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sol & sal

Summary:

Chan sempre tocava no mesmo quiosque, na mesma praia, nos mesmos dias de verão e Minho sempre trabalhava o dia todo no quiosque da família. Quando uma emergência aparece e Minho precisa cobrir o turno do primo, Chris faz algo que nunca fez antes em seus shows: tenta conquistar o novo garçom com um clássico da música brasileira.

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

— Preciso que você fique no meu lugar hoje, Lino. Por favor, eu limpo a caixa de areia dos seus gatos por um mês, beijo seus pés, te arrumo um amigo meu… O que você quiser! É coisa séria.

 

Seungmin disse, quase chorando no telefone e Minho achou melhor nem questionar muito, era melhor que Seungmin ficasse devendo um dia para ele, poderia aproveitar um dia de folga a algum momento. Ir para casa parecia um sonho distante naquele momento, tomar um banho quentinho e tirar toda a areia, suor e maresia do seu corpo seria perfeito. Mas Minho acordou logo, sabendo que o primo havia acabado com os seus planos.

 

— Desliga logo esse telefone antes que eu mude de ideia, vai. — Com um suspiro, ele voltou para trás do balcão e riscou o que havia escrito no caderno de ponto. Teria que adicionar mais algumas horas ali.

 

Faria Seungmin lamber o chão em que pisava por um mês todinho.

 

Minho não reclamava de trabalhar no quiosque da tia nos dias mais tranquilos do ano, quando o outono e o inverno chegavam, serviam vinhos e caldos e só trabalhavam no jantar, mas no verão… Tudo no mês de janeiro parecia ter sido feito apenas para irritar Lee Minho, ele precisava estudar e ainda andar para cima e para baixo, carregando caipirinhas e porções com os pés enfiados em areia quente e ele odiava aquilo.

 

A areia da praia era a sua pior inimiga.

 

O quiosque Sol & Sal já funcionava a todo vapor desde manhã, pois a demanda era alta nos primeiros três meses do ano e feriados. As pessoas passavam o dia inteiro na praia, e quem não passava o dia todo na praia, vinha comer no quiosque de noite! Os turistas eram folgados demais e comiam de menos, não podiam ser irritantes mas pelo menos dar mais dinheiro para a sua tia? Malditos. Ele ouviu o bipe na caixinha de som do restaurante e olhou o número da mesa que estava precisando de um garçom, então suspirou baixinho, com um sorriso leve e um tom ensaiado na voz, ele foi atender a mesa 10, composta por dois conhecidos da faculdade. A garota era colega de curso, mas não se falavam muito, e ele não fazia ideia do nome do seu namorado, que era todo educado e sorrisos.

 

Minho anotou os pedidos do casal e voltou para o bar depois de passar em mais duas mesas no caminho, deixou a comanda com a tia e as cozinheiras, que eram sempre muito fofas com ele, guardavam uma ou duas casquinhas de siri para ele sempre que pedia, uma das poucas coisas que gostava sobre a praia. Na verdade, ele também gostava dos pores do sol, do barulho que as ondas faziam quando quebravam, e de alguns surfistas que apareciam quando as ondas estavam boas, mas não se atrevia a pisar na areia ou entrar no mar para apreciar mais de perto.

 

Chris arrumava suas coisas no palco, o mesmo em que ficava todas as noites de quintas e sextas-feiras, deixando tudo em ordem com o som e arrumando a banqueta que segurava seu violão escuro, não preto, pois ele pensava que violão preto era coisa de sertanejo e ele definitivamente não era um sertanejo. Ainda tinha alguns minutos para comer e se preparar antes do show, então olhou para a mesa do casal de amigos e sorriu ao ver que Helena e Felipe olhavam para ele como se fossem pais orgulhosos, tirando fotos e gravando Chris, o fazendo rir baixinho, de orelhas vermelhas e tudo. Era a primeira vez que os dois assistiam a uma apresentação sua no quiosque que tanto gostava, por isso estava tão nervoso e envergonhado. Queria fazer uma das melhores noites da sua vida e, quem sabe, ganhar alguma gorjeta.

 

Ele ficou posando para as fotos e vídeos por mais alguns segundos, tempo o suficiente para que seus olhos capturassem a criatura mais linda que ele já viu em toda a sua vida, tudo em câmera lenta. O garçom vinha com uma bandeja cheia de cervejas, uma caipirinha de limão e duas porções, além de trazer o sorriso mais bonito do mundo nos lábios, Chris só reparou nos dentes de coelho que ele tinha e no lábio superior maior do que o inferior. Ele era lindo e deixou Christopher hipnotizado.

 

— Qualquer coisa, é só chamar. — Minho disse com um sorriso fraco, saindo de perto da mesa.

 

Assim que o garçom bonitinho saiu, Chris foi correndo até a mesa dos amigos, com um sorriso enorme no rosto, um sorriso que todos eles conheciam bem. Ele já arquitetava planos para se aproximar do garçom, pedir seu número, o acompanhar até a sua casa enquanto caminhavam juntos pela orla, ele não sabia o que faria, mas tinha ideias.

 

— Gente, vocês por acaso viram aquele garçom? Eu acho que é o cara mais bonito que eu já vi na minha vida, tipo, ele parece um anjo?! — Chris disse, mais baixo do que o normal e com os olhos arregalados, como se ainda estivesse em choque com a beleza do garçom que atendeu a mesa deles. — Eu nunca vi ele por aqui, será que é novo?

 

Chris tinha uma boa fama pela faculdade, todos sabiam da fila imensa de pessoas atrás dele, mas Chris sempre ia atrás das que eram quase inalcançáveis, pois ele gostava da sensação de conquistar alguém, era um cara romântico, apesar de tudo. Ele comeu algumas mandiocas da porção e viu o sorriso malicioso nos lábios de Felipe, seu loirinho preferido, e Chris nem sabia dizer o motivo de ser seu melhor amigo, ele parecia odiá-lo de vez em quando.

 

— Ele está na minha sala, inclusive. Acho que o nome dele é Minhu, não deve ser pronunciado assim, mas é tipo: M-I-N-H-O. — Helena disse, um pouco confusa. Chris achava fofo quando seus amigos tentavam falar qualquer coisa em coreano. — Ele é um fofo.

 

— Lena, o nome dele é Minho, provavelmente. É um nome comum, até. Bem bonito, combina com ele. — Ele deu de ombros, seguindo o garoto pelo salão com seus olhos.

 

— Eu já sei o jeito perfeito de conquistar ele, ah! E você não pode dizer não, você ainda tem que pagar a aposta de quarta-feira, lembra? — disse Felipe, sorrindo como uma criança sapeca, olhando para ele com todas as suas sardas e olhos maléficos. — Canta uma música para ele no show, ele vai amar.

 

Chris arregalou os olhos assim que Felipe citou a aposta, pois aquele não era o momento para brincadeiras, aquilo podia custar seu dinheiro extra de todo final de semana, e ele não queria perder uma chance que nem sabia se tinha com Minho. Ele fez um biquinho, começando a pensar em todos os argumentos que poderia dar para se livrar daquilo, e eram diversos na sua cabeça, mas Felipe apenas estendeu a mão para ele, bem na frente de seu rosto, não querendo ouvir.

 

— Aposta é aposta, lembra? Você disse que conseguiria o número da filha do reitor e não conseguiu, então…

 

— Em minha defesa, eu nunca poderia adivinhar que ela é lésbica, nunca vi ela com mulher nenhuma! Nem com homem… Tá, mas se a dona do restaurante me dispensar por causa da sua brincadeirinha idiota, Fê… Eu juro que mato você e dou o número da Helena para o calouro de história!

 

— Você não vai dar meu número para ninguém, Chris. Se o Fefi morresse, eu seria uma viúva muito triste. — Ela disse com um sorriso leve, deixando um selinho nos lábios do namorado.

 

Chris apenas resmungou, como uma criança mimada, indo para o palco. Estava na hora.

 

Ele já estava acostumado com o quiosque lotado nos finais de semana, sempre com alguns conhecidos e turistas, o que era bom, mas depois da confirmação de que teria que pagar a aposta ali mesmo, Chris já sentia vontade de sair correndo daquele palco, ou apenas gritar e rosnar para espantar os cliente, o problema era de fato fazer aquilo e perder o emprego de temporada da mesma maneira que talvez perdesse com a gracinha que faria para o garçom bonitinho. Com um suspiro, ele se sentou na banqueta, olhou para todos os presentes e bateu duas vezes no microfone, testando a própria voz, arrumando a alça do violão no pescoço e sua posição, tocando alguns acordes.

 

— Boa noite, espero que todos vocês estejam comendo bem e aproveitando seu tempo aqui no Sol & Sal. Quem quiser, pode pedir uma música, é só pedir uma cerveja para o cantor, e quem quiser dançar, pode puxar uma dama ou um cavalheiro que não estejam acompanhados. Aproveitem o show.

 

Ele fazia a mesma introdução todas as noites, mudando uma coisa ou outra e com um sorriso no rosto, dedilhando o violão com lentidão, abraçando a aura calma da praia, querendo apenas complementar o som das ondas quebrando na areia. Adorava aquele lugar e adorava o que fazia todos os finais de semana. Chris começou com “Carolina, Carol Bela”. Ele tinha um fraco por músicas que falavam sobre mulheres, músicas em que um personagem era criado, possuía um nome e uma personalidade, gostava de Carolina, Anna Julia, Marjorie e de Camila.

 

Minho sorriu ao ouvir as músicas que faziam parte do repertório do cantor que a tia sempre contratava, e agora ele sabia muito bem quem era; Bang Christopher Chan era um dos galãs da faculdade, toda semana com uma pessoa diferente, o que deixava Minho bem curioso, mas não se metia, ele nem mesmo precisava, as fofocas acabavam se espalhando. A última garota fez questão de espalhar que sentia falta de como ele era bom na cama.

 

Ele limpava uma mesa e cantarolava “Descobridor dos Sete Mares”, sentindo a ansiedade para o carnaval como arrepios em sua pele, era óbvio que eles trabalhavam mais, mas os bloquinhos da cidade compensavam, os garçons combinavam as folgas entre si, para que todos aproveitassem os blocos e os dias que queriam, Minho adorava aquilo.

 

— A próxima música vai ser para o garçom bonitinho, que eu ainda não sei o nome, — Chris mentiu, só para ser mais romântico. — mas eu vou descobrir em breve. Você mesmo, de camiseta preta.

 

Minho travou no meio do que estava fazendo, de olhos arregalados e orelhas vermelhas, ouvindo Christopher tocar “Garota de Ipanema" para ele. Não podia acreditar que ele queria chamar a sua atenção, na frente de todos os clientes e de sua tia, que saiu da cozinha para saber o que estava acontecendo. Ele se virou lentamente, carregando a própria bandeja e suavizando a própria expressão, ouvindo a voz doce, se permitindo gostar da melodia e do gesto, mas continuava vermelho e sentia que todo o seu rosto estava quente, quase fervendo de vergonha.

 

Moço do corpo dourado, do Sol e do Sal

O seu balanço é mais que um poema

É a coisa mais linda que já vi passar

 

Minho sorriu, mudando rapidamente de expressão, pois tudo era muito doce, muito romântico, e a careta que Chris fez quando um verso não rimou com o outro foi fofa. O seu rosto já voltava a sua cor e temperatura normal, o sorriso em seus lábios começava a aumentar, e seu corpo balançava com a melodia, no meio de todos aqueles turistas, Minho recebia uma serenata.

 

Ah, se ele soubesse que quando ele passa

O mundo inteirinho se enche de graça

E fica mais lindo por causa do amor

Por causa do amor

Por causa do amor

 

A música se encerrou e ele continuava parado no seu lugar, a bandeja de metal em mãos e um sorriso fraco no rosto, seus olhos brilhavam levemente ao ver os olhos de Chris, tão castanhos quanto os seus, mas não tão grandes. Ouviu todos os aplausos e a expectativa no ar, como se todos os presentes se questionassem o que Chris ganharia em troca depois de uma música tão bonita. Minho riu, pegando o bloco de notas em que anotavam os pedidos e colocou seu nome e telefone, respondendo todas aquelas pessoas e Christopher, rindo. Se Chris queria tanto saber o nome do Garoto do Sol e do Sal, Minho o daria. Seguiu até ele, entregando o papel, bem dobrado, apenas para fazer um charme, e deu uma piscadela com o olho direito, voltando para o seu posto atrás do balcão, ouvindo mais alguns aplausos e assobios, o fazendo rir mais um pouco, se encolhendo atrás do balcão de tanta vergonha.

 

Imediatamente, pegou seu celular e mandou algumas mensagens para Seungmin, contando o que aconteceu, mas ele não respondeu na mesma hora, devia estar ocupado com a tal emergência, e ao seu lado, um par de olhos afiados e curiosos o encaravam, o que fez ele rir levemente, se virando para a tia, levantando as mãos em rendição, como se tivesse feito algo.

 

— Eu não faço ideia do que acabou de acontecer, não me olha assim!

 

— Você sabe muito bem o que acabou de acontecer, rapazinho. Um homem bonito acabou de dar em cima de você, te dedicou uma música linda na frente de pelo menos cinquenta pessoas! Depois não venha reclamar que está solteiro. — Sua tia disse com um sorriso, batendo o pano de prato em Minho e voltou para a cozinha, o assunto estava chegando.

 

— Oi, Minho. Você é parente do Seungmin, não é? — ele perguntou, se apoiando no balcão e olhou para ele, sorrindo. Aquele sorriso que mostrava os caninos levemente pontiagudos e uma única covinha. — Pelo visto, a beleza ficou só em você e na tia Kim.

 

— Obrigado, Chris, as pessoas comentam mesmo — ele brincou, então observou Chris bem melhor, mais de perto, sorrindo junto com ele. Seu sorriso era tão brilhante, o fazia sorrir também. — E você foi o corajoso, que viu um quiosque cheio, e decidiu dedicar uma música para um dos garçons?

 

— Bom, quem não arrisca, não petisca, sabe? E eu estou querendo provar um pouco de todo esse docinho.

 

Minho fez que sim com a cabeça, então deu uma risada boba, sentindo as orelhas ficando quentes mais uma vez. Ele nunca foi dos flertes, sempre gostou de se apaixonar primeiro, por isso gostava de ficar entre amigos, o que funcionava, de vez em quando, mas Chris já parecia diferente, ele era tão… Genuíno.

 

— Vai comer com os seus amigos, Chris. O namorado da Helena está tentando ler meus lábios — Chris fez que sim, sabendo que já estava na hora de ir e deixar Minho trabalhar, mas ele tocou seu ombro, puxando seu braço para mais perto.

 

— Ah, e me espera depois que o restaurante fechar, vamos dar uma volta.

 

[ . . . ]

 

Com um sorriso, Chris ajudou a Kim a fechar o quiosque e ficou rodeando Minho como se ele fosse seu dono, com uma coleira na mão, e Chris fosse um cachorrinho, desesperado para passear. Talvez gostasse da ideia de Minho o colocando em uma coleira e o chamando de bom garoto…

 

— Você parece distraído. — Minho disse com um sorriso leve, enquanto abaixava o toldo verde-musgo do quiosque e trancou o cadeado que o mantinha abaixado, checando se tudo estava de acordo.

 

— Agora eu estou totalmente focado em você.

 

Minho deu uma risadinha boba, pois Chris era exatamente do jeito que ele imaginava. Sempre que alguns dos rumores sobre ele e seus milhares de namoros apareciam, Minho se perguntava como ele conseguia conquistar tantas pessoas tão rapidamente, imaginava que ele usava do bom-humor e de seu sorriso enorme, e estava certo. Na verdade, Minho sempre estava certo sobre as pessoas, ele era realmente bom em julgar os livros pelas capas.

 

— Costuma funcionar com o pessoal da faculdade? — Chris abriu os lábios, tentando pensar em algo para responder, mas ele só conseguiu rir, sem conseguir imaginar qual deveria ser a imagem que Minho tinha em sua cabeça sobre ele.

 

— Calma, é brincadeira. Você tá conseguindo dar em cima de mim, estou me sentindo bem conquistado.

 

Ufa, você quase me fez pensar que eu teria que usar outra abordagem com você, não gostaria de ter que apelar para as piadinhas com pais e padeiros.

 

Minho gargalhou, mas não sem revirar os olhos para Chris. Não conseguia disfarçar o quanto aquele jeitinho tão despreocupado e brincalhão realmente o conquistava, ele gostava daquele tipo de homem, dos mais bobinhos e perigosos, não era à toa que todos os seus ex-namorados e ficantes tinham uma mesma skin, infelizmente ele tinha um tipo ideal, não podia fingir que não se atraía pelos mesmos tipos de homem sempre.

 

De começo, ele ficou um tanto envergonhado com Chris, pensando se aquela não seria apenas uma brincadeira de mau gosto com ele, que estava apenas trabalhando, talvez Seungmin estivesse por trás disso e em algum momento ele aparecesse atrás de um dos quiosques concorrentes, segurando uma câmera enorme e rindo de Minho, mas aquilo não aconteceu, Chris realmente conversava com ele. Gostava de saber os motivos para cada resposta, por mais curta e sem sentido que ela fosse, e fazia perguntas tão interessantes, ele parecia estar flutuando sobre a areia da praia, nem se importava com a quantidade exorbitante de grãos que acabaram parando em suas meias.

 

Tudo parecia bom demais para ser verdade, ou para que simplesmente acabasse em alguns minutos, então Minho decidiu não pedir um Uber assim que chegassem ao ponto de ônibus, nem chegaram até a concha azul do ponto, que era o destino dos dois, Minho puxou Chris para o bar mais próximo, onde serviam porções enormes de bolinho de bacalhau e os jovens faziam competições de karaokê para ver quem levaria um copo de caipirinha como prêmio. Ele não queria ir embora, deixar Chris ir também não era uma opção, então os dois se sentaram juntos nas banquetas que ficavam mais perto do bar e ele pediu o mesmo de sempre, junto com uma caipirinha de maracujá e uma cerveja, para Chris.

 

— Você bebeu metade da caipirinha e não faz cinco minutos que ela chegou, toma cuidado, viu? É perigoso beber e depois ir embora sozinho, — Chris disse com um sorriso leve, bebendo um gole da sua cerveja. — ainda bem que eu estou aqui, vou te levar para a minha casa depois.

 

— Pra sua casa, Chris? Tem certeza que não vai me levar para a minha?

 

— Ah, eu tenho. Acho que você vai se divertir mais na minha.

 

Chris sorriu enquanto piscava para ele e Minho conseguiu perceber as covinhas dele, um lado era mais aparente do que o outro, o que deixava tudo ainda mais fofo, então ele riu também, aceitando que acabariam indo para a casa dele depois, era melhor, assim não teriam que encontrar Seungmin e sua tia enquanto eles subiam para o quarto. Minho pegou seu celular, avisando a tia que estaria dormindo fora naquela noite e deixou em cima da mesa, bebendo mais um pouco da caipirinha e sorrindo ao ver a porção de bolinhos, ele já estava morrendo de fome e aqueles bolinhos pareciam um sonho.

 

— Por que eu nunca te vi trabalhando nesse horário? Canto no quiosque faz uns meses e eu só vejo o Seungmin nesse horário.

 

— Ele me pediu para trocar hoje, disse que tinha uma emergência e até agora não me disse o que era, ele só devia estar com preguiça de trabalhar e fez todo esse teatro.

 

— Pelo menos, a gente se conheceu.

 

— Eu já te conhecia da faculdade, Chris.

 

— Mas eu não conhecia você, como isso pode ser justo? O Seungmin podia ter me apresentado para você já faz um tempão, mas vocês nunca saem juntos, não entendo isso.

 

— Não curto muito os rolês que ele vai, e eu sempre perco no ímpar ou par e tenho que voltar dirigindo para casa, então eu nunca bebo nas festas, o que deixa tudo ainda mais chato.

 

— Mas você me trouxe para um bar hoje, você quer sair mais e quer me conhecer, eu consigo ler isso nos seus olhos castanhos, enormes e brilhantes. — ele disse chegando mais perto, balançando seus cabelos longos para Minho, que logo sorriu, negando com a cabeça. — Amanhã a gente vai passar na praia. Eu, Helena, Felipe, uns caras do meu curso e as namoradas… O que você acha?

 

Minho temia que aquela pergunta fosse feita para ele em algum momento, já que não era difícil de imaginar que Chris fosse um maluco por praia, ele conseguia ver no rosto de Chris, como ele se vestia e em como a sua pele estava sempre corada e as suas sardas eram aparentes, e Minho nem tinha certeza se aquilo tinha alguma coisa com o fato de que ele frequentava a praia, só fazia sentido na sua cabeça.

 

Ele sorriu para Chris, pensando em ignorar a pergunta, inventando que precisaria trabalhar no quiosque naquela manhã e, que se Chris quisesse, poderia passar lá, mas Minho estaria mentindo muito feio para ele. Minho e Seungmin trocaram os turnos, então ele não estaria ocupado, muito menos trabalhando, e ele merecia pegar uma praia, não? Suspirou, fez que sim com a cabeça e sorriu, ainda mais ao ver o tamanho do sorriso que o outro abriu assim que ele confirmou. Chris era um bobo.

 

— Você vai adorar o pessoal, a Helena você já conhece, e eu tenho certeza que vai adorar os meninos também. Ela me disse que vocês estudam juntos, psicologia, né? Eu acho muito legal, faço educação física.

 

— Eu sei, Chris. — Devo me preocupar com você sabendo da minha vida e eu não sabendo de nada sobre a sua?

 

— Eu não sei da sua vida, só não me faço inocente. Você já sabia o meu nome e mesmo assim disse no microfone que descobriria em breve, você não me engana.

 

— Era melhor saber direto da fonte, não? E de qualquer jeito, eu queria que fosse uma coisa mais romântica, se eu dissesse seu nome, do nada, seria meio esquisito, uma pegada meio stalker, ou sei lá.

 

— Bobo.

 

Eles acabaram pedindo mais uma rodada de bebidas e Minho pediu um copo de plástico, para continuar bebendo a sua caipirinha enquanto iam embora, estavam fechando o bar junto com os funcionários. Todos ali já conheciam Minho e Chris, separadamente, mas concordaram que eles combinavam bastante, e que não pareciam ser apenas amigos conversando em uma sexta-feira de janeiro.

 

Minho tirou uma foto, bebendo seu copo e viu que um borrão de cabelos castanhos apareceu atrás, então decidiu guardar a foto com muito carinho, se os dois começassem a namorar em um futuro próximo, Minho poderia guardar aquela foto como sendo o primeiro encontro deles, e seria fofo contar para seus filhos e netos a história de como os dois se conheceram.

 

Uau, Minho já estava alucinando com filhos e netos.

 

Minho deu um sorrisinho leve ao entrarem na casa de Chris e ele olhou ao redor, curioso. Era um prédio de quatro andares, mais afastado da praia, mas bem localizado, o apartamento era grande e tinha cara e cheiro de apartamento de praia. Ele tirou seus tênis e bateu os pés no capacho, tirando a areia e entrando na casa usando as suas meias, ele ouviu o click que o interruptor fez assim que Chris acendeu a luz e conseguiu ver mais um pouquinho do lugar, reparando em dois potinhos vermelhos de ração e procurou pelo cachorrinho.

 

— Aqui é uma graça, Chris. Você mora sozinho? — Minho perguntou, deixando a sua bolsa em cima do sofá e procurou por um lixo, para deixar o seu copo vazio.

 

— Eu divido o apartamento com o Fê, mas hoje estamos sozinhos. A Helena veio de brinde, tá sempre por aqui, deixa as roupas espalhadas pela casa e me faz ouvir coisas que eu não mereço.

 

Minho deu uma risadinha fraca, fazendo que sim com a cabeça e pensou no que ele queria dizer com aquela frase, Chris queria estar sozinho com ele em seu apartamento? Deus, Minho não era um dos soldados mais fortes, não iria se aguentar de ansiedade se ele não dissesse quais eram seus planos para aquela noite. Deixou seu copo na lixeira e voltou para a sala, se sentando no sofá e colocou os pés para cima, cruzando as suas pernas, olhando Chris inteirinho e sorriu, talvez pudessem aproveitar.

 

— O que foi, Min? — ele perguntou, e Minho pode perceber as orelhas vermelhas, o que fez ele rir, fofo.

 

— Nada, só estava pensando em como nós vamos fazer amanhã para a praia, eu não tenho nada na minha bolsa. Quer dizer, devo ter protetor solar, hidratante labial e um pente… E uma garrafa de água.

 

— Não se preocupa, a gente deve vestir mais ou menos a mesma coisa, eu te empresto uma bermuda. Inclusive, já vou precisar te emprestar um pijama hoje, mas só se você quiser também… Você pode dormir sem roupa, se preferir.

 

Minho riu, negando com a cabeça para ele e se levantou do sofá, chegando mais perto dele, olhando dos seus olhos para seus lábios cheios e vermelhos, então para os olhos castanhos mais uma vez, sorrindo e falando mais baixo: — Você adoraria, né?

 

— E você me disse que não sabia de nada sobre mim, sendo que, — Chris também chegou mais perto, levando uma das suas mão até sua nuca, seus dedos se misturando entre os cabelos mais curtos, puxando Minho para mais perto do seu corpo, se sentindo cada vez mais ansioso. — você sabe exatamente do que eu gostaria.

 

Um sorriso enorme surgiu nos lábios de ambos antes de se juntarem completamente; Chris provocou um pouco, só raspando seus lábios e se afastando, fazendo Minho ir atrás de mais, e ele realmente foi. Eles se beijaram sob influência de todo o álcool presente no corpo de Minho depois de duas caipirinhas de maracujá, e todo o desejo que Chris sentia por ele desde que o viu no quiosque, servindo drinks e distribuindo sorrisos para os clientes.

 

O beijo foi lento no começo, estavam se conhecendo ainda, tentando entender as intenções de cada um e pensando que estariam dividindo a mesma cama em alguns minutos, fazendo Deus sabe lá o que juntos. Minho colocou as mãos nos cabelos castanhos de Christopher e ele segurou sua cintura com uma das mãos, o fazendo suspirar baixinho, não querendo soltar aqueles lábios nunca mais.

 

Entre uma mordida e outra, Minho o puxou para o sofá e abraçou o pescoço de Chris, sorrindo contra seus lábios e com toda a vontade que o álcool trazia. Ele só pensava em como aquele cara havia cantado uma música para ele, na frente de um quiosque lotado, só para pedir o seu número, suspirou contra os lábios dele só de se lembrar do acontecimento, seu coração estava acelerado, querendo continuar aos beijos com Chris até o amanhecer.

 

— Min, antes da gente continuar, posso te contar uma coisa? Tipo, é uma bobeira, mas acho importante você saber antes que a gente continue se pegando, ou que você saia com meus amigos amanhã.

 

Chris suspirou antes de continuar, estava interrompendo uma sessão de amassos com um homem de coxas enormes, e talvez se arrependesse depois, talvez cortasse todo o tesão do momento, mas quis parar, fazer a coisa certa. Com um sorriso leve, ele se sentou no colo de Minho, que logo colocou as mãos em sua cintura e levantou seu olhar, prestando atenção em todo o rosto de Chris, que também tentava não se distrair na visão dos lábios úmidos e vermelhinhos. Respirou fundo mais uma vez, transformando aquilo em mais dramático do que deveria, então deu uma risadinha boba, negando com a cabeça.

 

— Não tire conclusões precipitadas, tá bem? Pode parecer meio babaca, mas eu e o Felipe apostamos que eu conseguiria pegar o número da filha do reitor, eu não consegui, e eu tinha que pagar uma prenda em algum momento que o Fê decidisse. Quando você foi na mesa deles, eu já te vi de longe e o Felipe percebeu, me mandou cantar uma música para você e ir atrás do seu número, e eu tive que fazer. Quer dizer, eu não tive que fazer, não foi um fardo nem nada, eu só estava com medo de perder meu dinheiro extra todo mês e perder essa chance de te conhecer melhor, tipo, eu nem sabia que você gostava de homens e se fosse pra chegar em você, eu faria de um jeito totalmente diferente, tipo-

 

Quando Minho ouviu Chris falar tipo pela terceira vez, se explicando cada vez mais, ele já sabia que, se deixasse, o outro ficaria falando por uma noite inteira. Minho nem mesmo se importou com a aposta, se Chris falava mesmo a verdade e havia mesmo se interessado por ele além do desafio, ele não tinha do que reclamar, estava maluco para aproveitar aquele homem em seu colo, só pensava nisso. Quase não prestou atenção na explicação extensa dele, só via seus lábios se movendo e sabia que queria eles no seu, o mais rápido possível. Interrompeu Chris com outro beijo, simplesmente calando a sua boca e mordendo seus lábios, mostrando o quão chateado estava com aquela aposta.

 

— Quer apostar comigo que eu consigo te levar para a cama essa noite? — Minho perguntou, deitando Chan no sofá e subiu em seu corpo, querendo tirar a regata branca que ele usava, tudo isso para ver melhor a tatuagem de sol que ele tinha no ombro.

 

— Assim não tem graça, — ele riu e puxou os cabelos de Minho mais uma vez, levando seu pescoço para trás, enquanto deixava beijos em sua pele bronzeada de muitos dias trabalhando na areia. — você já ganhou essa.

 

— Você quer me mostrar?

 

[ . . . ]

 

Chris acordou mais cedo do que Minho, que dormia com um biquinho nos lábios, e ele achou melhor não acordá-lo, aquela fofura merecia dormir pelo tempo que quisesse. Olhou para o celular, querendo saber o que os amigos falavam sobre a praia naquele dia e se levantou, pegando a sua cueca que estava no chão desde a noite passada e sorriu ao se lembrar de tudo que aconteceu naquela noite. Colocou uma bermuda de moletom por cima e foi até a cozinha, fazer um café da manhã reforçado para eles, um dia de praia pedia por um café com pão na chapa, bolo e frutas.

 

Ele continuou atento ao celular e bagunçou seus cabelos, bocejando baixinho enquanto fritava os pães amanhecidos, ainda relembrando a noite passada. Nunca pensou que Minho, o cara que corou enquanto o ouvia cantar “Garota de Ipanema” para ele, faria tudo o que fizeram na cama, e talvez ele só estivesse emocionado demais, mas parecia que os dois possuíam uma química muito gostosa, não precisaram dizer nada um para o outro enquanto transavam, eles apenas se entendiam.

 

Tirou o primeiro pão de sal da frigideira e colocou um segundo, fazendo as duas fatias com muito carinho e jogando um pouco de sal por cima, cuidando de tudo. Deixou os pães na mesa e foi lavar e cortar as frutas, além de tirar os pratos de sobremesa do armário, pegar as xícaras e limpar a garrafa térmica, passando café novo para os dois. Chris desligou o fogo e sentiu um par de braços ao redor de sua cintura, o fazendo sorrir e se virar para ver Minho, segurando também a sua cintura e deixou alguns beijos em seu pescoço, sentindo o próprio perfume, que vinha da camiseta que Minho pegou em seu guarda-roupa, ficava melhor nele, de qualquer maneira.

 

— Você é uma delícia, sabia? — ele sussurrou no ouvido de Minho, apertando sua bunda.

 

— Bom dia pra você também, Chris. — Minho disse baixinho, rindo com ele, gostava de saber que aquela era a primeira coisa que ele pensava ao ver Minho. — Animado para a praia?

 

— Estou sempre animado para a praia, ela nunca perde a graça. Você vai nadar comigo? — Posso pensar no seu caso. Minho deu uma risadinha boba, se soltando dele e sentiu Chris apertar seu traseiro mais uma vez, rindo de novo. Sentou-se na mesa que ele havia arrumado para os dois e sorriu, pegando seu celular para tirar uma foto e deixar guardada, ele já queria fazer uma pasta em sua galeria, se eles dessem certo, Minho não perderia nem um momento dos dois.

 

Enquanto separava algumas uvas do cacho, sentiu uma movimentação peluda no meio das suas pernas e viu uma cachorrinha linda pedindo para subir em seu colo, se apoiando em suas patas e nas coxas nuas de Minho, que não possuía qualquer experiência com cachorros, e pegou ela como se fosse um gato, a colocou em seu colo, e observou enquanto ela levantava sua cabeça. Olhava para Minho como se perguntasse se ele não faria carinho em sua barriga.

 

— Você nunca teve um cachorro, né?

 

— Nunca, nós sempre tivemos gatos lá em casa, eu não faço ideia do que fazer. — ele fez um biquinho, realmente curioso sobre o que deveria fazer e continuou com os braços perto de si, acostumado com os gatos extremamente temperamentais, que dificilmente queriam ser tocados.

 

— Aqui. — Chris pegou a mão de Minho, deixando os seus dedos um pouco flexionados, fazendo uma garra com as mãos e sorriu para ele, passando com calma sobre o pelo de Berry, um pouco na cabeça, entre as orelhas e depois nas costas, vendo que ela estava mesmo gostando. — Ela é bem tranquila, você só precisa aprender.

 

— Certo, ela quer carinho e não vai me arranhar.

 

Minho brincou um pouquinho com Berry, a pegando no colo depois de mais alguns segundos fazendo carinho em suas costas e se levantou com ela, indo até a pia para lavar suas mãos e tomar café com Chris, e era uma graça vê-lo arrumando tudo com tanto carinho, só o deixava com mais vontade de acordar todos os dias com ele e assistir ombros largos e costas malhadas na beira do fogão, fazendo pão na chapa, ou ovo mexido. Minho deu um sorriso leve, pensando em como queria arranhar ainda mais aquelas costas bonitas.

 

Todos os apertos da noite anterior ficaram marcados na pele de Chan, que era pálida e ficava vermelha facilmente, tinha medo de como ele iria para a praia sem parecer um camarão na volta. Olhou para a cintura dele, subindo pelas costas e sorriu ao ver que alguns arranhões estavam ali, na altura das escápulas. Minho ficou feliz com o seu trabalho, o objetivo era não deixá-lo tão marcado a ponto dos amigos comentarem, mas era marcar um pouquinho, para que uma pessoa que acabasse reparando demais nele percebesse que alguém passou por ali primeiro. Chris se virou, mostrando também o peitoral e o abdômen e Minho continuou olhando para o ponto que antes eram as suas costas, agora substituído pela linha de pelos castanhos que sumiam no cós da bermuda de moletom, mostrando o caminho para a felicidade. Ele sorriu e parou o que estava fazendo assim que percebeu que Chan o encarava, o que fez ele rir e seu coração acelerar.

 

— Meus olhos estão aqui em cima, Minho.

 

— Eu prefiro olhar mais pra baixo.

 

Chris chegou mais perto da mesa, com seus quadris que balançavam sempre que ele andava e uma cinturinha fina que o fazia suspirar, aquele homem era mesmo uma perdição e Minho já estava completamente envolvido. Sorriu para ele, que se inclinava sobre a mesa para chegar mais perto e deixou um beijo no canto da boca de Chris, se afastando com outro sorriso ainda maior, achando fofo. A visão do outro lado da mesa deveria ser uma das melhores do mundo, queria se colocar atrás dele e-

 

— Você está objetificando um homem amarelo que nasceu na Austrália? Eu não acredito.

 

— Bobo, não estou objetificando homem nenhum, só estou apreciando.

 

Chris deixou os pães na mesa e Minho sorriu, tirando um pedaço de bolo de cenoura também, deixando para depois que comesse os pães e continuou sorrindo para ele, querendo saber qual seria o próximo flerte, a próxima provocação e como eles continuariam dali em diante, tudo parecia muito bom. Minho não queria deixar aquele apartamento e encarar o começo de mais uma semana. Só esperava que eles não fossem algo de uma noite, ele teria Chris em todas as noites da sua vida, se pudesse.

 

— Posso te contar uma coisinha também? Não tire conclusões precipitadas, tá bem? Pode parecer meio babaca, — ele começou falando da mesma maneira que Chris falou com ele na noite passada, para falar da aposta. — mas eu odeio praia. Só de pensar em muita areia, muito sol, muita gente… Me dá arrepios, eu vou fazer um esforço hoje, só porque você é muito bonito.

 

— Eu vou ter que abortar o plano de me casar com você em uma praia, eu já pensei em tudo, nós alugaríamos o quiosque da sua tia e tudo mais. — Chris brincou com ele, fingindo um biquinho.

 

Minho negou com a cabeça, um suspiro triste e falso saiu de seus lábios, tentando não rir: — É, gato, não vai rolar. Sinto muito em acabar com os seus sonhos. Também odeio surfistas e turistas folgados, ou seja, odeio todos.

 

— Tá tudo bem, eu vou superar isso, também vou superar que você não gosta de surfistas e de muitas outras coisas. — disse com um bico enorme, rindo baixinho.

 

Os dois tomaram café juntos, conversando e se conhecendo ainda mais, pois eles estavam apenas flertando no bar, se olhando nos olhos e contando histórias engraçadinhas, depois de passarem uma noite juntos a intimidade entre eles aumentou de uma maneira absurda, Minho estava ciente daquilo, a química não era boa apenas na cama, os dois se entendiam mesmo, estavam bem, sempre com um assunto novo, com uma piada nova.

 

— Qual é o seu nome em coreano? — Ah, eu não tenho um nome em coreano, meu nome é coreano. Christopher Chahn Bahng, e tem um h em todas as sílabas, acho que foi culpa da parte australiana da família.

 

— Meu nome é Lee Minho, só tenho os sobrenomes brasileiros dos meus pais e é meio sem graça, mas Bahng Chahn… Eu gosto.

 

O seu nome nos lábios de Minho, com sotaque e tudo, aquilo acertou um ponto em Chan que ele não sabia nem explicar o que sentiu, apenas sentiu o corpo ficando quente, querendo tirar aquele sorriso provocador dos lábios dele.

 

Eles conversaram sobre a faculdade, festas, família, falaram um pouco em um coreano tímido, que ambos aprenderam o básico quando eram crianças, mas nada que pudesse passar de algumas poucas frases e raciocínios curtos. Riram muito até que Felipe e Helena apareceram na porta do apartamento de Chris, vendo os dois ali, comendo juntos, nenhum deles vestindo todas as peças de roupa que deveriam, com sorrisos enormes em seus lábios, Felipe também sorriu, um sorriso que dizia algo como eu sei que vocês transaram, mas nenhum dos dois ligou muito, eles realmente transaram e estavam indo para a praia em alguns minutos. A vida parecia até mais tranquila com Chan do lado.

 

— Vamos nos arrumar, Channie.

 

Chris arregalou os olhos assim que ouviu Minho o chamando por seu nome coreano mais uma vez, fazendo aquela mesma coisa se acender novamente em si, além do calor que sentiu ao ver aquele mesmo sorriso nos lábios dele. Os dois foram para o seu quarto, escolher as roupas que levariam e arrumar as bolsas, mas Chan atrapalhou todos aqueles planos agarrando Minho assim que ele fechou a porta do seu quarto, o colocou contra ela e pressionou o corpo macio de Minho ali, segurando o seu maxilar, sorrindo.

 

— Se a gente não tivesse horário…

 

— O que você faria? — Minho o cortou na mesma hora, sorrindo também. — Eu sou curioso, gatinho.

 

Chan o puxou pela cintura, colocando suas mãos ali e virou seu corpo, pressionando ele contra a porta mais uma vez, encostando a bochecha de Minho na madeira e se encaixou atrás dele, deixando um selar em sua orelha, sorrindo: — Eu te deixaria sem condições de ir com a gente para a praia.

 

— Como se eu fosse me importar, Chris.

 

Com uma hora e meia de atraso, eles se encontraram com os outros amigos de Chris na praia e Minho cumprimentou cada um, tentando ao máximo decorar todos aqueles nomes, mas eles eram todos iguais de aparência e de fonética. Eram Gabriel, Miguel, Rafael, Rael… Felipe era o mais diferente. As garotas eram todas muito simpáticas, e ele ficou feliz com aquilo, pelo menos tinham assuntos legais, falavam sobre coisas que Minho de fato entendia e queria conversar sobre. Sempre que não estava conversando com Chan, conversava com Helena e as meninas, falando sobre as pessoas do curso deles, da faculdade, rindo de cada comentário ácido que elas faziam.

 

Chan estava sempre ali, perguntando se ele estava bem, confortável, se precisava de alguma coisa, se estava com fome, ele se sentia tão bem cuidado quanto um recém-nascido. Passou o braço por seus ombros, fazendo carinho na lateral do seu corpo e sorriu, deixando um beijo em sua bochecha, falando bem pertinho da sua pele.

 

— Eu bem, Chris. O que não legal é você não ter passado protetor solar até agora, acha que eu não reparei? — Minho perguntou, pois assistiu ele passar protetor apenas nos lugares em que suas mãos alcançavam, e ainda passou bem pouco.

 

Ele procurou pelo vidro de protetor no meio das coisas que levaram para a praia, vendo que ele usava protetor solar infantil, com perfume especial e deu um sorrisinho fraco, achou fofo. Minho colocou bastante produto em suas mãos, e espalhou nas costas dele, passando dos ombros até a sua lombar e também passou em sua cintura e na nuca, encerrando com um beliscão, ouvindo Chan resmungar e dobrar sobre o próprio lado, rindo baixinho.

 

— Você é uma praga, Lee Minho.

 

— Já me disseram coisas piores, sabia?

 

— Para com isso, eu vou ficar com ciúmes.

 

— Não precisa ficar, é você que eu estou besuntando de protetor.

 

Minho disse, fingindo uma voz mais sexy, e esperou ele se virar, passando protetor em seu pescoço, clavícula, peitoral, barriga, braços e no rosto, finalizando tudo com um boné em sua cabeça, sorrindo ao reparar que todos os outros amigos dele olhavam para os dois, rindo para Chan e apertou sua cintura mais uma vez, deixando ele sentar em sua cadeira e se sentou também, bebendo um gole da caipirinha que comprou no quiosque.

 

— Agora você vai esperar esse protetor todo secar para ir nadar, ouviu?

 

— Tá bom, mãe. — Chan disse revirando os olhos e também cutucou as costelas de Minho, o fazendo gritar e bater em seu braço, rindo alto.

 

— Não faz isso nunca mais, ou eu mato você.

 

— Você pode tentar.

 

Minho tirou algumas fotos de todas as coisas que estavam ao redor dele, filmando as ondas quebrando, o grupo de pagode que tocava no quiosque e Chan, guardando para si, pois já havia entendido que ele era um pouco tímido, não gostava tanto de fotos, principalmente espontâneas, mas ele achava que tinha um bom olhar para as coisas, todas ficaram ótimas. Com um sorriso, também tirou foto das garotas e depois uma selfie com todos juntos, se divertindo com o quão bobos e engraçados eles poderiam ser, talvez ele não fosse tão bom em julgar as pessoas, mas ele se esforçava.

 

Chris e Felipe se levantaram, saindo juntos para nadar um pouco e ele pediu por um picolé específico, vendo que o carrinho estava passando e mandou um beijinho para ele enquanto ele se afastava, sorrindo levemente e se apoiou na cadeira de plástico de uma marca de cerveja qualquer, suspirando baixinho. Estava feliz de estar ali.

 

— Acho que consigo ver corações nos seus olhos, Minho. — Helena disse com uma risada fraca, cutucando ele com seu cotovelo, o fazendo rir também.

 

Talvez tivesse corações em seus olhos desde que ouviu Chris cantando no quiosque.

 

— Está tudo bem, sabe? Não precisa pensar tanto nisso, o Chris é bonito e carinhoso, aproveita enquanto durar. Eu também consigo ver na sua cara que está tentando esconder isso.

 

— É, Minho, só aproveita. Nem tudo precisa ser tão sério hoje em dia, estamos em 2025, gato.

 

Minho fez que sim com a cabeça, e ele sabia que era verdade, não precisava se preocupar se estavam dormindo juntos muito rápido, se estava conhecendo os amigos dele muito rápido, só precisava aproveitar, deixar que a maré levasse os dois. Ele era jovem, merecia aproveitar aquele momento com Chan, e realmente queria aproveitar, então se levantou, aproveitando para comprar o picolé que queria e parou na beira da água, esperando ele vir até si: — Quer dar uma volta?

 

Chris sorriu e acompanhou Minho, deixando Felipe sozinho na água, esperando que Helena tomasse conta dele. Eles andaram pela orla, olhando as diferentes cadeiras dos diferentes quiosques, crianças que estavam sujas de areia da cabeça aos pés, ambulantes de queijo, frango, camarão, doces, pipoca… Minho gostava daquele ambiente, ou talvez só gostasse da companhia e da sensação boa que Chan trazia. Como podia dizer que odiava a praia se o homem ao seu lado cheirava à praia? E Minho não odiava Chan, podia dizer que era exatamente o contrário.

 

— Você continua odiando a praia?

 

— Talvez.

 

No final da tarde, enquanto eles juntavam as suas coisas e iam limpar os pés na ducha do quiosque, Minho passou para falar com a tia e com Seungmin, aproveitando para pegar um dos bolos de pote do quiosque, ele se permitia de vez em quando, se Minho se deixasse levar pelas vontades de sempre, comeria um daqueles todos os dias até acabar com o estoque do quiosque. Deixou Seungmin pegar um pedaço e continuou contando tudo que havia acontecido nas últimas horas, muito sorridente, muito animado, o primo parecia chocado, como se finalmente percebesse que o mundo era muito pequeno. Chan se aproximou dos dois, passando a mão pela cintura de Minho e esperou que ele desse um pedaço do bolo, abrindo a boca, os cantos dos lábios levemente curvados em um sorriso.

 

Linooo! Quando eu te disse que te apresentaria um amigo meu, eu não achei que você iria atrás dele sozinho. Eu queria ser o cupido. E aí, Chris? — Seungmin substituiu o bico fingido por um sorriso e cumprimentou Chan, apertando sua mão.

 

— Em minha defesa, — Minho levantou os braços, fingindo se render e sorriu, um pouco envergonhado por ele estar tão perto, mesmo com Seungmin ali. — ele quem veio atrás de mim.

 

— “Lino”? Por quê? — Chris perguntou com um sorrisinho, curioso.

 

— O Seungmin tinha a língua presa quando era criança e não conseguia falar o nome do Minho, só falava Lino, Lino, Lino. Acabou ficando. — tia Kim apareceu da cozinha, deixando uma porção de cação linda no balcão, tocando o sino algumas vezes, esperando algum garçom. — Você só vai poder chamar ele assim quando estiverem namorando oficialmente, Chris. É uma coisa de família, sinto muito.

 

— Vou me esforçar para chegar nesse patamar, tia Kim.

 

— Aposto que vai.

 

Minho disse com um sorriso, oferecendo o último pedaço do seu bolo para ele e Chris comeu tudo, também jogou a embalagem fora e acertou a sua parte da conta, e a tia de Minho se negou a cobrar tudo que ele consumiu, dizendo que iria descontar do seu salário depois, fazendo ele rir. Eles eram engraçados, pareciam ser uma ótima família e ter Seungmin como cunhado seria diferente. Chan realmente iria se esforçar para fazer parte da família dos Kim.

 

Era engraçado, talvez estranho para Chan já pensar naquilo com apenas um dia com Minho, ele que nunca ficava muito tempo com a mesma pessoa, que achava que seu amor era para ser distribuído pela cidade. Poderiam considerar aquilo amor à primeira vista? Talvez à primeira canção. Chan não sabia dizer, não exatamente, mas aquilo entre os dois era forte, talvez o universo todo estava conspirando para que os dois se encontrassem em algum momento… Quando ele e Minho entrelaçaram os dedos, caminhando pela orla da praia e assistindo ao pôr do sol, Chan soube que seriam algo, que ele e Minho teriam um futuro, ou algo próximo disso. Chris estava disposto a continuar, Minho também.

 

— Eu te vejo na faculdade, gatinho?

 

Chan deixou Minho na porta da sua casa, carregando as bolsas e um sorriso enorme no rosto. Mesmo que estivessem se separando, ele não tinha motivos para ficar triste, aproveitaram as últimas horas ao máximo. Aquelas foram as primeiras horas de uma vida inteira, ele poderia apostar com o próprio destino e sabia que iria ganhar.

 

— Sim, e nos vemos amanhã no quiosque, a tia disse que você toca lá todo domingo.

 

Chan deu um sorriso fraco, um pouco cafajeste, que Minho conheceu muito bem entre as quatro paredes do quarto de Chan: — Pra você eu toco todos os dias.

 

— Idiota.

 

— Vou ser o seu idiota.

 

— É?

 

— Uhum, agora não tem mais volta, Min.

Notes:

plot #2 do projeto FICSTAPE. <33