Chapter Text
— Chokun, me passa o pão, por favor — pediu Fadel, sem tirar os olhos das carnes que fritavam na chapa.
— Claro! — respondeu rapidamente, entregando ao sogro com certa apreensão.
Já fazia um ano desde que ele e Aston começaram a namorar. Não foi fácil convencer os pais de Aston de que ele era, de fato, uma boa companhia. A pior parte, sem dúvidas, foi encarar os olhares ameaçadores de Fadel — ao contrário de Style, que sempre foi bem mais acolhedor, o que ajudou bastante.
Não era por falta de carinho, obviamente — Fadel até tinha se tornado mais tranquilo em relação ao genro. Mas, ao mesmo tempo, o analisava como se visualizasse todos os seus pecados.
E lá estava ele, mais uma vez, encobrindo outra das “escapadas” do namorado. Não fazia ideia do que se tratava e, sinceramente, preferia assim. Caso contrário, não sabia se conseguiria esconder a verdade, caso Fadel o interrogasse.
— CHOKUN? Tá ouvindo? — O tom grave e sóbrio do mais velho cortou seus devaneios.
Naquela semana, Chokun estava passando por um período de testes para ajudar-lo no Heart Burger. A princípio, o trabalho ali não era exatamente seu objetivo, mas ele não era bobo. Sabia que, se aceitasse, ganharia mais confiança do pai do namorado — e é claro que não ia perder essa oportunidade.
— Tô sim! — felicidades, tentando passar uma tranquilidade.
— Você tá mais pensativo do que o normal. Aconteceu algo? Onde está o Aston? — Fadel largou a regularidade e se virou, suavizando a expressão enquanto observava o garoto com atenção.
— Ele tá bem! Não tá fazendo nada de mais! — respondeu sem pensar, arregalando os olhos. Logo em seguida, começou a se explicar, talvez até demais: — Digo... ele está na casa do Ken.
Entre todas as desculpas, essa parecia a mais convincente... certo?
— O Ken tá em casa? Achei que ele tivesse viajado com o Paul para Chiang Mai. Acho que o Kant comentou algo do tipo...
Puta merda. É claro que ele estava viajando. Chokun acabara de receber mensagens dos dois falando da tal viagem. Como poderia esquecer isso?
Como um sinal divino, seu celular vibra, sinalizando uma chamada de Aston.
— Um momento, Phi, meu pai tá ligando. Já volto! — deixou nervoso e saiu da cozinha às pressas.
"Amor, por favor, me diz que você está voltando. Seu pai está me interrogando e você sabe que eu não sei mentir pra ele."
Aston não podia ver, mas sabia que o namorado estava fazendo aquela adorável expressão de cachorrinho abandonado.
Sentou-se na escadaria de fora da hamburgueria, aproveitando o pouco movimento daquele local por conta do horário.
"Cho, por favor, preciso de só mais meia hora. Aconteceram uns contratempos..."
"O que aconteceu? Não me diga que entrou em outra racha." — Já tinha perdido as contas de algumas vezes Aston havia se metido em alguma furada só naquele mês. Apesar de não saber exatamente o que se tratava, já suspeitava que fosse algo do tipo.
“Tô na livraria...”
Menos mal, certo? Não tinha como algo ruim acontecer numa livraria. Pelo menos era o que ele achou até Aston continuar:
"Estava passando perto e aproveitei para comprar algo, mas o vendedor teve a audácia de me vender um produto falsificado. FALSIFICADO, amor! E mal feito ainda!"
Pelo tom de indignação da última frase, Chokun já sabia o que esperar.
“Aston, não me diga...”
"Juro que não fiz nada de mais. Só encurralei ele dizendo que meu pai estava ligado com a Justiça e que poderia fechar aquela espelunca. É literalmente crime, né?!"
“...” — Levantou o rosto, na tentativa falha de pensar em como iria fazer para descobrir o namorado caso isso virasse um problema.
"De todo jeito, não estou errado. Eles estão mesmo ligados à Justiça." — Riu, lembrando das histórias do passado que seus pais e tio contavam.
"Mas você está bem? Deu em alguma coisa?" — Até achava engraçado o jeito desaforado que Aston tinha de lidar com as coisas. Mas a preocupação não é desaparecia.
“Ele pediu desculpas e devolveu meu dinheiro...” — Seu tom de voz foi falando à medida que falava, como se tivesse algo a mais, como se estivesse decepcionado com o desfecho, odiava isso.
"Tá tudo bem, amor. Eu compro o que você quiser quando voltar. Não fica triste, tá certo? Se você chegar antes da hamburgueria fechar, terei um presente pra você."
"Na hamburgueria? Acho que não é um lugar muito seguro pra isso, amor, ainda mais que—"
“Aston!”
"Já estou indo! Chego em dez minutos." — Do outro lado da linha, era possível ouvir uma buzina alta.
"Você está dirigindo enquanto usa o celular de novo? Amor!" — exclamou o namorado.
"Não estou no celular, estou em ligação! Posso muito bem administrar minha atenção."
“Fala isso pro seu pai, que teve que concertar seu carro depois daquele dia.” — Já nem reclamava mais com Aston, passou a ser uma provocação boba. Ainda assim, uma pontinha de preocupação permanente.
"Tô chegando, amor! Amo você, tchau!!" — Desligou com um sorriso no rosto.
— Seu pai, né? — A voz sarcástica de Style está atrás dele.
— É que... eu li errado, sabe como é, né, Phi? — coçou a parte de trás da cabeça, tentando parecer calmo.
— Sei sim — respondeu Style. Ele sabia que tinha mais coisa, só não sabia o quê. — Como tá indo na cozinha? Tudo certo?
— Sim, sim! Estamos apenas repassando a receita principal... Mas com meu professor maravilhoso, não tem erro! — ofereceu de forma fofa, fazendo Style rir sopradamente.
