Work Text:
O homem nunca pressupõe-se que estaria abaixo desse luar. Havendo mais questões do que respostas, o ser benévolo tolerou uma repreensão enervante sobre uma lua crescente; uma emboscada mascarada como metáfora incoerente, que sua única intenção era causar uma lesão mental. O fascínio pelo o que tem e o que terá, fez o pobre anjo prender-se numa curiosidade poderosa e temerária: ‘turvar sua consciência ou crer que essa era a sinceridade que tanto buscava?’
Um dourado resplandecente possuía uma junção, apaixonadamente, nas marés azuis pastéis; que era alvo em tons pretos de uma lembrança tão remota de histórias, que são repletas de uma humanidade invejável à todos os servidores de Deus; e que há séculos martelava na cabeça do Anjo.
Apesar dos relatos que escutou na sua adolescência — acontecimento esse que o próprio Sunday não sabia como rotular — e, que, de acordo com a criação Dele; atualmente, isso não passava de contos bobos que os pais levavam como uma história de ninar. Tudo isso para que suas crianças cresçam mais fortes, criativas e bondosas. Mas, ele nunca esqueceu quando o primeiro toque de amor puro roçou-se nas pétalas azuis; de uma época carente de rosas carmesim, o seu criador abençoou as futuras produções. Era uma bela história que aos poucos se desvaneceu em seus pensamentos.
O seu rosto parecia parcialmente aéreo. Para quem o conhecia bem, sabia que o homem estava fora de conexão com esse mundo blasfemo, que ele caiu com suas asas doentes de culpa e, agora, incapacitadas de voar; preso no próprio passado, lamentando o que perdeu. E, o que restou para o seu amante foi se preocupar nesse cenário. A criatura, que tanto era chamada de ‘coisa’, entendia suas dores e a sensação de pesar no coração; daquela vontade de reviver o antes para tornar o agora em um futuro novo.
A Morte encostou um dedo na pele suave do homem, que era tão cortante pela temperatura baixa do ambiente, que o assustou. Mors sempre o via como aquelas pinturas caprichosas, aquelas que expressam emoções nunca ditas, que os seres humanos tanto amavam pendurar em suas paredes e contemplar seus minúsculos detalhes. Sunday era uma riqueza da humanidade, uma que ele ia valorizar em toda sua existência; expondo seu amor em papéis obsoletos, que atenciosamente, fazia as deploráveis asinhas abanar como uma resposta ao entusiasmo de ser amado; compor uma sinfonia exclusiva para ele, onde Mors aprendeu que cantar nunca será o seu talento mais predominante; provocar sempre que tem uma oportunidade à sua frente, ou somente, amar cada pedaço que podia alcançar dele em uma de suas noites. No fim, tudo valia a pena quando o assunto era Sunny e o doce amor que Mors nutria por ele.
Sunday sempre que era lembrado dessa afeição mútua, acreditava que o futuro novo que buscava no paraíso, era o sonho que ele desesperadamente não queria; pois, o que ele queria e têm eram os bons abraços e carícias da pessoa que ele menos esperou entrar na sua vida, e que lhe deu a esperança de um novo amanhã.
