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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2025-02-06
Words:
1,035
Chapters:
1/1
Kudos:
2
Hits:
15

Insuficiente

Summary:

Depois de liderar o grupo a uma experiência de morte eminente, Tav planeja passar a noite enfrentando os seus demônios noturnos e deixando a culpa consumir ela.

Gale não tinha intenções de deixar isso acontecer.

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Eng version on my profile (Not Enough)

Work Text:

A paladina fez questão que todos os seus companheiros ingressaram em suas respectivas cabanas depois da refeição noturna que haviam preparado para concluir o dia. Diferente de outras noites, o clima estava um pouco mais tenso. Enquanto Gale, Astarion e Umbralma conversavam sobre os artefatos, riquezas e bens que tinham acumulado depois de limpar o acampamento goblin, Tav, a denominada líder do grupo, permanecia quieta, olhando para o chão onde os seus pés pisavam. Pés que poderiam não estar mais caminhando caso as coisas não tivessem dado certo mais cedo.

Ela não esperava ser pega de surpresa com um dos líderes tentando fuxicar sua mente através da conexão da larva, acabando num banho de sangue para todos os lados. O desespero de ver seus companheiros cada vez mais feridos enquanto ela levantava, curava a si mesma e corria para cima dos goblins, sem nem esperar a dor das feridas anteriores passarem, ainda assombrava a sua mente perturbada. Tantas coisas haviam acontecido depois da queda do nautiloide mas nada havia mexido tanto com a sua cabeça. A possibilidade de perder e expor à um risco tão desmedido as pessoas que mais confiam nela era o suficiente para fazer o seu estômago embrulhar. Ela já não tinha mais fome, mas permanecia ali para nutrir as aparências. É claro que o incomodo não passava tão despercebido quanto ela almejava, todos estavam mais do que cientes.

Com o passar das horas, cada um de seus companheiros ia em direção à sua própria cabana, deixando por fim a mulher organizando o acampamento, o que insistiu que faria sozinha essa noite. Por mais que estivesse seu a sua armadura característica, ela ainda sentia os ombros pesados, com toda a culpa afundando o seu ser. Em passos lentos e arrastados, ela caminhou até a pequena prainha ao lado do local onde fizeram o acampamento. A lua, mesmo que pintada em uma noite levemente nebulosa, refletia na água perto da areia. Agora, com a fogueira apagada, por sua vez, as estrelas começavam a se apresentar, uma por uma, na paisagem noturna e bela, iluminando o céu com seus pequenos pontos luminosos, criando desenhos que vinham da imaginação da paladina.

Ela sentou-se na areia, sentindo os grãos úmidos emaranhar-se entre seus dedos calejados. Sua mão percorreu o chão, sentindo as impurezas dispostas entre os amarelados farelos secos de terra. A vastidão da noite relembrava ela de todos os erros do dia de hoje e de todos os anteriores. Ela mordeu o lábio, sentindo os pensamentos começarem a afogar ela de novo. Com a sua imprudência, não era a primeira vez que algo assim acontecia, mas nunca de forma tão severa. Ver o desespero no olhar de seus colegas quando ela reativamente atravessou a espada longe pela barriga da sacerdotisa não foi agradável, nem ouvir as reclamações de Astarion e Umbralma depois. Eles ainda estavam deveras machucados, ensanguentados e exaustos quando chegaram ao acampamento para, enfim, descansar. Ela abraçou os joelhos, encostando a cabeça nos mesmos, absorvendo o peso físico de seus pensamentos e preocupações, fazendo seu peito queimar de angústia e sua respiração trancar na garganta. "Como eles podiam confiar nela para liderar o grupo? Eles ainda confiam nela depois de tudo isso?" Muitos questionamentos nebulavam a noite estrelada. Ela afundou o rosto em suas mãos, sentindo o corpo tremulo e a face quente, perto de uma crise com os olhos marejados, assim como o rio a sua frente. O turbilhão dentro de sua cabeça se silenciou repentinamente, assim que ela sentiu a ternura de uma mão encostando lentamente em suas costas. Um toque cuidadoso para não afligi-la.

"Oi, Tav." A voz pronunciou quase em um sussurro. Foi possível sentir a figura se sentar ao seu lado na areia, não muito perto nem muito longe.

O silêncio permaneceu por alguns segundos enquanto a mulher fechava os olhos em um suspiro, uma tentativa de se recompor. "Oi, Gale", ela respondeu no mesmo tom silencioso, com a voz um pouco embargada e trêmula.

"Tudo bem?", o mago questionou, preocupado, depositando a outra mão no ombro dela. "Foi um palpite que você estivesse acordada, mas parece que foi um bom palpite." Ele deu uma singela risada nasalada, antes de soltar um suspiro.

"Não sei", ela respondeu baixinho, desenterrando o rosto das próprias mãos, olhando para o corpo d'água à sua frente, incapaz de encará-lo. "Desculpa", ela admitiu, pegando ele de surpresa.

"Não precisa se desculpar, Tav. Não era a sua intenção criar aquele pandemônio e estamos todos aqui, vivos, não estamos?", ele começou, tentando amenizar as preocupações da amiga. "Eu entendo que você esteja chateada e por favor, tome o seu tempo para se recuperar, podemos continuar outro dia a aventura, mas não deixe isso te matar pro dentro." Ela deitou o rosto no próprio braço, olhando na direção de Gale, deixando ele visualizar seus olhos levemente inchados e uma lágrima solitária escorrendo por sua bochecha e atravessando sua expressão de preocupação. Ele se aproximou mais um pouco e usando a mãos que mantinha em seu braço para secar a gota salgada, seguindo para segurar o seu rosto delicadamente, fazendo que ela fechasse os olhos com o toque. "Não se engane em não achar que você é uma pessoa maravilhosa, Tav. Se você não fosse por você, nenhum de nós estaria por aqui para início de conversa. Não que isso te de um passe livre pra fazer qualquer coisa, é preciso ter cuidado."

Ela deu uma esgueirada pro lado, se jogando no abraço que ele havia deixado oferecido, abraçando o seu tronco com as pernas meio esticadas pela areia. Ele segurou as suas costas, mantendo ela perto e guiando uma mão aos seus cabelos, afagando a sua cabeça. Tav respirou fundo no chamego, inalando o perfume suave dele, com um toque de lavanda. "Vocês não me odeiam?", ela murmurou.

Ouvindo a pergunta, ele puxou ela mais para perto, dando uma apertada no abraço antes de afrouxar novamente. "Não posso falar pelos outros, mas como eu seria capaz de te odiar? Eu teria de ser um louco." Ela permaneceu em silêncio, afundando o rosto em seu pescoço, lágrimas rolando pelos seus olhos e molhando a roupa dele. Ele segurou ela firme em seus braços. Ali ela estava segura.