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Lavinho encara a tela do celular, verificando a localidade mais uma vez. Ao redor, já consegue notar a diferença de ambiente desde que saiu da Espanha, apesar de ainda se encontrar no aeroporto. A mensagem de Bachira chega, enquanto o acumular de vozes e o vai e vem de malas estão ao seu redor.
“Tem certeza que não quer carona?”
Ele digita um singelo “não, tudo bem! Estou chegando” enquanto guarda o celular no bolso e segue caminho entre as pessoas. Saindo do aeroporto imediatamente, solicitando um carro até o endereço . Ele poderia ter feito essa viagem de um jeito mais luxuoso. Com seu próprio jatinho e alugado um carro para todos os dias. Mas ele não queria deixar a família de Bachira desconfortável com coisas espalhafatosas.
Dentro do carro, ele cumprimenta o motorista, arriscando o japonês de improviso que Bachira o ensinou e ganha um cumprimento de retribuição do motorista jovem, que segue caminho. Olhando pela janela, ele percebe que as ruas do Japão são caracteristicamente diferentes de Barcelona e do Rio. Lavinho gosta de novos cenários, ele repara no tamanho menor das ruas, as sequencias de ladeiras e como tudo parece perfeitamente limpo. A arborização lembra um pouco seu bairro em Barcelona. Será que da para fazer uma pelada naquelas ruas? Em Barcelona ele só joga futebol nos campos e parques, o futebol de rua deixa sua saudade.
O carro para próximo da singela casa. A residência de Bachira possui uma fachada branca, com uma cerca amarela baixa. O tom de amarelo logo o chama a atenção. É impossível agora ver a cor e não lembrar de Bachira. O garoto marcou sua memória em um lugar sensível. Ele realmente gosta de sua vitalidade e humor. Além da forma de jogar de Bachira ser algo singular. Algo admirável do jeito que ele gosta. Espontaneidade.
Ele improvisa no japonês agradecendo ao motorista e descendo do carro. Lavinho não sabe bem como as pessoas se anunciam em japonês, de toda forma, ele recorre a mandar uma mensagem.
“Cheguei, garoto!”
O som de uma aporta abrindo o faz erguer a cabeça. Ele vê o jovem correndo até o pequeno portão. Os olhos de Bachira possuem a mesma vida que da última vez que o viu. Porém, existe um toque de...maturidade. Ele já esperava. Bachira com certeza estava crescendo.
— Mestreeeee – Os olhos do garoto brilham e seu sorriso abre de uma ponta a outra. Lavinho odeia um pouco admitir, mas Bachira desperta a maldita vontade de ser pai.
Ele detesta esse sentimento, até porque em pouco tempo vai ter que voltar a Barcelona e isso faz com que uma despedida seja mais complicada do que o esperado. E sim, ele estava entrando na casa dos 30 e talvez fosse apenas a maturidade da idade batendo ou qualquer outra teoria maluca. Em determinada hora ele sabe que vai encerrar a carreira, então talvez fosse apenas o começo da busca pelo que vem após a aposentadoria.
Mas definitivamente não era vontade de achar um amor.
— E ae! – O inglês de Bachira melhorou bastante, ele realmente tem se dedicado para começar a carreira internacional, então é mais fácil se comunicarem sem os tradutores automáticos do que antes. – Como você ta, garoto?
— Treinando...de um jeito diferente. – Ele da um pequeno pulinho — Eu virei professor!
— O que?! Por que?!
— Ordens do Ego! Tenho uma missão nisso. – Ele ergue uma sobrancelha— Deve nos ajudar na copa...
— Esse cara é maluquinho, né? Ele é chato, mas até que eu gosto de umas coisas dele. – Pôs as mãos no cabelo do aluno, que estava mais curtinho. — Depois você me fala disso, viu?! Mas cadê sua família?
— A minha mãe ta no atelier lá dentro! Vem! – Puxou sua mão para dentro da residência. A entrada da casa possuía um pequeno jardim, adornada com alguns arbustos floridos. Bachira ia o puxando pela grama bem cuidada, para dentro, abrindo a porta chegou até a sala. Quadros decorativos nas paredes e coloração salmão rodeavam o lugar. Com aparatos comuns como mesa central, uma tv e telefone. Caminhando pelo chão de madeira, Bachira o levou até um cômodo ao fundo, parecendo a porta de um quarto. Bateu antes de entrar, escutando uma feminina autorizar com um possível “Entra!”.
A mulher de costas estava sentada em um banquinho, segurando um cavalete lotado de muitas cores. Um grande rabo de cabalo castanho balançava de um lado pro outro, enquanto seu corpo mexia-se levemente devido aos movimentos com o píncel.
Ele tentou vê o que estava sendo pintado no quadro. Mas o rosto que virou chamou sua atenção. Grandes olhos em tom de mel como os de Bachira o fitaram, um rosto delicado, porém de feição incisiva, seguido de um sorriso leve. Aquilo o chamou mais do que a curiosidade em um quadro. Lavinho tem quase trinta anos, ele sabe quando acha uma mulher bonita.
— Ela fala inglês? – Ele questiona ao pupilo.
— Sim – Ela responde com uma voz que deixou seus instintos alegres. Sanando suas dúvidas. — Então esse é seu treinador? É um prazer, Lavinho!
—Ah...não! Eu só o acompanhei na liga! Sou mais um amigo mesmo. – Lhe da o melhor sorriso que tem — Mas é um prazer senhora Bachira!
— Pode me chamar de Yuu! – Ela solta uma risadinha. Largando o cavalete e os pinceis em um apoio próximo. — Posso conversar com ele, bebê? – Ela olha para sua nem tão pequena cria.
— Claro! Vejo vocês depois! – Bachira vai se retirando.
— Então você é o bebê é?
— Só dela! – O garoto lhe mostra a língua saindo em uma risada.
A sós, ele repara no atelier. Em todos os quadros e nas diferentes imagens tingidas. Desde paisagens bucólicas, até formas surrealistas difíceis de entender. Os móveis coloridos de tinta, como toda a casa parecia ser na verdade. As paredes envidraçadas, deixam o sol entrar, que parece se fundir com os desenhos. Yuu no meio daquilo com seu macacão rosa. Lavinho remete a quando dizem que ele parece ter sido feito para estar no campo. Ela parece feita para a bagunça colorida.
— Hum...posso te chamar de Lavinho mesmo?
— Com certeza!
— O que acha dele? Ele recebeu uma proposta para o seu time. Ele vai ficar bem?
A preocupação de uma mãe sobre sua criança e isso é tudo que ele provavelmente vai receber ali.
— O time não é exatamente meu – Ele da um sorriso tímido — Mas os meninos mais novos costumam ficar bem no Barcha. Ele ta com muita habilidade sabe, Bachira provavelmente vai ser novo fenômeno.
— Ele sempre teve essa energia. Esse senso de explorar sabe. Acho que o ajuda em campo. Eu incentivo muito. Mas me preocupa. –Ela se apoia na pequena bancada próxima, com alguns baldes de tinta em cima — Ele vai ficar bem na Espanha?
— Posso ajuda-lo quanto ao dia a dia! Eu gosto muito dele. Não se preocupe!
— Você não tem ideia do quanto eu escuto sobre você! Todos os dias ele tem algum detalhe...” Ai o Lavinho me ensinou isso” “Me ensinou aquilo” e você vai ensina-lo a surfar?!
— Tenho que falar ao Bachira que tem coisas que não se conta para a mãe!
— Não ouse! Ou eu vou faze-lo dançar, hein!
E ele absolutamente dançaria com aquela mulher.
— Você assistiu tudo mesmo?!
— Não perdi nada! Eu amo meu garoto. Eu também amo todos os outros garotos que estão ao lado dele desde que começou tudo isso!
O jeito que ela sorri ao falar dos meninos do Blue lock é a coisa mais fofa que seus olhos já enxergaram. E olha que ele ja viu pandas na China.
— O pai dele está em casa? Eu gostaria de falar também com ele.
Ela pôs as mãos na cintura, sem perder o sorriso — O pai dele sou eu também!
— Desculpa! – Bachira nunca deu muitos detalhes sobre a família. – Eu não sabia.
— Ta tudo bem! Só uma historia chata sobre “Não estou preparado para ser pai” e ele foi embora. Mas não pretendo deixar que volte. Ainda mais quando Meguro aparecer mais na mídia.
Como alguém se recusaria a ser pai daquele garoto? Ele era completamente adorável. Ele queria o levar para outro continente.
— É verdade. Atualmente o Isagi esta aparecendo mais, mas com a copa isso com certeza vai mudar. A impressa vai cair mais em cima do Bachira. Quero conversar sobre isso com ele.
Essa parte daquele trabalho era tão chato. Repórteres enxeridos são chatos.
— Obrigada por cuida dele! – O sorriso que ganhou para si acelerou seu coração um pouco. — Você não sabe...é tão bom vê o quão amado ele é por vocês!
Ele estica um pouco o pescoço, fitando quadro que estava sendo pintado. Parece um céu diurno, ainda em andamento.
— Está ficando lindo.
— Isso? – Se aproxima do quadro, ela exagera na cara de descontentamento. Não ficando menos bonita — Ta bom para o cliente, mas não ta nem perto de bom de verdade. Posso fazer melhor.
— Eu achei incrível! – Se aproxima do quadro também.
— E você entende de futebol e eu de pintura, não é?
— É chato ficar se cobrando assim! Esta bonito!
Ela solta uma risada longa, jogando a cabeça para trás. — Você continua entendendo de futebol. Mas eu entendo de arte. Isso não está bom! Mas obrigada.
— Mas eu entendo de diversão também, viu! – Ele sabe que estão bem próximos, ele consegue sentir o cheiro de tinta de suas roupas.
— E que tipo de diversão, senhor?
— Várias.
Ela tomba a cabeça o lado um pouco, avaliando algo. — Jante com a gente hoje.
— Mesmo? – Um sorriso gracioso surge nele.
— Claro! Ele adoraria.
— E você...não? – Ele entrega uma expressão marota.
— Eu também adoraria.
