encarando o céu noturno pelo teto de vidro novamente. Você já tentou de tudo pra dormir, mas nada parece funcionar. Sinceramente, você já se revirou tanto que nem sabe como não acordou o rapaz ao seu lado ainda.
Como se ensaiado, Rafayel murmura alguma coisa, e você prende a respiração por alguns segundos achando que o acordou, mas ele só se vira e continua a dormir. Olhando pra ele pelo canto de olho, você percebe como agora ele está de costas pra você. O cabelo ondulado e cor de lavanda está apontando para todos os lados, e sua mão quase vai até ele para ajeitar, mas você se segura.
Isso sim o acordaria!
… Provavelmente.
Fazer carinho nos cabelos do Rafayel é algo que você nunca se cansa de fazer, e que nunca falha em te acalmar.
Mas se você for discreta e calma…
Então talvez…
Mordendo o lábio inferior, você se vira o mais devagar e sutilmente possível. Sua mão direita se ajeita embaixo do travesseiro, enquanto a esquerda vai de encontro às mechas lavanda. Um sorriso se forma nos seus lábios instantaneamente e você suspira baixinho aliviada. É como se tudo de repente estivesse finalmente no lugar e fazendo sentido.
Sem nem se dar conta, seu corpo se mexe e se aproxima mais do dele. O calor do corpo de Rafayel te traz paz, o cheiro do shampoo que exala do cabelo dele te acalma, e o toque suave das madeixas nas pontas dos seus dedos te deixam ainda mais relaxada.
A luz da lua te ajuda a conseguir observar os fios macios que passam pela sua mão, deslizando facilmente por entre seus dedos. Como você os enrola ao redor do dedo indicador com delicadeza, sentindo a textura; como ele se solta em um cacho que se desfaz quase completamente logo em seguida — e se você continuar por tempo o suficiente, você sabe que o cacho vai ficar ali.
O movimento é hipnotizante. Prende sua atenção ao mesmo tempo em que faz suas pálpebras ficarem pesadas a cada segundo que passa. O som do mar fica cada vez mais ao fundo, a brisa se torna cada vez mais imperceptível, e a sua respiração se estabiliza. O quarto aos poucos vai escurecendo mais e mais, até que o breu total se instaura quando seus olhos se fecham e não abrem mais. Seus dedos vão parando devagar, ainda emaranhados no suave cabelo do seu amado.
À sua frente, Rafayel faz força para se manter calmo. Ele acordou quando sentiu algo mexendo na cabeça dele, e estava pronto para fazer algum comentário sobre quando ele ouviu seu suspiro de contentamento. Qualquer coisa que ele tivesse pensado em proferir, morreu ali. O Lemurian fechou a boca e ficou o mais quietinho possível, fingindo ainda estar dormindo, enquanto sentia os seus carinhos. As bochechas foram ficando cada vez mais vermelhas, o coração acelerando e esquentando, e o sorriso se formando. Só de pensar que ele te traz essa sensação de amor e paz tanto quanto você traz pra ele, o deixa mais feliz do que você jamais poderia imaginar.
Ele ama ser amado por você e saber que você conta com ele até mesmo quando ele está dormindo e nem faz ideia de que está te ajudando — o enche de orgulho.
O único problema em tudo isso é: como é que ele volta a dormir agora, com o coração batendo assim tão rápido?
Talvez se ele se virar devagar e mexer nos seus cabelos de volta…
