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Um morango superfaturado

Summary:

Armand comprou uma coisa que está popular na internet e quer muito que Daniel experimente por ele.

Notes:

Me marcaram em um post do twitter falando que eu super compraria um morango do amor, e como eu e Armand somos a mesma pessoa, isso significa que o Armand também compraria e faria o Daniel comer por ele.
Escrevi isso em apenas 20 minutos de tão doente que fiquei com essa ideia.

Work Text:

Que Armand era viciado em tecnologia, todo mundo já estava cansado de saber, mas agora chegava a ser um pouco preocupante para Daniel.

Armand chegou a comprar um labubu de quase quinhentos dólares, ele odiou e achou feio, queimou com as próprias mãos como se fosse uma folha de papel. Depois ele apareceu com três cadernos de boobie goods, ele não sabia pintar e odiou, molhou os cadernos e guardou o kit de caneta com incontáveis cores – cerca de 200 para ser mais exata – porque queria guardar caso Daniel precisasse, mas Daniel sabia que não iria precisar delas.

Armand tinha seu próprio dinheiro, não chegava a ser bilionário, mas era multimilionário, então Daniel não se via no direito de se meter, ele era livre para gastar a vontade, mas quem sabe gastar com coisas úteis? Mas pensando bem, Armand já havia gastado dinheiro com tudo que se pode imaginar, não existia mais algo que ele não havia comprado… Quer dizer, havia sim uma coisa.

“O que é isso?” Daniel questionou franzindo as sobrancelhas. Armand retirou o notebook da mesa, colocou o pacote no lugar e se sentou ao lado de Daniel. “É um pacote bonito, chique.” Ele tentou tocar, mas Armand deu um leve tapinha em sua mão.

“Quero que você experimente, Daniel.” Armand sorriu de leve, um sorriso banhado em ansiedade e expectativa. Daniel sorriu também com a forma que Armand parecia animado. Armand desempatou o pacote devagar e com cuidado como se fosse uma jóia valiosa e quando o pacote se abriu, cada lateral caindo pro lado, Daniel não podia acreditar que aquilo tudo era por algo tão… Pequeno. Daniel negou com a cabeça e tampou a boca, incrédulo. “Morango do amor? Aí, fala sério, cara’’.

Armand sorriu pro doce, ele era perfeito e brilhava, estava tão bem feito, era grande e parecia saboroso, havia sido o dinheiro mais bem gasto de sua vida. “Prove para mim, Daniel.” Ele olhou para Daniel, o olhar banhado novamente em expectativas, até brilhavam.

“Ah não, não vou não.” Daniel cruzou os braços na altura do peito. “Prove você, foi você quem comprou.”

“Para de graça, você sabe que eu não vou sentir nada comendo, vai ser inútil.” Armand parecia irritado.

“E aí vai me usar de cobaia?”

“Isso, exatamente.”

Daniel soltou uma gargalhada alta, mas que não durou muito. Armand não estava sorrindo mais e não tinha mais brilho nos olhos, agora ele olhava o doce na mesa com o que parecia um pouco de decepção? Daniel mordeu o lábio o sugando para dentro da boca e olhou pro doce, não via graça alguma nele, era só um doce qualquer criado para viralizar e faturar encima das pessoas, mas Armand parecia curioso sobre o gosto e Daniel era o único que poderia sentir o gosto daquilo por ele. Daniel revirou os olhos e relaxou os olhos, pegou o doce nas mãos e o olhou, Armand voltou a olhá-lo esperançoso, aqueles olhos cor âmbar bem abertos.

“Tá, vou provar.”

“Diga o gosto que tem, por favor.” E Armand voltou a se animar.

Como poderia negar algo assim? Um vampiro de quinhentos anos implorando para que seu amado humano provasse um doce e descrevesse o sabor para ele com o olhar de cachorro pidão, Daniel não poderia negar algo assim, não mesmo, não para o seu amado Armand.

Daniel mordeu e o barulho crocante foi ouvido no silêncio do apartamento, além do caramelo, tinha também pistache, chocolate branco e claro, o morango. Não tinha nada demais naquele doce quando Daniel começou a mastigá-lo, nada além de doce, doce, um suco fraco da fruta e mais doce. Mastigou, engoliu e fechou os olhos, precisava estudar o sabor para descrever bem pro vampiro que faltava babar assistindo.

Olhou para Armand que o acompanhou com o olhar, mordendo os lábios, ele nem piscava. Daniel lambeu os dedos antes de começar a falar. “Bom, é como comer maçã do amor. Crocante, bem doce, o caramelo é açúcar puro então é um doce forte e derrete na boca, gruda nos dedos e no céu da boca, mas é bom. O chocolate branco é bom, nunca fica ruim, gostei e combinou.” Fez uma pausa, achando adorável a forma como Armand o olhava, com os olhos grandes e balançando a cabeça como se estivesse anotando cada palavra mentalmente. É claro que ele estava.

“Continue.” Ele balançou as mãos.

“Não gostei do pistache, tem o gosto amendoado, eu não curto, então foi a parte ruim. Já o morango foi ok, dá para esconder que ele é amargo quando morde.” Silêncio. “Nota sete ponto nove.”

“Então não é bom.” Armand olhou pro doce com raiva.

“Ei, gatinho, é bom, mas o pistache estragou.” Armand assente, se encostando na cadeira. “Quanto você pagou nisso?”

“Ah… Não importa.” Armand sorriu e se levantou.

“Armand Molloy, quanto você pagou nesse morango?” Daniel arqueia uma sobrancelha, cruzando os braços. “Quanto?”

“Não vou dizer, sei o que você vai falar.” Armand dá de ombros, olhando fixamente para Daniel.

“Fala logo, eu não vou brigar nem nada.”

“Vai sim, eu sei o que anda pensando ultimamente.” Armand desvia o olhar. “Estou gastando meu dinheiro a toa com coisas inúteis.”

“Realmente, mas o dinheiro é seu e você gosta de fazer compras, está tudo bem.” Daniel não estava mentindo, Armand sabia. “Quanto foi esse morango? Não deve ter sido menos de cinco dólares, né?”

“Foi 27 dólares na verdade.” A resposta fez Daniel engasgar com a própria respiração.

“Puta que pariu, calma aí.” Daniel tossiu. “Você tá me dizendo que esse morango, só este morango foi 27 dólares?” Daniel estava chocado, Armand soltou uma risada e confirmou com a cabeça.

“Aí, fala sério.” Daniel negou com a cabeça e pegou o morango, dando uma mordida generosa.

“Você disse que não gostou…”

“Essa coisa foi 27 dólares, 27 caralhos de dólares, não podemos desperdiçar.”

“Ah… Tudo bem, coma tudo então.” Armand sorriu e se sentou voltando a assistir.

Armand sorriu ainda mais largo quando ouviu o pensamento de Daniel falando que não era tão ruim assim, que agora entendia a popularidade que aquele doce estava tendo. Talvez Armand comprasse mais depois. O vampiro pensou.

“Nem pense nisso.” Daniel respondeu apontando um dedo na frente do rosto de Armand.

“Não pensei em nada, amado.”

“Você sabe o que eu pensei e automaticamente eu sei o que você pensou e a resposta é não.”

“Tudo bem, tudo que você quiser.”

Daniel comeu tudo, realmente era muito bom, mas a consequência foi uma noite de péssimo sono com metade do tempo dentro do banheiro e um Armand se desculpando na porta.