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insomnia - BR VERSION

Summary:

Quando Nagi não consegue dormir isso se torna um problema de Reo também

Work Text:

Não era a primeira vez que dormiam juntos, de longe, não era nem a segunda e nem mesmo a terceira. Desde que Reo conheceu Nagi, suas noites são frequentemente divididas com ele sonolento em seus braços ou, no pior dos cenários, um Nagi com insônia jogando a noite inteira.

Isso não mudou quando terminaram sua primeira fase no Bluelock. Enquanto recebiam aquele pequeno tempo de triunfo e descanso após a vitória contra o sub-20 do Japão, Nagi nunca mais saiu da casa de Reo, e vice-versa. Eles passavam mais tempo juntos do que na escola. Já era rotina acordar com Nagi ao seu lado e dormir com ele em seus braços.

Estava particularmente quente aquela noite, então, a princípio, Reo não achou que Nagi fosse querer dormir amontoado como faziam, mas, para sua surpresa, ele foi o primeiro a deitar o rosto em seu peito enquanto reclamava do calor. Contraditório.

Não era a primeira vez que dormiam juntos. Mas, com certeza, era a primeira vez que aquilo acontecia. Durante a noite, Reo notou a inquietude de Nagi na cama. Insônia — foi o que ele presumiu. Não seria a primeira vez. Seishirou tinha graves problemas de sono que Reo o obrigou a tratar quando começou a invadir sua vida, mas, ultimamente, Reo tinha visto o remédio começar a surtir efeito, sem mais noites em claro jogando. Então, quando percebeu que estavam deitados por pelo menos duas horas e Nagi ainda não tinha dormido, ele se preocupou.

— Nagi. —por um instante Reo temeu não ouvir nada de volta e estar enganado, talvez até medo de acordar Nagi, então seu sussurro foi baixo.

— Reo.

Bom, ele obteve resposta, então estava certo. Nagi não conseguia dormir, e agora isso era oficialmente um problema dele também.

— Não consegue dormir?
— Não.
— Pensei que os remédios estivessem ajudando.
— Não é isso… — A voz de Nagi parecia mais arrasta do que o comum. Talvez ele estivesse sim com sono, mas muito perturbado para dormir.
— Então o que foi?

Não era a primeira vez que eles dormiam juntos, não era a primeira vez que Reo Mikage e Seishiro Nagi compartilhavam uma cama, mas essa era a primeira vez que isso tinha se tornado constrangedor. Quando Nagi apoiou o rosto na curvatura do pescoço de Reo e suas pernas se enrolaram contra a dele, ele sentiu. A proximidade de seus corpos não poderia esconder. Nagi estava duro.

Porra.

— Nagi? — Mikage chamou, quase com medo, como se estivesse recitando uma maldição. O que diabos ele deveria dizer ou fazer sem parecer inapropriado ou esquisito?

— Reo… me ajuda?

Então era isso, esse era o fim de Reo. Não que ele não tenha previsto isso. Claro que Nagi seria preguiçoso demais até pra se masturbar, mas fala sério, quando Chigiri zombou dele dizendo que ele faria qualquer coisa por Nagi — incluindo massagear seu pau —, Reo não levou muito a sério. É claro que não! Claro que Nagi poderia fazer aquilo sozinho, mas aqui estava ele, provando do seu próprio veneno. Que cara mimado, e isso era culpa dele. Ainda sim duvidava que fosse fazer qualquer coisa diferente mesmo depois disso. No fim, era verdade: ele daria qualquer coisa que Nagi pedisse.

— Fala sério, Nagi. — Reo suspirou. — Não sou sua namorada, você não pode fazer isso sozinho?
— Reo faz melhor.
— Não fala como se já tivesse acontecido!

A esse ponto, qualquer molécula de sono restante em seu corpo tinha ido embora. Não era que Reo não quisesse. Ele queria, talvez muito. Mas o problema era exatamente esse: Nagi parecia alheio a isso, mas Reo estava realmente começando a deixar de lado essa baboseira de amor platônico. Quer dizer, quem ele estava querendo enganar assim? Seu amor por Nagi definitivamente não era nada platônico. Ele sabia disso. O Bluelock inteiro deveria saber disso. Menos Nagi, é claro, porque estava pedindo pra ele uma coisa assim como se não fosse nada. Ou ele era muito estúpido ou não se importava.

— Por favor, Reo.

O sussurro de Nagi foi proferido muito perto da orelha de Reo, mas enviou arrepios e sangue diretamente para o seu pau. Que desgraçado. Como ele poderia recusar um pedido vindo dessa forma? Com um suspiro de derrota, ele abraçou Nagi mais forte com a mão que estava em sua cintura, movendo um pouco a coxa onde Nagi estava praticamente montado para lhe dar um pouco de fricção. A satisfação de ouvir um suspiro singelo com um ato tão simples lhe preencheu. Ah, sim, isso era ego.

Quando Nagi começou a se mover ele mordeu o lábio inferior com força, como sempre, ele parecia não se esforçar. Seus movimentos eram lentos, torturantes, quase uma provocação proposital. Cada fricção aumentava o desespero de Reo, Nagi não sabia segurar os suspiros e gemidos e seu arrastar de quadril era tão devagar que enlouqueceria qualquer um, parecia funcionar muito bem pra ele no entanto. Desgraçado, ele estava esperando que Reo fizesse todo o trabalho.

— Você é mimado. — Não desistindo de manter a sua pose, pra não parecer fácil demais, apesar de ser muito fácil quando se tratava de Nagi, Reo o repreendeu.
— Isso é culpa sua, não é?

Touché.

Se isso era culpa de Reo, então seria sua responsabilidade também. Mikage não se preocupou em mudar a posição, ele gostava de ter Nagi abraçado e bem próximo a ele. Ao invés disso, ele desceu a mão lentamente para conseguir apalpar a ereção visível no short dele. Sinceramente, isso era muito humilhante. A sensação era exatamente como ele já tinha fantasiado algumas vezes. Pensar que ele conhecia Nagi o suficiente pra já esperar como seria a sensação de encostar em seu pau era meio patético.

Nagi parecia satisfeito. Ele não fez questão de mudar de posição ou exigir por nada. Claro que não, maldito preguiçoso. Ele ficaria lá deitado enquanto Reo fazia todo o trabalho duro. Suas mãos viajaram para dentro das roupas de Nagi, sentindo-o de verdade agora, tão molhado pelo pré-gozo que Reo se perguntou há quanto tempo Nagi estava tentando lidar com aquilo sozinho. Ele usou o polegar para acariciar a ponta, suavemente. O gemido que recebeu em troca deixou seus sentidos bagunçados. A respiração de Nagi era pesada, firme e constante no pescoço de Reo, muitas vezes em resmungos e murmúrios que ele não entendia. A cada vez que ele avançava em algo novo, recebia alguma reação preguiçosa de Nagi.

— Reo… ah.

Um gemido particularmente alto quando o ritmo da mão de Mikage aumentou. As mãos de Nagi puxaram um pouco sua camisa e ele até moveu a cintura. Reo estava orgulhoso. Ele deveria ser bom nisso, ou seu companheiro era muito sensível. Sentiu a baba escorrendo pela boca de Nagi em seu pescoço, sentia seu corpo arrepiando e as investidas involuntárias da cintura. As mãos do garoto viajaram para segurar nos fios roxos de Reo, o deixando levemente surpreso.

— Reo… Reo. — Uma súplica foi sussurrada em seu ouvido, suave e manhosa. Era uma forma nova de Nagi chamar seu nome e ele estava assustadoramente excitado com aquilo. Reo se virou um pouco para tentar encontrar a expressão de um Nagi suplicante, talvez até corado, mas seu rosto estava fielmente escondido em seu pescoço.
— Reo, mais.

Claro que ele queria mais. Exigir e exigir era só o que Nagi sabia fazer, e o que ele não pedia gemendo que Reo não faria com o maior prazer do mundo.

Ele ajustou as posições, se colocando por cima de Nagi, finalmente podendo visualizar sua expressão. Era ainda melhor do que ele tinha previsto: os olhos meio baixos e cansados, preguiçosos, com o rosto levemente vermelho pelo calor da situação. Os fios brancos grudaram um pouco em seu rosto e o suor escorria pelo pescoço de Nagi enquanto ele observava Reo.

— Não encare, é constrangedor. — Nagi reclamou, desviando o olhar com um leve biquinho no rosto.
— Você só pode tá brincando. — Reo riu desacreditado, puxando a bochecha dele. — Olhe pra mim, Nagi!

Pareceu relutante a princípio, mas quando os olhos se encontraram de volta era como se o ar do mundo tivesse sido cortado. Talvez ele tenha sido muito ganancioso pedindo por isso, porque a pontada em sua virilha chegou à dor do quão excitado e firme Reo se sentia naquele momento. Apoiando as mãos ao lado da cabeça de Nagi no travesseiro, Reo se encaixou entre as pernas dele. O short que tanto ele quanto Nagi vestiam era de um tecido muito fino pra significar qualquer empecilho real de sentirem um ao outro. Reo se moveu, deixando Nagi experimentar um pouco do que ele mesmo tinha causado, esfregando sua própria ereção contra a dele enquanto franzia as sobrancelhas com a sensação de alívio e pressão ao mesmo tempo.

Porra, isso é bom.

Nagi preguiçosamente ajeitou as pernas em volta da cintura de Reo, abraçando-o. Parecia uma posição confortável. Claro, ele não precisava fazer nada. Todo trabalho ficou para Mikage, que lentamente se movia, esfregando os corpos, buscando cada vez mais a sensação de prazer. Seu pau roçava no tecido fino da calça e ele conseguia sentir o de Nagi esfregando de volta. Mal conseguiu segurar o gemido quando imaginou quão boa seria a sensação de fazer aquilo completamente despido.

Mas tinha algo de muito erótico em estar fazendo isso com as roupas ainda no corpo, como se não pudesse aguentar nem mesmo um segundo que fosse para se importar em tirá-las, como se isso fosse íntimo demais. Preguiçoso desse jeito. Um tipo de sexo confortável que ele poderia ter no meio da noite com a pessoa que ama, se esfregando contra Nagi procurando liberação enquanto o ajudava mutuamente com seus próprios problemas, sem muita performance ou bagunça. O suficiente para se amarem por um tempo antes de poder voltar a cochilar. Ele podia se imaginar fazendo isso com mais frequência.

— Reo…

Seus pensamentos foram atrapalhados pelos gemidos e suspiros de um Nagi agarrado a ele, gemendo seu nome com tanta manha e preguiça que Reo estava começando a achar que aquilo era um pouco de seu fetiche também. Nagi exibiu o pescoço, sabendo muito bem pedir por algo de modo silencioso, e Reo atendeu à sua ordem, deixando alguns beijos e chupões ali por puro impulso.

— Nagi, venha pra mim. — Ele pediu, sussurrando em seu ouvido, aumentando a intensidade com que os corpos se moviam, sendo mais ganancioso, querendo mais e mais. As pernas do mais alto tremeram em seu corpo, o aperto nas roupas dele ficou mais firme antes de afrouxar, e quando Reo observou aqueles olhinhos preguiçosos revirarem, ele xingou mentalmente. Nagi realmente tinha atendido a seu pedido. — Ha, você foi rápido.
— Eu tava cansado de segurar.
— Você é um preguiçoso até nisso, Nagi!

Como sempre, ele não recebeu nenhuma resposta satisfatória para a acusação, nada além de um bocejo. Reo ainda estava duro, mas ele não forçaria Nagi a continuar com aquilo. Ao contrário dele, tinha decência.

— Você quer terminar em mim?
— O quê?
— Você me ajudou, quer terminar em mim?

A princípio, Reo demorou a raciocinar o que diabos aquilo deveria significar, mas quando Nagi entreabriu os lábios ele precisou de muito autocontrole pra não gozar só com aquela sugestão. Pelo menos ele não era ingrato e reconhecia o esforço de Reo.

— Quero…

Quando Seishirou se levantou e empurrou Reo para se deitar, se abaixando sobre ele, seu coração errou algumas batidas. Era muita perversão se sentir apaixonado quando seu amigo estava de quatro te pagando uma boquete? Mesmo que não houvesse contato real, a boca de Nagi estava ali, onde a protuberância de seu short se encontrava, estimulando, babando. Porra, como ele poderia aguentar isso? Reo sentia vontade de arrancar aquilo fora, foder a garganta de Nagi e depois beijá-lo até o mundo acabar.

Quando ele percebeu, já tinha sujado os próprios shorts também.

— Ah, você foi rápido.
— C-cala a boca! Você foi primeiro.

Se recuperar da névoa de um orgasmo é bem constrangedor, principalmente quando você tem uma relação estranha, não definida, com seu melhor amigo. Mas, para Nagi, isso não parecia problema. Uma vez satisfeito, ele simplesmente se deitou para voltar a dormir, e Reo se perguntou como poderia existir uma pessoa tão alheia às próprias experiências de vida como Nagi.

Ele precisou de um longo tempo pra retomar a si, teve a decência de trocar de roupa — diferente do idiota do seu lado — e lavar as mãos antes de se deitar novamente. Com o rosto deitado no travesseiro, ele sentiu o corpo quente de Nagi se aconchegar a ele, agora dormindo de verdade, enquanto quem sofria com insônia era Reo. Não tinha sido a primeira vez que Nagi e Reo compartilharam uma cama, e agora, com certeza, não seria a última