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Redamancy

Summary:

Redamancy
(s.) O ato de amar aquele que te ama; um amor retribuído em sua totalidade

Yoongi ama Jimin de todo o seu coração e ele sabe que o sentimento é mútuo. Porém, ele não imagina que o mais novo guarda um grande segredo sobre quem é por medo de perder o Min.
Aquele era o dia que o Park finalmente tiraria esse peso de seus ombros, ele só não sabia qual seria a reação de Yoongi.

Yoonmin | Regressão/Agere | Little!Jimin | Yoonmin são dois bobos apaixonados

Chapter 1: Meeting

Chapter Text

Dizer que Yoongi estava nervoso era como diminuir um ciclone a apenas uma ventania. O rapaz suava frio, sentindo as palmas de suas mãos geladas e escorregadias pela quantidade de suor que saia por suas glândulas sudoríparas, assim como a pele de suas costas que já começava a molhar o tecido da camiseta que havia recém colocado.

O rapaz ponderou por alguns minutos se deveria tomar banho mais uma vez, apesar de ter saído do chuveiro a menos de uma hora, mas acabou abandonando a ideia já que faltava pouco tempo para que Jimin chegasse, então não poderia arriscar ainda estar no banho quando o mais novo tocasse sua campainha. 

Sabendo que precisava se acalmar de algum modo, Yoongi optou por sentar na ponta de sua cama, respirando fundo algumas vezes, sentindo o ar gelado do seu quarto preenchendo seus pulmões em chamas enquanto contava silenciosamente os intervalos entre as inspirações e expirações, imaginando e concentrando-se no formato dos números em sua mente enquanto os contava.

Quando abriu novamente seus olhos, que sequer lembrava de ter fechado durante os minutos que se passaram, Yoongi sentia-se um pouco mais calmo, o som agitado de seu coração não reverberando mais com tanta intensidade em seus ouvidos. Ao levantar o olhar de suas mãos não mais tão suadas, que repousavam sobre suas coxas, a visão do jovem foi tomada por seu reflexo no espelho que ficava em frente ao ponto que havia sentado na cama. Da pouca distância que separava os objetos, o rapaz conseguia ver o tom rubro de suas bochechas, assim como alguns poucos vasos que se sobressaiam em sua esclera. Ele passou um bom tempo parado em frente ao espelho de corpo inteiro, analisando cada pequeno detalhe de seu corpo, indo desde os pés cobertos apenas por uma meia preta até o último fio de seu cabelo que se destacava do resto do cabelo ainda úmido. 

Yoongi entendia, no fundo, que não havia motivos para que ele estivesse tão nervoso, porque sabia que tudo correria bem naquela tarde, assim como tinha planejado e revisado mais de mil vezes em seus pensamentos na última semana, mas só de pensar que finalmente encontraria Jimin pessoalmente depois de quase um ano que os dois se conheciam - e quase cinco meses desde que haviam finalmente iniciado o relacionamento a longa distância - ele sentia seu coração acelerando novamente, enquanto sua mente criava centenas de cenários com finais diversos, porém todos igualmente trágicos.

O jovem encontrava-se perdido em seus próprios pensamentos, quando foi puxado abruptamente de volta para a realidade ao escutar o som da campainha de seu pequeno apartamento reverberando por todos os cômodos, chegando até aquele no qual se encontrava.

— Certo, Yoongi, é agora. Por favor, não estraga tudo — o Min pensou em voz alta, soltando uma última lufada de ar, antes de se levantar, não querendo deixar o mais novo esperando do outro lado da porta. 

Novamente com as mãos trêmulas, o Min cruzou a distância curta do seu quarto até a entrada do apartamento - esta que parecia ter dobrado de tamanho desde a manhã daquele dia -, sentindo suas pernas bambas durante todos os passos, temendo cair sob o peso do próprio corpo a qualquer segundo.

Assim que chegou em frente a porta, todas as cenas que havia criado em sua mente durante as longas semanas desde que descobriu que Jimin tinha comprado as passagens de ônibus para o visitar, voltaram a sua mente como uma enxurrada. Todas as possibilidades de cumprimentos, de reações, tanto suas, como do mais novo, passando por sua mente em milésimos de segundos, nublando sua visão por um espaço de tempo que não sabia se tratavam-se de poucos segundos ou até alguns minutos. 

O rapaz apenas voltou a si quando o som da campainha o tirou novamente de sua espiral de pensamentos, dessa vez o som estando muito mais alto por causa de sua proximidade com o pequeno alto-falante do aparelho localizado acima da porta. Ainda um pouco assustado e atordoado, o Min acabou girando a maçaneta com mais força do que desejava, abrindo a porta de madeira de uma vez, criando uma pequena lufada de ar, esta que refrescou brevemente o seu rosto molhado por uma nova camada de suor. 

O ato repentino acabou assustando o Park, este que estava com as duas mãos apoiadas na porta do apartamento do mais velho, tentando espiar o lado de dentro da moradia através do olho mágico ridiculamente baixo, mas sem nenhum sucesso. Jimin havia cogitado a ideia de que Yoongi não estava em casa por causa de sua demora, então resolveu tentar ver algo através do olho mágico localizado no centro da porta de madeira, querendo saber se as luzes do lado internas estavam desligadas, indicando que o mais velho não estava em casa. Jimin estava tão concentrado em sua missão de espiar dentro do apartamento - o que o olho mágico teoricamente deveria o permitir -, que sequer pensou em se desapoiar da porta quando tocou mais uma vez a campainha, querendo saber se algo se moveria do outro lado com a repetição do som estridente.

A cena que se desenrolou seria cômica, se não fosse um pouco trágica para ambos os jovens: Jimin acabou se assustando com o movimento rápido do objeto no qual estava se apoiando, o que não lhe deu tempo de reação o suficiente para reajustar o peso de seu corpo, fazendo com que toda a parte superior de seu tronco fosse para frente, tentando acompanhar a movimento em arco da porta, acabando por fazer com que ele caísse - literalmente - contra o peito de Yoongi, este que não havia esboçado nenhuma reação durante os milésimos de segundos nos quais a cena a sua frente se desenrolou, o que levou os dois corpos ao chão.

Durante alguns momentos os dois jovens permaneceram na mesma posição, confusos demais com o que havia acontecido para esboçarem qualquer reação que não fosse olhar para o nada, tentando processar como em tão pouco tempo a situação tinha mudado tão drasticamente. Apesar do choque inicial, não demorou muito para que os rapazes voltassem a si, o primeiro deles sendo Jimin, percebendo que além da queda que sofrera, ele ainda havia caído sobre o corpo do mais velho, que permanecia sendo esmagado sob o seu peso. 

Ao que sua ficha caiu, a primeira reação de Jimin foi apoiar suas duas mãos no chão, próximas aos ombros de Yoongi, levantando seu rosto do peito do outro, olhando preocupado para o rosto do Min que permanecia de olhos fechados, tomando consciência aos poucos das dores em algumas regiões de seu corpo, inclusive em sua cabeça que se chocou contra o chão sem nenhum tipo de proteção.

— Hyung, você está bem? ‘Me desculpa, por favor. Você está bem? Hyung! Abre os olhos, por favor! — Jimin desesperava-se um pouco mais a cada frase, vendo o corpo inerte de seu hyung abaixo do seu. 

Um grunhido misto com um gemido saiu por entre os lábios de Yoongi, conforme ele sentia a parte de trás de sua cabeça começando a latejar por causa do impacto, a dor apenas se tornando mais intensa com a proximidade e volume da voz de Jimin, esta que praticamente soava como um grito a seus ouvidos. Foi nesse exato momento que ele finalmente se deu conta: Jimin estava ali!

O mais velho abriu os olhos de uma vez, ainda vendo o mundo se movendo levemente, enquanto seus olhos tentavam focar na figura parada a alguns centímetros de seu rosto, que o encarava profundamente com olhos escuros brilhantes, os quais mais pareciam segurar o Universo por completo. O rosto do Park era mais lindo pessoalmente do que qualquer imagem que Yoongi podia imaginar já ter visto pelas fotos e vídeos que o mais novo lhe mandava, sendo que nenhuma câmera conseguia fazer jus a sua real beleza divina. Entretanto, havia algo que destoava de toda a visão gloriosa que enchia os olhos de Yoongi, algo que ele não conseguiu identificar em um primeiro momento, porém ele sabia que estava ali - Jimin tinha a expressão preocupada, seus olhos carregando uma ponta de desespero que o mais velho não entendia de onde havia saído. 

— Consegue me ouvir, hyung? Por favor, fala comigo! Eu vou ligar para a ambulância! — Foi somente com a última frase do loiro que Yoongi saiu do transe no qual parecia ter entrado olhando para o rosto esculpido do mais novo. Jimin estava falando consigo enquanto ele o olhava com uma cara de bobo. 

— Jimin? 

— Hyung! Você está bem? Quer que eu chame alguém? Onde dói? — Jimin falava rapidamente, jogando várias perguntas para o Min que tentava inutilmente acompanhar sua linha de raciocínio. 

— Você é tão lindo, Jimin — foi a única coisa que Yoongi respondeu, fugindo completamente de todas as perguntas do Park. Não havia muito o que ele pudesse fazer, no entanto, no final ele era um bobo apaixonado. 

— Eu não acredito nisso, Yoongi! Eu estava a um passo de ter um ataque de nervos! — Jimin não conseguiu controlar sua risada em frente a resposta do Min, rindo docemente enquanto encarava o outro - este que agora possuía um sorriso bobo estampado em seus lábios - agora com uma expressão incrédula. — Eu te odeio. 

— Você continua lindo mesmo me odiando - o rapaz completou piscando apenas um dos olhos, em uma ação completamente sugestiva. Entretanto, a ação teve uma reação oposta à esperada, causando uma crise de riso em Jimin, fazendo-o perder a força nos braços que ainda o sustentavam, deixando-se cair novamente, dessa vez sobre uma das clavículas do outro. 

O casal passou um bom tempo naquela posição, aproveitando a risada um do outro, sem se importar que estavam no chão frio, ou que a porta do apartamento ainda estava aberta, dando uma visão clara do que acontecia do lado de dentro para qualquer um que passasse no corredor naquele momento. 

Quando as risadas finalmente se acalmaram, os dois jovens permaneceram na mesma posição deitados no chão, Jimin aproveitando o som abafado das batidas do coração do mais velho, enquanto Yoongi sentia o cheiro do shampoo com aroma de laranjas que emanava dos fios do mais novo. Naquele momento só existiam os dois, as duas respirações, o calor dos dois corpos, a aura calma um do outro e nada mais. Eles sequer conseguiam acreditar que estavam na presença um do outro depois de tanto tempo desejando se encontrar, mas não conseguindo pelos mais diversos motivos, estes que agora pareciam tão ínfimos e distantes quando finalmente tinham um ao outro em seus braços.

— Eu ainda não consigo acreditar que isso é real. — Yoongi foi o primeiro a quebrar a atmosfera calma que havia se estabelecido, passando as mãos pelo cabelo loiro do mais novo, sentindo toda a maciez dos fios - ele sabia o quanto Jimin amava esse gesto pelas longas conversas que tiveram noites adentro durante os longos meses que se conheciam. 

No final, nada havia saído como Yoongi tinha imaginado, o primeiro encontro dos dois fugindo longe de se comparar com qualquer uma das ideias que teve de como tudo se desenrolaria. Apesar disso, ele estava extremamente feliz, porque foi único e especial do modo que somente os dois conseguiam tornar qualquer momento.

— Também não consigo. — O mais novo respondeu simples, sentindo sua voz falhar no meio das poucas palavras, sua garganta fechando-se levemente, enquanto as palavras embargadas tentavam sair. 

— Não, não, não chora! Bebê, não! — O mais velho falou desesperado, sentindo o corpo do do Park começando a tremer acima de seu peito por causa dos soluços. Ele não aguentava ver Jimin chorando, até mesmo por um motivo feliz. Sempre que os dois conversavam por chamadas de voz ou vídeo-chamadas e o mais novo chorava, seja por frustração com alguma coisa, por medo, de alívio ou até mesmo de felicidade, Yoongi acabava sentindo seu coração se apertando, uma vontade incontrolável de o abraçar tomando conta de seu ser. 

E, agora, eles estavam ali e Yoongi finalmente podia abraçar o namorado pelo tempo que quisesse, com a maior força que conseguisse, acalmando-o e o confortando enquanto fazia carinho em sua nuca e deixava selares castos em sua testa. Era o sonho de ambos finalmente se tornando realidade, era como se o Universo finalmente estivesse colaborando com eles, caminhando para seus “felizes para sempre”. 

Yoongi acabou não conseguindo controlar as próprias emoções, deixando-se levar pela atmosfera do momento, as próprias lágrimas se acumulando em seus olhos, enquanto tentava ao máximo segurar os soluços que ameaçavam romper de seu peito. Não estava sendo fácil, ainda mais quando Jimin já se encontrava completamente encolhido em seu peito, soluçando inconsolavelmente.

— E-eu te amo tanto, Yoon. 

— Eu também te amo, meu Minnie. 

Depois de mais alguns minutos, finalmente os namorados conseguiram se recompor, conseguindo matar um pouco da vontade que sentiam um do outro, restando apenas os rastros das lágrimas em suas bochechas. 

— O que acha de levantarmos do chão e ficarmos no sofá, Minnie? Acho que preciso colocar gelo da minha cabeça. — Yoongi brincou tentando aliviar um pouco o clima melancólico que havia restado depois do choro de ambos, além disso ele realmente precisava levantar daquele chão desconfortável antes que os hematomas que sabia que estavam se formando em alguns locais de seu corpo ficassem ainda mais doloridos. 

— Claro, claro, Yoon. — Jimin respondeu agitado, já se levantando desajeitadamente de cima do mais velho, tentando ao máximo não machucar ainda mais o corpo do outro com seus movimentos. Ele ainda se sentia envergonhado por ter caído por cima dele, mesmo que não tivesse sido de propósito e que o momento houvesse rendido uma história que eles contariam para o resto da vida como “a primeira vez que encontrei meu namorado eu/ele caiu por cima de mim.” — Desculpa mais uma vez, Yoon. Eu não queria te machucar. É só que você abriu a porta tão do nada, e eu tinha pensado que você não estava em casa, então estava tentando olhar pelo olho mágico, aí eu acabei perdendo o equilíbrio quando você abriu a porta-.

A fala rápida do Park foi cortada quando a mão de Yoongi repousou gentilmente em sua bochecha, em um pedido silencioso para que ele parasse de falar, o que aconteceu no mesmo instante. 

— Não se preocupe com isso, Minnie, okay? Está tudo bem. Foi apenas um acidente. E nem está doendo tanto assim, eu estava apenas brincando — o mais velho falou, fazendo um carinho leve no rosto do outro com seu polegar, depois de se sentar no chão, sentindo a pele macia, úmida e avermelhada sob sua palma. Ele aproveitou o momento para admirar mais uma vez o rosto lindo de Jimin, desta vez se concentrando nos lábios carnudos que formavam um bico adorável, estes que se encontravam levemente avermelhados por causa do quanto haviam sido maltratados enquanto o mais novo tentava segurar alguns soluços mais profundos. — Está tudo bem, okay? Nada mais de choro por hoje, se não vamos ficar com dor de cabeça. Vem, vamos sentar um pouco no sofá. 

Yoongi levantou rapidamente, tentando não demonstrar a dor que tomou conta das suas costas quando as endireitou, arrependendo-se instantaneamente de ter feito um movimento tão rápido. Apesar disso, o mais velho ajudou Jimin a levantar em seguida, esticando sua mão para que o mais baixo a pegasse.  

Yoongi esperou algum tempo até que Jimin tirasse os sapatos que ainda usava, aproveitando para fechar a porta do apartamento que tinha ficado aberta durante todo esse tempo. Quando o mais velho se virou novamente na direção do Park, este encontrava-se parado, olhando-o atentamente, seus olhos vagando calmamente por todas as partes do corpo do mais velho, até parar em seu rosto, admirando os pequenos olhos felinos, os lábios perfeitamente modelados no rosto ainda um pouco rubro por causa das lágrimas anteriores. Jimin não conseguia entender como o mais velho conseguia ser tão perfeito, simplesmente arrancando todas as suas palavras com apenas um olhar, roubando todo o ar de seus pulmões com apenas um de seus sorrisos gengivais. Ele era o porto seguro de Jimin, seu muso inspirador, um dos motivos de continuar tentando e sequer se dava conta do quanto era precioso em sua vida.

O mais novo foi se aproximando aos poucos do namorado, que ainda estava parado em frente a porta, não partindo o contato visual por sequer um segundo, temendo irracionalmente que se o fizesse o Min poderia sumir, sua presença revelando-se como apenas mais uma alucinação de Jimin durante os momentos que a distância física se tornava insuportável. Quando os dois já estavam próximos o suficiente, Jimin levantou sua mão direita, moldando sua palma na bochecha fofa de Yoongi, retribuindo o toque anterior, também sentindo a maciez que se escondia na pele aveludada. 

Os rapazes acabaram se perdendo no contato, sentindo suas respirações se misturando enquanto os corações aceleravam em seus peitos. Era a primeira vez que tinham um contato tão próximo, já que nunca tiveram a chance de se encontrar pessoalmente, e o momento parecia perfeito para finalmente realizarem mais um dos desejos que esperaram tanto tempo para consumarem. Jimin manteve sua mão no rosto de Yoongi, aproximando-se lentamente, fechando as pálpebras logo depois de ver o mais velho fazendo o mesmo, sentindo a respiração pesada deste batendo levemente contra a pele de seu rosto. 

Quando os lábios finalmente se encontraram, por mais clichê que a descrição fosse, eles não conseguiriam explicar de outro modo o que sentiram a não ser como se grandes borboletas voassem dentro de seus estômagos, contrastando o peso de suas existências com a leveza de seus voos graciosos dentro do órgão subitamente tão mais sensível. A sentimento era mágico, anestesiando os corpos de ambos, a sensação quente e leve dos lábios se sobressaindo a todos seus outros sentidos. O beijo era casto, apenas o movimentar sutil dos lábios sendo o suficiente para os dois jovens matarem um pouco da carência física que tinham acumulado em tanto tempo. 

Yoongi ainda sentia os dedos de Jimin acariciando levemente sua bochecha esquerda, e tentou retribuir o contato carinhoso envolvendo a cintura do mais baixo com seus braços, puxando-o para mais perto de seu corpo, almejando sentir mais e mais o calor corporal que parecia emanar de todo o corpo do outro. Por um momento, o Min pensou em aprofundar o ósculo, mas foi impedido quando se lembrou de todas as vezes que havia conversado com Jimin e ele o contou sobre suas inseguranças e medos em relação à contatos íntimos mais intensos, causados em parte por más experiências passadas e por sua falta de experiência, esta que somada a sua falta de autoconfiança sempre o impediam de tentar coisas novas. 

A sensação desconfortável em seus pulmões fez com que finalmente se separassem depois de mais algum tempo presos no beijo, apesar de seus corações implorarem para que continuassem na posição anterior. A mão de Jimin escorregou até a mandíbula de Yoongi em um toque tão suave que arrepiou todos os pelos de seu corpo, principalmente os de sua nuca, esta que foi o destino final da pequena mão do menor, fazendo o arrepio se intensificar ainda mais ao longo do corpo do Min, que apertou com mais força a cintura do menor em resposta. 

Nenhum deles ousou abrir os olhos por um bom tempo, aproveitando os resquícios das sensações que ainda causavam formigamentos sob suas peles, faziam seus pelos se arrepiarem, seus corações baterem forte e suas respirações rasas e descompassadas.

— É engraçado, porque eu sinto tanto a sua falta, Yoon, como se não nos víssemos a muito tempo. — Jimin quebrou o silêncio, o sentimento aumentando ainda mais de peso quando finalmente o colocou para fora.

— Eu entendo, bebê, porque sinto exatamente a mesma coisa — o mais velho abriu os olhos lentamente, encontrando as íris curiosas de Jimin presas em seu rosto, dessa vez focadas nas pequenas pintinhas que se espalhavam em alguns pontos do rosto de Yoongi, bem como seus cílios medianos e sobrancelha perfeitamente desalinhadas. — Mas, agora estamos aqui. Um para o outro, por um bom tempo. 

Com um último selar rápido, o Min retirou lentamente os braços da cintura do menor, sentindo com detalhes enquanto o outro também retirava a mão de sua nuca. Assim que a destra de Jimin voltou a repousar ao lado de seu corpo, Yoongi segurou-a, puxando levemente o corpo do outro em direção ao sofá de couro sintético não muito distante da porta de entrada do apartamento. 

O Park seguiu os comandos do mais velho sem hesitar, olhando rapidamente ao seu redor o apartamento que já conhecia tão bem por causa das dezenas de chamadas de vídeo que tinha feito com Yoongi ao longo dos meses, sempre achando adorável o modo como seu namorado parecia ficar mais agitado quando começavam a conversar por vídeo, andando por todo o apartamento sem nenhum motivo aparente - ele apenas ligava a luz, olhava ao redor do cômodo que estava, como se procurasse por algo, mas, sem pegar nada, desligava a luz, dava as costas e seguia para outro lugar do apartamento. 

Quando sentaram, o mais velho fez questão que Jimin sentasse o mais perto possível de si, por um momento até pensando em o colocar em seu colo, porém rapidamente indo contra a ideia, contentando-se em guiar o mais novo para se sentar bem próximo, de tal modo que seus quadris e coxas estavam coladas uns aos outros. 

Aproveitando a posição, Jimin rapidamente apoiou sua cabeça no ombro esquerdo de Yoongi, sentindo o cheiro do perfume amadeirado tomando conta de seu olfato no mesmo instante. Era a primeira vez que Jimin sentia o cheiro da colônia de seu namorado - ele jamais admitiria que havia comprado um pequeno vidro do mesmo perfume que Yoongi usava depois que descobriu qual era a fragrância; e, muito menos, reconheceria que passou um pouco do perfume em um de seus ursos de pelúcia para poder sentir a presença do mais velho, mesmo que ele não estivesse ali -, e ele podia afirmar com todas as suas forças que aquele era, com certeza, o melhor cheiro que já havia sentido em sua vida, transmitindo-lhe uma sensação tão reconfortante e de segurança extrema. 

Os namorados passaram algum tempo apenas sentindo o perfume um do outro, aproveitando para suprir a carência física que acumularam por tanto tempo, um silêncio confortável reinando entre os dois, este que apenas era interrompido por barulhos externos ao apartamento ou por alguma frase de amor dita por um dos rapazes. Depois do que pareceu ser quase meia hora, Yoongi teve a ideia de colocar algum filme na televisão da sala de estar, com a desculpa de finalmente conseguir realizar um sonho de adolescência, que se resumia a assistir um filme de terror com a pessoa que estivesse namorando para que tivessem a desculpa de ficar ainda mais grudados com medo das cenas mais aterrorizantes do filme. 

Entretanto, a sugestão foi rapidamente recusada pelo Park, que não poupou palavras para descrever o quanto o sonho de adolescência do mais velho era ridículo - sempre o lembrando o quanto o amava entre as frases mais rudes, preocupando-se em não o magoar de verdade -, e que eles deveriam assistir “Como Treinar o seu Dragão” - esse filme que já havia sido protagonista de algumas brigas do casal, já que Yoongi nunca tinha assistido, enquanto que Jimin era um apaixonado incondicional pela sequência de filmes, séries e especiais, possuindo até mesmo todos os livros em sua coleção. Por causa disso, o mais novo havia jurado fazer o Min assistir todos os filmes a quantidade de vezes que fossem necessárias até que ele também soubesse todas as falas de cor, assim como o próprio Park, na primeira oportunidade que tivesse. 

Yoongi até tentou fugir em um primeiro momento, mas acabou se resignando com seu destino, achando engraçado o modo como o mais novo ficava ainda mais adorável quando estava irritado. Aproveitando a oportunidade, o Min pediu para que Jimin encontrasse e colocasse o filme, depois de lhe entregar o controle, avisando que iria até a cozinha buscar alguns salgadinhos e bebidas para os dois, logo seguindo para o outro cômodo. 

Assim foi feito, o rapaz mais velho acabou demorando um pouco mais do que o esperado fazendo um balde grande de pipoca, esta que não era sua primeira opção, porém teve que a escolher quando percebeu que não restavam muitos salgadinhos nos armários, já que fazia um tempo desde a última compra grande que tinha feito no mercado. Além disso, pegou algumas garrafas de água para Jimin e refrigerante para si, apoiando todos os objetos da melhor forma que conseguia em seus braços e mãos antes de voltar para a sala de estar. 

Jimin já havia colocado o filme na televisão, agora estava esperando por Yoongi, enquanto mexia em seu celular. O Min não pode evitar encarar o mais novo enquanto dava a volta no sofá para poder se sentar. Como Jimin conseguia ser tão bonito no final das contas? Ainda lhe parecia impossível um ser humano tão perfeito existir. 

— Acabei esquecendo de avisar a minha mãe que cheguei na sua casa e ela já estava dando a louca, ‘me ameaçando dizendo que iria ligar para a polícia. — Jimin comentou sem sequer levantar os olhos do celular, mantendo o olhar focado na tela do aparelho, digitando na maior velocidade que seus dedos permitiam, tentando tranquilizar sua mãe. 

— Do jeito que ela é não duvido nada que ela ligaria mesmo para a polícia caso você não aparecesse nos próximos dez minutos — o mais velho soltou uma risada soprada e curta, colocando as garrafas sobre a mesinha de centro que ficava na frente do estofado, mantendo o balde de pipoca em sua mão enquanto se sentava, não se fazendo de rogado ao sentar o mais próximo de Jimin que conseguiu mais uma vez.

— Hyung! — Jimin praticamente gritou quando seu celular quase caiu de suas mãos no momento em que o Min sentou, batendo sem querer a lateral do braço no aparelho que estava na mão do Park. O mais novo rapidamente se recompôs, segurando mais uma vez o celular quase colado ao seu rosto, digitando com velocidade, pedindo desculpas repetidamente para sua mãe, que ainda brigava consigo pelas mensagens. 

Depois de perceber o desespero do rapaz de fios loiros, o mais velho achou melhor esperar até que ele terminasse de conversar com sua progenitora para que pudessem começar a ver o filme. Ele se afastou o mínimo que sua consciência pediu, sentindo-se um pouco culpado e também magoado pela reação do outro. Porém, esses sentimentos não duraram muito. Ele entendia que o momento não era dos melhores, porque já havia passado por situações parecidas com sua própria mãe no passado, por isso sabia que o melhor era esperar até que ela terminasse de se acalmar. 

“Está tudo bem. Ele só precisa acalmar a mãe dele, depois vocês vão poder aproveitar o resto da tarde. Não tem porque se sentir mal com isso. Jimin não te odeia, ele apenas precisa de um tempo para resolver o problema.” Yoongi tentava se convencer em seus pensamentos, sentindo seu coração se acalmando cada vez mais, conforme repetia as frases em sua mente. 

Ele passou tanto tempo concentrado em seus pensamentos que sequer percebeu quando o Park terminou de conversar com a mais velha, bloqueando novamente o celular e o colocando ao seu lado no sofá. O mais baixo passou algum tempo olhando para o rosto de seu namorado, apreciando a visão divina que finalmente tinha o privilégio de ver pessoalmente, tentando descobrir o que se passava por seus pensamentos. 

— Yoon? — Jimin chamou-o, começando a se preocupar com o silêncio - o qual se tornava gradativamente mais incômodo - que tomava conta do cômodo. Yoongi permanecia com a mesma expressão concentrada, porém seu cenho franzia um pouco mais a cada segundo, como se seus pensamentos se tornassem cada vez mais sombrios - expressão essa que o rapaz mais novo acabou conhecendo ao longo do tempo ao lado do Min. — Ei! Já estou sentindo o cheiro de queimado daqui. Se continuar assim daqui a pouco vamos ter que chamar o corpo de bombeiros.

— Hã? — O mais velho foi tirado de seus pensamentos pelo tom doce do Park e por um de seus dedos gordinhos que repousou sobre as rugas que haviam se formado em seu cenho. — O que aconteceu? 

— O seu último neurônio acabou de entrar em combustão, foi isso que aconteceu. — Jimin não se aguentou e começou a rir da expressão confusa de seu namorado, este que apenas ficou mais confuso com sua reação.

Depois de um pouco mais de um minuto rindo, finalmente o Park conseguiu se acalmar, segurando sua barriga que doía por causa das risadas, seus olhos transbordando por causa do esforço em seus músculos faciais. Yoongi permanecia com a mesma expressão confusa em seu rosto, não entendendo a causa da crise de risadas do mais novo - este que sequer conseguia se controlar o suficiente para conseguir lhe explicar o que havia acontecido. 

— O que acha de assistirmos o filme, senhor risada frouxa? Já que não vai me contar o que aconteceu, pelo menos vamos terminar a sessão tortura logo. 

— Yoongi! Não é uma sessão de tortura! É o momento de apreciação de um dos melhores filmes de todos os tempos! — A expressão antes risonha, deu lugar a uma irritada conforme o mais novo respondia, completamente indignado com a fala de Yoongi. Como ele ousava falar mal de “Como treinar o seu dragão”? A obra prima mais atemporal de todas as obras primas já feitas no mundo cinematográfico. — Eu acredito que existem certos limites em um relacionamento, e você acabou de passar pelo meu limite, por isso acho que tenho justificativas o suficiente para terminar com você!

Foi a vez de Yoongi cair na risada, não conseguindo se controlar com a expressão emburrada que o mais novo agora carregava. Mesmo que tivesse acabado de ser ameaçado, ele sabia que a ameaça não era real e que Jimin apenas estava falando aquilo brincando, porque realmente amava o filme. Ainda rindo, Yoongi segurou o rosto de seu namorado, prendendo as bochechas do outro entre suas palmas, formando um pequeno bico em seus lábios. 

— Você fica a coisinha mais lindinha desse mundo quando está bravo, meu amor. Não tem como ficar com medo de você com essa carinha de neném! — O Min falou, depositando um selinho estalado sobre os lábios do mais novo. 

A fala do mais alto fez com que a expressão irritada do Park se agravasse, tentando com todas as suas forças parecer mais ameaçador - o que era simplesmente impossível com o bico que seus lábios ainda eram forçados. Entretanto, depois do selinho, sua expressão rapidamente se desmanchou, seu rosto sendo tomado por um sorriso apaixonado desajeitado que simplesmente não conseguia controlar.

— Você tem sorte que te amo demais, caso contrário já teria ido embora por aquela porta! — Jimin ainda tentou retomar a feição emburrada, o que não deu certo já que não conseguia tirar o sorriso bobo de seus lábios. O que ele poderia fazer afinal? Apesar de que jamais admitiria na presença do mais velho, ele o amava muito mais do que a saga de filmes que havia marcado sua infância.

— Será que agora podemos assistir ao filme ou vossa majestade ainda precisa explanar mais um pouco sobre a magnificência da “obra atemporal” a qual estamos prestes a assistir? — Yoongi falou com um tom irônico, aproveitando o momento descontraído para importunar um pouco mais seu namorado. Ele não poderia negar que adorava ver a feição que o mais novo fazia quando estava levemente irritado, já que esta o tornava cem vezes mais adorável quando comparado a sua expressão normal. 

— Esquece o que eu falei, estou indo embora! — Jimin respondeu, fazendo menção de levantar do sofá para seguir para fora do apartamento, não aguentando mais as provocações do Min, mesmo fazendo pouco tempo desde que havia chegado depois de tanto tempo com a vontade de o encontrar. 

— Minnie, me desculpa! Não vai embora, por favor — o de fios escuros segurou o pulso do Park, impedindo-o de dar mais do que um passo em direção a porta do apartamento, sua voz sumindo conforme pronunciava as palavras. Mesmo sabendo que era apenas uma brincadeira do mais novo e que ele não pretendia ir embora de verdade, Yoongi não negaria que a visão do outro se afastando de si havia causado uma sensação estranha em seu peito, como se de repente um peso enorme o impedisse de conseguir expandir seus pulmões adequadamente. 

O tom de voz do Min surpreendeu Jimin, que sentiu seu coração pesando dentro de sua caixa torácica por causa da tristeza que as poucas palavras carregavam. Ele se virou rapidamente, encontrando o olhar do mais velho preso em seu rosto, um misto de surpresa e preocupação tomando conta de seus sentimentos ao ver os olhos suplicantes e que começavam a acumular lágrimas do mais velho.

Dentro de sua cabeça, ele não conseguia entender o porquê da reação - no seu ponto de vista - um pouco exagerada de Yoongi. Os dois claramente estavam brincando anteriormente e, apesar da ideia de ir embora também não lhe agradar de modo algum, ele não conseguia entender porque o mais velho havia respondido a brincadeira daquele modo.

Jimin não esperou por mais nenhuma palavra ou reação, sentando-se rapidamente de volta no estofado de frente para o Min, sustentando o contato visual que o outro também não quebrou em momento algum. Com as mãos de dedos gordinhos, o Park permitiu-se fazer um carinho nas bochechas de Yoongi, acariciando as maçãs de seu rosto com seus polegares, sentindo a temperatura da região aumentando levemente ao que o outro começou a corar por causa de seu ato. Em seu consciente ele ainda não conseguia entender porque o Min tivera aquela reação, mas a ideia de fazer com que o mais velho sentisse qualquer coisa que não fossem os sentimentos mais positivos do mundo fazia com que seu coração quebrasse em milhões de partículas.

O casal passou algum tempo nessa posição, admirando a visão um do outro, tentando compreender toda a mistura de sentimentos que haviam passado nos poucos segundos em que toda a cena se desenrolou, nenhum dos dois quebrando o contato visual que ainda era mantido. 

— Eu te amo, Minnie. — Yoongi foi quem primeiro quebrou o silêncio, sua voz saindo em um sussurro que só pode ser ouvido por causa da curta distância que separava os dois corpos. 

— Eu também te amo, Yoonie. — Jimin deu um fim ao pouco espaço que separava seus rostos, pressionando levemente seus lábios contra os do mais velho, depositando um selinho casto que, apesar de sua simplicidade, foi o suficiente para aquecer o coração de ambos.  — De todo o meu coração. 

Yoongi aproveitou a oportunidade para aprofundar um pouco mais o beijo, sentindo um pouco mais de confiança já que havia sido Jimin a iniciar o contato. Tomando cuidado para não ultrapassar nenhum limite, Yoongi inclinou-se para frente, capturando o lábio inferior do Park entre os seus, sentindo mais uma vez a maciez que parecia ser uma constante em todas as regiões do corpo de Jimin, este que não mostrou nenhum sinal de desconforto com o contato. Logo o mais velho começou a mexer seus lábios sobre os do menor, guiando o beijo de modo calmo e contido, aproveitando as sensações que o momento o transmitia, seu corpo se aquecendo aos poucos com os movimentos dessincronizados, mas perfeitos ao seu modo, no qual os lábios se moviam sobre os outros.

Os jovens passaram alguns segundos apenas aproveitando as sensações que o beijo acendia em seus corpos, o selar casto sendo mais do que o suficiente para eles, já que apenas com isso já conseguiam sentir tudo aquilo que palavras não eram o suficiente para transmitir. Quando suas respirações finalmente se tornaram rasas demais para manter o beijo, os movimentos dos lábios foram reduzindo aos poucos, mais alguns selinhos sendo roubados enquanto os jovens ainda permaneciam com os olhos fechados, suas respirações fazendo cócegas nos rostos um do outro por causa da proximidade. 

Quando os olhares voltaram a se encontrar, nenhum dos rapazes precisou dizer nenhuma palavra, tudo o que desejavam falar estava escrito na constelação de seus olhos. Nesse silêncio confortável que se construiu no ambiente, eles voltaram-se para a tela da televisão que havia sido deixada em segundo plano, finalmente iniciando a pequena maratona de filmes.