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Uma Morte Súbita

Summary:

Era um dia lindo quando um anjo encontrou um demônio no Jardim do Éden. Todos os dias tinham sido bonitos até aquele e, bem, esse seria o primeiro dos dias de tempestade na vida do demônio.

Work Text:

Era um dia lindo quando um anjo encontrou um demônio no Jardim do Éden. Todos os dias tinham sido bonitos até aquele e, bem, os dois estavam posicionados lá pelos seus chefes rivais, mas nenhum tentou atacar o outro. Em vez disso, eles se tocaram.

O demônio foi quem tomou a iniciativa, depois de uma conversa sobre se era certo ou não saber a diferença entre bem e mal. Ele sabia o que sentia, e não teve medo de demonstrar ao anjo, que devolveu os sentimentos com o mesmo carinho. Eles andaram de mãos dadas pelo Éden, descobrindo animais, frutas e árvores e espionando Eva e Adão as vezes pra ver como eles nomeavam todas aquelas coisas. Alí, sobre a grama verde e fresca e sob o céu azul e límpido do Éden, eles ousaram, ousaram ter uma relação de puro e terno...Amor.

Achando estarem protegidos pelas muralhas altas e robustas de pedra que os cercavam, mas eles esqueceram que eles não eram Adão e Eva, e que a verdadeira ameaça não vinha de além das muralhas que estavam ao seu lado, mas sim, de quem os via de cima.

Com seus espíritos leves, eles recostaram numa árvore pra descansar da caminhada. Mesmo que demônios e anjos não precisassem descansar, quando o demônio puxou o anjo para sentar com ele, provavelmente era só mais um pretexto pra poder ficar ainda mais próximo daquele ser divino. Este, por sua vez, não se tomou como ofendido, e descansou a cabeça no ombro do demônio, sem deixar de olhar para seu rosto. O anjo então segurou a cabeça do demônio com a mão direita e o puxou para encará-lo, aproximou-se e aí, vavoom, o beijou, sem ter pressa alguma, mas não se demorando nos lábios do mais alto.
O demônio troca olhares por um segundo com o anjo corado e sorri, mas logo depois levanta o rosto e tenta olhar para o lado mais distante. Ele não queria que o anjo visse seus olhos depois do beijo porque ele achava que iria assustá-lo e, talvez, até poderia ser rejeitado.

O anjo volta sua cabeça para o ombro do demônio, faz carinho no tecido com sua bochecha e fecha os olhos pacificamente, dormindo envolto pelo corpo quente do maior.

O demônio então o olha. Pobre demônio. Agarrado a si estava uma estátua, uma pedra. O demônio pega na mão do anjo que estava descendo pelo seu peitoral e ela estava fria, morta. O anjo não se movia mais, nem mesmo para bocejar ou se acunhar mais à ele, nenhuma das coisas estranhas que ele percebeu que aquele anjo fazia durante o sono. O anjo resplandecia deitado em seu ombro. Totalmente parado, ríspido e sem vida.

O demônio o deitou na grama, querendo ouvir seu coração. Mas que bobo! Seus corações não batiam. Mas aquilo não era certo. O anjo não tinha mais nenhuma feição de quem iria acordar dali a alguns minutos. Simplesmente a cor tinha esvaído de todo seu corpo e o demônio não podia mais sentir a aura do doce e brilhante anjo que havia mais cedo lhe estendido a mão.

O demônio começou a chorar.

Ela tinha feito isso. Deus tinha tirado a vida de dentro daquele anjo com um estalar de dedos, por causa dele. Porque ele tinha o beijado, porque tinha se apaixonado por um ser imundo que não pertencia mais à guarda dEla. Ela tinha primeiro lhe tirado a glória, e agora ela tinha, realmente, lhe tirado tudo.