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Talvez as pessoas bonitas, na verdade, sejam feias.
E são tão feias que as pessoas tem pena, então as fazem pensar que são bonitas.
Estes eram os pensamentos de Sirius Black. Parecia estanho, mas para ele, que estava a 40 minutos parado olhando para o teto formando essa teoria, fazia total sentido.
Sirius chegou a conclusão que seus amigos mentiram para ele, que James, Moon, Lily, Peter, até seus pais! Seu irmão! Haviam se enganado sobre ele.
Como ele poderia ser tão cego?
Ele era claramente o equivalente de um filhote de cruz-credo e estava lá, pensando ser bonito. Que terror.
Nunca mais vou sair. Pensou. Que as pessoas não deveriam ter pena de mim, de tão horrendo que sou. Agora que acordei! Que sei da verdade. Ninguém nunca mais mentirá para mim outra vez!
Pegou um lado do cobertor e se cobriu inteiramente, ficaria ali pela eternidade. Como o banheiro da Murta que geme, aquele seria o quarto do Sirius o completo otário que jurava ser bonito porque as pessoas tinham pena de sua feiura.
Ou algo menor, porque esse nome ficou muito grande.
Talvez devesse ser esse nome, pois ele era tão horrendamente feio quanto esse nome era desnecessariamente grande!
~
Remus estava sonhando acordado. Já fazia duas horas que estava tentando ler a mesma página do livro, mas ele estava sempre se distraindo, ele nem sequer sabia mais o que estava tentando ler.
O livro fazia descrição de algo ou alguém, ele não sabia dizer, espetacularmente belo.
Como uma Adônis, como Narciso como... Sirius.
Ah, sim, Sirius estava lindo, lindo, lindo, fabulosamente belo naquela manhã.
Era um belo Sábado pois Sirius Black havia posto na cabeça que não usaria suas roupas habituais, e sim as roupas trouxas que havia comprado no ultimo verão.
Uma briga com os pais o levou até cidades trouxas, de lá voltou cheio de coisas! Como três furos nas orelhas, maquiagem e roupas trouxas, ele só conseguia falar sobre elas.
Gostava de maquiagem, mas gostava ainda mais de suas roupas, ele disse que aguardaria o dia para vesti-las e mostrar a quem quisesse ver. E isso seria naquele sábado.
Um camiseta formal com as mangas mal cortadas, um espartilho preto, calças que parecem ter sido propositalmente acabadas com correntes pequenas penduradas, nelas também havia um desenho de costura de uma lua e uma estrela, reparar naquilo, ele viu, fez Sirius parecer ainda mais brilhante em suas roupas, além da jaqueta de couro que o deixou ainda mais formoso.
Remus nunca pensou que precisava de Sirius vestido com roupas trouxas, porém agora ele tinha uma necessidade em vê-lo vestindo roupas trouxas!
Seus lábios foram pintados de um belo vermelho na parte mais inferior de sua boca e seus olhos estavam marcados por preto e as pálpebras com brilho, ele poderia jurar que as maçãs de seus rosto também pareciam brilhar. Também usava brincos grandes nos três furos. Diversos colares, um bota grande preta e o cabelo havia sido em parte preso e em parte solto.
Ele parecia devidamente mais consigo mesmo. Ele não saberia dizer exatamente porque, apenas era desta forma.
Até Lily que apesar de assumir que Sirius era belo nunca havia ficado vermelha na sua frente, mas desta vez, abriu a boca maravilhada com as bochechas avermelhadas.
James também ficou maravilhado, pulou em seus braços e tentou distribuir vários beijos em seu rosto de maneira brusca, numa mistura de brincadeira com admiração. Sirius o afastou falando para não borrar sua maquiagem nem amarrotar sua roupas.
Também vi os olhos de Regulus brilharem na direção do irmão, Sirius deu dois tapinhas em seu ombro como se dissesse “eu tenho os melhores genes da família”, mas que Regulus não reparou. Estava realmente impressionado com o quão belo Sirius estava.
Mas antes disso, Sirius olhou na sua direção. Eu não sabia o que dizer e apenas disse:
Bonito.
Não era obviamente o suficiente, mas ele pareceu extremamente feliz com apenas este comentário.
Por fim, Sirius disse que iria passear pela escola, que aquela beleza intensa não deveria ser reservada apenas para eles, saiu confiante. Desfilou a cada passo.
Jurou que se assim ele quisesse, Sirius com certeza poderia ser um modelo que aprecia em revistas trouxa.
O maior de todos. O mais bonito.
O seguiu até a saída e o viu se afastar enquanto ia para a biblioteca ler.
E não funcionou, passou duas horas pensando quão belo Sirius estava naquela manhã.
E o quão belo estaria aquela tarde e aquela noite se ele não se trocasse.
Talvez ele nem sequer pudesse usar aquelas roupas, e que ele, como monitor, deveria ter impedido, mas a ideia de que outras pessoas não poderiam ver aquela versão ainda mais bela de Sirius o causava uma sensação agridoce.
Onde ele queria aquele Sirius apenas para si.
E outra em que ele não deveria apenas tê-lo apenas para ele, deveria o mundo todo saber o quão belo ele estava naquela manhã. Pois belo ele era todo santíssimo dia.
Moon voltou a si mesmo.
Olhou para os livros, o bloco de notas que usaria para escrever suas reflexões.
E olhou para a janela sabendo que seu olhar se perderia na sua memória que preservava tão lindamente a beleza de Sirius. Ele sentiu saudade do nada, fez um beicinho pensando
que não queria mais a lembrança, queria admirá-lo presencialmente.
O que Sirius estaria fazendo?
De repente... havia se lembrado que Sirius e Almofadinhas eram a mesma pessoa, ou seja, o enorme cachorro agitado era também a personalidade de Sirius.
Sendo assim... olhou para o relógio de pulso, duas horas.
Duas horas sem Sirius ter passado por ele de novo?
Ele não estava especialmente ocupado para que Almofadinhas tentasse evitar para que não o atrapalhasse então... onde estava Sirius?
Olhou para a janela, para o relógio novamente e sentiu que precisava saber onde ele estava. Se por acaso a prof. McGonagall o havia posto em detenção por causa de suas roupas, se... se algo havia ocorrido porque ele não foi vê-lo em duas horas!
Sirius Black não poderia deixar de vê-lo em duas horas, pois todas as opções para isso eram terríveis, pois ou estaria brigando, ou aprontando com James, ou em detenção!
Guardou rapidamente tudo que pegou no lugar e saiu da biblioteca quase correndo, afinal, onde estava Sirius?
Passou por todos os lugares que conhecia, todos os lugares que pensou que ele estaria, mas não o encontrou, nem James, nem Lily, nem Peter. Cogitou perguntar mesmo para Regulus, mas também não o encontrou, voltou para o quarto pensando que seria lá que encontraria James e Peter para que fosse juntos para a casa dos gritos, mas lá encontrou em sua cama, que deixou perfeitamente arrumada quando saiu, um corpo totalmente coberto.
Estranhou e olhou para os lados, aparentemente não havia ninguém, fechou a porta vendo o corpo dar uma estremecida com o barulho da porta batendo.
Se aproximou já sabendo quem era e se sentou, o que afinal havia ocorrido?
- Hã... Sirius?
- Não, Sirius é o nome de uma estrela, e eu não deveria ter o nome de algo tão bonito e brilhante.
- Pera, que? Por que?
- Não se faça, Remus Lupin! Eu já sei toda a verdade.
Também havia oura opção, uma que ele não havia considerado, se Sirius Black não passasse por ele em duas horas, era também porque estaria surtando e/ou fazendo drama por algo.
Era algo que aprendeu a gostar nele.
Mas sempre era um tanto difícil de resolver.
- Sirius, do que você está falando?
- Que eu sou... um monstro! É isso que você queria que eu dissesse? Estou assumindo que sei! – Ele se levantou ainda totalmente coberto, mas ficando muito perto do rosto de Remus. – Não digo que sou uma ave, porque elas são mais bonitas que eu!
- ... Quem te disse isso?
Ele não respondeu e se deitou novamente, pelo movimento do coberto viu que ele havia se deitado em posição fetal agarrando os joelhos.
- Não sou mais Sirius Black. Sou Sirius o completo otário que jurava ser bonito porque as pessoas tinham pena da minha feiura, quando na verdade eu sou um avestruz! Ou um pavão! Eu não lembro! Mas... é. Eu sou terrivelmente feio, Remus. Por isso saía. Você é lindo e deveria se presar, e não ver um rosto tão horrendo quanto o meu!
Remus demorou um pouco para responder depois que Sirius o chamou de bonito, mas afastou esses pensamentos e colocou uma mão no colchão a cada lado do corpo de Sirius, ele não se moveu.
- Sirius, alguém fez algum feitiço em você? Deixa eu ver, talvez eu possa...
- Não, Remus, eu sou naturalmente feio.
- ... mas que absurdo é esse?!
- Não é nenhum absurdo! É apenas a verdade, Remus. Sou feio, horroroso, um avestruz, um pavão, eu realmente não sei de qual me chamaram! Mas eu só sei que sou terrivelmente feio.
- Te chamaram de feio?
- ...
- Sirius?
- Eu sou terrível!
- Te chamaram de terrível?
- ...
- Sirius...
- ME CHAMARAM DE EXAGERADO, REMUS LUPIN! ESTÁ FELIZ? TERRIVELMENTE EXAGERADO! QUE DOI OS OLHOS! É ISSO!
Ele gritou tudo aquilo, mas Remus só conseguiu olhar para ele maravilhado, ele havia se descoberto para gritar tudo olhando na cara de Moony, mas após ter dito tudo aquilo reparou no modo que ele lhe olhava.
Com olhos brilhantes e maravilhados.
O eco da voz de Moony esta manhã soou em sua mente.
Bonito.
Remus o achava bonito... e parecia... tão sincero.
Remus aproximou o rosto de Sirius olhando muito sério para seus olhos cinzas.
- Então, te chamaram de exagerado... não de feio.
- Dá no mesmo, não dá?
Ele soltou uma risadinha.
Ele era tão bonito. Mesmo com as roupas amassadas, a maquiagem já não mais tão certinha, o cabelo também havia se bagunçado, mas ele continuava o sinônimo de Adônis, Narciso, sendo Sirius.
E a boca dele parecia tão inigualavelmente linda... que ele não pode excitar quando foi beijá-la, ele apenas fez aquilo que percebeu que queria tanto.
Encostar naquela beldade. Sentir sua boca linda, segurar seu rosto escultural.
Mesmo que o beijo deles tivesse durado, quando se separaram Sirius o olhou assustado o empurrando, mesmo que não houvesse funcionado porque Remus não se moveu quase nada.
- Não, Moony, você não deve encostar em alguém tão feio.
- Exagerado.
- Dá no mesmo.
Ele deu uma outra risada perto do rosto de Sirius, fazendo ele segurar um suspiro com tanta proximidade entre os dois. Remus passou a mão pelos cabelos de Sirius e afastando um pouco os que cobriam parte do seu rosto, e passou delicadamente os dedos pelas maças de seu rosto até chegar ao seu queixo e olhar diretamente em seu olhos novamente.
- Sirius, quando te chamarem de exagerado, olhe bem para eles e pergunte se você é o exagerado ou são eles que são básicos. – Os olhos de Almofadinhas se encheram de lágrimas, vendo isso Remus passou os braços por sua cintura e colou suas testas. – É ridículo comparar a luz de uma estrela com de lâmpadas ou de feitiços, lembre-se sempre disso, Almofadinhas!
