Actions

Work Header

Não se importe, está tudo bem

Summary:

Aleyn (Tav) era um cavaleiro médio de Baldur’s Gate, embora fosse um no meio de muitos, ele era uma pessoa muito querida entre eles. Após seu marido Taen sumir, Aleyn fica desolado com a vida e decide esperar por seu amor, porém três meses se passam, então, em uma noite, seus amigos cavaleiros intervêm em sua situação e o convidam para voltar a trabalhar.
Após um mês tentando tirar seu marido sumido da mente, Aleyn é pego por uma nave desconhecida…
E agora? Será que Aleyn vai encontrar seu marido ou encontrará um novo amor entre as pessoas que entraram em sua vida?
(Aun No Beats <3)

Chapter Text

Aleyn estava sentado em uma praça em Baldur’s Gate, ele olhava para baixo tonto, a bebida havia feito efeito a muito tempo, mas seu corpo se recusava a ceder ao sono. Seus olhos estavam vermelhos por causa das lágrimas que vinham caindo por longos meses, desde que Taen o abandonou.
— Ah… Isso não é suficiente para a pensão… — Aleyn sussurrou para si mesmo, bêbado, vendo as poucas moedas em sua mão.
Embora o sol não brilhasse no céu, muitos guardas não se sentiam muito bem em ver um de seus companheiros desolado com a própria vida por causa de um homem. Eles trocavam olhares e sussurravam entre si, principalmente sobre o bebado. Um dos guardas, um elfo sereno e o que era mais próximo de Aleyn — o que era um pouco difícil, já que ele era amigo de todos os cavaleiros —, deu um passo à frente e foi até o homem.
— Aleyn, você está tudo bem? — O elfo perguntou, sentando-se ao lado dele, colocando a mão no ombro dele.
Aleyn balançou a cabeça, pousando-a no ombro do outro elfo, seu rosto estava claramente corado em jús a bebida. O guarda olhou para seus companheiros por um instante e depois se voltou para o homem à sua frente.
— Eu… Hic! Eu vou ter que morar na ruaaaaa! Eu to zerado! Eu… Eu… — Aleyn fechou a mão, segurando as moedinhas com força — Riellll! Ele me deixou!
Riel não sabia exatamente como reagir, então apenas fez o que Aleyn fez quando alguém precioso o deixou.
Seus braços passaram até as costas do homem, passando por seus longos e negros cabelos, e o puxou para um abraço.
— Relaxa. O Taen vai voltar, eu garanto para você, ele só saiu para… para fazer uma nova pintura, tenho certeza que ele pensa em você todos os dias.
Aleyn afundou o rosto no ombro do guarda.
— Fazem três meses… — Sua voz soou abafada.
Sem saber exatamente como responder, ele apenas seguiu o abraçando. Vendo que não haveria reação do elfo, outro guarda se aproxima e bota a mão nas costas do bêbado.
— Então supera aquele canalha!
Riel arregalou os olhos, ele estava pronto para falar algo, mas o anão era uma presença forte demais para ser contrariada.
— Mas… E se ele voltar? Ele era meu marido… talvez—
— Já se foram 3 meses, você pode viver sem ele, você é um guerreiro forte e incrível, não precisa ficar se rebaixando por um homem sujo daqueles.
Aleyn levantou a cabeça e acenou.
A bebida pareceu finalmente completar sua segunda fase, o elfo sentiu sua cabeça pesar e seu corpo apenas cedeu a gravidade.
A próxima vez que acordou, Aleyn estava no dormitório dos cavaleiros de Baldur’s Gate, todos os outros estavam dormindo e só ele havia acordado. Aquilo era bem normal, eles tinham turnos alternados, normalmente os elfos e anões cuidavam da noite, por conseguirem ver no escuro, e os humanos cuidavam da cidade durante o dia.
— Ugh… Minha cabeça… — Ele resmungou, colocando a mão na testa.
Aleyn levantou a cabeça, ainda meio tonto, quatro garrafas de vinho era muito, mesmo para um elfo. Ele olhou ao redor, havia uma pequena nota na bancada, esta que dizia:
“Eu sei que você não vai querer nos acordar, conheço você, então deixei essa notinha. Sabemos que você acha que foi demitido, já que você faltou nos últimos meses, mas, como equipe, pedimos ao capitão que deixasse você ficar quando estivesse pronto para voltar e adivinha o que ele disse. Obviamente foi um ‘sim’, odeio admitir, mas você é um monstro no combate e foi o único que conseguiu quebrar uns três robôs de uma vez só e ainda sair bem. O capitão disse que você podia levar o tempo que quisesse e que descontaria das suas férias. E o Robert te mandou um abraço, você sabe como ele não é tão bom com as palavras, por isso não falou ontem.
Só para constar, sei que estou enfiando meu narizão nos relacionamentos alheios, mas você não pode passar a vida lamentando por Taen fugir, a culpa obviamente não é sua, você é o cara com o maior e mais mole coração que essa cidade de merda já viu.
Ass.: Sua família de Cavaleiros”
Aleyn deixou um pequeno sorrisinho nascer, a última família que sobrava, a única que não o abandonou.
— Que bom que você acordou. — Uma voz veio da cama de cima, era Zedarr, um Drow jurado a Lolth, ele meio que havia renunciado essa proximidade dele com a deusa, obviamente, uma senhora cruel como ela não deixaria passar a limpo essa história, então ele foi preso e… bem, o cegaram.
— Não devia estar dormindo?
— Você sabe, drows não precisam de muito sono como vocês. — Embora ele assumisse um jeitão de Drow, Zedarr era um cara bem legal e estranhamente gostava de elfos da superfície, gostava tanto que ele e Riel tinham um casinho por baixo dos panos.
— Claro… Você nem dormiu a três meses atrás, na nossa última patrulha…
Zedarr zombou dele com um tom de piada e pulou da cama, seus olhos estavam cobertos por uma faixa que um dia já foi branca, mas agora estava amarelada.
Aleyn saiu da cama e parou ao lado do belo homem.
— Vamos passear pela cidade, esses caras não vão acordar tão cedo.
Zedarr pegou a mão do elfo e eles foram caminhar. Baldur’s Gate podia ser uma cidade perigosa, mas ela continha um belo equilíbrio entre a beleza e mortalidade, mas Aleyn adorava aquele mundo, ele era único e cheio de coisas loucas.
Nas ruas, as pessoas espalham rumores sobre qualquer coisa, dessa vez era sobre o novo lorde que planejava ascender a duque. Gortash era um homem estranho, do tipo que consegue distorcer qualquer palavra que chegue aos seus ouvidos, Aleyn o conheceu, quando Taen foi contratado por ele para fazer uma pintura.
— Gortash, huh… Ele deve ser um cara legal. — Zedarr sussurrou para si.
Mesmo sabendo que não era para ele, Aleyn parou e olhou para seu amigo de um jeito meio desconfortável.
— Não caia na ladainha que ele espalha pelas ruas.
O Elfo das profundezas virou a cabeça para ele, quase como se pedisse por mais informação. Aleyn mordeu o lábio, falou mais do que devia — como sempre.
— Não sei se já te contei com quantas pessoas o… Taen estava envolvido. Não em relacionamento romântico! Obviamente! Mas… De trabalho. Gortash e os duques, toda e qualquer pessoa com grana já o contratou para fazer uma pintura, voltando… Eu esperava do lado de fora, acho que ele não sabia minha relação com o “grande pintor”, ele me fez umas perguntas, me deu um tapa e jogou água suja em mim. Taen não fez nada, nem citou meu nome… — Aleyn pausou, ele estava voltando a aquele dia, uma de tantas vezes que ocorreu, Taen gostava de dançar com os nobres, ele falava diferente e fingia ser outra pessoa, uma que nunca se importou com a aliança em seu dedo.
— Não entendo porque você sente tanta falta dele, você é quase um santo e ele… Você mesmo admite que ele não se importava com você, pense nesses momentos e em como ele te feriu, você não deveria ficar chorando por ele.
— Obrigado…
Assim, um mês passou, Aleyn foi lentamente acalmando sua mente e deixando o seu amor ir. Todos se aproximaram mais do que o normal naquele tempo, Aleyn perdeu o quarto da pensão e precisou levar todas suas coisas para um tipo de depósito, era bem mais barato que o normal — o dono do lugar era irmão de um dos guardas, ele acabou dando um bom desconto. O depósito ficou um lugar estranhamente lindo, as dezenas de quadros empilhados e roupas antigas em cabides enfileiradas, havia algumas jóias também, a maioria daquelas coisas era de Taen invés de Aleyn, mas como o pobre cavaleiro pagava para ambos, ele precisou tirar todas as coisas.
Naquele tempo, Aleyn começou a viver no dormitório dos cavaleiros, ele prendia ladrões durante a noite e dia, mas esse não era o foco deles, os guardas vinham investigando o culto de Bhaal, eles se escondiam nos fundos da cidade, nos esgotos, como os ratos sujos que eram.
Agora, era o primeiro dia do mês seguinte, o que significava um dia de folga.
— Riel, quais são os planos? — Perguntou o outro elfo, fechando a porta do quarto deles.
Riel e Zedarr usavam roupas mais simples, diferente da armadura que usavam normalmente, os dois tinham talento para se destacar entre as pessoas. Aleyn usava um casaco longo e largo azul, seus cabelos estavam presos em um rabo e ainda chegavam perto de suas pernas.
— Veja bem, tem um restaurante bem bom aqui por perto, o plano era a gente comer lá e depois sair para pescar, já que o querido aqui ama. — Ele cutucou seu marido com a mão, um pequeno detalhe sobre suas alianças era que Riel usava uma feita com ouro negro com uma joia vermelha, enquanto Zedarr usava uma de ouro dourado e uma joia verde, ambos os aneis de destacavam na pele do outro, era fofo pensar que eles pensaram nisso, como se um completasse o outro.
— Pode ser…
Aleyn foi puxado por ambos os homens, como se ele fosse uma criança grande, eles foram o guiando em direção a um bar bem decorado e com um cheiro incrível. Eles passaram por vários guardas que acenaram para eles, algumas pessoas também foram oferecendo mercadorias, coisas que Zedarr simplesmente chutou para fora do caminho passando direto pelas senhoras.
Enfim, eles estavam na porta.
— Aqui estamos! — Exclamou o Drow.
O restaurante estava barulhento, diversas raças compartilhavam mesas e alguns amigos até jogavam sinuca, todavia aquele som foi interrompido por gritos vindos do lado de fora. O céu se tornou mais escuro e os sinos começaram a tocar.
Aleyn correu para fora e olhou ao redor, as pessoas corriam desesperadas, alguns prédios estavam caindo com a chegada de uma gigantesca criatura voadora, que roubava pessoas com seus tentáculos e destroem prédios.
— Rapido! Zedarr, Riel, coloquem as pessoas daqui de fora para dentro do bar, essa merda tá levando pessoas! Eu vou ajudar o pessoal pra lá! — Ele apontou para uma rua cheia, havia algumas pessoas caídas, crianças chorando e idiotas brigando entre si.
Os dois cavaleiros não esperaram mais tempo e começaram a levar as pessoas para dentro, enquanto Aleyn corria para rua, para tentar levar o máximo de pessoas para longe de escombros ou daqueles estranhos tentáculos. Foi um momento longo e difícil, interromper brigas, ajudar crianças a irem para lugares cobertos…
Ele estava ajudando uma senhora a se levantar quando sentiu algo gelado tocar suas roupas e puxá-la para cima.
Por um momento, tudo ficou escuro e logo em seguida, voltou a ter cor.
Aleyn havia teleportado para dentro daquela coisa, o que significava que foi pego. Seu corpo estremeceu conforme voltava aos seus sentidos, primeiro percebeu que estava em um lugar estranho, depois sentiu o cheiro terrível de onde estava e em seguida sentiu a textura macia e molhada de onde suas costas repousavam. Ele estava preso em algum tipo de caixão de vidro e carne.