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Havia uma sensação incomum serpenteando em meu estômago, pronta para pular da minha boca e devorar o que houver pelo meu caminho. Os meus orbes heterocromáticos contemplavam o oceano, sendo preenchido por pontos únicos, de tons e tamanhos variados.
As consciências dos corpos celestes eram quebradas pelo impacto das ondas espumosas, mas bastasse o simples contato dos meus dedos na água — que tanto buscava um conhecimento e entretenimento específico; que, neste instante, só os pensamentos alheios de cada estrela neste alto-mar poderia proporcionar a distração que almejava — que, imediatamente, elas seriam desfeitas.
Tudo isso era para evitar pensar no duro tempo que passei te esperando.
Contei os minutos que, logo, tornaram-se décadas de espera. O único encorajamento que restou — e que continuou a me conduzir por toda essa trilha andada — foi você. Cada lembrança e promessa do passado era um sentimento ardente e vivido no meu coração. E era como uma esperança ou, talvez, um bilhete que tinha sido deixado para mim, para que eu não me esquecesse da razão da demora. O tempo fora contra nós, mas nunca me importei com ele e nem com os obstáculos que o universo colocara na viagem; pois eu continuaria a desejar seus abraços, suas conversas interessantes, seus lábios e sua beleza etérea.
Neste exato momento, queria poder te dizer o quão fascinante era seu rosto, que fora esculpido por mãos carinhosas e talentosas, feito para ser admirado e amado. Não existiu, ou sequer existirá, uma lua neste sistema solar que rivalize com você ou com sua beleza estonteante. Nem se juntasse todos os satélites existentes em Saturno — que me lembro de pouco dos seus nomes mundanos —, esses tolos sonhadores nunca se igualariam à sua presença elegante. Essa vitória ficaria somente em suas mãos, a qual eu estaria doido para segurar e salpicar beijos por toda sua pele, ou encaixar no seu dedo o belo anel dourado que fiz.
Sua voz era como uma canção, que confortava minha existência bagunçada e, naturalmente, caótica perto de você. Sua risada era tanto o motivo dos meus sorrisos bobos, como também era o porquê daquelas borboletas malditas estarem voando impiedosamente na minha barriga.
Quando o barco de papel batesse na terra de ninguém, quem fosse admirar os céus no telescópio veria um encontro raro de dois amantes. Um fenômeno que foi consequência do nosso amor honesto e duradouro. Um perfeito eclipse. Portanto, irei te esperar neste percurso obscuro e misterioso da vida, Elder Faerie.
