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Português brasileiro
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Published:
2025-06-06
Words:
5,789
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1/1
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19

Moldando um duque

Summary:

Com a morte do duque Inoichi Yamanaka, o Imperador Fugaku Uchiha decreta que o ducado, que pertencia ao falecido, passaria a ser administrado por Deidara, atual herói de guerra e melhor amigo de seu filho Itachi, o príncipe herdeiro. Ao saber da notícia e temendo pelo futuro de Ino, agora órfã do antigo duque, Hinata, noiva do príncipe e grande amiga da loira, intercede por ela junto ao mais novo duque, sugerindo que a Lady Yamanaka ajudasse na administração do ducado que, até então, pertencia à sua família. Por não ter a mínima ideia do que fazer com o território recebido, Deidara aceita a sugestão, sem imaginar no que sua vida e a da jovem senhorita se transformaria a partir dali.

Notes:

Essa one foi escrita para um dos ciclos do projeto DeusaYamanaka, o qual era o foco a Ino Yamanaka.
Foi um shipp totalmente diferenciado, mas que confesso que adorei escrever! Estou muito na vibe dos mangazinhos de romance, então surgiu essa one fofazinha.
Espero que gostem.

Queria agradecer minhas queridas, Nyne, sabakuino, Mareena, que sempre me aguentam com os surtos hehe

Work Text:

Ino sabia que aquele momento seria difícil, mas não imaginava que se sentiria tão sozinha e incapaz estando ali, mesmo com os conhecidos do ducado e alguns servos, ainda se sentia extremamente retraída, tendo o luto como sua única companhia.

Perdera a mãe anos atrás por conta de um surto de gripe e agora o pai morrera em batalha, na guerra que finalmente chegara ao final, tendo o Império Uchiha como vitorioso, mas que graça tinha em comemorar a vitória se seu pai não sobreviveu?

Sem irmãos ou qualquer outro parente próximo masculino, sua vida estava nas mãos do Imperador, que decretara, poucos dias depois do retorno à capital, um herói de guerra para ser o novo duque Yamanaka.

A loira tinha um rastro de lágrimas pelo rosto, estava abatida e mal havia se alimentado aqueles últimos dias, aguardando a tão esperada homenagem aos mortos. Nem se dava ao luxo de pensar em como seria sua vida dali para frente, pois sendo amiga íntima da noiva do príncipe herdeiro, tinha quase certeza de que não seria abandonada pelo Império, mas temia ter que se casar por conveniência, afinal, até a proposta já havia recebido! E Sakura, amiga que a acompanhava na homenagem, tentava colocar em sua cabeça que aquele era o melhor caminho a seguir e não deixar um homem que mal ouvira falar tomar conta dela.

Ela jogou a flor que o ducado mais produzia — uma lespedeza —, dando um último adeus ao pai, antes do caixão começar a ser coberto por terra. A filha do falecido duque deixou-se ser molhada pelas gotas da chuva que começaram a cair e se misturavam com o seu pranto, não se importava mais em estar parecendo um patinho molhado no final, a dor era deveras para se importar com as aparências, mas subitamente a chuva parou e a loira voltou os olhos para quem a protegia das gotas de água com um grande guarda-chuva.

Um sorriso triste formou-se nos lábios pálidos da Yamanaka ao encontrar Hinata Hyuuga, que lhe lançava um olhar pesaroso, com as pérolas brilhando por conta da angústia. A morena apertou carinhosamente o ombro da amiga e acompanhou a terra cobrir o caixão de Inoichi até o fim.

Quando a chuva se tornou mais torrencial, elas afastaram-se para a carruagem, sendo seguidas por uma Sakura pouco feliz com a chegada de Lady Hinata, que trouxera consigo uma comitiva de servos reais.

As três adentraram o veículo real e Ino aceitou o lenço que Hinata lhe ofereceu, enxugando os olhos com delicadeza enquanto suspirava pesadamente. Voltou o olhar para as duas amigas que, mesmo não se dando muito bem por motivos particulares, estavam ali por ela, então, não pôde evitar um fino sorriso para as duas.

— Vamos para sua casa — a Hyuuga disse suavemente. — Sei que está arrasada, Ino, mas preciso te colocar a par da situação antes que eles cheguem, por isso vim na frente — explicou apertando delicadamente a mão da Yamanaka.

— Claro, vamos — Ino prontamente concordou. — Preciso me secar e tomar um chá quente antes que pegue um resfriado — acrescentou esfregando os braços.

Sakura prontamente estendeu a capa que protegera aquele tempo todo para a amiga, ganhando um olhar de agradecimento dela, que se cobriu rapidamente, suspirando em contentação ao sentir o tecido quentinho a aquecer.

Voltaram para a mansão rapidamente, a carruagem aproveitando-se da estrada de concreto para andar mais rápido e levar logo as ladys para a proteção que a maior mansão do ducado oferecia. Desceram sendo ajudadas pelo mordomo, que as levou para dentro em segurança e sem que tomassem mais algum respingo de chuva, que agora amenizara.

Yagura guiou as três para uma das salas de estar, onde informou que logo traria chá e algo para que elas se alimentassem. Outra serva surgiu com toalhas para secar Ino, enquanto ela tinha o olhar para as mãos, deixando que Tsubaki secasse os cabelos loiros e longos da Yamanaka. Após secar os cabelos e se retirar da sala, Sakura enfim falou aquilo que vinha a incomodando desde que Hinata subitamente aparecera.

— Sei que Lady Hyuuga lhe traz algum conforto e não permitirá que simplesmente lhe deixem à própria sorte, mas ainda sim, acho adequado aceitar a proposta de casamento de Chouji, pelo menos ele é alguém conhecido e, com certeza, vai lhe tratar com o devido respeito, Ino — a rosada falou num rompante, ganhando um olhar assombrado da morena e uma careta da loira.

— O barão Chouji lhe propôs? — Hinata indagou-a surpresa.

Ino suspirou quase amargurada, porém agitou afirmativamente a cabeça antes de respondê-la.

— Ele disse que pelo menos eu saberia com quem estava lidando e que, se fosse expulsa do ducado, poderia ajudá-lo em sua propriedade rural, já que sou uma boa administradora — contestou-a com certo pesar.

Yagura naquele momento surgiu com a bandeja e alguns quitutes para as três, prontamente deixando o cômodo ao perceber o clima tenso, fazendo uma reverência e partindo, fechando a porta para dar mais privacidade para elas.

— E você não está pensando em aceitar, está? — a Hyuuga perguntou sem nem dar atenção ao chá. — Deuses, Deidara é o melhor amigo do príncipe herdeiro, lutaram inúmeras batalhas juntas e, por mais que ele tenha uma personalidade exótica, ele jamais te colocaria para fora do ducado! — prosseguiu, exasperada. — Inclusive, quer a sua ajuda nisso tudo. Ele pode ter administrado várias provisões e ferramentas nos acampamentos, mas não faz ideia do quê fazer com um ducado! — explicou num rompante. — Inclusive, Itachi me mandou primeiro para te contar que o novo duque vai respeitar sua posição como Lady Yamanaka e vai continuar a mantendo, ele conta com você para que o ajude em tudo que for possível!

A mão de Ino tremeu enquanto ela depositava o pires e a xícara em cima da mesinha, os olhos esbugalhados na direção da morena. Porém, fora Sakura quem externou a incredulidade da loira.

— Você está falando sério? — perguntou sem qualquer decoro ou maneiras. — Ele não vai obrigá-la a se casar com algum velho babão e botá-la para correr da propriedade? — insistiu. Os olhos piscando da mesma forma que os de Ino, desacreditados.

— Claro que estou, pelos deuses! — Hinata ergueu-se, caminhando pela sala em indignação. — Ele é amigo do príncipe, tenho algumas liberdades e alguns favores para cobrar dele. Logicamente que não vou deixar minha amiga à mercê de qualquer um, ainda mais um bobão como o Deidara que só quer saber de explodir coisas e planejar estratégias de guerra! — resmungou, claramente incomodada. — Ele vai se entediar facilmente na calmaria do ducado e vai partir novamente para alguma missão louca que ele suplicar para Itachi, o homem odeia ficar estagnado em um só lugar, e dei a ideia ao Imperador e príncipe de que você seria muito mais útil se mantida aqui — revelou, voltando os olhos para a loira. — Você administrou o ducado praticamente sozinha enquanto seu pai estava na guerra, alguns até a chamavam de “duquesa Ino”, então não será surpresa se as coisas continuarem do jeito que estão… Apenas temos que ter uma figura masculina para manter as aparências — reclamou, sentando-se agora ao lado de Ino, que a olhava com cara de paisagem.

— E se ele sugerir se casar com ela? Ou tentar abusar dela? — Sakura a indagou num tom rude. — Já pensou nessa possibilidade, Hinata?

A Hyuuga olhou por um momento para a Haruno antes de gargalhar deliberadamente, fazendo até com que a Yamanaka tivesse que se afastar um pouco por conta de tanta agitação.

— Deidara já está aborrecido que será um duque, agora, se alguém inventar que ele tem que se casar ou cortejar uma mulher, é provável que ele fuja para as frotas inimigas e tente explodir o palácio — a morena replicou enxugando a lateral dos olhos com um lenço. — Deidara se casar! — Riu mais. — Só se for com a argila explosiva dele!

— Argila explosiva? — Ino questionou, temerosa.

— Já garanti que ele não vai explodir a mansão e deixar para mexer com a argila apenas nas minas, pelo menos alguém ficou feliz em adquirir lugares que pode explodir — Hinata a tranquilizou.

— Então estou segura aqui?

— Perfeitamente, duquesa — a Hyuuga respondeu num tom brincalhão. — Agora, se por um milagre dos deuses ele te achar mais interessante que a argila e te propor, não vejo o porquê de não aceitar, assim fica em casa mesmo e toma posse de tudo, fica algo bem garantido mesmo. — Revirou os olhos perolados.

— De qualquer maneira, você já está na época de, pelo menos, estar comprometida com alguém — Sakura falou, recebendo a atenção das duas para si. — E se esse Deidara se apaixonar por alguém e no final te colocar para fora do ducado? Já pensou nessa possibilidade também, Ino?

— Isso não vai acontecer! — Hinata exclamou, altiva.

— Quem garante? — a Haruno replicou, atrevida.

— Eu garanto.

Três cabeças viraram mecanicamente em direção à porta, nem mesmo ouviram alguém abri-la, quanto mais notaram a presença de dois nobres parados no umbral.

A morena foi a primeira a relaxar, abrindo um sorriso para o moreno mais alto, que correspondeu ao gesto dela com brandura. A rosada levantou-se rapidamente e fez uma exagerada reverência, enquanto Ino apenas olhava estagnada para o loiro que acompanhava o príncipe herdeiro.

Itachi Uchiha era o próximo na sucessão do trono. Ele trajava-se de maneira elegante e era mais alto que o outro, além de ser mais entroncado. Porém, como Deidara, ambos tinham portes militares, com posturas eretas e dominantes. Na guerra, o príncipe atuara como general de um batalhão, enquanto o novo duque era o segundo no comando e um ótimo estrategista. Além de amigos de longa data, eram companheiros de batalhas, por isso o Uchiha sentiu-se na obrigação de, pessoalmente, levar o outro à sua nova residência, mesmo que o loiro não estivesse muito feliz com a situação.

Deidara, diferente de Ino, tinha os cabelos num tom mais escuro de loiro, os da Yamanaka sendo mais claros, mas ainda sim eram similares, principalmente pelo fato de ambos usarem franjas, só que em sentidos contrários. Logicamente que os cabelos dela eram mais compridos, porém o novo duque se diferenciaria facilmente por conta do rabo alto com metade do cabelo e o resto um pouco abaixo dos ombros. Os olhos eram azuis, só que menos cristalinos e mais ferinos que os da loira, era um pouco menor que Itachi, e também ostentava uma aparência elegante, mesmo ela sendo um tanto singular. Afinal, diferente do príncipe, que usava preto, ele trajava vestes sociais num cinza quase branco.

O duque manteve a encarada da Yamanaka por um momento antes de sua atenção se focar na Haruno, que ainda permanecia de cabeça abaixada. Ele aproximou-se dela, mirando-a com certo desdém, antes de dirigir-lhe a palavra:

— Quem é você, senhorita? — indagou-a.

— Sou Sakura Haruno, Vossa Graça — a rosada respondeu, trêmula. — Sou filha do conde Kizashi, um dos vassalos do ducado, e dama de companhia da Lady Ino — acrescentou rapidamente.

— Certo, sua Lady estará segura comigo aqui e manterá sua posição como dama de companhia, se assim desejar — Deidara falou, dando um rápido olhar para a loira. — Peço que se retire agora, tenho assuntos particulares para tratar com sua Lady — acrescentou, olhando para ela com pouco-caso.

— Claro! — Ela baixou mais a cabeça. — Com licença, Vossa Graça, Vossa Alteza, Lady Hinata e Ino. — Fez outra reverência exagerada e saiu de maneira apressada.

Deidara bufou quando a porta se fechou após a saída da rosada.

— Itachi, por favor — pediu, sem vontade, ganhando um sorriso do moreno, que prontamente se aproximou da porta e girou a chave presente na maçaneta.

— Privacidade total, sem interrupções desnecessárias — o príncipe falou, erguendo as mãos no ar como se estivesse se rendendo.

— Não sei porque ainda concordo com as coisas que você me pede — o loiro reclamou, dirigindo-se para o sofá contrário de Ino, sentando-se de frente para ela e pegando um dos bolinhos, que ele mastigou diligentemente.

Hinata enfim se aproximou do príncipe, ganhando um beijo na fronte como cumprimento, o que a fez corar e sorrir timidamente para ele… Até o momento ser quebrado por um Deidara fingindo vomitar.

Itachi revirou os olhos para ele, trazendo a morena consigo pela mão, guiando-a para se sentar ao lado de Ino, enquanto o príncipe se sentava ao lado do novo duque.

— O dia que você estiver apaixonado, vou azucrinar tanto você, Deidara! — Hinata prometeu, ganhando um riso do moreno e um olhar assustado da loira.

— Ainda vou dar um jeito de explodir seu bolo de casamento, Hinatinha, espere para ver, hm — ele replicou com um olhar ferino.

A prometida de Itachi ficou vermelha igual um tomate, segurando a vontade louca de pular no loiro, que prendeu uma risada, não querendo deixá-la ainda mais brava, porém, para a surpresa dos três, quem explodiu em uma gargalhada foi Ino, que teve até lágrimas de riso escapando pelos olhos.

A morena olhou-a enfurecida, enquanto o príncipe segurava uma risada e o duque a acompanhava no gargalhar, que foi o que pareceu acordar a Yamanaka para realidade, secando os olhos com um lenço e abafando a risada com a mão, até conseguir controlá-la, tomando um gole do chá antes de ficar séria e se levantar para prestar os devidos cumprimentos.

— Vossa Alteza. — Fez uma reverência para Itachi. — Vossa Graça. — Fez outra para Deidara, sentando-se em seguida e juntando as mãos no colo, permanecendo com a cabeça baixa. — Perdoem a minha falta de compostura — desculpou-se com um leve rubor nas bochechas.

— Dispenso toda essa formalidade, por favor — o loiro falou, fazendo uma careta no final. — Somos praticamente família agora, pois, como Hinata já deve ter te deixado a par, quero mantê-la no ducado o quanto tempo desejar estar, afinal não faço ideia de como e o que vou administrar — explicou.

Ino ergueu a cabeça, surpresa com a fala do novo duque.

— Na verdade, ele está desesperado, Lady Yamanaka — Itachi disse, ganhando a atenção da loira para si e um revirar de olhos do amigo. — Não tem noção alguma do que o Imperador designou para ele. Por isso, contamos com sua ajuda para facilitar tudo. Assim, podemos mantê-la pelo tempo que desejar ficar, afinal isso tudo é o legado de sua família — acrescentou, dando um sorriso triste.

A Yamanaka fez um gesto de concordância, olhando por um breve momento para as flores além das janelas.

— O seu pai que está gagá, me dar um ducado só porque sou parecido com os Yamanaka… — Agitou a cabeça negativamente.

— Mais respeito com o Imperador, Deidara — Hinata o repreendeu quase que docemente.

— Bem, mesmo que seja você por trás de tudo, quero que sempre me mantenha informado sobre as coisas, afinal tenho que parecer inteirado e interessado no ducado, mesmo que eu vá passar mais tempo nas minas que por aqui — ele disse franzindo o cenho, não dando atenção para a fala da morena.

— Claro, como duque, a última palavra deve ser sua, mesmo que seja eu quem esteja controlando as coisas, bem como deve tomar ciência de alguns assuntos antes de se afastar para as minas… — Ino enfim tomou uma atitude mais séria, ainda que estivesse um pouco desconfiada, afinal era tudo bom demais para ser verdade.

A pequena reunião se resumiu em horas de conversa, com a loira explicando sobre tudo do ducado e mais um pouco. Deidara mostrou-se inicialmente entediado com toda a fala inicial da Yamanaka, mas aos poucos foi se deixando contagiar pela paixão que ela parecia ter pelo lugar que cresceu, fazendo até alguns apontamentos que foram úteis em várias situações que a Lady explanou.

Daquela conversa, resultou-se em semanas de andanças dos dois pelos terrenos que pertenciam ao ducado, com Ino sempre dando aula por onde quer que passasse, sendo agraciada pelos vassalos com elogios e cortesias, que permitiam ao loiro vislumbrar o quanto ela era querida por todos aqueles que estavam protegidos pelo seu território.

Aos poucos, o próprio duque foi caindo nas graças do povo; ele era inteligente e mostrava interesse em tudo que falavam ou pediam, quase pegando gosto pela coisa, mas o que Deidara gostava mesmo era de se embrenhar nas minas e explodir novos lugares para que pudessem minerar.

Ino continuava sendo chamada de duquesa — apesar de no início ter tentado corrigir os vassalos, mas no final acabou desistindo —, pois parecia se dar extremamente com o novo duque, quase como se já estivesse certo o casamento… Pelo menos era isso que os mais ousados comentavam, dizendo que aquele posto seria facilmente alcançado pela loira, o que lhe causava certo constrangimento, afinal estava longe de desejar se casar com alguém tão cedo. Deidara não demonstrava nenhum interesse quanto àquele assunto, sendo deveras impessoal e nunca comentando nada sobre uma futura união ou algo do tipo.

Já fazia meses que haviam criado aquela estranha rotina: pela manhã, tomavam o desjejum juntos, depois iam para o escritório da mansão para discutir brevemente sobre os assuntos do ducado, verificavam alguns documentos, restando sempre para Ino cuidar mais da parte administrativa, como fora o acordado, enquanto que Deidara resolvia algum problema inicial que dos vassalos, porém sempre deixando para consultar a loira antes de tomar qualquer decisão final. Depois almoçavam juntos e se separavam — o duque cuidando de algum problema no território ou indo para as minas, local que ficava até quase escurecer completamente e a loira ficava no escritório ou coordenando algumas coisas dos jardins, onde ela mais gostava de ficar durante as tardes. Encontravam-se para jantar antes de se recolherem para dormir e a rotina se repetia novamente no dia seguinte.

Certo dia, porém, no meio da tarde, surgiu um documento urgente que necessitava da assinatura do duque. Mesmo que Ino já tivesse ajeitado tudo, dependia daquela mísera assinatura para dar prosseguimento ao novo moinho que seria construído nas redondezas.

A loira bufou pouco feliz com o papel em mãos antes de enrolá-lo delicadamente e colocá-lo em uma algibeira, resolvendo ela mesma correr atrás daquela rubrica. Caminhou rapidamente para o estábulo, buscando sua fiel égua Lily, que se mostrou animada ao ser selada e montada por sua amazona, agitando os cascos em completo contentamento.

— Também estava com saudades de passear com você, mas não é sempre que consigo tempo livre… — a Yamanaka resmungou fazendo um delicado carinho na crina caramelo da potra.

Lily relinchou como se estivesse respondendo, o que causou um breve riso em Ino antes de ela agitar as correias para que o animal cavalgasse mais rápido. O caminho foi breve, mas pelo menos a égua parecia mais feliz por finalmente estar no meio de algumas árvores.

A mina que Deidara havia se embrenhado não era tão longe da mansão, por isso logo a loira viu alguns mineiros e um pequeno acampamento que havia montado por lá. Ela prontamente foi recebida por um deles, que a reconheceu como a duquesa, ajudando-a a descer da égua e levando o animal para tomar água.

Porém, antes mesmo da Yamanaka pronunciar um agradecimento ou perguntar sobre o duque, um tremor de terra ocorreu, assustando Ino e causando uma breve algazarra entre os cavalos, que se agitaram por conta do barulho de explosão que se seguiu.

— Mas que… — ela quase ia proferir um palavrão, mas se calou a tempo, vendo alguns vassalos correrem para fora da mina.

Pela expressão deles, não devia ser algo bom, pois logo a loira ficou em alerta e se aproximou do pequeno grupo que se formou perto da entrada. Os olhos azulados buscaram a figura inconfundível do duque e se arregalaram ao se dar conta de que ele não estava entre os outros.

— Onde está Deidara? — ela indagou num rompante, pouco se importando com formalidades.

Vários pares de olhares se voltaram para Ino, alguns engoliram em seco e outros rapidamente desviaram os olhos, o que apenas causou mais aflição na jovem.

— Lady Ino… — o que parecia ser o encarregado do local começou, usando um tom temeroso. — Vossa Graça ficou preso em um dos túneis após a detonação, mas já estamos organizando uma equipe para remover os escombros… — explicou na vã tentativa de tranquilizá-la.

Ino voltou o olhar para a entrada da mina, apertando as mãos em punho enquanto seus olhos enchiam-se de lágrimas que ela não permitiu que escorressem, erguendo a cabeça para encarar o céu.

— Isso é comum, duquesa — um dos vassalos ousou falar. — Sempre acontece de ficarmos presos nos túneis, é só removermos algumas pedras e estamos livres…

Logo alguns mineiros se embrenharam novamente para dentro da mina, dessa vez com pás e picaretas, tudo na intenção de abrirem caminho para tirarem quem quer que tivesse ficado preso nos túneis.

A loira respirou profundamente antes de pegar um dos capacetes de proteção, prontamente o colocando na cabeça e seguindo os demais. Logicamente que a mina não era um lugar para uma senhorita, mas ninguém ousou impedi-la, visto que sua expressão era pouco amigável.

Kisame, o encarregado daquela mina, acompanhou-a relutantemente, acendendo a lanterna do capacete da Yamanaka enquanto ela seguia os outros, deparando-se com algumas pedras formando uma parede, onde provavelmente Deidara estava preso.

— Vossa Graça está bem? — um dos mineiros perguntou, tinha conseguido abrir um pequeno buraco na parede, podendo ver um pouco além dela.

— Apenas alguns arranhões, o que é de praxe, hm? — Puderam escutar a voz rouca do duque. — Mas preciso de ajuda com Kakuzu, ele foi nocauteado por algumas pedrinhas… — acrescentou num tom levemente humorado.

Ino pôde vislumbrar Kisame revirar os olhos para a última fala do loiro antes de ela se enfiar entre os mineiros e esticar-se para enxergar alguma coisa além da fresta. Os olhos do duque arregalaram-se ao reconhecer os olhos azuis da Yamanaka, a feição dele de descrença quase a fez rir, mas preocupação foi o que tomou a sua expressão ao ver que ele tinha alguns arranhões pelo rosto e estava sujo do que parecia ser pólvora e poeira.

— Ino?! — exclamou surpreso. — O que você está fazendo aqui?! — perguntou ainda no tom de assombro.

— Eu… eu… — ela debilmente gaguejou antes de conseguir respondê-lo. — Preciso da sua assinatura num documento…

Conseguiu vê-lo erguer uma das sobrancelhas, um vinco se formando na testa suja.

— Podia ter mandado alguém para colher minha assinatura — contrapôs de maneira repreendedora.

— Eu sei, mas… — a loira replicou, os olhos desviando-se para os mineiros que retiravam algumas pedras. O “queria vê-lo” quase escapou de sua boca, entretanto ela fez uma careta e encarou-o duramente. — Quis sair com Lily para dar uma volta, fazia semanas que não cavalgava pelos terrenos do ducado… E que surpresa a minha encontrá-lo justamente se pondo em perigo! — Dessa vez ela quem tinha o tom repreendedor.

Deidara fez uma careta, entretanto logo se afastou das pedras, permitindo que os operários empurrassem-nas e dessem espaço para ele sair. O duque ainda ajudou a colocar o mineiro desacordado em uma maca, sendo prontamente levado para a enfermaria improvisada que tinham no acampamento, antes de enfim voltar-se para Ino, que tinha uma expressão pouco amigável enquanto o esperava com os braços cruzados.

Os olhos azulados o escrutinaram com apreensão, buscando qualquer ferimento mais sério no loiro, além de alguns arranhões que ele comentara ter na face. Ele quase lhe sorriu ladino, mas controlou-se ao ver a expressão séria que ela assumiu após conferir se tudo parecia bem com sua pessoa.

— Vamos para a minha tenda, lá podemos conversar e eu posso me limpar para assinar o documento que você me trouxe, hm — propôs, indicando para que a loira tomasse a frente.

A Yamanaka apenas o mirou uma última vez antes de seguir por onde os outros saíram, andando irritadamente para fora da mina enquanto resmungava o quanto o duque era irresponsável.

Quando enfim saíram da mina, ele guiou-a para uma das tendas mais elegantes do local. Um dos responsáveis por cuidar dos pequenos ferimentos estava prostrado ao lado da entrada, fez uma reverência respeitosa para Deidara antes de anunciar que cuidaria dos machucados do duque.

Ino ainda tinha o olhar mordaz, ela encarou o rapaz e estendeu uma das mãos, os olhos se voltando para a maleta de primeiros-socorros.

— Me dê — ordenou. — Eu cuido dele.

O paramédico engoliu em seco, prontamente atendendo à ordem dela, entregando a maleta e fazendo uma reverência exagerada antes de se afastar rapidamente — temendo pela própria vida.

— Entre — mandou, apontando para a tenda.

Deidara suspirou longamente antes de adentrar a tenda e enfim se ver livre da curiosidade dos mineiros, que haviam encontrado qualquer motivo para estarem próximo dos dois. A loira prontamente o seguiu, fechando cuidadosamente a abertura de tecido para então apontar à uma das confortáveis cadeiras que lá havia, indicando que o loiro se sentasse.

O local lembrava um escritório, pois havia uma mesa junto de uma cadeira no canto, a mesa contendo diversos documentos, além de uma lousa com um mapa dos arredores e túneis da mina; também havia uma mesa maior com três cadeiras, que devia servir para as refeições do duque, além de uma pequena espreguiçadeira, onde ele devia cochilar quando necessário, e um malão onde deveriam estar suas coisas pessoais.

Ele resolveu se sentar na cadeira atrás da mesa cheia de documentos, empurrando alguns para que ela pudesse apoiar a maleta e fazer os primeiros-socorros que não achava necessário — porém a Yamanaka continuava com aquela expressão dura e não seria o loiro quem a questionaria.

Ino seguiu ainda em passos duros para próximo de Deidara e, ao invés de apoiar a maleta na mesa, ela que se apoiou, sentando-se de frente para ele e usando o colo para mexer nos aparatos de primeiros-socorros. O loiro observou ela cautelosamente umedecer um dos algodões no álcool antes de ousadamente erguer a face dele para que pudesse limpar os machucados.

A Yamanaka não pronunciou nenhuma palavra e pouco delicada foi, sentindo um prazer estranho ao vê-lo fazer caretas por conta do antisséptico causar um pouco de ardor, além de, é claro, ela pesar a mão mais do que o considerado normal para esse tipo de tratamento. Quando enfim se deu por satisfeita, ela jogou o que usou na lixeira que havia próxima da mesa, fechou a maleta, colocando-a de lado, para finalmente encarar o duque.

— Você por acaso já pensou no que vai acontecer comigo se sofrer algum acidente fatal nas minas, Deidara? — A voz dela tinha um falso tom controlado que fez o loiro engolir em seco, erguendo minimamente a cabeça para encará-la, afinal, na posição que ela se encontrava, estava um pouco mais alta que ele.

— Eu já escrevi meu testamento, nele estão todas as garantias de que você estará segura e que não precisará se preocupar em ficar desabrigada ou algo do tipo — o duque respondeu cautelosamente. — Inclusive, o próprio Imperador está ciente de que tudo que me pertence agora, no momento da minha morte, passará diretamente para você.

Ino não conseguiu controlar a surpresa, a boca abrindo-se ligeiramente, o que causou certa diversão em Deidara, que sorriu travesso.

— Você não pode estar falando sério! — ela exclamou, descrente.

— Estou sim — ele replicou num tom divertido. — Você está cuidando perfeitamente de tudo, por que seria diferente, hm? — contrapôs, dando de ombros.

Os olhos azuis dela estreitaram-se num claro aviso de que ele estava passando dos limites. Novamente a Yamanaka fora ousada, apoiando as mãos nos ombros do duque, tentando colocar algum senso naquela cabeça que ela julgava ser oca.

Além de perder a mãe e pai, o fato de ela se dar extremamente bem com Deidara havia afastado Sakura, que meses atrás havia pedido para deixar de ser dama de companhia da Lady, que, ao seu ver, já parecia estar muito bem acompanhada. Ino ficou extremamente chateada com o fato de ter perdido alguém que considerava uma amiga, mas em compensação, ganhou um duque extremamente companheiro, que ficou deveras compadecido ao ver sua protegida mais solitária que o considerado normal.

— Você não acha que já perdi pessoas demais, Deidara? — A pergunta dela o pegou completamente de surpresa, ela percebeu isso ao ver os olhos dele se arregalarem minimamente, mas não recuou, permanecendo na posição que estava e o encarando seriamente.

— Você… você está preocupada comigo? — perguntou, erguendo as mãos por impulso e a mantendo perto dele, segurando a cintura dela, que corou ao sentir o aperto das mãos do duque.

— Claro que estou! — replicou exaltada.

Queria andar pela tenda e praguejar contra ele, mas não tinha como fugir daquela proximidade que ela mesma colocou. Observou o pomo de Adão do duque subir e descer numa engolida forçada, os olhos dele concentrados no que parecia ser sua boca, o que ela confirmou ao debilmente umedecer os lábios. Os olhos de ambos se conectaram novamente e não havia qualquer empecilho para que a proximidade se tornasse menor e eles se beijassem, mas foi justamente naquele momento que Kisame resolveu requisitar Deidara.

— Vossa Graça? — chamou. — Posso entrar?

Ino rapidamente se desvencilhou do loiro e se afastou da mesa, pegando a maleta e indo para fora da tenda, balbuciando algo com a desculpa de devolver os equipamentos de primeiros-socorros. Enquanto que o duque apenas olhava para o espaço vazio que ela deixara, as mãos caídas na mesa, voltando o olhar para Kisame ao vê-lo adentrar a tenda… Ódio estampando as feições dele.

— O que você quer? — indagou-o com pouca vontade, cruzando os braços e mantendo o olhar hostil.

Restou para o vassalo engolir a seco antes de contestá-lo de maneira cautelosa para não aumentar a cólera do loiro.

 

A Yamanaka conseguira achar a tenda onde estavam os poucos enfermeiros que davam apoio aos mineiros. Também tinha checado e até mesmo conversado um pouco com Kakuzu, o mineiro que havia ficado desacordado quando houve a explosão. Ficara feliz em ver que ele estava bem e mais tranquila ao novamente ser informada de que aquilo era comum — e que raramente havia um acidente fatal, pois o duque era deveras cauteloso.

Ino estava decidida a encontrar onde colocavam os cavalos, pegar Lily e deixar o motivo que a trouxera ali de lado quando foi interceptada por Kisame, que respirou quase aliviado ao encontrar a loira ainda ali.

— Lady Yamanaka, o duque se limpou e disse que agora poderá assinar o documento que a senhorita lhe trouxe… — informou com um sorriso forçado. — Vossa Graça me pediu para que a acompanhasse de volta para a tenda dele — disse, indicando para que ela seguisse em determinada direção.

A loira pôde apenas suspirar pesadamente antes de apertar a algibeira que trazia o papel e fazer um gesto positivo, seguindo na direção que o vassalo indicara. Ela andou vagarosamente, parando na entrada da tenda de Deidara, antes de Kisame erguer os tecidos e oferecer para que a Yamanaka adentrasse o local. Ino puxou o ar antes de novamente ficar sozinha junto do duque, afinal ele claramente dera ordem de que não deveria ser incomodado, pois prontamente os tecidos foram baixados quando ela pisou para dentro.

Outra vez o loiro estava sentado atrás da mesa, dessa vez com vestes limpas e sem nenhuma sujeira de pólvora ou poeira, mais bonito ainda… O que ela estava ousando pensar? Agitou a cabeça negativamente antes de caminhar até ficar de frente para ele, mantendo a mesa entre eles na vã esperança de lhe trazer alguma segurança, retirando o documento da algibeira e estendendo-lhe sobre a superfície que se encontrava vazia. Porém, quando ia puxar a mão, o duque ousadamente a segurou próximo de si, erguendo-se rapidamente e fazendo com que Ino tivesse que encará-lo.

— Você realmente se preocupa comigo, hm? — A pergunta soara num tom rouco, que fez com que a loira se arrepiasse e engolisse em seco.

— Cla-claro que sim — respondeu gaguejante, limpando a garganta em seguida para prosseguir: — Nós criamos um tipo de relação, cuidamos do ducado, fazemos as refeições juntos… É estranho quando você se ausenta e não está lá para que eu possa te ajudar com as coisas, eu meio que me acostumei com a sua presença — tagarelou, ganhando um pequeno sorriso dele.

— As pragas da Hinata pegam mesmo, hm? — Deidara falou num tom divertido, porém a fala dele deixou a loira completamente confusa.

— Hein?

— Sua amiga disse que eu pegaria gosto por essa coisa de ser duque — ele começou, ainda mantendo-a na mesma posição, entretanto não a prendendo mais com força, deixando-a livre para que se desvencilhasse se quisesse. — E não é que peguei? Realmente é gratificante ver o quanto podemos fazer o bem para os outros — contou, ganhando um acenar em concordância dela, que ainda não entendia onde é que ele queria chegar. — Ela também me disse que as minas acalmariam meus ânimos, realmente aconteceu… Explodir as coisas e gerar lucro em cima delas também é satisfatório.

Ino deu um breve riso, que fez o loiro sorrir e ousadamente colocar a franja dela para trás da orelha, para poder admirar melhor a expressão feliz da Yamanaka. O gesto dele causou um leve rubor nela, o que apenas a tornou mais bonita na concepção de Deidara. Ela baixou o olhar, mas ele fez com que a loira continuasse a encará-lo, usando os dedos para delicadamente erguer-lhe o queixo.

— Não sei se vai continuar rindo se eu lhe contar a última praga de Hinata — falou encarando-a seriamente. — Mas depois do que vi hoje, vai que exista alguma reciprocidade, hm… — acrescentou, dessa vez contornando a mesa para ficar frente a frente com Ino, invadindo o espaço pessoal dela. — Hinata disse que eu me apaixonaria por você e que em breve estaríamos anunciando o nosso compromisso…

Os olhos da Yamanaka piscaram mais vezes que o necessário enquanto Deidara continuava a encará-la em expectativa. As bochechas dela se tornaram mais rubras ainda, mas ela não tentou se afastar ou pareceu ficar desconfortável com a fala dele, apenas estava surpresa e, novamente, era bom demais para ser verdade.

— Vo-você está me propondo? — perguntou, desacreditada.

— Não necessariamente, hm — respondeu enfim soltando o pulso dela, mas tornando a apertar a cintura feminina. — Você merece mais que um pedido de casamento num acampamento de mineiros, logicamente que farei as coisas da maneira certa se houver alguma possibilidade de que realmente queira se casar comigo, hm.

A boca de Ino tornou a se abrir, ainda descrente demais.

— Você está falando sério? — indagou-o.

— E você acha que eu brincaria com algo do tipo? Ainda mais na situação que estamos agora, hm? — ele rebateu, trazendo-a para mais perto de si para dar ênfase ao que dizia.

Enfim a loira pareceu cair em si, notando a proximidade e o momento íntimo que pareciam estar tendo; se alguém entrasse do nada na tenda de Deidara, logicamente que iria pensar que eram um casal… Na verdade, vários pensavam que já eram um casal, faltava só o compromisso ser anunciando, o que era esperado por muitos.

Novamente, a Yamanaka piscou os olhos diversas vezes antes de ela mesma ser ousada e quebrar o ínfimo espaço que havia entre eles.

— Ah, que se exploda!

A exclamação dela faria Deidara rir, isso se ele não estivesse muito ocupado beijando-a como queria ter feito horas antes de serem interrompidos por Kisame.