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É sempre mais fácil culpar alguém

Summary:

"— Da última vez que chequei, eu estava sozinha aqui... — Felicity murmurou. Ela abriu os olhos e encarou, não muito feliz, Tommy Merlyn. — e da última vez que chequei — ela repetiu ironicamente, agora para o outro ouvir — você não tinha permissão para descer aqui.

Tommy a encarou não ofendido, nem um pouquinho afetado. Ele apenas sorriu, aquele sorriso zombeteiro de costume.

— Eu vim te salvar, loirinha."

Felicity se sente cada dia mais frustrada e culpada por não ter sorte em sua procura por Walter Steele. Tommy sempre está lá, é claro, ajudando sua nova amiga, mas ambos se apoiam um no outro, principalmente quando o relacionamento de Tommy com Laurel não está indo bem.

Aviso: fanfic ambientada na primeira temporada.

Notes:

Seja bem vindo à um pensamento intrusivo meu de quando eu estava assistindo arrow pela vigésima vez e percebi que o Tommy e a Felicity seriam uma boa dupla caso tivessem mais contato na série.

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Já era quase uma da manhã quando Felicity desligava o monitor para ir embora.

Ela relutou inicialmente, antes de se levantar. Queria persistir na busca de mais provas ou qualquer resquício de por onde Walter Steele poderia estar.

A loira se sentia inútil. E culpada, na maior parte do tempo, por mais que tentasse fugir deste pensamento.

Felicity não poderia ter evitado que Walter fosse levado, poderia?

De qualquer forma, seu chefe a perseguia em seus sonhos. Não só ele, como o restante de sua família. Oliver, Thea e Moira. Todos apontando para ela com o maior desgosto do mundo.

Dois passos foram dados. Apenas dois passos haviam sido dados quando ela percebeu que não conseguiria dormir se fosse para casa.

— Eu não aguento mais... — ela apertou as têmporas, em um sinal claro de ansiedade. — Eu preciso resolver isso, preciso achá-lo.

Ela suspirou, exasperada.

— Voltou a falar sozinha, Senhorita Smoak?

É óbvio que nossa protagonista foi parar a 20 centímetros de distância com o susto que a deixou com o coração acelerado.

— Da última vez que chequei, eu estava sozinha aqui... — Felicity murmurou. Ela abriu os olhos e encarou, não muito feliz, Tommy Merlyn. — e da última vez que chequei — ela repetiu ironicamente, agora para o outro ouvir — você não tinha permissão para descer aqui.

Tommy a encarou não ofendido, nem um pouquinho afetado. Ele apenas sorriu, aquele sorriso zombeteiro de costume.

— Eu vim te salvar, loirinha. — ele se aproximou, puxando-a pelo braço. Felicity não se afastou. — Ou você acha mesmo que vou te ver afundar em trabalho até seus lindos olhos azuis ficarem cansados demais e você dormir, de novo, nessa cadeira gamer desconfortável?

Antes mesmo de responder, a mulher já estava sendo levada escada acima. Foi quando Tommy discava a senha para sair do porão e também esconderijo do Arqueiro que Felicity se deteve.

— Sua ação é nobre, Tommy, eu reconheço — ela sorriu para ele, com afeição, mas então soltou seu braço do dele e fez menção de descer as escadas novamente. — Mas, pensando bem, eu prefiro ficar aqui do que ir para casa... — disse cabisbaixa, sem revelar muito.

O homem assentiu, mas não desistiu.

— A Verdant é um lugar muito grande, não precisa ficar escondida aqui. Eu não sei pelo o que você está passando, e nem precisa me contar pra falar a verdade. Mas eu reconheço alguém na fossa, sem ofensas, — sorriu — e sei como é bom ter alguém por perto.

Felicity não sabia em que momento ela e Tommy haviam virado amigos, ou seja lá aquilo que eles tinham.

Tudo começou com cumprimentos, um bom dia, boa tarde ou boa noite. Depois passou para "ainda aqui? deveria estar em casa, não? já é tarde". E passou para Felicity perguntando "Tommy o que você está fazendo na minha casa duas da manhã?" e ele respondendo "Tive problemas com a Laurel. De novo".

Acontece que eles não tinham nada em comum. Apenas se davam bem e ponto. Nada mais, nada menos. Pareciam amigos de longa data, Oliver uma vez até achara estranho.

— Ok — Felicity sorriu para o amigo e inclinou a cabeça levemente. — Mas eu não sou a única que pareço mal. O que aconteceu, Merlyn? — Ela agarrou sua mão quando ele hesitou.

— Nada que duas ou três garrafas de vodka não me faça esquecer. — seu olhar foi longe.

— Ou tagarelar, que é mais o seu e o meu caso. — Ela nunca se acostumaria com o fato que Tommy, o bad boy, falava pelos cotovelos quando estava bêbado.

[Uma garrafa e meia depois...]

— Cala a boca, Thomas. — Felicity revirou os olhos, mas continuou sorrindo.

— É sério, — ele riu e a encarou com afeição. — eu mesmo vou me encarregar disso. Vou socar aquele desgraçado que um dia ousou te trair.

— Meu ex namorado que eu não vejo a mais de 5 anos? — Ela virou o restante de bebida que tinha no seu copo e Tommy se encarregou de enchê-lo rapidamente. — Boa sorte pra você então, hum.

Eles estavam no chão, bem, inicialmente eles estavam no sofá vermelho carmim, no centro da boate, perto do patamar do DJ e infelizmente longe do bar. Mas depois de verem que tinha uma certa mancha branca no estofado, o chão pareceu ser muito bem vindo.

Tommy levantou a cabeça quando uma lembrava o assombrou de repente.

— Eu não disse, certo? — ele perguntou inclinando o corpo, que estava deitado por completo no chão. Felicity, sentada com as pernas cruzadas a uns 20 centímetros de distância, o encarou.

— O que exatamente? — ela respondeu incerta.

— Eu estou pensando em acabar com tudo.

— Tudo?

— É. Eu e Laurel.

Foi uma grande surpresa para Felicity ouvir isso. Tommy não abriria mão tão fácil assim de Laurel. Ela já tinha ouvido demais sobre o amor deles (por longas e longas horas de Tommy bêbado em sua casa depois da meia noite) e sabia o quanto ele a amava.

— Mas você a ama, não ama? — Ela perguntou com compaixão e ele desviou o olhar, não o suportando.

— O amor não falta. Eu a amo com todo o meu ser, e me dói dizer que ela não sente o mesmo. — ele virou a garrafa de vodka na boca e depois a empurrou para longe, vazia, suspirando pesadamente.

Ele jogou o corpo novamente no chão, mas permaneceu de lado, de modo que Felicity reconheceu uma tristeza nunca vista antes nos olhos de Merlyn. Ela se aproximou mais e deitou o corpo pequeno ao lado do dele, de jeito a ficar cara a cara.

Eles se encararam e a mulher sentiu um arrepio na espinha. Estava próxima demais e conseguia perceber o quanto ele estava caindo aos pedaços. E se sentiu péssima por nunca ter percebido sua tristeza antes, Tommy era bom demais em escondê-la pelo visto.

Felicity segurou a mão de Tommy e ele a encarou com intensidade. Não tinha palavras para confortá-lo, mas, como ele mesmo disse, é bom ter alguém por perto.

Ele sabia, a muito tempo já, que ela estaria lá por ele. E isso já o deixava menos frustrado com tudo que estava acontecendo.

O Merlyn e Laurel estavam em um relacionamento fadado ao fracasso, e ele sabia disso. Sabia disso desde que viu Oliver e ela no mesmo ambiente pela primeira vez. Tommy tentou, tentou de verdade. Mas achava que merecia ser mais do que um prêmio de consolação.

Laurel Lance nunca amaria Tommy Merlyn na mesma intensidade que amava Oliver Queen.

— Sabe, — ele fungou. — Eu percebi tarde demais.

— A culpa não é sua... — ela apertou sua mão de leve.

— A culpa é minha por não conseguir...

— ...controlar seu coração? — Felicity o interrompeu e riu amargamente. — Nós infelizmente não temos controle sobre isso. Se o seu erro foi amar demais e se entregar. O erro dela foi não reconhecer o quão incrível você é. — então continuou com a voz leve e sábia. — Não se culpe Tommy, muito menos culpe ela, pois da mesma forma que você não tem controle sobre o seu coração, Laurel também não tem sobre o dela.

Ele fechou os olhos por alguns segundos, digerindo e absorvendo o que a loira na sua frente tinha pronunciado. Ela estava certa, ele não tinha dúvidas disso, mas era tão detestável não poder culpar alguém por aquilo que ele estava passando. Era sempre mais fácil culpar alguém.

— É sempre mais fácil culpar alguém... — murmurou, abrindo os olhos lentamente, Felicity percebeu, com felicidade, que eles estavam desanuviados.

— O que disse?

— É sempre mais fácil culpar alguém! — disse mais alto e com determinação. Ele se sentou e puxou a mão de Felicity, que não havia soltado até o momento, fazendo-a se sentar também. — E se não temos ninguém para culpar, nós culpamos nós mesmos!

— Onde você quer chegar, Merlyn? — Ela ficou ligeiramente assustada com a mudança de humor de Tommy.

— Seja lá pelo que você está passando, e que, por mais que eu insista, não me fala o que é. — ele falou em tom acusatório — Não importa o que é, não é culpa sua!

Ela desviou o olhar. Como pode o assunto ter mudado assim tão de repente?

— Você não sabe do que está falando. — disse melancólica.

— Felicity! — Ele estava tão perto e o som de seu nome saindo da boca de Merlyn pareceu tão doce que ela não conseguiu evitar olhá-lo novamente. — A - culpa - não - é - sua. — ele falou pausadamente.

A loira se permitiu sorrir. Ele sabia. Não sabia sobre Walter exatamente, mas sabia o que ela estava sentindo e passando.

— Como você tem tanta certeza? — perguntou tristemente, com um certo tom choroso.

— Porque você é Felicity Megan Smoak, a garota engraçadinha e bonita do T.I. A garota que me chama quando tem uma barata no "porão" ou a garota que sempre me acolhe nos piores dias.

— Obrigada pelos elogios, ajuda na autoestima, mesmo vindo de você. — Ela provocou, escondendo sua surpresa por tudo que ele dizia.

Ele a ignorou.

— Só, por favor, me prometa, não se deteriorize por causa disso.

— Só se você me prometer não se deteriorar por causa daquilo.

Eles se encararam, cada um com seu demônio interior os consumindo. Mesmo assim, eles começaram a rir.

Um riso não de algo cômico, mas um riso de felicidade, pois ambos perceberam, a partir deste exato momento, que nunca mais sairiam da vida um do outro. Uma amizade como essa não se perdia tão fácil assim.

[...]

Felicity estava com o cabelo solto e desarrumado, o scarpin jogado a uns 2 metros de distância e a camisa por fora da saia. Tommy estava com três botões da camisa abertos e com a terceira garrafa de vodka pela metade perto dele.

A mulher com a cabeça deitada no peito do homem e o mesmo a abraçando com carinho.

Foi assim que Oliver, às 06:10 da manhã, os encontrou. Ambos dormindo profundamente.

Notes:

Fanfic também disponível no wattpad: levesquee_

Aberta a ouvir sua opinião sobre a história nos comentários, fique a vontade!! obrigado pela leitura <3