Work Text:
Conviver com James e Lily não parecia sequer plausível na realidade de Severus.
Quem era Severus? Um homem azedo, de aparência estranha e pouco atraente, inserido entre um casal que parecia algum tipo de sobressalto na realidade, como uma montagem explícita.
Aqueles dois se aproximaram como leões cercando um cervo. Severus se lembra bem: depois do ocorrido no lago, ele ficou isolado, sozinho. James começou a rondá-lo. Severus não entendeu nada, levantou barreiras e construiu muros. Bem, ele achou que era apenas paranoia, pelo lago e pela pegadinha com Remus, mas não esperava que realmente estivesse certo sobre aquilo. Confrontou James, e ele fez pouco caso, fingiu que não era com ele e seguiu a vida.
Severus se perguntou se poderia dizer para Lily que seu namorado estava discretamente cortejando-o, com presentes, cartas e ingredientes de poções — este último não foi descartado, porque conhecimento vinha em primeiro lugar — e então, depois que eles se formaram, James o convidou para sair. Severus foi para encerrar isso de uma vez por todas.
Apenas para encontrar Lily ali, junto de James. O que era aquilo? Uma nova forma de tortura psicológica? Bem... ele custou a entender aquela situação, mas bastou um "por favor" de Lily e ele estava quase lhe dando a pata como um cachorrinho carente. Ele estava, mas não iria dizer isso. Sentia saudades da sua amiga, de Lily, a pessoa mais importante da sua vida. Sentia-se arrependido e ridículo interagindo com ela.
Ela, sendo doce com ele depois de anos de afastamento, era como jogar sal na ferida — e Severus realmente sentiu dor, mas logo veio o alívio do sangue de seus sentimentos sendo estancado. E mediante essa torrente de situações, tudo aconteceu... E então, logo ele estava sendo cortejado pelo casal Potter. Honestamente, ele não entendia que tipo de apelo ele teria para um casal tão bonito estar tão empenhado em fazê-lo compartilhar até mesmo sua casa. Depois de dois anos de encontros casuais e cortejos formais dignos de um pedido de casamento, Severus foi morar com os Potter. Ele não tinha para onde ir, e sua casa estava com um pedido da prefeitura para mudança, já que o lugar onde estava a fábrica ia ser demolido, e as casas velhas e com pendências seriam retiradas também. E como o único que mal ficava naquela casa era Severus, quando James e Lily souberam, foram rápidos a sugerir que morasse na grande casa dos Potter.
Severus tinha um quarto no final do corredor, enquanto Lily e James ficavam no quarto do casal, o maior que tinha na casa. Severus ainda ficava sem entender aquilo tudo. Ele definitivamente não merecia tamanha cortesia, e ser tratado como uma parte da família depois da história deles com os Potter.
Depois de dois anos morando naquela casa, sendo observado como uma presa quando não estava notando, imerso nas suas atividades de pocionista, Severus foi devorado. Lily foi a primeira — como na natureza, são as leoas que procuram e caçam a presa.
Aconteceu em um dia monótono, fim de tarde. James estava no trabalho, Lily estava em casa, olhando para Severus preparar a poção que havia sido encomendada. Lily tinha uma loja, mas trabalhava apenas quatro dias na semana, e naquele dia estava de folga. Ela começou singela, se aproximando aos poucos. Quando Severus tinha terminado a poção e estava encerrando seus afazeres, Lily prontamente o abraçou por trás. Severus não era alto, era quase da mesma altura que Lily. Lily guiou o rapaz no caminho da sala de poções para a sala de estar. Logo, Severus estava choramingando debaixo de Lily, que sorria satisfeita com seu trabalho. Foi bom, e Lily não se incomodou com sua falta de experiência ou o fato de ele ficar sensível rápido — na verdade, Lily parecia bem mais sorridente depois de Severus realmente lacrimejar após a segunda ou terceira rodada.
Severus ficou pensativo e confuso depois daquilo. Lily tinha traído James? E agora? Ele seria expulso? E por que justo com ele? Ele não compreendia seu apelo, não compreendia por que foi selecionado daquele jeito. Ela era bonita, poderia ter quem quisesse. Parecia um ato de sacrilégio tocá-la; sequer pensar nela daquele jeito sempre lhe pareceu errado. Ela parecia a imagem perfeita do que seria a beleza do mundo se essa beleza se mostrasse a Severus...
Quando James chegou, notou Severus meio avoado, desgrenhado e com marcas no pescoço, rindo. Ele aproveitou do estado atordoado de Severus para lhe roubar um beijo rápido, dando um beijo longo na esposa. Naquele dia, Severus se tocou do que realmente aqueles dois queriam. Ficou confuso. Uma sensação de alívio. De alguma forma, se sentiu feliz... Ele estava sendo desejado? Queriam ele por perto? Não era uma pegadinha ou um sonho estranho... Ele dormiu em paz com aquela pequena, mas significativa aceitação...
A vez com James aconteceu quando Lily viajou para ver sua família. James não se dava muito bem, principalmente com a irmã e o marido da irmã de Lily, então ficou em casa.
Aproveitando que eram suas férias como auror, ele estava despojado, no verão, sem camisa e andando de shorts esportivo pela casa como o dono do lugar — ele era. Foi depois de Severus fazer o almoço. A casa estava climatizada, silenciosa, já que James não tinha chamado ninguém naquele dia. Aproveitou a distração para puxar assunto. Severus já estava mais familiarizado, então não viu problema. Ele estava sentado na poltrona da pequena biblioteca do escritório de James, lendo. James levantou e começou a rodá-lo, com um olhar sugestivo que Severus, em seu estupor no livro, não notou.
Logo, Severus estava estremecendo e arfando enquanto James estava ali, ajoelhado. Ele até tentou pará-lo, dizer que aquilo era loucura. Mas ele não conseguiu, muito imerso naquilo, no mar de sensações avassaladoras. Ele teve a primeira vez com Lily — e somente com ela — e depois buscou fingir que aquilo nunca aconteceu. Agora, ter sido dobrado na mesa do escritório de seu antigo valentão, enquanto sua esposa viajava... Assim como Lily, James cuidou da sujeira, porque Severus estava desossado enquanto estava na banheira. Ambos foram cuidadosos.
Tal qual a consumação de um casamento. Severus logo tinha acesso àqueles dois, depois que Lily voltou. Severus interrogou os dois sobre aquilo, que aquilo não era aceitável da parte de ninguém. Lily e James riram — ambos já sabiam de tudo, e estavam bem com aquilo. No mundo bruxo, aquilo era comum, principalmente nas famílias mais antigas como os Potter.
Severus passou a ser parte do conjunto, e passou a dormir na mesma cama que James e Lily. Aqueles dois separados eram destrutivos, mas juntos eram implacáveis. A primeira vez que decidiram se deixar levar, era como uma competição para ver qual dos dois era mais dominante naquilo — Severus sendo o prêmio disputado. Lily não dava o braço a torcer, e James até cederia, mas não desistiria.
— Ele prefere assim... não é, Sev? — Lily diria em um tom que Severus nunca ouviu. Ela estava quase autoritária, enquanto Severus acenava um sim, corado e apertando as coxas da mulher para se manter são. Enquanto James chamaria sua atenção com um beijo tão lento que Severus derreteria. — Assim é melhor, não é, Severus? Somos homens, então eu sei melhor, não é?
Naquela altura, Severus era uma massa incoerente, enquanto o casal manuseava seu corpo esguio como algo precioso — embora Severus não soubesse o que aqueles dois estavam vendo ali. Severus sentiu tudo ao mesmo tempo. Ele estava barulhento, choroso e, acima de tudo, se sentindo no céu e no inferno ao mesmo tempo. Ele ficou o dia todo dormindo depois daquilo.
Nove meses depois, o resultado apareceu: em Lily. Harry. Mais um membro na família. Severus não esperava se apegar, mas ele realmente se sentiu empenhado em ajudar Lily com o bebê. Severus cuidando de uma criança aquecia o coração de seus parceiros. Quando James estava de folga, ele fazia questão de que Lily e Severus estivessem descansando, enquanto ele cuidava de Harry ou o levava para sair com Sirius às vezes... A pessoa com quem Harry mais dormia rápido era Severus, então ele ficava encarregado de pôr Harry para dormir, e depois era recebido por James e Lily em sua cama.
Severus não achou que essa fosse a família que ele queria — mas era a que ele precisava
