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I Love that you like Me

Summary:

As vezes, Felix fica cansado demais para se comunicar. Mas mesmo quando seu cérebro não parece conseguir escolher uma língua, falar com Bangchan é mais fácil. Sempre é fácil.

Até conversas dificeis são... menos dificeis.

Notes:

◉‿◉ oi.

Não é como se eu estivesse a beira de um ataque de nervos por estar postando algo aqui. (É sim).

É a primeira vez na vida que eu posto algo no AO3, se você acabou chegando aqui e está lendo isso, saiba que eu já te amo.

Essa história mescla acontecimentos reais e vozes da minha cabeça, favor não esperar veracidade de fatos.

Existem algumas boas frases em inglês nessa fic!! Tentei deixar o mais simples possivel para uma eventual tradução, caso seja necessário!! O google já da conta fácil!

.....◉‿◉" obrigado pela atenção.

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

 Não era a primeira vez que algo assim acontecia. Muito pelo contrário, na verdade; já haviam acontecido incontáveis vezes nesses anos em que estiveram juntos. Agora, contudo, de forma espaçada. A frequência havia diminuído tanto, de forma tão confortável e natural, que Bangchan sequer notou que aquilo estava vindo; mas nos momentos em que teve enquanto saía do estúdio após a ligação de Hyunjin, ele teve tempo o suficiente para refletir e decidir que sim, aquilo já havia sido anunciado, semanas atrás.

  O grupo havia acabado de voltar do período de promoção que tiveram no Japão, e a companhia, de forma muito contrariada, os havia agraciado com uma semana de descanso, ou algo do gênero. Era o terceiro dia da semana deles, e Bangchan sabia que a única forma de manter aquela semana livre, seria mostrar um pouco de trabalho, trazer a atenção para si, colocar as responsabilidades nos ombros e cobrir os outros por alguns dias, para que semanas assim pudessem ser mantidas nas rotinas deles. E aliás, não era como se fosse realmente um sacrifício. Era rotina, e Bangchan gostava de rotina, era acostumado com sua rotina, sentia falta de sua rotina.

  O que aconteceu durante a promoção no Japão, porém, não foi realmente rotina, e ele sentiu um pouco o efeito do stress em seus ombros e em seus olhos, que ficaram muito mais cansados muito mais rápido do que o costume. Tudo havia corrido bem, mas gravar programas de TV com equipes desconhecidas era sempre um pouco estressante. Para todos, claro, mas Bangchan se conhecia muito bem, e sabia que para ele, era um pouco mais estressante. Porque haviam muitas pontas soltas, muitas direções, muitos riscos. Seus membros eram sensíveis, mesmo que parecessem não. Mesmo que fossem barulhentos e tão, tão bem educados e polidos e simpáticos com estranhos, mesmo que estivessem sempre sorrindo e brincando entre si. Eles eram sensíveis. Bangchan sabia daquilo. Ele sabia porque nenhum deles tinha tempo de sentir desconforto quando estavam juntos, mas quando estavam sozinhos, as inseguranças afloravam; os medos e as ansiedades, e Bangchan encararia o Diabo nos olhos e sairia do Inferno andando de costas se fosse para mantê-los longe da dor. Ele já havia o feito antes, e o faria de novo. 

  Quando viu que Hyunjin estava lhe ligado, sua mente parou no meio do processo criativo, atendendo a ligação com mais dúvidas do que medo.

  “Hyung, tá ocupado?” Foi a forma como foi respondido, antes mesmo de fazer alguma pergunta; antes de um cumprimento, antes de Bangchan sequer responder.

 “Hm, não. Tudo bem?” Ele questionou, mantendo sua urgência sob controle, ancorada a uma distância segura. 

  “ Você foi pro estúdio de manhã e Binnie Hyung saiu com uns amigos então eu e o Hannie resolvemos assistir um anime novo e chamamos o Yongbok-“ a voz de Hyunjin, contudo, não parecia a de alguém que estava mantendo a urgência sob controle; suas palavras se atropelando, sem tempo para respirar, e Bangchan mantinha os olhos grudados em seu teclado, franzindo a testa quanto mais ouvia. 

  “ Felix, do you want to-”

  “ E eu não sei direito como explicar ele não queria que eu ligasse eu acho mas eu não entendi muito bem-“

 “ Hannie? O Hannie-?” Bangchan interrompeu Hyunjin, quase súbito, o controle sobre sua urgência se abalando num tremor nervoso ao ouvir o sotaque pesado britânico do amigo no fundo da ligação, inconfundivelmente falando em inglês.

  “Ah sim, aqui-“

  “ Oi Hyung, consegue vir pra casa?” Hyunjin demorou alguns instantes para passar o celular, e Bangchan se sentiu como se estivesse dentro de um saco plástico, ouvindo o telefone sendo passado e manejado de forma displicente enquanto os rapazes trocaram a ligação.

  “O que aconteceu?” ele perguntou, fechando seu notebook após apertar um amontoado de atalhos no teclado para ter certeza que seu trabalho havia sido salvo, sem se dar ao trabalho de desligar a máquina. Prendeu o celular contra o ombro enquanto se levantava, abrindo sua mochila com dificuldade, jogando o notebook fechado ali sem cuidado.

  “ Aaaarh…” Jisung balbuciou, seu processo de pensamento escapando por sua boca de forma muito pouco útil. “Não sei direito? Tá tudo bem, mas, Yongbokkie-“

  “O que tem ele?!” Ele perguntou, um pouco mais alto. As amarras de controle que ele mantinha sob sua urgência se desfazendo como se fossem feitas de areia.

 “…Você sabe.” A resposta de Han fez Bangchan esquecer de seu caderno de anotações enquanto saia do estúdio, trancando a porta com pressa.

  “ Ele quer falar comigo?” Bangchan tentou, colocando a mochila nas costas enquanto atravessava os corredores da empresa com passos firmes demais, apertando o botão do elevador mais vezes do que o necessário. A cultura coreana lhe diria que fazer aquilo seria rude. “Shit.” Ele xingou baixo, afastando o dedo do botão que já estava aceso, tentando juntar suas amarras de areia sob seu controle. 

  “… Acho que ele não quer falar nada.”

 “Shit, Shit.” Bangchan xingou novamente, voltando a apertar o botão com força. Quantos malditos andares haviam naquele maldito prédio mesmo?

  “Acho que ele queria ir pra casa, mas não achei uma boa ideia.”

  “Não, não é. Diz que eu to indo levar ele pro alojamento dele, ok? Me dá dez minutos, eu vou pegar um táxi.” Finalmente a porta do elevador se abriu, e para nenhuma surpresa, havia um par de funcionárias com pilhas de papéis em mãos. Bangchan não teve tempo de raciocinar o motivo delas terem perdido a cor do rosto quando cruzaram os olhares, ou porque elas se arquearam de forma tão profunda enquanto ele entrava no elevador. Ele sequer teve condições de ouvir o que elas haviam dito, antes de estar igualmente apertando o botão do térreo com força demais, vezes demais, vendo a porta do elevador se fechar lenta demais. 

  “Alright, I’ll tell him.” Jisung respondeu com seu britânico polido, num tom de voz que Bangchan sabia que era sua maneira de acalmá-lo, ou de tentar lhe fazer sorrir. Mas ele não sorriu. Quando ele virou para encarar o painel e tentar, de alguma forma, silenciosamente apressar o elevador para que descesse mais rápido, as coisas fizeram um pouco de sentido. 

  Havia uma parte espelhada, pequena, mas grande o suficiente para que ele pudesse encarar metade do próprio rosto. Ele estalou a língua dentro da boca, irritado com o próprio reflexo que já parecia irado, e começou a revirar o bolso de seu moletom, enfiando uma máscara no rosto a fim de esconder pelo menos um pouco de sua expressão irritada. Não era uma boa imagem para se ter na empresa em que trabalha, e com certeza murmurinhos sobre aquele acontecimento iriam viver pelos corredores por meses. 

  “Me deixa falar com ele.” Ele pediu, ouvindo uma comoção estranha no fundo da ligação.

 “Hm?” Han questionou, parecendo ter se distraído demais para ouví-lo.

  “Me deixa falar com ele.”

 “Ele tá bem, você precisa se acalmar também ok? Estamos esperando aqui, não vamos pra lugar nenhum. Volte com cuidado Hyung-!”

  “Ha-Han-ah, yah-Jisung!” Ele tentou chamar, antes de ter o telefone desligado em sua cara. Se havia um dos mais novos que tinha coragem o suficiente para isso, seria Han Jisung, o merdinha. Ele tirou o celular do ouvido ao mesmo tempo que as portas do elevador se abriram no térreo, finalmente.

  Foi com muito pouco esforço que ele se virou, sorrindo por trás da máscara.

 “Bom descanso! Boa noite!” E uma reverência polida, rápida mas leve, antes de voltar a marchar para fora do prédio, o sorriso sendo deixado para trás no elevador.

  Foi durante a viagem rápida no táxi para seu próprio apartamento que tudo voltou a sua mente com muita clareza.

 Estar no Japão sempre era animado. Mesmo que muito parecido com a Coreia, ainda havia a sensação de estar fora de casa, de estar em viagem, de estar um pouco de férias. Novos céus, novas comidas, novos costumes. Eles haviam sido chamados para gravar com um TalkShow muito famoso no País, e a ideia de que iriam gravar num parque de diversões era praticamente perfeita. O clima estava perfeito, e era a melhor chance que eles teriam de aproveitar um pouco alguma diversão mesmo sob uma agenda tão apertada. Han e Minho sempre saiam muito no Japão, e eles estavam muito animados, aparentemente tendo grandes expectativas sobre tudo aquilo. 

 Bangchan deveria ter notado quando Felix, de sua forma muito gentil, deixou clara sua vontade de estar no grupo com ambos, Bangchan e Minho. Era bem raro que qualquer um deles fizesse algum pedido sobre as repartições dos grupos, visto que não haviam favoritos, num geral. Mas foi dentro da van, enquanto estavam indo até o primeiro ponto de encontro com a equipe, que Felix lhe puxou em voz baixa. 

  “Wouldnt it be Nice, to be us and Lino Hyung and Hannie?” Ele questionou, com olhos pequenos, um sorriso tímido, e Bangchan o encarou por alguns instantes, incerto do motivo ou do que dizer.

  “Oh. I mean-“

  “They Know alot about here, want them to choose the best snacks! Please?” E foi ali que Bangchan notou que na verdade, não era uma hipótese jogada, um assunto aleatório. Felix estava lhe pedindo um favor. Felix não usava sua carta branca tanto quanto poderia, tanto quanto gostaria, até porque, lhe cabia modos. Ele era alguém melhor do que Bangchan, segundo seu próprio julgamento. Talvez ele não soubesse; Talvez Felix não soubesse ainda, de sua carta branca. Não soubesse que qualquer pedido seu seria atendido por Bangchan, a menos que lhe fosse legalmente negado. E às vezes, ainda assim, algumas regras poderiam ser dobradas ao invés de quebradas.

  “Yeah sure. Us four them.” E os olhos pequenos de Felix se tornaram grandes. Naquela hora, Bangchan não entendeu o respiro de alívio, mas havia muita coisa acontecendo, e ele deixou passar. Ele deixou muita coisa passar. 

  Os meninos ficaram notoriamente animados com a dimensão do parque, e Felix estava atrás de si, a uma distância segura, quando Bangchan conversava com o diretor e com dois outros Staffs, sobre a divisão dos grupos. Foi um tipo de pedido fácil de conseguir, mesmo que por algum motivo, o Diretor tenha lhe feito uma cara de incômodo difícil de ler. Mas lhes foi concedido, tudo foi aceito, não haviam problemas.

  Bangchan logo achou que havia sido algum tipo de intervenção divina de Felix, quando lhe contaram qual era a primeira parada de seu grupo; o líder jamais havia duvidado da proximidade de Felix com Deus, visto que ele claramente deveria ter sido um Anjo mas por algum motivo misericordioso com a humanidade, Deus lhe deixou descer a Terra ao invés de mantê-lo no céu; coisa que Bangchan jamais seria capaz de fazer, mas isso seria outro tipo de tópico que o rapaz evitava pensar a respeito. Até porque, eles iriam em uma maldita casa de terror, e o riso nervoso de Bangchan tentava disfarçar a forma como suas mãos suavam. Pelo menos ele teria Felix consigo. 

  Os apresentadores eram bem humorados, fáceis de lidar e gentis até, principalmente quando comparados com alguns outros que já tiveram o descontentamento de cruzarem com. Minho e Han foram rápidos em serem designados para irem primeiro, até porque, algo nos dois deixava muito claro que caso fossem separados, algum tipo de cataclisma aconteceria. O balanço do universo seria perdido, a linha do tempo rompida, esse tipo de coisa.

  Na quase meia hora em que os outros dois estavam dentro da maldita casa de Terror, a mente de Bangchan estava em caos. Ele odiava Terror. Odiava a sensação de estar prestes a perder o controle, nada lhe deixava mais apavorado do que o desconhecido. Do que a ideia de que algo totalmente fora de seu controle poderia pular diante de si e fazê-lo ficar sem reação. Barulhos altos demais, escuridão, e um ambiente hostil feito para tirar-lhe de seu eixo. Ele não queria. Ele não queria entrar lá, ele não queria passar por isso. Ele iria se assustar, ele não saberia o que fazer, e os apresentadores continuavam tentando falar com ele e garantir sobre como no final é apenas divertido, mas ele não queria. Ele iria se assustar, alguém iria gritar, algo iria pular em sua cara, ele não-

  “Chris, can we get a washroom?” O sotaque pesado ao seu lado colocou a mente de Bangchan em pausa, e repentinamente, seus joelhos não estavam mais tremendo. Ele piscou algumas vezes, voltando-se para o loiro que lhe chamou, e talvez por isso ele não tenha notado a forma como os apresentadores se encararam em mais dúvidas do que opiniões.

  “Yeah! Good one, absolutely,” ele respondeu, soltando o ar em certo alívio diante do rosto do loiro, que também parecia tenso demais. “Aahn, vamos no banheiro por um momento, com licença!” Ele se voltou para os apresentadores, que encaravam de um ao outro com olhos curiosos. Ambos fazendo reverências rápidas antes de saírem, Felix o fazendo mais rápido, grudando seu ombro ao de Bangchan tão logo caminharam.

  O Japão, como qualquer lugar na Ásia, era ridiculamente bem sinalizado, e não demorou mais do que vinte segundos para encontrarem o caminho certo. Ir ao banheiro foi uma boa idéia, mesmo que o parque, grande e lotado da forma que era, não ajudasse muito na ideia de ter um momento de paz. Bangchan lavava suas mãos de forma a deixar claro que daria qualquer coisa para poder enfiar sua cara embaixo do jato d’água, caso não fosse a maldita maquiagem.

  “You good? We good?” Felix questionou, e Bangchan o encarou finalmente, vendo o loiro com uma mão lhe estendida, e um sorriso nervoso. “ It’s not gonna be that bad. Its just- It’s not real.” E Bangchan lhe segurou a mão, sem quebrar o contato visual. 

  “Yeah, sure.” Sua voz craquelou, e Felix riu mínimo, interligando os dedos nos do mais velho.

 “Is it- Is it alright- tudo bem se falarmos em coreano? Eu sei que temos uma tradutora,  should we keep In Japanese? My head is messy, minha cabeça dói um pouco." ele balbuciou, enquanto Bangchan o trazia para fora do banheiro, ainda sem coragem de soltar-lhe a mão.

 “Hm? What you mean?” Ele questionou, parando de andar para clarificar aquilo, mas talvez, só talvez, também apenas para ter mais um punhado de segundos de mãos dadas com o loiro. Apenas um pouco de coragem, nada mais.

  “ Korean, Japanese or English? The director Will get mad  again if we keep switching so much. “ ele resmungou, desviando os olhos, mastigando seu lábio inferior por uma fração de segundos. Bangchan estalou a língua de forma cômica.

  “ That’s his Shit to deal with.” Ele riu. “ mas é bom manter o máximo do Japonês, nas filmagens. Para Stay. Stay adora quando falamos a língua do país.” E Felix lhe sorriu, tímido. 

  “Meu japonês não é muito bom…”

  “Não tem que ser. It’s alright.” E a mão livre subiu até o rosto do loiro, seu polegar lhe fazendo um carinho mínimo na bochecha. “promise you, It’s alright.”

  Não seria a primeira e nem a última vez que algum diretor lhe reclamaria sobre a aparente incapacidade de Bangchan e Felix em manter apenas um idioma diante das câmeras. 

  A casa de terror foi, como era de se esperar, um verdadeiro pesadelo. Em algum momento, Bangchan sentiu Felix ajoelhado no chão, agarrado em sua perna, a cabeça praticamente dentro de sua jaqueta, e ele sabia que caso não estivesse com Felix, não teria dado sequer 5 passos para dentro daquele lugar tenebroso. Seus instintos estavam gritando em tantos lados diferentes que ele sequer sabia o que fazer, além de cobrir os ouvidos na tentativa de evitar sons altos demais. Ele, além de não querer estar ali, também não queria que Felix estivesse ali. A cada novo passo do loiro para dentro daquele lugar escuro, os pés de Bangchan se tornavam mais pesados, tentando puxar o outro para longe. Ele não queria estar ali, e ele não queria colocar Felix ali. Felix, que mesmo claramente apavorado, ainda lhe dizia coisas fofas. Como se fossem duas crianças passando por um teste de coragem; mesmo que estivessem ambos tremendo mais do que deveriam.

  Quando uma porta se abriu e a luz encheu o corredor, nenhum dos dois entendeu qual frase estava saindo dos lábios do funcionário. Japonês, coreano, ou outro idioma misterioso. Bangchan teve que ter coragem o suficiente para destampar um dos ouvidos para entender apenas uma das palavras em japonês que saia da boca do funcionário, e ao ouvir “desistir”, ele gritou “Yes!” Sem pensar duas vezes.

 Finalmente saíram daquele maldito mausoléu de caos, e Bangchan tentou respirar melhor, quando viu que Felix estava sob luzes de novo, e toda sua equipe lhe encarava. Suas mãos tremiam demais enquanto ele abria o armário para restituir os celulares de ambos, e seus sapatos.

 Ele agradeceu que ambos os apresentadores acharam engraçado suas reações, todos apenas riram e Han e Minho fizeram seus papéis e mantiveram o entretenimento, enquanto Bangchan sentava no chão do corredor, recuperando o fôlego. As câmeras finalmente pararam, e sua cabeça ainda estava ecoando um apito, quando Felix engatinhou para seu lado, lhe puxando uma das mãos, a esfregando com força. Bangchan o encarou com olhos pesados.

  “You did good, Hyung.” Ele resmungou, seu rosto ainda vermelho e coberto por uma fina camada de suor.

  “I did Shit. That was the fucking worst.” Ele reclamou, se deixando ser brevemente segurado pelo mais novo, ambos finalmente tendo um momento para respirar, mesmo que fosse enquanto estivessem sentados no chão, praticamente sussurrando de um para outro.

  “Ocidentais são mais íntimos, não?” Um dos apresentadores resmungou para Minho, que teve sua atenção puxada de seu celular pelo comentário.

 “Hm? O que disse?” Seus grandes olhos piscando vezes demais, Han cruzando os braços atrás do mais velho, encarando de um a outro com um bico de dúvidas. O apresentador apenas apontou para ambos os australianos sentados no chão com o olhar.

 “Ocidentais. Quando eles começam a se falar, é um pouco intimidador, não é?” 

 “Sim, é intimidador.” O segundo apresentador respondeu, prontamente. Bangchan e Felix muito entretidos entre si para ouvir a conversa, mesmo que Minho fosse contar ao líder mais tarde, quando voltassem para o hotel.  “ Bangchan-san é intimidador sempre que não está sorrindo, mas não achei que Yongbok-san fosse ser intimidador também. Quando ele virou e disse “Chris blah blah blah” eu parei e fiquei “eh? Eu deveria estar aqui?”,” o apresentador riu, e Minho tentou conter o próprio sorriso, afirmando com a cabeça breve. 

  “Sim, eles se perdem um pouco nos próprios assuntos às vezes. Só um pouco.”

  “Aaah, sim, sim. Quando eles estão se falando, eu sinto isso também. Não deveria estar aqui ouvindo eles, eles não me querem aqui, estou me intrometendo.” E os três riram, enquanto Minho negava com a cabeça.

  “Ah não, não não, eu garanto, não é nada disso! Eles jamais fariam isso, é só que- eles-, eles tem a linguagem deles. Né, Jisung-kun?”

 “Sim, como certeza.” O mais novo confirmou, sem sombra de dúvidas, mesmo que seu japonês tenha lhe  permitido entender no máximo 70% da conversa. Mas se Minho havia lhe pedido para confirmar algo, ele confirmaria, diante de Deus e o Mundo. 

  “Não é bom.” A Primeira Assistente de Direção resmungou, com um tablet em mãos, trazendo os olhos dos 4 para ela. “ Não é nem um pouco bom.” E ela bufou, saindo de perto do grupo sem sequer encará-los. Minho fez questão de contar essa parte para Bangchan também, naquela noite, no hotel. 

  “Can we have some ice cream before the next part?” Felix pediu, com olhos longos, e Bangchan sabia que aquilo havia vindo de uma conversa muito longa com Minho sobre os sabores diferentes de sorvete que ele havia provado da última vez que estiveram no Japão, e Felix parecia muito ansioso para testar.

  “If don’t have the time, we can get them at night yeah? Don’t worry.” Se Bangchan fechasse os olhos com um pouco de força, ele ainda conseguiria lembrar da textura da pele de Felix sob seu polegar naquela tarde específica. Todas as lembranças daquela tarde correndo em sua mente como ele gostaria que o motorista do Táxi estivesse correndo; mas ele ainda tinha dez minutos até chegar em seu alojamento, e seu celular estava silencioso.

  Ele ainda se lembrava do quão mal ele se sentiu quando não conseguiu evitar que Felix tivesse que passar por aquela maldita prova com uma Montanha-Russa. Foi escolha de Felix progredir, ele sabia, mas ele deveria ter tentado mais. Gritado com alguém. Feito algo.

  Quando o diretor anunciou o novo quadro, ambos, Felix e Bangchan já haviam conseguido alguma cor em seus rostos novamente, depois do fiasco da casa de Horror, mas Felix voltou a ficar pálido. Felix deveria ter falado com Bangchan, ao invés de tentar conversar com a Assistente de Direção; mas a culpa jamais seria dele. Quem em sã consciência seria rude com alguém como Felix? Tudo aconteceu muito rápido.

 Felix havia lhe encarando com olhos grandes demais, e Bangchan conseguia ler as palavras em suas íris. “Eu não quero”. Mas um Staff lhe chamou, e repentinamente uma pessoa se tornou três, e ele tinha outros membros lhe fazendo perguntas, e quando ele teve um mínimo respiro, a expressão irritada da Assistente foi o que lhe atraiu para a conversa. Bangchan podia contar nos dedos das mãos quantas pessoas já haviam olhado para Felix daquela maneira. Ele se lembrava do que ouviu quando entrou no espaço pessoal de Felix, por suas costas.

  “ Você é um Ídol, e um adulto, você não acha que passou da hora de se portar melhor? Se você está no Japão, seja um pouco mais grato, sem Sorry, não queremos ouvir Sorry”, Bangchan deveria ter dito algo mais cedo, mas ele não disse. “É só um brinquedo de crianças, se esforce mais. E por favor, mantenha sua postura num programa Japonês.”

 “ O quê você quer dizer com isso?” Bangchan deveria ter interrompido antes, mas ele havia sido pego de surpresa. E não apenas isso, mas logo Felix estava se curvando diante da diretora, se voltando para Bangchan e muito discretamente lhe afastando dali.

  “It’s alright, I’m going with you, so its alright.” Felix havia lhe dito, enquanto a visão de Bangchan se tornava turva de raiva. Ele sempre teve um problema de raiva; não que ele jamais seria capaz de assumir, mas ele também não precisaria assumir nada para alguém como Felix. Se Bangchan conseguia ler seus pedidos refletidos em suas íris, Felix também era capaz de visualizar suas vontades através de um olhar.

  O Táxi finalmente chegou na rua que tinha que chegar, e com uma voz pesada por trás da máscara que Bangchan não se atreveu a retirar, ele agradeceu e desceu do carro, diante do conjunto habitacional em que morava. Ele se lembrou da forma como Felix soluçava num canto daquele maldito parque de diversões, tentando se acalmar depois da maldita montanha-russa, onde ele se portou tão bem, e foi tão corajoso, e fingiu e segurou todo o amontoado de nervos que seu cérebro se tornou até que a filmagem tivesse acabado. E tudo o que ele balbuciava era “Sorry”, “tired”, e “too much”. 

“Sorry”

“Tired” 

“Too Much”

  E Bangchan queria rasgar o universo ao meio com suas próprias mãos e afundar na fenda que levaria direto ao inferno qualquer coisa, ser ou situação que estivesse causando aquele tipo de reação em Felix. Mas ele não podia, e por isso ele fez o que ele sempre fazia: ele abraçou Felix, e o deixou chorar. Como ele fez todos esses anos. Desde a primeira vez em que viu Felix ficar sobrecarregado quando não conseguia lembrar uma palavra em coreano, em seu primeiro mês na Coreia. Abraçou Felix e o deixou chorar, como fez quando Felix foi eliminado do suposto programa que os colocaria no mesmo grupo, por não conseguir soar como um Coreano nativo; e todo o estrago que aquilo trouxe. Com Felix sendo catapultado mentalmente para aquele mesmo dia todas as vezes em que estava cansado e seu vocabulário se tornava escasso; sua cabeça doía, e ao menor sinal de dificuldade de comunicação, uma crise de ansiedade tomava o Australiano mais novo.

  Era uma resposta traumática, Bangchan sabia; e se tinha alguém que entendia de respostas traumáticas, era o garoto crescido na sala de treinamento da JYP desde os 14 anos de idade. O que ele não sabia bem, era como reagir a respostas traumáticas de outras pessoas.

  As de Felix, mais especificamente, se fosse ser honesto. As respostas traumáticas de todos os outros meninos lhe cabiam bem em reações. Mas por algum tipo de instinto que Bangchan não queria encarar (para não correr o risco de ser encarado de volta), Felix era sua última gota de problemas de raiva. Bangchan havia se esforçado muito para lidar com todas aquelas tendências, e como em todos os outros aspectos de sua vida, ele teve sucesso. 

  Mas ele seria capaz de destruir patrimônio público, privado e cultural, por Felix. Quebrar dentes, cortar cabos de freios de carros, ameaçar, gritar, chantagear ou intimidar pessoas abaixo ou acima de si; por Felix. Ele já o fez, ele faria de novo. 

  Quando ele colocou sua digital na porta e ouviu sendo destravada, a voz de Jisung lhe ecoou em sua mente mais uma vez: ele precisava se acalmar. Caso contrário, as coisas poderiam escalar como já haviam escalado entre ele e Felix antes, e Felix não precisava disso. Felix precisava de seu Hyung calmo.

  Bangchan abriu a porta do alojamento, e que grande surpresa foi descobrir que na verdade, ele não era o mais irritado ou aflito da casa; quando ele finalmente chegou na sala e viu a forma como Felix estava parado no centro do cômodo, expressão amarga e cobrindo as próprias mãos com as mangas do suéter que usava, cruzando os braços diante do peito de forma irritada, tudo mudou de figura. Felix estava irritado.

  Felix estava tremendamente irritado; de tal forma, que mesmo seu rosto ainda brilhante de lágrimas não era capaz de distrair do detalhe de que ele estava furioso. E os olhos furiosos caíram sobre Bangchan, recém chegado, abaixando sua máscara enquanto encarava a visão que era Felix irritado.

  Caso Bangchan não tivesse nenhum apreço a vida, ele teria sacado o celular na mesma hora para tirar uma foto da cena. Era ainda mais raro do que cruzar com um Pokémon Shiny, ver Felix com aquela expressão. Bangchan não sabia o que Hyunjin ou Jisung (muito provavelmente Hyunjin) haviam feito, mas eles haviam feito algo.

  “I can walk you Know?” Felix praticamente lhe rosnou, entre dentes fechados, num inglês tão carregado que Bangchan teve quase certeza que os outros dois não lhe entenderam. Mas-

  “Wait, me?” Bangchan questionou, tirando a mochila de seu ombro e deixando-a no canto do sofá onde Hyunjin e Han estavam sentados. “Are you mad? At me?” A confusão de Bangchan vazando por todos os lados enquanto dava passos para entrar na sala, sua pergunta vindo mais de sua própria linha lógica do que da situação em si. Hyunjin e Han lhe encararam com olhos grandes, em silêncio. “ What is even happening?” 

  “They wouldn’t let me go home cause you told ‘em to not lemme go!!” Felix apontou uma mão coberta por mangas de suéter na direção dos outros dois; Han sentado com as pernas cruzadas no sofá, celular em mãos e dedos rápidos, parecendo ocupado, e Hyunjin lhe encarando com olhos preocupados.

  “Well, look at the state you’re in, they were worried about you!” Bangchan sentiu sua voz crescer uma oitava, o que não estava em seus planos, e por isso soltou um pouco de ar de seu peito. “Care to tell me what’s going on? You’re crying baby, What happened?” Foi um erro. Bangchan cometeu um erro, e ele não viu a forma como Han virou a cabeça em certa velocidade para encará-lo com olhos surpresos, ou a forma como Hyunjin arqueou as sobrancelhas.

 Bangchan falou com Felix como ele geralmente falava quando não haviam pessoas ao redor; o que era estranho. A forma como o queixo de Felix começou a tremer e ele virou o rosto para cima, na tentativa leviana de lutar com as lágrimas, foi o atestado de seu erro. Mas ele não sabia outra forma de não escalar aquela discussão para uma briga caso não fizesse isso. E ele não queria brigar. Felix não precisava de uma briga.

  “Nothing-  I’m  tired-  I wanna go home.” Felix balbuciou com voz embargada, as palavras não querendo mais sair de sua garganta claramente, e Bangchan respirou pesado.

  “I Know love, but I need to understand.” Bangchan tentou, dando alguns passos a mais na direção geral de Felix, sendo recebido com um passo de recua pela parte do outro.

  “ Nós estávamos assistindo anime, e ele começou a chorar.” Han disse, muito direto, encarando Bangchan até ser encarado de volta. “Chorar muito. Ele tava soluçando e sem ar.” 

  “… e ele não falava o motivo, ele não falou nada, ele só começou a falar alguma coisa porque Hyung apareceu, e eu acho que é só porque ele ficou irritado com Hyung.” Hyunjin praticamente resmungou, um bico exagerado nos lábios enquanto encarava o melhor amigo ainda como o rosto voltado para o teto, fugindo de olhares e tentando fugir das próprias lágrimas.

  Bangchan encarou os dois membros mais novos com olhos curiosos, pensativos, antes de voltar o olhar para Felix.

  “O Anime te deixou triste, Lixie?” Bangchan tentou, e Felix apenas negou com a cabeça, abrangente. Esse caminho Bangchan sabia seguir, e era mais fácil de voltar a se aproximar do loiro enquanto ele não o fuzilava com o olhar. “Não? Ok. te deixou irritado?” E outro negar com a cabeça. “Ah ok ok. Foi algo relacionado ao anime pelo menos?” E foi quando Felix não lhe respondeu, apenas lhe deu as costas completamente. “Aaahh Ok ok… então foi- Ah.” O detalhe cruzou Bangchan num estalo, e num descuido, ele acabou sorrindo ao finalmente juntar todas as peças. “… O anime fala Japonês, Lixie?” E o loiro lhe deu de ombros, malcriado, sem virar para encará-lo. 

  Bangchan se voltou para os outros dois para um resposta, e Han apenas o afirmou com a cabeça. Bangchan voltou os olhos para a tela da televisão, onde uma animação permanecia pausada pelo que o líder imaginava ser um bom tempo: legendas em coreano. E Felix estava cansado.

  “ I’m tired.” Felix reclamou, a voz embargada por lágrimas, e um soluçar que claramente tentou ser contido.

  “Ok. Lemme walk you home.”

  “I can. Walk!” Ele tentou, a voz falhando em sua última palavra lhe fazendo erguer as mãos até o rosto, cobrindo-o num soluço curto; o tipo de soluço nervoso de um corpo que estava gastando cada fibra de concentração em não quebrar em lágrimas ao ponto de não conseguir focar em respirar.

 “Yes I Know, but I don’t wanna leave you alone like this.” Bangchan resmungou, quase honesto demais. Prestes a implorar para que Felix apenas lhe obedecesse. Mas ele sabia que se algo assim saísse de seus lábios, Felix voltaria a falar muito rápido e com muita agressividade. 

 “I’m an adult you Know.” Felix resmungou irritado por trás das mangas do suéter onde ele enfiava o rosto, seus soluços rasos cortando seu corpo como pequenos sustos. 

  “Yes you are.” Bangchan deveria ter tomado mais cuidado com sua resposta.

  “I AM.” Felix gritou por trás de suas mangas. “ I’m an adult and I walk and I sing and I dance and I can kick your ass if I want!” Seus pequenos soluços nervosos deixando sua frase de palavras já esmagadas juntas numa língua que parecia dormente não soarem tão ameaçadoras quanto deveriam ser. Até porque, Bangchan era forte, claro, mas Felix conhecia técnicas de luta que Bangchan sequer sonhava, então no final das contas, sim, caso Felix realmente quisesse lhe derrubar, ele assim o faria. 

 “Ok; But can Hyung walk with you?” Bangchan perguntou, e Felix finalmente se virou para encará-lo. Rosto molhado, olhos lustrosos e vermelhos, lábios secos pela forma como tinha que respirar pela boca enquanto chorava. “ Yes, or No?” Bangchan questionou, fazendo os movimentos com a cabeça diante dos olhos de Felix, vendo mais lágrimas lhe escorrerem pelo rosto.

  E Felix apenas afirmou com a cabeça, sem dizer nada, soltando um soluço ainda mais honesto ao notar que não precisava mais dizer nada. Bangchan atravessou a sala em passos largos ao notar que tipo de choro estava prestes a quebrar de dentro de Felix, e ele já havia prometido para si mesmo que sempre que aquele choro escapasse do outro, ele estaria ali para segurar-lhe. E era onde ele estava, diante de Felix para que ele pudesse jogar seu choro em seu peito . Se dependesse de Bangchan, nenhuma lágrima de Felix escorreria para o chão; ele iria pegar todas elas. Cada uma delas.

  “It’s ok, Hyung is here, It’s ok.” Bangchan se pegou resmungando, enquanto seus braços se apertavam na cintura do mais novo, o puxando de uma forma muito rotineira, muito casual; muito conhecida. Felix não parecia se importar com muito enquanto encaixava seu rosto na curva do ombro do mais velho, seu rosto molhado passando para o moletom  escuro do outro, e seus soluços curtos parecendo um pouco doloridos demais.

 “No Hyung-“ ele repetiu, e repetiu e repetiu em seu choro, até Bangchan finalmente parecer entender; uma das mãos subindo até os cabelos descoloridos do rapaz, puxando o elástico frouxo que segurava os fios com cuidado para solta-los. Eles haviam ficando um pouco maiores, esses últimos tempos, ao ponto de Felix as vezes os prender. Mas Bangchan precisava ter as pontas de seus dedos no escalpo de Felix, e aquilo lhe atrapalhava.

 “Hm? No Hyung? Porquê?” Ele questionou, finalmente enfiando seus dedos pelos cabelos do mais novo, deixando-o acoplado em seu ombro como ele geralmente o fazia.

 “Chris.” Felix resmungou contra seu moletom, seus soluços parecendo diminuir aos poucos; Mas Bangchan sabia muito bem que Felix era exatamente como seu primeiro amor, e assim como o Mar, ele funcionava em ondas.

 “Oooh, ok, Chris. Chris Hyung?” Ele se atreveu, e Felix negou com a cabeça, se aproveitando e aparentemente se agarrando mais ainda ao seu corpo. “Oh, não? No Hyung? Ok, no Hyung. Chris. “ Bangchan confirmou, sentindo a forma como o corpo de Felix se tornou um pouco mais pesado aos poucos.

  E repentinamente, as luzes da sala estavam se apagando. A TV ainda ligada deixando os olhos de Bangchan notarem Hyunjin lhe acenando com um olhar dócil mas um tanto quanto maldoso enquanto seguia Jisung para fora do alojamento. Era claro que Minho voltaria de onde quer que estivesse no momento em que Jisung lhe chamou, e agora ambos estavam indo para o alojamento ao lado. Alojamento que Bangchan deveria levar Felix; mas não parecia muito propenso a fazê-lo.

  Ele respirou pesado, uma vez mais, ao ouvir o som da porta de seu alojamento sendo fechada. E agora estava sozinho, com braços cheios de Felix. Felix que chorava fraco, o rosto ainda enfiado na curva de seu pescoço, quase sobre seu ombro, dedos se agarrando em seu moletom. Os membros já haviam lhe provocado sobre isso antes; comentado de forma brincalhona, testando as águas de até onde eles poderiam falar sobre aquilo antes que o Líder os calasse com um olhar atravessado. A última vez havia sido durante o jantar no hotel japonês, quando Minho lhe disse tão casual sobre o que os apresentadores haviam lhes dito. Sobre como Bangchan e Felix se tornavam intimidadores quando falavam entre si. E era claro que Jisung havia lhe acompanhado naquilo, em pequenas piadas, e uma boca cheia de arroz.

 “Não é que vocês são intimidadores, é só que- as vezes, parece que vocês querem ficar sozinhos. Completamente do nada”, Jisung explicou, enquanto Minho sorria gentil para o grão de arroz que tinha pendurado na bochecha do mais novo. “Uma hora estamos todos juntos e tá tudo bem, e do nada vocês estão se falando e a vibe óbvia é de ‘saíam de perto’, e tá tudo bem, acho que eu entendo.”

  “Entende?” Minho perguntou, curioso, e Bangchan abaixou os olhos da cena quando os outros dois cruzaram o olhar.

  “Ne,” ele resmungou, num meio riso. “Uma vez você me disse que se eu não desligasse a câmera você ia jogar ela pela janela. No meio de um vlog. Eu levei uma bronca do editor alias, ele disse que se você jogasse a câmera pela janela eu iria pagar por ela, não a companhia.” a frase terminou num bico, e Bangchan riu fraco na mesa de jantar. “O caso é que, talvez você e o Bbokie não estejam passando tempo sozinhos o suficiente, ai no meio das gravações essa energia aparece as vezes. É um pouco intimidadora.” Jisung enfiou um sushi maior do que seu dedo dentro da boca.

  “Como assim tempo sozinhos o suficiente?” Bangchan riu fraco, desviando os olhos pela maneira que Minho lhe encarou de forma quase exasperada. “Felix precisa do tempo sozinho dele, ele não precisa mais que eu fique seguindo ele o tempo todo igual quando ele chegou da Austrália.”

  “Não é sobre isso, Hyung.” Minho disse, muito simples. “Não é sobre o que vocês precisam, é mais sobre o que vocês querem-​”

  “Nós deveríamos mudar de assunto.” Bangchan encerrou, puxando sua xícara de chá verde com olhos frios. Os outros dois suspiraram fundo, concordando prontamente com o líder.

  Líder agora que estava muito tentado a aproveitar o escuro e o silêncio da casa para encarar partes de sua mente que ele não queria fazer. Quando ele se deu conta, estava caminhando com passos cuidadosos para trás, levando Felix consigo, deixando o próprio corpo solto contra o sofá, caindo ali com muita confiança, soltando um grunhido mínimo ao ter o mais novo caindo sobre si, ambos um pouco Desengonçados demais, Felix resmungando uma reclamação baixa contra seu ombro, sem se mover para realmente sair de cima do corpo do mais velho, mesmo que a posição não fosse das melhores. Mas Bangchan faria se tornar confortável logo, ele sabia, e por isso apenas aguardou. Sem falha, Bangchan se posicionou melhor no sofá com a força do próprio corpo, trazendo Felix consigo como se não pesasse nada. Puxou as pernas de Felix até que estivessem propriamente dobradas nas laterais de suas próprias pernas, e Felix relaxou contra o peito do mais velho, passando seus braços pelos ombros do maior para abraçá-lo de forma preguiçosa. 

  E os minutos se passaram, com pequenos soluços de Felix brotando de si como sustos, mas o rapaz parecia finalmente estar conseguindo respirar melhor. Os dedos de Bangchan ainda brincavam com seus cabelos, passando as madeixas mais grossas por eles como quem brinca de trançar tecidos.

“Do you wanna spend the night?” Chris resmungou, com o peito pesado. Já faziam bons meses desde a última vez que dividiram o mesmo espaço enquanto dormiam. Ele não queria pensar nisso. Mesmo que já estivesse pensando. Felix resmungou, escorrendo o corpo até que sua cabeça estivesse quase em seu peito, se curvando e se diminuindo como se quisesse se dobrar tal qual um origami e se enfiar dentro do peito de Bangchan.

“Hhhm.” Ele resmungou, não dando uma resposta plausível. 

“It’s just that-“ Chris limpou a garganta. “The boys they- Minho, actually- he said- I mean it’s not that, Like, not as if its because- it’s just that, haha,” uma risada nervosa, e Felix finalmente ergueu o rosto de onde estava enfiado contra o peito do maior, apenas para lhe encarar com os olhos agora pequenos e inchados, sobrancelhas unidas em dúvidas enquanto via seu líder se embolar em palavras e frases que não começavam e nem terminavam. Isso para alguém como Bangchan era no mínimo incomum. Ele havia feito uma carreira inteira de juntar palavras difíceis em ritmos difíceis, e agora parecia não saber como dizer ou o que dizer. “ I mean, Hyunjin and Han went to you guys dorm, so it will most likely get a little crowded.” Ele disse, desviando os olhos do rosto do mais novo, encarando o pescoço do loiro como se fosse sua única opção.

“ Quando você não fala o que você realmente quer falar você parece ridículo.” A voz de Felix soou um pouco áspera, um pouco baixa demais, e Bangchan ergueu os olhos para encará-lo numa quase surpresa.

“Oh wow.” Ele resmungou, piscando algumas vezes em seu choque, e Felix riu. Seu rosto ainda brilhoso por lágrimas, seu nariz vermelho de uma forma que Bangchan associou imediatamente a um coelho. “ Se sentindo melhor, ao que parece.” Ele provocou, e Felix riu um pouco mais, antes de deitar a cabeça novamente no pescoço do maior, se deitando ali em busca clara de conforto. Uma das mãos do mais velho desceu por suas costas, suave. Bangchan esperava que Felix não conseguisse sentir a forma como ele estava engolindo a seco, juntando coragem para perguntar o que queria, assim como ele conseguia sentir a respiração de Felix contra seu pescoço. “ Melhor porquê estamos sozinhos?” Ele finalmente perguntou, e um dos braços de Felix desceu de seu ombro, para tocar o pingente prata que ele tinha pendurado no pescoço.

“Hhhm.” Felix resmungou, sua unha passando suave contra a corrente, encarando-a com olhos longos. Bangchan tentou não pensar em como ele precisava engolir saliva mas não conseguia. Sua garganta parecia fechada. “Yeah.” Felix resmungou simples, e Bangchan conseguiu engolir.

“Ok, good.” Foi o que ele conseguiu dizer. “Wanna tell me why were you crying like that baby?” A voz de Bangchan soou tão macia que parecia ser feita de algodão e açúcar, e Felix respirou muito fundo, sem se importar com a forma como seu ar envolvia o pescoço de Bangchan ao seu lado como uma coleira invisível. 

“Não foi nada. O anime era em japonês, a legenda ficou muito rápida, e eu deveria entender sem legenda a essa altura. Eles não pareciam precisar das legendas. Eu estudei japonês, sabe? Desde que voltamos. Mas, é muita coisa. I’m tired, it’s all.” Ele explicou finalmente, e a mão que Bangchan tinha em seus cabelos acabou descendo igualmente, pousando em sua cintura de forma confortável. 

“Foi isso? Ou teve algo mais?” Felix estalou a língua dentro da boca, se movendo um pouco, de forma a mostrar com seu corpo o desconforto leve. 

“Eu fiquei ansioso e quieto, mas Hyunnie e Hannie não pararam de falar comigo. E falar e falar e falar,  eu não queria falar, e- suddenly they tried to talk to me in english for some reason which is so annoying when I’m nervous cause- they don’t- they don’t get it. They try but it’s not- “

“It’s ok.” Bangchan riu fraco, sentindo a forma como a voz de Felix entrava por seus ouvidos e relaxava seu cérebro. Ao ponto de seu próprio corpo estar relaxando numa velocidade alarmante. Seus olhos quase pesados. 

“Like, can’t you understand What I’m saying? Is my korean bad? it's not bad. Não é ruim, é ruim? Meu coreano não é mais ruim, é?” Felix esticou os olhos em quase súplica ao mais velho, que sorria mínimo. Seus dedos agora desenhavam pequenos formatos pelas costas de Felix, sem formas exatas.

“Nunca foi ruim.” Ele respondeu mínimo, seus olhos um pouco pesados.

“Foi sim. JYP said so.”

“Tsk”  Bangchan reclamou, finalmente fechando os olhos. “ That old man. Don’t think about that”

“But-“

“You’ll get anxious. Do not think about that day.” Aquilo poderia soar como uma ordem, mas Bangchan esperava que Felix entendesse como o que realmente era; esperava que a forma como abraçou o corpo de Felix fosse o suficiente para que o seu pedido fosse entendido. Porque era isso o que era: um pedido. Bangchan estava relaxado demais, Feliz demais, confortável demais para lembrar do dia em que quase lhe arrancaram Felix. Era uma memória conturbada, agridoce. Se ele fechasse os olhos e se concentrasse, ele ainda conseguia sentir em seu coração o exato sentimento daquele dia; o vazio, o frio, o pânico, a raiva. Mas se ele afastasse esse sentimento, ele ainda conseguia sentir a forma como Felix o abraçou durante dois dias inteiros, chorando em seu peito enquanto a chuva caia do lado de fora, e a sensação de ser tão quisto da mesma forma por Felix amaciava a sensação ruim. Felix prendeu suas unhas em Bangchan da mesma forma que o mais velho prendeu em si. Era recíproco; e depois de semanas achando que era completamente maluco, Bangchan teve sua comprovação da forma mais dolorosa possível.

Ele queria ter tido aquela confirmação de uma forma mais suave. Ele fantasiou sobre, e naqueles momentos ele conseguia lembrar de suas fantasias. Ele teria sua confirmação de uma forma suave, casual; eles venceriam o programa, e assinariam um contrato, e Felix lhe diria “ Agora podemos morar juntos e ficar juntos para sempre, não é legal, Hyung?! Eu estou tão feliz por isso!” ele diria, e Bangchan sentiria que sua vontade era recíproca. 

Mas sua confirmação veio em um final de semana sem dormir com um pequeno australiano agarrado em seu colo chorando como uma criança que acabou de ter seu coração partido pela primeira vez, fincando suas unhas nas vestes do mais velho com tanta força que chegava na carne, soluçando e implorando sobre como não queria ir​​ embora. 

Bangchan entendia sobre respostas traumáticas. A forma como suas unhas estavam sempre fincadas em Felix, mesmo que apenas figurativamente, era por ele mesmo também ser catapultado para aquele dia diante da menor possibilidade de ser separado de Felix. Era tudo confuso. 

“Do you want me to stay here?” Felix perguntou, e Bangchan abriu os olhos em pequenas frestas, encarando sua sala de estar atual, tentando se situar no presente, e não na fumaça do passado que lhe cobriu os olhos por alguns instantes.

“You know the answer.” Ele resmungou, sentindo seus olhos pesados por um instante. E Felix se ergueu de seu peito mais uma vez. Suas costas arqueando de uma forma um pouco desconfortável, apenas em busca de um pouco mais de contato. Seus fios loiros caíam pelas laterais de seu rosto, de forma quase etérea. E Chris o encarou por aqueles instantes, em silêncio, sentindo a pequena mão espalmada em seu peito de forma confortável, como se Felix estivesse controlando a quantidade de ar que ele respirava, para que não se afogasse fora d’água. 

“Chris.” Ele chamou, sua voz num sopro, mesmo que o mais velho já estivesse lhe encarando. “You know that-“

“I do.” O mais velho lhe interrompeu, quase rápido demais, sentindo em seu peito a forma como o corpo do mais novo estava trêmulo. Bangchan sabia. Mas ele preferia não ouvir. Ouvir em voz alta seria demais, e ele se afogaria. 

“You do?”

“I do.” E ambos não se atreviam a quebrar o contato visual, trocando palavras sussurradas como se alguém pudesse lhes ouvir. Os olhos redondos de Felix corriam os detalhes do rosto relaxado do maior sob si, como se buscasse algo; algum indício, alguma nota de dúvida, de incerteza, de qualquer coisa. 

“And you-“

“Yes.” E mais uma resposta seca; dessa vez, Bangchan engoliu a seco, fechando os olhos por um momento, respirando, engolindo junto com sua saliva todo o resto de sua resposta. Todas as palavras sobre como em outra vida, sobre como as coisas seriam diferentes, sobre tudo o que ele poderia e faria ou falaria e seria, e sobre como nada daquilo também importava porque ele amava cada detalhe e cada memória que ele tinha nessa vida com Felix, que ele jamais seria capaz de trocá-las. Tudo doía. Ele sentia que poderia chorar. Quando ele abriu os olhos, havia uma lágrima sua escorrendo pelos olhos de Felix; e foi o suficiente. 

“It’s stressful.” Felix soltou um bufar cansado, apertando seus dedos na camiseta do mais velho. 

“I’m Sorry.” Bangchan resmungou, e Felix deu de ombros.

“It’s ok. It Will get better.” Ele decidiu, depois de respirar fundo. Bangchan o encarou por alguns instantes, com olhos confusos.

“What do you mean?”

“We Will come and we Will go and come and go and come and go…” ele resmungou, movendo a cabeça de um lado para o outro, e um lado e outro. “ But we Will still be here. You for me, and Me for you.” E ele sorriu mínimo, diante dos olhos ainda confusos de Bangchan. “Cause I Like you, and you Like me. And we Will have our moments.” Ele riu, num tom quase maldoso, e Bangchan tentou não acompanhar, mas falhou.

“Sabe.” Ele começou. “ Minho e Jisung falaram sobre como às vezes nós acabamos afastando as pessoas sem querer. Sobre como nossa aura passa a ideia de que não queremos ser interrompidos, ou algo assim, não entendi direito, comecei a ficar irritado.”

“Ah, Minnie and Ienah me falaram algo assim também. Sobre como as vezes quando estamos nos falando, as pessoas desviam o olhar como se fosse algo que ninguém deveria estar vendo.” Bangchan riu fraco, sentindo o mais novo se mover levemente pela forma como seu corpo tremeu em seu riso.

“Isso é bom, não é? Assim as pessoas vão sempre tirar as câmeras da nossa direção quando estivermos juntos.” E Felix riu, afastando um pouco mais os joelhos em busca de conforto, sentado completamente sobre as pernas do mais velho.

“Ah, sim, é tipo um super poder. Contando que você não olhe feio pras pessoas falando comigo, vai ficar tudo bem.”

“Eu não olho feio pra ninguém.” Bangchan se defendeu, de forma inútil, já que ambos sabiam que não era realmente a verdade, e Felix rodou os olhos.

“ Você é uma lenda urbana da empresa por ser assustador quando fica bravo.”

“Você olha feio pras pessoas as vezes.”

“As vezes, mas é diferente.”

“Você olha feio pra mim várias vezes.”

“Mas você é diferente, eu posso olhar feio pra você porque você é um tonto comigo as vezes.”

“Eu sou tonto? Eu?” E mesmo que parecesse uma discussão, Bangchan não tinha força para colocar ênfase em suas palavras.

“Sim.” Felix respondeu prontamente. “And since we are never gonna proper date, you Will always be the dumb boy that I… like, which gives me the right to randomly get mad at you.” 

“Oh.” Bangchan resmungou, numa surpresa honesta. Ele piscou rápido os olhos pesados algumas vezes. Foi como ser esfaqueado e sentir prazer ao mesmo tempo. Sua boca ficou seca, e ele sentia que podia vomitar; mas seus estômago se encheu de borboletas doces e ele sentiu suas orelhas ardendo em rubor. Eles nunca iriam propriamente namorar, e um tiro doeria menos. Mas ele sempre vai ser o rapaz por quem Felix estava apaixonado. Sempre. Felix usou a palavra Sempre. “… Ok. I love… that you like me.” Ele acabou resmungando, e Felix se viu sorrindo novamente.

Bangchan pensou que por um momento, as luzes da sala haviam sido acesas; mas foi apenas a forma como ele se sentiu ao ver o sorriso de Felix.

“I love that you like me too.” Felix falava aquelas coisas com tanta naturalidade, que deveria ser injusto. A forma como o coração de Bangchan estava apertado, explodindo em fogos de artificio e se afogando no próprio sangue por ter sido esfaqueado não fazia sentido. Ele se perguntou por um momento se Felix se sentia da mesma forma. Mas ele ainda conseguia ver o rastro das lágrimas de Felix em seu rosto; então talvez aquela fosse uma resposta visual. “Obrigado por ter vindo, mesmo que eu tenha ficado irritado por você ter sido tonto comigo.” Bangchan se pegou revirando os olhos de forma amável. 

“Foi uma surpresa, eu jurava que você estava irritado com Hyunnie ou Hannie.”

“Não, era outro tipo de irritado.” Felix abaixou os olhos, juntando sua segunda mão à primeira, espalmando ambas sobre o peito de Bangchan, sentindo a textura do moletom, pressionando as pontas dos dedos para sentir os músculos por baixo.

“Another type of mad?” Bangchan ecoou, deitando a cabeça no encosto do sofá, deixando o peito aberto para o rapaz sentado em seu corpo. A aquela altura, as mãos de Bangchan estavam presas no elástico da calça que Felix usava, pousadas em sua cintura de forma confortável. 

“Yeap. Boyfriend mad.”

“…Ah.” Bangchan sentiu um riso fraco lhe escapar. “Is that What it is?”

“Yeap. Nós podemos nunca poder namorar realmente, mas isso não muda muito. Toda a aura de não olharem pra gente, é uma aura de-“

“Eu sei.” Bangchan interrompeu novamente, soando dolorido. 

“So, when I get mad at you, it’s boyfriend mad. Is that type of “oooh someone is sleeping in the couch this night” type of mad.” Bangchan não conseguiu evitar de rir um pouco mais, fechando os olhos, soltando o ar de forma dolorida, tentando desviar sua atenção da forma como Felix acabava se movendo pela forma como seu corpo se movia ao rir. Naquela posição, naquela hora da noite, naquele assunto, era o tipo de visão que ele não precisava ter. “What you laughing about? Hannie was the one who told me that we behave like that.”

“We?” Bangchan tentou entender, e Felix afirmou com a cabeça.

“Sim; eu te olho como se fosse fazer você dormir no sofá, e você abaixa a cabeça como se fosse ser posto para dormir no sofá. Todos eles já comentaram sobre isso; só não com você porque você corta o assunto.” E mais um rodar de olhos atrevido, antes de Bangchan o puxar pela cintura para que seu peito estivesse finalmente colado no do outro.

“Since when? Você jamais me colocaria para dormir no sofá.” Ele resmungou, entre os dentes, enfiando o próprio nariz na lateral da cabeça do mais novo, respirando o perfume dele de forma descarada, e Felix riu.

“Colocaria sim.” Foi o que ele resmungou entre um riso de cócegas, sentindo as mãos do outro lhe apertando com um pouco mais de força.

“Yeah ok, colocaria sim.”  Ele resmungou, e Bangchan não poderia provar, mas teve a impressão de que Felix se arrepiou quando riu contra seu rosto.  “ E eu dormiria no sofá, se você me mandasse dormir no sofá. Você quer que eu durma no sofá porque eu pedi pros meninos não deixarem você ir embora sozinho?” Ele provocou, Felix riu sozinho, sentindo a pele quente.

“No, you’re fine, you were cute.”

“I was cute?”

“Yeah, você não brigou de volta comigo, e veio me acalmar. You were cute.” Bangchan abaixou o rosto na curva do pescoço de Felix, sentindo a pele do outro contra seu rosto. Aquela era a parte mais complicada, não era? Quando ele podia tocar Felix daquela forma. Encarar e comentar sobre aquelas verdades difíceis não era tão difícil quando eram apenas os dois; nada nunca parecia tão difícil quando eram apenas os dois. Mas caso qualquer um dos outros membros lhe perguntasse sobre qualquer aspecto de tudo aquilo, ele não responderia. Ele não poderia.

Ele sequer saberia o que responder. 

“Hey Chris,” Felix chamou, suas mãos espalmadas em seu peito subindo até seus ombros novamente, passando até que estivesse abraçando o mais velho pelo pescoço. Bangchan não se atreveu a tirar o rosto da curva do pescoço do loiro, imaginando qual seria a visão de Felix sentado em seu colo naquela aura específica.

“Hhhm?” Ele respondeu, lânguido. 

“Since we are not dating but we kinda ar-“

“HHUMM.” Bangchan acabou o interrompendo quase sem querer, grunhindo contra seu pescoço de forma alta, quase como um cão, e Felix riu ao invés de terminar a frase; não apenas pelo barulho que o mais velho fez, mas pela forma como sua respiração em seu pescoço o fazia cócegas. 

“Can I kiss you?” E o silêncio da sala se tornou tão alto que Bangchan poderia jurar que estava ouvindo o próprio sangue começar a correr mais rápido dentro de suas veias. Podia ouvir a ar se expandindo, ouvir as ondas de calor emanando de seu corpo e se envolvendo ao corpo de Felix.

Não seria a primeira vez. Eles já haviam se beijado algumas vezes, esporadicamente, apenas porque sim. Depois de uma briga, apenas para garantir que não estavam bravos. No meio de uma crise de choro de Felix, pequenos beijos apenas para que ele respirasse melhor, e se acalmasse. Após uma grande vitória, com gosto de champanhe no banco de trás de uma van enquanto os outros já estavam dormindo, ou muito ocupados com seus celulares. Quando Felix voltou para o dormitório depois de ter sua eliminação cancelada, e ele estava tão feliz e tão assustado que não conseguia dormir. Quando estavam numa competição com ídolos demais e a mistura entre possessividade de Bangchan e os nervos de Felix os fizeram orbitar juntos de forma quase doentia. Sempre apenas porque sim; até que as perguntas começaram a ficar muito mais altas do que o acordo silencioso de que podiam fazer isso. Porque eles não poderiam, em teoria. Porque nada daquilo significava muito, em teoria. Porque eram apenas beijos, e não haviam muitas mãos, ou línguas. 

Menos na última vez, no banco de trás da van, regados a champanhe. Ali houveram mãos, e línguas, e dentes, e se Seungmin não houvesse suspirado um pouco alto demais, Bangchan sabia que teria puxado Felix para seu colo; ele já estava praticamente lá, de qualquer forma. Foi quando Bangchan reparou que talvez a mentira que ele havia contado para si mesmo, de que apenas pequenos carinhos já seriam mais do que o suficiente e ele seria capaz de viver daquela forma para sempre, não passava de um monte de baboseiras, e se ele não arrancasse aquelas malditas calças de Felix e o fizesse chorar de prazer nos próximos cinco minutos ele iria morrer. 

O que lhe ajudou a entrar em acordo com suas mentiras se despedaçando diante de seus olhos, foi encarar Felix, e ver nos olhos dele as mesmas mentiras desmoronando. Então ambos passaram os últimos anos dizendo para si mesmos sobre como apenas pequenos beijos eram mais do que suficiente e apenas uma brincadeira e nada demais e que jamais evoluiria, apenas para descobrirem que era mentira. Aquilo evoluiria. Aquilo evoluiria muito. 

“Wanna kiss me?” Bangchan resmungou, quase num sussurro, contra o pescoço de Felix, não se atrevendo a erguer os olhos para encará-lo.

“… yeah.” Felix admitiu, num sussurro igual, como se pudessem ser ouvidos. Como se estivessem trocando segredos de estado. “ No parque, no Japão, eu achei que você fosse me beijar enquanto eu chorava. Depois da montanha russa.”

“Baby, no meio do parque?”

“I knoooow.” Ele resmungou lânguido, ainda mantendo o sussurro. “Mas é só um exercício de respiração. Me ajuda a me acalmar.” E Chris riu.

“Aaah I see I see, so that What it is.”

“yeah.” Os braços de Felix se dobraram, os dedos se embrenhando pelos cabelos de Bangchan, e o líder pode jurar que seus olhos se reviraram mesmo com eles fechados. Estavam tão próximos. Estavam se abraçando com tanta força.

“Are you sur-“

“yeah.” Felix interrompeu, e Chris soltou outro meio riso, juntando em si alguma coragem necessária, tirando sua cabeça da curva do pescoço do mais novo, para se sentar direito novamente, encarando o loiro diante de seus olhos. 

“Lixie, we are home alone. Are you sure?” Ele insistiu, e novamente, o silêncio da sala e da casa, em geral, parecia alto demais. “Look at us.” Ele resmungou, sentindo seus dedos se afundando na cintura que segurava, puxando o outro contra seu próprio quadril muito gentilmente; apenas para provar um ponto, e nada mais. 

“It’s ok.” Felix foi rápido em responder; rápido até demais, talvez. Bangchan riu pela certeza que deixou os lábios do mais novo, desviando os olhos ao notar como o loiro se inclinava em sua direção.

“Is it now?”

“Yes.” A mesma velocidade. “And what about- you? Você não quer? É isso? Se você não quer então tudo bem.” ele deu de ombros, se afastando mínimo de sua forma afetada, e Chris sabia que era apenas para ser segurado novamente, apenas para ser puxado com mais força; e quem era ele para não atender a expectativa.

Beijar Felix sempre exigia de Chris um momento de descontrole; menos nas vezes em que o loiro havia iniciado o contato. O mais velho tomou aquele momento como um pouco mais do que descontrole; foi quase um prêmio. Um pequeno mimo, um presente, como alguém que compra um doce superfaturado no final de um dia exaustivo apenas para se permitir. Já fazia tanto tempo desde que Bangchan havia beijado Felix, que o ar de seu pulmão foi roubado como se tivesse levado um soco no estômago, quando se deu conta. A textura dos lábios do mais novo contra os seus, a forma como ele deixou de se afastar, o silêncio da casa sendo pesado o suficiente para empurrar ambos um pouco mais naquele sofá. Bangchan derretia sobre o lugar, o corpo do loiro sobre si cada vez mais quente e mais presente. Era apenas um beijo, um selar de lábios, olhos fechados e respirações suspensas. E mesmo assim, quando os lábios se separaram em busca de ar, Bangchan sentia sua pele arrepiada.​´​

“Você sabe a resposta.” O líder resmungou, quando o beijo de ambos se separou por alguns instantes, lábios não mais do que milimetros de distância. A resposta sendo jogada dentro da boca de Felix, se tornando assim o segredo mais seguro do mundo; saindo de dentro do peito de Chris e sendo despejado dentro do corpo de Felix, as palavras sem tempo sequer de serem tocadas por ar que não fosse a respiração de ambos. Bangchan sentia que poderia despejar qualquer coisa daquela forma; nada daquilo nunca se tornaria real. Seria apenas entre eles, seria seguro, seria um segredo. Talvez ele pudesse dizer sobre como havia lutado por semanas para tentar não olhar na direção de Felix quando se conheceram; talvez ele pudesse falar sobre as noites sem dormir, sobre os sonhos. Sobre como desde o primeiro momento em que pousou os olhos no outro rapaz, Bangchan sabia que jamais adoraria outra pessoa com tanta intensidade.

“I do.” Felix retribuiu o segredo, exatamente da mesma forma, e Chris sentiu o peso das palavras dele se embrenhando em seus órgãos e fazendo uma casa no fundo de seu estômago. Daquela forma, na casa escura e silenciosa, com o rosto ainda úmido de lágrimas de Felix, as mãos firmes de Christopher em sua cintura, talvez naquele momento, eles pudessem tirar as máscaras de todo dia, e admitir que tudo aquilo era o único arrependimento de ambos. Não terem uma vida que os permitissem viver fora do escuro seria um arrependimento eterno, mas não grande o suficiente. A forma como Felix voltou a beijá-lo fez Chris sentir seu coração, que começou a se partir ao pensar na realidade, sendo imediatamente colado de volta. Não havia a menor chance de seu coração se partir enquanto tinha Felix ao seu alcance. Mesmo que não inteiro. Mesmo que apenas daquela forma. Ainda era sua forma. Seu.

Os braços de Felix se apertaram em seu pescoço, sua cintura roçou contra seu colo de forma inquieta antes de beijá-lo novamente; e era sempre a língua de Felix que lhe cortava os lábios primeiro. Chris acabou sorrindo sozinho contra o beijo, permitindo-se ser invadido pelo carinho do mais novo; e fazia sentido. Felix gostava de abraços tanto quanto gostava de beijos, Bangchan sabia. Se ele acabou apertando ainda mais o corpo do rapaz ao cruzar com aquele pensamento, o puxando para mais perto, aprofundando um pouco mais o beijo de forma agressiva o suficiente para fazer Felix perder o fôlego contra seus lábios, não foi por um ímpeto de ciúmes que o tomou. É claro que Felix gostava de abraços e de beijos, mas ele deveria gostar mais dos abraços e dos beijos de Christopher. E o mais velho o abraçaria e o beijaria de forma a garantir isso. Não por ciúmes. Apenas porque parecia o certo a se fazer.

Havia saliva, e calor, e o som que as os lábios fizeram ao se separar ecoaram na casa silenciosa, arriscando expor o segredo de ambos para a grande platéia vazia que havia ali. Talvez os membros estivessem certos; porque Bangchan não tinha com quem dividir Felix naquele momento, e mesmo assim ele estava incomodado. Havia muito espaço. Ele não queria compartilhar Felix com o espaço, não queria que a voz de Felix ecoasse a esmo. Tudo aquilo deveria ser seu, apenas seu. As paredes não mereciam que a voz de Felix reberverasse por elas; os espelhos não mereciam o reflexo dele. 

Foi um pequeno som, parecido com dor, que escapou de Felix direto nos lábios de Bangchan, que fez o último reparar que estava fincando as unhas com força demais, apertando o corpo do outro com agressividade demais, dentes se apertando nos lábios do mais novo sem  necessidade. E não foi realmente muito difícil para ele aliviar a pressão, diminuir o ritmo, afrouxar os dedos. Não havia motivo para algo assim ser difícil, e exigir concentração.

“Sorry”, ele resmungou, uma camada de saliva que não pertencia a exclusivamente nenhum dos dois lhe cobrindo os lábios, numa mistura definitiva de ambos. Haviam outras coisas que um dia poderiam ser misturadas entre eles; mas Bangchan não poderia pensar a respeito daquilo. Ele já havia encarado verdades demais nos olhos naquela noite, mergulhado o mais fundo possível naquele abismo naquela noite. Ele precisava de um limite.

“ who told you to fucking stop?” Felix resmungou contra seus lábios, apoiando os joelhos melhor no sofá para aproximar o corpo do outro, como um gato buscando calor; uma das mãos do loiro subindo até os cabelos do moreno, seus dedos se embrenhando nos fios do outro de forma quase igualmente agressiva. “Don't make me boyfriend mad now.” Bangchan fechou os olhos ao som da voz do outro, sentindo seu olhar rodar até o topo de sua cabeça com as palavras que ouviu. Não era justo da parte de Felix lhe dizer algo assim, naquele tom de voz baixo, lhe puxando os cabelos, e simplesmente esperar que seu corpo não reagisse. 

Bangchan já havia ficado excitado ouvindo aquele tom de voz de Felix em situações muito menos propensas do que a qual estava agora. Ela não era um homem tão forte assim.

“Never, little one,” ele sentiu as palavras lhe escapando dos lábios antes que pudesse propriamente raciocinar elas, e seus dedos se apertaram nos ossos saltados da cintura de Felix novamente, atendendo prontamente ao pedido dele. Sua voz num contraste ideal a de Felix; porquê enquanto a voz de Felix queimava como o romper de fogo, grossa, quase autoritária, como ouro derretido escorrendo pelos cantos, a voz de Bangchan era o oposto. Doce, suave, como a luz da Lua dissipando a escuridão da noite. Tímida, aérea. A forma como Feliz reagiu também deixou claro que a reação à voz não partia apenas de Bangchan, e novamente, era sempre bom quando Felix lhe dava aquele tipo de confirmação. Mesmo que fosse num resmungar tímido enquanto se esfregava um pouco mais contra o corpo do líder.

“Chris-” Felix resmungou, antes de colar seus lábios contra os do maior mais uma vez, num beijo cálido. “Chris-” ele repetiu, antes de beijar o outro mais uma vez, e Bangchan se pegou sorrindo.

“Hm? O quê?” ele perguntou, se permitindo ficar ali, derretendo contra o sofá, sendo beijado outra e outra e outra vez por Felix, que ainda tinha uma das mãos cheia de seus cabelos, a outra com dedos tímidos em sua nuca.

“Can we? Por favor? Chris, por favor?” ele resmungou, com os lábios partidos roçando contra os de Bangchan; que abriu os olhos em quase surpresa ao ouvir a forma que o outro lhe resmungou numa quase súplica, encarando Felix nos olhos e vendo o mais novo se sentar em seu colo prontamente, se movendo insinuativo o suficiente para fazer Bangchan não conseguir lhe responder em língua alguma. Nenhum pensamento coerente cruzando sua mente.

“O quê?” ele resmungou, após um punhado de palavras gaguejadas e piscadas desnecessárias.

“We are not dating but we are, can we do it? Please?” a forma como o mais novo se movia em seu colo deveria ser um crime. Era imoral, insinuativa, pervertida, teatralmente perfeita para esfregar a imagem no fundo da mente de Bangchan com tanta força que ele jamais seria capaz de esquecer. 

“Felix-” Ele resmungou, com lábios entre abertos e olhos em uma súplica totalmente diferente da que Felix fazia. Christopher estava lhe implorando para não ser obrigado a viver uma vida com a imagem tão clara de como seria poder efetivamente se enterrar em Felix até que o loiro não conseguisse respirar, de novo e de novo e de novo até que ele não conseguisse falar ou pensar ou ser algo além daquilo. Felix lhe encarava em uma súplica escancarada para ser transformado naquilo. Se o pecado original existe, ele não chega aos pés do que o rosto de Felix se tornou enquanto implorava aquilo para Bangchan. Implorava para ser fodido de tal forma que nenhuma língua lhe fizesse sentido; ele finalmente não teria que se preocupar com qual língua usaria para falar, porque tudo o que ele seria fisicamente capaz de fazer seria chorar e chamar o nome de Christopher. O mais velho tinha certeza disso. Tanto que-

“YA- YA YAH!!” a voz que cortou a sala foi alta o suficiente para que Felix pulasse para mais próximo​ do corpo do maior, que o abraçou pelas costas num instinto estranho, ambos virando os olhos para o corredor de entrada, onde um Changbin com um celular pressionado contra o ouvido os encarava de volta com olhos grandes e boca aberta. “Sim! Sim, eles estão ocupados, sim! Yaaah Hyunjinah, ​​Não-!” ele continuava dizendo, não conseguindo desviar os olhos da cena no sofá por bons instantes, antes de finalmente conseguir.

“Changbin-” Bangchan tentou, enquanto Felix quebrava num riso escandaloso.

“Eu vou ai, eu vou, desculpa, eu já estou saindo, eu prometo YA Hyunjinnie!” O outro continuava disparando ao celular, antes de fazer uma reverência rápida aos outros dois. “Desculpa, eu já vou, eu já vou-” ele resmungou aos outros dois, num tom de voz muito mais baixo, enquanto Felix ria.

Bangchan deu dois tapas leves contra o rapaz sentado sobre seu colo, num tom de brincadeira.

“This will get messy. Go talk to him, let’s go have dinner yeah?” e Felix o encarou com olhos pequenos brilhantes, um bico levemente descontente nos lábios.​

“Ne Hyung…” ele resmungou, escorregando das pernas do maior com cuidado, se erguendo para ir até um Changbin que saia do apartamento com a maior velocidade que conseguia pelo corredor escuro. Felix chegou a dar as costas ao mais velho ainda largado no sofá, antes de voltar e se debruçar sobre​​ ele com uma mão firme em seu joelho, apenas para roubar-lhe um último beijo​ cálido, antes de sair pelo corredor em busca de Changbin, que ainda prontamente se desculpava fervorosamente com Hyunjin no telefone.

Bangchan cobriu o próprio rosto com ambas as mãos, esfregando-o com certo empenho. Aquela não havia sido a primeira vez que algo assim acontecia, e ele sabia que não seria a última. Ele só precisava aprender a consolar e apoiar Felix em seus momentos de stress sem terminar na situação em que terminaram. Mas ele não aprenderia, porque ele não queria aprender. Ele conseguiu ouvir o riso de Felix vindo do corredor, e contanto que ele estivesse sorrindo, nada mais importava. Ele seria o que quer que Felix precisasse para sorrir daquela forma, e nada mais importava.

Notes:

(☍﹏⁰)
você chegou até aqui. Obrigado ♡

Se quiser gritar comigo: @yongminxxie no tt! Eu também estou tentando criar coragem de postar algo para o Halloween, então...

All the love, always!