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Why Don't I Have A Mommy?

Summary:

Jonathan sempre soube que Erin sabia que não tinha uma mãe, ela apenas não sabia o porquê disso, é um assunto complicado para o jovem pai solo que criou a menina sozinho. Entretanto, ele também sempre soube que uma hora, ela iria questionar o porquê dela não ter uma mãe, mas deixar claro que, ainda sim, ela acima de tudo, era amada.

 

Ordem Paranormal | AU/Interpretação do canon | Erin centric

Notes:

Olá olá, olha eu de novo.

Apenas deixando de aviso que, essa história tem uma continuação que se chama "Your Mother For 5 Minutes" que logo estará no ar após o lançamento dessa história.

Além disso, essa história é mais focada na Erin e seu pai.

Enfim, acho que é isso, boa leitura caro leitor, bjs ;)

Work Text:

O ano era 2005, onde era somente mais uma noite de primavera, o clima era úmido naquela noite, normal para o clima que era ali na Flórida nessa estação, então ainda sim, poderíamos dizer que estava até agradável.

 

Mas o foco não era o clima daquela cidade dos Estados Unidos, não, o foco era mais interessante.

 

Em uma grande casa, num bairro qualquer daquela cidade, havia um homem em sua cama, um grande homem de 1,90 de altura, ruivo de olhos verdes e barba meio mal feita,  ele estava com seu pijama comum, enquanto lia seu livro.

 

Seu nome era Jonathan, Jonathan Parker, esse que estava deitado em sua cama, tranquilo quanto ao ambiente em que se encontrava, lendo seu livro com a pouca luz do abajur a sua esquerda, imerso a palavras muito bem colocadas na língua portuguêsa, nativa do Brasil, o país onde Jonathan nasceu e cresceu boa parte da sua vida.

 

Jonathan estava lendo Dom Casmurro, de Machado de Assis, com o intuito de sanar um mistério que vários leitores tinham perante o livro. Capitu traiu ou não Bentinho? Ele tava relendo para chegar a uma conclusão.

 

Imerso em sua leitura, usando 100% da sua cabeça para desvendar aquela incógnita que assola os dias de hoje, mal notando que a porta de seu quarto foi aberta, empurrada no caso, pois a criança que entrou sorrateiramente no cômodo, ainda nem tinha altura para alcançar a maçaneta direito. Erin era muito pequena ainda.

 

Erin Parker, a pequena criança que Jonathan amava com toda a sua vida, era sua filha e dava para ver isso muito bem, pois ela tinha os mesmos cabelos ruivos que os seus e os mesmos olhos verdes.

 

Jonathan quase levou um susto quando sentiu o colchão da cama afundar um pouco, logo quando foi olhar, deu de cara com sua criança de 5 anos tentando subir na cama, enquanto segurava uma pelúcia de gato.

 

— Erin? — chamou a atenção da garota, olhando para ela com curiosidade — teve um pesadelo? — fechou o livro e se aproximou para pegar a menor e a sentar ao seu lado. Ela pareceu ficar “amoada” com a pergunta.

 

— Não consigo dormir... — murmurou com sua voz fina no teor infantil, fazendo um biquinho fofo que parecia indicar algum pensamento profundo da garota — as vozes não param de falar e falar...

 

— Não consegue parar de pensar? — arqueou a sobrancelha, conhecendo bem sua filha para saber o que ela queria dizer com "as vozes não param de falar”. Erin pensava muito, até demais para uma criança de 5 anos — quer me contar? — se ajeitou na cama, a cobrindo com o cobertor, ela apenas se deitou, mas ficou em silêncio, desviando o olhar do pai. Jonathan estranhou — Erin?

 

Ok, isso era mais uma coisa estranha que fazia Jonathan suspeitar que algo de errado estava acontecendo com Erin, pois normalmente sua filha era alguém bastante energética, ainda mais com ele em casa, e ultimamente, notou que a garota estava mais quieta e menos falante, e isso para Jonathan não era normal. Ele acha que isso vem acontecendo desde o começo do ano escolar de Erin na pré-escola.

 

Olhando mais para Erin, Jonathan notou bem que ela pressionava seus lábios e gesticulava minimamente os dedos, também com sua mão apertava o cobertor que a cobria, além de que, ela ainda não olhava para ele.

 

Ela quer falar algo mas não sabe como falar.

 

— Erin… — suspirou olhando para a sua criança — Estrelinha, o que tá acontecendo com você? — já pergunta direto no assunto, olhando para a mais nova com a testa franzida, mostrando sua preocupação para com Erin, que o olhou por um momento até desviar o olhar novamente.

 

— Não quero ir pra escola amanhã... — falou com sua voz baixa, apertando o gatinho de pelúcia contra si e nem olhando pro pai, sabendo bem que agora seu pai a questionaria sobre. Gostaria que não ser questionada quanto a isso, apenas ouvir um "Tudo bem meu amor, pode faltar o quanto quiser que não tem problema" ainda recebendo um sorriso do mais velho.

 

O sorriso dele confortava ela.

 

— E por que? — arqueou a sobrancelha ainda a olhando, esperando uma resposta — sabe que não pode ficar faltando sempre filha, mesmo se não gostar de estudar.

 

— Eu gosto de estudar — interrompeu o pai, voltando a olhar para ele, mas novamente abaixando seus olhinhos — só não gosto de... — se calou por um momento novamente, tentando achar uma palavra que ela conhecesse que transmitisse o que queria dizer. Não achou. Seu semblante entristeceu — é que... Amanhã a minha sala vai fazer um ensaio...

 

— Ensaio de?... — Erin estava nervosa talvez? Não, Erin gostava de se mostrar um pouco e também, ele não sabia desse tal ensaio, Erin não contou nada a ele. Normalmente ela contava tudo a ele assim que ele chegava do trabalho e ficava tagarelando animada sobre o que aprendeu no dia.

 

Erin ficou em silêncio novamente, pensando e pensando, enquanto isso Jonathan esperava pacientemente por uma resposta.

 

— É… De dia das mães, pai... — ah... Era isso...

 

Céus, como ele era um péssimo pai, como não prestou atenção nisso? Era final de abril, perto de maio e maio era o mês das mães, e como sempre, as escolas começavam a ensaiar com os alunos uma apresentação ou começavam a confeccionar presentes feito a mão para as mães, Erin estava triste, o motivo era bem claro. 

 

A mãe de Erin... Não está mais com eles.

 

Dia 7 de novembro de 1999, data do nascimento de Erin, Emilly Parker, sua esposa veio a falecer no parto de Erin, então desde esse dia que Jonathan cria Erin sozinho, somente ele e ela e algumas babás que ele contrata para tomarem conta de Erin quando ele fica ausente devido ao trabalho. Mas um detalhe que Jonathan anda enrolando para contar para Erin é o porquê dela não ter mãe. Ele nunca se viu preparado para isso.

 

— Papai… — Ela chamou, vendo o Parker mais velho preso em seus pensamentos, mas ainda mantendo seus olhos na garotinha, mas logo ele acordou ao ser chamado.

 

— Ah, er... — se embolou em falar, tentando formular alguma resposta para aquilo, mas precisando também fazer outra pergunta — mas por que quer faltar exatamente? É só o ensaio? — pergunta coçando um pouco sua barba que crescia. Erin fechou um pouco a cara.

 

— Tem uma menina da minha sala que que tinha visto a Ash me buscando na escola e ela perguntou se era a minha mãe, e eu falei que não, mas que ela junto das meninas, cuidavam de mim… — falava mexendo nas orelinhas do gato de pelúcia, com apenas Jonathan ouvindo com atenção, juntando os pontos — aí ela perguntou onde tava a minha mãe e eu falei que eu não tenho... — suspirou e passou sua mão no rosto, respirando fundo — ai hoje falaram que amanhã teria ensaio de dia das mães, ai ela falou alto que… Eu não podia tá junto porque eu não tinha mãe...

 

— Mas é claro que você pode participar, independentemente de ter ou não sua mãe aqui — falou rapidamente, já indignado com o que ouvia. Que tipo de criação essa tal menina tinha para agir dessa forma?

 

Bem, Jonathan deixou logo esse pensamento de lado quando viu que sua rápida fala havia assustado Erin. Provável que havia falado muito alto, Erin não gostava de pessoas falando alto com ela ou próximos a ela.

 

— Oh… Desculpa, Estrelinha… — ele abaixou o tom de voz e suspirou — por favor, continue… 

 

Erin abaixa a cabeça, coisa que fez Jonathan não conseguir ver muito do rosto dela, apenas vagamente.

 

— …Mas aí todo mundo começou a rir... Me senti ruim... — seu rosto começou a  avermelhar e seus olhos pareceram começar a se encher de lágrimas, mas somente a última fala da garotinha fez Jonathan ficar em alerta pelo tom que foi dito. Ele se prontificou em fazer um carinho na cabeça dela e levar sua mão no rostinho de Erin para a fazer olhar para ele. Ele seca as poucas gotas que desceram.

 

— Não precisa se sentir assim meu bem, você não é ruim por isso — falou em compreensão ao que a garota estava sentindo, abraçando seus sentimentos naquele momento, mas Erin não disse mais nada, apenas respirou fundo e se aproximou para abraçar o maior, escondendo seu rosto em seu corpo. 

 

Ela iria começar a chorar e isso partiu o coração do ruivo, que imediatamente abraçou sua filha tentando amparar ela e protegê-la de toda aquela tristeza, mas ele sabia que era inevitável.

 

— Erin, filha, eu tô aqui, tá tudo bem... — dizia tentando acalmar a mais nova.

 

— Papai… — Ela chama com sua voz barganhada pelo choro — Por que eu não tenho mamãe?... — e Erin perguntou de repente, olhando um pouco para o seu pai com os olhos se encharcando em lágrimas.

 

Jonathan não estava preparado pra isso, mesmo que soubesse que esse dia chegaria, não estava preparado para que, com 5 anos sua filha lhe perguntasse isso, mesmo que parecesse tão perto agora desde o início dessa conversa.

 

Olhou em silêncio para sua pequena cópia ruiva, que se encolhia em seu corpo em busca de um calor acolhedor que agora no momento, somente ele poderia dar a ela, isso por ser seu pai... Ele era o pai dela e de certa forma, ela tinha apenas ele ali com ela, isso desde que ela nasceu, era Jonathan e Erin e é isso.

 

Jonathan é o pai de Erin que agora busca por seu carinho, por seu entendimento da situação que ela se encontra, e como pai dela, daria isso, pois ali estava seu maior tesouro precisando de um abraço e claro, de seu amor.

Jonathan suspirou, passando a mão no rosto e olhando para Erin e ficando um pouco mais pensativo, pensando em como contar a ela a triste realidade que era.

 

— Erin... Sua mãe era uma... A pessoa mais maravilhosa que eu já conheci… Você tem muito dela… —  ele não sabia bem como começar a falar sobre aquele assunto, pois assim como não se via preparado para isso, ele nem sequer havia pensado em se preparar para isso, nem começando. Isso seria mais difícil do que ele imaginava… Mas aqueles olhinhos que brilharam para ele quando começou a contar da mãe… Ela sempre ficava assim ao ouvir da mulher… Erin precisa saber — Erin… Você lembra da Dona Penélope que vivia na casa a frente da nossa?... — estava receoso, era nítido em sua voz mas por sorte, Erin, apesar de ser muito esperta, era bem lerdinha pra notar isso, ainda mais criança, mas era óbvio que ele ficaria assim, contaria para sua filhinha sobre a morte e sobre a morte da mãe dela… Céus, aquele momento era tenebroso.

 

Bem, de toda forma, viu a ruiva assentir positivamente, recordando da senhora que antes morava a casa a frente da deles, obviamente, pois vez ou outra era cuidada pela senhora antes de… Antes de Penélope falecer.

 

— Você notou, que ela nunca mais voltou depois que foi ao hospital? — tentava ser calmo nesse momento, indo segurar a mão de Erin um pouco, notando a diferença do tamanho de suas mãos.

 

— Sim, mas o que ela tem com a minha mamãe? — perguntou ainda não entendendo o que o pai queria dizer ou a analogia que ele usava para explicar sobre a ausência materna que sofria. 

 

— Bem… Chega um momento em que nosso tempo aqui na terra acaba… De todas as maneiras, nosso tempo pode acabar de repente — voltou a olhar a criança, vendo que ela prestava atenção no que ele falava — olha… A Dona Penélope já estava em uma idade que ela ficava bem frágil e infelizmente ela veio a ficar doente —  ouviu um “Uhum” vindo da menina. Continuou, mesmo se sentindo tenso — essa doença somente… Prolongou para que o tempo dela acabasse aqui… Ela não está mais entre nós — estava indo bem? Não sabia, ainda era um pai de primeira viagem e essas etapas era tudo novo para ele, e no momento, não poderia ligar para seus pais pois eles estariam dormindo no momento e isso já estava acontecendo, foi meio que pego desprevenido, então simplesmente não dava.

 

— Ah… — foi a reação inicial da criança que abaixou o olhar, digerindo a nova coisa que aprendeu e registrando em sua mente — então ela não volta mais? — perguntou como quem apenas pedisse uma confirmação de uma teoria que nasceu na cabeça.

 

— Sim, ela não volta mais… — respondeu, confirmando o que a garotinha pensava, vendo ela voltando a olhar para si.

 

— Como a mamãe… — constatou, apertando a mão do mais velho naquele momento, sentindo um sentimento de angústia dentro de si mesma no momento — mas pai… Por que ela não volta mais? A mamãe… Eu queria poder ver ela… Eu sinto a falta dela…

 

Não só ela sentiu um sentimento de angústia no momento, Jonathan também, com um aperto em seu peito com a fala de sua pequena filha. Ele também sentia muita a falta de Emilly.

 

— Eu também… — suspirou profundamente e fechou os olhos por um momento até abri-los novamente — eu também sinto muito a falta dela… 

 

Silêncio, tristeza e questionamentos ainda pendentes, foi isso que ficou naquele momento, onde o único som era de suas respirações e por um momento, Jonathan se sentiu um incapaz, mesmo que ele soubesse que não era culpa dele, pois ele também sentia a falta da esposa e que falar sobre aquilo sempre foi uma incógnita para ele, deveria ser ele a contar a sua filha, a filha deles.

 

“Oh Emilly, me dê um norte…” Pediu mentalmente, olhando pro teto por um momento, desejando que sua falecida esposa o ouvisse naquele momento tão desafiador para si. Mas, no momento em que os olhos de Erin se viraram para si, e os olhando, como sempre, em sua visão, pode ver estrelinhas nos olhos verdes como os seus da criança, que ainda parecia estar o questionando sobre várias coisas mas que ela tinha receio em falar o que pensava. Provavelmente ainda era sobre a sua mãe… Teve uma ideia.

 

— Vem aqui, quer ver as estrelas comigo? — perguntou enquanto se levantava da cama, deixando a pequena Parker confusa e curiosa quanto a o que o pai queria fazer.

 

— Por que ver as estrelas? — perguntou inocente, tirando o cobertor de cima de si para poder descer da cama, ainda apertando o gatinho contra seu corpo.

 

— Vamos ver sua mãe — falou pegando um casaco, vestindo ele enquanto se virava para ver sua filha, que adquiriu um brilho diferente nos olhos, apertando mais a pelúcia contra ela e um pequeno sorriso nasceu. Lá estava sua filha, animada como era e sempre foi — vai pegar um casaco vai — e sorriu de volta para a pequena, que deu uma risadinha e correu para ir até seu quarto.

 

Agora sim, agora sabia como ter aquela conversa.

 

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Já estava fora de casa, no quintal de trás onde tinha uma casinha de madeira e um balanço onde Erin vivia brincando, também havia uma piscina mediana ali, com uma área rasa e outra mais funda, com o seu redor feito de azulejos brancos que fazia estradinha até a varanda da casa, de resto, tudo era grama, terra e pedra. Erin amava aquele quintal.

 

— Erin… — chamou a pequena em seu colo, indo se sentar em uma espreguiçadeira ainda com ela em seu braço, olhando o céu com algumas estrelas visíveis de onde eles estavam — olhe as estrelas filha, lá no céu, elas são como… Almas.

 

— O que são almas papai? — perguntou o interrompendo um pouco por não entender aquela parte da fala do pai, que riu um pouco.

 

— São as estrelas, filha, todas as que conseguimos ver, são as almas de cada pessoa nessa terra — falou a olhando, até voltar a olhar o céu. Erin apenas seguiu seu olhar — nossas almas também são estrelas — ajeitou a garota em seu colo — a alma de sua mãe também foi uma.

 

— …A da mamãe?… — olhou pro pai, curiosa — o que aconteceu com a estrela da mamãe? Ela também foi embora do céu? — perguntava com sua inocência de criança.

 

— Não exatamente, digamos que ela… Explodiu — fez um gesto com sua mão, para simular uma explosão. Ao ouvir isso, Erin demonstrou um interesse em ouvir mais sobre,e isso fez Jonathan sorrir um pouco mais — sabe o que são supernovas?

 

—... Eu? — perguntou levando pro literal.

 

— Não, ainda não é você Estrelinha — diz brincando com ela, fazendo um pouco de cócegas na barriguinha que ela tinha, a fazendo dar uma risada gostosa de se ouvir, o que amenizou o frio na barriga que Jonathan sentiu. Ainda não seria ela — supernovas são o fim de uma estrela, de nossas almas, que explodem quando vamos embora e não voltamos mais, mas no céu, fazemos nosso show, deixamos nossa presença em uma explosão que se alastra pelo espaço, deixando luz e se espalhando por todo o lugar — explicou de forma carinhosa e cuidadosa, respirando fundo e voltando a olhar pro céu — filha, quando você nasceu, foi dia mais feliz de nossas vidas, pois ganhamos você — diz fazendo um carinho na menor, que sabia que ela estava com um sorriso bobo no rosto, mas Jonathan agora chegou na parte mais dolorosa do assunto. Olhava pro céu para pedir forças a sua amada. Chegou a hora — mas para você nascer, ela deu tudo de si… Corpo, sangue e alma… — silêncio…

 

Bem, esse silêncio apenas confirmou algo para Jonathan. Erin entendeu, dava para ver isso quando o brilho nos olhos dela sumiram e suas pupilas reduziram, e tudo o que ele pôde fazer foi abraçar sua filha, prontamente a consolando de qualquer choro iminente que viria ali. Erin era uma criança esperta, mesmo que lerdinha e avoada, ela sabe bem entender certas coisas.

 

— Erin meu amor, não é sua culpa… — falou assim que ouviu o primeiro soluço de Erin, o que o fez abraçar mais ela.

 

— Ma-mas eu- 

 

— Shhhh, você não fez nada de errado, filha — falou na tentativa de tranquilizar sua filha naquele momento sensível, fazendo um carinho em seu cabelo. A menor nada disse, não quando estava em meio ao choro e escondendo o rosto na roupa de seu pai, a molhando com suas lágrimas — antes dela… Explodir… Ela disse que estava feliz em te conhecer, mesmo que você não se lembre, pois era bebezinha ainda, eu lembro, e lembro bem dela sorrindo pra você, dela dizendo que te ama e que sempre vai estar com a gente… — falava tentando ainda acalmar a criança, mexendo em seu cabelo e agora fazendo carinho em seu rostinho quando o fez aparecer para si. estava vermelho e ainda com as lágrimas de sua filhinha rolando pelo seu rostinho delicado. Novamente, isso partiu o coração de Jonathan — tá tudo bem filha, tá tudo bem…

 

— Mas ela… — fungou pelo choro — não tá mais aqui… Papai… — e parece que quanto mais falava, mais chorava, em seu interior, sentindo um aperto em seu peito, foi por isso que pôs sua mão no local enquanto respirava, sendo sua calma o abraço de seu pai, onde chorava, ainda se sentindo ruim. Culpa? — desculpa…

 

— Não, Erin, — levou sua mão até a da filha e a segurou — você não fez nada de errado, filha, não é sua culpa — diz novamente, olhando preocupado a ruiva que se encolhia um pouco mais. 

 

Erin estava agora enfrentando a dor do saber, ter em mente algo doloroso, que dói mais ainda em uma simples criança de 5 anos.

 

Culpa… 

 

Agora Jonathan não sabia o que fazer além de abraçar Erin, trazer ela pro seu colo e continuar a amparando, dando aconchego e calor para que a pequena tenha um lugar seguro para chorar, e esse lugar seria ele.

 

Ele pensava no que falar a ela em seguida quando se acalmasse, pensava em como agir, no daqui para frente, enquanto agora acariciava o grande e belo cabelo de Erin, que apenas tinha a mesma cor do seu, pois todo o restante era de Emilly, assim como o formato dos olhos de Erin eram de Emilly, o jeito de chorar, as sardas, a energia, a personalidade, tudo, tudo era de Emilly… Emilly quando estava daquela maneira, apenas precisava de alguém ao seu lado…

 

Era isso.

 

— Eu não terminei a explicação… —  murmura e suspirou, não parando de fazer aquele carinho em sua filha ainda chorosa, que soltou um “Hm?” ao ouvir a frase do pai, e isso mostrava um pouco de sua curiosidade quanto ao restante da explicação do que são supernovas. Isso também era de Emilly — lembra que eu disse que após explodir, as supernovas se espalham pelo espaço? — esperou uma resposta da mais nova, que assentiu ainda com o rosto escondido no casaco dele — isso não quer dizer que a elas se vão completamente… Digo… Sua mãe nos vê, lá do céu — ele tentou e sentiu que conseguiu, ela o olhou confusa mas ainda chorando 

 

— E como sabe disso?... A gente não vê ela… — falava com sua voz fraca, fungando e olhando Jonathan com dúvida. Essa de primeira ele soube responder.

 

— Eu não vejo… Mas eu sinto ela — falou pensando um pouco, agora observando o gramado e depois o céu — existe algumas vezes… Que eu penso tanto nela, que eu sinto ela me olhando, lá de longe, mas cuidando de mim e de você com os olhos…

 

— Ela cuida de mim? Como você sabe disso? — perguntou passando sua mão por sua bochecha, seguindo o olhar do pai para o céu novamente.

 

— Porque ela te ama filha… — disse sem a olhar, tendo seus olhos vidrados no céu, olhando as estrelas e por um momento, vendo o sorriso meigo de sua amada — porque ela é sua mãe, e te ama mais que tudo e mesmo não estando mais aqui, ela está lá em cima, brilhando no espaço cuidado de você do alto… — ele sorriu com a visão, mesmo que fosse falso e fruto de sua mente, nada era mais belo do que o sorriso de Emilly. Ele a sentia — ela está nos olhando…

 

E de repente, tudo pareceu ficar mais leve e Erin estava mais calma, mesmo ainda respirando fundo, não estava mais tão nervosa. Olhava o céu, a procura inocente de sua mãe, a imagem dela, mas ela estava lá não é?...

 

— Oi mãe… — murmura retraída, fazendo um carinho no gato de pelúcia. Jonathan ouviu curioso, a olhando com atenção — eu sou… A Erin… Mas você sabe disso, eu gosto de gatos… Desenhar… Coisas brilhantes e o fogo da lareira é bonito… Eu acho isso… — abaixou seus olhos, tímida, apertando a base de seu casaco. Jonathan não pode deixar de sorrir, entre uma mistura de carinho e tristeza com a cena. Tristemente fofo — eu só não gosto muito de ir pra escola… — inflou as bochechas e bufou — não gosto dos meus amigos mas não gosto de chamar eles assim, eles não agem como os meus amigos, eles me incomodam… — bufou, cruzando os braços. Jonathan ficou atento com aquela informação. Os colegas de Erin a incomodavam? Como?

 

— Não gosta de ninguém Erin? — pergunta olhando pra filha naquele momento e ela o olhou de volta

 

— Gosto do Isaac — respondeu seu pai fazendo um biquinho fofo. Jonathan riu — ele me ajuda bastante e eu ajudo ele, ele é engraçado e fofo — agora foi a vez de Erin rir ao lembrar do amigo.

 

Seu até então, único amigo.

 

Jonathan suspira, passando a mão no rosto com uma leve angústia mas alívio. Angústia por Erin estar próxima de um garoto, mas alívio por ser um amigo, mas não deveria ver nenhuma maldade nisso, eram apenas crianças de toda forma.

 

Erin nunca havia falado até aquele momento que tinha um amigo, não até onde ele se lembrava…

 

Talvez ele devesse passar mais tempo com Erin…

 

— Que bom filha, fico feliz — falou Jonathan dando um sorriso mas caloroso para a ruiva, olhando ela olhar pra ele e sorrir e depois olhar pro céu — ele te faz bem? — pergunta não contendo a vontade.

 

— Sim, por isso é meu amigo — ela responde sorrindo de sua maneira inocente, Jonathan só respirou fundo, mas logo foi prestando atenção em Erin, que logo começou a bocejar e a coçar os olhos.

 

— Acho que alguém está com sono — ele ainda com seu sorriso, leva sua mão para o rostinho macio da filha, apenas acariciando o rosto dela com seus dedos — vamos entrando, okay?

 

— Mas… E a mamãe? — o olhar de Erin era quase, quase aflito — ela vai ficar sozinha…

 

— Ela não vai… — continuou o carinho — ela tem amigos brilhantes lá em cima, além disso, mesmo se a gente dormir, ela vai estar sempre com a gente — ele garante a sua maneira de falar com a filha, andando de volta para dentro de casa enquanto botava Erin para deitar a cabeça em seu ombro.

 

— A mamãe pode dormir comigo? — Erin ainda estava tentando resistir ao sono — eu quero ficar com a mamãe…

 

— Eu sei, eu sei… — ele suspirou, fazendo batidinha nas costas da filha, na intenção de fazer ela relaxar, enquanto se virava e começava a andar de volta para casa, já com a criança sonolenta — e claro, ela pode dormir com você sim filha.

 

Erin, por sua vez, responde dando murmúrio enquanto coçava seus olhos, ainda tentando se manter acordada.

 

— …Do que a mamãe gostava? — de repente Erin pergunta, Jonathan olha para a filha enquanto tranca a porta para o quintal.

 

— Ela gostava das estrelas… — sorriu um pouco — ela amava estudar sobre as coisas além do céu — era a memória da esposa que o fazia sorrir, ele tinha em sua mente a imagem viva de Emilly, cada detalhe dela decorado. Ele estava passando pela sala — ela passava horas e horas estudando sobre o espaço e o que havia nele… 

 

— … Qual era a estrela favorita dela? — Jonathan pode notar o tom baixo que sua filha usou, indicando o sono contra quem ela lutava. Jonathan sabia que ela perderia essa luta.

 

— Uma chamada Sirius, que se eu não me engano, é a mais brilhante do céu — e Jonathan coça sua barba — ela também gostava de um planeta chamado Gaia, ele é rosa também — começou a subir as escadas da casa a caminho do quarto de Erin.

 

— Eu gosto de rosa… — contou num bocejo — ela também gostava?

 

— Ah, ela amava verde e azul, os mais clarinhos — voltou a fazer carinho nas costas de Erin — mas ela sempre gostou de todas as cores do arco-íris, como amarelo também.

— Eu também gosto de verde claro… É a cor do nosso olho — Jonathan solta uma leve risadinha, abrindo a porta do quarto de Erin.

 

Era um quarto até que espaçoso, as paredes tinham a cor amarelo mostarda, havia algumas estrelas coloridas no teto que davam uma iluminação bem leve para o quarto para Erin que naquela idade, estava desenvolvendo medo de escuro e segundo ela “tem aranhas feias no escuro”. De qualquer forma, era um quarto de criança normal, com prateleiras com brinquedos, o armário da garota e sua cama, que também estava cheia de brinquedos.

 

— É sim, ela também tinha olhos verdes — o ruivo caminha até a cama de sua filha, pegando a pelúcia do gato que quase caiu da mão de Erin.

 

— Eu sei, papai mostrou uma foto da mamãe uma vez — quando ela fala isso, Jonathan coloca Erin na cama, ela mesma se ajeita na cama enquanto Jonathan se sentava no chão ao lado da cama. Erin já estava cobrindo seu gato de pelúcia — mamãe é bonita…

 

— Você puxou muita coisa dela… — falou num bocejo enquanto encostava na parede.

 

— Hm? — Erin olha para seu pai, ela não havia entendido o que ele havia dito.

 

— Você tem muita coisa dela — Jonathan a olha — suas sardinhas você puxou dela… — e levou a mão até as bochechas dela, ela sorri um pouco corando envergonhada e sentida.

 

Erin se deita finalmente, apenas olhando para Jonathan até começar a olhar para os cantos do quarto. Ela estava com alguma dúvida a qual não sabia perguntar ao pai.

— Pode perguntar filha — Jonathan mesmo distante de casa grande maioria das vezes, conseguia vez ou outra ler sua filha, isso pelas manias que ela estava adquirindo de sua mãe.

 

— Hm?... — olha para seu pai em dúvida, olhando para todos os cantos, chorando e sentindo o rosto quente, mas aí ela suspira e olha novamente para Jonathan.

 

— …Você… Vai encontrar uma outra mãe? — Erin era apenas uma criança, Jonathan entendia muito bem que aquilo vinha da falta, da saudade e do sentimento de tristeza, provavelmente do acontecimento que ela veio a contar mais cedo.

 

Mas ele não pode não ficar surpreso com aquela pergunta, mas ele apenas sorri novamente, com um olhar de empatia para com sua filha, ele se aproxima dela e beija sua cabeça, ele a abraça.

 

— Eu não quero outra… — diz Jonathan com seu sorriso, suspirando — sua mãe, foi a única mulher para mim… — abaixou o olhar ainda no abraço com sua filha, que apenas permitiu o contato — ela era o amor da minha vida… — olhando um pouco para Erin, pode notar o sorriso dela e pode ver levemente as bochechas dela começarem a ficar rosadas. Ele pensa um pouco no que falar em seguida naquele momento. Suspirou novamente — mas com o amor, vem a perda filha… Faz parte da vida… — ele olha um pouco pro teto — as vezes dói, mas no fim… — volta a olhar para sua filha que olhava para ele com atenção — tudo vale a pena… — ele continua a sorrir, levando seus dedos para o cabelo da garotinha e mexeu em uma de suas mechas para trás de sua orelha. Só ai, ele finalmente disse — não existe dom maior do que o amor…

 

Erin poderia ter seus 5 anos naquela epoca, ela poderia não ter vivido o suficiente para saber do que seu pai falava, mas desde aquele momento, ela todos os dias, tinha a memória daquele sorriso que seu pai havia dado a ela, das palavras dele, dos ensinamentos dele naquela noite, do amor que ele deu a ela durante toda sua vida. O coraçãozinho de Erin nunca se esqueceria do calor do amor de seu pai, cujo esse era seu maior dom, o qual ele também veio a passar para ela.

 

O dom do amar incondicionalmente uma pessoa.

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Fim…