Work Text:
Senku Ishigami era um homem cético.
Ou pelo menos ele achava. Na sua época de adolescência, Senku rejeitava qualquer tipo de falácias não relacionadas com a ciência e sempre deixava bem claro o que pensava sobre as pessoas que disseminavam essas superstições. Então foi uma grande surpresa quando seus dois (e únicos) amigos entraram abruptamente no clube de ciências no que deveria ser um dia calmo.
“SENKUUU!!!” o então apelidado grandalhão entrou gritando como já era acostumado, e atrás dele, sempre dois passos atrás com o sorriso meigo, estava Yuzuriha, segurando três papéis retangulares que Senku ainda não conseguia ver o que era “você não vai acreditar no que nos conseguimos!!!!!”
“Primeiro fiquem quietos para não quebrar nenhum tubo de ensaio ” logo os dois ficaram comportados como dois cãozinhos “Agora o que vocês vieram fazer”
“Nos conseguimos três ingressos para o show do Gen Asagiri!” Yuzuriha exclamou contentemente.
Gen Asagiri era um tipo de pessoa que o cientista odiava, um “mentalista” que usava truques baratos e nada científicos para enganar legiões de pessoas. E lá estava ele sendo arrastado para uma casa de show pelos dois colegas que eram super fãs do mágico de boteco.
Quando já estavam sentados na mesa no salão de shows e Senku procurava uma desculpa infalível para sair de lá o mais rápido possível, as cortinas do palco se abrira. Era tarde de mais. O show começou. mas pensou que não faria mal rir um pouco do homem que se esforçava tanto para sustentar uma mentira planejada.
“Boa noite, senhoras e senhores, meu nome e Gen Asagiri e ficarei feliz em entretê-los nessa maravilhosa noite” palavras vazias, enfeitadas que eram jogadas no grande salão para capturar a atenção das pessoas ao redor. Se todo show fosse encima desse superficialismo que era encontrado nos livros do mentalista, Senku poderia esperar o pior.
Mas ao passar dos minutos que o show passava, o garoto percebia algo diferente na performance do enganador. O olhar malicioso de antes tinha sido suavizado e se tornado mais acolhedor-não que Senku soubesse alguma coisa sobre ler ou entender pessoas—só parecia muito obvio que Asagiri estava aproveitando a apresentação tanto quanto os olhares curiosos na plateia. Quase fazia Senku não odiar o espetáculo interno do mentalista.
Quase.
“Chrome parece uma criança as vezes” Gen e Senku estavam no laboratório naquela noite-a mesma noite em que os dois, três com a chegada de Chrome (que já tinha voltado a dormir), combinaram que iriam para o inferno juntos pelo nefasto plano que iria dar a vantagem para o reino da ciência na batalha contra o reino da força. “Eu sinto inveja de ter tanta energia jovial como ele”.
“Você é muito exagerado sabia?”
a cabeça com cabelo não gravitacional vira o rosto do telescópio para a cara do mentalista com uma face apática. “Tecnicamente, vocês tem quase a mesma idade física” o dedo de Senku já ia pra sua orelha e o rosto ficava levemente irritado. “Já que os 3700 anos não interferiram em nada no seu condicionamento físico”.
“Senku realmente não sabe brincar” o sorriso malicioso ganhava tamanho no rosto de Gen que estreitava os olhos, que miravam fortemente Senku “Quis dizer que, diferente de mim, ele é muito inocente”
Os olhos do cientista reviraram pela resposta.
“O show business infelizmente me envelheceu por dentro”.
As memórias daquele dia em que Senku e seus amigos foram no show de mágica do famoso mentalista reaparecem na sua mente de repente.
“E aqueles shows pequenos de mágica que você fazia de vez em quando?”
“Como Senku sabe dos meus shows de mágica?” o sorriso ainda permanecia, mas olhos expressavam grande curiosidade pelo atual assunto.
“Normalmente só grandes fãs meus sabiam disso, já que eu não fazia questão de divulgar”
“Taiju e Yuzuriha eram esses tipo de fãs que me arrastaram uma vez pra esse lugar” os olhos curiosos se tornavam surpresos, e sua boca abria em um perfeito ‘o’.
Asagiri não tinha ciência da sua fama as vezes.
“Não foi ruim, mas foi...diferente”.
“Diferente?”
“Você parecia menos com o charlatão que você era nos livros e mais um ser humano”
“Os shows eram bons mesmo,” Gen vira seu olhar para as estrelas na noite, que brilhavam como joias nos seus olhos profundos “Eles eram um jeito de escapar da realidade da indústria. Sabe Senku querido, eu sempre amei fazer mágica mais do que qualquer coisa” e de repente a íris vermelha se encontra com a negra, e o olhar dos dois jovens se torna fixada no olhar alheio, formando um sorriso no rosto de cada um.
Gen corta essa conexão formada virando o olhar e quebrando levemente o sorriso.
“E os livros não eram exatamente meu melhor produto. Eles passavam por muitas mãos depois de mim que faziam questão de cortar e mudar muita coisa pra parecer mais ‘agradável’”
“Você não precisa se explicar tanto pra eu, mentalista. Agora nós nos conhecemos. eu sei como você é”
“É, você pode estar certo, Senku”
dava para ver como as palavras de Senku acalmaram Gen, que antes falava um pouco desesperado, querendo mostrar que o Asagiri dos livros não era exatamente ele.
Senku podia não ter falado muito a verdade quando disse que conhecia o Asagiri.
Mas não quer dizer que ele não possa tornar verdade.
Sua mente focava unicamente em tentar deter Tsukasa e seu plano de acabar com o avanço científico, mas algo no homem de cabelo bicolor de certa forma fascinava o cientista.
Ele podia não gostar muito de psicologia e entender pessoas, mas saber como funciona o mentalista era quase tão empolgante quanto ciência e os mistérios da petrificação.
quase.
Senku estava nervoso.
E o pior era que ele não sabia o porquê.
De frente a cabana que Gen estava, completamente parado na entrada, ele pensava:
‘porque eu não consigo entrar?’.
A porta abre de repente, revelando um Asagiri Gen com menos roupas do que costumava usar e um cobertor nos ombros.
“Senku?”
“Oi mentalista”
Senku acorda do seu transe e olha para o rosto do de cabelo bicolor, agora bastante bagunçado.
“Eu estava com tempo livre e resolvi passar por aqui para fazer algo.”
Os olhos cansados seguiam Senku pela cabana.
“Se é pra ver se eu estou realmente doente, seria muito ruim da sua parte Senku. é como se não acreditasse nas minhas palavras.” A última frase saia quase em tom teatral, o que fez Senku revirar os olhos.
“Não é nada disso mentalista,”
Suas mãos chegavam perto de uma sacola amarrada na cintura.
“Eu vim te entregar uma coisa”
“É Coca-Cola?”
“Não”
Senku conseguia ver como o sorriso desmanchou rapidamente do rosto de Gen. Como ele poderia beber refrigerante na situação que ele estava?
“Se for trabalho braçal, pode desistir. meus braços estão muito cansados pra qualquer coisa-“
“Só me escuta Gen!”
O grito repentino assustou o mágico.
O cientista não era alguém de gritar por qualquer coisa, ainda mais por uma pequena discussão dos dois.
Mas depois de um tempo em silêncio, Gen percebeu que havia alguma coisa incomodando Senku.
Gen precisava acalmar a situação para o mais novo se sentir mais confortável para falar.
“Tudo bem, pode falar”
“É só que” ele virou os olhos levemente para o lado, para não cruzar olhos com Gen. Isso definitivamente não era como Senku agia. “Minami comentou alguma coisa sobre seu aniversário poder ser em Abril e...eu não queria deixar em branco.”
“Meu aniversário pode mesmo ser em Abril, quem sabe né? mas porque quer saber? Senku querido quer fazer uma festa para mim?”
O sorriso de raposa esperta desestabilizava a concentração do cientista—que preferiria não pensar como Gen fica legal de cabelo bagunçado.
“Você sabe que não está em condições de festas”
“Então o nosso querido cientista só quer me dar um pouco da sua atenção?”
um tom irônico forte ecoava pelas paredes.
“Você não conseguiria pensar em um presente melhor-
“Na verdade, eu queria te dar isso”
Com uma estranha velocidade, é tirado o pacote de uma das bolsas na cintura de Senku, revelado o que era.
Gen consegue ler claramente as duas palavras no pacote retangular.
Seus olhos brilham pelo pensamento que invadiu sua mente.
‘GEN CARDS’
“Isso é o que eu acho é’
“Sim, um baralho de mágica”
Senku estendeu a mão na direção de Gen.
Os dedos trêmulos do mentalista chegavam perto da caixa, os dois então tocam as mãos por alguns segundos—que são suficientes para todo o corpo do cientista estremecer ao toque singelo.
“Feliz aniversário, mentalista”
“Obrigado, querido”
O pacote é aberto, e Gen analisa rapidamente as cartas do baralho.
Um grande sorriso é aberto em direção as cartas—que foi contagiante o bastante para Senku também desenvolver um sorriso.
“Me diga, Senku, você quer ver um truque de mágica?”
“Não vejo porque não”
As cartas se misturavam com precisão pelas grandes mãos de Gen. Depois de misturadas foram abertas em um grande leque na frente de Senku—um convite para pegar.
Ele agarra uma carta: quatro de paus.
A carta é colocada de volta no monte de cartas com Gen de olhos fechados.
O mágico embaralha as cartas novamente, dessa vez mais rápido, olhando no fundo dos olhos do cientista.
Ambos lançavam olhares profundos e concentrados, não querendo perder por um minuto a bela mistura que acontecia pelos olhos vermelhos e pretos.
Gen para, e abre novamente as cartas em um grande leque.
Então suas mãos se aproximam de uma carta, que é puxada do grande grupo de cartas, as costas na direção de Senku.
“Essa é su-“
“SENKU, CORRE AQUI!”
Chrome aparece arrombando a porta da cabana, com a cara suja e com feição completamente aterrorizada.
“O que foi que aconteceu Chrome?”
“um acidente! Sem tempo pra explicar!”
As íris vermelha levemente preocupada se depara com um sorriso compreensível na cara muito bem cuidada.
“Vai logo Senku querido, eles precisam de você”
Depois que a porta é fechada Gen se vira para a mesma.
o sorriso ainda permanecia, mas os olhos expressavam sofrimento.
A carta que tinha pegado agora estava de costas para sua visão.
Ele realmente odiava sentir tudo aquilo.
O pedaço de papel retangular é virado lentamente, de um jeito extremamente dramático—típico de um artista.
O desenho no papel mostrava quatro símbolos pretos paralelos, e nas pontas, o número quatro se destacava.
Ele arrasta um pouco a carta para o lado.
Outra carta na parte de baixo—uma carta que ele tinha escondido propositalmente detrás da carta que Senku pegou.
Um único coração no centro da carta, e nos cantos, a letra A.
As lágrimas caem de forma devagar no rosto de Gen.
O sorriso ainda estava lá, mas ele não parecia feliz de jeito nenhum.
Asagiri Gen quase teria conseguido reunir coragem e confessar seus sentimentos para o homem que ele se apaixonou desde o começo.
Quase.
A cozinha do navio estava bastante cheia essa tarde.
No balcão da cozinha sentadas, estavam Yuzuriha e Suika que conversavam, incluindo no papo François, que estava em silêncio mexendo uma massa.
Senku estava a procura de uma certa pessoa.
já que quase todo o Perseu tinha sido vasculhado, olhar na cafeteria não parece uma ideia tão ruim.
Senku se aproxima do balcão, e todos notam sua chegada sem cerimônias.
“Algum de vocês viu o mentalista?”
“Oi pra você também, Senku”
Yuzuriha espera que seu melhor amigo não cumprimentasse ninguém, mas uma pergunta direta assim foi muita grosseria.
“Porque você quer saber do Gen?”
“Eu só preciso que ele faça algo que está unicamente no seu calibre”
“Oi Senku! O gen está-“
Antes que Suíka terminasse sua sentença, a porta do armazém da cozinha é aberta, revelando nada mais que Asagiri Gen com uma cesta de frutas exóticas que Senku não lembrava de ter colocado na estufa do navio.
“François, o que você acha de fazermos de ameixa?”
Depois de uma fração de segundos, o mentalista percebe um número a mais no espaço.
“Olá Senku querido!”
“Mentalista, o que você está fazendo na cozinha de François? e porque você está de avental?
“Não é óbvio, gênio!?”
A ofensa passiva agressiva era nova. Usar da inteligência do cientista como ironia não era algo que Gen fazia.
Mas tudo bem—Senku também não se sentia o mesmo.
“Eu estou cozinhando com François uma torta”
“E desde quando você cozinha?”
“Desde muito tempo”
“E como você nunca falou pra ninguém?”
“Talvez seja porque eu não seja obrigado a falar tudo da minha vida pra você!”
O clima estava pesado—muito pesado.
François podia pegar uma faca e cortar o ar que ficava no meio onde os dois olhos com raiva se encaravam.
Os dois fulminavam olhos concentrados, feições irritadas, e dois sorrisos ao contrário.
Suika estava ficando levemente deprimida com a tensão que se estabilizava na cozinha, e Yuzuriha não podia deixar que as pessoas ao redor se sentissem afetadas pela esquisita DR do seu amigo.
No meio da guerra de pupilas, por apenas metade da contagem interna de um segundo de Senku, ele vira rapidamente sua visão para Yuzuriha.
Ele não precisou de muito para ver como estava a cara dela—irritada com ele.
Ele quase nunca via aquela cara—só quando ela realmente estava com raiva de alguém.
Ele entendeu que tinha que parar com o que tinha sido aquilo.
“Eu não tô nem ai, só termine o que você tem que fazer e venha me ver. Eu preciso te dar um trabalho”
Senku tinha saído com passos fortes—não que seus passos sejam fortes o suficiente para causar uma grande relevância.
Gen abriu as ameixas com a faca, fazendo um barulho irritante no cômodo. Com certeza estava fazendo mais esforço do que precisava.
“Eu suspeito que é importante o mestre Gen conversar com o mestre Senku”
“Eu não acho François. Senku parece ótimo sem eu ter que abrir a boca”
Três pares de olhos preocupados caiam sobre o homem de cabelo bicolor.
Um mentalista não saber esconder seus sentimentos era algo muito estranho.
“Gen, vai por mim. o Senku só precisa ser escutado um pouco. Você sabe que ele gosta de falar”
Alguns minutos olhando profundamente para as ameixas cortadas que eram levadas por François para a receita de torta foram suficientes para acalmar sua mente.
Sem dizer nada, tirou o avental e saiu da cozinha.
De repente o lugar parecia mais leve, e as três pessoas conseguiram conversar normalmente de novo—agora sem nenhum sentimento ressentido no ar.
Não muito longe dali, em um cômodo que era usado como uma oficina pessoal de Senku, O mesmo agora rasbicava em umas folhas futuros projetos que pensava.
Mas a verdade era, que ele não estava pensando muito naquele momento.
Claro, para alguém como Senku, ‘pensar pouco’ ainda era uma explosão de ideias na própria mente toda hora.
Mas esses pensamentos estavam subitamente com menos intensidade.
E ele sabia muito bem quem era culpado por isso.
Ele mesmo.
Que se sentia mal por ter ficado tão irritado com Gen só por descobrir algo novo sobre ele e simplesmente explodir.
Era tudo tão estressante, e ele não queria lidar com aquilo.
Enquanto escrevia alguns esboços complexos, ele sente um banco encostar no seu.
Ele também sente alguém sentar nesse banco e praticamente encostar seu ombro no seu próprio.
“Você ainda está com raiva?”
“Um pouco”
“Porque?”
“Eu não sei direito. acho que por alguma coisa imbecil”
Os olhos profundos analisaram tudo que o cientista fazia—as mãos rabiscando rapidamente, a boca apertada e tímida, e os olhos estreitos e focados no papel.
Não tinha rancor em suas ações e nem em sua alma.
Era algo muito superficial.
Gen precisava saber o que era.
“Eu nunca contei pra ninguém que eu sabia cozinhar”
“Então porque agora, tão de repente?”
“Eu precisava”
Os olhos rubis saíram das folhas e foram em direção ao mentalista.
Ele viu o sorriso de Asagiri—era um sorriso melancólico, e seus olhos pareciam um abismo em que você poderia facilmente se perder.
“Eu ganhei independência muito cedo. eu tive que aprender a me virar sozinho e aprender a fazer comida foi um mecanismo de defesa”
Dava para ver o incômodo no rosto de Gen.
Ele não gostava de falar sobre si mesmo, e aquilo definitivamente era muita exposição sobre sua vida antes da petrificação.
“Mas depois de um tempo, botar a mão na massa era tão reconfortante, que se tornou um hobbie de conforto, algo em que eu pudesse me segurar quando eu caísse”
“Mas aconteceu tanta coisa nesse meio tempo, e eu nunca te vi fazendo isso”
“Digamos que eu só descobri outros jeitos de me acalmar”
“Eu sei que parece ridículo, mas eu preciso disso agora. Você promete não esconder mais as coisas, não pra eu?”
“Eu prometo, nunca pra você, Senku”
As iris de ambos se encontraram de novo—um tipo de gesto que eles amavam tanto fazer.
Perdidos de novo no próprio espaço pessoal que os dois compartilhavam, o tempo passava diferente naqueles olhos alheios.
Senku não queria quebrar esse contato, mas em um impulso, as pupilas miraram os lábios do mágico.
Na sua cabeça passavam pensamentos como:
‘Como eles brilham tanto?’
‘Ele passa algum protetor labial primitivo?’
‘Porque ele nunca me pediu pra fazer um gloss?’
Mas só um pensamento era forte suficiente para perdurar na sua cabeça:
‘O que aconteceria se eu o beijasse?
“Você não disse que ia querer que eu fizesse um trabalho, Senku?”
O transe de Senku é interrompido pela doce voz do seu mentalista, que sorria cheio de compreensão para o menino.
“Bom. Nós precisamos trocar algumas baterias do telefone-“
“Já entendi, perfeito. Eu estou indo fazer o mais rápido possível, Até mais tarde, Senku querido!”
“Tchau...Gen”
O coração do mentalista só se permitiu bater brutalmente quando saiu do cômodo.
Ele percebeu claramente quando Senku encarou seus lábios com olhos cheios de desejo.
Ele não entendia o porquê daquele olhar tão provocador, mas teve que mudar de assunto antes que ele fizesse algo que iria se arrepender—ou não se arrepender.
Naquela tarde ensolarada no navio rumo as Américas, Ishigami Senku e Asagiri Gen quase teriam se beijando, se não fosse pela estranha dificuldade que suas mentes tinham de não entender os reais sentimentos alheios.
Quase.
Gen estava nervoso.
Não fazia muito tempo desde que ele haverá chegado no Japão depois de mais uma missão diplomática no oriente médio.
Entre lidar com líderes políticos com bombas nucleares e exércitos, ou lidar com quem ia entrar pela porta daquela sala de estar, ele preferiria fugir para uma praia deserta.
Da última vez em que esteve no Japão, seus amigos fizeram uma grande festa para comemorar o aniversário de Chrome—uma festa com muita bebida já que finalmente Suíka era maior de idade em uma festa.
A boa notícia era: todos ficaram muito bêbados ao ponto de não lembrar de nada que acontecerá
A má notícia era: ele lembrava o que havia acontecido.
No meio da pista de dança, parecendo um adolescente cheio de hormônios, Gen havia beijado intensamente o único homem que tinha acendido uma chama em seu coração—Senku Ishigami.
Ele não sabia se Senku estava sóbrio. Depois do toque, tão necessitado de anos negando o sentimento, ele havia fugido da festa e pegado o primeiro avião para os Estados Unidos, evitando qualquer contato com o cabelo de cebola.
E agora estava ele na mesa de jantar da casa de Senku—que era praticamente sua casa também. O sofá da casa era uma ótima cama para quem não parava no Japão.
O diplomata sabia que Senku voltava para casa hoje, por isso que agora suava frio, só com o medo de um certo alguém lembrar daquela noite de fevereiro.
O barulho das chaves virando na porta era quase imperceptível. Mas ecoava na cabeça de Gen como se fosse um apito de trem estrondando no cérebro.
A porta principal abre, revelando um homem com ar sério: óculos de grau, uma mochila de carteiro cheia de papéis, e um cabelo amarrado para trás—que era o anormal para o cabelo de Senku.
Os olhos vermelhos e cansados foram diretamente pra mesa de jantar, encontrando com os longos cabelos de duas cores que se agitavam de nervosismo.
“Boa noite, Senku! Venha se sentar!”
Gen se levanta da cadeira rapidamente e corre na direção de Senku. Ele joga sua mochila no sofá e bota seu jaleco no cabide, fazendo de tudo para fazer o cientista se sentir o mais confortável possível no seu próprio lar.
“Quando você voltou da missão diplomática?”
“Não faz muito tempo, mas não se preocupe com isso. Eu fiz lámen para o jantar, seu favorito!”
Asagiri praticamente empurrou o outro para a mesa de jantar e o colocou na cadeira de frente a dele, onde a mesa está posta. Não demorou nada para que Gen pegasse o prato de Senku e colocasse o jantar para ele como uma criança.
“Porque você não falou que tinha voltado?”
“Eu não queria te incomodar, bobo. Suíka me disse que vocês estavam em um projeto muito complicado nesse final de semana.”
O olhar cansado de Senku tinha se tornado um olhar triste. Ele estava apreensivo, cada vez mais Gen suspeitava que ele lembrava daquela noite.
“Você podia ter me ligado...”
“não se preocupe com isso, agora você está aqui!”
O jantar foi o mais incômodo do que Gen esperava. Não foi trocada uma única palavra entre os dois desde que eles colocaram o primeiro pedaço de macarrão na boca.
Senku foi o primeiro a terminar. Ele esperou até que Gen engolisse toda sua comida para finalmente abrir a boca.
“Asagiri, eu vou ser direto. eu lembro da festa do Chrome”
Gen quase jogou seu jantar todo para fora com a revelação. ele não esperava que Senku fosse tão direto—mas ele sempre era direto.
Gen conseguiu se recuperar do quase gorfo. E depois de dar uma grande respirada, ele olhou de volta para Senku. Seus olhos exalavam desespero e medo—uma das maiores coisas que ele prezava era essa conexão com Senku.
Ele não podia perder isso de jeito nenhum.
“Senku, por favor, eu posso explicar! Eu estava fora de mim e fiz uma coisa inconsequente. Vamos só fingir que isso não aconteceu. eu imploro!”
Era estranho para um mentalista agir tão desesperado e sem máscaras, tão frágil. Mas ele não podia perder Senku—ele não podia perder sua luz.
“Eu não quero fingir que não aconteceu”
O olhar sério no rosto de Senku não só assustava Gen—mas sim o quebrava em pedaços minúsculos. Gen havia se apaixonado por ele muito antes até de conhece-lo. E agora ele pensava que não teria mais a chance nem de ficar do lado dele como antes.
“E eu sei que você não estava bêbado”
O rosto preocupado ganhava uma face alegre—a segunda fase do desespero: rir estericamente e jogar tudo na cara do presente.
“Eu tentei, sabe? eu tentei mentir pra você por muito tempo, Senku. Mas como eu poderia mentir pra você? até porque, você é você”
“Então o beijo... significou alguma coisa pra você?”
O tom de questionamento na voz do mais novo fazia uma veia de Gen disparar. É como se ele não tivesse sentido tudo que Gen colocou naquele toque, ou ele realmente não sentiu?
“Se significou alguma coisa? Você só pode estar brincando”
Ele se levanta da sua cadeira e da a volta na mesa chegando na direção de Senku. Então, em um ataque de raiva, ele agarra as roupas de Senku, que o faz se levantar fazendo sua cara ficar centímetros da de Gen.
“SIGNIFICOU TUDO!”
Os olhos marejados de lágrimas e fúria furavam os de Senku. Então, os olhos cansaram de tanto chorar, e se fecharam. Sua voz saiu quase inaudível, que mesmo se o cômodo estivesse cheio só Senku conseguiria escutar:
“Porque você é tudo, Senku Ishigami”
Pela primeira vez em muito tempo, era Senku que analisava o que Gen falava e como ele agia. Senku gostava só de entender uma frase no literal, mas tinha a primeira vez para tudo na vida.
Sem muita cerimônia o cientista refaz sua mania de colocar o mindinho no ouvido.
“Que meloso, mentalista”
Era de se esperar, o Dr.Ishigami nunca na sua vida tinha expressado sentimentos românticos por ninguém, Gen não era exceção dessa lista. Ele só esperava que Senku não ignorasse ele.
“Eu sei disso mas-“
“Mas não é como eu não sinto algo parecido”
Gen abre os olhos rapidamente, tentando compreender o sentido do que Senku queria dizer. Em todas as suas hipóteses, ele sempre chegava no mesmo fim.
“Quê?”
“Eu fiquei bastante confuso quando você não respondeu minhas mensagens. Você pelo menos leu elas?”
Senku pega seu celular no bolso e coloca nas mensagens—que Gen evitou por semanas para ignorar suas ações passadas:
Gen porque você saiu da festa?
Você está bem mentalista?
Você viajou hoje?
Gen eu gostei do beijo
Mentalista?
Gen?
“Você...gostou?”
“Sabe mentalista, você não pode simplesmente me fazer ir pro inferno com você e depois me ignorar por 4 semanas. Não depois de me desconcentrar do meu trabalho por tanto tempo”
“Isso quer dizer quê—você realmente está!?”
Gen solta as roupas do cientista, dando liberdade para ele andar até o cabide no começo da sala e pegar uma caixinha de dentro do seu jaleco.
“Faz muito tempo que eu queria te dar isso”
Senku chegou perto—suficiente para que com mais dois passos não existisse mais espaço entre os dois. A atenção de Gen se volta para a caixinha, que é aberta como se fosse uma caixa de casamento.
Mas não era um único anel de ouro com um diamante. Eram dois anéis prateados bem simples mais elegante.
“Senku... você tem está querendo dizer que-”
“Bom, nós já moramos juntos, temos uma conta compartilhada e estamos sempre juntos. Isso seria só pra oficializar as coisas. E talvez pra você parar de dormir no sofá”
As lágrimas de tristeza se tornaram lágrimas de alegria, parecia um sonho—Senku Ishigami estar o pedindo em namoro. mas era bastante real.
“Eu não acredito que eu não entendi antes—eu deveria”
“Mas você não conseguiu. Não se sinta mal mentalista. Eu só escondi muito bem”
“não se sinta orgulhoso Senku querido. Eu só estava ocupado negando os meus próprios sentimentos”
Sem dizer mais uma palavra—mais agora com o clima bem mais colorido e brilhante—Senku e Gen trocaram anéis, com grandes sorrisos no rosto.
Dessa vez, eles não precisavam de um beijo necessitado e cheio de hormônios.
Só dos olhares intensos, que ambos já eram acostumados.
Mas dessa vez era diferente. Não era só olhares de dois amigos cúmplices e próximos.
Era olhares apaixonados de duas pessoas com sentimentos genuínos—que não escondiam mais isso.
Naquela noite, na casa de Senku e Gen, quase que tudo poderia ter dado errado.
Quase Senku e Gen se separaram para sempre.
Quase os dois teriam escondido mais seus sentimentos.
Quase.
