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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2025-09-17
Words:
3,272
Chapters:
1/1
Kudos:
6
Hits:
60

O deserto e os temores de amar

Notes:

Bom, eu precisava estudar para a prova de Cálculo 2 e essa foi a maneira que encontrei de procrastinar. Me desculpem pelos erros ortográficos e por qualquer erro que houver, lembrem que eu estava com a cabeça cheia de vetorização, curvas de nível e curvas no espaço.

Espero que gostem :)

Work Text:

Seungmin jogou o celular do outro lado da cama, se arrependendo no momento que viu ele quicar duas vezes e cair no chão com um barulho. Se arrastando, pegou o celular e checou a tela, vendo que não havia nenhum trincado. Após suspirar aliviado, voltou a olhar o motivo de sua revolta: uma thread em sua For You explicando como o usuário se declarou para o seu melhor amigo e isso destruiu a amizade entre eles.

Seungmin considerou aquilo um sinal divino. Não tinha nada haver com o fato dele estar a pelo menos cinco meses pesquisando pelo menos uma vez por semana, relatos de como como expor seus sentimentos para o amigo, ou como está indo o relacionamento, ou como isso colocou o fim em uma amizade de anos. Sim, com certeza é um sinal divino, e não uma resposta do algoritmo ao computar ele fazendo a mesma pesquisa em todas as plataformas sociais em que ele fazia parte.

Olhou para o lado. O diploma de Tecnologia da Informação rindo da sua cara a lembrando que sim, infelizmente ele sabia muito bem como o algoritmo funcionava e que a ferramenta não era uma mentira contada pelos seus professores e pelos céticos da existência de magia.

Desde o momento em que Seugmin percebeu que gostava de seu melhor amigo, Jeongin, ele passou dias em uma constante ansiosa de medo de perder o amigo e das possibilidades felizes caso, em um ponto fora da curva de sua média de terror, ele aceitasse.

A percepção não poderia ter vindo em um momento pior. Como uma cobra traiçoeira brilhando sob a luz do sol, o bote ocorreu enquanto ele e Jeongin estavam apenas caminhando para o ponto de ônibus, com Jeongin explicando sobre sucessão ecológica e espécies em extinção que estavam a mostra no Museu de Recursos Naturais da universidade. Em um momento, eles eram apenas amigos, conversando felizes sobre temas que o outro não entendia quase nada, mas gostava de ouvir a explicação e a animação sobre assuntos que os interessavam. No outro, ele estava parado, com uma sensação inquietante na barriga e uma euforia que quase o fez contar o que descobriu, mas quando viu a cara confusa de Jeongin, perguntando se havia algo de errado, resolveu inventar uma desculpa que sabia que ele não tinha acreditado, mas aceitou comprar.

Bem, talvez ele estivesse exagerando ao pensar que aquele foi o pior momento de todos, mas provavelmente qualquer momento teria sido o pior. Ele não conseguia se acostumar com a sensação inquietante que veio com esse pensamento e que se confirmava sempre que eles estavam perto, sempre que conversavam e sempre que davam as mãos, algo que sempre foi tão comum para eles, mas que agora pareciam um temporizador, fazendo tick tick tick, pronto para revelar o seu crime. Era como se um vírus tivesse entrado em seu software e estivesse corrompendo as linhas do código-fonte que ele sempre conheceu, que estavam tão perfeitamente coordenadas, com uma lógica tão perfeita, que a mensagem de erro nunca iria aparecer, voltando a resposta apenas como 0.

Uma notificação apareceu em seu celular, se multiplicando em diversas outras instantaneamente. Abrindo o aplicativo de mensagens, encontrou várias mensagens de Chan e Minho no grupo dos amigos. Percebendo que o início da conversa era apenas os dois discutindo porque Chan comeu o último pedaço de bolo que Minho havia guardado, apenas rolou a tela, descobrindo então que Chan correu e comprou outro bolo. Seungmin soltou um risadinha, já que nesse mês os dois já tiveram umas dez discussões nesse estilo.

Estava pronto para voltar para seu ritual de auto sabotagem quando mais uma mensagem chegou no grupo.

Jeongin <3:
Já que vcs se resolveram, que tal sairmos mais tarde para comemorar?

Min:
Para de nos usar como desculpa para sair
Eu não vou pisar no Venom de jeito nenhum

Chan ^^:
Eu e meu gatinho vamos sim. @seungmin?

Minho:
...
É bom sair às vezes, né?

Seungmin não conseguiu rir do namorado mal humorado do amigo, mesmo que ele e Jeongin sempre comentassem sobre como Minho fazia o que Chan queria, e vice versa. O aperto em seu estômago aumentou ao pensar que teria que sair com Jeongin e sua amizade cheia de contato físico e atenção cem por cento voltada para o grupo para saber se algo está errado. Talvez ter passado o dia consumindo o que o algoritmo, nada influenciável, colocou na for you dele, não tivesse sido uma ideia muito boa, já que nas sextas-feiras o grupinho já tivesse o costume de sair e seria difícil controlar a ansiedade alimentada.

Suspirando, pensou que não poderia não ir e não causar suspeitas de que algo estava errado. Digitando que iria sim, decidiu largar o celular e sair da cama. Se sentia horrível por não querer ficar com os amigos, mas fazer qualquer coisa que não seja se encolher até desaparecer, parecia uma tortura.

– Eles não conseguem ficar uma semana dentro de casa, não? – bufou, enquanto escolhia com raiva as roupas que iria usar. Se xingou por lembrar que normalmente era ele que tirava todo mundo de casa e sempre queria sair. – Sou muito burro.

[...]

Sentindo as luzes dos postes incomodar seus olhos, Seugmin encostou a cabeça na janela do carro e Jeongin, sentindo o mesmo, ajustou os óculos no rosto. Nenhum deles queria admitir que havia um silencio pesado e incomum no carro.

Jeongin sabia que havia algo de errado, mas não sabia o quê. Estava esperando que Seungmin falasse algo mas tudo que ele estava fazendo, desde o momento em que estacionou na porta dele até agora, esperando o casal ficar pronto para irem ao barzinho combinado, era dizer palavras curtas em um tom de voz que acendia sinais de alerta em sua cabeça e desviar o olhar sempre que ele encarava demais.

Ele fazia isso ás vezes. Se tornar distante, se fechar. Era algo que ocorria de vez em quando e durava algumas horas ou um dia. Antes era por algum motivo que Jeongin conhecia, agora ele não conseguia entender o porquê e só recebia respostas como "não é nada demais".

Mas não podia ser nada de mais. Se não fosse nada demais, Jeongin não sentiria essa vontade de correr e de gritar, procurando pistas de quando a amizade deles mudou. Se não fosse nada demais, ele não sentiria esse aperto na garganta toda vez que pensava em perder essa amizade, e que pior, pelo jeito que Seungmin agia, foi por algo que ele fez.

- Eles estão atrasados - ele disse, procurando qualquer coisa que o distraisse daqueles pensamentos.

- Eles sempre estão - respondeu, com um leve tom de irritação. - Certeza que é Minho fazendo hora.

O silêncio voltou. Jeongin olhou pela janela do banco do passageiro por tempo o suficiente para seus olhos perderem o foco e ele tentar se distrair.

Relatório de estágio para entregar quinta-feira

Encontro de TCC na quarta.

Será que minha orientadora me respondeu?

Ele ouviu a porta dos bancos de trás bater. Nem reparou nos amigos chegando.

Jeongin se apressou para um abraço desengonçado, se contorcendo um pouco para conseguir cumprimentar Minho e Chan.

- Estão atrasados e eu não sou uber- Seungmin bufou, apertando o volante e já dando partida.

- Own, vc estava com saudades, Seungmo? - Minho provocou, se impulsionando para frente para apalpar os cabelos de Seungmin como se ele fosse um cachorro.

- Vai se ferrar!

Minho encostou no banco rindo e finalmente colocando o cinto de segurança.

Jeongin olhou preocupado para o motorista. Apesar das farpas trocadas entre os dois, Seungmin não costumava realemente ficar com raiva. Olhando pelo retrovisor, seu olhar se encontrou com o de Chan, que sentiu o mesmo que ele. Algo estava errado.

Mas não pôde pensar muito nisso, logo estacionaram na frente do Vernom's beer, a luz aconchegante e a música já alcançado o interior do carro. Ele sorriu. Talvez isso distraia Seungmin do que quer que o esteja incomodando.

- Eu poderia vir aqui todos os dias - disse Chan, ajeitando a cadeira do bar para passar o braço ao redor do pescoço do namorado, que se esquivava e fazia careta como se não adorasse ser abraçado.

- Não tem nem porque virmos todo fim de semana - respondeu Seungmin.

- Está bravinho hoje? - Minho sorriu, sentindo a vontade de irritar ainda mais o outro.

- Sabe, só saio com você porque você namora o Chan - retorquiu, um pouco menos irritado pela troca de farpas comum. Jeongin sorriu um pouco. Talvez seja isso que Seungmin precisava: uma cadeira de bar, uma música qualquer na caixa de som e uma boa discussão inútil com o namorado do melhor amigo.

- Então é por isso que você está bravo? É ciúmes? Namore alguém que passa - Jeongin sentiu um arrepio enquamto Seungmin fechava a cara. De canto de olho viu Chan pedir para o namorado não exagerar. Jeongin sentiu que precisava fazer algo.

- Vou buscar as bebidas - se levantou afoito, a cadeira quase caindo atrás de si enquanto corria para o balcão.

Fez o pedido e se encostou no balcão. Sentia como se houvesse algo preso em sua garganta, o impedindo de respirar e de pensar direito. Sentiu uma pontada no peito quando lembrou de Minho o mandando buscar um namorado e o modo como o rosto dele fechou. Minho sabia de algo que ele não sabia, Chan também. Pensou e pensou e concluiu: Seungmin estava com algum casinho que pelo visto não estava dando certo e pelo modo como esperaram Jeongin se afastar para começarem a conversar, com Seungmin gesticulando bastante, sinal de nervosismo, Jeongin concluiu que o problema era ele.

Não era a primeira vez. Uns dois atrás, Seungmin estava se relacionando com um cara cujo nome ele nem lembrava mais. O relacionamento não durou nem dois meses e Seungmin terminou com tudo após ouvir que deveria se distanciar do melhor amigo.

Jeongin suspirou, sentindo o ar sair pesadamente de seus pulmões. Ele concordou que Seungmin terminar era a escolha certa. O cara era um imbecil. E mandar se afastar dos amigos era a maior red flag, mas mesmo assim, havia aquele sentimento, de que às vezes ele atrapalhava os relacionamento dele. O que era estúpido, ele sabia. Ele provavelmente ficaria doente caso ele decidisse se afastar dele. O que é ainda mais estúpido. Mas eles são assim. Eram assim.

O barman entregou as bebidas para Jeongin. Ele caminhou devagar para equilibrar tudo, pelo menos foi o que ele disse para si mesmo. Ele estava mais focado no modo como a mesa se calou quando ele aproximou, no jeito que Seungmin saiu de seu jeito exasperado para um contido, esperando ele terminar de servir para anunciar que iria no banheiro.

- Vocês estão escondendo algo de mim - ele disse, sério, como se aquilo fosse um assunto de governo, mas não fosse algo encarregado a ele. Tomou um gole de cerveja para enganar o gosto amargo das palavras com o gosto amargo da bebida.

- Não sei do que você está falando - respondeu Chan.

- Você tem que conversar com ele - falou Minho, surpreendendo todos. Fazendo Chan pedir para ele ficar em silêncio e fazendo Jeongin correr pela porta do banheiro do bar.
Ele sabia de cor todos os caminhos do Vernom. Eles iam para lá toda semana afinal, e por sorte (e porque ninguém do grupo apoiaria um bar totalmente lotado todos os fins de semana), o bar era parcialmente vazio.

Procurou pelas cabines abertas, agachou para ver se tinha um vislumbre pelas cabines fechadas dos sapatos que Seungmin sempre usava (all stars vinho, com meias brancas. um leve vislubre da tatuagem brega que fizeram no tornozelo quando tinham 16 anos) mas não havia nada.

Precisava se explicar. Precisava se acalmar. Precisava muitas coisas. A água gelada no rosto não ajudou e agora ele era visto por um louco no reflexo do espelho imundo nos cantos.

Sentiu um baque nos ombros e alguém reclamar enquanto corria para fora, pelas portas dos fundos onde também não havia ninguém ali. É claro. Seungmin nunca ficaria nos fundos, onde tinha pouca iluminação, a calçada estava um pouco escorregadia com gordura impregnada e uma lata de lixo permanecia sempre entreaberta.

Mas talvez ele não o conhecia bem o bastante, porque ali estava ele. O corpo curvado e a testa encostada no poste de luz amarela, deixando tudo meio sombrio, meio próximo demais.

E ele precisava se explicar, precisava dizer que se ele o impedia de encontrar um relacionamento, ele poderia mudar algumas ações, poderia parar de abraçar, de segurar as mãos, de ligar no meio da noite. Ele poderia fazer tudo que acabasse com esse clima horrível entre eles, menos acabar com a amizade que era como tudo ao redor.

Mas ele não pôde, só conseguiu se aproximar. O nó na garganta queimava com tudo o que pensou, com todas as possibilidades de não existir mais eles.

Porque para Jeongin, a amizade deles era um campo de flores. era todas as coisas belas e cheirosas, eram todos os espinhos, defesas e truques escondidos. eram todos os organismos vivos, vivendo, se alimentando, lutando e morrendo, tornando tudo em um lindo e harmonioso habitat. Mas agora, ele só se lembrava de lírios morrendo na beira de algum rio.

- Eu já estou voltando - Seungmin disse. Queria ficar sozinho, queria não estar assim. A testa latejava e o material duro do poste não ajudou em nada e agora havia um incomodo em suas costas. E ele não queria estar tão perto assim de Jeongin, não quando sentia que podia contar tudo. - Eu só vim tomar um ar.

Mas Jeongin não acreditava nisso, os dois sabiam que não. Os dois sabiam que ali era só mentira e culpa, mas Jeongin não aguentava mais, ele tinha que dizer algo, arrancar essa garra nojenta que sufocava seu pescoço.

- Eu... - se engasgou - Nós nem conversamos mais.

Seungmin deu um passo para trás, assustado com o que não achou que viria. Pensou que continuariam andando naquela corda bamba, no fingimento que antecede a todas as coisas, boas ou ruins.

Jeongin permaneceu parado, era como se houvessem pedras em seus pés. No fundo de sua mente, se lembrou de Clostridium botulinum, a bacteria que causa o Botulismo. talvez essa seja a resposta (paralisia muscular, falta de ar, fraqueza, dificuldade para engolir). Será que ele não cozinhou os alimentos corretamente?

- Você nem me conta mais as coisas. O Minho sabe mais do que eu. Eu fiz algo errado? - implorou, de repente ficando difícil de controlar todas as coisas que sentia e de novo a dificuldade de engolir. a visão embaçada. sentiu algo quente no rosto.

- Meu Deus, não! Nós falamos normalmente - Seungmin cruzou os braços, evitou o olhar. não podia contar não podia contar não podia contar.

Jeongin tentou respirar fundo, mas o ar chegou engasgado em sua garganta. Se viu chorando. Porque estava fazendo essa cena? Não era necessário tudo isso.

- Olha, eu sei que minha amizade por algum motivo afasta os seus relacionamentos - sentiu um gosto amargo pela garganta, a boca seca. Afastou o olhar para um canto qualquer - mas eu posso mudar meu jeito. Eu sei que posso ser demais e tudo bem eu entendo os seus namorados não gostarem, mas

Seungmin olhou para ele paralisado.

- Do que você está falando? - perguntou, a voz saindo esganiçada.

- Eu sei que você está tendo um caso e que eu estou atrapalhando, eu sei, sei que você estava falando disso e o Minho pediu para ir atrás de você e - ele falava cada vez mais rápido, sentindo o desespero e a vergonha de estar tão impactado por isso e o peso no peito não passava.

Seungmin finalmente soltou uma risada. É claro que teria sido o Minho.

- Eu não estou saindo com ninguém.

- Eu sei, eu afasto todos eles e me desculpa, isso te faz triste

Seungmin resolveu chegar perto. A garganta queimava, os olhos doíam e ele só conseguia enxergar o rosto de Jeongin desesperado, triste e culpado porque ele não sabe disfarçar bem os sentimentos.

- Eu gosto de você - falou baixo, apressado, a bile voltava e ele sentia a ânsia de vomitar - é por isso. Eu não consigo dormir, eu não consigo olhar para você e nem conversar porque tudo o que consigo pensar é nisso. Meu Deus - riu desesperado - eu nem consigo ser produtivo no trabalho porque fico pulando pela casa, correndo, fazendo qualquer coisa para tirar essa energia de mim. Já até recebi uma advertência. É isso.

Jeongin paralisou. finalmente olhou para Seungmin, sem conseguir processar as palavras. A luz amarelada deixava os olhos dele mais escuros e faziam sombras nos rostos e tudo parecia uma versão de um sonho lúcido, algo esotérico, simplesmente qualquer coisa que não tinha como ser real.

Acordou do transe quando viu Seungmin se afastar, correndo pela rua e então correu atrás dele. Ele estava chorando e tentava soltar o braço de Jeongin do seu braço.

- Me solta! Eu não esperava que você fosse corresponder mesmo! Vamos esquecer isso e voltar ser amigos - falar doía, tudo doía e a percepção de que a amizade deles nunca mais seria a mesma doía ainda mais. Aquela sensação de morte que pelo visto nunca passaria.

- Seung... - falava, meio assustado, meio eufórico. a sensação de botulismo indo embora. os lírios renascendo. - Você estava estranho por causa disso?

- Claro! - Seungmin falou exasperado, os braços levantados, o tom indignado por ouvir uma pergunta tão burra quanto aquela.

Então Jeongin começou a rir e Seungmin cruzou os braços, em uma necessidade de se proteger da dor e daquela vergonha.

- Não precisa rir de mim, é só falar não.

Mas então Jeongin começou a chorar. Se encolheu na calçada e começou a chorar e a fazer sons estranhos, rindo em meio ao choro.

Seungmin ficou parado. Não conseguia entender o que estava acontecendo. Teve que se aproximar.

- Eu sempre quis ouvir isso - Jeongin levantou o rosto. Seungmin só pode notar no quanto ele ficava bonito chorando. - Achei que nunca ouviria isso.

- Não entendi.

- Eu sou apaixonado por você a tanto tempo - Jeongin se levantou e enxugou as lágrimas. Se aproximou e o abraçou apertado, a cabeça escorando nos ombros de Seungmin. O rosto molhado e quente na orelha de Seungmin, sussurrando tudo o que podia pensar. - Me diz que não é mentira, me diz que você também sente isso.

Seungmin o apertou mais forte, demorando a responder por estar sorrindo demais.

- Não é. Eu gosto tanto de você. Fiquei tão assustado com a chance de te perder.

- Não há chance nenhuma. Agora só ficarei ao seu lado.

Os dois se olharam e riram mais um pouco, se sentindo tão bobos, tão infantis, e tão leves.

As testas se encontraram, o carinho no rosto era tão bom que eles poderiam permanecer ali para sempre, até ouvirem o som de algo caindo.

Olharam na direção do chão, encontrando Minho em pé com cara de quem mataria o Chan, Chan no chão olhando diretamente para eles e a lata de lixo caída, espalhando tudo o que havia dentro.

- Vocês estavam demorando, ficamos preocupados - explicou Chan, coberto com lixo.

Seungmin e Jeongin riram envergonhados, as bochechas vermelhas, a vontade de se esconder dos olhares e a vontade de expor para todo mundo.

- Aí vocês vieram nos espionar? - Jeongin perguntou, rindo e apertando Seungmin nos braços.

- Vocês não iriam perceber se o Chan não tivesse tropeçado - Minho respondeu, ajudando o namorado a se levantar tentando não encostar nas partes com lixo. - Parabéns ao casal, podia ter rolado menos drama se conversassem, mas parabéns.

Minho e Chan os olhavam orgulhosos, verdadeiramente felizes apesar de tentarem se conter, mas Seungmin não podia perder a chance de implicar.

- Bom, fizemos até seu relacionamento parecer um lixo em comparação.

- Eu só não te bato porque agora você namora