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Incidente

Summary:

Uma doença aflige a cidade de Storybrooke e Emma tem que aprender a lidar com uma nova mudança drástica de vida. E ela que pensava que a maldição das trevas seria a última.

Work Text:

Emma suspirou, desconfortável em seu próprio corpo. O suor escorria por sua pele e um calor nauseante queimava tudo.

Ao redor dela, o pequeno conselho da cidade parecia tão ruim quanto ela, exceto, é claro, pela sempre composta Prefeita Mills. Emma realmente daria um braço neste momento para entender como Regina parecia tão bem.

— Como eu estava dizendo. — Baleia pigarreou, tentando prender a atenção de todos. — Os sintomas não me são estranhos. Como sabemos, eu obtive uma terra diferente da Floresta Encantada.

— Será que dá para você se apressar aí, irmão. — Leroy resmungou aborrecido.

— Tudo bem. — Baleia olhou aborrecida para o homem. — O que está acontecendo é que de alguma forma seu sistema classificatório foi trazido para a terra sem magia. Os sintomas que estamos experimentando são nossos corpos se adequando a isso. Acredito que em poucos dias despertaremos como alfas, betas e ômegas.

Um silêncio se segue após alguns suspiros pesados e até apavorados.

Emma comunicou aos rostos ao seu redor, mas decidiu que primeiro saberia o que estava acontecendo. Era nesse momento que ela odiava não ter crescido na Floresta Encantada, também era quando ela se sentia menos conectada com essas pessoas que estavam todos os dias em sua vida agora. Muitos são seus amigos.

Ela olhou levemente constrangida para Regina, notando a mulher tão sem palavras quanto os outros, e então desviou sua atenção para os pais que estavam ao seu lado.

Emma pigarreou.

— Para aqueles de nós que não cresceram na Floresta Encantada. — Emma tentou zombar, mas sentiu que seu tom parecia mais depreciativo. — O quão ruim isso é?

A pergunta pareceu deixar todos ainda mais lamas, se isso era possível, porém também é razoável com pena dela.

Whale foi quem a olhou com compaixão e isso a fez se sentir enjoada. O homem era sempre tão grosseiro e inapropriado.

— Já estive nessa posição, Xerife. — Disse o médico. — Posso explicar a você mais profundamente, depois da reunião. Se quiser, claro.

Regina cerrou uma reunião depois disso.



-



Emma não falou com Whale, nem com seus pais. As duas alternativas fizeram com que você se sentisse estranhamente desconfortável. Mas a loira sabia que não poderia navegar por aí sem saber o que aconteceria. Ainda mais quando placas com “alugam-se quartos para o calor”, “compre aqui supressores”, “um quarto e uma companhia por bom preço”.

Ela decidiu que perguntaria a alguém. Qualquer um. Talvez Ruby fosse uma alternativa ou mesmo Bela. A jovem ao menos seria gentil.

Só que Henry também desconhecia o assunto e estava completamente curioso.

— Mães, o que é calor? — questionou o menino.

Era sexta-feira e há algum tempo os jantares em “família” tinham sido combinados. Emma trazia Henry para passar um tempo com Regina, isso antes das coisas se divertiam entre eles, tinha começado como um voto de confiança. Agora, porém, Henry teve histórias especiais para morar com a mãe e vinha passar alguns dias com Emma. Às vezes, no fim da semana, outras na semana. Dependência do humor do menino.

Emma olhou espantada para Regina. A morena suspirou e olhou para Emma, mas parece ter notado que não havia ajuda vinda da loira.

— Vamos falar disso depois do jantar, tudo bem?

O garoto concordou e isso deixou Emma ansiosa.

Foi difícil terminar o seu prato, mesmo que a lasanha de Regina fosse seu prato favorito. Havia também torta de pêssego com sorvete de creme que a loira escolheu.

— Henry, tira a mesa sim? — Regina pediu.

— Claro, mãe.

— Está tudo bem, Emma? — Questionou Regina. — Você parece um pouco verde.

A brincadeira era mais natural entre elas agora, mas neste momento nada aliviou.

— Posso… — Emma então teve que limpar a garganta para continuar. — Posso participar da conversa? Sobre o calor e… outras. Não sei. O que você precisa para explicar.

Isso era estúpido, Emma pensou. Ela estava pedindo a Regina para explicar algo básico que provavelmente seus pais deveriam fazer. Provavelmente a morena zombaria dela, ou, pensaria que ela não seria boa o suficiente como mãe .

Regina pensaria isso?

— Vejo que seus pais idiotas não falaram com você.

O Tom de Regina era repreensivo e Emma deu de ombros, quase pedindo desculpas e fugindo pela porta da frente.

— Está tudo bem Emma. — Regina disse calmamente. — Mas espero não ter que explicar mais o que é necessário ao nosso filho. Então, se você tiver dúvidas, podemos conversar depois.

Isso aliviou Emma, um pouco.



-



— Então o calor é quando as pessoas fazem sexo? — Questionou Henry.

Emma estava mortificada, mas Regina nem tinha se abalado com as palavras que saíram da boca de seu filho de treze anos.

— Sim, mas diferente. — Regina explicou. — Nesse momento, há uma vontade biológica para que isso aconteça. Uma vontade de se fazer filhos.

— Eca, grosseiro, mãe.

Henry franziu o cenho, com desgosto. Emma deveria estar um pimentão, porque ela sentia toda sua cara queimada.

— E… o que são alfas, betas e ômegas?

— São aulas… — Regina disse levemente confusa. — Eu realmente não saberia como explicar melhor que isso. Cada um de nós nasce dentro de uma e isso desperta quando estamos com catorze ou quinze anos. Há características, mas pessoas são pessoas e nem sempre o que parece é. Acho que a única coisa certa é que alfas são mais cabeça quente. Ômegas protetores. E betas… conciliadores.

— E você é o que, mamãe? — Questionou Henry.

— Antes de eu responder, você deve saber que essa não é uma pergunta que se faça, querido. Claro, comigo e suas avós não é um grande problema, mas… a maioria das pessoas entende isso como desrespeito. — Regina explicou com paciência. — Com o tempo, você vai começar a notar uma diferença no cheiro das pessoas. Então naturalmente vai identificar quem é o que. Mas respondendo a sua pergunta, eu sou um ômega.

— Como eu vou cheirar você?

Enquanto Regina tentava explicar sobre o olfato, Emma não pensava no assunto. Ela, pelo menos, tinha aprendido sobre o bom senso antes de sair por aí fazendo perguntas estranhas para as pessoas, não que ela fosse parar alguns dos anões e fadas e perguntar sobre isso.

A pequena explicação de Regina tinha acalmado um pouco seus nervos, mas ela suspeitava que ainda faltava informações.

— E a ma? — Henry questionou. — Você sente o que ela é?

Emma olhou para Regina imediatamente, esperando alguma luz sobre o assunto, mas a morena de ombros.

— Eu não sinto nenhum cheiro específico, mas também não sabemos como isso vai despertar em Emma, tendo crescido em um reino sem magia. — As palavras tomaram uma nota de culpa.

— Whale veio de um reino diferente e passou por isso. — Emma falou finalmente.

— Whale se forçou a passar por isso. — Regina disse com menos consideração. — Você e Henry descendem da Floresta Encantada, isso virá naturalmente ou não.

— O que você é depende do que os meus pais são? — Henry questionou de repente. — Tipo, se a ma for uma ômega e o pai fosse um alfa. O que eu seria?

— Bom, você muito provavelmente seria um alfa. — Regina explicou. — Meninos ômegas, já nascem assim. Mas no seu caso, você ainda pode ser um beta. Eu não sei o que a mãe de seu pai era, mas Gold é um beta.

— Então a vovó e vovô são alfa e ômega?

— Sim, mas a descendência de David é uma incógnita, porque não tenho certeza de sua ascendência. Você terá que perguntar a ele. As famílias reais, porém, apenas se relacionavam entre alfas e ômegas. — Regina continuou explicando. — Então, talvez Emma possa ser uma beta.

Regina olhou em direção a Emma, mas a loira não sabia se isso era bom ou ruim. Havia algo ruim em ser alfa, ômega ou beta?

Houve mais algumas explicações, mas logo Henry se cansou e decidiu ir pra cama. Provavelmente trocaria algumas mensagens com os amigos de escola, para descobrir o que Regina tinha deixado de fora da conversa.

Ele se despediu com um beijo de cada uma delas.

Regina se ergueu e se serviu de um copo de cidra, ela não ofereceu nada a ela, pois Emma ainda estava em serviço e teria que partir em breve.

— E você, Senhorita Swan. Satisfeita com as explicações?

Emma observou Regina por algum tempo. Elas eram amigas agora, mesmo que não estivessem conversando sobre caras ou coisas que amigas conversavam. Elas saiam juntas muitas vezes. Para jantar, às vezes iam para fora da cidade e assistiam algum filme no cinema, ou peça de teatro. Muitas vezes elas caminhavam pelas ruas de Boston, onde elas costumavam passear com frequência, com os braços entrelaçados e observando a agitação da cidade.

— Isso é ruim? — Foi o primeiro pensamento de Emma. — O calor? Ser alfa… ou beta? Tudo isso, é algo ruim?

A pergunta fez Regina ficar séria.

— É algo que se é, Emma. — Regina começou incerta. — Como ser mulher.

— Então, é ruim.

— Não, Emma. É maravilhoso às vezes, mas no mundo em que vivemos. — Regina tentou novamente. — O calor, é uma necessidade e você pode enlouquecer se estiver sozinho. Mas… se você tem um parceiro, é bem prazeroso. Claro, se você for alfa e ômega. Os betas geralmente estão livres desses instintos.

— Isso não parece algo tão bom.

— Como eu disse. Pode ser algo bom e ruim, mas mesmo que os instintos sejam fortes, você ainda é você e tem controle das suas vontades.

— Mas há cartazes por toda cidade. — Emma falou com descrença. — Oferecendo quartos. E alguns, quarto e companhia.

— Porque esse ainda é um mundo de pessoas nojentas. — Regina explicou. — O cheiro das ômegas e alfas no calor pode ser atrativo, então haverá idiotas derrubando portas para chegar até elas. Na Floresta Encantada, isso concedeu há muitos estupradores o perdão dos reis, mas não será assim aqui. E… como pessoas são pessoas, algumas também escolhem, por vontade própria passar por isso em companhia.

— Acho que eu quero ser um beta. — Emma murmurou.

Regina sorriu para ela tentando aliviar o clima.



-



Depois da conversa com Regina, Emma não se sentia mais tão deslocada. Era óbvio que algumas coisas você só aprendia vivenciando, mas a conversa começou a ficar mais fácil.

Naquela semana ela tinha ajudado duas ômegas que tinham entrado no calor em lugares públicos, ela e David as escoltaram até suas casas, sem muita confusão. Houve também um alfa briguento que acabou três dias na cadeia.

Era sábado a noite e Emma tinha saído para beber com Neve e Ruby. Era estranho, mas tirando a outra mãe do seu filho essas eram suas únicas amigas.

— Como foi o calor? — Neve questionou a Ruby.

A morena tinha sumido por quatro dias e Emma se sentiu levemente constrangida pela mãe fazer essa pergunta tão naturalmente. Talvez Neve já tivesse bebido um pouco demais.

— Satisfatório. — Ruby deu de ombros. — Encontrei uma ômega para passar comigo.

— Ômegas podem passar o calor juntos? — Questionou Emma.

— Não achei que você fosse tão antiquada, Emma. — Brincou Ruby. — Ajuda a aliviar, mas pra mim que já estive com alguns alfas. Não foi nada satisfatório.

— Acho que isso tem mais haver com sentimento. — Neve interrompeu. — Conheci um casal de ômegas uma vez que jamais trocariam uma a outra.

— Eu gosto de pau, Neve.

A frase fez Neve quase cuspir a bebida e Emma se envergonhar. Ela definitivamente não queria ouvir algo assim perto da sua mãe.

— E você Emma? Alguma mudança? — Ruby questionou.

— Não. Mas o calor irritante continua. — Emma disse com chateação. — Eu realmente espero que isso signifique que eu sou um beta.

— Improvável. — Disse Neve. — Minha descendência inteira é de alfas e ômegas.

— É, mas o papai não tem tanta certeza da dele.

— Emma, seu pai, seus avós e bisavós. Você dificilmente será uma beta.

Isso não deveria chatear Emma, mas fez. Ou talvez, ela não estivesse chateada, mas apenas com medo.

— Porque você iria querer ser algo tão chato quanto um beta? — Brincou Ruby.

O telefone de Neve começou a tocar e ela pediu licença.

— Vou torcer para você ser uma alfa, assim vamos ter um pouco de diversão.

— Ruby. — Emma olhou espantada.

— O que? Neve que me desculpe, mas Emma você é gostosa demais.

Emma desviou a atenção, bebendo mais um pouco de cerveja. Ela também achava Ruby gostosa e definitivamente teria dormido com ela, antes… Porém, agora era muito estranho.

— Mas eu não tenho um pau. — Emma brincou.

— Mas se você for uma alfa terá.

— O que?

Aquilo era uma novidade. Emma não sabia dessa pequena informação, mas então se lembrou que Regina tinha dito que homens ômegas nasciam assim, o que significava… alfas tinham pênis e ômegas…

— Quando você é um alfa um pênis nasce. — Ruby explicou como se fosse óbvio. — Claro, se você for uma garota. Homens já tem um, então.

Essa foi a vez de Emma pedir licença.

A loira foi para fora da Toca do Coelho, passando rapidamente pela mãe, que a chamou.

Emma apanhou o telefone em seu bolso e ligou para o único número que podia pensar agora.

— Um pênis nasce nos alfas?

— Boa noite, senhorita Swan. — Regina respondeu surpresa.

— Você se esqueceu de me contar esse pequeno detalhe. — Emma interrompeu, nem prestando atenção aos modos dela. — Tipo, isso dói? Você não pensou em contar que alfas tem pênis e ômegas vaginas? Por isso… quando nasce um homem ômega é desde a infância.

— Ok, Emma. — Regina interrompeu. — Você precisa se acalmar.

— Minha mãe continua me dizendo que a única alternativa é eu ser um alfa ou ômega. Então, a Ruby me disse que se eu for um alfa eu terei um pênis e se eu for uma ômega… eu serei uma maluca por pênis.

— Hei.

O tom raivoso de Regina fez Emma se dar conta. Ela estava tão focada nas palavras de Ruby que tinha acabado de generalizar.

— Talvez você seja mesmo um alfa, já que está sendo tão obtuso quanto um.

— Desculpe, eu não quis… Você nem tinha obrigação de me contar sobre nada disso.

— Agora sim, você está correta. — Zombou Regina.

— É só que Ruby estava contando sobre o calor dela, então minha mãe saiu pra atender o telefone e Ruby começou a dizer que queria que eu fosse alfa.

— Vejo que a lobinha está colocando as garras para fora. — Interrompeu Regina.

O tom ficou meio indecifrável para a loira, mas Emma não teve muito tempo para pensar sobre isso. Uma confusão começou do lado de fora do bar e ela teve que apartar isso.



-



Ela sentiu um calafrio terrível naquela manhã. David tinha subido até o quarto para checar ela e saiu com a testa franzida. Foi a vez de Neve subir e fazer a mesma expressão.

— Parece o calor. — Disse Neve.

A conversa depois disso era um borrão para Emma.

— Ela está se apresentando. — A voz da fada azul soou.

Tudo queimava.

Neve tentou dar algum líquido para ela, mas Emma o cuspiu. Ele fedia e queimou sua boca. Isso a deixou com raiva de sua mãe e David a repreendeu.

Foi estranho, porque ela se sentiu como uma criança sendo corrigida.

— Você não pode falar com sua mãe assim, Emma. — David disse com mais calma, quando notou que a tinha assustado. — Nós queremos te ajudar.

Um cheiro calmante flutuou pelo ar e isso fez Emma relaxar um pouco. Ela sabia que seus pais não queriam machucá-la. Não iriam machucá-la.

— Eu não quero essa coisa.

— Emma. — Neve disse com pesar. — Isso é um supressor, você precisa tomar.

Porém, Gold tinha outra opinião. É claro que tinha.

O Escuro então aconselhou que Emma passasse por seu primeiro calor sem a ajuda de supressores. Emma precisava passar por isso naturalmente, porque isso poderia prejudicar sua apresentação. Atrasando sua apresentação e deixando Emma presa nesse desconforto corporal.

Gold colocou um feitiço sobre o quarto e então os pais de Emma começaram a cuidar dela.

Eles trouxeram comida, às vezes Neve se sentava com ela e fazia carinho em seu cabelo. A mulher contava histórias, mas Emma não conseguia se concentrar muito.

Havia histórias sobre Ruby e algumas pessoas que sua mãe conheceu durante a vida. Os anões, uma senhora que a ensinou a fazer bebida e outra que a ensinou a pescar. Então ela começou a falar sobre Graham. Mas sua mãe parecia constantemente se desviar do assunto. Logo David apareceu nas histórias e ela só conseguia falar dele, assim como o assunto do qual ela estava desviando, Regina. Quando ela começou a falar dela, Neve não parou.

Emma queria ouvir mais.

Era a mãe do seu filho. Era sua amiga. Era Regina.

Sua mãe desviou das histórias muito pesadas, contou as coisas boas que costumava fazer com a morena. No tempo em que elas viviam no castelo. No tempo em que Regina era boa para ela.

Regina.

Emma sentia falta da morena.

Emma queria conversar com ela, sentia falta das mensagens e das saídas juntas. Ela também sentia falta do Henry. Sua mãe tinha explicado que ele não poderia ficar perto dela agora, mas isso ainda a deixava chateada.

— Eu queria que ela estivesse aqui. E o Henry. — Emma murmurou.

— Você queria? — Neve perguntou confusa.



-



David passava o dia e noite na delegacia, tendo que cobrir Emma. Ela tinha ouvido uma conversa sobre Mulan se juntando a força tarefa, mas ele ainda não podia deixá-la sozinha.

Neve por outro lado tinha pedido alguns dias de folga da escola, porém, hoje uma emergência tinha acontecido. Não na escola. Algo com Ella, o que deixou sua mãe aflita em deixar Emma sozinha, mas a loira a garantiu que tudo ficaria bem.

E era verdade. Tudo ficaria bem, se as horas sozinhas não tivessem feito Emma começar a pensar. Ela não tinha pensado no calor, não com os feromônios de seus pais nublando tudo. Ela se sentia frustrada, mas tudo era fraternal e amoroso. Agora, o cheiro tinha acabado e seu corpo esquentava.

Quente.

Ela estava tomando uma jarra de água gelada quando a foto de Ruby pendurada na geladeira a deixou excitada. Era uma foto recente, alguma festinha que sua mãe e pai tinham dado no apartamento. Na foto ela e Ruby possavam com sorrisos forçados, apenas algo para brincar com Neve. Ruby vestia uma regata branca, quase transparente, o que evidenciava seu sutiã preto. A imagem trouxe lembranças. Ruby flertando com ela. A mão dela apertando seu braço, acariciando seu abdômen.

Você é gostosa Emma”.

A voz nítida de Ruby em sua mente a fez querer desesperadamente querer falar com ela.

Emma correu pelo apartamento atrás de seu celular. Neve o tinha escondido em algum lugar.

Não estava em nenhum lugar óbvio. Não na mesa de cabeceira da mãe, nem a do pai. Em nenhum móvel da sala. Muito menos na cômoda perto da porta. Não estava debaixo do sofá, nem do tapete.

Emma estava quase cruzando a porta quando pensou melhor. Seria estúpido sair por aí fedendo ao calor. Causaria uma confusão.

Ela precisava trazer Ruby aqui, precisava do seu celular.

Então Emma voltou a procurar por ele. Emma também estava faminta e enquanto apanhava alguns biscoitos cazeiros, que seu pai havia assado noite passada, encontrou o aparelho no fundo do pote. Sua mãe precisava de dicas para esconderijo.

Porém, Emma tinha levado horas para encontrar.

Ela afastou o pensamento e apenas destravou o celular, nos contatos ela rapidamente encontrou o nome de Ruby. Os pensamentos devassos mais fortes em sua mente.

Ruby curvada na bancada da cozinha.

Dois toques e a ligação foi atendida.

— Eu quero fuder você na bancada da cozinha. — disse Emma.

— Senhorita Swan. — Regina exclamou surpresa.

Emma se sentiu congelar. Ela afastou o celular do ouvido e olhou o nome na tela.

Regina.

Merda. Ela deve ter apertado o nome de dela por engano, isso foi muito estúpido.

— Regina. — Emma disse constrangida. — Eu sinto muito.

— Pela sua gagueira, presumo que o telefonema deveria ser para outra pessoa. — O tom de Regina estava mais composto agora, em seu habitual. — Espero que da próxima vez você cheque seu identificador com mais atenção.

— Regina, eu

Antes que Emma pudesse terminar, a ligação foi desligada e isso a deixou aflita. Era como se um balde de água fria tivesse sido jogado sobre ela. Regina estava brava? Regina nunca mais falaria com ela?

Emma estava assustada.

Ela discou o número de Regina novamente e pareceu uma eternidade até que a morena atendesse.

— Número errado, Senhorita Swan.

— Você não está brava, certo? — Questionou Emma preocupada. — Foi um completo acidente. Eu não queria ofender você.

Um pequeno silêncio se fez na linha, seguido de um barulho de arrastar da cadeira do escritório de Regina.

— Regina?

— Emma, você não deveria estar me ligando.

— Por que? — Emma perguntou chateada. — Foi um acidente. Eu não quis ofender você, nem deixar você brava.

— Emma. — Regina interrompeu. — Não estou brava com a ligação. Está tudo bem, mas… você não deveria estar me ligando, porque suas emoções estão afloradas. Isso pode fazer você ter impulsos imprudentes.

— Isso, não é verdade. — Emma tentou se defender. — Posso perfeitamente conversar com você. Eu, posso conversar com meus pais e ainda sou eu. Eu posso até falar com Henry se quiser. Eu… eu… eu quero falar com o meu filho.

A voz dela perdeu a intensidade. Ela sabia que não podia ver Henry, porque isso poderia desencadear o calor no menino. Mas falar era outra história e ela não conseguia entender porque tinha que ficar isolada.

— Emma, o primeiro calor é complicado. — Regina disse com paciência. — Onde estão os seus pais?

— Eu quero falar com Henry. — Emma interrompeu, irritada. — Não é justo que eu fique trancada nesse apartamento. Sem falar com ninguém.

— Emma, eu entendo sua chateação, mas você sabe porque não pode falar com Henry.

— Não. — Gritou Emma em resposta. — Eu sei que não posso vê-lo, mas não entendo por que diabos não posso falar com o meu filho.

— São suas emoções, Emma. — Regina suspirou pesadamente. — Olha, eu preciso desligar e você precisa se acalmar.

— Não. Não se atreva a desligar, Regina. Se você desligar eu vou até aí.

Emma não sabia realmente onde Regina estava, mas não importava, elas simplesmente podiam se encontrar. Provavelmente era a magia delas.

— Emma, não.

O silêncio voltou a preencher a ligação.

— Eu só… — Emma começou incerta e com uma tristeza crescente em seu peito. — Eu quero falar com você. Não vejo o nosso filho há dias. Não vejo você há dias. Estou presa aos meus pais e essa droga que está ferrando minha mente, meu corpo.

Tristeza, raiva. Raiva, tristeza. Raiva.

— Hoje era noite de jantar em família. — Continuou Emma, apenas triste agora.

— Eu sei.

— O que você teria feito, caso… caso fossemos jantar hoje?

— Eu — Disse Regina, então um pigarro interrompeu sua fala. — Eu faria um suculento filé, com purê de bata e aspargos.

— Hm. — Emma ronronou em prazer. — Eu amo seu filé com aspargos.

— Eu sei. — Disse Regina em meio a um riso. — E… como na outra semana você dispensou minha torta de pêssego e sorvete de creme, então… eu faria um cheesecake de morango.

— Eu amo sua torta de pêssego, só havia muita coisa na minha mente.

Outro silêncio.

Emma se deitou no tapete da sala e pensou no jantar que poderiam estar tendo essa noite. Ela e sua família.

— O que vocês vão comer então?

— Eu não tenho certeza. Vamos para o Jantar.

O Jantar… Emma se lembrou de Ruby, como o pensamento nela a tinha colocado nessa situação. E, estranhamente, nenhum pensamento de excitação surgiu.

— Eu estava superexcitada quando liguei para você.

Isso era demais? Emma imaginava que talvez sim, mas ela e Regina eram amigas, talvez fosse a hora de elas agirem como tal. Sua mãe e Ruby conversavam o tempo sobre esse tipo de coisa.

— Eu notei, pela sua escolha terrível de palavras. — Regina disse hesitante.

— É só que — Emma se interrompeu, confusa. — Você falou do Jantar e eu… eu não senti nada.

— Qual a ligação entre o Jantar e sua excitação?

— Ruby. — Emma disse, como se fosse óbvio. — Ela passou tanto tempo falando sobre transarmos quando eu tivesse um pênis, que quando o calor surgiu, minha mente foi direto pra ela. E, eu estava tão quente que parecia queimar. Quase enlouqueci com a foto dela na geladeira. Mas agora? Nada. Eu posso até dizer o nome dela. Ruby. Ruby. Ruby.

— Emma pare.

A voz de Regina parecia aborrecida e isso fez com que Emma se levantasse do chão.

Tinha passado dos limites.

— Desculpe. — Pediu Emma. — Só achei que poderíamos conversar um pouco sobre isso. Eu quero que essa merda acabe logo. Já está durando mais do que deveria.

— Você está passando por isso tardiamente. — Regina abrandou o tom. — Crescer no mundo sem magia pode ter afetado você.

— É pode ser, mas

Antes que Emma pudesse completar a frase a porta do apartamento se abriu e ela assistiu o sorriso de sua mãe morrer.

— Emma. — Neve esbravejou.

— Merda. — Emma soltou baixinho.

Regina riu do outro lado da linha e Emma quis revirar os olhos. A mulher adorava provocar sua mãe, mesmo que não soubesse o que estava acontecendo.

— O que está fazendo com esse telefone?



-



— Querida, eu não sei se essa é a melhor solução. — Neve disse com pesar.

— Já faz uma semana, Neve. — Disse Emma, começando a se sentir impaciente. — Não posso continuar presa ao meu quarto. Além disso, não posso continuar gritando com você como se isso estivesse certo.

A mãe lançou um olhar amoroso a ela, o que fez Emma se sentir desconfortável. Ela não estava preparada para esse tipo de amor e era sempre estranho. Seus pais eram bons pais, mesmo que às vezes cometessem erros, eles amavam ela. Por isso, Emma se sentia mal com a forma como tratava a mãe.

David suspirou, aproximando-se dela e apertou seu ombro direito.

— Vamos fazer como você quiser, Emma, mas não precisa ficar aqui sozinha. — Disse David. — Posso trocar com sua mãe e ficar mais tempo no apartamento com você.

— Eu agradeço, pai. — Emma se xingou por usar o termo “pai”, ela sabia como Neve se sentia quando ela fazia isso com David, mas não com ela. — Mas isso não ajuda muito. Eu não tenho sido fácil com você também e além disso, a cidade ficaria sem um xerife. Não acho que Regina gostaria disso.

— Tenho certeza que Regina poderia ajudar com a cidade durante isso.

— Não. — interrompeu Emma, séria. — Regina tem Henry para cuidar e também tem seu próprio trabalho. Eu não quero que vocês a incomodem.

Os dois se entreolharam, como se tivessem algo a acrescentar, mas não fizeram. Neve se aproximou da filha e acariciou sua bochecha.

Emma permitiu.

— Você não precisa ficar aqui sozinha. — Repetiu Neve.

Emma olhou a mãe confusa e notou David se afastar, levemente incomodado.

— Tenho certeza que alguém poderia vir e passar esses dias com você.

Foi só então que a loira percebeu. Sua mãe queria dizer uma companhia para sexo. Isso a fez engasgar com o pensamento.

Emma deveria querer isso, certo? Mas ela não conseguia pensar a respeito. Depois de sua ligação com Regina, quando antes disso ela tinha tido uma onda de calor extrema, ela não voltou a sentir a necessidade de estar com alguém. Na verdade, ela se sentiu mal com a oferta da mãe.

— Não. — Emma respondeu. — Vou fazer isso sozinha. Obrigada por se importar.

Neve acariciou, mais uma vez sua bochecha e apenas concordou.

Emma se despediu dos pais. Recebendo um abraço apertado de cada um e então ela foi deixada para trás, no pequeno quarto da pensão de Gold.



-



Emma respirou com rapidez, deixando o ar voltar a entrar aos pulmões em um ritmo mais uniforme. Ela estava deitada no chão, com os olhos fechados e uma das mãos dentro da calcinha.

Tinha acabado?

Por favor, que tenha acabado.

A onda de calor tinha sido tão enlouquecedora, tinha começado um pouco depois que seus pais deixaram o quarto, ela tinha apanhado um livro idiota na prateleira e uma cena boba de sexo acordou essa febre.

Emma tentou focar em outra coisa.

Pensou em dias de chuva.

Pensou nos pais.

Pensou em areia nas roupas.

Pensou no filho.

Mas nada adiantou.

Ela decidiu então apenas pegar o livro idiota e terminar a leitura, mas ela não se importava mais com a história. Apenas as cenas eróticas.

Outros livros na prateleira também ajudaram a alimentar sua fome. Emma se livrou de sua camisa e jaqueta, quando um calor aqueceu seu corpo e suor escorreu por suas costas. Ela começou a arder.

Em algum momento o jeans também se foi e os livros. Emma deitou na cama e começou a pensar. Pensar nos ex-namorados e ficantes. Ela pensou em Neal, como ele a deixava confortável. Pensou em Lily, como era perigoso e excitante. Então havia Jackson, Alex, Samanta… Ruby.

Ruby surgiu em seus pensamentos e Emma queria que tivesse mantido seu celular para ligar para ela. Chamar Ruby até aqui.

Mas ela não fez porque… Regina.

Regina tomou sua mente, como sempre fazia. Ocupando tudo. A fazendo sentir inúmeras emoções. Carinho, preocupação… desejo.

Emma suspirou, depois de se recuperar de seu último orgasmo. Insatisfeita e sem nenhum pênis a vista.

Ela se perguntava se estaria presa a essa merda para sempre. Amarrada aos pais, para não ser uma maníaca sexual o dia todo e depois trancada em um quarto mágico tentando se aliviar.

Um barulho começou a soar no quarto, como uma campainha. Emma se ergueu do chão e encontrou um celular na mesa de cabeceira. Não era seu, mas, mesmo assim, ela atendeu.

— Alô. — Disse Emma.

— Senhorita Swan, como você está? — Disse a voz monótona de Gold.

Emma suspirou e se sentou na cama.

— Como sei se acabou?

Emma pensou que depois de sua maratona de orgasmos ela só podia despertar como alfa ou ômega. Ser um alfa a daria um pênis, então provavelmente quando ele surgisse o calor acabaria… mas como ela saberia caso fosse uma ômega?

Um pigarro soou no outro lado da linha.

— A excitação desaparecerá aos poucos e esse é o sinal mais importante. Você não ficará mais excitada com qualquer estímulo.

— Desculpe, por perguntar. — Emma disse sem jeito. — Você é a última pessoa com quem eu queria conversar sobre isso.

— Tenho mais de 300 anos, Senhorita Swan. Poucas perguntas podem me constranger e eu não pensarei nisso mais do que o necessário. — Continuou Gold em seu tom inabalável. — Agora, como fui forçado a isso, me diga. Você já terminou? Devo libertá-la da caverna?

— Sinceramente, eu não sei. — Emma disse confusa. — Há quanto tempo estou aqui?

— Desde que seus pais a deixaram aí, foram 12 horas.

Isso era um tempo impressionante, mas, ainda assim, pouco, comparado ao que Emma pensava. Ela acreditava que estava aqui há um dia completo.

— Vamos fazer o seguinte. — Gold voltou a falar. — Vou esperar mais duas horas e então te ligarei, se você não estiver mais no calor, então será seguro sair.

— Tudo bem.

Quando o celular ficou mudo Emma o devolveu para a gaveta.

Emma se deitou na cama, menos incomodada com o calor que os lençóis e o colchão poderiam causar. Ela pensou em Regina. Como a mulher tinha ocupado seu pensamento por horas.

Emma tentou entender o porque disso.

Regina era sua amiga e ela se importava muito com ela, mas Emma não tinha notado como ela ainda tinha uma atração pela mulher. Isso tinha acontecido antes, quando Regina era apenas a mãe adotiva de Henry, mas depois que toda a coisa da maldição e identidade de Rainha surgiu muita coisa mudou.

Emma tinha tanta merda para se preocupar. Seus pais. Criaturas mágicas. Henry. Neal.

Quando tudo finalmente se acalmou a última coisa que ela poderia pensar era trazer mais confusão para a família. E definitivamente, ela e Regina seriam confusão.

Merda, Regina provavelmente nem a olhava assim.

Emma precisava afogar esses sentimentos o mais profundamente possível.



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Emma sempre era encarada quando andava pela cidade. A coisa toda do salvador a tornava uma figura bem chamativa. Porém, agora, a atenção era bem diferente.

Emma era um alfa e isso parecia chamar a atenção, mais do que o título de salvador. Sua mãe tinha dito que ela era um bom partido e que se estivessem na Floresta Encantada a maioria dos reis enviaria ouro para tentar uma proposta de casamento. Ela era um dos poucos alfas solteiros na cidade e havia uma quantidade considerável de ômegas, solteiras e até unidas a betas que adorariam uma oportunidade.

Grosseiro, foi sua resposta a mãe.

Neve deu de ombros e disse que ela estava com sorte.

Mas Emma não tinha tanta certeza. Ela ainda não tinha contado aos pais que o despertar tinha dado errado, ela não contou a ninguém, por mais que pensasse que Gold sabia de algo. Quando ele apareceu em seu quarto da pensão, junto a Neve, ele tinha um olhar tão estranho.

Em meio a isso, havia seus sentimentos por Regina que ela estava tentando apagar, enquanto deixava Ruby bajulá-la.

Emma tinha decidido levar a mulher e Henry para um jogo de beisebol na cidade. E tudo deveria estar ido bem. Ruby estava empolgada, por estar fora de Storybrooke, e estava genuinamente tentando aprender sobre o esporte. Emma tinha emprestado uma de suas camisas do Dodgers e a mulher tinha comprado um boné para combinar e as grandes luvas de dedo quando chegaram ao estádio. Os três estavam empolgados e a partida estava indo bem.

— Eu admito não entender nada que está acontecendo, mas a energia aqui é tão boa. — Ruby sussurrou no ouvido de Emma.

— Hei, mãe, você está vendo o jogo? O Dodgers está acabando com o Giants. — Henry gritou.

Emma olhou em direção ao filho e viu o celular em sua orelha. Ela queria ser aquela que ensinou tudo sobre esportes a Henry e que o fez amar o Dodgers, mas Regina era uma atleta. Quando chegou ao mundo sem magia ela aprendeu tudo sobre esportes e era fascinada por beisebol e futebol.

Era uma mudança e tanto dos cavalos, mas fazia certo sentido.

Emma tinha ficado admirada.

E agora, ela estava chateada. Estava tão focada em fugir de seus sentimentos que nem pensou que este seria um bom passeio em família. Algo que duas amigas podiam partilhar também.

— Olha, cachorro-quente. — Ruby disse empolgada, agarrando o braço de Emma.

— Eu quero dois, ma. — Gritou Henry.

Os três se encheram de porcarias. Cachorro-quente, refrigerantes e nachos. Henry gritou mais do que o empolgado senhor duas cadeiras a sua frente, quase pareciam competir e isso fez Emma rir. O menino também passou parte da partida trocando mensagens com Regina.

Dirigindo de volta para casa, Henry cochilando no banco de trás, Emma sentiu a mão de Ruby em sua coxa.

— Eu me diverti muito hoje, Emma.

Emma apertou o volante e se sentiu um pouco nervosa. Os dedos de Ruby subiram e desceram pela sua coxa. Elas estavam flertando, desde o calor, apenas flertes que Emma acabava incentivando. Mas ainda era estranho.

— Foi um dia divertido. — Disse Emma.

— Realmente foi. Ainda está cedo, porém. — A voz de Ruby ficou baixa e vibrava levemente. — Poderíamos ir até a toca do coelho, para alguns drinques. Ou, o meu quarto.

Emma olhou brevemente o espelho retrovisor, se certificando que Henry dormia e então voltou sua atenção a Ruby.

Talvez não fosse uma ideia tão ruim.

Assim que o carro de Emma parou na mansão, ela pediu que Ruby esperasse no carro, enquanto carregava seu filho sonolento até a mansão. Felizmente, havia a magia para auxiliar o processo.

Emma abriu a porta, enquanto ouvia os resmungos sonolentos do filho.

Regina apareceu, saindo da cozinha e deixando uma taça de vinho de lado, junto com um livro que ela também carregava.

— Emma, ele está pesado para você carregá-lo. — Regina repreendeu, enquanto a ajudava.

— Sorte a dele que a mamãe tem muita magia.

As duas trocaram um sorriso e subiram as escadas em silêncio.

Regina tirou os sapatos do menino e o boné torto que ainda estava em sua cabeça. Emma deitou Henry com cuidado na cama.

— Ele deve ter se divertido.

— Fã número um dos Dodgers. — Emma brincou, enquanto depositava um beijo na testa do filho. — Eu nunca vi esse garoto tão empolgado. Talvez só quando o levamos ao parque da Disney, mas ele nunca vai admitir.

— Nunca mesmo.

As duas caminharam devagar pelo corredor, apenas aproveitando.

— Você gostaria de uma bebida? — Perguntou Regina.

Emma parou no alto da escada e observou a outra mulher. Regina sorriu para ela.

— Eu… — Disse Emma. — Eu gostaria, mas. Ruby está me esperando no carro.

— Wow.

O sorriso de Regina desapareceu e a mulher tomou a frente na descida pelas escadas. Ela não correu, apenas caminhou mais a frente. O que possibilitou que Emma a observasse. Ela estava vestida com um roupão pesado preto e quando chegou ao final da escada, se virou para ela, e Emma reconheceu a camiseta dos Dodgers e a legging que vestia.

— Não vou prender você por muito tempo então. — Disse Regina.

Um sorriso menor em seus lábios.

— Não se esqueça de pegar Henry amanhã de manhã. Não quero que ele fique sozinho, enquanto eu termino os últimos ajustes da Feira das Velas.

— Acho um absurdo a cidade te obrigar a trabalhar tão em cima da hora, só porque um bando de fadas não cumpriu seus prazos.

— Eu preciso lembrar você o quanto a Azul me odeia? — Zombou Regina.

Não, ela não precisava. Emma já tinha se estranhado mais que um punhado de vezes pelo comportamento da Fada em relação a Regina.

— Eu poderia ajudar.

— Tá tudo bem, Emma. — Disse Regina com sinceridade. — Eu só preciso fazer minha expressão de Rainha Malvada e assinar as últimas licenças.

Elas caminharam até a porta.

— Tudo bem. — Disse Emma, ainda insatisfeita. — Mas se você não estiver fora de lá até o almoço, vou aparecer para resgatá-la.

Regina riu profundamente com aquilo e assentiu com a cabeça.

A porta foi aberta, mas Emma hesitou em sair. Regina ainda estava dentro do saguão, provavelmente se escondendo de olhos curiosos, ela detestava que alguém na cidade a visse em roupas casuais.

Emma se curvou em direção a mulher e depositou um beijo em sua bochecha.

Quando ela se afastou, sentiu suas bochechas queimarem e o olhar surpreso de Regina não ajudou em seu constrangimento.

— Boa noite, Regina.

— Boa noite, Emma.



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Ir pra cama com Ruby não foi tão ruim. Mesmo sem o pênis idiota elas tinham se divertido. O problema? O grande problema é que Emma estava sempre fazendo besteira.

Emma não conseguia tirar Regina da cabeça.

E ela sabia que isso explodiria em sua cara mais cedo ou mais tarde.

Mas no momento ela estava ajudando sua mãe com a barraca de velas. Por alguma razão Neve tinha decidido fazer a sua própria e tornar aquilo uma tradição familiar. Então David, Henry e Emma estavam incumbidos de ajudá-la.

— Eu posso buscar outra caixa de velas. — Henry ofereceu.

— Muito esperto, garoto. — Zombou Emma.

Henry bufou e atendeu outro cliente que tinha aparecido. Triste por não conseguir escapar da barraca para se juntar aos amigos.

— As velas estão muito cheirosas esse ano, Neve. — Disse uma mulher.

Mas seus olhos estavam sobre Emma, enquanto ela erguia uma vela torta que eles tinham feito as pressas na semana passada. Isso fez os pelos de Emma se arrepiarem.

— Nós fomos para a cidade, para conseguir novas essências. — Neve começou a falar. — Foi uma viagem tão agradável, não é, Emma?

Emma concordou com a mãe, enquanto atendia outra cliente que também lançava olhares a ela.

Deuses, oque estava acontecendo com as mulheres dessa cidade?

— Mamãe. — Henry exclamou.

A atenção da barraca foi atraída para Regina que caminhava calmamente naquela direção. Emma notou quando ela passou um braço sobre os ombros do filho e o repreendeu. Ninguém que não os conhecesse notaria, mas Emma conhecia as expressões de ambos. Os lábios apertados de Regina e a sobrancelha baixa do filho.

Regina usava calça de couro preta e botas também de couro, o que deixava suas pernas mais longas. Ela usava uma regata branca e um colete cinza longo. Nos olhos um óculos escuros.

Era incomum ver Regina tão casual em celebrações da cidade o que dexou Emma feliz.

— Xerife.

A moça que ela atendia tocou sua mão demoradamente e insistiu que ela lhe mostrasse as fragrâncias.

— Neve, fiquei sabendo que preciso colocá-la sob uma nova maldição. — Disse Regina.

— Como se você precisasse de motivos.

As mulheres na barraca olharam surpresas enquanto Regina e Neve conversavam civilizadamente, Emma tinha certeza que a mãe teria cumprimentado Regina com um abraço se isso não fosse deixar Regina brava.

Henry ajudou a terminar de atender as clientes, enquanto Emma ainda estava presa a mulher a sua frente.

— Eu estou tão confusa.

— Bom. Lavanda é geralmente a que mais sai. — Emma tentou ajudar.

A mulher apanhou a vela e cheirou profundamente, os olhos fechados e um gemido quase constrangedor. Emma olhou ao redor, mas sua família estava distraída.

Um aroma diferente surgiu. Algo doce e atrativo.

Emma olhou ao redor, mas não parecia vir de nenhuma das velas. Foi quando ela ergueu os olhos para a mulher a sua frente, vinha dela e ela estava ciente. Já que encarava Emma com desejo.

Feromônios? Ela tinha conversado com Ruby sobre isso. Tinha aprendido algumas coisas, mas geralmente ela só mergulhava no desejo que isso a provocava. Exceto que agora era bem óbvio.

Mas sua família estava aqui. Isso era desrespeitoso.

— Você vai levar algo? — Emma disse séria.

A moça sorriu e levantou a mão para acariciar o braço de Emma, mais uma vez.

— Porque você não me deixa atender. — Disse Neve preocupada.

Emma olhou para a mãe confusa, mas não teve tempo de dizer nada, já que Henry a arrastou para longe da barraca.

— Vamos, ma. Vamos almoçar.

Henry correu a frente dela e de Regina.

— Algumas pessoas são meio sem noção.

Emma olhou confusa para Regina.

— A mulher, estava flertando com você. — Regina explicou. — Mas você não precisava ficar tão mal-humorada.

— Mal-humorada?

— Deu pra sentir seu aborrecimento, até eu me senti mal.

Os feromônios podem afetar as pessoas ao redor, mesmo que você não os direcione há elas. Quanto mais forte a emoção, mais forte é o odor.

— Sinto muito. — Disse Emma.

— Tudo bem. — Respondeu Regina. — Como eu disse, tem muita gente sem noção. Você apenas reagiu. Está aprendendo também.

— Eu notei o que estava acontecendo, mas não notei meus próprios feromônios.

— Eles são desencadeados por emoções, Emma. — Regina disse com paciência. — Se ficar muito presa na emoção não vai conseguir focar no outro sentido. Você vai pegar o jeito. Eu quase não sinto mais o cheiro.

— Eu ainda cheiro a isso?

Emma agarrou a gola da camisa e tentou encontrar o aroma, mas ela se sentia apenas suada.

As duas entraram no Jantar da vovó e Henry já estava empoleirado em uma cabine, conversando animadamente com Ruby.

Droga.

— Olá, majestade. Wow, você entrou em alguma confusão? — Ruby debochou ao ver Emma.

Regina cumprimentou Ruby e foi se sentar ao lado de Henry.

— Você tá bem?

— É sério, a porcaria desses feromônios são como um letreiro neon? — Questionou Emma aborrecida.

— Hei, se acalme. Estou do seu lado.

Emma suspirou, aborrecida, com ela mesma e assentiu. Ruby acariciou sua face, mas se afastou, não querendo chamar atenção no ambiente de trabalho.

— Então, o de sempre? — Questionou Ruby.

Regina e Henry assentiram com a cabeça, mas Emma acrescentou alguns pratos. Quando ela ergueu os olhos e viu as expressões questionadoras de Regina e Ruby.

— O que?

— O Jantar está cheio hoje, preciso correr com os pedidos. — Disse Ruby. — Você cuida disso, majestade?

Ruby piscou para Regina e saiu apressada para entregar as comandas na cozinha.

Henry escapou da cabine para ir ao banheiro.

— Provavelmente não é nada, mas… — Regina disse confusa. — O apetite abre quando o calor se aproxima.

— Eu acabei de passar por isso, não tem nem um mês.

— Sim e não. — Regina disse. — Você estava se apresentando, então agora o seu ciclo de calor vai começar a se estabelecer. Mas pode ser apenas o seu apetite interminável. Você comeu hoje cedo?

Emma pensou sobre aquilo. Seu pai tinha ficado mal-humorado porque os biscoitos assados na noite passada tinham acabado. Ela passou no Jantar para quatro fatias de torta e um chocolate quente. E tinha feito paradas ao longo da manhã, para comer salgadinhos e beliscar alguns doces.

— Eu posso tomar supressores dessa vez?

Foi o único pensamento na mente de Emma.

— Claro. — Regina respondeu. — Mas você também tem uma namorada para passar por isso dessa vez. Acredite, é melhor do que supressores.

— Então, eles não ajudam?

— Apenas, silenciam os feromônios e te deixam… levemente anestesiado. — Regina continuou a falar. — Você ainda estará excitada, mas não vai sentir vontade de rasgar suas roupas em qualquer lugar. E apenas… você sabe.

Sim, Emma sabia.

A apresentação tinha sido um inferno, ela estava pensando que não passaria por aquilo tão cedo de novo. Mas aqui estava ela.

Emma deitou a cabeça sobre a mesa e suspirou aborrecida.

Ruby retornou com o pedido e soltou um risinho, enquanto conversava com Regina. Elas não realmente falavam. Apenas algumas frases sociáveis.

Henry voltou no meio disso.

— Vai ficar tudo bem, Emma. — Disse Ruby.



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Ruby estava empolgada com a possibilidade de passar o calor com Emma, mas isso era impossível. Com a aproximação do calor, além de comer em excesso, Emma também não parava de pensar. E em seus pensamentos havia apenas uma mulher, Regina.

Não era justo com Ruby, Emma precisava terminar tudo.

— Ruby não vai acontecer. — Disse Emma.

— Como?

Emma não queria ter essa conversa na delegacia, depois de devorar o almoço que Ruby tinha trazido pra ela. Mas Ruby não parava de falar sobre o calor, brinquedos e posições.

— Não consigo fazer isso, Ruby. Eu sinto, muito mas. Você é legal e eu me senti muito bem no tempo que passamos juntas, mas. — Emma disse com pesar. — Não dá pra passar o calor juntas.

— Seus hormônios estão gritando por alguém, não é?

A pergunta descontraída surpreendeu Emma.

— Você não está brava?

— Emma, por favor. — Ruby disse com diversão. — Eu queria transar com você e imagino que você queria o mesmo. Foi bom. Descobri que além de gostosa, você fode bem. Uma pena que não posso curtir uma maratona de orgasmos com você, mas, hei. Somos amigas. Então, me diz, com quem você pretende passar o calor?

— Ninguém. — Respondeu Emma séria, mas confusa com as declarações de Ruby. — Vou me trancar naquele quarto na pensão de Gold com uma boa carga de supressores. Até que acabe.

— Que bobagem, Emma.

Emma negou com a cabeça. Era a única saída.

— Olha, se você não vai conseguir… ficar com essa pessoa durante o seu calor. — Ruby disse com incerteza. — Apenas vamos fazer isso. Não ligo se você me chamar de Sara ou Marta. Vamos coçar nossa coceira.

Isso fez Emma franzir o cenho. Daria certo?

Era correto?



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— Acho que nunca mais conseguirei falar com Ruby novamente.

Emma ouviu a voz sussurrada de sua mãe no andar de baixo.

— O que houve? — David questionou confuso.

— Você sabe como ela costuma ficar quando bebe. — Continuou a mãe, desconfortável. — caramba, ela me deu tantos detalhes do calor com Emma. Estou horrorizada.

Houve um silêncio e depois um som abafado, o que só poderia ser um tapa.

— Não quero saber das habilidades sexuais de nossa filha na cama. — Disse Neve aborrecida. — Você poderia ser um pouco menos alfa agora.

— Olha, sei que você está horrorizada, mas isso é bom. — David interrompeu. — Nossa filha está bem.

— David… eu não acho que isso seja verdade. — Neve fez uma longa pausa. — Quando ela chegou em casa. Parecia triste. Acho que nossa menina está tendo problemas do coração e não sei como fazer ela se abrir. Às vezes, acho que ela não confia em mim.

— Não acho que seja isso.

E não era.

O problema de Emma era estar apaixonada por Regina Mills e não poder fazer nada a respeito. Ela queria afogar aqueles sentimentos, talvez até esquecê-los.

Ela tinha pensado em Regina durante todo aquele período. Sua mente lutou contra seu corpo e ela se perguntava se Ruby tinha notado isso. Seus feromônios tinham sido claros sobre isso?

O que eles diziam?



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Emma estava na estação, fazendo uma tonelada impossível de papelada que seu pai “esqueceu” de preencher durante o pequeno recesso dela. Em outro momento ela poderia se sentir chateada, ou talvez brava, mas agora toda a papelada era um bom passatempo.

Ela enviou Mulan para a patrulha e estava em contato constante.

Emma também não estava a fim de lidar com as mulheres da cidade que ainda queriam sair com ela. Principalmente depois que Ruby tinha espalhado suas habilidades sexuais.

Acontece que em sua bebedeira ela tinha conversado com mais pessoas e não apenas sua mãe. O que agora rendia uma atenção altamente indesejada. Não só de ômegas, mas alfas. Ela tinha se estranhado com Frederick depois de oferecer o porta-guardanapos para Kathryn.

Então a delegacia era um bom lugar para se estar agora.

Emma estava focada em seus papéis, quando ouviu três batidas. Ao erguer os olhos, encontrou Regina, com uma bolsa térmica.

— Almoça comigo? — Perguntou Regina.

Emma se apressou em concordar. Ela moveu a papelada e Regina encheu a mesa com vários potes, com comidas diferentes.

— Falta uma coisa. — Emma disse.

Já se curvando sobre seu frigobar e apanhando duas cervejas. Regina não parecia contente, mas aceitou a bebida gelada mesmo assim.

Elas se alimentaram em um estranho silêncio.

— Você está bem? — Regina perguntou.

— É, claro. — Emma respondeu sem jeito. — Está tudo bem.

— Você espera que eu acredite nisso?

O tom de Regina era brincalham, mas não aliviou as coisas para Emma.

— Sua mãe diz que você está meio estranha.

— Você e minha mãe conversam agora? — Emma disse impaciente.

Ela viu Regina franzir o cenho e desviar os olhos.

— Sobre Henry e você? Sempre.

Isso fez Emma erguer os olhos para ela.

Elas eram amigas. Emma não deveria ser tão esquiva assim.

Uma mão de Regina se estendeu para segurar a sua sobre a mesa e Emma olhou naquela direção. Emma segurou a mão de Regina e a outra mão da mulher se juntou.

Elas ficaram alguns segundos assim, antes de Regina falar de novo.

— Emma. — Começou Regina hesitante. — Aconteceu alguma coisa durante o seu calor?

Emma ergueu os olhos e ficou confusa. Regina podia sentir isso?

— A senhorita Lucas passou dos limites?

— O que?

— Me diga, algo aconteceu? — Regina soava aflita.

Isso fez o coração de Emma se apertar. Regina estava preocupada com ela.

Emma apertou as mãos da morena e curvou a cabeça para beijá-las.

— Ruby não fez nada errado. — Emma sussurrou.

— Outra pessoa fez?

— Não.

Os lábios de Emma continuavam junto aos dedos de Regina e ela não conseguiu evitar beijá-los mais uma vez.

Ela perderia tudo isso se contasse a Regina a verdade?

— Me diga o que houve, por favor.

Regina não pedia por favor. Ela era uma Rainha e estava sempre dando ordens. Mesmo os seus pedidos, por mais gentis que fossem não pareciam pedidos.

Mas se Emma continuou guardando esse sentimento ela não perdeu que suportaria.

Regina e ela sempre encontraram uma forma de renovar as coisas. Talvez fosse algo que eles pudessem recuperar também.

— Eu sinto que minha mente está com raiva de mim. — Emma começou incerta. — O calor enlouqueceu meu corpo. Eu fiz querer estar com alguém. Ruby se ofereceu e… e eu topei. A apresentação tinha sido horrível, mas… parece que o calor foi pior. Meu corpo podia querer desesperadamente estar com alguém, mas minha mente não a queria. Não queria Ruby.

Emma se afastou das mãos de Regina e recostou-se na cadeira. Sem olhar para ela.

– Sabe. — Regina disse. — Eu passei por algo parecido. Com Daniel. Por muitos anos ele esteve em meu coração. E toda vez que eu me deitei com outro, principalmente no calor, eu senti um vazio horrível.

— Isso passa?

— Bom… — Regina ficou em silêncio por um tempo. — Daniel sempre estará em meu coração, mas ele não é a única pessoa lá agora. Então, sim. Um dia passa.

Emma Sai para o chão.

—Mas Daniel morreu. — Emma tentou não voar insensível — Você sabe que ele está morto. Como posso esquecer alguém que está bem ao meu lado?

— Emma… eu não saberia.

Emma suspirou pesadamente.

Não seja uma capa .

— É você. É você quem meu coração quer, Regina.

Emma não conseguiu olhar para Regina quando disse isso e abriu os olhos quando pegou o som do arrastar da cadeira.

Lágrimas queimavam seus olhos.

Regina estava partindo?

Emma não foi deixada sozinha. Regina se ajoelhou ao lado de sua cadeira e a virou, para ficarem frente a frente. Foi só quando senti a testa de Regina contra sua e suas mãos dela apertando as laterais de sua jaqueta.

— Seu idiota.

Emma abriu os olhos, confusa.

Os lábios de Regina se juntaram aos seus e Emma sentiu sua mente espiralar.