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Polisipo

Summary:

Polisipo, em grego, significa "Pausa na dor"

"Têm sido, esses dias, polisipo"

 

Naruto | AU | Obikonan

Notes:

Segunda história de Naruto e por enquanto a última, ainda pretendo postar mais sobre Naruto.

Não vou falar muito aqui além do básico.

Caso não goste do casal, recomendo não ler, mas isso fica a sua escolha.

Enfim, boa leitura caro leitor, bjs :3

Work Text:

Era apenas mais uma madrugada comum naquele país, naquela vila, onde a chuva cobre todos aqueles que mesmo em sua moradia, se veem desprotegidos dela, ou protegidos. A chuva era como uma grande mãe que abraçava aqueles desprotegidos do seu amor tão frio. Mas havia aqueles que em suas moradias apenas a admiravam, seja a observar com o desejo de conhecer o calor do conforto ou apreciar sua canção feita por cada gota que caia em algo sólido. Em Amegakure, aquilo era quase algo cultural, admirar a chuva, a água que caía do céu de várias formas. Num modo doce de uma garoa onde as crianças arriscavam sua segurança para apreciarem a calmaria e brincarem embaixo daqueles selinhos de água. Também havia o abraço comum que servia de lembrete para nos protegermos do frio, o mal amado frio que ou nos conforta ou nos faz tremer até os ossos. E claro, havia o turbilhão, ventania raivosa com tapas d'água que caiam nos azarados desprotegidos dos ataques da chuva inevitável, são nesses momentos que apenas os desabrigados são vítimas da ira das nuvens pretas que cobrem o raro azul do céu que lá aparece quando der na telha, às vezes também com o mimo do calor para os cobertos e dar um pedaço de afeto, calor.

Mas mesmo assim, nessas três faces da chuva, sua maior admiradora sempre se colocava vulnerável diante dela, no objetivo de sentir seu abraço nostálgico e reconfortante, de um amor que tanto lhe faltou e sentiu falta, mesmo sabendo que aquilo não chegava nem perto do que um dia foi amor. Amor de mãe. De sangue.

Era de sangue que suas nuvens eram, de cada um que esteve em seu caminho, que ousou enfrentar sua lealdade à única família que ali conhecia naquele mundo de guerras. Aquelas nuvens eram do seu próprio sangue, do sangue de companheiros, do sangue amado. Ah, como um dia amou aquele sangue...

Foi com esse pensamento que ela olhou para o céu e abriu os olhos para ver o cinza a encarar de volta. Doía, seu coração sempre doía ao lembrar, mesmo passando muito tempo desde que viu aquele sangue que tanto amou sendo derramado. Nunca esqueceria da dor, jamais esqueceria a sensação de seu peito queimando em uma dor aguda, como se uma kunai estivesse perfurando de forma lenta e torturante. Sempre que lembrava era assim, uma dor, que desencadeou um medo em si.

— Estou fazendo o certo? — Disse a filha mais amada da chuva, que se molhava e se deixa ser abraçada pelo frio. Konan ama o frio.

Esse questionamento tem haver com seu medo, temor, recebimento. Se entregar e sentir dor, amar e sentir dor. Arriscaria mais do que já estava arriscando? Ah... Lembrou de quando se deixou ser levada pela sensação de ser desejada, criando uma bola de neve onde se inscreveu e ignorou qualquer destruição que pudesse ser feita por causa do desejo de se sentir compreendido e acompanhado. Estar junto dele era igual ao cair de um prédio para voar no instante antes da morte para abraçar. A adrenalina do segredo, Konan ama isso.

Talvez essa seja a resposta.

— Está tudo bem... Não afetará ninguém... — se ninguém descobrir, é claro.
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Que bela madrugada, acabará de sair de seu banho, se trocou e colocou uma roupa confortável unicamente para ficar em seu quarto. Uma camisa grande preta um confortável que vai até metade da sua coxa. O plano para aquele tempo era assistir um filme qualquer, fazer as unhas e ouvir alguma música. Simplesmente seu tempo de qualidade.

O filme já estava passando, através de uma TV de tubo velho na qual conseguirá fazer funcionar e fazer seu cinema particular e se entreter com sua própria companhia. Às vezes com a dele também, quando essa na telha.

Suspira e balança a cabeça para espantar esse pensamento, não pode ficar pensando muito nele, seu medo pode acabar se concretizando se continuar e isso pode vir a ser ruim para ela, mesmo sendo tão bom, mas parecia desastroso, mas...

"Até parece que gosta disso..."

"Mas eu gosto, assim como você, sei disso"

Ela gosta. Konan gostava, ela não sentia a solidão quando estava junto dele, quando ele queria estar junto dela nem que fosse para saciar seus desejos ou apenas ter um corpo para dar aquilo que guardava por tanto tempo, aquilo que se surpreendeu em ver que ele tinha e que queria dar a alguém. Konan foi selecionado para isso.

Agora se via pensando nele novamente e isso ocasionou em seu peito um aquecimento de uma maneira tão confortável que chegava a ser viciante para quem vivia no desconforto como ela. Ele era viciante, assim como o que ele tinha. Ela não queria parar.

Suspirou e olhou para as suas unhas que ela calmamente fazia enquanto assistia aquele filme. Qual cor combinaria com ela? Haviam vários à sua disposição ali, apenas eu precisava decidir qual.

— KONAN-SENPAI!!!!!♡ — e de repente esse berro agudo se fez presente atrás dos cabelos roxos, que arregala os olhos e como um impulso, leva uma rajada de kunais de papel até quem a relata. Mas é claro, passando por ele — Errou!♡

—Tobi! — exclama em seu volume consideravelmente para si alto, se virando para ele com uma quase expressão irritada antes de suavizar ela e suspirar — não faça mais isso, sério...

— Ah... Mas eu só queria fazer uma surpresa, senti que você pediu de alguma companhia Konan-senpai♡ — por que ele ainda estava com aquela personalidade? Era estranho quando ele a usava quando era apenas eles dois, ele já havia dito que não havia necessidade para isso e... Ah, ele queria fazer graça, era isso, só podia ser isso. Mas, mesmo assim, não deixava de ser estranho, muito até.

— Não precisa disso, assim como não precisa ser Tobi agora Madara — suspirou e voltou a sua unha e tentando ouvir o filme, mesmo que sua atenção se divide nas unhas e no homem atrás de si.

— Obito — agora voltou ao seu normal, voz grave, despreocupada e autoritária ao mesmo tempo. Mas ela sorriu ao ouvi-lo corrigi-la falando o nome que apenas ela deveria o chamar, mesmo não explicando o porquê disso. Pode sentir a cama ganhar peso e sua presença se aproximar mais de si.

— Obito — repete respirando fundo e olhando apenas para a sua unha — como foi a missão? — ele estava quase ao seu lado, encarando seu pescoço através de sua máscara e isso estava queimando aquela área. Parecia um predador. Quis rir e o encarar daquela mesma forma, apenas por teimosia e ousadia. Sabia que ele gostava também de ser desafiado e enfrentado por ela, mas naquele momento, nenhum estava na vontade de ficar apenas se provocando, ambos apenas queriam relaxar. E Obito queria relaxar ao lado dela.

— Bem, não há nada de suspeito na tal vila da pedra — fala de uma forma mais rasa sobre tal assunto, aparentando sua nítida falta de interesse em continuar com ele, por isso Konan apenas assentiu e continuou a lixar suas unhas, ainda sentindo o olhar do maior sobre si, a queimando.

"Acho que você ao menos deveria falar algo ao em vez de ficar me encarando com essa cara de idiota"

— Mas e você, como foi seu dia? — quis rir após essa sequência desastrosa, mas não pode fazer nada além de dar um sorrisinho enquanto só focava seus olhos nas unhas, ainda na dúvida de qual esmalte usar. Ele poderia ajudar como nas outras vezes que esteve lá com ela assim.

— Comum, pude ajudar na construção de um novo templo para a vila — suspira tirando o pozinho de cartilagem de seus dedos e agora olhando para alguns dos esmaltes ao seu lado, logo a queimação do olhar de Obito em si mudou o foco.

— Laranja, pra combinar com os seus olhos — fala agora apresentando olhar para os esmaltes e notando a dúvida de Konan em qual cor pintar suas unhas, ele se aproximou mais, agora ao lado dela e pegando o tal do esmalte — laranja siena... Esse mesmo — voltou a olhar para ela e a deu o esmalte.

Konan nada disse sobre isso exatamente, sorriu em agradecimento a acenou com a cabeça para ele, pegando o esmalte e já o abrindo.

— Andei pensando em fazer outro piercing — aleatório, mas ele pareceu rir por um momento após a fala da mulher que, sendo contagiada pelo vago riso dele, deu um sorriso de canto, logo passando a primeira camada no polegar esquerdo. Era destra, então preferiria deixar a dificuldade pra depois.

— Qual dessa vez, ein? — falou divertido um pouco, agora só olhando para o filme a frente deles que apenas passava — acho, que um Double Helix ficaria bem em você...

— Acho bonito, mas é simples demais — fala ainda dando mais atenção a sua unha do que para seu chefe, ou confiava nisso — quero um na língua, mas considerarei sua ideia — falou e deu um leve e pequeno sorriso de canto para ele novamente.

— Vai inchar tanto que vai tomar conta da sua boca toda — riu balançando a cabeça enquanto olhava um pouco o filme, confiando que iria prestar atenção nele.

"Não posso me enganar por muito tempo, ainda mais quando tudo o que eu faço é te olhar e olhar"

— Vai nada, sei cuidar dessas coisas — revira os olhos ainda com um sorrisinho no rosto, parecendo pensar um pouco mais sobre. Realmente considerou a ideia dele.

"Eu sei, sempre senti você me olhando, não posso negar que eu gosto, mas me faz sentir que tem algo a mais nele"

— Esse filme é sobre o que? — perguntou o mais novo, encarando aquela tela a sua frente, sentindo um tédio vindo, mas ainda sim, vendo o que passava — parece um romance pastelão.

— Eram conhecidos que se julgavam sem se conhecer, mas agora parecem se entender melhor enquanto vêem o que querem da vida deles — responde agora indo para a segunda camada de esmalte — eles soltam frases aleatórias para adolescentes pegarem e soltarem como indireta

— Credo — outra risadinha vinda do maior, que estava assistindo ao bendito filme agora, apenas querendo ver até onde iria aquela bomba — qual o nome disso?

— Nova chance — respondeu o fazendo segurar o tubo do esmalte — eles aparentam compartilhar essa mesma dor de serem feridos por paixões passadas de alguma maneira, aí foi por isso que se aproximaram, eu acho.

— Acha? — outra mini risadinha, mas essa parecendo mais sem humor, como se ele tivesse pensando em algo. Ele estava pensando nesse algo a bastante tempo.

— Não tô prestando tanta atenção assim — revira os olhos, mas os parando no mascarado já ao seu lado — o que foi? Interessado? — tentou um tom de zoação, do seu jeitinho, mas era mais a curiosidade para a mudança do tom dele.

Isso pareceu bem estranho na sua mente, apenas de começo, pois logo entendeu que ele se auto enfiou em uma linha específica de um único pensamento, ocasionado apenas por informá-lo do que era o enredo daquele filme.

Ele sempre fez isso, para várias coisas específicas que desencadeiam algo em sua mente que o fazia pensar sobre. Havia vezes em que ele comentava, havia vezes que era algo tão profundo que sequer cabia na linha onde eles estavam como... Amantes a escondidas? Que nomenclatura horrorosa. Konan quis rir com o quão ridículo isso foi, mas estava ocupada pintando sua outra mão e pensando sobre o silêncio repentino de Obito, mas agora em guerra pois teria que trabalhar com sua mão esquerda, seria frustrante? Demais, mas conseguiria passar por isso sozinha, já passou por dificuldades maiores e essa em específico não vai ser a primeira vez.

— Desgraça... — murmurou para si mesma enquanto começava a pintar suas unhas com cautela, tentando ao máximo não borrar ou tremer, coisa que quase estava acontecendo.

Bem, enquanto a tudo isso, mal viu o homem mascarado voltar a fita-la, olhando sua nuca até as suas mãos. Estava tudo certinho na mão esquerda, claro. Entretanto, agora trabalhava com essa mesma mão para pintar a bendita da mão direita. O sofrimento de quem é destro ou canhoto.

Achou um pouco de graça aquilo, se distraindo dos pensamentos envolvendo seu antigo amor. Seu primeiro, único e sofrido amor. Antes se relembrando do maior objetivo de sua vida, agora relaxando ao ver a dificuldade de seu casinho em simplesmente pintar as unhas. Não iria mentir que achou fofo, foi pensando nisso que se aproximou mais dela, chamando a atenção da mesma enquanto pegava o pincel do esmalte com uma mão e depois pegava a mão da nukenin, deixando o tubo de esmalte entre suas pernas para não derramar.

— Aqui — suspira rouco dando seu olhar para a mão dela, começando a pintar as unhas dela delicadamente — eu ajudo... — e ele respira fundo e começava pintar as unhas dela, no desejo de apenas relaxar junto de sua companhia mais agradável diante daquele grupo de renegados sem muito propósito. Alguns.

— Tem algo na sua cabeça que te deixa tenso — novamente se pronúncia ali, a mulher de cabelos roxos que apenas o deixou ajudá-la naquela atividade simples, não questionando, já que compartilhava do mesmo desejo de relaxar, mas com a companhia dele, relaxaria de uma maneira mais agradável. Talvez nostálgica, talvez — gostaria que eu pintasse as suas?

Ele não responde de primeira, pelo motivo de ter visto que ela notava como seu corpo ficava quando se afundava em pensamentos que certamente chamavam sua atenção. Ela estava o conhecendo demais e ele estava deixando.

Bem, se ele for rever, sua trajetória inteira até lá, ele pode ver duas coisas. 1° que já fazia um tempo que ele não tinha uma interação tão profunda com alguém, isso fazia já uns bons anos. 2° que e se sentia bem para um caralho com isso, ao mesmo tempo que o distraia, muito. E vendo isso, parecia que ele estava se distraindo do maior plano de sua vida. Mas aquilo era mau por acaso? Iria prejudicar a trajetória do plano? Claro que não, não deixaria, não permitiria, mas se permitiria aproveitar as horas vagas com ela ao menos, era reconfortante ao menos. Mas... Tinha algo...

Talvez o receio de estar traindo sua única e primeira amada? Mesmo que... Droga...

Bufou com o começo daquele pensamento, mesmo que sempre soubesse dos sentimentos da antiga companheira nutria para quem um dia foi seu melhor amigo, ainda sim sempre que pensava nisso se sentia estranho, até demais. Se perguntava se Konan sentia o mesmo. Estranha de estar envolvida com alguém após tanto tempo amando outra pessoa. Provavelmente ainda amando essa pessoa, mesmo com ela morta. Seria indelicado por esse assunto em pauta agora, né?

— Obito? — chamou sua atenção, estranhando todo aquele tempo em silêncio enquanto o mesmo se via parado de pintar sua unha como disse que iria fazê-lo, apenas acariciando sua mão enquanto pensava. Algo acontecia, pois isso agora era meio estranho para si, sentia que algo acontecia — está tudo bem? — perguntou o olhando, como se tentasse o ler naquele momento. Até um trovão brilhar dando um contraste a mais para o rosto esbelto da mulher a sua frente, que ainda olhava para si com... Curiosidade e preocupação.

Mas ele falaria algo? Mas o que exatamente? Que pensou na garota que tanto amou que hoje está morta? Ou em como aquele contraste realçou seu belo rosto angelical?... E se ele falasse? Lógico, não sendo explícito sobre, não falando tanto, sendo... Raso sobre... Não sabia bem como falar...

O que eu estou pensando?...

— Desculpe... — suspira e olha para a mão dela, que se encontrava ainda sobre a sua naquele momento, já que o renegado estava até então pintando suas unhas como vez ou outra faziam. Ela provavelmente deduziu que ele não queria. Bem, ele quer. Pegou a mão de Konan, suavemente como fazia e acariciou levemente a mesma — ando bem... Pensante... — falou levando as costas da mão da moça para que se encostasse na região provável de sua boca, mas claro, com o obstáculo da máscara. Pode a ouvir suspirar durante o curto tempo do ato, mas parecia ser de alívio. Por que?

— Sobre o plano?... — pergunta com um leve tom de desânimo. Nenhum deles quando estavam só, gostavam de falar do trabalho, que tinham em manter aquele plano no caminho certo a ser executado. Sempre era estressante, por isso tinham férias, mesmo que poucas, faziam bem para cada membro esquecer da existência uns dos outros.

Bem, agora sobre a pergunta, o moreno apenas balançou a cabeça negativamente e pareceu rir um pouco. Motivo? Não sabia ao certo.

— Não podemos falar de trabalho nesses momentos... — a lembrou com aquele estranho humor que veio a nascer em si. Ele não entendia, mas sabia que essas risadinhas dele vinham em dois momentos. Quando sua mente o matava ou... Quando estava com ela... Quando estava com ela, nesses momentos, sentia-se até mais leve, um pouco. Ele não entendia, talvez nem quisesse pelas várias respostas daquilo, talvez... Ele não sabia o porquê disso.

"Por que não tenta se entender? Entender você mesmo? Olhe como estamos e olhe o que me disse agora, você sabe o que pode ser, o que pode estar sentindo mas parece que não quer saber, por quê?"

O filme ainda acontecia, eles não estavam prestando atenção naquilo, como se fosse mais interessante aquele segundo onde se olhavam em dúvida, onde Obito olhava Konan com dúvida. Estaria tudo bem... Certo?

— Só estou... Lembrando algo... — ele estava tentando, Por quê? Não sabia, mas parecia não ser mal aquilo, que não iria atrapalhar em nada... Não iria, ele garantiria isso, apenas manteria o disfarce para ela. Ele para ela, ainda era Uchiha Madara, até o fim seria assim, pelo bem do plano.

— Algo? — ela pareceu entender esse algo, que não era algo e sim alguém. Não se incomodou, ela não se incomodou, pareceu mais curiosa. Ela estava sabendo demais sobre ele e isso... Pode ser ruim — pode me contar... Caso queira... — falou ajeitando as coisas que estavam na cama para ela se ajeitar mais ao lado dele. Estava muito confortável?... Estava, mas de toda forma, estavam apenas eles dois, e qualquer coisa, ele mesmo poderia a parar, mas como não o fez, então ela não se afastou.

— É... Há um tempo atrás, quando eu ainda era... Jovem, conheci alguém... Uma garota do meu clã — precisaria mentir e omitir coisas, não podia arriscar muito — eu gostava... Era apaixonado por ela... — respirou fundo, mas conseguindo omitir isso, pois não transpareceria que ele estava nervoso, ao menos não para ela de toda forma, pois ela já o conhecia demais — ela morreu e... Acabei lembrando dela agora...

"Você não precisa ficar assim, estamos só nós dois aqui, nada sairá"

— Ela deve ter sido bem importante não é? — falou num sorriso cúmplice e confidente para ele, pois teoricamente, ela meio que era sua confidente ali naquele momento. Ela queria que ele ficasse tranquilo ao falar, confortável, pois já deduziu o que aconteceu com a garota que ele falava e sentiu a dor que ele poderia estar sentindo.

"Está tudo bem aqui, não se sinta obrigado a nada, faça e fale aquilo que quer"

— Sinto isso com o Yahiko... — falou num suspirar e olhando para o teto em seguida — às vezes, lembro dele... — está tudo bem, aqui está bem e é seguro, ela também se sentiu segura ao falar de seu amado não é? Mesmo com dor...

— Mas... Você o vê praticamente todos os dias... — murmura se mexendo um pouco, os ombros em específico só, não se incomodou com a aproximação, mas também nem a olhando, mudando o foco em um ponto o qual não focou, olhava de um lado para o outro mas nunca pensando ou cogitando em olhar Konan.

— Vejo o corpo dele, mas não é ele — suspira fechando um pouco os olhos — o Yahiko, o de verdade não está mais aqui de toda forma, apenas o que restou dele — ela falava calmamente, parecendo não ficar nervosa ao falar sobre seu finado amado, mas isso não anula a dor, não, de forma alguma, ela ainda estava ali, firme e forte em sua existência no coração tão ferido da kunoichi renegada, ela só havia se acostumado, apenas isso.

— Ah... O corpo e as lembranças... — suspirou rouco, com um aperto no peito vindo conforme pensava sobre. Gatilho, lembrou de como foi perdê-la e como foi tudo o que aconteceu. Dor — não sente dor também?...

"Sei que dói, conheço essa mesma dor, não está sozinho"

— Eu sinto... Tanta, tanta que chegava a pensar que eu não aguentaria — também suspirava, respirou fundo e Konan olhou para Obito novamente, o vendo provavelmente olhando para o chão, provavelmente também pensativo.

— Como aguentou? — perguntou ainda sem fazer um mínimo movimento que indicasse que ele a olhasse, ele não iria, não era o momento, pois apenas queria escutar ela, ouvir a voz dela conversando com ele e ele conversando de volta. Apenas queria conversar sobre aquilo, pela primeira vez com alguém que realmente quisesse ouvi-lo.

— Não aguentei... Você sabe que não — ah é, era verdade aquilo — apenas, aprendi a conviver com isso, sabe? Dói, dói bastante e não passa, em nenhum momento — agora era Konan quem olhava para o chão, suspirando e levando sua mão até em cima de seu coração, sentindo um aperto lá em seu peito — mas o que fazer? Não tem o que fazer perante a isso...

— Tentou superar?.... — perguntou se virando um pouco para ela, não pára a olhar, não ainda, apenas quis, ela chama sua atenção... Ela chama muita a atenção dele, tudo nela chama, desde o sorriso monótono até o jeito que ela raramente solta o cabelo entre os membros. Ela chama muito a sua atenção.

— Tentei... Ainda tento... — admitiu num respirar profundo enquanto voltava a olhar para seu chefe — mas eu não sei direito... Eu... Superei a morte de meus pais, mas não o jeito que eles se foram, com Yahiko, não superei a morte e nem como ele se foi... — falou respirando fundo mais uma vez, com seu peito ainda bem pesado.

Sentiu a mão dele sobre a sua e ele abraçou seus ombros. Estavam bem perto, perto o bastante para seus braços estarem colados. Ele a olhava, e Konan não sabia o jeito que era, ela nunca sabia ao certo, mas soube o que sentiu ali. Se sentiu bem, se sentiu acolhida naquele tipo de carinho.

"Estou aqui, não precisa sentir essa dor sozinha, vamos sentir juntos se acaso, se sente solitária por não compartilhar ela com alguém. Você não precisa ficar sozinha"

— Eu não superei... Nunca tentei e nem acho que eu conseguiria... — suspirou e respirou fundo — dói ainda... Como dói em você... — ele estava tentando formular uma frase, algo que seja decente e aquecedor ao menos — mas... Estamos aqui, não precisamos guardar tudo sozinhos... Estamos só nós dois aqui — confia em mim, conheço essa dor, passar por ela sozinho é horrível, eu sei, mas agora, não precisa sentir ela sozinha

"... Deita comigo... Hoje... Só se deite comigo e fique ao meu lado..."

Foi o que o ninja mascarado fez, sentindo a permissão de Konan quando ela amoleceu o corpo e simplesmente deixou ele a deitar em sua cama, se deitando juntamente a ela e se ajeitando ao seu lado. Olharam para o teto, em um silêncio enquanto os personagens do filme faziam o mesmo, mas não em uma cama e sim na grama, onde viam um vasto céu estrelado que passara a admirar.

— Eu gostaria de te ver no mundo dos sonhos... — a mulher admitida, segurando agora a mão de Obito ainda em seu peito, em cima de seu coração, que agora batia sem qualquer dor sentimental que a torturasse. Estava bem.

— Mas você vai meu anjo... Se em seu sonho eu estiver lá, eu estarei lá... — falou com sua voz grave, olhando o teto mas vendo aquilo que sua mente projetava para ver. Mil cenários ao lado de seu anjo que estava ali, precisando de sua voz como ele necessariamente da voz dela.

Ficaram em silêncio outra vez, cúmplices, companheiros e confiantes de um segredo tão bom para eles, nem mais pintando as unhas ou vendendo um filme ruim. Eram apenas eles dois em um quarto, deitados em uma cama e olhando para o teto. Konan fechou seus olhos e respirou fundo, não se deixando pensar em mais nada que não fosse aquele momento, contrário de Obito, que pensava nela...

— Konan... — chamou, com sua voz calma e baixa, agora ele a fechar os olhos — obrigado por isso...

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Seu sangue estava em suas mãos, sob o céu iluminado pelo dia que ela abriu. Sempre uma mulher incrível, não é meu anjo? Pensou, com uma dor estrondosa no peito enquanto sentia seus braços tremerem enquanto segurava o corpo de seu anjo nos braços.

Ele matou.

— Por favor... Que em seu mundo dos sonhos... Que não tenhamos chegado a esse ponto... — ele sussurrava em seu ouvido, mesmo que ela já não o escutasse mais — sinto muito meu anjo... Prometo que tudo dará certo...

Fim...