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Em algum momento de abril de 2013,Benefica - Amapá,18hrs35mins
O outono tinha chegado com força total em Benefica e Vicente percebeu isso muito bem. Ele estava tremendo até os ossos. O homem alto caminhava em direção ao apartamento de Ravi,seu……seu…..amigo? Nem eles sabiam exatamente o que eram mas nutriam sentimentos um pelo outro, e isso era bem nítido. Enquanto lutava contra o frio e a ameaça de chuva persistente no céu,Vicente se viu correndo em direção ao condomínio onde Ravi estava. Ele subiu as escadas até o sexto andar e se depara com a familiar placa de 666 feita a mão pelo ruivo,ele procura pela chave que Ravi normalmente deixa para ele embaixo do tapete e desliza a maçaneta e adentra no aconchegante apartamento. Tudo parecia normal e no exato mesmo lugar que o dono do apartamento deixava.
Vicente achou estranho, toda aquela calmaria parecia muito incomum devido a personalidade de Ravi.
“Ravi? Moranguinho? Você tá em casa?” A voz grossa de Vicente ecoou pelo pequeno apê. Pelo visto o ruivo não havia chegado ainda. E nenhum sinal de vida,nenhuma louça na pia,nenhuma embalagem de comida no chão,e nenhuma roupa…..ah não esquece…tinha um suéter vermelho com listras pretas jogado no sofá,às engrenagens do cérebro de Vicente giraram e decidiram fazer o que era um tanto quanto óbvio.
“Ninguém morre por causa de um suéter roubado, né?” E lá vai Vicente,tirando a blusa um pouco molhada e põem o suéter de Ravi,mas antes que ele consiga colocá-lo em si,ele percebe que algo caiu do suéter,então ele bota o suéter rapidamente e vê o que caiu,era um….ipod? Um ipod que já teve dias melhores,decorado com algumas figurinhas e desenhos feitos a mão. O homem alto pensa um pouco se isso não seria invasão da privacidade de seu companheiro. Mas uma olhadinha nas playlists não mata ninguém,Vicente preza muito no quesito de gosto musical. Era uma das poucas coisas que ele se importava muito quando se tratava de julgar nas pessoas. Então lá vai Vicente ligando o aparelho,ele dá uma olhada em algumas das Playlists de Ravi,ele se surpreende por ver que no fundo o ruivo tem um bom gosto musical…até notar uma Playlist em específico…uma com o seu nome…e com algumas das músicas que Vicente já tinha comentado com Ravi e outras que pelo visto achava que combinava com ele. Sem perceber,Vicente sorria amplamente e até tinha um tom rosado espalhado pelo seu rosto. Ele viu um pouco mais daquela Playlist e matutou o porquê de Ravi ter feito ela. Amigos poderiam ter gostos em comum né? Mas Vicente não pensou daquele jeito,não porque não quis,foi por conta do barulho da maçaneta girando e a porta abrindo que Vicente largou o ipod mais rápido que podia e voltava seu olhar ao outro ser presente no apartamento.
“Oi cabeção. Te liberaram mais cedo hoje?” O homem dos cabelos flamejantes perguntou tentando quebrar o silêncio presente no ambiente.
“É…aí eu vim correndo pra cá. Tava ameaçando chover e eu não curto muito ficar gripado.”
“Entendi ... .e essa roupa aí? Tá tentando roubar meu estilo né? Eu sei que eu sou estiloso, não precisa dizer.” O ruivo riu enquanto observava a cara de bobo de Vicente.
“Na verdade é porque tava muito frio e essa coisa aqui tava dando sopa no sofá.” Ele dá um indício mínimo de um sorriso e observa Ravi cair do seu lado no sofá.
“Eu gostei mais da minha sugestão cabeção….Peraí aquilo ali é o meu ipod? Caralho eu tava achando que tinha perdido essa porra no meio do caminho”
Ele tira seu casaco e põe do seu lado no sofá e se estica para pegar seu ipod.
“Você tem um bom gosto meu bem.” Ele sorri e os buracos nas suas bochechas mostram seus dentes cerrados. Ravi sente que vai explodir a qualquer ao perceber que Vicente viu o ipod dele. O ipod dele. Que tinha uma playlist só sobre Vicente. Só do Vicente. O rosto do ruivo ficou mais vermelho que a cor do seu cabelo enquanto tentava verbalizar alguma coisa. Depois de um longo suspiro,Ravi começa a falar.
“Valeu... .cê viu alguma…Playlist em específico?”
“Eu vi as que tinha ali. Por quê?”
“Todas elas?”
“Tipo isso. Ah…queria te fazer uma pergunta.” Vicente olhou para Ravi,e notou a vermelhidão presente no rosto dele. Ele respira fundo e o questiona.
“Por que tem uma Playlist com o meu nome no seu ipod?”
“ENTÃO VOCÊ OLHOU TUDO VICENTE!”
“Olhei………? Qual é o problema nisso?”
“ESSE TIPO DE COISA É PESSOAL PORRA!”
“Eu só olhei Ravi e de novo, por que isso é um grande problema?”
“VOCÊ…..você não entendeu ainda Vicente?”
Ravi olha incrédulo na direção de Vicente e só vê a cara de paisagem estampada no rosto do mais alto.
“Entender o quê?” Essas são as únicas palavras que saem da boca de Vicente. E não foi a sua melhor escolha.
“MEU DEUS DO CÉU VICENTE! EU GOSTO DE VOCÊ PORRA!”
O cérebro de Vicente começa finalmente a juntar os pontos jogados na sua cara e percebe que até seu rosto está quente. Todo seu corpo está quente na verdade. Ele olha para tudo menos para a direção do ruivo. E Ravi retribui a falta de olhares. O clima dentro do apartamento ficou estranho e diferente. O silêncio se instalou dentro do ambiente por um bom tempo. Então após alguns minutos sem se olharem o ruivo se levanta.
“Quer uma bebida?” Ele pergunta,sem tentar ser muito ríspido e espera uma resposta do outro homem.
“Claro.” Antes mesmo que Ravi conseguisse dar um passo até a cozinha, Vicente puxa seu braço e o faz ficar de frente para ele. Os dois pareciam dois pimentões de tão vermelhos que estavam,à medida que os segundos passavam,as palavras não saiam de sua boca,seu cérebro não conseguia formar uma sequer frase coerente para aquele momento. Até sentir as mãos de Ravi enredando os lados de sua cabeça e o puxando para um beijo meio desleixado mas extremamente apaixonado,o fervor exalava de seus corpos,ao mesmo tempo que se deliciaram com o calor de seus corpos,suas línguas batalhavam por controle. Vicente enrola seus longos braços desenhados ao redor da cintura de Ravi e aprofunda aquele beijo caloroso e vil. Eles continuaram assim até o momento que seus pulmões gritavam por ar. Ofegantes,os dois se entreolham e ficam assim por longos segundos após, Vicente quebra o silêncio presente ali.
“E aquela bebida? Ainda tá de pé?”
“Quem sou eu pra negar uma bebida com você?”
Os dois riem e se abraçam mais um pouco, e minutos depois se encontram colados um no outro no sofá com duas garrafas de cerveja.
A chuva batia lá fora suavemente na janela do apartamento de Ravi,enquanto os dois estavam grudados conectados pelo fone de ouvido no ipod do ruivo,às garrafas vazias enquanto o ambiente ali se tornava mais confortável. O que restava era música e os fones divididos que juntavam os dois.
