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Amor (Jourin)

Summary:

Joui ama Erin, sua namorada é tudo pra ele, com isso, ele luta em ajudar ela combater sua depressão, porém, ele sente que nada do que ele faz está dando certo, e isso machuca.

Desabafando isso com sua mãe, uma realidade bate na sua cara.

"O amor ajuda muito pessoas como a Erin, meu filho, mas entenda, o amor não cura transtorno mental..."

 

Ordem Paranormal | Jourin/Joerin | AU

Notes:

Sim, fiz 4 FANFICS JOURIN, isso me dá direito a me considerar a prefeita desse fandom que passa fome de conteúdo.

Enfim, essa é outra conforto mesmo com aquele gosto de angst, recomendo a se preparar pois pode ser que você tenha um leve gatilho caso não curta muito esses assuntos, qualquer coisa não precisa ler caso se sinta mal :)

E um adendo, devo dizer que me inspirei em Heartstopper, na cena onde o Nick tá na praia conversando com sua mãe e na cena onde ele conversa com o Charlie e também na cena onde o Charlie conversa com os pais dele sobre a situação da sua saude mental.

Enfim, caso não goste do shipp, apenas não leia, mas isso é decisão sua também.

Enfim novamente, boa leitura caro leitor, bjs :3

Work Text:

Joui… Estava perdido.

Ele se encontrava parado com os pés na areia, olhando o horizonte escuro da noite. As ondas do mar batiam contra a areia e as pedras que tinham ao seu redor. Ele estava na praia. O som do oceano existindo junto a ele era a única coisa além do zumbido em sua cabeça que ele ouvia.

Estava até agora com o celular na orelha, esperando algum milagre acontecer para que pudesse finalmente ter algum sinal e poder entrar em contato com sua namorada.

Sua namorada.

Era esse o motivo de sua expressão aflita e agoniada, o motivo dele ser daquela forma tão… Ansioso… Eu simplesmente queria ter notícias de sua amada, saber como ela estava e ficar menos preocupada.

Se é que ele conseguiria ficar menos preocupado com ela.

Abaixou a mão com o celular e passou a outra em seu cabelo frustrado, claramente também aflito e agitado. Joui queria começar a chorar, mas nada saia de seus olhos. Ele esfregava a mão em seu rosto, sentia sua boca seca e tudo o que ele queria naquele momento era correr dali e chegar até ela, mas ele não podia e nem conseguiria.

Estava se sentindo mal com tudo isso, mas o que estava acontecendo? O que estava acontecendo que envolveu Erin que deixou Joui tão aflito daquela maneira? Mal demais para pensar em outra coisa mesmo se quisesse.

Bem, o que estava realmente apostando, tinha ter com tudo, tudo estava acontecendo com Erin e ela estava como ele, se não pior, mal demais para fazer qualquer coisa.

O estado mental de Erin sempre foi uma preocupação para Joui, para seus amigos, para sua família. A depressão que ela enfrentava, junto de sua ansiedade e um complexo de inferioridade era um tipo de combo que Erin tinha que a desgastava cada vez mais, aos poucos, ela deixava de ser uma pessoa que ela era e era dominada e controlada pelas vozes de sua mente perturbada.

Era por isso que Joui estava preocupado, era por isso que Joui queria correr até ela e era por isso que ele queria chorar. Porque ele estava preocupado com como estava sua amada.

Fazia 2 semanas que Joui estava de férias com sua família, tentando aproveitar esse tempo para relaxar, mas era quase impossível quando sua mente só fazia com que você focasse no que está apostando lá fora. Mesmo que Erin estivesse aqui que era para ele apenas focar em se divertir com a família dele.

Ele poderia até fazer isso se ele conseguisse ao menos ligar pra ela pelo celular, Joui tinha que lidar com o fato de que o plano dele não era internacional, ou seja, sem nenhum meio de comunicação com Erin, que estava no Brasil enquanto ele estava na Espanha, era isso algo a mais para ficar frustrado.

— Filho? — ele provavelmente demorou muito para voltar, ele havia dito aos outros, sua irmã, mãe, pai e avô que iria ver algum sinal e olhar o mar. É… Ele demorou bastante, deveria ter ficado ali uma meia hora e sua mãe, como era, deveria ter ficado preocupado, e lá estava ela.

— Oi mãe… — ele suspira sem olhar para a mais velha, apenas dando seu olhar cansado para o oceano à frente deles. Sua mãe, Elizabeth, não falou nada pelos próximos 10 segundos, que ela passou somente olhando para ele como se naqueles segundos, ela estava tentando decifrar algum enigma nele. Ela se aproxima mais e fica ao seu lado.

— Joui, não precisa ficar assim, faltam apenas 2 semanas — ela diz com calma na voz, sentindo como ele a brisa que vinha junto da água batendo contra eles. O vento em seus rostos e a água em seus pés. O frio vinha abraçando os corpos deles.

— Não é sobre isso… — suspirou fechando os olhos enquanto sua pele se arrepiava com o frio.

— Eu sei, Joui, eu sei — ela respira fundo e solta o ar, abraçando o próprio corpo para se proteger um pouco do frio — só estou dizendo, que logo você vai ver ela…

— Parece uma eternidade… — diz com certo gosto amargo na voz — eu… Só queria saber como ela está… Se ela ao menos conseguiu chegar hoje…

— Ah… Ela… Você já se recuperou antes da viagem? — Liz se vira para Joui com um olhar preocupado, imaginando que a resposta fosse uma confirmação de sua pergunta, ou que era algo que ela não queria. Liz se importava com sua nora, afinal, seu filho amava aquela garota e ela o fazia feliz, ela gostava de Erin.

—... Teve… — suspirou apertando os olhos — uma semana antes, fiquei sabendo pelo Fernando, era alguma coisa sobre o vestibular, ai ela teve uma recaída… — Joui conta sem dar muitos detalhes, ele aprendeu que certas coisas tem que ser guardadas como detalhes assim, ele só contava o necessário para sua mãe, pois sabia que a mente dela já poderia formular esses detalhes.

— Entendo… Já estive no lugar dela… — Liz suspira, passando suas mãos em seus braços pela brisa fria que bateu contra eles. O silêncio perdurou, pois nada mais foi aqui, por Joui que esperava uma continuação de sua mãe, e Liz que pensava em como continuar aquela conversa sem parecer invasiva demais… Mas ela era uma mãe, às vezes ser invasiva era necessária — Filho… O que realmente tá acontecendo? — e ela vira a cabeça para o olhar, vendo o mais novo suspirar.

— Eu não sei, eu- — ele para sua fala para respirar fundo. Olhos ainda cansados ​​e fixados em um ponto do oceano que Liz não sabia captar. Joui enfim contínuo — mãe, eu-... Eu não sei o que fazer mais, a Erin, ela tá mal e eu não sei o que fazer — colocar a mão no próprio rosto e respirar fundo mais uma vez. Liz o olhar com atenção e compreensão — eu quero ajudar ela mas… Parece que nada do que eu faço é suficiente para tirar dela o que ela está passando — ele funga, claramente deixando de lado um choro que começou naquele momento.

— Ah filho… — e as costas mãe que Liz era até seu filho, colocando uma mão em seu filho e com a outra tocando em seu braço, se mantendo bem próximo a ele — meu amor, sei que é difícil toda essa situação, sei que quer que toda a dor que ela tá sentindo, mas você também tem que pensar em você Joui…

— Mas como eu vou fazer isso, mãe? — pergunta já com algumas lágrimas descendo pelo seu rosto, olhando para a mãe ainda com uma mão em uma parte do rosto — eu não consigo não ficar preocupado com ela mãe, nem sei se ela conseguiu chegar hoje mãe…

Liz franziu as sobrancelhas ao ouvir a última parte.

— O que quer dizer Joui?.

— Acho que ela tem um transtorno alimentar ou algo assim… É isso que está acontecendo — suspira tentando secar uma das lágrimas, mas apenas vinha mais.

— Transtorno alimentar? — levemente os olhos da mais velha se arregalaram — você tem certeza disso filho? — pergunta com sua ar de preocupação para com ele e a situação.

— Sim, ela… Ela simplesmente não consegue comer às vezes — fungou — muitas vezes… E eu não sei o que fazer por ela, como posso continuar ajudando ela e tirar ela dessa, eu… — ele funga mais uma vez e se permite chorar finalmente de uma vez, mostrando toda a sua fragilidade para uma das poucas pessoas com quem ele já se mostrou assim. Liz apenas o segurou e ele se apoiou nela — mãe, eu não sei o que fazer mais, ela não consegue falar com os pais sobre isso com medo de sobrecarregar eles com assuntos esses, ela sempre quer lidar com isso sozinha e… — Liz o abraça e Joui simplesmente se deixa desabar em lágrimas —... Não sei o que fazer mais. Não posso obrigar ela a comer se não piora para ela, mas se eu não fizer nada ela… — Joui tremeu nesse momento, sendo apertado pelo abraço de sua mãe e logo ouvindo as palavras dela em seguida.

— Meu filho, calma, por favor, se acalme meu amor — pedia ela fazendo carinho no cabelo liso de seu filho, tentando, a sua forma deixá-lo mais calmo — entendo seu dor meu filho, entendo que tudo isso pode ser assustador, ainda mais para vocês que só têm 17 anos, eu sei tudo isso.

— Eu amo ela mãe — fungou novamente enquanto ainda tremia — eu tô com medo do que pode acontecer com ela… — falou se encolhendo mais no abraço da mais velha, essa que suspirou e passou a mão nas costas dele.

— Vocês tem 17 anos filho, é muito novo para lidar com essas coisas… — suspirou ela, encostando a cabeça no ombro do filho, mas se afastou, para pôr as mãos no rosto dele e secar suas lágrimas — tá tudo bem, não tem problema ter medo, é normal isso querido.

— Não sei o que fazer, não sei como resolver isso — dizia de forma briga.

Liz ouvindo isso, apenas suspira, sabendo que o que iria falar poderia ser pesado, mas era uma realidade, e Joui provavelmente entendê-la.

— Talvez não tenha como você resolver Joui.

Essa frase foi como água fria de repente sendo tocada na sua cara, só que com mais carinho.

— Como assim? Mas… eu preciso! Sou o namorado dela! — Ele olha para sua mãe sem entender o que ela queria dizer com aquilo, ela suspira sabendo agora como dizer a ele.

— Eu sei, meu bem, sei também que você ama muito aquela menina e eu tenho certeza de que ela te ama muito também — disse ela segurando na mão dele e secando uma lágrima teimosa dele — e sei que você acha que tem que “salvar” a Erin, que é seu dever. Eu sei que parece que vocês são o mundo inteiro um do outro, mas essa dependência não é saudável para nenhum de vocês querido — naquele momento, Joui demonstrou de forma mais direta estar prestando atenção ao olhar nos olhos da mãe, mesmo com angústia — Erin precisa de ajuda de alguém que não seja o namorado de 17 anos dela, ela… Precisa da ajuda de um médico ou terapeuta, que entenda sobre essas coisas de forma relacionadas a fundo meu bem — ela faz um carinho no rosto dele, querendo, como mãe, tirar toda a angústia e temor que ele estava sentindo — O amor ajuda muitas pessoas como a Erin, meu filho, mas entenda, o amor não cura transtorno mental…

Após essa fala, um silêncio se instalou no ambiente, com apenas o som da respiração profunda de Joui e o som do oceano presentes.

— Então… — Joui olha para a lua, com o olhar desolado — não tem nada que eu possa fazer?

Liz sorri levemente.

— Não foi isso que eu disse.

— Então?...

— Bom, tem muitas formas de você poder fazer algo por ela… — olhou para ele, o virando para ficar de frente para ela — você pode só estar lá, para ouvir, pra conversar, para dar aquela animada quando o dia um do outro não estiver bom e… Você pode perguntar o que pode fazer para fazer aquele dia menos ruim, sabe? Ficar ao lado dela, mesmo quando tudo estiver difícil — olhei para os pés por algum momento, vendo eles e os de Joui sujos de areia. Voltou a olhar para ele — mas também sabendo que às vezes as pessoas precisam de mais apoio do que uma só pessoa pode dar… Isso é amor meu, bem.

A esse ponto, de tanto que Liz havia falado, Joui já havia dito a mensagem que ela queria passar para ele. Ele poderia ajudar, mas não tem como ele poder realmente fazer algo para tirar Erin de toda aquela situação, mas ele só pode estar lá por ela, mas isso seria o suficiente? E a dependência que sua mãe falou? Era algo que… Na verdade estava se desenvolvendo aparentemente. Sua cabeça doía.

— Você ama muito a Erin, né? — pergunta ela o olhar ainda com um sorriso compreensível. Joui concorda com um aceno — vem… Que tal a gente voltar pra dentro pra você descansar, amanhã quando estiver melhor, a gente conversa sobre um plano, a gente faz uma boa pesquisa sobre como podemos ajudar a Erin a poder conversar com os pais dela ou um médico, pode ser?

— Sim…

{2 semanas depois}

Não demorou mais que 1 minuto depois que ele mandou aquela mensagem, logo a porta se abriu, revelando uma de suas pessoas favoritas de todo o mundo.

— Jojo! — e naquela hora, Joui apenas deixou as sacolas no chão e abriu os braços para receber o abraço de sua amada, que se permitiu se jogar nos braços dele — ai meu deus, que saudade! Que saudade!

— Ei ei, calma ai minha flor, assim você me derrubou — falou ele sorrindo enquanto dava nela um aperto rápido em meio ao abraço — também senti saudades Erin, muito — e beijou a cabeça dela, que estava coberta pelos capuzes do moletom que ela usava. Era dele inicialmente, mas assim como os outros, se tornou dela.

— Vem, entra Joui, por favor, meus pais tão trabalhando e eu quero meu namorado! — falou ela segurando a mão dele e o olhando com o sorriso mais brilhante que Joui já viu, o que o deixou mole por um momento.

— Claro, minha flor… — suspira ele, se abaixando para pegar as sacolas e logo foi seguindo Erin que já estava na porta à espera dele. E aparentemente só agora que Erin notou, pois olhou para elas curiosamente.

— O que são essas sacolas? — pergunta ela após Joui passar por ela e ela finalmente fechar e trancar a porta.

— Umas lembrancinhas que eu comprei pra você, nada demais — ofereceu mais para ela enquanto eu ia para a mesa deixar as sacolas lá, mas levou um leve susto quando sentiu a menor o abraçando por trás de repente, o apertando um pouco com a pouca força que ela tinha. Fofo — amor? — ele olha para trás com a intenção de olhar para ela.

— Senti sua falta — falou ela, com o rosto encostado nas costas dele, mas logo ela levanta o rosto para olhar pra ele — muita… — Joui sorri, se vira para ela e faz um carinho no rosto dela.

— Eu também senti sua falta, muita — puxe ela levemente pela cintura e aproxime seu rosto do dela, juntando seus testas.

— Bobão — e foi ela quem enfim selou os lábios deles em um beijo.

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Agora eram os dois no quarto da garota, os dois estavam na cama de Erin cobertos por seus cobertores e usavam suas roupas mais confortáveis ​​— tendo em vista que Joui tinha roupas dele lá —. Eles agora assistiram um filme aleatório que parecia interessante para os dois, entretanto, Joui não prestou tanta atenção assim no filme, ele pensou mais no primeiro passo para poder iniciar aquela conversa com Erin, que aparentemente era outra bem perdida em seus próprios pensamentos.

Ela encosta a cabeça no ombro dele, e ainda sem olhar para ele, diz:

— Esse filme é um saco, né? — Joui sorri, dando uma leve risadinha.

— Já vi mini filmes de gacha melhores — comente ele, comentário esse que fez a garota rir mais alto do que falou.

— Quer trocarte? Seria melhor a gente continuar nossa série — ela pega o controle logo próximo a ela e pausa o filme para retirá-lo. Ai Joui vê uma chance quase perfeita de iniciar uma conversa.

— Erin, espera — pôs a mão sobre a dela que segurava o controle. Ela olha para ele esperando que continue, claro, com o ar de sua curiosidade, que é característico dela — eu… Na verdade eu queria conversar.

— Ah, conversar? — e ela tombou a cabeça para o lado — conversar sobre o que? Aconteceu algo? — pergunta ela se virou totalmente para Joui que suspirou, sabendo que teria que começar agora. 

— Erin, você sabe que eu te amo não é? Muito — disse segurando as mãos de sua amada, fazendo um carinho nas suas costas. Erin sorriu pra ele, com suas bochechas corando um pouco.

— Eu também te amo, Joui, muito — ela deu uma risadinha, fazendo o mesmo carinho que Joui faz em sua mão na dele — mas a conversa não é sobre você me amar, presumo. 

— É… — riu ele sem graça, também vermelho e suspirou novamente — bem… Eu amo você, Erin, e eu… Fico feliz que a gente tenha conversado sobre… — levanta a cabeça para olhar nos olhos dela — sua saúde mental, mas… Ainda me sinto bem preocupado com você sobre isso.

Erin acabou de olhar para ele, ela havia arregalado levemente seus olhos com o assunto, mas ela prestou atenção no que Joui disse a ela, claro, ainda se mantendo em silêncio para poder dar ouvidos ao que seu namorado falou a ela, apesar de parecer que sua cabeça estava a milhão, já que Joui notou o leve tremor nos olhos dela.

Ele continua logo.

— Não é só sobre o lance da comida! — se prontificou em falar — é também sobre… Eu notei que você anda bem estressado e cansada, sei que muitas vezes é sobre o vestibular, eu entendo isso, mas… Tem dias que você só acorda triste… Que você fica e parece muito triste — e ele respira para poder continuar — sei que teve vezes que eu piorei as coisas, fiz coisas erradas pra você ou que teve vezes que eu não sabia o que fazer… — olhando pro seu colo e passou a mão no cabelo e voltou a olhar sua amada — e eu… Não posso resolver isso, mesmo querendo, não sou capaz de tirar essa tristeza de você e tudo o que você tem, não sou capaz… — suspira e junta as mãos de Erin, as embalando com as suas. Ele olha mais fundo nos olhos arregalados da ruiva — por isso, quero muito que você converse com seus pais ou com algum médico… Eu quero você bem…

Ele finalmente disse, finalmente pode falar o que planejou para ela, usando seu esforço para dizer as palavras certas para ela, já que Joui morria pelo medo de machucá-la com sua estupidez. Ele parou, finalmente de olhar para os olhos de Erin quando ela abaixou um pouco a cabeça e soltou suas mãos, ele viu a expressão triste que ela fez. Agoniada.

Ela esconde seu rosto com as mãos e se encolhe.

— Eu não consigo… — falou ela com a voz abafada e baixa. O primeiro fungo veio em seguida. Joui não saiu em abraçá-la.

— Eu sei que é difícil, mas estou muito preocupado com você, mas eu não consigo te deixar melhor… Não sozinho — suspirou enquanto deixava que ela usava seu ombro para esconder o rosto, sabendo bem que ela já chorava pois ela puxou as mãos do rosto e se agarrou a ele.

— Eu não consigo, Joui… Não sei se eu consigo melhorar… Eu não consigo… — dizia ela enquanto chorava. Ela tremia e isso atordoou Joui.

— Você pode melhorar sim Erin! Eu juro que você pode, você só precisa buscar ajuda… — disse ele a colocar em seu colo para aconfortar mais — por favor Erin… Meu amor, busque ajuda…

E um silêncio se instalou, Erin ainda se agarrava em Joui e ele ainda a abraçou em seu colo.

— Joui… — ela o chama, virando-se para ele, tirando o rosto de seu ombro — e se… E se meus pais se estressarem comigo?... E se ficarem mais sobrecarregados?... Eu não quero isso… Não quero ser a causa da prosperidade deles.

— Eles te amam Erin… — Joui diz fazendo carinho nas costas de Erin — eles te amam, e mesmo se eles se estressarem com essa situação, eles farão algo a respeito porque te amam, eles não vão ficar irritados… — e levou uma mão até o rosto dela, secando uma lágrima — que tal… Eu ficar? Pra ficar com você quando você falar com ele? Segurar sua mão ao menos… Não acho que eles ficariam bravos…

Erin fica olhando para Joui, abaixa a cabeça, e a balança concordando antes de esconder o rosto no ombro dele novamente.

O silêncio foi presente por um tempo, até Joui continuar.

— E… Hm, li na internet, que também é bom escrever sobre, sabe? Mas é fácil pra essas situações. Talvez possa te ajudar a conversar com eles… — e ele fala esse último olhando para Erin que o olhar de volta em silêncio.

—... Tem papel e caneta na gaveta….

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As duas figuras que finalmente chegaram em casa fecham a porta e colocam suas chaves no chaveiro personalizado feito por sua filha, com o ar cansado deles depois de um dia cheio em seus respectivos trabalhos. Fernando que havia passado o dia na gravadora já colocava seu sobretudo no gancho que tinha no hall de entrada da casa, ele foi logo direto para a sala se sentar no sofá para poder relaxar. Seu marido, Luciano, tirava suas botas e estalava as costas que doiam de tanto ficar vendo relatórios sobre os treinos dos futuros soldados e sobre os recursos para os quarteis, e ainda com a demanda que veio para atazanar sua mente, estava cansado e tudo o que queria era o conforto de sua casa e sua família, não encarar um monte de homem… Claro, que não fosse o seu. De qualquer forma, Luciano se levou até a sala onde se sentou ao lado de seu marido que havia deitado a cabeça, enfim, ele se sentou e Fernando se aproxima para deitar a cabeça em seu colo, e como sempre, Luciano começa a fazer carinho em seus dreads.

— Dia difícil? — pergunta Fernando, relaxando no carinho do marido.

— Nada com o que eu já não tenha lidado…— falou Luciano sorrindo pro teto — será que Erin está dormindo? 

— Não faço ideia… Espero que ela não tenha se trancado no quarto… — suspirou o homem de vitiligo, mas logo os dois ouviram passos na escada e Fernando abre os olhos olhando para a mesma, assim como Luciano. Logo… Joui apareceu nas escadas?

— Joui? O que você faz aqui? — pergunta Luciano, curioso sobre a presença do gênero e fechando um pouco a cara. Não era nenhuma novidade que Luciano não era o maior fã de Joui, mas era fato que ele sabia bem o quanto sua filha o amava, então tinha que aceitar.

— Joui? Oi, Joui — mas ao contrário do marido, Fernando até gostava do nipônico, até mesmo deu um sorriso para ele enquanto levantava a cabeça do colo do marido. Logo Erin apareceu atrás de Joui. Ver a filha melhorou o humor de Luciano.

— Oi senhor e senhor Carvalho, boa noite — comprimentou o jovem meio constrangido e nervoso, mas tendo sua mão pega por Erin, o que o fez sorrir para ela.

— Boa noite papais… — Erin o cumprimenta, e logo o casal mais velho nota o claro nervosismo da garota. Os jovens logo desceram as escadas.

— Oi, minha princesa — Luciano diz sorrindo para ela, mas prestando atenção em tudo e qualquer movimento dela — está tudo bem? E Joui, não é muito tarde para estar aqui? — pergunta enquanto observa o casal sentado no sofá junto com eles.

— Ele não vai ficar muito — responde Erin sentindo as bochechas se esquentarem levemente, mas logo uma mão de Joui foi para seu ombro e ela respirou fundo. Logo voltou a olhar para seus pais — E eu… Preciso falar com vocês…

— Aconteceu algo filha? — quem perguntou agora foi Fernando, que olhou para a filha à procura de qualquer coisa errada que esteja visível a olho nu. Foi aí que Erin tirou um papel do bolso do seu casaco.

— Eu… Escrevi o que eu quero falar com vocês… — respira fundo e aperta a mão de Joui que permanece fazendo carinho na sua — é… Meio difícil falar…. — sua voz pareceu falhar por um momento, Joui podia sentir as mãos de sua amada tremendamente.

Seus pais já estavam à olhando preocupados, mas em silêncio, esperando que a ruiva começasse a falar. Ela respira fundo, e começa a falar o que lia naquele papel, tudo o que ela havia escrito que ela não conseguia apenas falar. Ler o que escreveu era realmente mais fácil, ainda mais tendo Joui segurando sua mão trêmula, ele estava lá ao seu lado.

Chegou um momento em que Erin não aguentou muito, pois conforme lia e falava, sentiu suas emoções em um misto caótico que estava querendo ao menos transbordar um pouco para aliviar. Ela chorou enquanto estava lendo, ela mandou as mãos gentis de Luciano indo para seu rosto, nem viu que ele foi para seu lado ficar mais perto dela. Ele seca suas lágrimas e ela continua, ninguém a interrompeu.

No fim, ela havia se reunido e Fernando a abraçou com todo seu amor, ela sentiu o abraço dos três. De Fernando que foi para sua frente embalando ela como uma criança, ao seu lado, Luciano que tirou seus capuzes e passou a fazer carinho na sua cabeça, sussurrando coisas gentis para ela, a forma dele para com ela. E de Joui, que desde o começo estava lá com ela como um lugar seguro para ela se deixar transbordar. Erin chorou, tremeu, fungou e sentiu que depois de ler tudo aquilo, não seria capaz de passar por aquele caminho que tanto queria para ela, mas ai ela foi abraçada por eles e viu que Joui tinha razão.

Seus pais a amavam, ele a amava.

Erin não está sozinha.

E ela a partir daquele momento, não se sentiria mais tão sozinha.

 

 

 

 

 

 

 

"Pai, papai, vocês sabem que minha saúde mental, psicológica e emocional sempre foi algo que conforma o tempo passado, ficou pior do que quando aconteceu tudo aquilo comigo. Eu não consigo comer mais como antes, sei que asseguro a vocês que eu ando comendo direito, mas eu minto, desculpa, eu menti várias vezes e comi menos do que eu no mínimo preciso, me sustentando no pouco que eu colocava na boca. Sabem as vozes na minha cabeça, que eu falei que às vezes escutava? Elas ficaram piores e eu dei ouvidos para eles. Eles me dizem que não estou com fome, que eu não preciso comer tanto assim e que eu não preciso falar sobre isso com vocês, mas eu mais do que nunca preciso de vocês, preciso da ajuda de vocês e falar com alguém que saiba essas coisas. 

 

Estou nervoso, cansada e sinto que isso vai tomar meu corpo. Por favor, eu estava pensando em voltar ao médico e ver isso.

 

Eu quero ficar melhor”