Chapter Text
Fazem alguns dias que as coisas voltaram ao normal. Muito graças à trupe de aventuras da Viajante Mari e suas parcerias ao longo de dois anos mais longos. Ela, que já cruzou 4 nações na sua incansável busca por aventura e o caminho de casa, se juntava com diversas personalidades em suas viagens, quase sempre não intencionalmente. Às vezes as companhias só queriam alguma coisa muito específica ou saiam para turistar, mas nunca ficavam até o fim. Muitas coisas estranhas aconteceram, passaram por muitos perigos e provações, e a aventureira sempre sentia que estava tomando o lugar de alguém, porém testemunhou e ajudou a concretizar diversas mudanças naquele mundo. E ao libertar a Deusa da Sabedoria da sua clausura, lutar contra robôs gigantes e dragões soberanos, andar pela areia infinita do deserto à procura de relíquias e histórias esquecidas, a aventura pela nação dendro de Sumeru, chegava ao fim, pelo menos por hora.
Agora era hora de entrar na nação das águas de Fontaine e descobrir a verdade sobre mais profecias, e mais uma vez ela não iria sozinha. A deusa Nahida se empenhava em pesquisar sobre a história e os paradeiros dos dragões primordiais, entre outras coisas antigas, e agora ela tinha um aliado prisioneiro bem forte. Após ser derrotado depois de imensas ilusões de poder causadas pelo ódio e abandono, o Baladeiro parecia mais domado. Já teve diversos nomes e agora com uma identidade quase completamente nova buscava se reinventar, de algum jeito, talvez. A viajante acompanhou essa loucura toda e seus altos e baixos. Levou e deu porrada nele enquanto fatui e pseudo-deus, e, só graças a pequena deusa Buer que as dissonâncias da vida complicada de Scaramouche se deram como compreendidas e de alguma forma encerradas.
Ele agora era um "novo homem", quero dizer, talvez não tão homem e nem tão novo, mas ali aconteceu algo diferente, difícil de explicar, mas que foi o suficiente para lhe garantir uma visão anemo. Visões essas que Mari nunca ganhou, mesmo vagando por aí fazendo mil transformações e dominando os elementos normalmente. E depois de ver em primeira mão uma visão surgindo do nada, um ser artificial reescrevendo a Irminsul, a árvore das memórias do mundo, e voltando como se nada tivesse acontecido; ela já não se surpreendia com mais nada. Agora, o que um dia se chamou Scaramouche foi reduzido apenas para Scara por Mari, que não quis o dar um nome muito esquisito para evitar se esquecer.
Enfim, depois de meio que fazer as pazes, a garota de óculos e o rapaz de chapéu grande partiram para a região desértica a caminho das grandes cachoeiras barulhentas de Fontaine. Ele, indo com o pedido da pequena deusa do verde, levando só a cara e a coragem para acumular mais conhecimento sobre as criaturas das águas mágicas da nação vizinha. Nahida também queria saber mais sobre os Soberanos Dragões Elementais e sobre o legado da deusa Egeria e o motivo que a fez terminar a própria vida no meio do deserto…
E eles foram, acompanhados no deserto por alguns amigos, mas seguindo para o grandioso Porto Lumidouce sozinhos, e chegando lá, quase de imediato são recebidos com calorosas saudações da Deusa Furina, a maior autoridade e celebridade estimada da região aquática… Ou pelo menos era o que parecia. Depois de chamar Scara de “balão” e esnobar metade de tudo que Mari falava, a madame os convidou para comparecerem ao espetáculo de julgamentos, e o mágico Lyney e sua irmã Lynette lhe ajudaram a se situar na situação caótica que a cidade passava naquele momento.
Aconteceu de tudo naquela viagem, descobrir ruínas, revelar segredos, julgamentos malucos, até Tartaglia apareceu, o mensageiro Childe, que como esperado não reconheceu o cara de chapéu, mas por algum motivo confiou a ele sua visão defeituosa. Mari estudou um pouco mais sobre visões, mas o tempo parecia não estar a favor deles, fazendo diversos conflitos acontecerem na sua estadia. Mais julgamentos e apresentações no grande palco da Ópera Epiclese, e festas do chá com amigos e inimigos, intrigas e casos criminais a serem resolvidos. Outro mensageiro apareceu, a intimidadora e rígida Arlecchino, e nisso descobriram que seus amigos gatunos mágicos eram Fatuis também, mas isso era de menos, considerando o passado do Andarilho.
Mais e mais julgamentos, dessa vez teve até cadeia, e lá foram Mari e Scara pro xilindró, pelo menos o Duque da Fortaleza de Meropide era bonitão. Resolveram os problemas que Childe deixou na imensa prisão, que deixaram Scara bem irritado e nadaram muito, MUITO, demais. Mari já se sentia mareada toda hora e se perguntava como as estruturas de ferro não estavam destruídas pela maresia.
Até que, entre conhecer seres mágicos e resolver quebra cabeças estilhaçados pelo tempo, a arconte dá as caras algumas vezes, mas sempre distante e superior, afinal ela era uma estrela dos tribunais e chefe de estado. Nem mesmo o escândalo dos traficantes de Synthe e de água primordial dissolvendo pessoas podia a pôr em pânico.
Mais um mistério solucionado e os dois se aliam a Navia, uma bela dama valente que questiona até o poderoso Monsieur Neuvillette, o juiz supremo do tribunal de Fontaine, o qual Mari logo faz uma amizade aliança e descobre ser simplesmente um dragão soberano reencarnado… Um dia normal pra ela. Muitos outros amigos eles conhecem e que se vão nas inundações do Mar Primordial, as coisas começam a esquentar pro lado da Arconte; Arlecchino faz uma sabatina nela, e se não fosse Scara intervindo e salvando a pele da que antes parecia a maioral, a mais confiante de todas, Furina ia ceder a pressão e desabar. Isso enquanto o Mar Primordial quase explodia no fundo do mar.
E o tempo acabou e revelou a maior verdade de todas, ela não era a maioral. Ela sequer era alguma coisa de primeira. A pobre Furina, tantos anos atuando perfeitamente para ver tudo se acabar no dilúvio iminente. Para que se revelasse e se cumprisse as profecias, a deusa foi julgada. Mari e Scara junto com os novos companheiros ajudaram a montar uma fachada e a forçaram a virar réu do próprio destino. O resto é a conhecida história e poucos sabem o que realmente aconteceu, pois tudo só se revelou ao dragão soberano Neuvillette, e só Furina sabe.
Mas se tem uma coisa que todos viram foi a imensa baleia abissal surgindo no meio do palco do júri, obrigando todo mundo que estava presente a correr ou lutar num lugar estranho. Quer dizer, nem todo mundo. Furina ficou no seu lugar, em estado catatônico depois de ter uma das suas metades sentenciada, enquanto Scara e Navia foram ajudar o povo a sobreviver ao dilúvio acontecendo lá fora. Depois tudo voltou ao normal, como se nunca fosse um problema na realidade, mas acontece que encher a cidade, a nação quase toda de água e depois esvaziar de repente em alguns minutos deixa muita sujeira, lamaçal e bagunça. Tinham muito trabalho a fazer.
E em parte foi esse o grande plot de Fontaine, resumidamente. Enquanto Mari coletava as memórias do que aconteceu no seu livro e sentia que algo foi diferente do que deveria ser, o tempo passou e umas duas semanas da inundação, Mari encontra com Furina novamente.
Dessa vez, ela está destituída de seus poderes, que na verdade não eram muitos, porém ainda é considerada com esmero por algumas pessoas na cidade. A garota agora ajudou um grupo de teatro com seus problemas e mesmo com medo e receio, subiu ao palco da Ópera mais uma vez, substituindo uma amiga. E dessa vez Mari testemunhou novamente o milagre, para a sua surpresa. Furina ganha uma visão hydro do poder do soberano hydro, o que é no mínimo interessante. Mari volta a estudar sobre as visões e suas concepções, contratos. Quais são os motivos para ganhá-las? E ao mesmo tempo que ela se debruça nas pesquisas do Centro Acadêmico de Fontaine, entende sobre velhas Ordens.
Mas essa história não é sobre ela exatamente. Tudo isso só foi contado para quem leia se situe no que veio a acontecer para estarem todos juntos agora e depois.
A história mesmo é do Andarilho, agora andando por Fontaine e pelo mundo afora, meio contra vontade, meio curioso sobre tudo.
A história mesmo é de Furina, que tenta aproveitar o tempo livre com coisas mais engrandecedoras, alguma exploração da própria terra natal e conhecendo pessoas novas.
Ambos não tinham mais medo e ódio do mundo, só se tocaram que viviam nele inevitavelmente e tinham que aprender a pelo menos aproveitar. Mari, a viajante, poderia não ter anotado isso em suas pesquisas, mas as visões a eles concebidas eram sinais de que existiam sim segundas chances para pessoas mesquinhas, egocêntricas e materialistas… Pelo menos depois de uma quase morte é claro.
