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Exclusivamente Teu - NagiReo

Summary:

Surpreender o crush bilionário com um presente de aniversário é uma tarefa desafiadora, mas Nagi, que acha tudo uma dor, vai se esforçar por Reo!

Especial de Aniversário do Reo Mikage | Era Hakuho

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English: Exclusively Yours - NagiReo

It's challenging to surprise your billionaire crush with a birthday gift, but Nagi, who finds everything a pain, is willing to make the effort for Reo!

Reo's Birthday Special | Hakuho Era

Fanfic in Portuguese

Notes:

Boa noite,
Correndo muito para postar essa história! Espero que gostem!
Boa leitura!
P.s.: História postada também no Spirit Fanfics.

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Ainda de olhos fechados, Nagi Seishiro esticou o braço para desligar o despertador insistente sobre o parapeito da janela. Sentou-se na cama e, sonolento, cumprimentou seu cacto de estimação espetando a ponta do dedo em um espinho. Esse era seu método infalível para acordar de fato. No entanto, se o método “infalível” falhasse, ainda havia um plano B. Bastava encarar os olhos assustadores da pintura estranha que ganhara de seu amigo Mikage Reo. O susto garantia que chegaria no colégio no horário.

O quadro provavelmente era caro, feito por algum artista renomado, mas seus parcos conhecimentos de artes talvez fossem culpados por ele não reconhecer o valor daquela obra. Não gostava do desenho, dos traços, nem das cores, tampouco achava que combinava com seu pequeno dormitório clean. Mas Reo lhe deu esse presente na primeira vez em que foi ao seu apartamento, dizendo que gostaria que Nagi ficasse feliz como ele ficou ao recebê-lo dos pais. E era apenas por isso que Nagi não o vendia para comprar jogos e o mantinha exposto na parede do seu quarto. Porque aquela pintura era um lembrete de que Reo Mikage queria fazê-lo feliz e isso era o suficiente para Nagi se sentir querido, e por consequência, feliz.

“Isso é tão feio, como Reo pode gostar disso?”, pensou Nagi avaliando a gravura. Reo tinha um gosto peculiar e colecionava objetos de decoração exóticos, como jarras diferentes, além das pinturas estranhas. Isso causava uma dúvida existencial que assombrava Nagi de tempos em tempos. “Será que ele me vê como mais um tesouro da coleção bizarra dele?”. Reo sempre o chamava de “tesouro” por ser um gênio e Nagi tinha fama de esquisito, o que reforçava a sua insegurança embora isso não o incomodasse. Sua maior preocupação era que Reo ficasse entediado dele e o deixasse de lado.

O aniversário de Reo se aproximava e, apesar de seu ar aparentemente desinteressado, Nagi queria retribuir tudo o que o amigo havia feito para iluminar sua vida. Observando a pintura, pensava na difícil missão de escolher um presente à altura.

Reo era generoso e gostava de presentear. Por isso, mesmo que Nagi achasse uma dor pensar sobre esse assunto, ele sabia que precisava se esforçar para encontrar algo realmente significativo, já que Reo valorizava esse tipo de gesto.

“Não sei o que fazer”. Nagi levou a mão à testa e se deitou na cama novamente. “Eu queria que ele ficasse feliz como quando ganhou o quadro feioso de presente dos pais. Mas deve ter sido caríssimo, como vou dar um presente para um bilionário?” Nagi já havia verificado as suas economias, mas a conta não fechava. “Será que peço dinheiro emprestado a ele? Não, eu nunca teria como pagar e teria que virar seu escravo depois”.

Ele não achou uma má ideia ficar ligado a Reo pelo restante da sua vida devido à essa possível dívida, mas concluiu que pedir um empréstimo estragaria a surpresa, então evitaria por ora.

Pegou o celular para cumprir a missão diária no seu jogo de tiro favorito. “Se eu fosse receber um presente, adoraria ganhar novas skins. Será que o Reo gostaria de jogos? Eu poderia escolher algum que a gente pudesse jogar juntos, mas… ele é tão viciado em futebol que provavelmente só vai querer jogar PIFA Soccer. E ele deve ter todos os jogos existentes… E do jeito que é bom em tudo, vai zerar muito rápido e perder o interesse antes mesmo que eu termine de pagar as parcelas do cartão de crédito! Que chatice!”.

A preocupação com o possível presente o consumia, e não foi diferente quando abriu o guarda-roupa e olhou sua coleção bicromática de moletons. Escolheu um preto para usar com o uniforme, enquanto pensava que talvez pudesse dar uma roupa para o amigo. Mas como escolher algo, se Reo vestia apenas grifes e Nagi nem as conhecia? Além disso, ele já havia reparado que Reo misturava estampas e gostava de formas geométricas, mas ele tinha medo de comprar algo cafona e Reo entendê-lo mal. Não queria correr esse risco, então riscou a roupa da lista de presentes também.

A dúvida ainda martelava sua cabeça enquanto atravessava os corredores da escola após o fim das aulas. Entretanto, ao passar por uma sala e observar o que os alunos faziam, uma ideia inesperada surgiu. Ele finalmente sabia o que dar de presente para Reo.

Decidido, Nagi se inscreveu no clube de cerâmica, mesmo já sendo membro do recém-criado clube de futebol. Avisou a Reo que precisaria chegar um pouco mais tarde nos treinos, inventando uma desculpa sobre uma atividade extra para complementar sua nota.

Na verdade, queria passar mais tempo com Reo, mas esse pequeno afastamento era necessário para preparar o presente, e esperava conseguir fazer tudo rapidamente.

 

[...]

Nagi chegou ansioso para a sua primeira aula de cerâmica. A professora estava bastante entusiasmada por ter um novo aluno e conversou com Nagi para saber suas expectativas e explicar a dinâmica da classe. Ele disse que queria aprender a fazer vasos, mas a professora explicou que começaria por uma peça mais simples.

Nagi se juntou a uma grande mesa onde havia alguns alunos mexendo com argila para moldar pratos manualmente. Um outro pintava uma cerâmica enquanto outra aluna usava uma roda de cerâmica com um pouco de dificuldade.

Nagi seguiu as instruções básicas dadas pela professora para preparar a argila, enquanto observava tudo com atenção. Depois moldou seu prato com destreza. Ele ficou perfeitamente redondo, com bordas proporcionais e superfície uniforme.

A professora ergueu uma sobrancelha.

— Você já fez isso antes?

— Não.

Nagi era talentoso em tudo o que fazia e não teve dificuldades com as etapas seguintes. Ele era tão rápido que terminava o que precisava ser feito muito antes do horário final da aula de cerâmica e não se atrasava tanto para o treino de futebol. Não que ele quisesse jogar futebol de fato, ele só queria encontrar com Reo.

Sim, Nagi não tirava Reo da cabeça.

No final da primeira semana, após as etapas de secagem, forno, esmaltação e pintura, seus colegas ficaram surpresos pelo seu primeiro prato estar perfeito, parecendo com algum disponível para venda em lojas sofisticadas. Mas Nagi não ficou satisfeito com o elogio, porque achou a peça sem personalidade. Apesar de bem-feita, ficou tão comum que não parecia algo pelo qual Reo se interessaria.

Na semana seguinte, Nagi chegou mais cedo e contou à professora que queria aprender a fazer vasos, pois pretendia presentear alguém. Apesar de hesitante, pois não era algo que ela recomendava a alunos com apenas uma semana de aula, acabou permitindo que ele tentasse a modelagem na roda de cerâmica.

A tal roda parecia apenas um disco girando, mas bastou a professora explicar como funcionava para Nagi entender que exigia mais do que parecia. Era preciso controlar a velocidade com o pé, manter a argila centrada e mexer nas bordas manualmente com precisão.

Depois de preparar a argila, Nagi vestiu o avental, sentou-se, ligou o pedal e, em poucos segundos, a argila subiu como uma coluna perfeita entre seus dedos. Achou aquilo interessante. Modelou as paredes sem esforço com um toque leve enquanto a roda girava.

Os demais alunos, um tanto incrédulos, espiavam Nagi modelando a argila sem nenhuma dificuldade na sua primeira tentativa.

Ao terminar, notou que a peça ficou perfeita, digna de ceramistas profissionais. Mas Nagi olhou para o vaso com desânimo.

“Não se parece nada com aqueles potes esquisitos que Reo têm no quarto”, pensou Nagi, suspirando pesadamente.

Naquela semana, Nagi continuou a produzir novos vasos, sem se preocupar com o acabamento final porque não estava satisfeito com eles. Todos eram perfeitos, mas comuns. A professora, embora reconhecesse nele um talento incomum para a cerâmica, se incomodava com o que ela considerava falta de disciplina.

— Nagi-kun, você veio fazer cerâmica achando que é só aquela parte que mostraram no filme Ghost, né? Não que seja da sua época — provocou a professora da geração X, referindo-se à famosa cena dos anos 90 em que Demi Moore e Patrick Swayze moldam argila juntos na roda. — Terminar as peças também faz parte do trabalho do ceramista! — chamou a atenção de Nagi.

Ele lançou apenas um olhar lacônico em resposta enquanto modelava o quarto vaso daquela semana, logo voltando toda a atenção para a peça. Apesar do ar blasé, Nagi tinha um lado romântico e já havia assistido ao filme citado, mesmo sendo antigo, e a música tema começou a tocar em sua mente.

Oh my love, my darling

I've hungered for your touch

A long lonely time

Nagi, com as mãos besuntadas com argila molhada, observava sua própria criação surgir. “Até que fazer vasos a partir da argila é realmente interessante”, pensou. “Eu sou capaz de criar objetos com barro! É uma sensação boa, me sinto quase como um deus!”. Levantou rapidamente o olhar e percebeu que alguns colegas o observavam trabalhando. A mente dele, então, começou a fugir para seu tema favorito. “Será que o Reo gostaria de me ver modelando?”

— Nagi, você é realmente um prodígio! Não sabia que você sabia fazer cerâmica — Nagi imaginou Reo se aproximando por trás.

— Nem eu, na verdade — respondeu, em sua imaginação, sem tirar a atenção da sua atividade.

Reo puxou um banco e se sentou atrás de Nagi, espiando o trabalho dele por cima do ombro do amigo.

— Você é mesmo meu tesouro! — Nagi imaginou Reo afagando seus cabelos em um cafuné, orgulhoso da sua criação.

Era tão bom ter a atenção de Reo, Nagi se sentia incrível com isso. E a proximidade de Reo era tanta que Nagi quase conseguia sentir o perfume único (sim, até o perfume do Mikage era exclusivo) subindo pelas narinas, mesmo sendo apenas sua imaginação.

Não era a primeira vez que isso acontecia, embora ainda negasse em voz alta. Depois que esse turbilhão invadia a mente de Nagi, ele não conseguia resistir, e já não conseguia manter atenção total na peça.

Imaginou-se virando o rosto na direção do amigo, se deparando com o sorriso admirado que ele mais amava. Nagi, então, puxou Reo com um toque desajeitado cheio de argila pela lateral do rosto, dando-lhe um beijo rápido nos lábios. Reo continuava sorrindo contra sua boca.

I need your love

I, I need your love

God speed your love to me

Nagi fechou os olhos. A boca fez um “x” logo após um suspiro satisfeito. As mãos erraram o tempo.

O vaso desmoronou.

— Nagi?! — A professora o chamou, tirando-o de seu devaneio. O restante da turma proferiu lamentos ao perceber a primeira falha de Nagi. O gênio era humano, afinal.

A argila tinha virado uma bagunça, mas a professora garantiu que dava para consertar. E ao som de Unchaneid Melody, que ele escutava perfeitamente em sua mente, Nagi remodelou o vaso, ficando perfeitamente esquisito, com proporções estranhas e carregado de uma memória afetiva na qual havia beijado Reo.

Bom, essa parte da inspiração ele omitiria se fosse perguntado.

 

[...]

— Reo! — Nagi havia ensaiado um pequeno discurso, mas o esqueceu assim que encontrou Reo ao sair do elevador no andar do seu quarto, ficando parado o fitando com seus grandes olhos.

Reo estava deslumbrante, ainda mais bonito que nos outros dias. Ele, então, o convidou para entrar.

Naquele dia haveria um jantar em outro andar da torre da Mikage Corporation para comemorar o aniversário do herdeiro, mas Nagi fizera questão de chegar um pouco antes, pois queria entregar o presente enquanto estivessem a sós, sem precisar dividir aquele momento com mais ninguém.

— Ah! Reo! Feliz aniversário! — continuou Nagi, entregando o vaso ao amigo.

Nagi não embrulhou a peça para presente, nem colocou um laço para enfeitar. O vaso era estranho e um pouco assustador. Ele tinha buracos grandes e irregulares, parecendo mais uma caveira do que um vaso tradicional.

— Uau! — Os olhos de Reo brilharam ao ver a peça, e ele a girou devagar entre as mãos, como se quisesse memorizar cada detalhe. — Nagi, não sabia que você era um apreciador de artes! Esse vaso é demais!

Reo pegou o vaso e o levantou, analisando cada curva e cada reentrância.

— Quem é o artista? Alguém te ajudou a escolher? — Ele continuava curioso sobre a peça.

Nagi indicou que ele o colocasse junto dos outros da sua coleção, que ficavam em uma bancada, e assim Reo o fez.

— Não foi nenhuma artista que fez, espero que não seja um problema. Fui eu que fiz! — explicou Nagi, enquanto apoiava a mão na lateral do pescoço.

Reo abriu a boca estupefato enquanto Nagi continuou a falar como se fosse algo muito trivial.

— Eu aprendi a fazer vasos na aula de cerâmica do colégio!

Os olhos de Reo passearam algumas vezes entre o vaso e o Nagi, enquanto o sorriso aumentou e claramente algumas ideias estavam circulando em sua cabeça.

— O quê?! Nagi, a gente pode investir nisso! — Era possível ver cifrões nas íris roxas. —  Posso montar um ateliê para você produzir outras peças como essa, acho que dá pra faturar uma grana e a gente divide os lucros e-

Reo estava empolgado e falava quase sem respirar, mas Nagi o interrompeu, segurando-o pelo pulso.

— Não! — A palavra saiu seca, mas calma. — Esse vaso é só teu. E meu talento é só teu.

As bochechas de Reo coraram ao mesmo tempo em que ele se arrepiou com o toque de Nagi, e a empolgação deu lugar a um silêncio estranho. Ele baixou os olhos, um tanto quanto constrangido e um tanto desconcertado com a forma que Nagi o encarou.

— Nagi... me desculpa. Eu falei besteira. Eu só… — Reo franziu os lábios, buscando palavras, mas nenhuma parecia suficiente para explicar tanto sua falta de tato inicial, quanto a confusão de sentimentos que estava sentindo.

Nagi soltou seu pulso devagar.

— Tá tudo bem. — Ele deu de ombros. — Você é assim mesmo. Eu gosto disso.

Nagi realmente não parecia incomodado, o que fez Reo soltar uma risada aliviada. Nagi às vezes falava coisas que o surpreendiam.

— Bom, obrigado pelo presente! Você me fez muito feliz, gênio! — agradeceu Reo com sinceridade.

Depois ele voltou a olhar a bancada, contemplando toda a sua coleção de jarras exóticas com orgulho. Nagi se aproximou também, observando seu presente bem no meio das peças de artistas renomados.

— Me avise quando quiser outro vaso. Acho que agora já sei como errar direito — disse Nagi, com um calor subindo pelo corpo só de se imaginar fazendo mais uma peça enquanto pensava no beijo molhado de Reo.

— Huh?

Reo não entendeu sobre errar da forma correta, mas parecia estar se divertindo com a ideia de aumentar a coleção.

— Já que vai me dar outros vasos, vou chamar minha arquiteta pra montar uma nova bancada com as peças do meu artista favorito exclusivo… Um tal de Nagi Seishiro!

Nagi avaliou que se fizesse um vaso a cada vez que se imaginasse beijando o Reo, seriam realmente muitos!

 — Vai precisar de espaço então!

— Sem problema! Só esse ativo da Mikage Corporation tem 53 andares — Reo piscou um dos olhos e mostrou a língua, provocando-o.

Nagi soltou um suspiro discreto. Encher uma torre inteira com seus vasos? Certamente levaria uma vida inteira. Talvez mais tempo que eles levariam para ganhar a Copa do Mundo juntos. E isso, para ele, estava perfeito.

Notes:

Sei que Ghost é um filme muito antigo mas a cena citada é bem conhecida. Mas para quem nunca viu: https://youtu.be/ohegyFcDVlA?si=tma7wNIwUM7IEkRk