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Sempre achei que a vida fosse previsível. Acordar, ir para a escola, voltar para casa, estudar um pouco e dormir. Era um ciclo constante, sem grandes emoções, sem surpresas. Talvez fosse por isso que eu não esperava muito quando comecei o segundo ano do ensino médio. Mais uma escola, mais um lugar para tentar me encaixar, ainda que nunca realmente me sentisse parte de nada.
A primeira vez que vi Bakugou Katsuki foi numa tarde qualquer, durante o intervalo das aulas. Eu estava sentado num canto do pátio, tentando me concentrar em um livro de literatura, mas minha mente divagava como de costume. Ao longe, ouvi o som de risadas e passos pesados. Quando levantei o olhar, lá estava ele, o centro das atenções, como sempre. Ele ria alto, com aquela confiança arrogante que parecia irritar todo mundo, mas que, de alguma forma, me intrigava.
Eu sabia quem ele era, é claro. Todos sabiam. Bakugou era o tipo de pessoa que atraía olhares, seja por sua personalidade explosiva ou por sua habilidade natural em tudo o que fazia. Ele não era apenas popular; era admirado, temido e, de certa forma, invejado por muitos. Eu, por outro lado, preferia passar despercebido. Não era um problema para mim. Pelo menos, era o que eu dizia a mim mesmo.
Naquele dia, porém, algo foi diferente. Ele notou minha presença. Seus olhos, que normalmente brilhavam com uma intensidade feroz, fixaram-se em mim por alguns segundos, longos o suficiente para que eu sentisse um frio na espinha. Não era medo. Era algo que eu não conseguia identificar na hora, algo que me deixava desconfortável, mas ao mesmo tempo, estranhamente curioso.
O tempo passou, e aquele olhar se repetiu outras vezes. Na sala de aula, no corredor, durante a prática de esportes. Sempre o mesmo olhar penetrante, como se ele estivesse tentando me decifrar, tentando entender o que eu escondia por trás da minha expressão calma e indiferente. Não demorou muito para que ele se aproximasse de mim pela primeira vez.
Foi uma interação simples, quase banal. Ele perguntou algo sobre a aula de matemática, uma dúvida que eu sabia que ele não tinha, porque Bakugou não era o tipo de aluno que precisava de ajuda com os estudos. Mas eu respondi, sem hesitar, mantendo o tom neutro que sempre usava. Ele sorriu, um sorriso que parecia mais uma provocação do que um gesto de simpatia, e foi embora, como se nada tivesse acontecido. Mas algo aconteceu. Algo que mudaria tudo.
Eu não sabia na época, mas aquele foi o começo de algo que eu jamais poderia prever. Algo que começou com olhares furtivos e palavras trocadas ao acaso, mas que logo se transformaria em algo muito mais profundo. Algo que me faria questionar tudo o que eu pensava saber sobre mim mesmo e sobre o que eu queria para o futuro.
