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Você é o Único (Para Mim)

Summary:

Onde todos querem beijar o capitão do time de vôlei masculino de Karasuno, inclusive seu melhor amigo, mas não ousam tentar.

Ou, onde Yamaguchi quer apenas beijar uma pessoa.

Notes:

para o aniversário de bibi

permitam o uso de creator's style ou partes não irão funcionar! não revisado.

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Corvo Correio 🐦‍⬛
@karasu_anon

de: 🎧

para: @tadash_y

passei no templo a caminho de casa e comprei esse omamori pra você! espero que o clube de vôlei tenha um ótimo ano, e boa sorte capitão!

7:09 · 13 abr. 24


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Corvo Correio 🐦‍⬛
@karasu_anon

de: anônimo

Mano, o time de vôlei tem toda a atenção. Não consegui nem passar pelo corredor porque tinha um monte de gente na frente da sala 3-4 esperando eles sairem.

10:56 · 7 mai. 24


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Corvo Correio 🐦‍⬛
@karasu_anon

de: anônimo

eu só quero um namorado tipo o capitão do time de vôlei sabe

14:28 · 6 jun. 24


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Corvo Correio 🐦‍⬛
@karasu_anon

de: 🦭

para: @tadash_y

fiz alguns cookies e deixei na sua mesa, espero que aceite

7:03 · 23 jul. 24


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Corvo Correio 🐦‍⬛
@karasu_anon

de: anônimo

O Yamaguchi da sala 3-4 é tão lindo que eu beijava ele sem nem pensar

6:21 · 29 ago. 24


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Corvo Correio 🐦‍⬛
@karasu_anon

de: 📚

O Yamaguchi-senpai é tão popular que o cubiculo dele tá sempre cheio de flores e presentes. Queria que o meu fosse assim também o(╥﹏╥)o

12:42 · 4 set. 24


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Corvo Correio 🐦‍⬛
@karasu_anon

de: ✨

para: @tadash_y

Eu realmente te admiro senpai! Você foi tão bem no futebol hoje, queria que treinasse do lado de fora pra eu poder te ver mais vezes!

13:35 · 14 out. 24


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Corvo Correio 🐦‍⬛
@karasu_anon

de: 🍡

para: @tadash_y

senpai, vem para a sala 2-3! o nosso tema é cat café e acho que vai gostar

12:37 · 2 nov. 24


9 Republicações    0 Comentários    20 Curtidas

Corvo Correio 🐦‍⬛
@karasu_anon

de: anônimo

é pros meninos serem tão bonitos assim?????????

7:19 · 18 nov. 24


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Do modo em que os rumores se espalham, sempre há algum nome sendo proferido de boca em boca até o ponto em que ninguém sabe de onde surgiu, em primeiro lugar.

Apesar de toda fofoca, contudo, Kei sabia como um fato que mais da metade da escola queria beijar um atleta. Especialmente se dito cujo fosse membro do clube de vôlei masculino, terceiranista, e, ainda mais especificamente, se ele carregasse o título de capitão.

Era uma matemática simples. Algo que até mesmo um recém nascido seria capaz de resolver.

Mesmo que decepcionante para muitos, era possível adivinhar tal coisa facilmente e antes mesmo de acontecer. No lado deles, havia apenas alívio quando Kageyama e Hinata finalmente anunciaram seu namoro, e ninguém mais poderia realisticamente obter um beijo de algum dos dois a não ser que seus nomes fossem Kageyama Tobio ou Hinata Shoyo.

(E mesmo assim, Kei tinha Opiniões com um O maiusculo sobre o assunto. Mesmo um cego do outro lado do mundo era capaz de ver seus sentimentos e como se sentiam em relação ao outro. Agindo como se a razão da lua estar no céu e ele ser azul fosse por causa da existência do outro, só os idiotas continuariam a tentar conquistar seus corações. Então. Opiniões.)

Em adição, por todas os motivos e razões, a não ser que alguém fosse uma garota ou de algum modo alinhado ao gênero feminino, não existe nada no mundo que faça com que Yachi Hitoka beije alguém. E considerando sua personalidade, casualmente pegar ou ficar com alguém é tão possível quanto os fósseis dos dinossauros criando vida e dominando o mundo. Então. Não rola.

(De qualquer modo, Yachi era simpática e ansiosa demais — não importa quanta autoconfiança ela tenha ganhado com seus anos como assistente. Quem poderia garantir que ela não iria simplesmente dizer “sim” antes mesmo de perceber para o que estava concordando? Chamem os membros do clube de superprotetores, mas eles eram um time, e desse modo, devem cuidar um do outro. Ou algo assim.)

(Afinal, teve o caso com Kiyoko-san e Terushima Yuji de Johzenji Koko. E a loira tinha admitido para eles que ela acabou extremamente distraída pela terceiranista bonita que veio falar com ela e concordou em ser uma assistente em treinamento antes mesmo de processar uma única palavra. Não fazia mal ficar de olho.)

O ponto da questão é, com tudo isso, era óbvio sobre quem as fofocas eram sobre: Yamaguchi Tadashi.

Não que eles estivessem errado, de qualquer modo. Longe disso. Em seu terceiro e último ano no Ensino Médio, o mais novo era absolutamente deslumbrante. Musculoso em todos os lugares corretos, a camisa número um o servia de maneira natural e era claro como a vida saudável e constante de um atleta o fez maravilhas. Coxas grossas, ombros largos, mãos com calos, cabelo até o ombro, pele morena, e sardas por todo canto. Ele realmente parecia alguém que só se via em filmes: perfeito, lindo, irreal e inconquistável.

E, claro, com o passar dos anos, muitos começaram a trocar seus telefones por celulares. Cartas anônimas ainda eram comuns — e muitas podiam ser encontradas em armários e mesas o tempo todo —, mas com a nova tecnologia e suas vantagens, ficou ainda mais fácil de proferir sua admiração sem medo de ser pego por alguém no ato.

Ao todo, ele ficava maluco.

Assim como Daichi-san e Ennoshita-san antes dele, Tadashi era um capitão incrível e provava diariamente o porquê de ter sido a escolha unânime dos atuais terceironistas para o papel.

Simpático, gentil, paciente, balanceado, firme, confiante.

Estrelas brilhavam nos olhos de seus kohai mesmo que ele fizesse algo tão simples quanto abrir a boca, e suas bochechas carmins provindas de um crush da adolescência eram tão óbvias quanto o vermelho de uma sirene. Mesmo quando bravo, tinha algo no brilho duro de seus olhos e a linha firme de seus lábios que faziam com que muitos ao redor imediatamente congelassem e ficassem vermelhos — e em Kei, algo se revirava em seu interior e o deixava com a necessidade de uma distração imediata e outra coisa para se encarar antes que ele perdesse a cabeça.

Ele realmente ficava maluco.

Agora, o que o deixava um tipo diferente de maluco era observar a quantidade de atenção que vinha com o fato de ser o centro das atenções e criava um fenômeno tal qual as abelhas em volta de sua rainha.

Seja esperando nas portas da classe, interrompendo no horário de almoço, ou até mesmo nos portões da escola, um grupo de garotas estava sempre o esperando com sorrisos tímidos nos rostos, prontas para oferecerem cartas, flores ou doces caseiros. Pelos corredores, nas aulas de educação física, ou até mesmo andando em frente as portas abertas do ginásio após as aulas, alguns garotos deixavam seu olhar vagar por alguns segundos — observando o corpo a sua frente — antes que cortassem e fugissem do local, esperando que ninguém notasse o brilho rubro em suas bochechas. Algo diferente em si parecia se apertar. Afogar. Doer. A procura por uma distração e visão diferente eram por outros motivos, para que nada se quebrasse. Seja lá o que fosse.

Mas, Kei supunha, ter seu amigo ser tão apreciado era melhor do que vê-lo ser ridicularizado e sofrendo bullying. Só os sem cérebro não adorariam sua existência.

Naquele dia durante o treino, Tadashi estava pegando bem mais leve com os primeiranistas, até mesmo permitindo-os a saírem mais cedo e fazendo com que os terceiranistas ficassem para realizar a limpeza e organização. O capitão tinha ouvido falar do projeto que precisavam finalizar antes do prazo, e os segundanistas passaram a semana toda choramingando sobre suas provas, então era óbvio que ele não queria sobrecarregar ainda mais qualquer um dos membros mais novos. Isso tudo tirando o fato que, como alguém também na sala 4 — e Yachi na 5 —, eles também tinham lições extras e provas com as quais se preocupar. Mas aulas preparatórias para a universidade ou não, eles os deixaram ir.

(A dupla dinâmica — ou só o Hinata, honestamente — até tentou os fazer ir embora também, mas Tadashi apenas abanou sua mão e afirmou que seria mais rápido com os cinco trabalhando, e “Vamos estudar juntos hoje, né? Não faz sentido deixarmos os dois sozinhos quando vamos todos para o mesmo lugar.”. Era uma pena que ele fosse a única pessoa na qual Kei nunca diria “não”. Ele não tinha problema algum em deixar os dois idiotas locais para limparem sozinhos.)

Gentil. Isso é o que Yamaguchi Tadashi era. Ridiculamente gentil.

Infelizmente, sua bondade ainda não era o suficiente para cancelar a estupidez de certas pessoas.

Enquanto Yachi cuidadosamente esfregava o chão e Kei e Tadashi desmontavam a rede, Hinata tinha convencido Kageyama a levantar toda e qualquer bola que lhe fossem arremessadas, tudo com o objetivo de cortarem-nas na direção dos carrinhos de bolas. Como qualquer um era capaz de adivinhar, a maioria das bolas passava longe de seu objetivo ou apenas ricocheteavam naquelas que já estavam lá dentro, assim criando uma bagunça ainda maior.

Não parecia que eles notaram. Ou se importavam.

Tadashi suspirou.

– Shoyo, Tobio. – Chamou, colocando suas mãos no quadril e levantando uma sobrancelha. – Vocês se lembram que temos que acabar ainda hoje, certo?

Revirando os olhos, Kei abaixou o poste da rede para que pudesse carregá-lo até a salinha de equipamentos. Enquanto trilhava seu caminho, com cuidado para não tropeçar, ele disse por cima de seu ombro:

— Devíamos deixar os dois para limparem tudo sozinhos.

– Não seja assim, Kei. – Yachi sorriu, abaixando para poder pegar algumas bolas próximas e colocá-las corretamente no carrinho. – Eles estão se divertindo.

– E fazendo mais bagunça.

– Eh. – Ela continuou sorrindo, dando de ombros. – Mas faz algum tempo desde que tivemos a oportunidade de limpar o ginásio juntos, né?

– Porque não temos tempo pra isso, Hitoka. — Ele a lembrou. Eles tinham muitas coisas pra fazer, era impossível gastar tempo para limpar o ginásio. Existe um motivo do porquê a responsabilidade ser dos mais novos.

– Talvez não, mas é apenas um pequeno favor. – Yachi chacoalhou a cabeça, equilibrando mais bolas em seus braços. Com seu corpo pequeno, era até impressionante a quantidade que ela conseguia segurar ao mesmo tempo, mas também provas do quanto ela tinha crescido em seu papel como assistente e aprendido algumas coisinhas aqui e ali. – De vez em quando não machuca ninguém. Além disso, é igual aos velhos tempos!

A expressão que viu na cara do loiro mais alto ao ouvir suas palavras a fez rir, olhos em formato de pequenas luas crescentes e brilhando de alegria, sorriso demonstrando sua felicidade. Kei bufou, pronto para se virar e seguir seu caminho — porque pois é, mas ainda sem tempo! —, sem se esforçar em dar uma resposta.

Contudo, outra pessoa não parecia ter os mesmos problemas.

– Tenho que admitir, senti falta de fazer isso. – Tadashi concordou, se aproximando e tendo ouvido o final da conversa. Ambos viraram para encará-lo, e o central não conseguiu evitar a maneira na qual seus olhos imediatamente se fixaram nos braços de seu capitão ao invés de se manterem em sua face.

Ah, ele engoliu em seco, garganta parecendo o próprio Saara.

Com o outro poste em mãos, os músculos do outro estavam flexionados e esticando as mangas de sua camiseta. Fortes e hipnotizantes. Faziam com que o esforço de carregar a peça de metal parecesse fácil e simples. O oposto de seu porte físico “de poste”, como um certo alguém adorava mencionar. Ele era pequeno o suficiente para ser comparado com um inseto, sendo assim facilmente ignorado.

Aquele à sua frente, contudo…

Sentido uma onda de calor subir-lhe o pescoço e curvar-se sobre suas orelhas, Kei rapidamente girou em seu eixo e marchou em direção a sala de equipamentos, pretendendo irritação.

Não. Repreendeu a si mesmo. De jeito nenhum. E praticamente largou o poste em seu cantinho, determinado a sair do espaço fechado e pegar a rede largada no meio da quadra antes que seu amigo de infância entrasse também. Não vai rolar. E ele não estava fugindo, apenas mantendo sua sanidade intacta, obrigado.

Assim que Kageyama e Hinata terminassem de guardar as bolas, eles poderiam ir se trocar e vazar dali para poder estudar e nada além disso. E se tinha um bônus de uma certa jaqueta estar cobrindo aqueles braços fortes e ombros largos, então era apenas o universo o auxiliando na tarefa de manter seu estado mental sã e inteiro.

Apesar de que, certamente o mais novo ficaria melhor se dita cuja jaqueta fosse alguns números maiores e carregasse o cheiro de Kei—

Não. Ele forçou seus pensamentos a pararem por ali. Cale a boca. Só por mais um tempinho. Dando uma inspirada profunda, ele se abaixou para começar a trabalhar na rede.

Perdido em sua mente como estava, era fácil com que o olhar curioso de um certo par de olhos de cor âmbar passasse despercebido.




Kei tinha acabado de guardar a rede onde ela devia estar quando a voz de Tadashi ecoou pelo ginásio mais uma vez.

– Hitoka, Shoyo, Tobio, deixem os carrinhos e as bolas. Eu consigo finalizar aqui.

– Uh? – Hinata piscou em surpresa, virando-se com os braços cheios de bolas e fazendo com que duas caíssem e quicassem pelo chão. – Tem certeza, Tadashi?

– Uhum. – O capitão acenou com a cabeça, parando uma das bolas com seu pé esquerdo. – Você disse mais cedo que precisava ir embora às 19 ao invés das 20 pra poder cuidar da Natsu, não era? A Hitoka pode te ajudar a começar, então, e nós finalizamos aqui.

O “nós” da frase, é claro, era ele e o próprio Tadashi. Arrancando um suspiro de seus lábios, ele levantou a mão para massagear o centro de sua testa. Por que o outro ofereceria ambos quando estavam tão perto de terminar — ainda mais se considerasse que a bagunça era culpa de um certo duo —, ele nunca descobriria, mas com o próximo “Tem certeza?” seguido por “Sim. Não se preocupe, Shoyo.”, seu destino estava selado.

A coisa toda era para que os cinco trabalhassem juntos e terminassem o serviço mais rápido. Era. Parece que seu capitão mudou de ideia.

Novamente, gentil demais.

Ele conseguia ouvir o conjunto de passos que indicavam que os outros três estavam de saída, e, de repente, eram apenas os dois naquele lugar.

Essa certamente era uma sensação esquisita.

Arrepios fizeram com que os pelos finos e claros de seus braços ficassem eretos, uma tremedeira involuntária percorrendo seu corpo. Kei estivera sozinho com Tadashi em diversas instâncias, por diversos motivos. Nenhuma delas o fizeram sentir como estava se sentindo no momento. O que estava acontecendo?

Um pouco incomodado, mas ainda determinado a ir embora o mais rápido possível, o loiro rapidamente saiu da salinha e se dirigiu para as últimas bolas ainda no chão. Era um serviço rápido e fácil, no fim de tudo, e certamente seus amigos eram mais do que capazes de realizá-los em uma questão de segundos.

Então por que o Tadashi ainda insistiu?

Seus olhos divagaram, observando por seus cantos o outro garoto que se abaixava e guardava as bolas metodicamente. Eles trabalham em um silêncio amigável, preenchendo dois carrinhos diferentes, a atmosfera divergente daquela quando os outros ainda estavam.

A ação constante não o ajudou a relaxar.

Ele jogou as últimas bolas no carrinho, endireitando o corpo e empurrando seu óculos para sentar-se em um lugar mais alto na ponte de seu nariz. Acabou.

Abrindo a boca para deixar um suspiro silencioso sair, ele se virou, pronto para sair dali o mais rápido possível e arrastar seu melhor amigo junto, quando — ao invés de encontrar dito cujo garoto há alguns metros de distância — ele acabou com a cara bloqueada por diversos fios esverdeados. Ou, mais precisamente, a boca cheia de fios esverdeados.

Os olhos de Kei trilharam para baixo para encontrar os olhos de Tadashi. Perto demais, sua mente observou, inutilmente. Ele fez seu melhor para manter sua expressão neutra.

– Terminou?

– Uhum. – O menor concordou, parecendo despreocupado com o quão perto ele tinha parado em frente ao outro. Ele não disse mais nada.

O loiro segurou a vontade de engolir, rosto limpo de emoções. Incomodava um pouco ter aquelas íris âmbares praticamente cavando buracos nele, brilhando como ouro em sua intensidade e extremamente próximos.

A diferença de altura entre eles é de 10 centímetros. Mesmo assim, a presença de Tadashi fazia com que a diferença parecesse menor e mais insignificante. Talvez não fosse o mais aconselhável, mas realmente, existe muito pouco que ele negaria a se fazer pelo outro.

Ele segurou a vontade de pigarrear, decidindo levantar uma sobrancelha no lugar.

– E então?

– E então? – Seu melhor amigo perguntou de volta, nem mesmo segundos depois, ainda o encarando com calma.

– O que é, Tadashi?

– Eu não sei, você que o diga.

Kei franziu o cenho.

– Não temos tempo pra isso.

Um dar de ombros.

– É você que está ansioso e nervoso. Como capitão, não deveria me preocupar e saber o que está incomodando um de meus colegas de time?

Ele piscou.

– Tch. Não sei do que você tá falando. – Um espasmo percorreu seus dedos, e ele segurou a vontade de levá-los ao rosto e desnecessariamente ajustar seus óculos.

– Não sabe mesmo? – Tadashi inclinou a cabeça para o lado, olhos limpos e sem indicar o que estava pensando. – Então você tem corrido de mim pelos últimos dias só porque sim?

O que—

– Eu não estou correndo de você.

– Definitivamente está.

—ele com certeza estava fazendo.

Não era como se ele quisesse fazer isso, mas desde o início do ano, seu melhor amigo era parado em todo canto por pessoas de todos os anos. Eles não foram capazes de se qualificar para o Interhigh por mais um ano, mas ninguém parecia se importar. E com o trabalho duro que estavam tendo para pelo menos chegar ao Torneio de Primavera três vezes seguidas, a popularidade apenas cresceu. Existe um limite para quantas confissões e rostos corados que ele consegue aguentar, afinal. Então, para o bem comum, ele apenas decidiu continuar seu caminho ao invés de permanecer plantado do lado de fora das rodinhas com uma careta na cara.

– Você está imaginando coisas.

– Eu tô, é?

Kei revirou os olhos, mudando seu centro de gravidade para que pudesse facilmente desviar de seu amigo e marchar em direção a porta.

Anos atrás, esse tipo de coisa teria funcionado com certeza. O esverdeado não era o tipo de pressionar, ignorando alguns momentos ocasionais em que ele certamente não era contra, o que combinava facilmente com as tendências próprias do loiro de interromper conversas que não estava nem mesmo disposto a começar.

Palavras chave: Anos atrás.

Vantagens de serem melhores amigos de infância, você acaba aprendendo como o outro funciona.

No momento em que Kei arrastou um pé para trás e para o lado, Tadashi levantou os braços e acompanhou o movimento, efetivamente — e de uma maneira um tanto quanto infantil — bloqueando o caminho novamente. Ele olhou para baixo com o gesto, observando a forma aberta de maneira nem um pouco impressionada. Seus olhos castanhos se demoraram em certos membros musculosos antes de desviá-los.

A sensação de sua sobrancelha estremecendo era certamente real.

– Eles estão grandes agora, não é? – A pergunta veio do nada. Como um pequeno gremlin, o garoto usou a vantagem deles estarem abertos e esticados e flexionar seus braços, marcando ainda mais seus músculos e suas definições. – Não tão grandes quanto os do Asahi-san e os do Daichi-san, eu suponho, mas eles também são bem bonitos, não é?

Seu olhar zerou nos membros devido ao choque e ao reflexo ao ouvir as palavras aleatórias, e ele não conseguiu impedir a maneira na qual analisava cada detalhe. Sem vergonha. Sua mente ficou branca. Relaxados, seus braços não pareciam particularmente grandes. Nem tão grossos, apenas grandes o suficiente para passar a impressão de certa força. Flexionados, por outro lado…

– Pode tocar. – Tadashi murmurou. Seu tom era baixo, carregando divertimento. – Peguei você encarando. – Várias vezes. Havia um desafio silencioso naquelas palavras.

E Kei sentiu o calor subir-lhe as bochechas, olhos praticamente voando para longe dos braços que ele definitivamente estava olhando. De novo. Sua garganta estava seca.

– O que está fazendo, com esse tom de voz? – Não era sedoso, ainda não, mas fazia com que o loiro estremecesse de qualquer modo. Quem disse que era permitido por lei que alguém pudesse falar dessa maneira? Mesmo assim, ele não era do tipo de fugir de um desafio.

Inspirando profundamente, ele se preparou, movimentando os olhos de volta àqueles bíceps pecaminosos. Seu olhar se manteve fixo, absorvendo tudo, antes de deixá-lo trilhar para cima, seguindo uma mandíbula marcada, lábios carnudos, nariz adorável, e então, finalmente… Ah. Kei conseguia sentir o ar fugindo-lhe dos pulmões. Os olhos de Tadashi queimavam, similares ao ouro derretido. Carregavam um calor potente, mas não um na qual ele era familiar.

Sua garganta estava realmente bem seca — ao ponto de coçar de maneira irritante —, mas a saliva continuava a se acumular dentro de sua boca.

Ele engoliu.

– Gosta de me ver olhando?

Uma mão ousada agarrou a lateral de seu rosto, pousando em sua mandíbula. A palma era grossa, cheia de calos provindos de anos dedicados ao vôlei. Olhos dourados queimavam sua pele.

– Gosta do que vê? – Tadashi rebateu.

– Acredito que perguntei primeiro. – Ele respondeu, mas… Sim. O cérebro de Kei respondeu, inútilmente. Muito.

No ponto em que suas peles se encontravam, algo parecia queimar, cauterizando até que sobrasse uma marca no ponto para sempre.

Ele queria sentir mais daquilo

Tão trabalhoso, se sentir como um bobo apaixonado.

Parecia impossível de se evitar, quando era o garoto em frente a si. O que é isso, algum tipo de manga shoujo? Seus olhos percorreram o rosto à sua frente.

Ele nunca duvidou de seus sentimentos. Ele não era estúpido, sabia sobre coisas, o que é a razão de ter escondido. Contudo, o loiro tinha motivos para se sentir assim. Tadashi não tinha, não realisticamente.

(– Você gosta dele, não? – Akiteru perguntou.

Suas mãos hesitaram, e a bola que estava usando caiu vítima da gravidade, quicando no chão. Era como se alguém tivesse arremessado um balde de água fria em sua cabeça.

– O que?

– O Tadashi. – Seu irmão continuou, como se não estivesse enfiando um prego diretamente dentro dele. Sua própria bola continuou para cima e para baixo, para cima e para baixo.

Cada batida dela contra pele parecia com a batida de uma chave de fenda empurrando o prego mais fundo.

– Não sei do que está falando.

A comunicação nunca foi o forte deles, o que é a razão de seu relacionamento ter se deteriorado tanto quanto aconteceu. Mas dessa vez, não parecia que eles estavam em páginas diferentes.

Akiteru franziu o cenho.

– Bem, eu não queria assumir, mas conheço vocês dois. Há muitos anos. – Ele segurou a bola, parando-a com ambas as mãos e virando sua cabeça para encará-lo. – É só que, nesses últimos anos… – Uma de suas mãos coçou seu pescoço em um ato de nervosismo. – Ai, sei lá. É só que realmente parecia que você gostava dele.

Talvez fosse possível com que um coração escapasse de seus confins. Com a velocidade de seus batimentos, realmente parecia que iria voar garganta acima e se espatifar no chão, à mercê de uma bala vinda da arma de um sniper.

– Nii-san— – Começou, mas não havia nada que poderia dizer em relação ao assunto.

O olhar de Akiteru suavizou ao perceber seja lá o que fosse em seu tom de voz.

– Sabe, Kei, o mundo pode ser um lugar bem cruel e assustador, mas… tá tudo bem, sabe? De verdade.

– Mas é mesmo?

Seu irmão deu de ombros.

– Se alguém se achar no direito de te dizer como viver a sua vida, então eu não tenho problema algum em ter uma conversinha com ela. Não vejo como isso afeta qualquer um que não seja você. Se você tá feliz, então tá tudo bem. E o Tadashi é muito gente boa, ele é bom pra você. – Kei conseguia ver o tamborilar nervoso dos dedos de Akiteru. – Além do mais, é pra isso que irmãos existem, né?

Ele ainda era tão ruim com palavras quanto sempre foi, e não era assim que as coisas funcionavam (e por quê não, afinal? Quem ditava as regras?), mas mesmo assim, uma onda de conforto espalhou-se por seu corpo e envolveu seu coração. Não estava mais acelerado.

Kei não se sentia assim há um tempo.

Estou com você, dizia.)

– Com tantos outros por aí, por que eu? – Kei indagou. Ele não era nada especial. Ele não era diferente. Ele não era legal. Ele não era honesto. Ele não era gentil.

Ele se sentia nu com aquele olhar que parecia ser capaz de desvendar até mesmo o pior de seus segredos antes que pudesse se esconder. Tão sincero em sua paixão que era até assustador. Vagando, o olhar analisava cada centímetro da superfície disponível em sua face, sua pessoa, analisando tudo. Então por que? Por que ele?

Não era sobre isso que estavam discutindo, mas, ao mesmo tempo, era.

E então?

E então?

– O que é, Tadashi?

– Eu sei lá, você que me diga.

De certo modo, foi gentil da parte dele a maneira na qual iniciou o assunto. Eles costumam ser mais direto ao ponto um com o outro.

Óbvio assim, hein. Ou talvez ele nunca teve chance alguma de realmente esconder algo da pessoa que esteve ao seu lado por tantos anos, e que talvez tenha a posse de seu coração por tanto tempo quanto.

– Não acha que deveria estar se perguntando por que não você?

– Eu sei de fato que, se você chamasse qualquer um dessa escola pra sair, você teria até os mais difíceis de se conquistar.

Ele levantou uma sobrancelha.

– Teria? – Ele soltou um som pensativo, e três dedos se curvaram e arrastaram por seu pescoço, os outros dois se mantendo fixos em sua mandíbula. – Bem, eu não quero eles.

O que... não fazia sentido. Kei pode não se importar com eles, mas ele não era surdo. As pessoas falam, e por serem uma escola pública, algumas regras são menos rígidas. Garotos caem como idiotas por garotas enquanto elas dão risadinhas e aplicam maquiagem, entupindo corredores para se pendurarem em janelas, e todos sabem quem é a mais bonita, popular e desejada do momento.

Como um dos populares do outro lado do espectro, Tadashi é sempre questionado sobre sua opinião nelas. “A Sato da sala 2 é realmente tão bonita assim?”, “O que você acha da Mano da sala 2-4?”, “A Rin-san mudou o tipo de maquiagem que fazia, ela não tá linda?”, e seja lá qual outra baboseira eram capazes de inventar.

Estar usando fones de ouvido nem sempre significa que ele estava escutando alguma música.

Eles sempre recebiam uma resposta.

Talvez seja surpreendente que nenhum caso ou namoro tenha ocorrido até o momento, mas era apenas uma questão de tempo. Opções que não faltam, afinal.

A conclusão era fácil. Simples. Óbvia.

– Tadashi, não pode ser eu.

Ele percebeu a mudança na hora que as palavras deixaram sua boca. A mão que o aquecia se afastou, deixando apenas um ponto frio para trás. Queimava, mas não como antes.

– E quem é você, pra assumir meus sentimentos e definir o que dizem? – Ouro ardente, penetrando como uma lança. Seu amigo sempre foi bonito, mas a paixão acendendo dentro de seus olhos combinavam bem com ele, preenchendo-0 com confiança e assertividade. – Eu não sou a minha própria pessoa? Não posso saber o que eu mesmo quero?

Kei era um homem muito, muito fraco. Ele engoliu em seca, abrindo a boca, porque claramente—

– Eu sei o que sinto, e sei o que significam para mim. Eu gosto de você, seu poste estúpido. Você, Tsukishima Kei, e ninguém mais. – Ele subiu nas pontas dos pés, aproximando seus rostos. – E eu vou provar para você.

Apesar da agressividade em seu tom, em como suas mãos tremiam nos punhos que tinham formado, a dúvida que se manifestava dentro do coração de Kei foi cutucada, empurrada de uma maneira que a fazia recuar como se queimasse.

Sua respiração falhou, e mãos se aproximaram. Elas hesitaram um pouco, como um passarinho incerto sobre onde pousar para descansar. Uma parte da chama enfraqueceu.

– Se você não acredita em mim, posso te mostrar? – Dessa vez, Tadashi perguntou. – Posso te provar que eu quis dizer cada uma daquelas palavras?

Uma batida. Duas.

Talvez fosse uma vantagem que ambos se conhecessem tão bem. Mesmo com o silêncio se prolongando, não estava completamente silencioso.

Ele nunca foi a pessoa mais vocal do mundo, preferindo ficar quieto (mesmo que fosse majoritariamente devido a sua falta de paciência e energia para lidar com pessoas, o ato de falar era cansativo). Ele era capaz de realizar um esforço em relação àqueles com quem não se importava, mas suas palavras sempre carregavam um certo tom de deboche. Kei sabe que ninguém as levaria a sério, mesmo se o reizinho que é aquele levantador usasse-as como desculpa para cair no soco. E um pouco de travessura penetra suas falas de tempos em tempos quando interage e fala de pessoas que não gosta. Eles aprendem, infelizmente eventualmente, a ler as entrelinhas do que diz.

O ponto é, Tadashi o conhece, sabe de seus hábitos, e tinham definido maneiras e meios de comunicação não atrelados a palavras há muito tempo. Em dias em que um, ou nenhum, queria fisicamente usá-las, eles não tinham necessidade de o fazer.

Ele não abriu a boca, mas tem certeza que a resposta está marcada tão claramente quanto um letreiro neon no escuro e sob luz ultravioleta no seu rosto.

Mesmo sabendo que isso ia acontecer, quando o momento chegou, parecia que não conseguia respirar.

Leve como pena, o toque parecia envergonhado. Quase como se temesse que qualquer coisa que não fosse a ponta dos dedos iria 0 machucar ou quebrar. Reverente. Como um adorador diante de seu deus. Arrepios percorreram seu corpo. Tanta devoção por trás de cada carícia, deixando apenas um caminho de algo que parecia perfurar diretamente através do coração.

Tadashi se moveu com confiança após finalizar sua análise — olhos hesitando e absorvendo cada milímetro disponível e possível, lendo centenas de pequenas mudanças de expressão e dando um significado a elas que, então, os levava a palavras e frases não ditas, mas compreendidas — e não tinha pressa, fazendo com que Kei sentisse como se estivesse se desfazendo devido ao outro, de pouquinho em pouquinho.

Era aterrorizante, o quanto de poder que esse garoto tinha sobre ele. Também era libertador, chegar a aceitação. Ele sabia, mas ao mesmo tempo não. Não de verdade.

Saber de algo não é aceitá-lo, afinal.

Apesar de tudo que se escondia dentro de si, nenhum deles parecia prioridade no momento.

Seu corpo foi traçado, para cima e para baixo em seus braços, e então através de seu tronco antes de subir para seu pescoço, antes de descer de novo. Como uma trilha invisível, brilhando para uma pessoa específica seguir, nunca passando de sua cintura, simples e inocente e completamente a causa de diversos arrepios.

Toda vez que aquelas mãos se aproximavam de seu rosto, elas se moviam com mais ousadia, cobrindo mais de sua pele. Logo, pela direção que as coisas estavam indo, elas facilmente envolveriam seu pescoço ou bochechas. O esverdeada parecia cada vez mais interessado na área a cada segundo, e a leve sensação de suas bem cuidadas unhas através de cada arraste de um dedo em seu pescoço preenchia suas orelhas com um apito, deixando arrepios para trás.

Kei não iria se importar tanto se aquela mão vivesse em seu couro cabeludo e acariciasse tão suavemente quanto agora. Seus olhos castanhos-dourados se fecharam vagarosamente, aproveitando a sensação.

Um risinho o tirou de sua divagação atípica, e seus olhos se abriram em alarme, realização o percorrendo, mas—

As faces de ambos estavam bem próximas agora, respirações se misturando e colidindo uma com a outra. O menor dos movimentos poderia juntá-los, e dedos continuavam sua massagem e brincavam com os fios loiros. Ele quase estremeceu com algo com a possibilidade, e seu coração tremeu loucamente enquanto os olhos do outro pareciam chegar a uma decisão, aproximando seu corpo. Mas ao invés do esperado juntar de lábios com lábios, Tadashi desviou os seus para o lado no último segundo, com as bocas quase encostando, e juntou suas bochechas.

– Eu realmente gosto de você, sabia? – Seu capitão disse, boca próxima a sua orelha, enviando sopros de ar quente direto na concha, fazendo com que seu cabelo se arrepiasse. – E quero que veja.

Com os braços ainda apoiados nos ombros do maior, o garoto lentamente se afastou até que estivessem se encarando, próximos. Seus olhos brilharam como um raio de sol refletindo em um floco de neve.

Ele parecia estar considerando algo antes de acenar com a cabeça, determinação recaindo sobre si. Firmando seu aperto em Kei, ele aproximou seus rostos.

Foi um movimento doce. Inesperado, mas que ainda trazia diversas memórias de infância.

Ainda não um beijo de lábios nos lábios, as mãos de Tadashi permaneciam firmes onde agarravam seu pescoço, mas não brincavam mais com seus fios. Ao invés disso, o menor parecia querer segurar sua face ao mesmo tempo que a martinha inclinada para baixo, permitindo com que seus narizes se encostassem de novo e de novo.

Um beijo simples e inocente.

Que o fazia querer derreter até o chão.

Como pode esse menino, dia após dia, ser tão gentil? Mesmo durante a infância, quando não eram nada além de estranhos, Tadashi se levantou e correu atrás dele para dizer um “Obrigado!” alegre, como se não tivesse sido bulinado até chorar aparas segundos atrás e ter parado aqueles idiotas não fosse uma bondade que qualquer um com cérebro faria.

Kei não era bom, mesmo que, de tempos em tempos, ele tivesse seus momentos legais. No fim, ele não era gentil. Ele nem mesmo ficou para ver se o garotinho que ele inadvertidamente ajudou estava bem. Naquele momento, estava apenas irritado com indivíduos medíocres agindo como se fossem superiores, mas no fim, suas ações o deram alguém para o resto da vida.

Era possível que Tadashi ficasse? Era uma coisa permanecerem juntos durante o Fundamental e o Médio, mas eles certamente não iriam para a mesma faculdade, mesmo caso escolhessem a mesma universidade.

Se eles se separassem, será que Tadashi o abandonaria?

Seus olhos nublaram com preocupação sem seu consentimento. Seu peito parecia estar sendo comprimido, apertando até ferir.

– Ei. – Um chamado. Dedões começaram a desenhar círculos em sua mandíbula, nos pontos em que alcançavam. Kei também sentia unhas curtas arranhando sua nuca. – Consigo ver seu cérebro pensando em excesso. Pode ir parando.

Em algum momento, o menino à sua frente tinha se afastado, apenas um pouco, o suficiente para escanear seu rosto sem enxergar embaçado devido a proximidade. Mesmo que o loiro não tenha se movido durante as carícias anteriores e permaneceu tão imóvel quanto estava antes de cair em uma espiral mental, Tadashi o conhecia bem o suficiente para saber quando seu humor mudava.

– Descanse por agora, tá? – E aquele sorriso, doce e pequeno e que o passava a sensação de privacidade, privilégios e cuidado, agraciou a bela face à sua frente. Ele movia todas as pintinhas que compunham as sardas do garoto, e uma vontade de beijar cada uma o consumia. – Quando estiver comigo, não precisa preocupar essa cabecinha bonita sua.

Usando as pontas dos pés e puxando seu pescoço como meio, a diferença entre eles foi facilmente destruída. O pressionar dos lábios em sua testa foi suave, como o farfalhar das asas de uma borboleta, ali por apenas alguns poucos segundos, e então não mais. Como se estivesse iluminando um caminho e se movendo de uma flor a outra, casa beijo era dado em algum canto de seu rosto, qualquer lugar alcançável, todos iguais. Rápidos e suaves, com um calor que permanecia mesmo após se afastar.

Seu coração tremia dentro de seu peito, desejando se revelar para o outro em frente a si. Kei se sentia tonto. Ele conseguia se afogar no sentimento.

Ele realmente amava esse garoto.

Com um aperto gentil em seu pescoço e mandíbula, e o mínimo de altura adicionada ao subir nas pontas dos pés, o mais novo estava extremamente próximo a sua face. Cada respirar mandava nuvens de ar que se espalhavam por seus lábios, quentes e úmidas. O âmbar em seus olhos brilhava como ouro.

– Kei. – Tadashi respirou fundo, voz rouca e quase silenciosa. Ele podia apenas estremecer quando o som de seu nome chegou a suas orelhas e penetrou em seus tímpanos, percorrendo o caminho até seu cérebro e ecoando de novo e de novo como uma gravação quebrada, rebatendo nas paredes como uma bala perdida que iria se perder em seu coração para sempre. Aquele sorriso era de quebrar corações de um modo que fraquejava seus joelhos, lindo em suas curvas. – Kei, posso te beijar?

E sinceramente, o cérebro de Kei nunca esteve tão lento e derretido antes. Sua língua estava pesada, sua garganta fechada, sua mandíbula travada. Não importava qual parte de seu corpo que ele tentava mexer, nada o ouvia. Era esquisito, não era ele. Mesmo assim, seu melhor amigo o entende bem, como sempre.

– Tá tudo bem. – Ele sorri, gentil e ainda tão bom. Um dedão desliza suavemente na parte debaixo de sua mandíbula. – No seu tempo, tá? Somente quando estiver confortável.

Com qualquer outro, tudo provavelmente seria tão em excesso quanto sufocando, mas Tadashi possuía algo em si que fazia tudo parecer fácil. Não haviam erros a serem cometidos, nenhuma mentira escondida, sem palavras com mais de um significado. Apenas ele e Kei e uma sensação de tempo.

Ele realmente queria beijar esse garoto.

Corretamente. Seu cérebro acrescentou. Não só um beijinho infantil, mas um beijo de verdade com lábios e línguas e respirações pesadas até dar tontura—

… De certo modo, ele conseguia entender a animação do mascote do time e sua aparente péssima capacidade de não lascar um beijo em qualquer parte disponível da cabeça de Kageyama através do dia. Beijar estava se provando viciante, e ele nem tinha tentado uma única vez.

Ele com certeza preencheria e mapearia o corpo de Tadashi com eles.

Kei deslizou seus olhos de volta para ele, piscando lentamente de novo. Ele acenou com a cabeça.

– Me beije. – A concordância verbal parecia eletrificada, apesar de sua simplicidade. Sem festa, apenas uma pergunta e uma resposta.

Haviam lábios nos seus em uma questão de segundos.

Mesmo com Tadashi se considerando ok em relação a beijar, já que ninguém previamente parecia querer acelerar o momento para que acabasse mais rápido, ou não reagiram negativamente, era clara a diferença de experiência entre eles. Era bagunçado, desajeitado, e nem um pouco polido.

Kei não tinha ideia do que fazer.

O pressionar de seus lábios prováveis não foi tão grosseiro devido ao outro ter sido quem começou, vagarosamente subindo em seus dedos do pé para matar os centímetros restantes entre eles e encaixando suas bocas juntas, mas ainda sim era meio estranho.

Ainda não tinha nenhuma língua ou dentes para se preocupar, mas o que ele supostamente tinha que fazer? Os lábios de seu melhor amigo estavam levemente ressecados e quentes contra os seus comparativamente mais suaves, mas o loiro tinha quase certeza que sua cabeça estava em um ângulo desfavorável e acabaria com cãibra em seu pescoço mais tarde. E mais, o que ele devia fazer quando era apenas um encostar de bocas? Só… se mexer?

Ele se sentia estúpido. Sua primeira vez não o deu nenhuma visão revolucionária, e nenhum instinto primário parecia disposto a brotar e lhe dar algumas dicas. Isso o deixou um tanto quanto irritado, e o que que ele devia fazer com seus braços e mãos? Beijar era ridiculamente estúpido e era uma bosta que ele ainda tinha que se preocuparco com o que fazer com—

Tadashi não tinha problema algum, por outro lado. Bom pra ele. Na ponta dos pés, ele respirava e encaixava seus lábios como se fosse apenas mais um detalhe da vida. Um braço tinha se esgueirado ao redor dele para acariciar suas costas, e o outro se manteve fixo na lateral de sua cabeça. Ele respirava por seu nariz com calma, sem pressa. Comparando-o com ele, seus movimentos ainda eram tímidos e incertos e totalmente não.

Eventualmente, com um parar aqui e ali, suas mãos acharam um lugar de descanso pouco abaixo das costelas do menor, e seus dedos acariciaram a área experimentalmente enquanto o outro garoto movia sua cabeça para o lado, beijando sua bochecha e olho e nariz e sobrancelha de novo e de novo antes de voltar para seus lábios, pressionando-os juntos tanto quanto.

Como uma missão pessoal de encobrir todo seu rosto com eles. Seu coração estremeceu levemente.

Pois então, juntar suas bocas era uma opção. Ele inspirou lentamente, tentando imitar o ritmo daquele à sua frente. Havia mais força por trás de cada encontro, agora.

Seus dedões desenharam um arco, sentido os músculos fortes se moverem sobre eles, quase como se estivessem estremecendo com o toque. Era um pensamento prazeroso.

Foi durante um dos encontros mais longos que um pensamento o invadiu e possuiu seu corpo, e ele decidiu reunir coragem para abrir seu lábios o suficiente para sua língua sair, lambendo o centro dos par a sua frente antes que aquela boca pudesse se afastar. O arrepio que percorreu o corpo colado ao seu foi sentido por ele, assim como o sorriso que se formou.

Uma ação tão simples, mas a barragem agora estava aberta.

A colisão de suas línguas fez um arrepio percorrer a coluna de Kei. De um segundo ao outro, o menor abrira sua boca sem qualquer hesitação, como se estivesse se segurando e apenas aguardando aquele momento. Era esquisito, sentir o músculo molhado de outra pessoa contra o seu, mas também lhe causava uma faísca de curiosidade.

Diferente de apenas pressionar os lábios e milhares de selinhos, mas tão interessantes quanto.

Uma mão se aproximou para agarrar sua mandíbula, inclinando sua face para encontrar um novo ângulo e— ok, seu pescoço tinha começado a reclamar com a posição anterior, a atual era bem melhor. Pressionando com mais firmeza, Tadashi raspou seus dentes em seu lábio inferior antes de sugá-lo em sua própria boca, mãos torcendo enquanto seguravam o rosto de Kei firmemente e o fazendo soltar um sopro repentino de ar, surpreso com o formigamento que percorria seus membros. Seus próprios dedos apertaram o material macio da camiseta entre eles, marcando levemente a carne abaixo.

O arranhar de uma unha na área atrás de sua orelha que se seguiu fez com que sua garganta se apertasse, respiração falhando e seus dedos do pé se curvando.

– Hm? – Um fio de saliva ainda os conectava, o que deveria ser nojento, mas— ele piscou, zonzo enquanto seu cérebro processava os acontecimentos e ele encarava a aparência bagunçado do menino à sua frente, fios apontando para todos os lados, pele corada, olhos negros e brilhantes. – Você gostou disso?

Como se estivesse testando as águas, o dedo indicador que estava relaxado atrás de sua orelha esquerda subiu — apenas com pressão o suficiente para ser sentido — e se acomodou mais fundo em seus cabelos, mais alto no couro. Tadashi apoiou sua mão ali, observando sua face curiosamente enquanto seus dedos se curvavam e unhas arranhavam a área.

Não tinha como esconder seus arrepios com a ação.

– Você gosta. – Seu melhor amigo parecia fascinado. – Mas você tava bem quando eu fiz isso mais cedo? – Ele murmurou, repetindo suas ações e se deliciando com suas reações.

Kei estava pegando fogo.

– Você está orgulhoso. – E feliz até demais, ele acusou.

– Não estou. – Ele ganhou um enorme sorriso de volta. Mentiroso. – Você é tão adorável. Posso passar o resto dos meus dias achando e descobrindo esses detalhezinhos seus.

E então ele estava mergulhando novamente, pressionando seu sorriso em sua boca e abrindo-a com facilidade, antes que qualquer coisa pudesse ser pensada por seu cérebro e proferida por sua boca.

Agora, suas línguas brigavam por espaço mais constantemente, entrelaçando e dançando para sua canção privada. Kei tentava seu melhor para ganhar espaço, para mergulhar naquele calor e explorar o desconhecido, mas a experiência ainda era uma vantagem, então ele majoritariamente se viu com uma língua se afundando em sua garganta.

Tão, tão esquisito. E também tão, tão bom.

A lambida que Tadashi deu ao céu de sua boca mandou um formigamento esquisito desde a área inicial, descendo sua coluna até seus pés, e um barulho subiu sua garganta. Cada pedaço estava sendo explorado sem nenhum pudor, como se o outro estivesse tentando memorizar cada espacinho. O loiro conseguia apenas tentar seguir com sua própria língua pateticamente, mas mesmo quando sugava o outro músculo mais fundo, não parecia que ele que segurava as cartas.

Nunca pareceu.

Seus joelhos estremeciam.

Uma mão se esgueirou para dentro de sua camiseta, provocando a pele com um toque tão quente que parecia queimar. Ela traçou as cristas de seu torso, absorvendo cada detalhe dos músculos definidos com um arrastar enlouquecidos de calos contra a pele mais fina e sensível. Era definitivamente um choramingo preso em sua garganta, o engasgando.

Ou talvez fosse apenas a língua se afundando fundo. Talvez ambos. Ele realmente não sabia e não conseguia pensar para descobrir.

Eles estavam se beijando. Quem diria que ele era do tipo de ficar animado com tal acontecimento.

Kei inclinou levemente a cabeça, tentando encontrar um ângulo mais favorável por conta própria. O movimento fez com que seus dentes se encontrassem devido ao péssimo timing, e seu queixo estava provavelmente uma bagunça de saliva. Não era o melhor resultado, mas não é como se outra pessoa fosse saber. Ele decidiu ignorar por agora.

Em algum momento, outra mão se juntou à exploração, e ambas repousaram em sua cintura. Ele conseguiu sentir o espasmo que percorreu o corpo do outro garoto.

Deuses. – Tadashi ofegou, separando suas bocas. Suas mãos se apertaram dolorosamente onde estavam. Aqueles olhos âmbares estavam selvagens, diferente de qualquer coisa que já tinha visto. – Você come tão pouco — e eu odeio tanto —, mas como que é justo você ser pequeno assim? Até que faz sentido, mas— – Tinha uma camiseta no caminho, levantada levemente e revelando apenas a área abaixo de seu umbigo e a trilha de fios claros que desciam dele até sumir. Seu olhar apenas escureceu, como um predador faminto prestes a pular em sua presa. Não tinha nada da persona de capitão ali enquanto ele sibilava, seu olhar arrastado cravando facas por cada pedaço de pele coberta como se quisesse ela exposta agora. – Você me deixa maluco.

Não é como se qualquer um com uma mente sã pudesse culpar o esverdeado. Voando diretamente acima da cabeça de Kei, mas mais do que óbvio para Tadashi, o mais novo conseguia ver como suas mãos se encaixavam ao redor da cintura do mais velho, dedos lindamente espalhados sobre a pele lisa e reta, preenchida com músculos ganhados através do esforço. Ele nao era pequeno, longe disso, é seus — abençoados por todas as deidades por ai — longos dedos cobriam uma boa parte do perímetro. Talvez se ele fizesse força, seus dedos poderiam—

O loiro podia apenas observar em confusão enquanto o outro encarava e encarava e encarava. Tinha algo errado? Tadashi tinha mencionado sua dieta. Ele perdeu para a vontade de morder seu lábio, absorvendo a linha de visão. Talvez ele não fosse prazeroso de se encarar.

– Ah, sinto que não gosto de onde você está indo. – Com sua voz algumas oitavas mais baixa, de repente, olhos dourados fulminantes era a única coisa que conseguia ver. – O que tenho que fazer para que você ouça seu capitão, hein? Não pense. – E eles estavam se beijando novamente.

Com a força com que sua cintura estava sendo agarrada, marcas não eram mais tão improváveis. Ele era pálido o suficiente para que até mesmo os hematomas mais leves parecessem mais graves.

Sua mente não se manteve nesse pensamento por muito tempo, contudo, e validando as palavras ditas, os pensamentos voaram pela janela ao ter seu lábio inferior capturado e mordido com força o suficiente para arrancar um pouco de sangue, com uma língua imediatamente pressionando contra a área para acalmá-la.

Apenas alguns segundos, e eles estavam fundo no beijo novamente.

Enquanto acontecia, mãos errantes decidiram continuar com sua exploração, subindo e subindo até que as palmas estivessem pressionando seu peito, arrastando sobre seus mamilos e definitivamente fazendo com que o soluço de um choramingo quisesse escapar de sua garganta. Deuses acima e além.

Tadashi não parecia tão interessado naquilo no momento, pelo menos, e seus próximos beijos pareciam comunicar uma desculpa (insincera) silenciosa por provocá-lo antes de mover seus membros para baixo novamente, circulando suas laterais finas antes de chegar a suas costas e continuar sua função.

Só para ser mesquinho, ele fechou seus dentes ao redor da língua que parecia querer se fundir consigo, aproveitando a oportunidade de quietude para empurrá-la e poder adentrar a boca do outro e começar sua própria exploração. Suas próprias mãos beliscaram as laterais do garoto enquanto passava sua língua, dentes colidindo mais constantemente.

Pontas de dedos calosas de repente relaram num conjunto de cicatrizes bem na base de sua coluna e um pouco acima das covinhas em suas costas, e ele congelou. Kei sabia que a quantidade de estrias que cobriam seu corpo era grande, e sabia que eram ainda mais óbvias em suas costas, coxas e ao redor dos joelhos. Mesmo que Tadashi soubesse de sua existência através de vários anos vendo um ao outro se vestir e despir, ainda parecia difícil acreditar que alguém poderia tocar essas cristas e não retrair com sua feiura.

Afinal, ele sabia que elas não eram bonitas de se ver.

Havia inúmeras.

Seu melhor amigo não parecia concordar com ele, contudo.

Enquanto ele se contorcia para longe do toque, pressionando seus lábios com mais força contra o outro, aqueles dedos o perseguiam por todo canto. Eles esfregavam círculos nas marcas, traçando cada uma delas do início ao fim de novo e de novo, e uma vez acabado — mesmo com o loiro praticamente dobrado em uma exposição de flexibilidade que ele, na verdade, não possuía —, a palma conectada àqueles dedos apenas escalou mais alto, empurrando sua camiseta para cima e seguindo a linha de sua coluna e cada protuberância até que encontrasse mais espalhadas por seus ombros, por seus braços.

Suas bocas não se separaram por nem um segundo durante toda a ação, mesmo com Kei enrijecendo constantemente com medo de algo que não iria acontecer, e Tadashi tinha que gentilmente cutucar o mais velho com seu nariz e diversos beijinhos e mordidas para pará-lo, eventualmente tomando as rédeas novamente para manter o andar da carruagem.

– Não falei para parar de preocupar essa cabeça bonita? E estávamos indo tão bem dessa vez. – Ele advertiu, utilizando uma unha curta para lentamente arranhar a área marcada de um ombro, seguindo com a ponta do dedo para afagar a área. – Você pensa demais.

O loiro estremeceu, os ombros se encolhendo. A ação fez com que o outro franzisse o cenho.

– Pare. – Tadashi resmungou, a mão apoiada em um quadril protuberante apertando por alguns segundos em advertência. – Eu te acho lindo, ok? Já te vi diversas vezes, Kei. Sei como você se parece, e não tem nada de errado com você.

O mencionado apenas franziu os lábios.

– Mas eles não são bonitos, são? – Ele desdenhou um pouco em hábito.

Um dedo cutucou sua lateral, forte.

– Por que não? – Com um revirar de olhos proeminente, muitas vezes direcionado aos seus kohai quando eles conseguiam fazer algo incrivelmente estúpido e irritá-lo, seu amigo de infância parecia prestes a batê-lo. – É você, não é? É parte do seu corpo, e fazem você ser você. Por que não seriam bonitas? – O garoto semicerrou os olhos. – Além do mais, desde quando você se importa com a opinião pública e seja lá o que os outros têm pra dizer? O que eles sabem? Se você se importar, está apenas sendo um idiota. Como alguém que tem estado ao seu lado por muito mais tempo, minhas palavras devem ter mais peso, e eu digo que elas são lindas.

E o ar de Kei ficou preso em sua garganta, bloqueando o fluxo e aguçando a dor em suas costelas. Os olhos à sua frente brilhavam como supernovas pequenas e privadas. Como a morte de uma estrela, que ainda brilha lindamente por centenas de milhares e milhões de anos, mesmo após o fim.

Eu beijaria cada uma delas. – O capitão continuou, olhos firmes e inabaláveis. – Todos os dias, tanto quanto vou dizer o quão lindo e incrivelmente belo você é. Todos os dias.

A lua não pode brilhar sozinha, mas é para isso que os corpos solares que são fontes de luz primária existem. Com as estrelas, a lua pode ser vista, ser bela, ser admirada e apreciada, ser conhecida.

Seja lá o que se remexeu dentro dele, era um tipo feio de emoção. Ela o fazia se sentir vulnerável e exposto, abandonado em um território desconhecido e não mapeado.

Ele nunca se sentiu mais seguro.

Kei avançou, e seus lábios colidiram.

Era mais frenético do que anteriormente. Sem refinamento. O progresso que lentamente tinham conseguido enquanto encontravam um ritmo não era nada mais do que um novelo de lã caindo e rolando para longe enquanto se desmanchava.

Em seu desespero, seus dentes estavam de volta a colidirem constantemente, o som de suas batidas apenas abafados porque o som molhado de beijos era embaraçosamente mais alto. Dedos longos e enfaixados se emaranhavam em fios bagunçados e molhados de suor, puxando urgentemente e arrancados sons suaves e viciantes de uma garganta maleável. Ele ofegou mais pesado, ainda sem saber como respirar apropriadamente durante todo o processo, e não se importando o suficiente para ir mais devagar e descobrir.

Tadashi não conseguia nem mesmo achar a situação engraçada ou ridícula, não em como ele estava derretido com as ações e até mesmo abriu seus olhos em curiosidade, registrando imagens borradas de bochechas manchadas e pálpebras estremecendo. Realmente, o amor conseguia fazer um bobo de qualquer um, mas não era algo negativo.

E de todo modo, ninguém mais teria o privilégio de ver Tsukishima Kei em um estado tão bagunçado. Camiseta amarrotada, óculos tortos, cabelo apontando para todas as direções, pele corada, lábios inchados. Aquilo era tudo de Yamaguchi Tadashi, e apenas dele. Ser a razão por trás de tudo era apenas um bônus prazeroso. Enquanto seus olhos se fechavam, ele afundou seus dedos mais firmemente na carne em que agarravam.

Quanto mais se beijavam, maior a bagunça que faziam. Não parecia que iriam parar, contudo, mesmo quando seus queixos ficavam cada vez mais e mais molhados com saliva. Definitivamente não refinado e totalmente não bonito.

Ainda era perfeito.

Quando eles finalmente se separaram, era apenas porque humanos ainda necessitavam de oxigênio para sobreviver, e respirar era um requisito. Ofegando, seus olhos se mantiveram presos uns aos outros, o coração correndo uma maratona própria.

O ar estava carregado.

O loiro estremecia com cada deslizar por sua pele, mãos subindo e descendo suas laterais, desenhando imagens sem formato e penetrando seu calor mais fundo. Um caminho cavado que apenas uma pessoa seria capaz de andar por.

Suas próprias mãos tremiam com a vontade de encostar em alguma coisa também. Era só que—

– Eu não consigo te ver. – Kei respirou, piscando enquanto encarava na direção do rosto do amigo. Suas lentes estavam embaçadas, com o modo que seus corpos estavam aquecendo rapidamente, e seus lábios formigavam satisfatoriamente. Ainda sim, ele gostaria de poder ver a causa de tudo.

– Não consegue, é? – Foi sua resposta, entretida, e ele conseguia vagamente ver o sorriso maroto que agraciava aquele rosto lindo e enrugava seus olhos.

Se não estivesse abaixo de si, ele teria feito um biquinho.

(– Mas você fez um biquinho.

– Não fiz.

– E foi uma visão tão adorável, como você todo envergonhado e—

– Não. Fiz.)

– Sim. – Ele respondeu, ainda piscando como se isso fosse resolver o seu problema. Isso o adquiriu uma risadinha.

De repente, mãos estavam se aproximando, devagar e deliberadamente para garantir que ele estava às vendo, e com uma facilidade provinda da prática, retirou seus óculos.

– E agora?

Estava, é claro, ainda pior. Nem mesmo cerrar os olhos daria uma imagem mais visível da figura a sua frente para Kei. Ele piscou algumas vezes, se sentindo ainda mais decepcionado.

– Você está borrado.

E o dono de suas afeições de infância não parecia muito preocupado com tal fato. Segurando seus óculos por uma perna e cruzando os braços atrás de suas costas, o outro garoto se encaixou para frente, observando seu rosto.

– E agora? – Tadashi perguntou. Estava melhor, mas ainda não era o suficiente.

Ele balançou a cabeça.

– Não é o suficiente.

– Ah é? – É claro, seu melhor amigo não acreditava em nenhuma de suas merdas. Eles eram praticamente grudados juntos. Ele parecia disposto a entretê-lo, contudo. Um pequeno passo mais perto, braços descruzando para poder circular seus quadris. Suas feições eram mais fáceis de reconhecer. – E agora? Ainda estou borrado?

Considerando que ele ia permanecer borrado, já que Kei não estava com seus óculos, a resposta era sim. Mesmo assim, Tadashi estava próximo o suficiente para ultrapassar a parte “definida” da imagem para até mesmo aqueles com visão boa. Seus narizes estavam quase encostando novamente.

Sua respiração se prendeu dentro de sua garganta, soluçando um pouco.

– Sim. – O loiro piscou. Era perto demais, mas aquela boca à sua frente estava definitivamente inchada e bem vermelha. Era uma visão encantadora. – Eu acho que você devia chegar mais perto.

– Deveria, é? – Diversão brilhava dentro daquelas orbes âmbares.

– Uhum.

E Tsukishima Kei absolutamente adorava aquela risada, vindo do fundo e tão livre. Ele podia ouvi-la para sempre, deixá-la guiar sua alma para qualquer lugar. Era um de seus bens mais preciosos, o conhecimento de que ele sempre poderia achar uma maneira de causar aquele som.

– Talvez eu deveria, então. – Tadashi sorriu, e então fechou a distância.

Ele realmente poderia ficar viciado em beijar. Especialmente se fosse beijar um Yamaguchi Tadashi, que cabia tão bem em seus braços, mas que também podia segurá-lo.

Kei poderia derreter, e ele o faria com o conhecimento de que seria uma das melhores sensações. Tadashi o seguraria, afinal.

É assim que se parece, se apaixonar por Yamaguchi Tadashi:

No início, você não pensa muito dele. Apesar de sua altura acima da média, ela apenas o faz parecer estar do lado mais esguio do espectro. Seus fios escuros carregam um sub tom esverdeado debaixo da luz, atraindo a atenção de pessoas por ser um tanto quanto incomum — assim como suas várias sardas.

Ele está claramente um pouco no lado nerd, é inteligente, indo pelo número de sua sala, e ainda também é tímido. O tipo de pessoa que, a não ser que seja dada uma permissão explícita, não vai falar sobre seus interesses devido ao medo de ser um incômodo. Alguém que não é do tipo de estar em um clube de esportes, dentre todas as opções.

Apesar disso tudo, ela é dificilmente esquecível.

Com a oportunidade certa, é fácil de ver que há uma profundidade nele, e com dado tempo, de descobrir que é bem fundo e tridimensional.

Não importa o que, ou quem, ele vai garantir que está ouvindo atenciosamente, oferecendo seus próprios pensamentos se julgá-los bem-vindos. Se for alguém na qual ele aprecia, vai até mesmo tentar adquirir maiores conhecimentos em áreas de interesse, mirando em ser capaz de manter longas conversas sobre.

O brilho que carrega não é tanto quanto a do sol, não de verdade, sendo mais parecido com milhares de milhões de estrelas espalhadas pelo universo. Não tão grande ou chamativo, mas uma visão que é tão linda e inspiradora quanto.

Ele é gentil, e muito, e tem uma certa quantidade de travessura embalada e guardada em algum lugar. As duas características diferentes o fazem uma pessoa interessante, criando um equilíbrio perfeito. Ele pode te proteger tanto quanto vai te zombar.

Na luz ou na escuridão, na frente ou atrás, de algum modo, ele sempre passa a sensação de estar ao seu lado. Alguém que berra “confiança”, que os olhos nunca mentem. Uma língua adocicada de pinga mel, atraindo abelhas desavisadas para a sua doçura grudenta.

Uma risada limpa, acompanhada pelo leve franzir de um nariz de botão e transformando olhos em luas crescentes. O balançar de uma pequena mecha de cabelo, teimosamente arrepiada e balançando com todo e cada movimento. Membros longos demais, finos mas extremamente fortes. Uma alma gentil que brilha até mesmo no escuro.

Belo, de uma maneira que nem mesmo a beleza é capaz de descrever. Um conjunto de características que se encaixam como um dos mais belos quebra-cabeças, cada pedaço importante para o todo.

Alguém, que antes mesmo que você perceba, já fez uma casa bem no fundo, moldando e remodelando as coisas até que haja apenas uma opção.

Respiração curta, coração acelerado, estômago revirado, mãos suadas.

Os pequenos detalhes também, como o pequeno bufo entre suas risadas; o cheiro de morangos de seu shampoo que permeia seu cabelo; as sardas que escurecem no verão e marcam todo seu corpo; o tom de mel de seus olhos que dão uma impressão de que o castanho é ouro derretido; os elásticos de cabelo em seu pulso para os seus amigos muito antes de que ele também precisasse; os favoritos dos outros casualmente encontrados em seu próprio bento para que pudessem ser roubados…

Um se apaixonava sem nem mesmo perceber, com cada detalhe rastejando para mais perto até que consumisse tudo, e a única coisa restante fosse uma criatura com uma queda por aquele garoto, atraído por cada pequena coisinha.

No final, não tinha ninguém mais com que ele se apaixonasse. Seu coração tinha achado sua fonte de luz há muito tempo.

A risada de Tadashi era como o tilintar de sinos, mesmo que o som estivesse abafado com o beijo deles. Ele soava bem feliz, apesar de ter que continuar a ajustar sua pegada devido ao Kei continuar a derreter em seus braços como sorvete deixado sob o sol. Segurar quase todo o peso do maior não parecia incomodar o capitão, contudo.

– Tsukishima Kei, aishiteru yo. – Olhos âmbares brilhavam, e o seu dono esfregou seus narizes juntos. Ele riu, pressionando beijos em todos os lugares que alcançava.

O loiro não era nada mais do que uma poça derretida do mais doce chocolate.

– Você é minha estrela mais brilhante. – Era tudo que seu cérebro inútil era capaz de produzir.

Se alguém adentrasse o ginásio naquele momento, daria de cara com a visão de ambos quase caindo, com o quão precariamente eles pareciam estar se equilibrando. A camiseta do próprio Kei — tendo sido levantada o suficiente para revelar tudo menos os seus ombros — era prova de que Tadashi era a única razão do porque eles ainda não estavam espatifados no chão, com um braço firme ao redor das costas do loiro — mesmo que ele segurasse cada vez menos de seu próprio peso. E com a mão livre do menor cuidadosamente segurando um par de óculos fora do caminho, não tinha nenhuma pressa ou obstáculo no beijo lânguido que eles dividiam, lábios se movendo lentamente e encostando com selinhos doces, línguas lentamente se entrelaçando em uma dança íntima.

O mundo tinha desacelerado, e dentro de sua bolha, não tinha necessidade alguma de se apressar.




Eles estavam, obviamente, atrasados para a sessão de estudos, mas devido a lábios vermelhos e inchados e expressões contentes, não tinha como criar desculpas.

– Finalmente! E eu pensei que você disse que a gente levou séculos. Hipócrita.

– Não sei do que você tá falando, anão de jardim.

– Óbvio que sabe!

– Não sei não.

– Sabe!

– Não sei.

– Sabe!

– Não sei.

– Sabe!

– Não sei.

– Sabe!

– Não sei.

– Sabe!

– Prefere que eu soletre pra você? Ene, á, ó, til, espaço, ésse, é, i. Não sei.

– Poste estúpido, sabe sim!

– Absolutamente não.

– Sabe sim!

– Ainda é um não.

– Por que você é tão chato? Sabe!

– Não.

– Sabe!

– Alguns de nós temos coisa melhor pra fazer. Você devia estar estudando ao invés de ficar gritando e atrapalhando todo mundo.

– Vara ambulante insuportável, para de desviar do assunto!

– Por acaso você ainda lembra qual era o assunto da discussão?

– Gente.

– Sabe sim!

– Não.




– Parem. – Tadashi suspirou, achando a discussão tão divertida quanto era irritante. Ele abanou uma mão na direção dos dois. – Vamos focar, tá?

Hinata, como um indivíduo bem maduro e o mais velho presente, mostrou a língua para Kei, que apenas desdenhou de volta.

– Além do mais. – O esverdeado continuou, com tom de quem não quer nada, girando seus lápis de maneira distraída ao finalizar a equação na qual estava trabalhando. Seus olhos não estavam nem mesmo neles. – Ele me chamou de sua estrela.

O loiro pode apenas virar sua cabeça em direção ao outro em choque.

Tadashi— – Ele sussurrou.

– Há! – O mascote laranja exclamou.

– Ah, cale a bosta da sua boca—

Kageyama franziu seu nariz, olhando com nojo para sua lição de matemática. Ele resmungou:

– Existem estrelas em qualquer lugar pra quem tem olhos que não enxergam porra nenhuma.

– Pelos deuses… – Seu namorado beliscou a ponte de seu nariz, mas já era tarde demais.

Não é necessário dizer que nenhum deles estudou muito naquele dia.




Corvo Correio 🐦‍⬛
@karasu_anon

de: 🌑

para: todos

@tadash_y está comprometido e fora de comissão. e contatem @hyachi para um layout melhor, esse é horrível.

22:44 · 10 nov. 24


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Eles estavam deitados, ainda acordados apesar do horário tarde.

Hinata foi embora horas atrás para poder cuidar de sua irmã, e a Yachi e o Kageyama só ficaram até o jantar antes de também voltarem para casa. Só restou os dois, como sempre foi e como, com sorte, sempre seria.

– Sabe. – Tadashi começou, voz baixa e quase em um murmúrio para não quebrar a sensação de calma. Não teve nenhum ruído de um corpo se mexendo sobre o futon, então ele sabia que o garoto não tinha se virado e ainda estava, provavelmente, observando o teto. – Você não precisa de mim para brilhar. Nunca precisou.

Kei apenas tamborilou seus dedos, quieto. Ele sabia que não tinha necessidade de responder, mesmo que pudesse. De algum modo, o outro sempre o que ele estava pensando e o que dizer sobre o assunto.

– Seu nome significa “vaga-lume”. – Um som produzido do fundo da garganta soou, seguido de um suspiro quase imperceptível. – Eu sei que você diz que está destinado a permanecer nas sombras que o Shoyo produz, e você mencionou que sou sua estrela, mas… sabe que você não precisa de nenhum de nós para ser visível, né? Você também produz uma luz própria, atrai o olhar alheio e acende suas paixões. Todos nós vemos isso.

Ele não conseguia. Não totalmente. Não como Hinata, Bokuto, Kuroo, Yaku — ou até mesmo Lev e tantos outros jogadores — eram capazes.

Ele não era capaz de inspirar seus próprios kohai.

– Mas não é bem assim, é? – Ele respondeu, eventualmente. – Eles têm talento. Dedicação. Você têm dedicação. Por outro lado, eu tenho— – Amargura, provavelmente. Uma vontade de permanecer agarrado a algo que um dia destruiu seu mundo.

– Hinata, me responda uma coisa. O que você diria ao Tsukki?

– Eu não diria nada. Afinal, eu nem mesmo sei se o Tsukishima quer ou não jogar vôlei. Não tem razão em tentar motivar alguém que não quer jogar.

– O Tsukki… Eu não acho que ele odeie jogar. Se ele não gostasse, não teria vindo para Karasuno.

– Tsukki!

– Você está sendo ridículo. Talvez algum dia o Hinata seja o próximo Pequeno Gigante, mas aí você só precisa ganhar dele! Se tornar um jogador ainda melhor com suas habilidades!

– Você tem a altura, a inteligência, e o conhecimento de jogo, então por que continua a dizer que é impossível sem nem mesmo tentar?!

– Em algum momento, você vai perder de qualquer jeito. Pra que tentar, então?

– Se não for por orgulho, pra que mais?

– Tadashi, desde quando você é tão descolado?

– Isso é apenas um clube.

– Mas quando esse momento chegar pra você, esse é o momento que você vai se apaixonar por vôlei.

– Eu nunca, em qualquer momento, pensei que poderia ganhar de alguém mais forte que eu.

– Nunca pensei, por nem mesmo um único milímetro, que poderia ganhar sozinho.

– Mas o Yamaguchi parece pensar que ele consegue ganhar sozinho?

– … Talvez você esteja certo. Mas ele é alguém que está na minha frente.

– Você tem paixão, Vagalume. – Tadashi murmurou, virando-se em sua direção. – Ninguém sobrevive por tanto tempo ou luta com tanta força sem ela. Você ama vôlei tanto quanto nós.

– Amo?

– Sim.

Simples assim. Que sensação, a de ter alguém com uma crença tão infalível em sua pessoa.

Eles permaneceram em silêncio, e o relógio seguiu seu curso.

Apenas quando ambos estavam quase encobertos pelo sono que Kei partiu seus lábios novamente.

– Obrigado, Tadashi.

Verdadeiramente leal e devoto.

Notes:

título alternativo: making out sloppy style

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