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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2025-06-17
Words:
1,891
Chapters:
1/1
Kudos:
6
Hits:
158

Não tem dia, não tem hora

Summary:

Chris estava mais uma vez sendo escravizado pela faculdade, quando Clarisse, a garota que ele jurou nunca mais olhar na cara, aparece na sua porta pedindo por uma conversa.

Notes:

Escrevi essa lá em 2021, me surpreende ela ser boa, eu era tão obcecada por chrisse naquela época haha.

Boa leitura 😁🤍

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Chris estava fazendo uma das várias atividades cansativas da faculdade.

Hoje o dia foi bastante cansativo para ele. Não tem como um estágio em um escritório de advocacia ser mais monótono, trabalhado e mais trabalhado, o dia inteiro tendo que aguentar aqueles esnobes que não gostam de pobre.

E ainda tinha a faculdade. Ter que fazer milhares de lições nas duas horas restantes do dia só deixava o garoto ainda mais cansado.

Chris bebeu de seu vinho e voltou a atenção para sua redação sobre direitos humanos.

Já passando das onze quando duas batidas na porta de entrada ressoou pelo pequeno apartamento do jovem adulto. A estranheza passou pelo corpo do rapaz, aliás, já era muito tarde para visitas e era de costume o porteiro avisar antes de mandar subir.

Uma pitada de medo surgiu, ele não morava em um bairro muito bom e havia alguns índices de furtos em prédios próximos ao dele.

Chris reagiu, não ia ficar ali sentado esperando ser roubado. Bebeu o restante do vinho que reservou na taça, ou que lhe deu uma dose extra de coragem. Segurou com força a iluminação de ferro que estava sob a mesa e se dirigiu até a porta em passos silenciosos.

Quando olhei pelo olho mágico respirou fundo. Ele prefere enxergar um ladrão ao invés dela.

Ainda com a flexibilidade na mão, ele abriu a porta com a cara fechada.

— O que você está fazendo aqui? — o garoto perguntou com a voz seca, tentando não olhar a garota nos olhos, aqueles olhos que já o convenceram a fazer tantas besteiras.

— Eu... — sua voz falhou. Clarisse simplesmente travou.

É sempre assim, nunca muda. Ela sente saudades e vai atrás dele. Ele ama ela do fundo do seu coração, mas ela só procura ele quando está carente. É isso que ele pensa.

A garota deu um passo a frente tentando tocar seu rosto, mas o jovem deu um para trás e contínuo não olhando nos olhos dela.

Silêncio. Nada foi escutado além da televisão no volume máximo do vizinho incoveniente. O silêncio foi muito incômodo para ambos os presentes.

— Bem, se você não vai dizer nada, é melhor ir embora. — ele estava fechando a porta, mas ela colocou o braço na frente.

— Eu quero apenas conversar.

— Clarisse... – suspirou. — é sempre assim, e pra mim já deu. Tudo o que eu peço é que você me deixe em paz.

— E tudo que eu peço é uma conversa... — e enfim o garoto olhou para a sua perdição, aqueles olhos cor de avelã eram insanos demais para uma garota tão... normal. Ele não conseguiu resistir, abriu espaço e deixou-a entrar.

A relação dos dois era, resumida em uma palavra, complicada. Se conheceram no ensino médio, e logo de cara perceberam que tinham uma química juntos. Ficaram algumas vezes e depois de um tempo começaram a namorar.

Mas logo no começo já veio as brigas. Eles eram opostos. Clarisse era uma garota briguenta e mimada, gostava que tudo fosse do jeito dela e julgava aqueles que não concordavam. E Chris era um garoto bondoso e empenhado, sempre gostou de ajudar os outros e nunca deixou de ser justo com ninguém.

Eles estavam pensando, realmente pensando. Mas o relacionamento se resumiu às brigas geradas por bobeiras, o garoto disse algo ruim, ela algo pior ainda. Ficavam sem se falar por algumas horas e depois apareciam se beijando de novo.

Isso era desgastante. E um dia eles brigaram, brigaram muito feio. Passaram a formatura ignorando um ao outro.

Clarisse foi fazer faculdade na França. Ela foi embora sem ao menos se despedir. Isso deixou Chris muito abalado na época. Eles tiveram momentos vívidos muito bons e ela mesmo assim foi embora sem nem falar um "a" para ele.

A garota sempre fora muito orgulhosa e ruim com as palavras, nunca achou que ele ficaria tão ressentido por ela ter ido embora sem falar com ele. Ela não queria fazer isso, mas teve medo de ir atrás do garoto e foi tratada como um nada.

Clarisse voltou a quase um ano. E quando se reencontraram, era como se o tempo não tivesse passado. Era como se eles ainda estivessem estudando no ensino médio e brigados por uma bobeira qualquer e agora estavam voltando finalmente um para o outro. Mas agora era diferente, não tinha passado apenas algumas horas, havia passado quatro anos.

A relação afetiva continuava. Chris queria voltar a ter um relacionamento com ela, mas Clarisse estava com medo. Com medo de ser igual era antes.

Mas por mais que não parecesse, o tempo passou. E o casal amadureceu, eles não eram mais adolescentes. Clarisse agora sabia que na vida nem tudo ia ser do jeito dela. E Chris já não tentou deixar tudo em seu devido lugar.

O fato era: ambos queriam ficar juntos. Ele tentou, tentou até demais. E ela estava com medo, por mais que quisesse ficar com ele a garota não conseguia, seu cérebro insistia em arrumar problemas ou inseguranças.

Então para não ficar muito tempo com a pessoa que ama, ela passa algumas noites com ele. Mas isso não era o suficiente, Chris concluiu que a menina só estava brincando com seus sentimentos. Era uma ação justa a dele, já que a garota só o procurava de noite, eles conversavam um pouco, iam pra cama e quando amanhecia o menino encontrou um bilhete escrito a mão dizendo "ainda não é a hora certa".

Mas Clarisse pretendia mudar tudo hoje. Ela queria encerrar esse ciclo vicioso, queria finalmente consertar as coisas, quebrar a barreira que sua mente criou.

Chris serviu outra taça e entregou-a para a morena que estava sentada na ponta oposta a dele do sofá de três lugares. Clarisse girou a taça na boca e bebeu o líquido em apenas um gole. Se declarar para alguém nunca fora o seu forte e uma dose de coragem faria diferença.

A garota estava começando a ficar nervosa, poucas vezes isso acontecia. Chris mantinha o olhar fixo em seu próprio copo, parecia interessado até demais em como aquele vidro foi feito. Clarisse deu um meio sorriso, ela tinha consciência de que fazia um efeito desejado no homem hispânico.

A morena encarou a mesa de centro, estava empanturrada de livros e papéis soltos. A única coisa que consegui ler foi "a associação da história antiga nas leis da atualidade".

— Como é que você não dorme nessas aulas? — disse descontraída, tentando ganhar um tempo para organizar seus pensamentos.

— Eu gosto de estudar sobre isso. — suspirou. — Tem como você chegar logo no ponto principal, eu tenho muito o que fazer, como você pode ver! — e indicado para a mesa.

A garota estava torcendo para que não fosse tarde demais. O jeito como ele estava tratando...

Ela respondeu o que estava em sua cabeça havia muito tempo. Não queria começar assim, mas as palavras praticamente pularam da sua boca.

— Eu te amo.

O tempo pareceu parar. O plano de ignorar a garota foi por água abaixo. Chris ficou sem fato, nem mesmo anos atrás, quando ainda namoravam, ela chegou a dizer isso.

A morena se mudou, sentada ao lado do garoto agora conseguia sentir aquele cheiro tão bom de seu perfume especial, uma mistura estranha de hortelã e canela que chegava a enfeitiçar qualquer pessoa que chegasse por perto. E foi por causa desse cheiro que ela se sentia ainda mais atraída por ele. Clarisse colocou uma de suas mãos no rosto do rapaz, fazendo um carinho delicado e forçando-o a olhar-la, pela segunda vez na noite, nos olhos. O hispânico estava certo em não querer olhar para eles, eles eram tão sedutores, estava totalmente rendido a ela só por causa daquele olhar. Mas hoje tinha algo a mais, ver o jovem-adulto, eles tinham mais emoção, sinceridade e confusão estampados naquela escuridão marrom.

— Eu não consigo ficar longe de você, nem mesmo por um segundo. Sempre que estou perdida, eu me acho em você. Eu demorei um tempo para perceber que você era o meu porto seguro. — ela sorriu de lado e se mudou mais do homem. — Eu te amo Chris Rodriguez e não consigo imaginar a minha vida sem você. — e finalmente beijou o garoto, um beijo tão quente e aconchegante que deixou claro o quanto ela estava certa de sua decisão.

Chris aproveitou o momento. As palavras proferidas pela menor fez seu coração disparar. Finalmente aquilo estava acontecendo, ele esperava tanto tempo por isso. Mas porque no fundo da sua cabeça uma voz estava gritando: "não caia nessa ladainha de novo"?

As coisas começaram a esquentar muito rápido, isso era normal para o casal. Automaticamente Chris suspendeu Clarisse para o seu colo. O beijo calmo se transformou em algo mais íntimo, mais sedutor.

O garoto estava gostando, mas a voz na sua cabeça agora gritava com ele. Abruptamente se separou da garota.

— O que foi? — Perguntou Clarisse ofegante, tentando recuperar o ar que lhe foi tirado.

Chris pensou que não iria falar, simplesmente queria dizer: "Não sei, talvez seja o fato de você já ter me usado muitas vezes". Mas ele tinha noção de suas palavras, e sabia que isso a machucaria. Organizou os pensamentos e disse:

— Não é tudo um jogo, né? Eu não quero mais esse relacionamento onde nós apenas transamos e ponto. Eu realmente quero você na minha vida, alguém para chamar de minha. Mas se isso por apenas mais um joguinho sujo para me levar para a cama...

— Chris, você prestou atenção nas minhas palavras? Acha mesmo que isso tudo é um jogo? — A morena declarada uma sombrancelha. Ele não respondeu, estava apreensivo. Por mais que não quisesse admitir, isso parecia um jogo. — Eu entendo as suas inseguranças. — suspirou, passando as mãos ao redor do pescoço do maior. Se mudou mais uma vez e levando os lábios até a orelha direita do outro, sussurrou. — E eu prometo para você, serei sua até o fim dos meus dias, porque eu te amo.

E ali Chris jogou as suas dúvidas para o ar. Ele amava demais essa garota, e também esperava passar o resto da vida com ela. O homem decidiu confiar nela, confiar em sua promessa. Ele esperou tanto tempo por isso. Chris teve algumas namoradas depois que Clarisse "sumiu" sem dar nenhuma explicação a ele, mas nenhuma garota era igual a sua garota. Nenhuma o fez sentir o que ela fazia ele sentir. Ele se sentiu como se tivesse tido asas, como se pudesse voar, ser livre, livre com ela.

— Eu te amo. — ele falou. — EU TE AMO. — repetiu com fervor voltando a beijá-la.

Chris falou com Clarisse em seu colo. O clima estava quente, os corpos estavam suados e eles ainda não tinham feito nada. No caminho até o quarto, a morena faz uma trilha de beijos sedentos do pescoço até um certo ponto atrás da orelha de Chris, onde sabia ser um dos seus pontos fracos.

Chris não se segurou, sua garota sabia muito bem como o provocar. Parou ali mesmo no corredor e prensou-a na parede. Clarisse gemeu com o repentino ato, o garoto a beijou com vontade, suas línguas faziam uma dança constante e ritmizada. Chris agarrou os cabelos da nuca dela, fazendo-a soltar mais um gemido alto.

— Repete aquilo de novo... — e desceu mais os lábios, beijando o ombro da garota. — que você é minha!

Ela soltou uma risada sensual.

— Eu sou sua. — respondeu ofegante. — Apenas sua.

Notes:

Espero que tenham gostado, aberta para ler a opinião de vocês nos comentários 😁🤍

fanfic também disponível no wattpad: @/levesquee_