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Ataque de pânico

Summary:

A patrulha de Katsuki é um desastre, as ruas muito cheias, pessoas com sacolas gigantes batendo nele e esbarrando, muito barulho, as crianças gritam e os adultos gritam de volta, o calor está matando, o vento quente e o sol a pino, suas roupas estão grudando, o suor escorrendo em seus olhos, está tudo um desastre.

 

Bakugou tem um ataque de pânico no meio da patrulha, seu namorado Todoroki o ajuda a passar por isso.

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

A patrulha de Katsuki é um desastre, as ruas muito cheias, pessoas com sacolas gigantes batendo nele e esbarrando, muito barulho, as crianças gritam e os adultos gritam de volta, o calor está matando, o vento quente e o sol a pino, suas roupas estão grudando, o suor escorrendo em seus olhos, está tudo um desastre.

São 14:34 e ele capturou um trombadinha, nada demais, apenas um covarde passando suas mãos leves nas bolsas de idosas desavisadas, ele vai para cadeia e Katsuki vai voltar para a agência e preencher a papelada. Sua cabeça pulsa só de pensar em sentar naquela cadeira desconfortável e descrever como um bosta de capuz se aproveitou de velhinhas e roubou suas carteiras, droga de vilão!.

Ele marcha até a agência, são 15 minutos andando, ele respira fundo dentro e fora… dentro e fora.. dentro e- DROGA. Ele não consegue controlar a respiração, ele sente que vai colapsar. Não, não aqui não, só mais um pouco eu não posso não aqui. Ele corre, 15 minutos são feitos em 7, ele está respirando mais rápido, o coração batendo como um louco. Nada aconteceu, nada! Se controle droga!. Ele aperta o botão do elevador várias vezes até ele chegar no andar, o apito de chegada só faz sua cabeça latejar mais.

Décimo quinto andar, ele só tem que chegar lá, só isso. Suas pernas tremem e seus olhos começam a encher de água. Ainda não, por favor ainda não, se controle. As portas abrem e ele corre até a porta escrito: “Pro hero Shouto”. Ele abre a porta com força e se apoia nela.

Cabelos brancos e vermelhos, olhos desiguais olham para ele.

— Katsuki?

Sua respiração fica mais instável, suas lágrimas caem, assim como seu corpo, que colapsa no chão. Suas mãos já estão em seus cabelos, puxando, um hábito ruim.

— Katsuki.

Mãos gentis tocam seus pulsos e fazem carinho em sua pele.

Se controle você não é frágil, se controle, nada aconteceu, nada!

Suas mãos começam a bater em sua cabeça, mais lágrimas, sua visão fica escurecida com o quão rápido está respirando, suas roupas estão incomodando, o suor em sua nuca está incomodando, essa droga de calor, essa droga de barulho, sua cabeça dói.

— Katsuki, olhe para mim por favor.
Suas mãos tremem e seu coração dói, ele vai explodir de novo? Seu coração vai parar? Ele está com tanto medo, suas articulações doem e ele chora alto, tanta vergonha, nada aconteceu e ele… está chorando na sala de Shouto.

— Meu amor, por favor respire comigo.

Mais choro, mais lágrimas, que droga ele é apenas um garotinho assustado fazendo de conta que é um adulto, tantas coisas aconteceram. Izuku, o sequestro, a guerra, droga ele morreu, ele perdeu seu braço e ele nunca mais foi o mesmo, Shouto quase morreu, Izuku também, ele não consegue respirar, não assim, ele não consegue, ele não vai conseguir.

Ele sente mais frias segurando seus pulsos para que ele pare de se bater, ele ouve uma voz doce, mas não entende o que diz, sua cabeça dá voltas e voltas e seu coração vai parar ele tem certeza que vai parar, ele vai morrer aqui e agora, ele merece, ele sabe que merece, ele sabe que fez coisas ruins, sabe que é uma pessoa ruim, ele vai morrer, seu coração vai parar.

Ele está praticamente gritando, um choro feio, tão feio, ela quer libertar as mãos, ele quer se bater, quer arrancar seus cabelos, mas ele não pode, mãos gentis seguram as dele.

Dói tanto, seu coração dói, suas mãos doem, sua cabeça dói, ele não quer abrir os olhos. Nada aconteceu e ele está assim.

Em todos esses anos como pro hero ele cometeu erros, ele sabe, ele deixou pessoas morrerem por que foi fraco, ele é fraco demais, ele foi sequestrado, ele perdeu o braço, droga ele é tão fraco. Ele tenta bater a cabeça na parede, mas um corpo quente está o abraçando. Ele está tremendo.

Ele é um fracasso total, ele lembra de quando estava em uma missão de resgate, eram traficantes, ele precisava ajudar a derrubá-los, seria fácil, era para ser fácil. Ele falhou e um deles escapou, eles entraram no galpão… mortas, todas mortas, as pessoas que eles estavam traficando, mortas, o vilão fugiu e matou elas antes que elas pudessem ser resgatadas, antes que eles pudessem testemunhar, antes que eles pudessem ter justiça. Eram inocentes, ele sabia que eram, tinham até crianças. Ele chegou tarde demais é culpa dele e ele sabe, ele nunca vai esquecer aquela cena, aqueles corpos, aquelas pessoas.

Nada aconteceu, mas ele ainda está chorando, sua respiração agora menos acelerada, ele ouve alguém sussurrando em seu ouvido, alguém o abraçando, alguém resfriando seu corpo. Sua visão está borrada ele não enxerga direito, as lágrimas atrapalham.

Ele é fraco e ele sabe, todos os dias ele tem que fazer exercícios para ajudar a aliviar a dor em seu braço, todos os dias ele toma remédios para dor, remédios para ajudar o seu coração a não parar, será que ele esqueceu hoje? Ele não tomou os remédios na hora certa e agora ele vai morrer. Por que ele tinha que ser fraco? Por que ele tinha que estar quebrado? Ele é ruim, uma pessoa ruim além do reparo.

 

Nada aconteceu. Ele sente seu coração se acalmar e consegue entender a voz de Shouto, é tão suave como sempre, ele sente o corpo dele o segurando, ele sente suas mãos. Shouto está tão perto, ele não merece isso, mas ele quer ser egoísta, ele sabe que Shouto é bom demais, bom demais para ele. Ele lembra de Shouto no hospital, enfaixado da cabeça aos pés, sua voz fraca. Ele nunca vai esquecer tudo que aconteceu na guerra, depois dela, ele não vai esquecer, ele viu Shouto vezes demais no hospital, ele não merece, não merece Shouto.

— Isso Kats, respire comigo, você consegue.

Ele acompanha a respiração. Entra e sai, entra e sai. Ele precisa se concentrar em algo físico, material. Ele olha pela sala, a mesa de Shouto cheia de papéis, uma escultura de um gato, uma foto deles juntos, um relógio, a cor azul bebe das paredes, o chão levemente sujo, Shouto deveria chamar alguém para limpar logo.
Ele precisa também tocar em algo, fazer algo com as mãos, ele segura as mãos de Shouto e começa a desenhar padrões aleatórios em suas palmas.

Ele se acomoda no colo de Shouto, sua visão está clara, seu corpo ainda está tenso, sua respiração se acalma e seu coração está estável. Sua boca parece pesada, assim como seus olhos, ele se sente muito suado e grudento.

— Você está melhor?

Um grunhido, apenas isso. Shouto apoiou seu queixo nos ombros de Katsuki.

— Quer água?

Um aceno. Ele começa a se desenrolar e levantar, ele caminha até o pequeno sofá felpudo de Shouto. As almofadas são macias e cheirosas. Um copo d'água aparece em sua mão e ele toma sem pressa. Ele sente mãos acariciando seus cabelos.

— Quer ir para casa?

Ele abre os olhos e encara o rosto de Shouto, ele está preocupado, seus lábios tensos e seus olhos prestam atenção a cada movimento dele.

— Não.
Sua voz está rouca, sai baixo e fragmentado.

— Preciso voltar para a patrulha.

Katsuki diz.

Shouto para o carinho e senta ao seu lado.

— Katsuki está tudo bem, eu coloco outra pessoa para te substituir.

Shouto acaricia a bochecha de Katsuki, limpando suas lágrimas.

Mais lágrimas saem e Katsuki abraça Shouto.

— Vem comigo para casa, por favor.

O pedido de Katsuki sai quebrado, ele é fraco demais, ele não quer ficar sozinho.

— Claro meu amor, só preciso avisar que vamos embora.

Ele faz menção de levantar, mas Katsuki o aperta mais forte, ele não pode sair não agora, ele não consegue soltar.

— Quer me contar o que aconteceu?

Suas mãos traçam as costas de Katsuki suavemente.

— Nada, eu só… estava quente, barulhento, meu braço estava doendo e-

Ele não consegue finalizar, ele não sabe o que aconteceu ele só sentiu mal, de novo, ele se sente mal assim várias vezes, ataque de pânico. Ele tem técnicas. Respirar, pensar em outra coisa e algo tátil para se distrair. Ele sabe lidar com isso, ele lida com isso desde adolescente, mas toda vez que acontece é ruim, é horrível, ele odeia tanto.

— Está tudo bem.

Shouto beija seus cabelos e acaricia suas costas.

Lentamente seu aperto vai se desfazendo, Shouto levanta e liga para alguém, ele não presta atenção, ele olha seu namorado gesticular e arrumar os papéis. Desde o segundo ano do ensino médio eles estão juntos, ele já teve tantos ataques de pânico desde então, Shouto esteve lá em sua grande maioria e ele esteve lá quando foi a vez de Shouto, ele odeia isso, mas ele odeia ainda mais quando está sozinho, quando se recusa a pedir ajuda, quando se isola, dói muito mais, demora demais para passar e ele se sente tão envergonhado e humilhado por estar naquela situação.
Shouto pega sua mão e o leva até o elevador, eles chegam no carro de Katsuki, Shouto vai dirigir.

— Vamos para casa.

Katsuki concorda, mas para ele, estar ao lado de Shouto já era como estar em casa.

Notes:

Existem diversas formas de lidar com ataques de pânico. Pensando em Bakugou especialmente acho que ele lidaria com isso de forma parecida com como eu lido. Shouto esta sendo um ótimo namorado sabendo exatamente o que fazer: Não deixar que ele se machuque; O lembre de respirar; Não pressione para saber o que aconteceu; Só...esteja do lado da pessoa.
E isso, eu pensei muitas semanas nessa historia, espero que tenham gostado.