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Tira a roupa, se eu pedir?

Summary:

Leo se sente desvendando, um estopim sibilante pronto para acender. Se ele queimar, se ele virar cinzas, a responsabilidade cairá somente sobre Nico di Angelo. E isso deveria ser aceitável, não é? Não. Longe disso. Na verdade, só piora. Especialmente quando Nico invade seu espaço, uma câmera como seu adereço frágil, inventando uma desculpa sobre uma sessão de "ator pornô" — revelando-se, completamente exposto. Leo luta para manter o controle. Mas é uma batalha perdida. Não quando Nico o está puxando mais fundo para o inferno. Contudo, quando você prova as chamas, às vezes o próprio inferno se torna uma deliciosa indulgência.

Notes:

💭 ;; Olá, pessoas! Quanto tempo, não? A última vez que estive aqui foi para postar a primeira fanfic do meu dorama favorito, e que sucesso! Então, pensei novamente em postar mais fanfics sobre meus casais favoritos. Talvez eu poste com outra língua — por exemplo, o inglês —, mas por ora, deixarei português! Além disso, essa fanfic foi totalmente inspirada em músicas sexuais. Então recomendo que acesse sua melhor playlist para escutar 🌶🔥
ressaltando:
• Nessa fanfic, Nico é trans. Se não gosta, saia. Ninguém quer saber dos seus comentários maldosos.
Espero que goste! (e não está betada...)

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: Eu te odeio, Nico. Mas é tão… bom. Tão viciante.

Chapter Text

Nico é um tremendo filho da puta. Não apenas no sentido genérico e rasteiro da ofensa, não — ele é um filho da puta com assinatura, com marca registrada, daqueles que sabem exatamente o peso de cada gesto, cada olhar enviesado, cada palavra cuspida entre os dentes. Um filho da puta gostoso do caralho. E isso, essa combinação maldita de charme letal e desdém meticulosamente calculado, é o que transforma a raiva de Leo em algo morno, ineficaz, quase cúmplice.

Porque Nico sabe. Sabe que é desejado, sabe que provoca, que arrasta olhares como quem arrasta correntes. Sabe exatamente quando abaixar o tom da voz e deixar o silêncio trabalhar por ele. Ele não pede espaço — ocupa. Invade. Domina. E faz isso com a calma irritante de quem não tem pressa, como se o mundo todo fosse apenas mais uma peça do seu jogo particular.

Leo odeia isso. Ou pelo menos tenta odiar. Mas no fundo, no fundo mesmo, há algo de reverência ali. Um reconhecimento desconfortável, quase uma admiração involuntária que ele mascara com desdém. E não adianta fingir neutralidade. Leo sabe. Sabe porque já tentou provar o contrário para si mesmo — já vasculhou lembranças, atitudes, mensagens trocadas entre silêncios — em busca de alguma justificativa, alguma prova que denunciasse Nico como vilão, como manipulador, como qualquer coisa que o liberasse daquela obsessão. Mas não há provas. Não há sequer o conforto de um “se” a que se agarrar.

Se houvesse, Leo pensaria, poderia se proteger. Poderia acusar. Mas não há. Só há Nico, inteiro, exato, irremediavelmente Nico. Leo podia sentir suas estranhas correndo, como se seu corpo precisasse de tudo que fosse sagrado para não pensar. Oras, era ele, Leo Valdez, o bad boy nada supremo. Uma autoproclamação jogada ao vento como confete em festa vazia, porque no fim das contas, o título servia pra quê, exatamente? Pra impressionar quem? Pra sustentar qual imagem? Era só mais uma fachada entre tantas que ele tentava carregar como se fosse couraça — mas que escorregava, desgrudava da pele, como tinta velha em armadura rachada. O bad boy que passava mais tempo falando merda do que causando, que usava o sarcasmo como escudo e o riso como trincheira. E ainda assim — ainda assim — estava ali, tentando desesperadamente não usar o cérebro, porque toda vez que pensava demais, era Nico que surgia, entre as sinapses, como uma maldição esculpida em obsidiana.

E pensar era perigoso. Pensar deixava espaço pra sentir. E sentir era exatamente o que ele não queria fazer.

Mas que porra de calor era aquele?

Não o calor óbvio, do tipo “filho de Hefesto” — esse Leo conhecia de cor. Conhecia o cheiro do metal derretido, o estalo das faíscas, o peso do fogo que era extensão do próprio corpo. Isso era natural. Isso era poder. Mas o que queimava dentro dele agora era outra coisa. Era um calor denso, espesso, úmido. Um incêndio interno sem origem definida, que nenhuma bebida gelada — e que fique claro, não alcoólica, porque Quíron podia ser mil coisas, mas flexível não era uma delas — era capaz de apagar. Não que Leo estivesse tentando fugir disso com muito afinco. Ele só precisava parecer que estava no controle. Só isso.

Segurava o copo com uma força que beirava o desespero contido, os dedos apertando o plástico como se fosse um amuleto de contenção. Sorvia goles longos e silenciosos, não tanto por sede, mas como ocupação: uma desculpa para manter a boca cheia e o cérebro quieto. Porque Nico estava ali. Não perto, mas perto o suficiente. Uma presença que não precisava se anunciar. Leo o sentia como se o ar ao redor dele ganhasse outro peso, outra gravidade.

Era aquilo. Era isso que ele não entendia. Esse calor não vinha de dentro — vinha de Nico. Ou talvez de uma junção infernal entre os dois. Um campo magnético de atração, rejeição, provocação e ameaça. Uma coisa que Leo não sabia nomear, e que por isso mesmo era mais perigosa. Se fosse poder, ele reconheceria. Se fosse feitiço, talvez houvesse um contra-feitiço. Mas era só Nico, existindo do jeito que existia e isso era suficiente para fazer o sangue de Leo correr mais rápido, para fazer o peito apertar e a garganta secar, como se estivesse diante de algo que nem queria, nem podia evitar.

A festa estava chata. Daquele tipo de tédio específico que tenta se disfarçar com luzes coloridas e música alta, mas que não engana ninguém. Bem, "chata" talvez fosse injusto — tinha gente rindo, dançando, se entupindo de doces, empurrando refrigerante como se fosse néctar dos deuses. Para alguns, aquilo era divertido. Para Leo, aquilo era apenas suportável. Uma distração mascarada de diversão, uma forma coletiva de fingir que estavam bem, normais, inteiros. Mas nenhum semideus era inteiro, e muito menos normal. Talvez por isso estivessem todos ali, vestidos em fantasias ridículas, tentando parecer qualquer coisa que não fossem eles mesmos.

Porque essa era a proposta, não? Festa à fantasia. Ideia de quem? Ele não sabia. Provavelmente de algum dos filhos de Apolo com excesso de dopamina e tédio. O problema era: quem, em sã consciência, achou que Quíron iria aprovar? Onde diabos o velho centauro estava com a cabeça? Ou o que estava fumando? Porque só sob influência de alguma substância duvidosa é que alguém aceitaria transformar o Acampamento Meio-Sangue em uma cópia barata de baile colegial com tema brega.

Festa humana. Cheia de humanos quase-divinos fingindo que estavam vivendo algo especial, quando estavam apenas tentando esquecer por algumas horas que o mundo sempre queria matá-los. Engraçado? Não. Importante? Menos ainda. Leo nem sabia por que tinha aparecido. Tédio, talvez. Curiosidade mórbida. Ou quem sabe, no fundo, muito no fundo, uma pontinha de esperança. Daquelas que a gente não reconhece como esperança até o momento exato em que ela decepciona.

Seus olhos percorriam o Acampamento improvisado até pararem, inevitavelmente, naquele ponto específico do espaço onde a sombra parecia mais densa. Nico. Claro. Em pé, como se o resto da festa estivesse alguns segundos atrasada em relação a ele. A postura relaxada demais para alguém que não gosta de festas. O corpo parcialmente voltado para Bianca, com quem conversava com um raro traço de suavidade na expressão — o tipo de suavidade que Leo jamais receberia dele. E mesmo assim, mesmo envolto naquela interação fraternal, Nico parecia saber. Como se sentisse os olhares — porque não era só Leo, havia mais — mas os ignorasse com a mesma facilidade com que se ignora um inseto zumbindo ao longe. Nada de importante. Nada que valesse virar o rosto.

Leo apertou mais o copo, o plástico rangendo sob seus dedos. E levou a água à boca novamente, como se isso apagasse o calor na garganta. Como se isso impedisse os olhos de voltarem pra mesma figura de sempre. Como se ele não estivesse completamente fodido por alguém que mal olhava na sua direção.

Tentava desviar o olhar, mas era como desviar o pensamento. Inútil.

Os olhos de Leo, sempre tão rápidos, sempre tão atentos ao redor, vacilaram. Por um momento — um momento longo, elástico, talvez imperceptível para o mundo — desceram do rosto lateral de Nico. Do contorno familiar da mandíbula, do perfil que parecia esculpido com pressa e precisão, como algo entre estátua grega e sombra viva. E o que viu abaixo disso... Bem, não era o tipo de coisa que se vê. Era o tipo de coisa que atinge.

O top preto, sem mangas e justo como uma segunda pele, não era só uma escolha de roupa. Era uma declaração silenciosa. Uma afronta sutil. O tecido grudava na pele pálida de Nico como se tivesse sido pintado diretamente sobre ele, realçando as linhas secas do torso — cada contorno do peito, a curva discreta das costelas, os músculos definidos mas não ostensivos, quase secretos, como tudo nele. E no centro, repousando com uma ironia cruel, um crucifixo prateado, pendurado num colar fino, balançando levemente com os movimentos quase imperceptíveis do garoto. Uma imagem tão contraditória, tão Nico, que Leo precisou engolir em seco.

O olhar desceu mais. Contra a cintura fina, um cinto largo cravejado de ilhós metálicos envolvia o corpo como um tipo de armadura urbana. Não era apenas um acessório — era um ponto de sustentação, como se aquilo fosse o eixo do próprio conjunto, o centro de gravidade da visão que se formava diante dele. Dele partiam tiras ajustáveis, como correias de contenção, que se conectavam ao short preto — curto. Curto demais para o próprio bem de Leo. Curto do tipo que não pedia licença pra nada. Era mínimo e estratégico, revelando porções exatas de pele, provocando o olhar, guiando-o para onde não devia — ou para onde precisava ir.

E foi. Leo não resistiu. O olhar, já fora de controle, já guiado por impulsos que ele fingia não ter, desceu mais. Para as coxas.

Aquelas coxas.

As malditas coxas de Nico di Angelo, que Leo sequer sabia que poderia ter, ou deveria mostrar, ou que tinham o direito de ser daquele jeito. Coxas firmes, pálidas, delineadas pela tensão contida nos músculos — como se cada passo de Nico fosse uma dança entre controle e explosão. Eram envolvidas por faixas negras que se enroscavam como serpentes, como uma linguagem secreta escrita em pele. E as meias — negras também, subindo até os joelhos, criando uma linha visual quase indecente entre o que era revelado e o que ainda se escondia.

Era sensual. Mas não só isso. Era o tipo de visual que gritava poder, controle, domínio da própria imagem. Nico não estava ali para agradar ninguém. Estava ali para ser exatamente o que era: uma figura impossível de ignorar. Um símbolo de algo que Leo ainda não sabia nomear — talvez desejo, talvez fúria, talvez só Nico mesmo, sendo Nico, e fodendo com a cabeça dele no processo.

Leo demorou. Segundos? Mais. Um tempo impossível de medir. Tempo suficiente para sentir o sangue correr de forma errada, quente demais, viva demais. Tempo suficiente para desejar desviar o olhar, mas não conseguir. Para se perder na curva onde a pele pálida encontrava o preto das meias. Para imaginar — sem querer, sem conseguir evitar — o que havia depois daquela linha. O que se escondia nas sombras do tecido.

E então engoliu a água. De novo. Como se aquilo apagasse alguma coisa.

Mas não apagava.

Nada podia apagar aquilo.

E então, como quem se entrega a uma sentença inevitável, Leo voltou o olhar ao rosto de Nico.

Ainda estava ali, exatamente onde o deixara segundos antes — ou minutos, ou talvez horas, porque o tempo tinha perdido qualquer significado desde que Nico se tornara o centro gravitacional de tudo. Conversava com Bianca, a irmã que conseguia arrancar dele expressões quase humanas, quase suaves, quase ternas. Mas Leo não via ternura. Via fogo. E não o tipo óbvio, visível nas fogueiras acesas ao redor da clareira. Via o fogo invisível, que tremeluzia nas bordas do ar quando Nico se movia, quando virava ligeiramente o rosto, deixando o cabelo escuro cair para o lado, quando deixava à mostra, sem querer ou com todo o querer do mundo, o pedaço da clavícula onde a luz batia como se tivesse sido desenhada só pra ele.

Filho da puta.

Era isso o que ele era. Um filho da puta divino, escuro, calmo e cruel — porque não precisava fazer nada, absolutamente nada, para deixar Leo em frangalhos. Ele estava ali, apenas conversando, apenas existindo, enquanto Leo sentia o mundo inteiro tilintar à sua volta como se estivesse prestes a explodir. Cada fagulha das fogueiras parecia se multiplicar por dentro dele, como se seu próprio sangue tivesse se tornado combustível. O ar cheirava a fumaça e a terra molhada, mas Leo só sentia a eletricidade crua que corria sob sua pele.

Nico, parado ali como se não soubesse. Como se fosse inocente de tudo aquilo. Como se não percebesse o efeito que causava. Mas Leo sabia. Sentia. Em cada fibra do corpo, sabia. Nico era o tipo de caos que fingia ser silêncio.

E Leo… Leo estava perdido. Não no sentido poético e bonito da coisa. Perdido mesmo. Sem norte, sem chão, sem lógica. Mentira. Ele sabia o rumo. O problema era que era um rumo direto pro inferno — o tipo de inferno que usava shorts curtos e um crucifixo no peito, que falava com voz baixa e olhos fundos. Um rumo que começava com as mãos de Leo envolvendo a cintura fina de Nico, puxando-o sem hesitação, sentindo os dedos afundarem na pele quente sob o tecido apertado. Um rumo onde ele se inclinava, colava o corpo ao dele, peito contra peito, respiração contra respiração, desfazendo cada centímetro de distância como se fosse uma heresia deixá-la existir.

Nesse delírio, o braço de Leo subia pelas costas de Nico até enroscar na base dos cabelos negros, puxando-os para trás com uma força controlada, só o suficiente para revelar o pescoço, para expor a linha da mandíbula, para fazer Nico olhar. Olhar de verdade. E então, sem aviso, Leo o beijaria. Não com delicadeza. Não com sutileza. Beijaria com fome. Com raiva. Com sede acumulada de dias, semanas, meses talvez. Beijaria como se o próprio ar estivesse preso ali, entre os lábios dele e os de Nico, como se precisasse dele para viver — e, na verdade, precisava.

A fantasia era clara, vívida, tão próxima da superfície que Leo podia quase sentir o gosto do beijo antes mesmo de se dar conta de que estava com os olhos cravados nele de novo. Demais. Longo demais.

Leo estava faminto. E não era fome de comida, nem sede de bebida — essas coisas tinham se tornado irrelevantes. Era outro tipo de fome. Uma que se cravava nas costelas, que se instalava sob a pele como corrente elétrica viva. O tipo de necessidade que não se sacia com nada fácil. E era tão intensa, tão absurda, que ele nem percebeu quando Jason e Piper se aproximaram até estarem quase colados a ele.

"Hey, Leo!" disse Piper, acenando animada, com aquele sorriso de quem ainda acreditava que festas podiam consertar pessoas.

Leo piscou, meio cego, meio surdo, como se tivesse sido arrancado à força de um sonho indecente. Precisou de dois segundos para processar que estavam falando com ele, e mais dois para forçar um sorriso que não alcançou os olhos.

Piper estava linda — como sempre. Vestida de princesa, saia rodada, brilho sutil no rosto, tiara reluzente. Jason, ao lado, vestia um traje de príncipe que só não era cafona porque ele era bonito demais pra isso. Juntos, pareciam saídos de algum conto de fadas atualizado com senso estético decente. O casal perfeito. O tipo de visão que faria qualquer um pensar: “aww, que bonitinhos”.

Mas Leo não pensou nada disso.

Porque enquanto Jason sorria de forma tranquila, e Piper dava risadinhas leves, o cérebro de Leo estava em outro lugar completamente diferente.

Nico. Ainda. Imóvel, mas impossível de ignorar. E na mente de Leo, não era apenas uma figura de sombra vestida de couro e crucifixo. Era uma visão. Um delírio pessoal que se esgueirava pelo subconsciente e se instalava com força. Porque nesse momento específico, Nico — na versão moldada pela imaginação febril de Leo — abria as pernas devagar, de maneira deliberada, convidativa, espaço suficiente entre elas como se dissesse sem palavras: “vem aqui”. Como se aquele corpo magro e preciso estivesse esculpido para ele, apenas para ele, esperando por ele.

Leo se viu entre elas. Viu-se se encaixando naquele espaço como uma peça que finalmente encontra seu lugar. Sentiu, ou imaginou que sentia, as mãos de Nico puxando-o, o olhar soturno se suavizando apenas o suficiente para dizer sim sem som algum.

"Hey, Pipes" Ele respondeu, imitando o tom dela, e isso pareceu satisfazer.

Ela riu, talvez achando graça no sorriso forçado, talvez apenas feliz por ver Leo interagindo. 

"Por que está aqui, amigo? Não quer se juntar com a gente?" perguntou Jason, com aquele tom leve e solícito que parecia automático nele, como se fosse impossível não soar como um líder mesmo quando não estava tentando.

Ele apontou para uma das fogueiras menores, onde os outros estavam reunidos. Luz âmbar dançava sobre os rostos familiares. Percy e Annabeth estavam praticamente enlaçados, rindo alto de alguma piada interna — os dois fantasiados como piratas, mas não qualquer pirata. Tinham presença. Postura. Eram o tipo de casal que você olhava e pensava “é, esses dois dominam qualquer ambiente”. Annabeth com uma espada improvisada presa à cintura, Percy com um lenço vermelho amarrado na cabeça e ares de quem invadiria um navio por diversão.

Hazel e Frank estavam logo ao lado, caracterizados como dois nerds estereotipados: óculos exagerados, suspensórios coloridos, até uma gravata torta no pescoço dele. Fofos demais pra serem reais. Hazel gesticulava animadamente, os olhos brilhando enquanto falava — provavelmente sobre alguma teoria conspiratória mitológica que ela transformava em piada. Frank ria e escutava como se cada palavra dela fosse ouro.

"Ah, estou bem aqui" disse, forçando a voz a sair. Um som arrastado, seco. Um teatro barato que ninguém ali parecia notar. Mas ele sabia. Ele sentia.

Porque naquele exato instante, como se o universo estivesse testando sua resistência, Nico e Bianca se aproximaram do grupo. Como se aquela distância segura — o pouco que ainda mantinha Leo funcional — tivesse sido eliminada por um movimento natural, sem malícia, sem intenção. Mas o impacto foi devastador.

O ar ao redor pareceu se condensar, como se a temperatura tivesse subido vários graus de uma só vez. Leo nem olhou diretamente — ou tentou não olhar. Mas viu. Viu com o canto dos olhos. Sentiu o corpo inteiro se retesar.

Nico se movia como uma sombra decidida. Os passos curtos e firmes, o cabelo escuro balançando levemente, o crucifixo refletindo a luz da fogueira por um breve segundo antes de ser engolido pelas sombras do peito. Bianca dizia algo com entusiasmo, provavelmente fazendo o esforço de entrosamento que o irmão definitivamente não estava. Ainda assim, ele acompanhava. Presente. Vivo. Perigoso.

E era isso o que Nico era agora, para Leo: uma ameaça. Não porque fosse cruel. Mas porque existia de forma tão intensa, tão visível, tão insuportavelmente real, que toda a lógica interna de Leo estava se despedaçando.

Por isso ele não teve escolha.

"Licença" murmurou, voz baixa, quase rouca, saindo antes que ele mesmo percebesse que estava em movimento.

Leo saiu de perto deles como quem foge de uma emboscada. Não respondeu mais ninguém, nem olhou para trás. Só se afastou com o coração batendo em um ritmo caótico, como se cada passo ecoasse no peito feito martelada. Porra, ele precisava sair dali. Precisava respirar. Pensar. Mentira, ele não queria pensar — queria apagar a mente inteira, formatar o cérebro, queimar tudo e começar do zero.

Mas era tarde demais.

Porque ele viu.

Viu mesmo.

Nico. Com aquele maldito delineado preto nos olhos, puxado com precisão de um crime bem arquitetado. Não era só maquiagem — era veneno visual. Era provocação descarada, mesmo que Nico talvez nem soubesse disso. Mas Leo sabia. Leo sentiu o golpe no instante em que o olhar dele cruzou, mesmo que de leve, com aquele rosto. A porra daquele rosto que parecia esculpido para testar limites morais.

O traço escuro ao redor dos olhos de Nico destacava o olhar fundo, intenso, quase hipnótico. Um olhar que parecia saber de tudo e não dizer nada. Como se dissesse: “vem, se tiver coragem”. E Leo quase foi.

Engoliu seco, o gosto metálico na boca como se tivesse mordido o próprio desejo. Chegou à mesa de comidas sem saber como — os pés se moveram sozinhos, o corpo procurando um refúgio inútil. As travessas, os copos, os pratos coloridos estavam todos ali, estáticos, mas a visão tremia. Ele agarrou um copo de plástico e o encheu de água como se fosse a coisa mais importante do mundo naquele momento. Como se o líquido gelado pudesse servir de cura. Como se beber pudesse apagar.

Mas a água não servia de nada.

Porque ao tocar os lábios, ela virou memória. Fria, sim, mas clara demais. Cristalina demais. Despertou em vez de apagar.

A mente de Leo afundou. Não porque quisesse, mas porque já estava lá embaixo — numa espiral onde a imagem de Nico o possuía por completo.

Imaginou-o.

As pernas abertas, expostas, recebendo Leo entre elas como se fosse o único lugar que ele deveria existir. Os gemidos — seus gemidos — ecoando como música suja e necessária. Nico dizendo seu nome, não com dor, não com medo, mas com fome. Com desejo. Um sorriso de pecado, pálpebras pesadas, pedindo mais. Pedindo mãos, toque, urgência. E as unhas… deuses, as unhas de Nico cravando-se nas costas de Leo sem piedade, como se quisesse deixá-lo marcado. Como se dissesse: “você é meu agora, me entende?”.

A imagem foi tão real, tão intensa, que Leo quase deixou o copo escorregar da mão. Quase se curvou sobre a mesa para se apoiar.

Porque isso — isso — não era normal.

Ou talvez fosse. Talvez o que fosse anormal fosse tentar esconder por tanto tempo. 

Ele respirou fundo, o ar entrando com dificuldade, pesado demais. Olhou o copo na mão. A água continuava ali, intocada, refletindo a luz como se zombasse dele.

" Leo!" A voz doce e firme de Hazel explodiu ao lado dele, como um raio num campo seco.

Hazel riu. Riu mesmo, com aquele som leve e cristalino que não combinava em nada com o caos dentro de Leo.

Quando, exatamente, Hazel tinha aparecido ali? Quando ela se materializou como uma assombração com riso fácil e olhos que pareciam saber mais do que deveriam? Leo piscou, atordoado, engoliu seco, e tentou recompor o rosto, mas sentia que ainda estava com cara de alguém que tinha acabado de ver pornografia ao vivo — na própria mente.

"Leo, o que estava pensando?"

Ah, Hazel. Tão simples, tão direta. E tão absolutamente perigosa com essa pergunta.

O que estava pensando? Ora, nada demais. Só sobre como Nico se renderia debaixo dele, sobre como arranharia suas costas como se quisesse deixar cicatrizes de prazer, como pediria — não, exigiria — por mais. Só isso. Só isso, Hazel.

Leo quis rir. Ou se esconder. Ou ser engolido pela terra, o que, considerando com quem estava falando, não era exatamente impossível.

Mas ao invés disso, forçou uma reação. Um desvio.

"Ah, bem… por que está aqui?" respondeu, tentando parecer casual, tentando jogar a pergunta de volta como uma bola quente que não queria segurar por mais nenhum segundo.

Hazel apenas o olhou. E sorriu. Aquele sorriso pequeno, gentil, mas carregado de uma sabedoria ancestral. Algo em seus olhos — dourados como o subsolo — dizia que ela via mais do que as palavras. Mais do que ele queria mostrar.

Leo sentiu um calafrio.

"O pessoal está querendo jogar um jogo sensual" disse ela, revirando os olhos como se fosse só mais uma bobagem.

Mas para Leo, não era. Para Leo, as palavras bateram como estilhaços. Jogo sensual? Ah, claro. Ótimo. A cereja no bolo de sua tortura particular.

Leo não queria.

Não queria nem um pouco.

Seu corpo inteiro gritava “não”, mas Hazel era impiedosa. Pequena e sorridente, com olhos que pareciam puxar segredos do fundo da alma. E foi assim — com um toque leve no pulso — que Leo perdeu. Ela o arrastou com a delicadeza de um trem descarrilado.

Num instante, bum. Ele estava sentado. Ao lado dele.

Ao lado de Nico.

O espaço entre eles parecia pequeno demais. Leo podia jurar que conseguia sentir o calor que irradiava do corpo de Nico como uma brasa próxima demais da pele. E foi aí que o erro fatal aconteceu: seus olhos caíram.

Deslizaram, sem querer, para as coxas expostas, longas, envolvidas em faixas pretas que mais pareciam convite à perdição. A pele clara contrastava com o preto do short mínimo. Aquilo não era roupa, era uma armadilha montada com estratégia. Como se cada detalhe tivesse sido desenhado para fazer Leo esquecer o próprio nome.

Seu coração parou por um instante. Literalmente. Um segundo de silêncio interno, como se tudo travasse.

E então o pânico veio. Ele desviou o olhar como se fosse cego, forçando-se a mirar qualquer ponto seguro. A cadeira vazia no meio do círculo. Claro. Cadeira. Cadeira é segura. Cadeira não tem coxas.

"Que porra…?" murmurou para si mesmo, baixo o suficiente para ninguém ouvir. Esperava.

Mas o jogo já estava acontecendo.

Jason, com sua típica energia de líder animado, começou a explicar a dinâmica como se fosse algo absolutamente comum entre semideuses. “Verdade ou Trepa!” disse ele com aquele sorriso que só fazia o mundo parecer mais surreal.

Era um jogo simples, disseram. Simples.

Um jogo que ia arrastar Leo Valdez direto para o inferno — de cabeça.

O círculo de amigos vibrava, rindo, se encostando, se soltando. Leo, por outro lado, suava. E não era por causa da fogueira.

A rodada começou:

Trepa: Bianca, com um sorriso malicioso, foi direto até uma garota do chalé de Apolo. Rebolou no colo dela com precisão experiente, fazendo a menina rir, corar e quase cair para trás. Bianca saiu triunfante, sentando-se de novo com uma piscadela. Leo achou que fosse morrer. 

Verdade: Frank, tímido mas rendido ao jogo, foi pego. Depois de muita insistência e risadas, respondeu com um rubor que cobriu o rosto inteiro: “Gosto quando fico por baixo. E… quando me amarram.”

Gargalhadas. Assobios. Até Percy caiu para trás de tanto rir. 

Trepa: Hazel. Claro. A mesma que o arrastou para o meio do caos.

Ela se levantou, olhou Frank com olhos de atriz pronta para o Oscar e, com movimentos lentos, simulou sentar-se no colo dele — sem encostar de verdade, mas chegando perto o bastante para a tensão ficar visível. Frank travou, rindo nervoso. Hazel saiu como uma tempestade de charme.

Leo sentiu a espinha gelar. Porque aquilo era muito. Porque a próxima rodada podia muito bem ser ele

E agora…

A garrafa girou, girou, e o mundo pareceu girar junto — ou Leo achou que sim, talvez já tonto antes mesmo da brincadeira tocar nele. Quando a ponta da garrafa parou, apontando direto para o centro do seu peito, como uma seta do destino, o silêncio entre os amigos durou apenas um segundo antes da explosão.

"LEO!" Jason exclamou com aquele tom de quem já previa o caos e queria mais. "Amigo, você vai sentar aqui".

Apontou para a cadeira no meio do círculo. O trono do espetáculo. O banco do julgamento. O centro de tudo. Leo piscou, confuso, tentando sorrir como se tudo fosse leve.

"Eu escolho verdade" disse, apressado, levantando a mão como se isso bastasse.

Mas a resposta foi uma gargalhada coletiva.

Todos riram.

Todos… menos Annabeth, que só arqueou uma sobrancelha com o julgamento silencioso de uma deusa grega. E Nico.

Nico não riu.

Nico apenas olhou.

E esse olhar, parado e escuro, foi muito pior do que a risada.

"Não é assim que o jogo funciona?" Leo murmurou, meio desnorteado, como quem ainda não entendeu por que diabos o chão tinha se dissolvido.

Mas antes que pudesse processar, Jason já estava de pé, pegando seu pulso com um sorriso de quem esperava esse momento desde o início do universo.

Leo foi puxado com facilidade. Seus pés se moveram sem força. O corpo foi. O cérebro ficou. Quando deu por si, estava lá, sentado no meio do círculo. A cadeira virada para todos. As fogueiras iluminavam seus contornos em tons dourados e laranja, fazendo sombras dançarem em seu rosto. As risadas baixaram. O clima mudou. Agora, tudo estava nele.

O calor subiu como uma onda. Não de vergonha. Ou sim, também. Mas mais do que isso, era o calor do desejo exposto, da antecipação. Do medo de querer ser escolhido. Do terror de quem poderia escolher.

Leo se mexeu no assento, desconfortável. Tentou parecer casual, mas só conseguiu parecer inquieto. Abriu as pernas, largando o corpo como se fosse relaxar — mas era só porque o jeans estava quente demais na virilha, e sentar daquele jeito era a única forma de não sufocar.

Coçou a garganta. A voz não queria sair. O ar parecia espesso, carregado. Cada par de olhos o estudava. Piper sorria, Hazel dava risadinhas baixas. Percy já fazia piadas com Jason, provavelmente apostando o que aconteceria.

Mas Leo só via um par de olhos. Um par que não se movia. Não se mexia. Não dizia nada.

Nico.

Aquela sombra à sua esquerda. Ombros soltos. Olhar frio e escuro como poço profundo. Um olhar que não gritava, mas queimava. Um olhar que, mesmo em silêncio, pedia.

Leo se remexeu outra vez, agora nervoso. Mas fingindo que não. Passou a mão pelo cabelo. "Bem," Piper disse com naturalidade cruel, como se a frase fosse uma piada qualquer "a gente já sabia que você escolheria esse".

Ela deu de ombros, como se Leo não estivesse prestes a implodir no meio do círculo, e se aproximou com um pano escuro entre as mãos. Leo ainda tentava entender o que acontecia quando sentiu a venda cobrir seus olhos. Em um instante, tudo virou escuridão.

Nada de luz das fogueiras. Nada de ver o sorriso maldoso de Piper. Nada de escapar com os olhos.

Tudo preto.

"Espera aí," Ele começou, a voz já diferente, mais aguda, mais nervosa, tentando achar algum apoio. "Que que você tá fazendo?"

Mas Piper já estava atrás dele, e algo firme e macio envolveu seus pulsos.

"O quê—?"

Os braços de Leo foram puxados para trás e amarrados com firmeza. Forte demais para um jogo bobo. Forte demais para ser brincadeira.

Ele estremeceu.

"Piper?!" exclamou, sem saber se ria ou gritava de verdade.

Mas Piper só riu.

"Relaxa, Leo. É só parte da brincadeira... avançada". A voz dela era um sussurro próximo à orelha. "Agora, uma pessoa daqui, ou talvez eu mesma, vai escolher quem vai sentar em você".

Foi como se o mundo tivesse sido arrancado debaixo dos pés dele.

Os pulmões falharam. O ar não vinha. Havia uma tempestade no peito, batendo contra as costelas. O coração ecoava nos ouvidos, pulsando como se gritasse fuja— ou fique. Ele não sabia mais.

"O quê?!" Meio gritou, meio implorou. Sua voz quebrou entre o protesto e o pânico puro. "Não é bem assim que o jogo funciona!" tentou rir, mas a risada morreu fraca na garganta. "Certo?"

O silêncio foi sua resposta.

Um silêncio denso, carregado, cúmplice. O tipo de silêncio que fala mais do que mil vozes. Um silêncio que dizia que todos estavam olhando. Que todos sabiam. Que o desejo dele estava exposto, mesmo sem ele querer admitir.

Ele tentou se mexer, mas as amarras não cederam. Piper havia apertado como se soubesse o quanto ele tentaria fugir. As cordas ardiam contra sua pele, mas não doíam. Era pior: era firme o suficiente para lembrá-lo, a cada segundo, que ele não podia escapar.

O couro da cadeira rangia levemente sob seus movimentos. Suas pernas ainda estavam abertas como antes, uma posição que agora parecia deliberadamente lasciva. Vulnerável.

"Bem, uma pessoa se ofereceu".

A voz de Piper cortou o ar, doce demais para o que carregava. 

Ofereceu. Ofereceu

Essa palavra rodou na mente de Leo como um feitiço mal formulado. Oferecer-se... para quê, exatamente? Para ele? Para isso?

Ou ela apenas agarrou qualquer um, enfiou no meio e decidiu que seria divertido ver Leo derreter em tempo real, como um projeto fracassado de fornalha viva.

"Okay, isso já está longe demais, pessoal" tentou rir, o som mais parecido com um soluço do que com diversão. "Sério. Já deu. Showzinho encerrado".

Fez força para levantar, mas a venda e as amarras o impediram. Não podia ver. Não podia usar os braços. E agora, também, não podia fugir.

Foi aí que sentiu.

As duas mãos.

Firmes. Seguras. E lentas.

Os dedos tocaram seus ombros com uma precisão que não era descuidada. Não era hesitante. Era um gesto quase íntimo, quase reverente. As palmas espalmadas sobre o tecido preto da blusa, pressionando com gentileza, como se estivessem testando sua resistência, seu controle.

Leo congelou.

A blusa era fina. Apesar de coberto, sentiu os pelos dos braços arrepiarem, como se a pele, por baixo da roupa, reconhecesse quem estava ali. Ou o que aquilo significava.

Seu corpo inteiro respondeu antes mesmo de sua mente entender. O calor espalhou-se da nuca até o peito, como se os dedos tivessem acendido uma centelha elétrica.

"O quê…?" tentou perguntar, mas a voz saiu baixa, falhada.

Como?

Como alguém... queria sentar nele?

Ele não era exatamente o cara mais desejável do acampamento. Só estava com uma calça jeans clara — apertada demais naquele momento, por sinal —, uma blusa preta básica de manga comprida e um chapéu ridículo que só pegou para fingir que fez esforço na fantasia. Tava um lixo. Uma bagunça. Então por quê?

Por que, entre todos ali, alguém se ofereceria para isso?

"Pessoal, vamos—"

A frase morreu na garganta quando sentiu o peso quente no colo. Seus olhos se apertaram em reflexo imediato, o corpo congelando por um segundo enquanto a realidade batia com força: alguém tinha acabado de se sentar bem em cima do seu pau. As pernas da pessoa ficaram de cada lado do seu quadril, firmes, cercando-o como uma armadilha.

Isso não pode estar acontecendo. Não pode.

Ele tentou engolir a seco, mas a garganta estava seca demais, como se tivesse acabado de correr uma maratona. Um arrepio lhe subiu pela espinha quando unhas curtas — e intencionais — deslizaram pelas suas costas, só o suficiente para marcar sem machucar. Leo estremeceu, não de dor, mas de uma resposta involuntária, quase elétrica. Sua pele reagiu antes dele conseguir raciocinar qualquer coisa.

Ao redor, os amigos começaram a vaiar e assobiar, como se estivessem assistindo a uma apresentação cômica. Um “isso aí!” ecoou de algum lugar à esquerda, mas Leo mal ouviu. Para ele, aquilo não parecia uma brincadeira. Era desconcertante. Era intenso. Era cruel.

Sem conseguir evitar, jogou a cabeça para trás, buscando ar, tentando se afastar da pressão que crescia no meio do seu corpo. Mas não ajudou. O toque, o calor, o cheiro... tudo se misturava, embaralhando sua mente. Ele passou a língua pelos lábios, percebendo o quanto estavam secos, tentando ganhar algum controle de volta — mas já tinha perdido faz tempo.

A pessoa, impiedosa com qualquer resto de sanidade que Leo ainda pudesse ter, simplesmente se sentou. Não fingiu, não encenou, não se preocupou com quem estava por perto. Apenas se levantou do colo dele por um segundo — e então desceu de novo, de forma firme e definitiva, como se estivessem sozinhos em algum quarto trancado, e não ali, em plena frente de todos.

O ar fugiu dos pulmões de Leo como se tivesse levado um soco no estômago. Suas costas arquearam por reflexo, como se o próprio corpo buscasse uma forma de lidar com o prazer que disparou por sua espinha. Foi direto, avassalador. Quente. Quase cruel. Um impulso visceral que atravessou sua coluna até a base da nuca, fazendo seus dedos se fecharem contra as amarras improvisadas que o prendiam.

Ele puxou uma, duas vezes, frustrado. Inútil. Estava preso, entregue.

Franziu a testa, a respiração já pesada, descompassada. Cada célula do seu corpo parecia pulsar no mesmo ritmo do movimento lento daquela pessoa em cima dele.

"P-para…" tentou, a voz rouca, quase falhada. Só um sussurro arranhado, escapando por entre os dentes cerrados. Um pedido fraco, direcionado apenas aquela pessoa. Um aviso? Um apelo? Ele mesmo não sabia.

Mas a resposta foi o contrário do que pediu.

A pessoa segurou sua mandíbula com firmeza, como se quisesse que ele olhasse — que visse

O movimento continuou. Lento. Intencional. Como se cada rebolar fosse calculado para tirar Leo do eixo, para forçar cada gota de autocontrole a escorrer entre seus dedos.

Seu pau, duro e dolorosamente consciente de cada fricção, se tornava um problema impossível de ignorar. A calça apertada fazia tudo parecer ainda mais próximo, mais intenso. Uma prisão dentro da prisão. Ele arfou, abrindo mais as pernas, tentando se acomodar, aliviar a pressão, qualquer coisa — mas só piorava. A proximidade, o calor, o ritmo.

Ele estava completamente à mercê.

Isso era bom. Bom de um jeito que Leo não queria — não conseguia — interromper. Qualquer noção de dignidade, orgulho ou lógica tinha sido deixada para trás no momento em que a pessoa se sentou em seu colo. Agora, tudo o que restava era um instinto cru e desesperado, clamando por mais.

Quando ela quicou de novo, Leo mordeu o lábio inferior com força, tentando manter algum controle. Mas foi difícil. Foi quase impossível. A fricção era direta, quente, envolvente, e cada vez que ela descia de novo, como se marcasse território em cima dele, o mundo ao redor parecia emudecer. 

E então ela saiu de seu colo.

Leo mal teve tempo de lamentar — ou de se recompor — antes que ela tomasse o controle de novo. Abriu as pernas dele com as duas mãos nos joelhos, sem cerimônia, como se soubesse exatamente o que estava fazendo com ele. E Leo deixou. Não tinha escolha. Era como se seu corpo não fosse mais dele.

Ela se abaixou outra vez, mas agora com uma intenção ainda mais cruel. Lenta. Calculada. Maliciosa.

Desceu devagar, roçando contra sua ereção como se cada milímetro importasse. Primeiro movimentos circulares com o quadril, a bunda traçando arcos torturantes contra o volume preso nas calças dele. Depois, um vai e vem sutil, arrastado, como se estivesse explorando cada ponto de pressão. Testando. Provocando.

Leo soltou um som abafado, quase um grunhido, quando tentou — mesmo amarrado — alcançar a cintura dela. Suas mãos puxaram contra as cordas com tanta força que a pele começava a protestar. Inútil, claro. Mas o impulso estava lá: agarrá-la, puxá-la para perto, guiá-la... qualquer coisa. Ele precisava de algo sólido para se segurar naquele turbilhão que o consumia.

Sua espinha se arqueou de novo, os músculos das pernas tremendo levemente sob o esforço de não se mover, de não se perder. As unhas se cravavam nas palmas das mãos, um reflexo bruto do prazer que varria seu corpo como um raio quente. Era um choque elétrico constante. Um castigo. Uma benção.

E então, ela acelerou. Só um pouco. Uma promessa do que poderia ser. Mas foi o suficiente.

Leo franziu a testa, tentando conter o gemido que ameaçava explodir. O corpo inteiro vibrou, sensível demais, entregue demais. Ele jogou a cabeça para trás, os cabelos bagunçados colando à testa pelo suor. Seus olhos se apertaram com força, como se isso pudesse ajudá-lo a se concentrar, a resistir — mas tudo que conseguia sentir era ela. 

"Okay, okay, vamos parando!" Jason anunciou, com a voz firme, mas havia um traço de riso forçado ali, como se estivesse tentando parecer mais sério do que estava.

A pessoa no colo de Leo se remexeu pela última vez — uma última provocação, quase cruel — antes de se erguer lentamente e sair de cima dele. E foi como se o ar voltasse de uma vez só. Leo inspirou fundo, um suspiro pesado, o peito subindo e descendo como se tivesse corrido uma maratona. Sua mente ainda girava em círculos, como se o mundo estivesse um pouco fora de foco, borrado nas bordas.

Que porra…?

Que porra foi essa?

No meio de todo mundo…?

Ele queria protestar, perguntar, gritar alguma coisa, mas nada vinha. Só o calor persistente entre as pernas, o suor grudado na nuca, e o som dos risos e assobios ao redor, como se aquilo tivesse sido só uma brincadeira boba. Um jogo. Um número no palco de um teatro que ele nem sabia que estava participando.

Alguém — ele achava que era Piper, mas tudo parecia embaçado demais para ter certeza — se aproximou e desamarrou os nós apertados nos seus pulsos. Os dedos eram rápidos, experientes, e ele sentiu a pressão das cordas se aliviando, devolvendo alguma sensação às mãos formigando. A venda caiu logo em seguida, e a luz do ambiente o atingiu em cheio, forçando Leo a piscar algumas vezes.

Mas a clareza não ajudou em nada.

Ainda tonto, cambaleante como se estivesse bêbado de adrenalina, Leo se levantou da cadeira. Suas pernas fraquejaram por um segundo e ele precisou dar um passo em falso antes de se jogar de volta no assento, dessa vez ao lado de Hazel.

Ela o observava com um sorriso sacana, os olhos brilhando com diversão e — claro — conhecimento. Como se soubesse de mais do que deveria. Como se estivesse apenas esperando para ver quando Leo ia perceber.

"Melhor esconder isso, Leo".

A voz veio baixa, num tom quase debochado, mas carregado de um aviso velado. Leo não precisou levantar os olhos. Não precisava que apontassem. Isso era óbvio.

Com a respiração ainda descompassada, ele apenas baixou o olhar e tirou o chapéu ridículo da cabeça com as mãos trêmulas. Depositou-o no colo, como se aquilo fosse suficiente para esconder a evidência gritante do que tinha acabado de acontecer. Mas não escondia. Não realmente.

Ainda havia calor demais, tensão demais em seu corpo. Ainda havia a maldita memória do peso no seu colo, do rebolar deliberado, dos gemidos engolidos, do toque provocador. Era como se cada segundo estivesse marcado em sua pele.

"Isso foi uma armadilha, não foi?" perguntou em um sussurro rouco, ainda à deriva, como se estivesse se ouvindo de fora do próprio corpo. A voz dele parecia pequena, sufocada sob o êxtase que ainda o envolvia como uma névoa.

"Bem… sim?" A resposta veio sem cerimônia, como se fosse óbvia. Como se não merecesse nem discussão. "E você gostou".

Gostar era uma palavra fraca. Insuficiente. Um rascunho malfeito do que Leo estava sentindo. Porque agora que o mundo começava a desacelerar e o som ao redor se tornava menos turvo, algo no seu cérebro deu o clique final.

O cheiro.

Aquele maldito cheiro. Amadeirado, frio, com um toque de terra molhada e fumaça. Reconhecível. Íntimo demais. E Leo odiava o quanto o reconhecia.

Era Nico.

Por um momento, tudo dentro de Leo colapsou. As peças caíram uma a uma, pesadas como tijolos: os movimentos contidos, a tensão no toque, o modo como se encaixaram... Porra. Foi ele. Ele.

Leo levantou os olhos devagar, como se temesse confirmar o inevitável. Não olhou diretamente — não tinha coragem ainda. Mas viu de soslaio. Ali, um pouco mais afastado, sentado, quase como se tentasse desaparecer.

As pernas de Nico estavam cruzadas com rigidez. As coxas ainda tremiam, imperceptivelmente, como se ecoassem o esforço recente. E suas mãos… Leo engoliu seco ao ver. As mãos dele estavam escondidas entre as pernas, apertadas ali com força, como se estivesse tentando conter alguma coisa, como se estivesse se protegendo do mundo.

Mas era Nico. Era Nico.

Aquele filho da puta tinha quicado no pau de Leo.

Leo precisava sair dali. Agora. Urgentemente.

O ar parecia rarefeito, como se o mundo ao redor tivesse perdido o oxigênio e só restasse o calor latejante dentro dele — nos pulmões, sob a pele, entre as pernas. Cada centímetro de seu corpo gritava pela ausência do toque que tinha acabado de perder. A bunda de Nico… caralho, ele ainda sentia. Ele tentou respirar fundo, mas era inútil. A lembrança vinha viva, suja, como se tivesse ficado impregnada em sua pele: a forma como Nico se sentou de verdade, sem teatro, sem pudor. Como se tivesse decidido foder com a mente dele ali, na frente de todo mundo. O rebolar lento, o movimento circular dos quadris, aquele deslizar maldito que provocava mais do que deveria. Era como se Nico soubesse exatamente onde pressionar, como deixar Leo tremendo com as mãos amarradas, completamente refém do prazer.

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E agora, ele estava ali. Sentado, imóvel, tentando parecer indiferente. Mas Leo viu. Viu com clareza. As coxas trêmulas. A tensão no maxilar. As mãos apertadas entre as pernas como se segurassem algo prestes a vazar. Nico também não estava bem. Aquilo também o tinha destruído.

Leo engoliu seco. Sentiu o pau pulsar, duro, insuportavelmente preso dentro da calça apertada demais. Doía. Fisicamente. Sua pele latejava. Precisava de alívio. De uma fuga. De um esconderijo onde pudesse despir aquela urgência antes que explodisse.

Ele se levantou ainda trêmulo, tentando compor alguma postura, como se pudesse enfiar a vergonha de volta pra dentro da calça junto com a maldita ereção latejante. Os músculos das pernas protestaram sob o movimento, como se também estivessem afetados, como se tudo estivesse afogado naquela sensação suja e viciante.

Mas a tentativa de se tornar invisível foi destruída em segundos.

"Leo, já desistiu e agora tá indo embora?" A voz de Jason ecoou alto demais, rindo abertamente, arrastando consigo uma onda de risadas cúmplices, zombeteiras, afiadas como agulhas.

A frase pairou no ar como se dissesse “a gente sabe que você vai se aliviar pensando nisso”. Leo engoliu a seco. Um calor constrangedor subiu pelo pescoço e explodiu em seu rosto. Não teve coragem de encarar ninguém de verdade. Queria sumir dali.

Exceto por uma coisa. Uma pessoa.

Nico.

Ele não riu.

Aquele desgraçado não esboçou nem um sorriso. Só o encarou. Em silêncio. Intenso. A respiração dele parecia pesada, como se também estivesse tentando parecer inteiro e falhava miseravelmente. As pernas estavam juntas demais. As mãos firmes entre elas. E o olhar… Leo sentiu como se estivesse sendo tocado de novo só de ser observado assim.

"Não é como se eu tivesse… concordado com isso" retrucou Leo, mas a voz saiu trêmula, vacilante, como se dissesse o contrário. Colocou o chapéu de volta na cabeça com um gesto quase defensivo.

Jason não deixou passar.

"Agora vai embora depois de terem quicado em você?" — zombou, malicioso, afundando o dedo bem onde doía.

Leo respirou fundo, pronto pra ignorar — até ver Nico.

Merda.

O filho da puta estava mordendo o lábio inferior. Forte. Como se segurasse algo. E, ao notar que Leo o olhava, desviou o olhar para as próprias pernas, apertando-as com mais força. Tentando se conter. Tentando… não gozar, talvez?

Aquilo acendeu algo em Leo. Um fogo raivoso. Um prazer mesclado com frustração.

Levantou o queixo, respondeu com veneno.

"Bem," disse, forçando um tom casual, quase zombeteiro "você não é lá um bom exemplo".

Jason franziu o cenho, confuso.

Leo não parou. Deixou as palavras escorrerem como veneno:

"E, sabe… já que é apenas um jogo, por que sua namorada não quica em você?"

A tensão caiu sobre o círculo como um raio.

E Leo virou as costas, saindo. As pernas bambas, o coração disparado, o pau ainda duro. Mas nada o impediu.

Não olhou pra trás.

Mas ouviu. Alto e claro.

— LEO, SEU FILHO DA PUTA! — Jason gritou atrás dele.

Notes:

💭 ;; E aí? O que acharam? Posso dizer que há mais capítulos vindo, então se preparem que vai ser só um smut! Lembrando: com Leo tudo é fogo, não? Ainda sou nova em relação às tags (meu maior problema), mas juro que tentarei acompanhar a tendência. Enfim, também estou com uma ideia de compartilhar tanto no tiktok e/ou no twitter como "pequeno" spoiler. Porém, gostaria de saber de vocês. Acompanhariam? Obrigada por lerem até aqui! ❤️🌶