Chapter Text
Todos os olhos estavam vidrados em si.
Não era pra menos, seu nome havia acabado de sair do cálice de fogo, e ele tinha apenas 14 anos.
O salão que segundos atrás estava barulhento com risadas e conversas, agora estava silencioso como um cemitério à noite. Até os professores estavam chocados, olhos arregalados e bocas abertas, tentando processar o que tinha acabado de acontecer.
Harry se sentia nu, julgado por centenas de olhos que o olhavam com raiva.
Todos olhavam fixamente em sua direção— os lufanos com raiva, como se ele tivesse roubado algo que não lhe pertencia; os corvinos confusos sussurrando coisas entre si; os sonserinos o olhavam alguns divertidos, sorrindo com o caos, e outros com expressões indecifráveis; e os grifinórios... ah os grifinórios o olhavam como se ele tivesse matado alguém, até Hermione e Rony (principalmente Hermione e Rony) seus melhores amigos em toda Hogwarts.
Era demais.
Ele se levantou para dizer alguma coisa particularmente mal educada, mas, quando ele saiu do banco em que estava sentado, suas pernas fraquejaram, ele caiu no chão, fraco.
Sua respiração falhando, o ar não conseguia ir para seus pulmões, uma sensação horrível no peito.
Desespero.
Lágrimas salgadas e grossas escorriam por suas bochechas, e de repente tudo estava embaçado. As luzes do Salão Principal dançavam de forma distorcida perante sua visão.
Harry não conseguia escutar nada além de seus batimentos cardíacos acelerados.
Pânico corria pelas suas veias, qualquer pensamento que ele tinha no momento desapareceu, dando espaço para lembranças do seu segundo ano, onde todos achavam que ele era o herdeiro de Sonserina tentando matar nascidos-trouxas. Lembranças de sussurros nos corredores, olhares desconfiados, isolamento...
E principalmente, tudo que ele vivia nos Dursley.
Uma voz estava tentando o chamar mas ele não conseguia ouvir.
Todos os sons estavam abafados como se ele estivesse submerso em água, distante do mundo real.
Ele sentiu alguém chegando perto, alguém gritando atrás dele e braços finos o abraçando, pedindo em sussurros gentis para que ele respirasse.
Harry demorou um pouco para assimilar o que estava acontecendo, mas, mesmo assim seguiu as instruções de quem o abraçava, e então ele começou a se acalmar.
O ar voltou aos poucos aos seus pulmões, o peso em seu peito se dissipando, como as nuvens de chuva quando o sol começa a aparecer. Os braços ainda o envolviam com força, e aquilo era a única coisa que o ancorava à realidade.
