Work Text:
______ - A Crisis After Another - ______
Hoje é um novo dia
Por mais uma vez o sol brilha sob a aconchegante Konoha, trazendo luz para os corredores das ruas repleta de moradores seguindo suas devidas rotinas. Pessoas conversando, vendedores anunciando seus produtos, vários jogos de mesa para testar sua sorte e crianças brincando e causando confusão, um dia-a-dia não muito fora do comum que traz vida à vila.
Cellbit, um jovem alto de olhos azuis, vestido em seu uniforme Jōnin e sua bandana com o símbolo de Konoha prendendo seus cabelos loiros e deixando sua franja com uma mecha branca solta, caminha pelas ruas com um rumo em mente: O escritório do Hokage.
Saiu de casa mais cedo do que o de costume, tomando seu precioso tempo pelas animadas e vívidas ruas da vila, vendo todos os tipos de shinobis e civis à sua volta, escutando variados temas de conversa no boca-a-boca da vila, de passo em passo na direção do prédio principal de toda Konoha. Já podia avistar o monumento de homenagem à Hokages passados na distância, rostos esculpidos quase que perfeitamente.
Não morava muito longe dali, na verdade. Quando lhe foi oferecido a oportunidade de morar em uma localidade mais próxima do prédio principal de Konoha, não pensou duas vezes. A praticidade de estar perto quando necessário sobressairia qualquer ponto negativo, se tivesse algum.
Seguindo seu caminho, não consegue evitar desligar seus pensamentos brevemente, parando de sentir cada som do cotidiano ao seu redor, sua mente voltando na conversa que teve com o Hokage na noite anterior, quando o mesmo decidiu o visitar.
____________
- Uma missão? - diz Cellbit, não era comum que missões usuais dos demais Jōnins fossem designadas a ele.
Um ar fresco corria pelas ruas nesta noite, já estava bem tarde, a grande maioria já estava adormecido naquela área, Cellbit sendo um dos poucos a normalmente estar de pé nessas horas, podendo escutar somente o farfalhar de folhas das árvores que haviam próximo dali. Frente a ele havia um homem pálido, um pouco mais baixo que Cellbit, cabelos loiros bem claros que se estendiam até abaixo dos ombros. Ambos se encontravam próximo do quarto onde o mais novo vive, que ficava em um prédio com vários outros quartos.
- Ainda estou aguardando o restante das informações. - Philza arruma as mangas de suas roupas e começa a caminhar. - mas assim que tudo estiver organizado, enviarei você nessa missão.
Cellbit não se importaria em se responsabilizar por uma missão a pedido do Hokage. É isso que ele têm feito desde que Philza o colocou na Anbu, mas até então todas suas missões haviam sido coleta de informações ou, no máximo, resguarda de algum esquadrão em missões mais perigosas. Nunca foi necessário atender missões normalmente passadas às demais equipes shinobis. Já que não costumam ser tão problemáticas, é mais comum enviarem um time de Chunnins para lidarem com a situação.
- Aquelas missões que vocês passam para os ninjas mais novos? - Cellbit cruza os braços. - Philza, essas missões não são "bobinhas" demais? A essa altura você já deve saber que só sirvo para as missões "não convencionais" - Philza se vira em direção à ele em meio a frase, o encarando com um semblante sério, sua aura autoritária trazendo o silêncio à tona. Não pode evitar ficar quieto. Supôs que falou algo que não devia.
Sentia um enorme respeito por Philza, ele foi o responsável por tirá-lo de uma realidade perturbadora, por trazê-lo a Konoha, por recebê-lo debaixo de "suas asas" e por dá-lo um novo objetivo na vida ao colocar na Anbu. Sempre será grato por tudo que Philza fez, e sempre obedeceria o que fosse pedido.
- Você é muito mais que isso, Cellbit. - o mais velho suspira - Não te trouxe a Konoha por suas habilidades, te trouxe pois vi alguém que não teve a chance de viver... Você merece essa chance.
Uma pequena confusão se faz presente no rosto de Cellbit. Está ciente de que talvez não tenha se adaptado à rotina da vila, já que normalmente costuma sair somente para se encontrar com Philza e Baghera, ou para atender os chamados da Anbu, mas não conseguiu compreender como uma missão seria exatamente uma "chance de viver". Talvez Philza não esteja feliz com os resultados de suas missões, talvez ele deva se esforçar mais.
- Eu fiz algo errado?
- O quê? Não, não tem nada de errado, é só que… Se permita viver, Cellbit. Se permita sentir o que a vida tem a oferecer, conhecer pessoas, ver lugares novos. - ele se aproxima, colocando uma das mãos no ombro do mais novo, com um pequeno sorriso no rosto. - Não pense muito nisso. A missão não será difícil, sei que dará conta.
-... Vou dar meu melhor.
- Eu sei que vai. - e assim o Hokage dá suas costas para o mais novo e segue seu caminho pelas ruas de Konoha, deixando um Cellbit pensativo pra trás.
Uma missão…
O leve som da brisa faz companhia aos pensamentos de Cellbit, deixando todos os seus sentidos fluírem enquanto assiste Philza se afastar. Decidiu caminhar em direção ao seu quarto; independente do que fosse, queria estar descansado para amanhã.
Apesar de nunca ter saído em missões "comuns", imaginava que não poderiam ser mais difíceis que seus objetivos da Anbu. Seja lá a missão que estivesse lhe aguardando, não deixaria Philza decepcionado.
____________
Cellbit não reconhece ninguém na portaria do local, talvez tenha visto algum deles pelas ruas, mas foram raras as vezes que precisou ir ao escritório do Hokage. Normalmente ele usa a própria janela do escritório como entrada quando é convocado para missões. Por fim, cumprimenta educadamente os Shinobis que aparecem no seu caminho até o escritório, obviamente o lugar é menos barulhento que o resto da vila, mas ainda sim dá pra sentir uma energia boa e alegre mesmo se tratando de um prédio onde lidam com papelada a assuntos "sérios". Chegando lá, Cellbit dá duas batidas na porta.
- Entre. - disse uma voz familiar. Não era a voz do Hokage, mas Cellbit o reconhece.
- Bom dia, Missa. - disse o mais novo, fechando a porta atrás dele. - Phi- o Hokage me informou que uma missão vai ser repassada pra mim... Onde ele está?
- Ele precisou ir para outra vila junto de um esquadrão para resolver assuntos mais... Administrativos. - Missa não parecia carregar muita certeza no que estava dizendo, possivelmente nem ele tinha total noção da situação - No entanto, ele pediu para que eu ficasse e repassasse as missões para os Chuunins e Jōnins.
Missa se abaixa para abrir uma das gavetas ao seu lado, tirando uma pasta de dentro dela. Abrindo o arquivo, há alguns papéis com uma quantidade notória de texto, talvez tenha sido imaginação mas poderia jurar que escutou Missa susurrar "Puta madre", ele recita:
- O Vale do Lírio tá tendo problemas com a chuva. - O homem fica em silêncio, gesticulando as mãos em descrença e confusão.
- Porra, como é que eu vou parar a natureza? - Uma dúvida genuína é expressada no rosto de Cellbit.
- C-calma calma - Missa gagueja, ele também parecia confuso, o mais velho volta a ler rapidamente o arquivo silenciosamente antes de retomar.
- Está chovendo no Vale do Lírio faz pouco mais de dois meses. - Ele olha pra Cellbit, o mais novo com uma sobrancelha erguida. Ele prossegue - A chuva não parece ser natural para essa época, as plantações estão sendo afetadas e logo pode escalar para uma inundação do vale inteiro.
- Eu gostaria de ajudar... - disse Cellbit descruzando os braços. - Mas eu não sei como EU seria útil nisso, posso dar auxílio mas não parar uma força da natureza.
- Pessoas começaram a desaparecer... - Missa passa sua mão em seus cabelos pretos enquanto suspira. Apontou para umas anotações que estavam no arquivo - O Hokage suspeita de um possível Genjutsu.
E na cabeça de Cellbit, os pontos conectaram. Genjutsu é uma de suas especialidades, identificar um não seria um problema.
- E se não for um Genjutsu?
- Pode ser que algum tipo de criatura esteja envolvida - Missa fecha o arquivo e o guarda na pasta. - E considerando que a situação não chegou em outras vilas, você dá conta!
Missa guarda as pastas na gaveta e se levanta, um sorriso amigável em seu rosto direcionado ao mais novo.
- Ainda mais que você não vai sozinho.
- O quê?
- O Hokage ordenou que você levasse alguém. - Disse enquanto caminhava rumo à porta - Ele não duvida da sua capacidade, mas... Ele não quer ver você sozinho.
A sala permaneceu em silêncio após o som do fechar da porta, restando somente um Cellbit ponderando sobre a parte da missão que não foi mencionada nenhuma vez pelo Hokage na conversa de ontem, que maldade.
O Vale do Lírio... Apesar de não ter ido pessoalmente lá, sabia onde era, estudou os mapas regionais diversas vezes, já sabe apontar alguns lugares de memória, se seguir seu caminho sem parar, deve demorar cerca de 2 dias de viagem.
"E eu que me foda, né?" pensou.
Mesmo acreditando que o pedido do Hokage de obrigatoriamente levar alguém tenha sido quase que infantil, não deixaria de cumprir com o que foi solicitado.
Não desobedeceria nenhuma ordem de Philza, qualquer que ela fosse.
____________
"Se permita viver"
Essa frase ecoava pela sua cabeça enquanto caminhava pela vila. Os variados sons de passos e conversas pairando pelo ar fresco da manhã. De um lado da rua via duas mulheres conversando, compartilhando histórias e rindo, do outro lado via uma criança sorridente mostrando algum tipo de brinquedo para seu pai, pulando de um lado para o outro.
O que é "viver", afinal? Ele respirava, se alimentava, tinha um corpo completamente funcional, seguia rotinas um dia de cada vez.
Apesar de raramente ser enviado para missões realmente perigosas, as missões da Anbu trazem à tona o melhor do seu lado sobrevivente, pondo em teste todas as suas habilidades em prol de conseguir informações para Philza.
Desde que o Hokage resgatou Cellbit e Baghera e os trouxe para Konoha, não se fez mais necessário estar atento aos seus arredores a cada passo que desse, a cada som que escutava, a cada cheiro que sentia, diferente de quando buscava a sobrevivência e somente isso, quando Cellbit precisava estar a par de todos os sons diferentes ou tudo em seu campo de visão, e quando Baghera precisava ter noção total de cada cheiro ao redor deles. Assim passaram boa parte de suas vidas, temendo pelo pior, fazendo o necessário pra sobreviver.
Não é um sentimento que faz falta, mas é tudo o que ele conhecia, sobrevivência.
Se permitir viver parece… confuso, porém fácil, mas é impossível não deixar de ponderar o que de fato o faria viver.
Perdido nos pensamentos, Cellbit se aproxima da entrada de Konoha. Baghera não mora muito longe dali, e se ele precisa levar alguém na missão, quem melhor do que a sobrevivente com quem compartilhou toda sua história até hoje?
Isso era o planejado, até que Cellbit viu outro Jōnin no caminho. Quase a mesma altura que a sua, talvez alguns poucos centímetros mais baixo, a pele levemente bronzeada, usando o mesmo uniforme que o seu, carregando um pergaminho enorme nas costas, cabelos castanhos escuros segurado por uma bandana similar à sua exceto ao fato dela ser bem mais extensa, com as grandes pontas da amarra seguindo o ritmo do vento.
Esse é Roier, sabe bem o seu nome. Apesar de nunca ter tido uma conversa com ele, Cellbit lembra que ele foi uma das primeiras pessoas que viu em Konoha, quando Philza estava dando um "tour" pelo campo onde normalmente todo tipo de ninjas treinam, viu esse mesmo rapaz treinando alguns golpes de Taijutsu em um boneco, o mesmo havia pausado seu treino e se virado para eles quando notou sua presença, logo tinha dado um grande sorriso e os cumprimentou de longe. Quando o Hokage apontou o nome do rapaz, ficou em sua cabeça desde então.
Roier. O mesmo que agora se encontrava conversando com uma mulher de longos cabelos azuis na porta de uma das várias casas dessa rua, rindo de alguma situação que ele decidiu não escutar, é difícil dizer se o Sol da manhã ajudou ou se o sorriso dele que é naturalmente radiante. Esse... É um pensamento um tanto quanto inusitado.
Mas contanto que não seja dito em voz alta. Quem se importa?
Ainda seguindo seu caminho, Cellbit escuta Roier se despedir da garota com quem conversava e, por ventura do destino, acaba cruzando olhares com o outro e por um breve segundo Roier ficou estático, surpreso.
Não deixou de notar que o moreno breviamente o encarou de cima a baixo de forma sutil, mas perceptível aos olhos de um sobrevivente.
Ainda caminhando em direção ao seu destino, Cellbit faz um movimento com a cabeça, uma forma de cumprimento, Roier faz o mesmo e abre espaço para que ele possa passar.
O silêncio parece constrangedor, ouvindo somente os passos de Cellbit. Até que escuta um breve suspiro vindo de Roier e:
-... Oye, eres Cellbit, si?
O mais alto se vira para Roier, evitando expressões, mas inegavelmente surpreso. Ele sabia seu nome? Como?
- O que- AH, sim, sou sim. Cellbit. Prazer.
- Mucho gusto. Mi nombre és-
- Roier, eu sei.
Na esperança de não ter soado como um espírito obsessor, Cellbit estica as mãos para cumprimentar o menor. Felizmente Roier não pareceu perceber o leve desespero ou se importar por ele já saber seu nome e retribuiu o gesto com um sorriso gentil no rosto.
- Oye pero que haces ahí? - não parecía uma pergunta intrusiva, foi curiosidade genuína. - No vives ahí, digo, yo nunca he visto usted por essas áreas.
- Oh, é, tô indo na casa da Baghera, ela mora ali na frente - Cellbit usou o polegar pra apontar sob seus ombros, um apartamento pequeno logo atrás dele. - Preciso falar com ela.
- Ya veo... Pero creo que llegaste tarde. Ella fué con el Hokage en la madrugada. - Roier cruzou os braços enquanto explicava. - És para... és para una mission?
- Ah. - ficou um pouco surpreso em como ele conectou os pontos rápido, ou talvez tenha sido um chute certeiro. - Sim, o Hokage me passou uma missão e eu não posso ir sozinho.
- Y supongo que él sea tu padre - disse brincando.
Tomou um segundo pra pensar no que disse, acabou soando como um filho triste pelo pai não deixar sair pra brincar.
- Não- digo- o Hokage deus as ordens, é uma missão pra duas pessoas.
Escutou uma risada suave de Roier, ele estava rindo dessa tentativa desastrosa de socialização, primeira vez tendo uma conversa civilizada com alguém que não fosse Baghera, Philza ou Missa e as coisas já estão ficando constrangedoras.
- És tuya primera mission, no? Nunca he visto usted con el uniforme. - Roier aponta para a vestimenta de Cellbit. Roupas escuras junto de um colete verde, uniforme comum entre os ninjas mais avançados, Roier também estava vestindo o mesmo uniforme.
- Mais ou menos… É minha primeira missão como Jōnin de Konoha.
Roier o encarou brevemente, pensativo, parecia considerar suas opções.
- Quieres que vaya contigo?
- O que?
Essa pergunta o pegou desprevenido. Sequer conhecia Roier e ele oferece sua companhia para a missão? Não reclamaria de não precisar se preocupar em ter que buscar alguém para ajudar na missão, já que Baghera aparentemente estava indisponível, mas quais as chances dele ter sido a primeira pessoa que ele cruzou caminhos, e ainda sim fazer a oferta de ser sua companhia? O destino parece pregar peças.
- Solo se quieres! Si tienes otra persona para ir contigo, no hay problema-
- Não é isso, mas- calculou que se Roier estava acordado quando viu Baghera saindo além do fato dele também estar de uniforme e equipamentos, era possível que ele já estivesse ocupado. - Você já não está no meio de uma missão?
- Missa me enviou para ajudar Jaiden com algumas coisas - usou sua cabeça para apontar em direção a casa onde a moça de cabelos azuis estava. - mas eu meio que acabei agora mesmo.
- Não quero incomodar, você deve estar cansado.
- No te preocupes, no pasa nada. Pero ya veo, si no quieres mí compania... - disse Roier fazendo bico, fingindo sentir ofendido.
- Não não não não não - balançou os braços freneticamente.
- No no, me ódias, lo sé. - Roier deu as costas.
- Para de drama, não quis dizer isso.
Roier se virou novamente para ele, e cutucou um de seus braços enquanto dizia:
- Entonces dejame ir contigo, pendejo.
Como que isso aconteceu? Até então nunca tinha trocado palavras com Roier, e em questão de minutos já está fazendo brincadeiras como se conhecessem à vidas atrás. Bem, se Baghera não estava em casa, não tinha o porquê de negar a oferta de Roier.
-... Você REALMENTE não se importaria?
- Nope. - disse enquanto balançava a cabeça comicamente
Isso foi rápido. Teve a sensação de que Roier nem pensou muito antes de oferecer ajuda, quem diria que teria a sorte de trombar com alguém prestativo e que parecia gostar de ajudar.
- Certo, vamos juntos. Você tem tudo que precisa com você?
- Si. Listo
- Então vamos.
- Vamonos
Começou a seguir o caminho em direção à saida da vila, logo sentido Roier caminhando ao seu lado. Ele parecia feliz, Cellbit certamente estava.
Deixando as conversas, os sons, os cheiros, tudo para trás. Havia uma diferença gritante entre as ruas bem habitadas e coloridas de Konoha e a vasta floresta verde que os aguardava na saída. O portão sendo um divisor mais que claro para tamanha divergência. Seu novo objetivo estava esperando ser cumprido, e dessa vez, um novo par de passos o acompanhava.
____________
A presença de Roier é... Diferente, pra dizer o mínimo.
Não é que Cellbit seja um antisocial, mas já faz tanto tempo que ele só tem Baghera e Philza o acompanhando, que qualquer pessoa nova ativamente do seu lado causa uma sensação que ele não sentia desde que Philza entrou na sua vida, uma leve tranquilidade e talvez anseio por finalmente conhecer alguém.
É difícil dizer se a sensação vem pela aura amigável de Roier, que apesar das poucas palavras trocadas, não deixa de estar com um grande sorriso no rosto enquanto acompanha seus passos. Ele parece animado, Cellbit se pergunta a origem do ânimo, talvez Roier não costume sair para missões frequentementes, pensou.
Perdido na sua linha de raciocínio, de repente sentiu Roier chocando seu ombro com o dele
- Ey, y la mission? Cual és?
Porra, que burrice. Já estavam há quase uma hora inteira caminhando juntos e sequer percebeu que ele simplesmente não passou as informações da missão pra sua companhia.
Ele ficou em silêncio esse tempo todo? Teve um pouco de pena do Roier, o mesmo foi tão gentil em ofertar sua companhia durante a missão, e acabou por receber 1 hora de silêncio acidental.
- Ah me desculpe Roier! - sua voz acabou saindo mais alta - Eu achei que tivesse falado.
- No te preocupes, wey, todo bien. - Roier parecia tranquilo.
- Bem - Cellbit desacelerou sua caminhada, botando a mão no queixo, se recordando dos detalhes da missão. - Está chovendo no Vale do Lírio já faz mais de um mês, sem parar.
Roier segue o ritmo dos passos de Cellbit, escutando atentamente. Cellbit retorna a falar:
- As chuvas estão ficando cada vez piores e algumas pessoas começaram a desaparecer - Cellbit percebe que Roier o encara com uma sobrancelha levantada, estava atento mas parecia curioso. - E o Hokage suspeita de um Genjutsu.
A expressão de Roier mudou de confusão para surpresa, como se os pontos tivessem conectado.
- Tiene sentido, pero, entiendes bien de Genjutsus?
Outro ponto a ser levantado, Cellbit nunca havia treinado com os demais ninjas de Konoha, nem mesmo nas áreas próprias, toda sua prática vem sido feita com Philza. Faz sentido Roier não saber que tipo de jutsus Cellbit usa. Antes que pudesse responder, Roier retorna:
- Porque te aseguro, no sé una pinche cosa sobre esas chingaderas
Cellbit não pôde deixar de rir.
- Sem problemas - disse com um sorriso no rosto, o ar parecia bem mais leve. - Sim, eu entendo bem de Genjutsu.
- No mames - disse Roier dando uma cotovelada no braço de Cellbit. - Tenemos un especialista en genjutsus en Konoha y yo no lo sabia? Ay. - deu uma risada leve.
- Não sei se diria "especialista", não tive a sorte de ter herdado algum tipo se Genkke Kenkai como o Sharingan - cruzou os braços e colocou uma mão no queixo, esboçando um sorriso metido. - Mas sei bem cuidar do meu nariz.
- Osea que se yo estuver en perigo trapado en un Genjutsu, vás por mi? - uma carinha de cachorro pidão se apoderou do rosto de Roier.
Cellbit deu uma leve risada
- Claro Roier, claro.
É como se seus pensamentos estivessem ficado quietos para dar espaço a conversa, Roier é um cara agradável de se estar por perto.
- Y donde és el Vale del Lírio?
- Fica um pouco longe, depois da vila do Bagre, dependendo do nosso ritmo pode demorar 2 ou 3 dias.
- OYE CULERO Y NO ME DIJISTE?
- O QUE?
- ÉS TUYA PRIMERA MISSION WEY, yo pensé que fuera una mission así de chill no muy lejo de Konoha, - ele não parecia realmente irritado, só pego desprevenido - ni siquiera he trago comida conmigo.
- Eu literalmente perguntei se cê tava pronto
- PERO PENSÉ QUE FUERA "TieNe a tODos tU eQuiPAmeNtoS cOnTIgo?" - disse fazendo uma imitação bem chula da voz de Cellbit - Y no "Listo para caminar POR 3 DIAS?".
Roier tinha um ponto. Mas Cellbit não esperava que Roier fosse se convidar pra vir junto dele nessa missão.
- OK, ok. Me desculpa.
Roier colocou uma de suas mãos na cintura e outra no queixo, pensativo. Fechou os olhos enquanto caminhava, ilustrando algo mentalmente, concentrado.
Seguiram caminhando por alguns segundos em silêncio, até que:
- Ya sé! - estalou os dedos ao afirmar. - Hay una villa que não é muito longe daqui, deve dar para chegar até antes do entardecer. (traduzir depois)
- Uma vila aqui perto? - tentou apontar em seu mapa mental os vilarejos e povoados mais próximos do caminho que seguiam.
- Si. A vila da Petúnia, lá tem vários mercadores, devo conseguir-
- Espera, que? - interrompeu meio a frase - Essa vila fica longe pra caralho!
- No fuiste mi culpa, pendejo! - disse Roier indignado, levantando os braços pro ar.
- Roier, seguir pelo caminho da vila nos atrasaria quase um dia inteiro, essa rota tá fora de questão.
- Não precisaria ir se você tivesse me avisado ANTES.
- Quanto menos paradas fizermos, mais rápido chegamos no Vale do Lírio e acabamos com isso
- Y yo que? Quieres que me muera de hambre?
- Não! Mas não quero perder tempo.
- Por favor, Cellbit - comicamente implorava, com as mãos juntas e fazendo bico, repetindo "por favor por favorzito" várias vezes.
- Fora de questão.
Por mais que uma parte de Cellbit não queira negar nada a Roier, admitia querer chegar o quanto antes no objetivo para o problema não piorar.
- Ya veo como és - Roier parou onde estava, Cellbit segue o caminho mas para quando percebe que o outro ficou pra trás, se vira para Roier e percebe um olhar sombrio cobrindo seu rosto - Entonces...
Roier rapidamente juntou suas mãos, dedos entrelaçado, indicadores e dedo médio de ambas as mãos conectadas. Um jutsu de transformação.
- OIROKE NO JUTSU!
- QU- nem sequer teve tempo de reagir, em questão de segundos as nuvens do jutsu cobriram Roier por inteiro
Silêncio tomou conta do local, o que caralhos o Roier fez, de TANTOS JUTSUS que existem, ESSE teve que ser o primeiro que viu Roier executando?
Com as nuvens ainda o cobrindo, podia ver sua silhueta, estava sem palavras.
~ Cellbiiit - uma voz feminina emanou da nuvem, que estava começando a se dissipar.
-Ai não
Da nuvem se revelou uma jovem mulher de longos cabelos castanhos, seios fartos, olhos penetrantes, uma roupa vermelha valorizando seus traços.
- Vaamoos Cellbit - disse com uma voz chorosa
- Que porra- estava sem palavras, não pelo resultado do jutsu, mas por tamanha falta de vergonha.
- Vamonos a la vila, Cellbit - se aproximou e abraçou um de braços. - no vás a dejar una chica morir de hambre, si? Vamonos...
- Roier.
- POR FAVOR, POR FAVORZINHO - apertava seu braço desesperadamente. Ele parecia mesmo investido na personagem.
- Roier mE SOLTA - balançou o braço na expectativa de fazer Roier largar o seu braço.
- NO HASTA QUE DIGAS QUE VAMOS A LA VILA. - como se não fosse impossível, a moça apertou ainda mais seu braço, fechando os olhos e choramingando.
- ROIER
A moça não soltou seus braços, mas parou de se espernear e deu um suspiro.
- Está bien, está bien, Cellbit
E ainda segurando seu braço, a transformação se desfaz em uma nuvem de fumaça, revelando novamente o Roier em sua forma original.
- Ah - suspirou Roier. - Que aburrido, Cellbit.
Fazendo um biquinho nem um pouco dramático, Roier por fim largou o braço de Cellbit. Estranhamente, o calor fez falta.
- Ousadia sua usar esse jutsu - voltou a guiar o caminho - Logo em mim?
Por mais que a transformação fosse uma bela mulher (céus, ele não é cego), Cellbit sabe que transformações desse tipo costumam não surtir efeito. Não por levar todo o seu trabalho tão a sério a ponto de não pensar em brincadeiras desse naipe... Mas simplesmente por:
- No te gustan las mujeres, eh? - deu uma risadinha brincalhona
- Não - respondeu sem perceber no que havia dito.
- Que?
- Quê?
Ignorou completamente o olhar de Roier e voltou a seguir seu rumo como se nada tivesse acontecido, olhando para todos os lados como se houvesse algo além de árvores no caminho. Internamente, sente que se todo esse drama tivesse sido feito sem o jutsu de transformação, Roier teria atingido outro resultado.
- Cellbi-
- Vamos! - sua voz saiu quebrada, quase desesperada.
Escutou Roier dar um suspiro, mas logo sentiu a presença do mesmo retornando ao seu lado, caminhando juntos novamente.
Andaram silenciosamente por poucos minutos até que encontraram uma bifurcação em seu caminho, com Cellbit liderando e tomando o caminho esquerdo sem pensar muito, Roier ficou pra trás
- Cellbit? - mesmo chamando por seu nome, continuou seguindo o caminho. Apontou para o caminho da direção oposta em que Cellbit ia. - La vila do Bagre está más allá.
- Vamos, Roier - parou de caminhar e o olhou por cima de seus ombros. - Se chegarmos tarde as lojas estarão fechadas.
Viu os olhos de Roier brilharem como se ele estivesse presenciando uma divindade, dando um sorriso que cegaria até mesmo o Sol. Rapidamente se pôs ao lado de Cellbit novamente, um lugar que parecia estar virando costume.
- Oye, entonces sí te convenci con-
- Roier eu juro POR TUDO QUE É SAGRADO-
E então os risos de Roier tomou conta da conversa e em segundos a risada de ambos ecoavam pelas árvores, como se o ar fresco do dia não pudesse ficar mais leve do que já estava. E assim, seguiram seu caminho.
____________
A vila da Petúnia não parecia ser pequena, mas também estava longe de ser grandiosa como Konoha. Apesar de saber a localização, Cellbit nunca havia visitado a vila, seu conhecimento sendo limitado apenas aos mapas que estudou.
Os céus já estavam escurecendo aos poucos e em breve daria espaço para a chegada da lua, é de se surpreender que a vila pareça bem acordada, ainda mais considerando que vilas menores costumam encerrar suas atividades antes da noite chegar.
- Você tem certeza de que tem uma pousada por aqui, certo?
- Si
- Ok, depois de terminarmos suas compras, vamos passar a noite aqui.
- Entendido - disse enquanto tomava a frente do caminho - Vamonos.
Para sua surpresa, haviam muitos mercadores vendendo seus produtos, alguns vendiam doces, outros vendiam peixe assado, e pôde jurar que viu uma lojinha com algum anúncio pendurado de lámen e outros pratos. Parecia uma cidade vívida, não muito diferente de Konoha, com vários cheiros e sons acontecendo ao mesmo tempo.
Continuou seguindo Roier até que o mesmo entrasse em uma lojinha, e entrando nela se deparou com um lugar aconchegante, com variados produtos, desde frutas e salgadinhos até papéis utilizados para realizar selamentos.
A vendedora os recebeu sorrindo junto de uma pequena saudação. Roier a cumprimentou de volta e partiu em direção aos produtos, cada prateleira com alguns números nos produtos, parecendo saber exatamente o que buscava.
- Pronto vuelvo
Cellbit assentiu e ficou ao lado de uma das bancadas com produtos, olhando ao redor, mas sem muita intenção de comprar nada.
- Precisando de alguma coisa, senhor? - escutou a jovem moça o dirigir a palavra.
- Ah, não, obrigado. - levantou as mãos como se estivesse pedindo desculpas - Só estou aguardando.
- Caso precise de algo, me avise, me chamo Maya. O senhor é amigo do Roier?
- Ah, bem-
- SI - escutaram Roier gritar em algum canto da loja
A vendedora soltou uma leve risada acompanhada de Cellbit, ambos se viram para dar continuidade:
- A senhora o conhece?
- Ele já veio aqui algumas poucas vezes - disse Maya apoiando o braço em uma das arquibancadas. - As vezes meu pai ou minha avó o atendem… não costumamos conversar, mas é difícil esquecer um ninja de Konoha.
"Difícil esquecer esse ninja de Konoha", pensou. Não sabia apontar bem o motivo, mas de fato era bem difícil esquecer de Roier, desde que o viu pela primeira vez, guardou seu nome com precisão. Talvez a aura amigável dele fosse a razão.
Escutaram Roier se aproximando da bancada, onde ambos estavam, com variados produtos em mãos, frutas, bebidas e também algumas comidas prontas como onigiris, que não perecem rápido.
- Tá levando comida pra você ou pra um batalhão? - ergueu uma sobrancelha dando um sorrisinho bobo, Maya tapou a boca com uma das mãos, escondendo uma leve risada
- Vamos CAMINANDO hasta la puta que parió, que queda a casi 3 dias de ahíi - gesticulou com as mãos, apontando onde a "puta que pariu" fica. - Me sorprende que no lleves a menos una caja de suministros, no comes?
- Já tô acostumado
- eh? - foi dito em unison por Roier e pela vendedora. Ambos comicamente estáticos.
- AH, NÃO PENSE ASSIM. - Levantou suas mãos como se estivesse se desculpando. - É que eu costumava andar por bastante tempo com a Baghera, às vezes por dias, sempre medimos bem os recursos pra não faltar.
Os dois continuaram encarando, como se o que tivesse saído da boca de Cellbit tivesse sido o maior absurdo que escutaram.
- Eso no mejora mucho las cosas ni de pedo - disse Roier com a vendedora a seu lado balançando a cabeça freneticamente.
- Oh, hah - soltou uma risada bem fraca e forçada. - Bem, vamos então?
Cellbit se aproximou da vendedora, que tinha acabado de embalar as compras, e a entregou os yens necessários para a compra. Sabia que o valor estava certo, fez os cálculos, viu os preços de longe e somou ao valor total a cada item que Roier tomava em mãos. E antes que o outro pudesse questionar, tomou uma das sacolas que a moça havia acabado de colocar sobre a bancada, e entregou a outra para Roier.
- Ah-Obrigada! Tenham uma ótima noite! - como se ela por fim tivesse acordado pra vida, a vendedora substitui sua expressão chocada por um sorriso amigável, e se despede dos dois homens que agora saem de sua loja.
Deixando o mercado para trás e voltando para as ruas da vila, pode perceber que os variados sons, luzes e cheiros haviam diminuído, mesmo que minimamente. Em breve a vila estaria encerrando suas atividades pelo dia. Sentiu Roier se aproximando
- Não precisava ter pago - disse em uma voz baixa.
- Você estar sem seus suprimentos… meio que foi culpa minha - deu um sorriso
- Obviamente. Pero, gracias.
____________
Um silêncio cômodo se instaurou entre os dois, com Roier tomando a liderança do caminho novamente, aos poucos se afastando da comoção da vila, deixando as conversas cotidianas para trás, levando-o pelas ruas até que chegaram ao que parecia ser um casebre bem grande.
A área era bem arborizada, com uma parede de bambu rodeando o casebre, parecia ser uma pousada com saunas naturais.
- Ahí quedaremos
Cellbit assentiu com a cabeça e seguiu Roier até a entrada da pousada, na primeira entrada encontraram um homem atrás de uma bancada, um pequeno gato deitado próximo à ele, o senhor os recebeu com um sorriso no rosto e diz:
- Bem-vindos à nossa pousada!
Ambos o cumprimentam de volta, Roier se vira para Cellbit e o entrega a outra sacola de papel que segurava seus produtos.
- Pagó por mi cosas, entonces dejame pagar por la estadía.
- Se é isso que deseja, à vontade.
Cellbit viu Roier se aproximar do homem mais velho, se aproximou deles para colocar ambas as sacolas sob a bancada, e, com as mãos livres, foi acariciar o gato que estava deitado.
Era um gato amarelado com algumas manchas brancas espalhadas pelo corpo, parecia apreciar o carinho, podendo escutar ronronando enquanto pacificamente descansava.
Roier agradeceu ao senhor e pôde escutar Cellbit dizendo "Gatinho. Que fofo" bem baixinho, quase imperceptível, enquanto acariciava o gato.
Olhando bem, a pelagem do gato o faz ser bastante similar a Cellbit, uma das manchas brancas ficando exatamente do mesmo lado da mecha clara de Cellbit. Não se importaria em ficar aqui na recepção com o gatinho, independente de qual fosse, mas precisariam partir cedo, Roier se aproximou de Cellbit.
- Vamonos - disse pegando uma das sacolas de papel.
- Mm hmm - pela última vez passou a mão no gato, que acordou com a súbita falta de carinho, pegou a sacola restante e seguiu Roier.
Apesar dos ventos um pouco mais gélidos da noite terem se apoderado da cidade, o casebre se manteve bem aquecido, com o calor das saunas aconchegando quem quer que estivesse passando a noite na mesma pousada.
Mais alguns passos e logo chegaram ao seu local de descanso, arrastaram a porta para o lado revelando um "quarto" comum desses casebres, com um grande tatame pelo chão, um lugar para colocar os calçados, uma mesinha em um dos cantos da sala e alguns armários com toalhas dentro, um quartinho pequeno, próprio para passar a noite e não muito mais que isso.
Roier adentrou no quarto, já colocando a sacola em um dos cantos e retirando seu calçado.
Cellbit permaneceu na entrada do quarto, olhando ao redor enquanto Roier caminhava.
-... Você pediu UM quarto?
- Pues obvio, eses cuartos con saunas son bien caros.
- E… por que precisamos de um quarto com sauna se são caros?
- ¿Por qué quiero usar la sauna? Quiero relajarme un poco… ocupo una ducha y, sinceramente, tú también.
- QUE?
- Cellbit, hueles a culo-
- EU NÃO TÔ FEDENDO
- COMO NO SI CAMINAMOS POR HORAS PENDEJO
Cellbit por fim entra no quarto, colocando a sacola ao lado de onde a outra se encontrava. Puxou parte de seu uniforme para perto do nariz, ele já esteve mais cheiroso, mas não tava desastroso.
- Apestas, puedo sentirlo desde aquí.
- Teu cu, podia estar pior
- Bueno. Voy a aprovechar el sauna y darme una ducha - pegou uma das toalhas disponíveis - Y puedo estar equivocado, pero creo que los mosquitos que te rodean no son de Bōsui no Jin.
Não tinham mosquitos ali, mas, deixou ele ter a liberdade poética de ser um palhaço.
Roier passou por Cellbit e caminhou até a saída do quarto com um par de toalhas nos ombros. Cellbit encarou o quarto vazio por um breve momento, e logo tirou seus calçados e pegou um par de toalhas para si, seguindo na mesma direção que Roier caminhava. Já que estava pago, o mínimo que podia fazer é aproveitar.
____________
Após passarem um tempo agradável na sauna e tomarem um banho, ambos se encontravam de volta ao quarto. Apesar das circunstâncias, a sauna não foi nem um pouco constrangedora, frequentemente trocavam piadas, jogavam água nos rostos um do outro, Roier até mesmo fez uma tentativa em afogar Cellbit, entre outras brincadeiras.
Estavam organizando as compras de Roier nos bolsos do alforje que envolvia seu pergaminho, ambos usando roupas mais confortáveis e aeradas para que pudessem dormir sem desconforto. Roier usando uma camiseta vermelha acompanhado de uma bermuda escura, enquanto Cellbit usa uma grande camisa preta, junto de calças da mesma cor. Ambos seus uniformes e bandanas dobrados e deixados próximo à seus equipamentos.
Colocaram a mesinha no centro do quarto e retiraram dois copos que antes estavam guardados próximo as toalhas para por sobre a mesa. Roier os serviu com uma das bebidas que havia comprado mais cedo, chá mate.
Sentados, em lados opostos da mesa, frente a frente.
Com seu copo em mãos, Cellbit encara a bebida por alguns segundos.
- Desculpa por ter sido um pouco relutante em alterar a rota.
- Nah, no te preocupes. - Deu um gole no chá e se virou para Cellbit. - Pero, tengo una duda
- Sim?
- ¿Por qué el Hokage te enviaría a una misión como esa?
- Não sei responder isso, pra ser sincero
- Cuando te vi de uniforme pensé que era tu primera misión, ni siquiera me preocupé mucho por los suministros. Supuse que sería una misión de nivel Chuunin y que no tomaría mucho tiempo.
Agora a oferta de Roier fez um pouco mais de sentido. Missões de classes mais baixas não costumam oferecer problemas, normalmente sendo para ajudar moradores com tarefas diárias ou missões que não exigem um nível de habilidade muito grande.
- Apesar de ser minha primeira missão como Jōnin de Konoha, tá longe de ser minha primeira vez em campo
Cellbit preferiu não afundar muito no assunto por hora, a sauna trouxe à tona todo o cansaço do seu corpo, admitiu estar sonolento, e Roier não parecia diferente.
- Ya veo… PERO, la próxima vez dime cuál es la misión primero que nada - deu um último gole em seu chá e começou a se levantar - Ahora ayúdame, saquemos esto de aquí y vayamos a dormir un poco
Cellbit assentiu e se levantou também, retirando os copos da mesa e pegando os colchonetes para se prepararem para por fim descansarem. O quarto não era muito grande, mas haviam dois colchonetes guardados e espaço o bastante para ficarem confortáveis sem meterem o pé na cara do outro enquanto dormiam
Se deitaram em seus devidos colchonetes, relaxando seus corpos e os permitindo desligar seus sentidos brevemente. Por fim abraçando a penumbra e o silêncio da noite.
- Buenas noches, Cellbit.
"Próxima vez", hein?... Poderia se acostumar com essa ideia.
- Boa noite, Roier.
E após todos esses anos onde a necessidade de sobrevivência foi seu único objetivo, sua mente começa a vagar livremente e Cellbit se permite descansar por essa noite.
____________
Ao poucos Cellbit começou a ligar todos os seus sentidos novamente, escutando os sons de pássaros na distância, e ainda com os olhos semi-fechados pôde ver que o quarto já estava começando a se iluminar com a luz do nascer do Sol, mas acima de tudo, sentiu um peso sobre seu corpo, e por fim se forçou a abrir o olhos.
A perna de Roier estava sobre sua barriga. Analisando melhor a situação, estava todo esticado no chão, um braço pra um lado, a perna pro outro, ele estava completamente fora do seu tatame e sinceramente não consegue nem pensar em como alguém acaba numa posição dessa. Baghera também costuma se mexer bastante durante a noite, mas isso tá em outro nível de desconforto.
- Ei - Cellbit cochichou. - psst, acorda.
- Nmmasincmmm…
- Que?
Roier estava em um sono profundo, o que é surpreendente considerando a posição que ele se encontra. Se não estivessem em missão, não se importaria em deixar Roier dormindo, mas o Sol já está chegando e eles precisam partir o quanto antes.
- Roier, - se sentou e começou a balançar a perna que agora estava no seu colo. - Acorda, vamos.
O outro começou a se mexer levemente, mas não parecia ter intenções de se levantar. Observou a perna de Roier que estava sob seu corpo, e deu um pequeno beliscão nela.
- AH,- ele rapidamente se levantou no susto e se virou pra Cellbit. - CULERO HIJODEPUTA
- Pronto, acordado.
- ¿POR QUÉ EL NIP, WEY?
- Cê que jogou essa sua perna em mim, só aproveitei pra te acordar
Roier começa a olhar os arredores, percebendo que estava um "pouco" fora do tatame em que dormia e que, de fato, acidentalmente jogou uma das pernas por cima de Cellbit enquanto estava perdido em seus sonhos.
- Como é que você dorme assim?
- Yo? ¿Cómo es que TÚ duermes todo estático? Se via como un pinche cadáver. No se movió por nada
- Costume, eu acho… Pera aí, você me viu dormindo?
-...no.
- ENTÃO FOI VOCÊ QUE SENTI ME OBSERVANDO-
- Yo había perdido el sueño y no quería hacer ruido para no despertarte, ¿qué querías que hiciera?
Cellbit o olhou com uma expressão neutra, a sensação que teve enquanto dormia foi momentânea, era bem possível que Roier realmente só tinha perdido o sono. Sentiu um pouco de alívio ao saber que a sensação veio pelo Roier e não de alguém observando na surdina esperando a chance de matar Cellbit. Seria uma situação extrema, mas não impossível, ao menos era assim que pensava.
- Justo, não vou julgar. - Decidiu se conformar com a situação e logo ficou de pé. - Vamos, ainda temos um caminho longo pela frente.
Roier assentiu e se levantou de onde estava. Com o quarto tomado pelo silêncio, ambos se preparavam para o dia que estava por vir, vestindo seus uniformes e bandanas, guardando equipamentos e suprimentos em seus devidos lugares, e por fim colocando seus calçados que haviam sido deixados próximo a entrada na noite anterior.
Cellbit abre a porta do quarto e pela primeira vez no dia sente a brisa gélida da madrugada. A manhã não havia chegado ainda, mas o Sol se aproximava, já podendo ver os céus tomando um leve tom alaranjado.
Hoje é um novo dia.
Os dois seguem seu caminho para fora da pousada. Por já estar tudo pago, não houve necessidade de esperarem pelo senhor, saindo logo de cara e tomando seu caminho pela vila.
É até um pouco estranho ver a vila tão deserta depois da comoção de ontem, mas o horário era realmente mais cedo do que a maioria está acostumado, mesmo para os que trabalham pela manhã.
Seguiram caminhando pelas ruas vazias, sendo acompanhados apenas pelos sons de seus próprios passos e da ventania que dava um pequeno arrepio nas costas. Com a falta de pessoas nas ruas, não tardaram muito em chegar na saída da vila, com o vasto caminho de árvores verdes os recebendo de volta.
E assim, mais uma vez se encontram no caminho em direção ao seu objetivo principal. Roier se coloca ao lado de Cellbit novamente, e juntos começam a caminhar.
____________
A primeira hora caminhando foi de puro silêncio, não pela falta do que conversar ou desconforto, mas ainda estavam "acordando" aos poucos, recuperando os sentidos e consciência a cada passo que davam. Porém não demorou muito para Roier tirar 2 frutas de um dos seus compartimentos e esticar uma de suas mãos para que Cellbit pegasse uma das frutas.
"Heh, então foi por isso que ele pegou tanta comida" era o que pensava enquanto pegava a fruta da mão de Roier.
- Obrigado - disse enquanto dava uma mordida.
- De nada. De hecho pagaste por todo esto - soltou uma pequena risada, também dando uma mordida em sua própria fruta.
O sol já se fazia presente nos céus e precisam admitir, essa manhã está mais quente do que ontem. Não chega a ser insuportável, mas considerando que dessa vez irão passar o dia inteiro caminhando, não seria tão agradável.
- Posso te fazer uma pergunta? - disse Cellbit, cansado do silêncio.
- Ya has hecho - deu uma leve risada. - Pero si.
- Ontem, você achou que o Hokage tinha me passado uma missão fácil, mesmo quando nós dois somos Jōnins… Que tipo de missão você faz?
- Ah, bueno, Missa es quién me da las misiones normalmente, puede varias un poco pero la mayoría son dentro de Konoha.
- Não sabia que Konoha poderia ser… problemática
- Y no lo es, suele ser ayuda para los vecinos o alguna ayuda pública para las escuelas o monumentos del pueblo.
- Não é um pouco de desperdício chamar um ninja como você pra tarefas básicas assim?
- La mayoría de los Jōnin no suelen hacer esto... Pero o lo hago o sigo entrenando.
- E não é cansativo?
- Nah, me gusta andar por ahí, me hace sentir útil.
A última frase atingiu Cellbit. Poderia estar assumindo demais, ou tendo uma impressão bem errada, mas escutar que Roier trabalha seu corpo inteiro até se cansar só para que possa se sentir "útil" fez com que Cellbit sentisse uma pequena alfinetada em seu coração.
- Oye que cara es esa. - Deu uma pequena cotovelada em Cellbit enquanto ria. - No estoy matándome con el trabajo, es divertido, a veces termino metiéndome en un lío que trae esa descarga de adrenalina que te hace sentir vivo. Como dije, solo quiero ser útil.
Apesar da leve preocupação, Cellbit devolve o sorriso.
- E está sendo. - olhou diretamente para Roier. - Obrigado por me acompanhar.
- Ey, no perdería esta oportunidad por nada.
Passaram mais um tempo andando sobre o chão de terra que se estenderia pelo caminho todo, escutando o sons de pássaros e alguns outros animais escondidos na mata, e logo então sentiram uma leve brisa fresca e Roier pôde ver um vasto rio próximo a eles, um rio tão azul que poderia competir com os olhos de Cellbit, mas à essa altura já sabia qual era mais profundo.
- Cellbit, este río de aquí…
- Ah, sim! Eu lembro de ter visto ele no mapa.
Não chegou a estudar a hidrografia desse rio, na verdade de rio nenhum. Então sabia que o rio existe, mas não sabe onde deságua. Prosseguiu:
- Ele é bem grande e extenso, então ao menos teremos uma bela vista enquanto caminhamos. - Disse Cellbit, como se não tivesse aproveitando a bela vista que sua companhia fornecia desde que saíram de Konoha.
- Crees que podríamos ser más rápidos en barco? - Roier ia em direção ao rio.
- De barco? - Cellbit o acompanhou logo em seguida. - Não tem vilarejos aqui, onde arrumaríamos um barc-
Acabou por ter sua frase cortada ao ver Roier dando um salto em direção ao rio, tão alto quanto as árvores que os rodeavam, rapidamente puxou o pergaminho em suas costas e o abriu, revelando vários símbolos de invocação, dentre eles os kanjis 帆船.
Foi tudo tão rápido e ainda sim Cellbit não pôde evitar estar maravilhado, olhos brilhando ao ver um barco veleiro sendo invocado no ar. E apesar de ter passado segundos, jurou que viu cada momento em slow motion, a invocação sendo feita, Roier caindo perfeitamente em cima do barco antes mesmo que ele chegasse na água. Nunca viu um usuário de Fuuinjutsu antes, mas tinha certeza de que uma maestria dessa, junto do tempo impressionante de reação, não era facilmente adquirida.
Céus, ele é incrível, e nem sequer chegou a vê-lo em batalha.
Talvez suas batidas tenham perdido o compasso.
Em cima do barco, Roier não deixou de perceber a reação que causou no outro, parecia estático. Tomando as cordas e preparando as velas, se vira para Cellbit com um sorriso metido no rosto.
- No te vas a subir?
Cellbit recupera os sentidos, assentiu com um sorriso no rosto, concentrou o chakra nos pés e correu sobre a água em direção ao veleiro, pulando sobre o mesmo e caindo ao lado de Roier, pegando algumas cordas e ajudando com as velas. O barco zarpando assim que Cellbit pôs seus pés nele.
- Como você conseguiu um veleiro? - Gritou, ainda com um grande sorriso no rosto.
- En una de mis misiones - gritou de volta. - Un pescador me regaló uno de sus barcos.
Roier começou a rir enquanto contava.
- No sabía dónde poner esta mierda, pero no quería negar el regalo, así que - ele dá uns pequenos tapas no pergaminho em suas costas. - Ensillé el velero.
- Que conveniente. - ergueu uma das sobrancelhas, não tirando o riso do rosto.
- Te lo juro, este es el único objeto inusual en mi arsenal.
Felizmente a natureza pareceu trabalhar a favor dos dois, trazendo ventos que tornou a navegação do veleiro pelos rios bem mais veloz, era bem mais rápido do que irem andando e bem menos cansativo do que irem correndo. Nessa velocidade, deveriam conseguir cortar algumas horas de viagem.
- Eu não tenho ideia de como manejar esse treco
- Neta, yo tampoco.
Mexiam nas cordas e na vela sem muita noção do que estava sendo feito, mas parecia estar funcionando.
- ¿Sabes dónde está nuestra parada?
-Eu não lembro bem a exata rota do rio no mapa - Cellbit se sentou, fechando os olhos e colocando a mão no queixo, tentando recordar o mapa mental que fez. - Só lembro que o rio segue um caminho mais estreito e depois se expande de repente, nossa parada é aí. Depois seguiremos o resto do caminho a pé.
- Entendido, entonces, ¿por ahora sólo seguimos el río?
- Isso.
Roier assentiu e ajeitou a vela mais uma vez para que estivessem no mesmo rumo do vento. Ainda sim seria uma viagem longa, mas ao menos teriam um pouco de conforto e tranquilidade.
_
Estavam aproveitando os onigiris que Roier trouxe quando percebem uma leve mudança súbita no ritmo da água, estava mais agitada.
Já haviam se passado horas, o anoitecer já se aproximava, ficando cada vez mais difícil de enxergar os arredores e até mesmo o rio pelo qual percorriam.
Cellbit ergue uma de suas mãos, focando seu chakra nela e gerando uma pequena esfera iluminada, trazendo um pouco de luz que aparentemente estava em falta naquela noite.
- Sabes que podría haber encendido una antorcha, ¿verdad?
- Num barco de madeira com vela de pano?
-...No te voy a mentir, a veces agradezco tu rapidez para pensar.
Cellbit se aproximou da parte fronteira do veleiro, com Roier chegando logo atrás, conseguiram ver que o rio havia ficado bem mais estreito, e que mais rochas de variados tamanhos estavam aparecendo. As águas ficando cada vez mais agitadas e violentas, balançando o barco e os desequilibrando. Pela falta de visão clara, Cellbit fecha os olhos, desligando seus sentidos para ampliar sua audição. E escutou com clareza.
O desabar de água.
- PARA O BARCO. - Cellbit se vira em direção à vela.
- QUE?
-TAMO INDO PRA UMA QUEDA D'ÁGUA
- MIERDA - Roier rapidamente volta para a parte traseira do veleiro e mexe nas cordas, na vela, qualquer coisa que pudesse fazer o barco parar.
Estavam próximos demais da queda, mesmo com a vela fechada, a força da água torna impossível qualquer forma de parar o barco. Eles sabiam.
Era tarde demais.
Tinham que sair.
Cellbit rapidamente pula para fora do veleiro, conseguindo chegar em terra firme sem muita preocupação.
- Roier?
Roier havia tentado pular, mas no meio do caos e desespero, uma das cordas prendeu seu pé junto ao mastro, se abaixou rapidamente para tentar soltar o pé.
Já tinha chegado na queda d'água.
Em fração de segundos, Cellbit viu o barco virando, caindo. Teve tempo para uma reação.
- KAGE BUSHIN NO JUTSU
Nuvens de transformação apareceram enquanto Cellbit corria em direção a queda. Agora não mais sozinho, sendo seguido por dois clones da sombra.
E pela primeira vez naquela noite, a lua se fez presente. Finalmente conseguia ver com clareza, e precisaria de sua visão aguçada mais do que tudo nesse momento.
Cellbit saltou rumo à queda.
Caindo em direção ao barco, podia ver seu alvo com clareza, e logo toma míseros milésimos para realizar uma cadeia de ações.
Com ambos os clones ficando para trás, Cellbit lança uma shuriken certeira no mastro do veleiro enquanto caía, seus clones da sombra gerando grandes cordas de Chakra que se enrolaram a Cellbit em meio a queda. E por fim, ele se aproximou de Roier e o envolveu em seus braços, o segurando em um forte abraço antes que atingissem o fim da queda, ficando pendurados de ponta-cabeça enquanto viam o veleiro sendo destroçado pelas rochas que os aguardavam.
O veleiro já não existe mais, e por muito pouco Roier não teve o mesmo destino.
Cellbit finalmente pôde respirar de novo. Roier, no desespero, entrelaçou suas pernas e o apertou forte, garantindo que não fosse cair.
Ainda pendurados, ambos suspiram em alívio.
-... Agradezco MUCHO por tu rapidez para pensar..
E como se não tivessem passado por uma das experiências mais assustadoras de suas vidas, Cellbit ri, e Roier não tarda em acompanhá-lo.
Os clones de Cellbit fazem força e os puxam para cima, desaparecendo assim que chegam em segurança na terra firme. Logo indo em direção à árvore mais próxima para se apoiar e recuperar o fôlego.
É visível o cansaço de Cellbit. A invocação de clones das sombras requer um uso considerável de Chakra, isso além das cordas que tiveram que usar em Cellbit, que também utilizava Chakra, ainda mais pelo tamanho e espessura, que foi o fator decisivo para a corda aguentar o peso de ambos. Mesmo possuindo uma quantidade de Chakra um pouco maior que as demais pessoas, era impossível não sentir cansaço com o uso repentino de uma quantidade grande.
Roier observou Cellbit buscando por ar, teriam que parar por hoje. Agora com a ajuda da lua, conseguiu ver uma descida segura para que pudessem prosseguir.
- Ahí abajo. Podemos encender un fuego y descansar.
Cellbit não podia lutar contra essa decisão. Sabia o que poderia acontecer com ele se não permitisse que seu chakra voltasse a fluir pelo seu corpo. Apenas assentiu, deixando de se apoiar na árvore e acompanhando Roier.
Descendo por um caminho mais seguro, podiam reparar no rio com clareza agora, e considerando o tamanho da área do rio, parecia ser o ponto de parada deles, só calharam por ter um pequeno imprevisto.
Não muito longe do rio, pararam próximo à uma das muitas árvores que os cercavam. Cellbit apoiando suas costas na mesma e sentando no chão.
- Eu costumo aguentar mais que isso. - sentiu uma necessidade de se explicar, mesmo o cansaço por consumo de chakra ser a coisa mais comum dentre todo tipo de ninja. - Só fui pego de surpresa.
- Bueno, tampoco suelo pillarme el pie con los postes. - disse enquanto começava a construir uma fogueira. - No te preocupes, fue impredecible..
Um vento frio acompanhava a noite, o calor da fogueira sendo bem mais do que bem-vindo. A princípio, Cellbit planejava seguir o caminho na madrugada, mas com os imprevistos, seria forçado a passar ao menos algumas horas descansando para evitar complicações futuras.
Terminando de preparar a fogueira, Roier se levanta e vai em direção a Cellbit, se sentando do lado dele.
- ¿Crees que el humo será un problema
- Estamos longe de qualquer vila grande. É uma possibilidade, mas acho difícil.
- Genial, y bueno...
Roier retira seus equipamentos e os coloca próximo a árvore em que estão, e então, deita seu corpo no chão e coloca sua cabeça no colo de Cellbit.
- Ei
- Estoy cansado y no voy a despertarme con la cara llena de hierbas de lo suelo
Não relutou, seja pelo cansaço ou por realmente não querer que ele saia, difícil dizer. Mas de qualquer forma, não se sentia incomodado, poderia descansar assim.
Ficaram alguns minutos em silêncio, aproveitando a calmaria
- Cellbit, - Roier o olha diretamente - Ayer dijiste que no es tu primera vez en la cancha… si me permites preguntar, ¿de dónde eres?
Já sabia que em algum momento Roier o perguntaria. Não que fosse nenhum tipo de segredo ou um assunto que o deixe desconfortável, mas se tiver a chance de não pensar nisso, tomaria essa chance.
- Vim da Vila da Areia. - Pôde ver a leve surpresa de Roier. - Digo, mais ou menos, vivi mais no deserto do que na vila em si, tenho poucas memórias de lá.
- En el desierto?
- Vivi "por aí" por longos anos até Philza-digo, até o Hokage nos encontrar.
- Osea, Baghera también viene de allá
- Sim, passamos pelo inferno juntos, e por muito tempo ela foi toda a família que tive.
- Pero… - parecia relutante em dizer - ¿Por qué se fueron?
- Bem… - Já que estava tirando as dúvidas de Roier, melhor contar a história toda de uma vez -
____________
Eu não tenho muita memória de antes disso, mas desde os meus, sei lá, 11 anos, me jogavam pra uma espécie de "ringue" quase diariamente, me faziam lutar contra animais, criaturas, e às vezes até mesmo contra outras crianças, era doentio… o vencedor vivia por mais um dia e era recompensado com comida na cela. Lembro de quando Baghera chegou, veio ela junto de alguma espécie de pato pequeno, ela falava um idioma que eu não sabia, e foi colocada na cela do lado da minha.
Eventualmente achamos uma maneira de nos comunicar, misturando idiomas ou sinalizando algumas coisas. E então, eu passava a compartilhar minhas "recompensas" com ela quando me colocavam no ringue, e ela compartilhava as recompensas dela comigo, tinha vezes que não podíamos fazer barulhos de noite, então eu usava um dos poucos jutsus que eu sabia, o Shindenshin no Jutsu, pra conversar com ela… e foi assim por, não sei, mais de um ano. Nós dois fazendo o necessário pra sobreviver.
E então… o temido dia chegou. Nos chamaram para o ringue, para lutar um contra o outro. Foi difícil ver ela do outro lado, minha única amiga.
E, para nossa sorte ou perdição, a vila havia sido atacada, e ao soar do sinal, ouvimos sons de destruição, poeira pra todo lado, teto caindo. Eu, de verdade, não lembro bem do que aconteceu, ouvi rumores de um Jinchuuriki que perdeu o controle, outros dizem que outra vila entrou em guerra, sei lá. Só lembro que, assim que as paredes quebraram, Baghera me puxou pelo braço e fugimos… corremos tanto pelo deserto, sem parar.
Não tínhamos rumo, mas qualquer coisa seria melhor do que voltar pra aquele inferno.
Vivemos como nômades pelo deserto, passando por vilarejos menores, lidando com criaturas ou saqueadores, fazendo o que desse pra sobreviver, eventualmente nossa sinergia ficou tão grande que já cheguei a substituir o pato dela com meu jutsu de troca de mentes pra fazermos o Gatsuuga juntos heh. E assim vivemos por muitos anos, nunca voltamos pra vila com medo do que fariam com a gente.
Em um dia, tentamos saquear algumas pessoas que estavam de passagem e as coisas deram muito errado, fomos cercados por um grupo, demos nosso melhor, mas eram tantos… foi aí que Philza apareceu, e todos pararam.
Acho que não preciso dizer que o plano de tentar saquear uma equipe preparada de ninjas de Konoha não foi de muito sucesso… na nossa defesa, não sabíamos.
Mas Philza olhou no fundo dos nossos olhos, posso jurar que senti ele encarando minha alma. Mas ele não fez nada, deu as costas e nos pediu pra acompanhar ele. De repente estávamos de volta da vila da areia, e Philza fez questão de garantir um lugar para que eu e Baghera ficássemos.
Depois disso ele foi embora, e ficamos quase 2 meses sem ver ele, Philza voltou só pra nos visitar, nos ensinou algumas coisas sobre jutsus, genjutsus, taijutsus, trouxe ensinamentos de todos os tipos, e até chegou a fazer uma sessão de treinos. E a visita dele tinha ficado frequente, de mês em mês ele ia até a vila da areia pra garantir que estivéssemos bem.
Mas… acho que ele percebeu que seria quase impossível Baghera e eu voltarmos para o povoado da vila, só era estranho demais caminhar entre pessoas que sequer sabiam das atrocidades que aconteciam na surdina. Foi aí que ele nos ofereceu para irmos a Konoha com ele e descobrimos que o cara era a porra do Hokage. Sinceramente, a vila da areia não era meu lar, então vir pra uma vila nova não parecia uma ideia muito ruim…
____________
- Y ahora vives en Konoha. - disse Roier atento a cada palavra dita.
- Aqui estou… - deu um pequeno sorriso, não pelo triste começo de sua história, mas pelas coisas por fim terem melhorado. - E você? É de Konoha mesmo?
- No NACÍ en Konoha, pero crecí allí. - Roier deixou de olhar Cellbit para observar a árvore que os cobria - Me mudé a Konoha desde muy pequeño.
- Espero que sua vida tenha sido menos turbulenta que a minha.
- Nada extremo. Mi vida no es nada especial, para ser honesto… me queda bien.
Apesar das risadas de Roier, essa frase carregava um peso tão grande, Cellbit não conseguiu evitar sentir um pequeno aperto em seu coração. Especial? Roier entrou na sua vida não faz nem um dia direito, e já o virou de ponta-cabeça por inteiro, não só no sentido literal quanto no emocional.
- Roier… você invocou um veleiro INTEIRO em questão de segundos - percebeu que novamente obteve a atenção de Roier. - E pode me chamar de exagerado, mas eu nunca vi uma invocação tão rápida quanto essa, quem dirá uma tão grandiosa, e conveniente.
Só de lembrar do incrível momento que presenciou, o rosto de Cellbit se encheu de alegria, com um brilho nos olhos que poderia bater de frente com as próprias estrelas que os iluminavam.
- Isso além dessa sua habilidade surreal de fazer sorrir quem quer que esteja ao seu redor - deu um grande sorriso com seus olhos fechados. - bem, comigo é assim, ao menos.
Roier agradeceu por Cellbit estar de olhos fechados, o rubor que correu pelo seu rosto ficava mais difícil de disfarçar a cada segundo. Quando via Cellbit de longe, jurava que ele era alguém mais recluso, então o ouvir dizer tudo isso em voz alta o pegou desprevenido.
- Se isso não é ser especial, então eu nem quero imaginar o que é ser "pacato".
Quando finalmente abre seus olhos novamente, vê Roier cobrindo o rosto com um de seus braços, talvez tenha sido "demais".
- Así me dejas sin reacción, Cellbit.
Deu uma pequena risada enquanto Roier tirava o braço do rosto.
- Chega de histórias por hoje
- Sin más historias.
Se mexeram levemente, arrumando a postura e posição para que ambos ficassem confortáveis. Roier ainda usando o colo de Cellbit de travesseiro, sem muita intenção de sair, e sinceramente, Cellbit não tinha intenção de tirá-lo dali também.
- Gracias por salvarme.
Estava longe de se sentir como um "salvador", muito pelo contrário, Cellbit sentiu que mais uma vez foi salvo.
- Obrigado por hoje.
Sentiram mais uma vez o vento gélido da noite, lembrando exatamente o motivo da parada. Se permitiram relaxar e deixar a energia fluir em seus corpos, precisavam descansar. Fechando os olhos, abraçando a escuridão.
- Buenas noches, Cellbit.
Uma nova sensação surgia.
- Boa noite, Roier.
E assim, adormeceram.
____________
Roier sente o calor dos raios de Sol em seu rosto e lentamente abre os olhos, recuperando noção dos arredores aos poucos. A floresta, o rio, o veleiro destroçado em meio às rochas, a única diferença sendo a fogueira apagada e que agora o Sol brilhava e podia por fim ver tudo com clareza.
… o Sol brilhava?
Tomou um pequeno susto ao perceber que já era bem tarde, deviam ter acordado a umas 2 ou 3 horas atrás e partido. Pela viagem de barco ontem ter acelerado as coisas, eles não estavam "atrasados", mas ainda sim pretendiam acabar com a missão o quanto antes.
Depois de um leve momento de desespero, por fim percebeu que tanto ele quanto Cellbit sequer mexeram durante a noite, e surpreendentemente Roier só havia virado um pouco para o lado e nada mais. Com uma maior ciência dos arredores, sentiu uma mão em sua cabeça, especificamente dentre seus cabelos.
Não sabe em que momento da noite isso aconteceu, mas Cellbit estava o acariciando, e parecia seguir fazendo isso até mesmo dormindo.
"Así me cuesta levantarme" foi o que pensou, mas ao mesmo tempo, se Cellbit acordasse e percebesse que Roier já estava acordado e não o chamou, ele poderia ficar chateado. Então apesar do cafuné muito bem apreciado, tomou forças para ir contra tudo o que seu corpo queria. E cutucou Cellbit.
- Cellbit, hey, psst
Sentiu a mão em seu cabelo saindo. Cellbit coça os olhos e os abre lentamente, ainda se acostumando à luz. Não tardou muito em rapidamente olhar os arredores com uma leve expressão de surpresa em seu rosto.
- Já está de dia? Por quanto tempo a gente dormiu?
- No lo sé, me desperté ahora también. - começou a se levantar aos poucos. - Te sientes mejor?
- Hein? Ah, sim, acredito que já tô no meu 100% de novo.
Ambos se levantaram, arrumando qualquer amassado que estivesse em seus uniformes e ajeitando suas bandanas.
- Você tá bem?
- Estoy bien, eres una excelente almohada, dormí como un ángel
Trocaram risadas enquanto organizavam seus equipamentos, se preparando para mais um dia de caminhada. Deram uma última conferida para garantir que nada estava faltando, e tomaram seu rumo no caminho pela mata. Roier acompanhando o lado de Cellbit mais uma vez, como têm sido.
- Não estamos muito longe do Vale do Lírio. - diz fechando seus olhos brevemente, mentalizando um mapa do caminho. - Acho que chegamos lá antes do anoitecer.
- Sabes con quién debemos hablar?
- O serviço foi contratado pelo senhor Feudal de lá, então suponho que assim que chegarmos devemos procurar por algum tipo de casarão.
- Anotado.
Sentiram um leve vento passando por eles, mas diferente dos outros dias, não era um ar "seco", eram ventos frios, ventos que acompanham fortes chuvas. Ainda estava fraco, mas era sinal de que estavam se aproximando de seu destino.
- Oye, Cellbit.
Vira o rosto em direção a Roier, dando sua completa atenção.
- Qué crees que es?
Durante vários momentos dessa viagem, Cellbit ponderou o que as chuvas poderiam ser. Podia ser um genjutsu mas achava um pouco improvável uma ilusão desse tamanho durar por tanto tempo, não era impossível, mas se fosse o caso, o responsável teria que ser alguém extremamente poderoso e habilidoso. Pensou também na possibilidade de ser um Ninjutsu estilo água, ou até mesmo algum tipo de invocação ou ritual que deu errado. E não negou que havia possibilidade de ser chuva natural e só deram muito azar. Mas a verdade era:
- Eu não sei. Mas vou ter certeza assim que chegar lá.
- ¿Y no tienes un plan por adelantado?
- Vários, mas não consigo montar um completo ainda.
- Ah, el gatinho está preparado.
- O qu- ficou em completo choque, de ONDE ele aprendeu essa palavra? Um rubor bem óbvio espalhou por todo o seu rosto. Roier o chamando de bonito NÃO estava no seu bingo dessa missão. Entrou em parafuso completo, as palavras quase que não saíam de sua boca, mas conseguiu formular:
- Onde você escutou isso?
- En la posada! Escuché tu llamando el gatito como "Gatinho que fofo", que malo tiene?
Pôde respirar novamente, um pequeno mal entendido, foi tudo.
- Entendo. Mas cuidado, um homem "gatinho" é um cara… bonito, atraente.
- AH! Como "guapito"?
- Isso, isso
- Ya veo. Así que mantengo la frase.
Heh? "Mal entendido" o caralho! Veio com intenção total de flerte e Cellbit perde o rumo mais uma vez. Como que esse cara consegue flertar do mais absoluto nada? E ele… realmente o chamou de bonito? É como se todos os seus sentidos tivessem parado de funcionar, todos trabalhando para acalmarem Cellbit e manter seu ritmo cardíaco estável.
- Cellbit? - Roier não conseguiu esconder a risada. - Oye, Cellbit, calmate wey
Enquanto Cellbit encontrava dificuldade em raciocinar e colocar palavras na boca, Roier encontrava dificuldade em falar qualquer frase completa por não conseguir parar de rir. Ao menos deles parecia se divertir com a situação.
- Do nada - de pouco em pouco recuperava cada um de seus sentidos, soltando uma leve risada.
- A la mejor y me quedo en silencio
- Não, não é isso, eu só fui pego desprevenido, não esperava.
Roier se aproximou de Cellbit e colocou um de seus braços em volta do pescoço do outro, o recebendo em um meio abraço.
- Ya paro.
- Claro, claro. Vamo logo, Guapito.
Roier não deixou o novo apelido passar despercebido, compartilhando do mesmo rubor que Cellbit tinha há alguns minutos atrás. Seguiram rindo pela floresta, em um meio abraço que estava longe de ser um incômodo. Se soltaram, mas ainda lado-a-lado.
____________
Caminharam por horas, e a cada passo que davam, sentiam os ventos gélidos mais fortes. As árvores também estavam diminuindo de pouco em pouco, sinal de que em breve se encontrariam com as plantações mencionadas.
O sol já estava começando a se despedir, quando sentiram uma pequena garoa em seus rostos, e não muito longe dali puderam ver nuvens escuras, carregadas, dando a impressão de que já era noite. Por fim chegaram, e céus, não eram exagero.
- Vamos rápido. Em direção a qualquer construção que seja a maior da vila.
Roier assentiu, e ambos se dispararam rumo à entrada da vila.
O chão de terra estava extremamente úmido, como previsto, quase impossível de caminhar, não era difícil perceber como uma chuva dessa afetaria não só o plantio como o dia-a-dia no geral.
O som da chuva era tudo que Cellbit escutava enquanto corriam pelas ruas do Vale do Lírio, sem conversas, sem risadas, sem vendedores, apenas chuva.
Entendia que já não estava tão cedo, mas até mesmo vilarejos pequenos costumam ter bares abertos nesse horário. Sentia uma sensação de solidão aumentando a cada esquina que viravam.
O silêncio sendo quebrado pela tempestade, as gotas frias percorrendo por todo seu corpo, o vento gélido cujo assobio ecoava por todo o vale.
Sabia que havia moradores por aí, que só estavam ocupados se mantendo seguros em suas casas, mas esse sentimento melancólico o corroía. Não queria estar mais sozinho.
- Cellbit, creo que está ahí.
… e ele não estava.
Se virou para Roier e pôde ver o teto do que parecia ser um casarão, não muito maior do que as demais casas, e possivelmente não era a maior do vale, mas era perceptível a iluminação vinda de lá.
- Vamos.
E com mais um disparo, seguem em direção ao casarão que, vendo mais de perto, a estrutura não se diferenciava tanto do casebre com sauna em que passaram a primeira noite, parecia bem organizado e até aconchegante.
Se aproximando da entrada, havia uma mulher com várias kunais e outros tipos de armas portáteis espalhadas pelo corpo, parecia guardar o local. Se alarmou assim que viu os dois, pegando uma das kunais em mãos. A mulher olhou em direção às bandanas que usavam, guardou sua kunai e abriu espaço para que entrassem.
Finalmente saindo da chuva, os dois adentram o local e se deparam com uma sala bem grande, algumas plantas espalhadas pelos cantos, uma área com uma bancada e algumas cadeiras, e por fim, em um dos lados da sala puderam ver um senhor mais velho sentado em uma cadeira baixa, e à sua frente uma mesinha com um bule e um copo, parecendo ter chá quente servido. O senhor os avistou.
- AH! Você chegou! Estávamos aguardando sua chegada, ninja de Konoha.
Cellbit se aproximou do senhor feudal e Roier o acompanhou logo em seguida.
- Veio dois de vocês? Me foi informado que viria somente um. Bem, não negarei ajuda de forma alguma. Sentem-se.
E assim o fizeram, frente à mesinha em que o senhor tomava café, havia algumas outras cadeiras baixas como a dele.
- Eu suponho que vocês já têm uma ideia do que seria a missão, certo?
Ambos concordam.
- Ótimo. Nós estamos conseguindo lidar com a chuva de pouco em pouco, e felizmente o rio fica em um nível mais abaixo que o Vale, então estamos conseguindo suportar.
O senhor pega seu copo com chá e dá um gole, suspirando logo em seguida.
- O problema são as pessoas desaparecendo… Pelos comentários dos moradores, alguns viram os desaparecidos pela última vez na parte norte da cidade, em direção ao rio.
Cellbit se concentra em cada informação que lhe é passado, colocando as engrenagens de seu cérebro para funcionar, de peça em peça, construindo algum tipo de plano.
- Tentamos investigar por lá, mas não parecia ter nada fora do comum. Algumas crianças espalharam o rumor de ter algum tipo de urso na floresta nos amaldiçoando, então talvez pensamos que pudesse ser alguma criatura.
- Há algum padrão nas pessoas desaparecidas?
- Não.
- Entendido.
O homem mais velho coloca seu copo sob a mesa novamente, e logo após, se levanta, respirando profundamente.
- Mais alguma dúvida?
- Não senhor.
Agora de pé, o senhor ergue um de seus braços em direção à porta, uma jovem mulher vem em direção à eles. Ela faz uma pequena reverência aos três.
- Ela os levará até sua estadia. E peço desculpas, mas como nos informaram que só viria um de vocês, só temos um cômodo preparado.
- Sem problemas - Cellbit devolve a reverência e Roier o espelha. - Obrigado.
- Gracias.
E os dois saem do salão principal, deixando o senhor feudal e seguindo a jovem moça pelos corredores de madeira do grande casarão, se mantendo em silêncio, ouvindo apenas seus passos junto do som das vestes da jovem sendo arrastado pelo chão, além de, claro, a chuva que estava caindo ao lado.
Bem à sua esquerda havia uma área quadrada a céu aberto, com algumas plantas e estátuas, todas cobertas por água.
Chegando em uma das áreas, ela arrasta a porta para o lado, revelando um grande cômodo.
- É aqui que vocês irão repousar. Deixarei que fiquem confortáveis, se precisarem de ajuda estarei com o nosso senhor Feudal no salão principal.
A jovem faz uma breve reverência e os deixa. Sem perder muito tempo, entram no cômodo e observam as variadas decorações e materiais à sua disposição.
De um lado podiam ver uma cama baixa, com um pequeno criado-mudo ao lado contendo alguns pergaminhos fechados e uma vela apagada, e um vaso com algumas folhas grandes. Do outro lado, podiam ver uma janela circular fechada com as cortinas abertas, um banquinho almofadado e uma mesa baixa com um jogo de chá por cima.
Podiam sentir o cheiro, o chá tinha sido feito agora.
Retiraram os calçados e os deixaram próximo à porta, materiais pesados e armamentos foram colocados não muito distante da cama.
- Vamos aproveitar enquanto o chá ainda está quente.
Serviu dois copos e se sentaram próximo à janela, observando a chuva imparável. O calor dos copos era mais do que bem recebido, aquecendo as mãos frias que até pouco tempo atrás estavam meio a tempestade.
- ¿Tienes alguna idea de lo que podría ser?
- Genjutsu não é. Digo, a chuva não. Ainda não tenho certeza, mas a chuva de fato não é natural.
Roier toma alguns goles de seu chá, mas mantendo sua completa atenção em Cellbit.
- O senhor que nos contratou mencionou que no norte do vale tem um rio, e que as pessoas que desapareceram foram vistas por lá antes de desaparecerem.
- Crees que el problema está ahí?
- Eu tenho certeza.
- Vale. ¿Y qué haremos?
- Se não encontraram nada, é possível que o que quer que venha causando isso só apareça pra raptar alguém e sumir.
- Osea que ocupamos suerte en encuentrar esa cosa?
- Precisamente, - aproximou o copo ao seu rosto para sentir o cheiro do chá - mas podemos tentar nos fazer de isca.
Roier coloca uma de suas mãos no queixo, pensativo.
- És cierto. - colocou seu copo, agora vazio, de volta na mesa junto com o bule. - Pero necesitamos descansar por ahora para estar en plena forma y afrontar lo que quiera que sea.
- Concordo. - deu um último gole se levantou para guardar seu copo.
Sem muita cerimônia, retiraram seus uniformes e bandanas e vestiram algo mais confortável, que não os atrapalharia a dormir.
- Ok, cê fica com a cama. - Cellbit caminhou em direção ao banco em que estavam sentados agora a pouco.
- Que?
- Eu tô com a cabeça muito cheia de coisa, devo sentar naquele sofázinho e anotar algumas coisas até pegar no sono.
- Y vás a dormir en la silla?
- Nem me incomoda mais a esse ponto, pra ser sincero.
Roier para em pé, com os braços cruzados, o encarando com uma cara fechada, batendo um dos seus pés no chão.
- A mi valió vergas que he dito, vás a dormir en la cama.
Ro-
- Não não - disse com um leve sotaque. - Sin eso de "aY qUe eSToY coN mUChaS coSAs eN La-" o otras mamadas asi.
-R-
- SSSSHHHHHhhhh ya wey. Vamos, vete a la cama.
Teve a sensação de que Roier realmente não o deixaria em paz até que fosse dormir. A verdade é que Cellbit nem tinha tanta coisa para planejar, tinha uma ideia completa e coesa em sua mente, só queria garantir que o outro pudesse dormir em um lugar confortável. No entanto, se Roier realmente não se sentia bem em o deixar dormir num outro lugar, o mínimo que poderia fazer é atender seu pedido para deixá-lo despreocupado.
-... Ah - deu um leve suspiro. - certo, certo.
E então Cellbit por fim sobe na cama e se deita, aos poucos fechando os seus olhos para, quem sabe, forçar seu corpo a desligar por um momento e relaxar. Ainda estava bem acordado, mas se colocou em uma pose mais confortável, deixando sua cabeça repousar no travesseiro macio, até que de repente sente um peso extra sendo colocado sobre a cama, bem ao lado dele.
- Que-
- No dije DE NINGUNA MANERA que dejaría de dormir en la cama. - Se aconchegou, ambos estando de costas um para o outro.
A cama realmente era um tanto quanto pequena, ainda mais tomando em conta a estatura e físico de ambos, que devido ao pouco espaço, estavam com suas costas praticamente coladas. Mas a essa altura, não sabiam se isso seria uma desvantagem. Não parecia incomodar, a nenhum deles.
Roier estava em silêncio, também se acomodando de pouco em pouco. Não pareciam estar realmente dormindo. Mesmo com o cheiro gostoso de terra molhada, era inegável que Cellbit estava com seus sentidos focados no moreno as suas costas, um perfume natural quase viciante.
- Cellbit - acabou o tirando da sua linha de raciocínio acidentalmente.
- Sim?
- No pensó dos veces antes de tirar por la ventana la idea de que se tratara de Genjutsu, ¿cómo lo sabe?
- A chuva não é normal, pude sentir um distante resquício de Chakra.
- Entonces es Ninjutsu.
- Isso ou alguma espécie de selamento
- ¿Y cómo sabes que esto no es un Genjutsu arruinando tus sentidos ya que... eso es exactamente lo que hace un Genjutsu?
- Da mesma forma que seus sentidos podem ser usados contra você, não usá-los é o que pode te salvar. Fechar os olhos, cobrir os ouvidos ou o nariz, tudo isso ajuda.
- Lo sé pendejo, eso lo aprendí cuando aún era Chuunin.
- A questão é, assim que senti o chakra, por um breve momento deixei de sentir os meus arredores por completo.
- Eh, ¿es asi de facil?
- Cala a boca - se virou para Roier deu um pequeno tapinha em suas costas, soltando uma leve risada. - deixa eu falar.
- Vale. - espelhou o movimento do outro e agora estavam frente a frente.
A essa altura o quarto estava iluminado somente com luz natural, estava um pouco difícil de enxergar e ainda sim Roier não conseguia desviar o olhar do que parecia ser o par de olhos mais iluminados que já viu, um azul tão lindo que faria inveja ao próprio céu, um encarar tão profundo que nem mesmo o mar poderia competir. Estava tão perto.
- Assim que todos os meus sentidos voltaram, o chakra ainda estava lá. - Cellbit não pareceu perceber que estava sendo encarado, bem descaradamente diga-se de passagem. - E a menos que estejamos lidando com o próprio criador do Tsukuyomi, "desativar" seus sentidos costuma entregar se é ou não genjutsu.
- ¿Y puedes desactivar todo y boom?
- Sim, mas… é um pouco complicado, é como se eu precisasse estar a par de tudo ao meu redor pra saber exatamente o que "desativar"
- Creo que tiene sentido.
Um breve silêncio cômodo pairou sobre o quarto. Cellbit se virou para encarar o teto, não havia nada de interessante nele, mas ter seu rosto tão próximo ao de Roier traz uma pequena confusão a todos os seus sentidos. Roier, por outro lado, não fez questão alguma de deixar tirar seus olhos de Cellbit, seus sentidos também ficavam confusos, mas sabiam o que queriam e no que focar.
-... Como que você selou um barco inteiro?
Pego de surpresa, Roier solta uma pequena gargalhada alta.
- Los sellos Fuuinjutsu son muy… versátiles.
- Eu nunca conheci alguém com habilidades parecidas, nos ensinamentos que o Philza trouxe, falava um pouco disso mas achei que só selavam armas do tipo kunais ou shurikens
- Va MUCHO más allá de eso - ambos se reposicionaram na cama para conversarem frente a frente mais uma vez. - No sólo puedes sellar armas grandes, sino también jutsus e incluso cosas naturales, como un océano- no, NO tengo un océano en mi pergamino, Cellbit.
- Você tem jutsus no seu arsenal?
- Sí, también tengo sellos listos para usar, por si quiero sellar… un velero nuevo, ya que el mío valió verga.
Cellbit soltou uma pequena risada nervosa, se sentia um pouco culpado pelo veleiro estar destruído, se tivesse prestado mais atenção, teriam saído a tempo.
- Puedo escuchar tus pensamientos. No pasa nada, estamos bien. - Roier se faz mais confortável na cama, se reposicionando e ficando de costas para Cellbit mais uma vez. - Ahora vamos a dormir, ¿vale?
Ficou em silêncio por alguns segundos. Essa culpa ainda o corrói, desde que trocou sua primeira frase com Roier ele não tem sido nada além de gentil e extremamente útil a todo momento, e não podia deixar de sentir que não estava valorizando toda sua ajuda. Talvez um dia Cellbit arrume um novo veleiro pra ele, quem sabe. Mas por hora, decidiu escutar as palavras do moreno, também se virando de costas e se preparando para dormir.
-... Certo. Boa noite, Roier.
- Buenas noches, Cellbit.
Por fim haviam chegado em seu objetivo, estavam no Vale do Lírio, e em breve lidariam com isso de uma vez por todas, mas por hora, se permitem descansar e deixar seus pensamentos e sonhos vagarem pelo quarto. Cellbit estava tendo pensamentos divertidos, já que não estava usando sua visão no momento, seu tato e nariz faziam questão de guardar cada detalhe do outro ninja compartilhando a cama com ele. Já Roier tinha sonhos com olhos azuis.
____________
A tempestade ainda tomava conta dos céus, nuvens carregadas escurecendo o vale por completo, era difícil saber que horas são, mas foi tempo o bastante para descansarem, e cedo o bastante para darem início ao fim de sua missão.
Já estavam de pé, com energias recuperadas, corpos descansados, armamentos preparados. Se encontravam na entrada do salão principal, onde o senhor Feudal normalmente ficava.
- Há algo que precisem antes de sair? - disse o senhor se aproximando dos shinobis.
- Tengo todo lo que necesito. Cellbit?
- Recomendo que deixem algum grupo de pessoas pronto para saírem quando necessário. É bem possível que vamos precisar da ajuda de algumas pessoas quando tudo acabar.
- E como saberemos?
- Bem, não vai ser nada silencioso.
- Entendido. Boa sorte, vocês dois.
Ambos disparam para fora do casarão, sentindo a chuva fria descendo por seus corpos, correndo em direção ao norte do vale, onde, de acordo com o senhor, havia um rio que normalmente era o deságue das águas que passavam pelas plantações. Estava escuro, visível, porém escuro, à essa hora daria para dizer que já é manhã, mas longe de estar tão claro quanto.
Corriam pelo vale e tudo segue tão vazio quanto quando chegaram ontem, era bizarro, quase abandonado, sentiram um pequeno arrepio descerem por suas espinhas, não sabendo dizer se era pela água fria ou pela aura sombria do vale.
Não muito tempo depois já podiam ver árvores altas não muito distante de onde corriam, estavam quase saindo das ruas empedradas do vale, já era hora.
- ¿Estás seguro de que quieres ser la carnada? No me importa estar en primera línea.
- Não se preocupe. Eu vou ficar bem.
E assim, entraram na floresta.
____________
As árvores eram ainda maiores de perto, por um lado, algumas poderiam servir de abrigo para as chuvas, por outro, os arredores pareciam obscuros, solitários, frios, e esse sentimento piora quando se está esperando ser pego.
Em meio às folhas, um Cellbit atento e preocupado vigiava seus arredores a cada passo que dava, caminhava lentamente, sozinho, quando encontrou uma área a céu aberto, sem árvores para tampar a tempestade, e logo no meio era impossível não perceber o grande rio, e estranhamente, podia sentir chakra saindo
… de dentro do rio?
Não teve muito tempo para raciocinar todo esse ciclo do chakra no rio para as nuvens de chuva, pôde ver a água se movimentando, algo indo em sua direção.
Sentiu um cheiro diferente, similar à terra molhada mas ainda sim diferente, genjutsu. Rapidamente cobriu seu nariz, e com a ação tomada, viu que o que quer que estivesse na água se aproximava com mais velocidade, se levantando aos poucos, e por fim tomando forma, se revelando lentamente, por mais que estivesse se aproximando à uma velocidade preocupante.
Conseguia ver, era humanóide mas difícil dizer se era de fato humano, a única coisa que podia claramente apontar é a máscara que essa coisa estava usando. Uma máscara branca, com um desenho de um sorriso que talvez um dia tenha sido amigável, o desenho parecia lembrar algum tipo de urso, quebrada, desgastada, suja, e tomada pelo o que parecia ser uma mistura de plantas marinhas, lodo, musgo, sujeiras, toda essa mistura pútrida e nojenta se espalhando por todo seu corpo, parecia estar parasitado.
Apesar de não conseguir ver seus olhos, sabia que estava encarando Cellbit, e à medida que se levantava, erguia ambos os braços lentamente, formando duas lâminas que foram surgindo da própria água, e assim, sua forma se revela por completo ao chegar na beira do rio.
Mal teve tempo de reagir, a criatura avançou imediatamente em um disparo, e em questão de milésimos, já estava na frente de Cellbit. E antes mesmo que pudesse sequer pensar, sentiu as lâminas perfurarem seu corpo, entraram com uma facilidade tão grande, sentiu falta do ar que respirava, sentindo seu próprio sangue o afogando, até que
Poof
O clone das sombras por fim se desfez em uma nuvem.
- KAIFŪJUTSU: KUNAI
A criatura olhou para cima enquanto vários pergaminhos abertos passavam sobre sua cabeça, e ao dizer das palavras, cada um deles invocam ataques diretos de kunais, com dezenas, centenas, nem dá pra contar. Com uma reação rápida, conseguiu escapar da área de ataque.
- MIERDA - disse surgindo por detrás da mata - valió verga.
- AH MAS NÃO MESMO - era a vez de Cellbit sair disparado para fora das florestas - KAGE BUSHIN NO JUTSU
E nuvens de invocação explodiram no chão, revelando três cópias exatas de Cellbit que, na mesma velocidade que o original, dispararam em direção à criatura.
A criatura entre olha todos os clones, não parecendo saber apontar o original.
Dois "Cellbits" seguem a disparada rumo a criatura enquanto os outros dois vão em direção aos armamentos que caíram da invocação de Roier. Pegando as kunais e em questão de milésimos lançando-as em direção a criatura, uma atrás da outra. Correndo, pegando, lançando, um ciclo de reação tão rápido que quase bate de frente com a velocidade da própria invocação.
A criatura utiliza suas lâminas para bloquear algumas das kunais lançadas, desviando do restante. Ele era rápido, mas tava longe de ser impossível de acertar. Os demais clones partindo para o ataque, um deles vindo em um chute no ar cujo a criatura bloqueou com ambas as espadas, e não deixando a oportunidade escapar, o último clone soca o que seria as "costelas" que a criatura um dia já teve.
O soco atingiu, não fez o estrago desejável mas era sim possível acertar essa coisa. A criatura deu um leve grunhido e se virou para ambos os "Cellbits" em sua frente, agora desviando dos ataques taijutsu dos dois ao mesmo tempo. Em uma tentativa de ataque duplo planejando o acertar na barriga, a criatura vê uma abertura e saca suas espadas, atingindo diretamente o estômago de ambos clones em sua frente.
Poof
Mas antes mesmo que as nuvens de transformação se dissiparem, em um ataque vindo de cima, sentiu uma enorme força de um chute atingindo sua cabeça.
- No contaban con mi astucia! - diz Roier, afundando o pouco que restava da cara da criatura no chão, o quebrando e lançando pedaços para todos os lados.
Logo em seguida Roier dá um salto para trás, recuando, se colocando em meio aos Cellbits que disparavam kunais, por fim, Poof, o último clone se desfaz, restando apenas os três no campo de batalha.
- Se continuarmos assim, vai ser mamão com açúcar.
A criatura apoiou as mãos no chão e se pôs de pé novamente, retirando algumas kunais lançadas por Cellbit que o acertaram e ficaram preso em seu corpo, jogando-as no chão novamente. Recuou alguns passos pra trás, em direção ao rio, nunca deixando de manter contato visual.
E lentamente, se levantando do rio, uma mulher jovem de cabelos longos, e logo então, ao lado dela se levanta um homem alto de físico forte, depois, uma criança, um senhor, eram dezenas, um por um se revelando.
- ÊÊÊ BOCA DE SACOLA - diz Roier, ainda ao lado de Cellbit.
A aparência física deles parecia normal, sem lodo, musgo ou parasitas. No entanto, o olhar dessas pessoas eram frios, sem vida, sem esperança… Cellbit pôde jurar ter visto a si próprio nessas pessoas, um olhar que ele tanto conhecia e tanto viu em si próprio. Estavam sob o efeito de algo e precisavam impedir isso.
Dava pra salvar.
Tinham que salvar.
E então a criatura avança em direção aos dois ninjas, não sozinho dessa vez. As demais pessoas, todas correram ao mesmo tempo, circulando Cellbit e Roier, vindo de todas as direções, e logo começam a atacar.
Cellbit bloqueia os socos, desvia de chutes, os empurram para outro lado, fazendo o possível para não os machucar. Roier não estava em uma situação diferente, não estava atacando mas, o número crescente de ataques constantes estava deixando a situação cada vez mais difícil de se manter "pacífica".
- Cellbit - disse enquanto desviava de mais um golpe. - TENDREMOS QUE ENFRENTAR ESTO DE OTRA MANERA.
- MERDA. - Empurrou um deles. - NÃO QUERIA MACHUCAR ELES, MAS NÃO VAI TER JEITO.
Aproveitando os ataques, a criatura prepara suas lâminas e, dando, um salto por cima de todo esse alvoroço, se joga em direção à Roier, o derrubando no chão e atravessando uma de suas lâminas no braço de seu alvo. Roier grunhe de dor, mas rapidamente usa uma de suas pernas para afastar a criatura de si próprio para conseguir se levantar, e em questão de segundos abre um pergaminho, o kanji 龍 escrito bem no meio, o lança em direção a criatura, conjurando:
- BAKURYŪGEK
E do meio do pergaminho, uma chama é invocada, rapidamente tomando o formato de uma cabeça de dragão, abrindo sua boca e partindo em direção a criatura.
- NINPOU: MUGEN KAIRŌ
Sequer conseguiu ver o efeito de seu jutsu quando escutou em questão de milésimos, a voz de Cellbit fazendo seu jutsu, sentiu um arrepio subir sua coluna. De repente já não via mais nada, uma grossa neblina cobrindo toda sua visão.
Sentiu sua cintura sendo envolvida e seu braço sendo colocado no que assumiu ser os ombros de alguém.
Saíram da neblina juntos, o braço envolto na cintura de Roier tinha um agarre forte, parecia extremamente preocupado e com medo de soltá-lo. Lentamente caíram em direção a algumas árvores distante da neblina, Cellbit tomando todo o cuidado do mundo para não deixar Roier ser machucado mais uma vez.
Merda, merda, merda. Não só o deixou ser ferido como o atingiu com seu Genjutsu. MERDA. Ele nunca o perdoaria, como Cellbit poderia ter sido tão descuidado? Como que ele deixou esse "urso" filho da puta encostar um dedo no Roier? Estoure quantos Kage bunshin quiser, céus, passe a lâmina na sua garganta se quiser, mas não devia ter deixado isso acontecer.
Chegando em uma das árvores que conseguisse os cobrir da chuva, Cellbit retira seu braço envolto na cintura de Roier e o apoia no tronco, sentado no chão. Roier coloca uma de suas mãos no braço, tentando verificar o machucado mas sem muita noção do que fazer. Precisava tirar ele do Genjutsu sem ter que desfazer por completo.
Pensa, pensa. Pra Cellbit já era instinto, mas como faria Roier acordar do seu Genjutsu. Chegou em uma conclusão, mas tinha medo que Roier o odiaria pra sempre, todavia, não podia deixar ele sob efeito do Genjutsu.
-Roier - usou suas duas mãos e segurou o rosto de Roier, tapando seus ouvidos e o forçando a olhar pra ele. - por favor não me odeie.
- Ce- antes que pudesse dizer qualquer coisa, sentiu inesperadamente um par de lábios contra os seus, a parte de trás da sua cabeça deu um leve choque contra o tronco da árvore em que estavam.
As mãos frias de Cellbit não seriam capazes de evitar o rubor quente que rapidamente se espalhou por quase todo o rosto de Roier. Não era exatamente um beijo, era um selinho leve, cuidadoso, gentil. Seu rosto estava sendo segurado como se fosse a coisa mais delicada do mundo, como se até mesmo o beijo mais leve pudesse o quebrar a qualquer momento.
Cellbit começou a afastar seu rosto bem devagar, lentamente abrindo seus olhos, e viu Roier fazendo o mesmo, o observando enquanto aos poucos abrindo os seus próprios, quase não via mais o castanho dos olhos de Roier, que abriram espaço para a pupila dilatada do mesmo, a imensidão do preto encarava Cellbit e ele quase que podia ver seu reflexo.
- Eu sinto muito, Roier - se afastou, dando espaço para que ambos pudessem respirar novamente.
-Pero por que?
-Eu precisava fazer seus sentidos focarem em outra coisa - estava falando um pouco mais rápido que o de costume, nervoso, mexendo os braços. - Pra tirar você do Genjutsu.
- Ya no estaba bajo el efecto del genjutsu
- Eu de verdad-espera, não?
- No, me desperté cuando me agarraste de la cintura para salir de ahí.
- Oh
-...
-...
-Pero si quieres continuar-
-ROIER - engasgou com sua própria saliva, se já estava consciente, por que não empurrou ele quando se aproximou?
-Nah pinche beso sin fuerza, cabrón
-Eu não- digo - acabou por perder a compostura, de todas as reações que imaginou, essa não foi uma delas. - eu não tive intenções de te beijar do nada, só precisava te tirar do meu Genjutsu.
Roier observou Cellbit, estava tão vermelho quanto ele. Talvez em outras circunstâncias, essa conversa poderia tomar outro caminho, e por mais que seu coração estivesse lutando contra essa decisão, ainda estavam em missão.
- Cálmate, no estoy enojado. - deu uma leve risada pra confortar Cellbit. - volvamos
-Não - Cellbit colocou ambas as mãos nos ombros de Roier, mantendo ele sentado onde estava, mantendo uma distância quase que mínima. Fez um "shhh" quase inaudível. - Fique quieto, não devo demorar.
Novamente foi pego de surpresa quando sentiu Cellbit o forçar contra a árvore, não foi forte, parecia ser mais para deixar Roier quieto.
Estava tão próximo.
Não podiam escutar nada além dos sons da tempestade, gotas de chuva colidindo nas milhares de folhas espalhadas por toda a floresta. E mesmo assim Roier podia jurar que só conseguia escutar a calma respiração do homem bem na sua frente, céus, estava perto demais e ainda sim não o bastante.
Aquela sensação fantasma de uma boca contra sua se mantinha, era incómodo, frio. Parecia um crime não poder ter aprofundado.
Estava tão perto.
E não podia fazer nada.
Cellbit lentamente tirou as mãos que estavam nos ombros de Roier, ambos mantendo o silêncio. Com a mão agora livre, Cellbit cuidadosamente puxa um dos braços de Roier pra próximo de si, e reside a outra palma por cima de onde Roier havia sido ferido, sua mão logo começa a emanar uma pequena claridade, e Roier pôde sentir o chakra de Cellbit em sua pele.
- Me desculpa. - sussurrou de uma forma tão baixa que poderia ter passado despercebido se não estivessem tão próximos. - Se eu tivesse agido mais rápido…
- Ey, pendejo - falou tão baixo quanto o outro, colocando sua mão não machucada no ombro de Cellbit. - Estábamos rodeados, no podíamos hacer mucho.
Não parecia ter o convencido dessa vez, Cellbit seguia em silêncio, utilizando seu chakra para que Roier possa ter sua energia revigorada. Ficaram em silêncio por alguns breves minutos, Cellbit focado no braço que estava curando, e Roier focado em Cellbit.
Podia sentir a dor de seu machucado lentamente se dissipando, abrindo espaço para uma boa sensação de alívio.
Por fim, Cellbit solta um breve suspiro e o olha de volta, um olhar preocupado no rosto.
- Melhor? - disse baixo
- Completamente.
Cellbit retira sua mão de onde previamente estava o machucado, se movendo um pouco para trás e se levantando, ficando de pé.
Tudo voltou a ficar frio novamente, e sons da chuva eram tudo que podiam escutar. Não ter essa presença bem na sua frente parecia tão… errado e vazio. Poucos segundos atrás estavam tão próximos.
O sentimento de não querer sair dali era mútuo, por mais que Cellbit não soubesse.
Pensaria nisso depois, tinham uma missão para terminar.
- Preciso finalizar o Genjutsu antes que comece a afetar os moradores. - Estendeu sua mão para Roier.
- ¿Qué hace el genjutsu? - Puxou a mão estendida e levantou do chão, se colocando ao lado de Cellbit.
- Usa a água do corpo para gerar a ilusão de neblina… não sei o quão ruim eles estão, mas…
- Pueden morir por deshidratación...
- Precisamente. Temos que agradecer a chuva por nos ter dado tempo.
Olhou para a chuva brevemente, ainda estava forte.
- No sé si podremos dejarlos ilesos.. - olhou para Cellbit enquanto o mesmo analisava a chuva - No si queremos terminar con esto..
- Eu sei - se virou para Roier - mas teremos que tomar cuidado. São civis não treinados, um ataque leve deve derrubá-los.
- Decidas lo que decidas, te seguiré.
Cellbit assentiu, e juntos saltaram por cima das árvores rumo à neblina. Não demoraram muito para se aproximar, não estavam longe do local, só o bastante para que não corressem o risco de serem atacados enquanto Roier estava sendo curado, observando a neblina na distância, conseguiam ver as dezenas de pessoas vagando lentamente no meio da neblina, sem rumo, pareciam andarilhos mortos.
Com um breve sinal de mãos, Cellbit desfaz seu jutsu, dissipando a neblina lentamente, revelando de pouco em pouco tudo que ali tinha. Olhavam confusos em seus arredores, buscando quem atacar.
Por cima das árvores, quando o último traço de neblina se desfez, sentiram o olhar vazio de uma máscara de urso os observar.
- Precisamos dele longe pra lidar com os outros.
- Yo lo hago.
- O qu-
Ao mesmo tempo, ambos Roier e a criatura avançam em direção um contra o outro, uma velocidade surpreendentemente crescente. O "urso" sacando suas espadas, e Roier abrindo seu pergaminho, colocando uma de suas mãos no centro do símbolo de selamento, uma pequena fumaça de invocação se forma.
A mão que estava no selo agora segura um cabo, o puxando e, revelando correntes que o conecta ao fim da invocação. Uma esfera de metal imensa, com pontas afiadas espalhadas por toda sua superfície.
- SŌGU: BAKUSAIDAMA
Roier arremessa sua arma em direção a criatura que estava bem na sua frente. E com o colidir das espadas contra a enorme esfera, seus "espinhos" se expandem, revelando pequenos cilindros com dezenas de selos explosivos enroscados. A criatura cobre seu rosto, e os selos são ativados.
A esfera se desfaz em uma grande explosão, atingindo tanto a criatura quanto Roier, jogando os dois em direções opostas. Enquanto o "urso" caía de volta no rio, Roier foi lançado rumo as árvores.
Mas, não sentiu destroços em suas costas, não sentiu o quebrar de galhos… sentiu seu corpo colidir com o de Cellbit, que o pegou por trás, e retornaram às áreas por cima das árvores sem muito alarde.
- POR QUE VOCÊ FEZ ISSO?
- Para mantenerlo alejado, tal como lo pediste
- E precisava SE EXPLODIR JUNTO?
- ASI QUE ES BUENO
Cellbit rapidamente verifica Roier em busca de machucados ou queimaduras, e pra alguém que acabou de tomar uma explosão na cara, Roier parecia incrivelmente bem, quase intacto.
- Você é maluco. - soltando uma leve risada, se virou de costas para observar a área brevemente.
- Es bueno sentirse vivo de vez en cuando.
Se sentiu estático por um momento.
- Vamos, no creo que tengamos mucho tiempo antes de que regrese.
Assim que chegam ao chão, em poucos segundos todo aquele tumulto de gente se vira em direção aos dois ninjas, correndo, feições vazias mas com total intenção de causar dor.
Não demoraram para entrar em uma enorme briga, todos distribuindo socos, chutes, cabeçadas, o que tivesse disponível para atacar. Dessa vez não poderiam deixar de revidar, precisavam acabar com isso e a presença desse grupo enorme deixaria a situação impossível.
Cellbit desvia de mais um ataque e os afastam com um chute.
- Me desculpem por isso.
Dando um salto pra trás, toma espaço para fazer com que cada uma dessas pessoas esteja em seu campo de visão. Viu Roier dar um último golpe antes de correr para trás de si, preparando seu pergaminho.
- Listo.
Cellbit rapidamente faz o sinal próximo a seu peito e espelha as palmas, formando algo similar a um quadrado com suas mãos.
- INTON: SHINRANSHIN NO JUTSU
E, a súbito, todos pararam.
Seu jutsu de troca de mente não só é perigoso como lhe traz uma vantagem imensa em missões de coleta de informações. Mas nada se compara a esse jutsu. O controle mental que o permite usar os atingidos como marionetes, fazê-los lutar um contra os outros usando seus próprios jutsus, ou até mesmo controlar um batalhão inteiro dependendo do quão habilidoso for.
Um jutsu tão perigoso.
E ainda sim, todos seguem parados, nada mais.
Surpresa e curiosidade passam pelo rosto de Roier. Já ouviu falar sobre jutsus de controle mental, mas nunca viu um em prática, muito menos um atingindo dezenas de pessoas em uma única vez, e Cellbit sequer parecia estar se esforçando. O quão poderoso ele é?
Não se aprofundou muito em seus pensamentos, logo tomando seu pergaminho em mãos e o arremessando por cima do grupo que agora estava paralisado
- SŌGU: TENSASAI
E então do pergaminho, uma tempestade afiada, com centenas de armas sendo invocadas ao mesmo tempo.
Caíam de forma tão rápida que parecia uma verdadeira chuva mortal.
Era impossível de escapar.
E ainda sim, para Roier, a vantagem de ser ter uma mira perfeita, era poder escolher exatamente onde acertar seus ataques. O pergaminho foi jogado com a precisão certa, milhares de armas caindo.
Mortal, poderia matar esse grupo inteiro, ou apenas uma pessoa muito azarada.
Mas esse não era o propósito de Roier.
Todos os ataques atingiram áreas não letais, foi o bastante para abater todos eles sem o risco de realmente os matar.
Diferente da Bakusaidama, essas armas não possuíam selos explosivos. Um jutsu forte o bastante pra incapacitar qualquer um, mas não o bastante para matar alguém… se ele quisesse.
Com o grupo inteiro preso ao chão, Cellbit afasta suas mãos, os liberando do jutsu. Por mais que tivessem sido atingidos, podia ver que a grande maioria ainda relutava, tirando as kunais de seus corpos ou tentando se levantar.
O que quer que estivesse os forçando a continuar lutando, não pararia agora. No entanto, se quisessem evitar um desastre maior, teriam que tirar esse grupo de seus caminhos até que consigam lidar com o urso parasitado.
Alcançou um de seus compartimentos onde deixava equipamentos leves, e ficou surpreso ao ver que Roier parecia fazer a mesma coisa. Tiveram a mesma ideia.
- MISAOITO NO JUTSU
- MISAOITO NO JUTSU
Os dois ninjas preparam seus jutsus ao mesmo tempo, lançando fios por cima de toda a área, prendendo os atingidos em uma espécie de rede, eram finos porém altamente resistentes. Manipularam seus fios para que prendessem nas kunais que estavam fincadas no chão pelo jutsu que Roier tinha acabado de invocar. Não conseguiram levantar e por fim estavam com seu caminho livre para lidar com a criatura sem correrem o risco de uma baixa indesejada.
Quase como se tivesse lido seus pensamentos, a criatura vinha correndo sobre o rio com toda sua velocidade, e apesar da sua expressão fria e vazia, parecia FURIOSO.
Sacando ambas as lâminas, deu um salto em direção ao par de ninjas, que por sua vez desviaram da tentativa de ataque. Trocava olhares com ambos freneticamente, como se estivesse confuso em quem atacar.
Sem utilizar qualquer tipo de armamento, Cellbit e Roier avançam contra a criatura, depositando chutes, socos e uma variação imensa de ataques taijutsu, e apesar da desvantagem numérica, o "urso" parecia não ter muita dificuldade em desviar, mas ao mesmo tempo, não conseguia atacar também.
Em um movimento rápido com a lâmina, atingiu uma das pernas de Roier e o arremessou para longe com um chute.
- ROIER - gritou desesperado ao ver seu parceiro cair na distância, tinha tentado se levantar rapidamente mas se ajoelhou de dor, estava ferido. Roier estava ferido.
Não devia ter desviado os olhos.
Cometeu um erro.
Sentiu uma lâmina atravessar seu corpo, não pôde conter a dor que sentiu, soltando um gemido de dor. A criatura aprofundou sua lâmina, vendo o sangue escorrer por ela. A água da chuva se misturando com o carmesim, fazendo com que uma poça começasse a se formar.
Caiu de joelhos, e a criatura não parecia ter intenção de o abandonar tão cedo, aprofundando tanto sua lâmina que, quando Cellbit sequer percebeu, estava cara a cara com uma máscara quebrada, o vazio o encarava, o via sofrer. Usou suas mãos para segurar as lâminas, talvez na esperança de impedi-las de se aprofundarem ainda mais. Juntou as forças que ainda tinha, e sussurrou:
- Te vejo no outro lado.
A criatura olhou sobre seus ombros e viu Roier rapidamente se aproximando, abrindo seu pergaminho, dando um salto em direção a eles. Tentou se virar para revidar o que estava por vir, mas sua lâmina ainda seguia presa em Cellbit, que a segurava. Cellbit rapidamente juntou suas mãos, imitando um formato circular com ambos os dedos anelar e mínimo erguidos.
- HIDEN: SHINTENSHIN NO JUTSU
Tudo se escureceu.
E ao abrir os olhos, Cellbit viu seu próprio corpo, desmaiado, com uma lâmina o atravessando. Foi um tiro no escuro, não tinha certeza se seria capaz de completar o jutsu pelo corpo estar parasitado, mas funcionou, estava no corpo do "urso".
Cuidadosamente retirou a lâmina de si e virou em direção a Roier, que vinha em direção a ele com seu pergaminho aberto, dezenas de símbolos desenhados nele, formavam um círculo com o meio claramente vazio.
Largou suas espadas, ouvindo o som metálico colidindo com o chão, abriu seus braços, se preparando para o impacto. Escutou Roier gritar:
- UUNYUU NO JUTSU
E antes que Roier o atingisse, Cellbit abre os olhos, agora em seu corpo, deitado no chão. E pôde presenciar o selamento da criatura, com o pergaminho o consumindo por completo, e em questão de segundos Roier coloca uma de suas mãos no centro dos símbolos, utilizando sua outra mão para fazer um sinal, e vários novos símbolos surgem no centro do pergaminho, finalizando o selamento.
Acabou, estava feito.
Roier não tardou muito em correr em direção a Cellbit, que usava um de seus braços para se colocar sentado, logo perdendo o equilíbrio com o súbito abraço que recebeu de Roier.
O mesmo o abraçou como se não houvesse amanhã, ambos estavam feridos mas não poderiam se importar menos.
Apesar de toda dor que estava sentindo, Cellbit lentamente o abraçou de volta, apoiando seu rosto no ombro de Roier. E assim ficaram, sentindo a chuva os atingir.
-Pendejo - disse com uma voz abafada pelo pescoço de Cellbit. - quando vi que você tinha desmaiado, pensei que era o fim, daí ele do nada jogou as espadas-
- Heh, foi meu último truque na manga.
- Que susto
- Ei, "É bom se sentir vivo de vez em quando", não?
- Hijo de puta - Roier deu um leve tapa na cabeça de Cellbit.
Com o peso do que a acabou de dizer, Cellbit não podia negar que, apesar da ferida enorme em seu corpo e a exaustão que o consumia pela batalha horrível que acabaram de ter, era ali, envolto em um abraço apertado vindo de alguém que não tinha intenções de o soltar, era ali, ali mesmo, que ele se sentiu vivo no que seria a primeira vez.
Se levantaram do chão, com Cellbit apoiando seu peso em Roier, e de repente escutaram passos de dezenas de pessoas se aproximando.
Do meio da floresta, conseguiram ver o senhor Feudal junto de um grupo inteiro de pessoas.
- E-escutamos uma explosão e reuni o máximo de pessoas que consegui pra vir.
- Eles vão precisar de ajuda - Cellbit aponta para as pessoas presas na "rede" que fizeram mais cedo, podiam ver que algumas pessoas estavam lentamente acordando. - estão feridos.
O grupo recém-chegado correu em direção às pessoas desacordadas, dando auxílio e retirando as kunais que haviam atingido elas.
Sem dar muita atenção ao seu redor, Roier ajuda Cellbit a caminhar e juntos adentram a floresta novamente, seguindo o caminho de volta ao vale.
Cellbit abre a palma da sua mão livre, sentindo as gotas de chuva o tocar.
- Tá diminuindo - deu um sorriso suave e levantou o olhar aos céus, que ainda seguia escuro e chuvoso.
- No debes tardar mucho en parar. Lo hiciste.
- A GENTE conseguiu. Muito obrigado por ter me acompanhado.
- Ahora no te desharás de mí tan fácilmente, Gatinho.
- Nem sonharia com isso, Guapito.
Apesar dos pesares, seguiam lado a lado, independente de qualquer dor.
____________
Após um leve tratamento em suas feridas, não tardaram muito em mais uma vez se preparar para uma longa caminhada, com seus armamentos e novos suprimentos oferecidos pelo senhor Feudal junto do pagamento devidamente guardados, se despediram dos moradores e agora estavam na entrada do vale, já podendo ver na distância a imensa floresta verde que agora era sinônimo de familiaridade.
- Listo?
Aos poucos, um raio de Sol iluminava Roier, e sentiu a luz em seu próprio rosto também. Olhou pra cima e pôde ver as nuvens, que antes estavam carregadas, lentamente se desfazendo, dando espaço à luz do dia, um céu azul e alegre voltava a iluminar o vale. Observou o homem à sua frente, que inexplicavelmente fazia seu ritmo cardíaco perder o compasso, que mesmo através da quase morte o fez sentir mais vivo do que nunca, se colocou ao lado de Roier mais uma vez, onde devia estar e onde jamais queria deixar de estar.
Hoje é um novo dia.
- Estou pronto.
E mal podia esperar pelo amanhã.
______ - Epílogo - ______
O Sol pairava sobre Konoha mais uma vez, o dia estava tão bonito, céu limpo, brisa fresca, e a típica conversa mundana dos moradores ecoavam pelas ruas.
No escritório do Hokage, Philza, apoiado em sua mesa, folheava variados documentos, organizando toda a papelada em pequenos montes separados. Escutou passos se aproximando de sua sala, e com o som da maçaneta, viu seu companheiro entrar.
- Entreguei os papéis que me pediu, e trouxe o relatório de um dos grupos Chunnins. - disse Missa, lendo um dos papéis que segurava e fechando a porta atrás dele.
- Ah, Missa! Cellbit acabou de sair - juntou um dos montes de papéis e os guardou em uma das gavetas. - Ele veio entregar o relatório da missão.
- Sério? E como foi? Ele está bem? - Se sentou na cadeira em frente a Philza, e começou a ajudar com a organização dos papéis.
- Ele está bem sim, machucado, mas bem. Foi um pouco difícil de entender mas ele disse que aparentemente tinha algum tipo de parasita na água que usava Genjutsu pra trazer pessoas pro fundo do lago e as controlar, e utilizava do chakra delas pra fazer mais chuva para que o rio enchesse e pudessem trazer mais gente, pra possivelmente montar um exército parasitado ou algo do tipo. - Olhou em direção a Missa, ele parecia confuso. - Sinceramente, eu não precisava dessa informação toda, mas é o Cellbit.
- Ele… realmente fez questão de trazer o relatório completo.
- E sabe o engraçado? Essa questão toda nem foi o que mais me surpreendeu.
- Mais surpreendente que toda essa explicação aí?
Philza assentiu com a cabeça.
- Cellbit estava com o Roier.
-...
- O que é bem curioso, eu passei a missão pro Cellbit só para que ele pudesse ver novos ares, conhecer gente nova - cruzou os braços enquanto olhava fixamente para Missa. - sei que ele era perfeitamente capaz de lidar com a situação sozinho, por isso eu não designei um grupo a ele.
- Hah, sério? Que surpresa, né?
- Missa?
- OLHA, DESDE QUE O ROIER VIU O CELLBIT ELE VEM ENCHER MINHA PACIÊNCIA COM PERGUNTAS DO TIPO "QuiEN éS ÉL?" "AqUeLLa cHICa és nOvIA dE ÉL?" "y Lo nOMbrE?" E COISAS ASSIM. - Percebeu que estava berrando e balançando seus braços desesperadamente. - Desculpe. Eu só tava cansado do Roier me perguntando um monte de coisa e não indo diretamente no Cellbit conversar com ele. Daí… falei com o Cellbit que você pediu pra ele levar alguém.
- Hmm - Philza fecha os olhos e coloca suas costas na cadeira, pensativo. - Foi por isso que você colocou a Baghera pra ir comigo?
Missa assentiu lentamente.
Philza deu uma leve gargalhada, a situação parecia um pouco caótica, mas patética e, se o permitem dizer, bem engraçada. Voltou a organizar sua papelada.
Não imaginava ver Cellbit e Roier trabalhando juntos, mas pareciam felizes. Ainda teriam muita história pra contar.
