Chapter Text
A história normal de One Piece começou quando Monkey D. Luffy deixou a Vila Fusha no East Blue, dentro de um barquinho, no dia Primeiro de fevereiro, 22 anos depois da morte de Gold Roger em Logue Town. Mas a nossa história modificada de One Piece, se passa em uma linha do tempo diferente que só começou a realmente divergir da linha do tempo normal do mangá no dia 11 de março do mesmo ano, quando Luffy e sua tripulação: Roronoa Zoro, Nami, Usopp, Sanji, Chopper e Nico Robin estavam na Ilha do Céu, Skypiea. E nossa história começa a divergir por causa desse personagem chamado Wiper.
Por favor, percebam que o dia anterior já havia sido um dos dias mais intensos da vida de Wiper, graças a Luffy. Ele se viu igualado em força por um forasteiro de quem nunca ouviu falar. Ele descobriu que esse forasteiro queria tocar o sino de ouro para trazer paz aos descendentes de Norland. Ele viu esse forasteiro vencer Enel em combate e expulsar o tirano do Upper Yard, e de noite, ele viu esse forasteiro unir shandias e o povo do céu em uma festa na fogueira, celebrando o fim de uma guerra que durou 400 anos. Certamente 24h impactantes na vida do guerreiro.
Mas o dia seguinte seria ainda mais chocante, mesmo que não fosse um dia em que Wiper quase morreu. Na manhã seguinte à festa, Wiper com certa dificuldade em andar, foi até o sino de ouro, que os shandias e o povo do céu juntos estavam retirando das nuvens onde estava afundado. Juntos. Wiper ia demorar para se acostumar com isso. Com a mera possibilidade de os povos ficarem em paz e a terra ser dividida. Gan Fall ia ter uma reunião mais tarde com o líder dos Shandias para reestabelecer a paz e os direitos mútuos entre os dois povos, e Wiper havia sido chamado para ser parte da reunião. Mas o que ele entende de diplomacia? Parte dele ainda não perdoou Gan Fall. Wiper não sabia se saberia viver em uma terra em paz, com tanta insatisfação dentro dele ainda.
Wiper estava completamente enfaixado pelos ferimentos dos diversos combates que entrou no dia anterior. Sua asa esquerda estava queimada e sem penas por causa da lança de fogo que recebeu no peito, e devido ao Reject Dial usado três vezes, ele tinha seu braço direito quebrado. O guerreiro observava sentado o resgate do sino, sem poder ajudar, quando do nada, e aí sim é importante enfatizar a perspectiva dele, do completo nada, tão do nada quanto surgiram no céu em primeiro lugar, aparece Nico Robin.
De todos os forasteiros do Mar Azul, ela é a de quem Wiper melhor se lembrava depois do Chapéu de Palha. Ela foi uma das cinco sobreviventes que enfrentou Enel no final do Survival Game, e ela foi quem contou para Wiper a história do descendente de Norland vivendo no Mar Azul. Ela também foi, depois ele ouviu falar na festa, quem descobriu as ruinas de Shandora no Upper Yard. Ela tinha uma aura diferenciada do resto do grupo, Wiper se perguntava se ela era a líder secreta desses piratas.
Quando o sino estava devidamente resgatado essa mulher misteriosa se aproximou das inscrições no sino, as inscrições que Calgara jurou proteger, e as leu. O chefe dos shandias perguntou o que é que estava escrito, e o que ela respondeu é que ali estava falando a localização da arma Poseidon.
Uma arma! Calgara estava protegendo uma informação sobre uma arma! Que arma era essa? Porque os Shandias não usaram essa arma para enfrentar seus inimigos nos últimos 400 anos. Mas o mais importante é: O que é que essa mulher sabe? Calgara não sabia ler os escritos, ninguém em Shandia sabia, mas ela aparece no céu do nada para dizer o que é que diz esse texto? O que mais ela sabe? Como ela sabe? Wiper encarava Robin enquanto acendia um cigarro.
Wiper observava enquanto Nico Robin conversava com o chefe dos Shandias, ela dizia que a pedra já havia cumprido seu objetivo, e o chefe dos Shandias caiu em lágrimas de saber que eles já não precisam mais lutar e estão liberados desse fardo de 400 anos. Não precisar mais lutar? Bobagem. Ela acabou de falar que eles estão protegendo uma arma, e quem protege uma arma está se antecipando para uma luta que está por vir.
Nico Robin e o moleque do Chapéu de Palha eram, até onde Wiper entendia, piratas. Piratas eram aparentemente um grupo sem-terra que viajava de terra em terra para pilhar recursos ou algo parecido. Por que um pirata ia precisar de uma arma? Como ele podia saber que não devia estar impedindo a pedra de ser lida justamente por gente que nem ela? Wiper não sabia de nada e se frustrava conforme via o sentido de sua vida se desamarrar e todos os motivos pelo qual ele lutou se solucionarem. O que ele fará de agora em diante, essa mulher vai embora e ninguém vai explicar para ele pelo que Calgara lutou.
Enfim um dos anjos apontou para Robin que tem ainda mais texto para ela ler. Do lado do texto que Calgara protegeu, entalhado no Sino de Ouro, alguns escritos no mesmo idioma que, de acordo com Robin, diziam “Eu estive aqui e seguirei essas palavras até o fim: Gol D. Roger”. Wiper nunca havia escutado esse nome em sua vida, mas Robin havia, ela o chamou de Rei dos Piratas.
E foi ali que tudo mudou. E os rumos dos mares mudaram para sempre. Robin estava pronta para reencontrar seu bando, que como todos lembramos, estava ocupado dentro da barriga da cobra adormecida saqueando uma grande quantidade de ouro dos shandias. Porém no que Robin se preparava para se retirar, Wiper usa seu braço não-quebrado para segurar o ombro de Robin
- Quem é você?
- Acho que não fomos apresentados... meu nome é Nico Robin, sou a arqueóloga do Bando do Chapéu de Palha. Você é o líder dos guerreiros Shandias, não é? Nos encontramos ontem, mas acho que não interagimos tanto. Impressionante a maneira como você derrubou o pé de feijão.
– Meu nome é Wiper. E onde você aprendeu a ler esse escrito que meu povo jamais aprendeu nos últimos anos? Todo mundo no Mar Azul consegue ler essa pedra?
– Todo mundo? Não, muito pelo contrário, eu provavelmente sou a última que carrega esse conhecimento. É um conhecimento proibido, e os que sabem são caçados e mortos.
– Então por que você aprendeu? O que esses textos te revelam? O que você vai fazer com a arma Poseidon, agora que sabe onde ela está?
Robin respira fundo.
– Eu não quero nada com essas armas. Tudo o que eu quero aprender é a história que meus inimigos querem esconder. – Wiper reparou bem no uso dela da palavra “inimigos”. – Eu sei que se eu seguir essas pedras até o fim, elas vão me levar até a verdadeira história do mundo, e os eventos de 800 anos atrás enfim virão à tona. Seus ancestrais protegeram essas pedras por muitos séculos, e por isso eu agradeço, obrigada, mas a minha jornada continua até eu saber a verdade sobre o mundo.
Wiper estava começando a ter uma noção da situação, existem várias dessas pedras. Que estão sendo protegidas faz 800 anos? Isso é o dobro de tempo que se passou desde que Calgara morreu. Os inimigos dela querem impedir as pedras de serem lidas. Vários povos se voluntariaram para proteger esse conhecimento e os Shandias eram um desses povos. Algum Shandia se envolveu na guerra de outra pessoa, e 400 anos depois Calgara herdou essa guerra e 400 anos depois Wiper herdou essa guerra. E nesse tempo o que está sendo protegido se perdeu. Nem mesmo Nico Robin sabe para que serve essa arma. Mas a guerra ainda não acabou, pois alguém vai matar Nico Robin por esse conhecimento.
Sem mais o que conversar, Robin se afastou e Wiper observou enquanto ela e Gan Fall conversavam, aparentemente o tal de Roger conheceu Gan Fall em sua visita e ficaram amigos. Wiper se perguntou se a amizade de Gan Fall com um forasteiro que chegou de barco poderia ser intensa como foi a de Calgara e Norland. No céu uma pessoa raramente sai de sua terra, não tem para onde se ir, mas essas pessoas no Mar Azul visitam diversos lugares e conhecem pessoas tão diferentes, quantas pedras Nico Robin leu? Em quantas terras o jovem do Chapéu de Palha deixou uma marca?
O que Wiper estava encarando era o sentido de sua vida. Ele deixa Nico Robin e caminha pela Upper Yard, a terra de seu povo, logo logo Laki e os demais vão poder morar nessa terra. A ficha ainda não tinha caído. Wiper desce do Upper Yard e pisa na ilha de nuvem onde tem uma pedra marcando um túmulo, era onde seu pai morreu. Pithon havia sido covardemente assassinado pela Guarda de Deus, mas nunca quis guerrear. O que ele queria era cultivar plantas, ele precisou assumir o posto de líder dos guerreiros, pois a guerra não havia acabado. Wiper lacrimejava, chorava e soluçava, se seu pai tivesse sobrevivido por mais 14 anos, hoje ele poderia enfim largar as batalhas e cuidar de suas plantações.
Mas a guerra não acabou.
E Wiper não sabia se ia conseguir viver em tempos de paz. Ele precisava ir para onde a guerra estava e encerrá-la. Wiper entendeu o que ele tinha que fazer. Nico Robin estava prestes a ir embora, então ele sabia que precisava ser rápido.
Wiper voltou para sua tenda, seu corpo ainda doía, mas mesmo com um braço só, ele tinha que ser rápido, não podia se desencontrar dos piratas ou não teria outra chance. Encheu uma sacola de Dials, pegou sua bazuca, seu escudo e os patins. O que mais ele poderia precisar? Provavelmente mais nada. Com tudo pronto, ele se levantou para partir, mas Laki estava na porta esperando.
– Aisa tá achando que você está indo embora, venho ver e te encontro fazendo as malas, não vai se despedir?
– Não posso perder tempo, eles não vão se despedir também, você também ouviu? Estão falando que eles saíram correndo sem aceitar o pilar de ouro, mas era um presente. Eu não posso me desencontrar deles.
Laki abraça Wiper.
– Shandora precisa de você.
– Isso não é verdade. Pela primeira vez em séculos, o povo não precisa de um guerreiro. E isso é tudo o que eu sou, o Demônio da Guerra. A guerra que a gente lutou é só uma fração de uma guerra no Mar Azul, que nosso povo se envolveu quando ainda estava lá. Eu preciso entender que guerra é essa, pelo que Calgara lutou e pelo que meu pai lutou. Vamos começar um período de paz aqui e eu não sei qual será meu espaço. Talvez não exista, talvez seja a hora de você liderar Braham e os demais. Mande minhas lembranças para ele.
– Mas vamos sentir sua falta. – A amizade de Laki e Wiper ia longe desde quando eram criancinhas que não entendiam direito a situação do povo shandia. E esse não era um povo com o costume de se afastar.
– Não deixe a Luz de Shandora apagar Laki, eu conto com você. E se o sino continuar tocando, eu vou saber lá de baixo que vocês estão bem. Pegue no pé de Gan Fall, garanta que nossos direitos serão respeitados, você é melhor em diplomacia do que eu.
Wiper deixou Laki para trás e seguiu caminho. Ele estava com pressa. O último Shandia de quem ele se despediu foi o chefe da tribo, que o emboscou na divisa com o mar branco. Ele observava Wiper enquanto caminhava, e não tentou puxar uma conversa com Wiper. O Chefe é quem criou Wiper desde que ele tinha oito anos, os dois se conheciam o suficiente para deixar algumas coisas não ditas. O Chefe sabia que Wiper havia tomado uma decisão radical e que era teimoso, e ia com ela até o fim. Então só cabia a ele dar um conselho. Enquanto Wiper se sentava para vestir seus patins, o Chefe enfim falou.
– O povo precisa saber as coisas que você aprender lá em baixo. Você precisa voltar e contar pra todos nós o que aprender. Fique vivo e volte antes de eu morrer, e me ensine tudo sobre o mar azul.
– Eu vou. – Respondeu Wiper sério e carrancudo. – Aqui é a minha terra. – O Chefe lacrimejou vendo Wiper ir.
Wiper patinou nas nuvens do mar branco até ver o Going Merry que estava se aproximando de Cloud’s End, um grande portão que levaria os forasteiros de volta ao Mar Azul, na escolta estava a mulher loira que ficou amiga deles.... qual era mesmo o nome dela? Não importa. O navio estava chegando no portão, o corpo de Wiper doía, mas ele precisava correr para chegar a tempo.
– Espere aí, Chapéu de Palha!! – Gritou Wiper, enquanto corria. Todos os piratas olharam para ele. – Me deixe ir com vocês!
– Ih, é o Cara do Moicano – Observou Luffy. – Você quer o quê?
– Eu quero descer com vocês pro Mar Azul!! Eu tenho a minha própria jornada lá embaixo.
– Você quer ser pirata com a gente??
– O que? Não. Eu só quero....
– Ser pirata é divertido, você vai se amarrar! Aê galera, ajudem o companheiro novo a subir no barco. Esse aí é pedrada, vocês têm que ver a bazuca dele.
E aqui é necessário apontar uma coisa. Wiper é um homem muito sério. E ele raramente está perto de gente que não é séria, Laki é uma mulher séria, Gan Fall era um homem sério, Braham e Kamakiri são pessoas sérias. Você mesmo notou que esse capítulo é na perspectiva do Wiper e não tem piadas, pois palhaçada não gravita na direção dele. Então Wiper não tem desenvolvida nenhuma técnica real para responder uma pessoa que nem o Luffy. Ele lida com a personalidade dele da exata mesma forma que ele lida com a complexidade de um elástico... com confusão.
– Você me entendeu mal, deixa eu me explicar melhor....
– Diz aí, você toca algum instrumento? Esse barco precisa de um músico.
– Eu não preciso ficar muito tempo no barco, eu só quero descer.
– Pô, então você pode ser o timoneiro, ainda não temos um desses.... mas aí é a Nami que explica o que você tem que fazer.
Zoro percebeu o que estava acontecendo e resolveu intervir.
– Escuta, tá parecendo que você quer ter essa conversa aqui dentro, a gente está descendo já, então se quiser pular a hora é agora. – Gritou Zoro jogando uma corda para Wiper segurar, mas o shandia simplesmente ignora a corda.
Wiper saltou nas nuvens e com o impulso de seus patins alcançou o Going Merry, mas a que preço? Seu corpo não estava pronto para acrobacias no céu e ele caiu com muita dor. Mas ele é um guerreiro, ele aguenta. Não pode deixar a dor tirá-lo de uma missão. O homem-guaxinim do bando estava apavorado. Nico Robin estava lá observando, ela estava sorrindo. Mas o jovem do Chapéu de Palha estava acima de tudo, curioso.
– Diz aí, decidiu virar pirata por quê?
– Eu não decidi virar pirata. Eu só quero aprender mais sobre o Mar Azul, e sobre o caminho que o tal do.... é Roger que chama? Quero saber sobre a jornada dele, visitar lugares que ele visitou...
– São os piratas que fazem a jornada dele. Vai ser legal te ter no bando. – Wiper estava de fato preocupado de que não ficou claro que ele somente pediu uma carona para descer. Que ele não pediu para entrar no bando. Essa falha de comunicação precisava ser resolvida, mas o Chapéu de Palha não estava se permitindo ser esclarecido.
Conforme Wiper se preparava para explicar melhor, eles ouviram o barulho de um pássaro. Era o South Bird que eles haviam capturado em Jaya, falando algo que Chopper traduziu como “Não vão me esquecer não, hein?”
Sanji se sentou ao lado de Wiper.
– Fica tranquilo, ele é assim mesmo. Vamos nos concentrar agora em descer. Lá embaixo você pode pular fora do barco quando quiser. – Pelo menos uma pessoa havia entendido o que Wiper queria.
O bando todo estava realmente empolgado em como ia ser a viagem fora do céu. Em grande ingenuidade, que acabou quando Conis anunciou – Cuidado com a queda. – E o Going Merry se viu em queda livre a dez mil metros do chão. Um pequeno ataque cardíaco para todos ali, exceto Wiper, que já sabia o que vinha a seguir. Até o South Bird ficou com medo.
Um polvo saiu das nuvens e se agarrou ao barco, era o polvo-balão, uma espécie do céu, capaz de flutuar e descer o navio lentamente. Todos se acalmaram ao ver que a descida seria tranquila, e nesse instante todos conseguem ouvir o soar do sino.
O sino dourado, orgulho do povo Shandia, e aparentemente agora é o orgulho da Ilha do Céu. Ecoando e ecoando, para chamar de volta a todos que um dia visitaram a ilha. Wiper sabia que todos estavam chamando o Chapéu de Palha de volta e ele também. Um dia ele voltaria pro céu e veria com os próprios olhos o que a paz fez com esses dois povos. Mas antes ele ia precisar descobrir o que a paz significa no Mar Azul.
