Work Text:
"I know my girlfriend is a witch"
Isaac Lahey estava quase convencido que sua namorada era uma bruxa.
Não era por sua aparência... Tá, talvez um pouco.
Thalía Thorne era uma gótica bem estilosa. Sempre com vestidos pretos que caiam perfeitamente em seu corpo, até os mais simples se tornavam artigos de luxo com alguns acessórios em prata. A maquiagem com uma boa camada de pó branco e um delineado criativo, o cabelo naturalmente loiro tingido de preto, com uma franja triangular e um corte na moda da qual vivia com amor, batom forte, botas pesadas e desgastadas. Ela era linda em todos os sentidos. Era a pessoa mais única e cheia de personalidade de Isaac já conheceu.
No começo, quando Thalía ainda era uma recém-chegada na cidade, e Isaac ainda era um humano comum, sem nada de especial, ele ficava a olhando a distância, ciente de que aqueles olhos verdes jamais se virariam na sua direção. Lahey tentava não ficar encarando muito, o que era um pouco inevitável, por que estava ciente dos comentários idiotas dos valentões como Jackson, e por que não teria um buraco para se enfiar caso ela percebesse e o achasse um tarado esquisitão.
Ela era bonita, tinha um sorriso com presas de vampiro, o que pensou que poderia ser seu segredo, achava que Thalía estava longe de ser humana, mais perto da espécie fictícia do que de reles mortais como todos os outros. Existia uma graça e leveza que envolvia cada movimento dela. Notou que Thalía era canhota, morava em uma casa perto da floresta, a que sempre lhe causou arrepios quando criança, ela gostava de música fonk e não ligava para os comentários sobre sua aparência. Sempre tão segura de si, que o causava uma extrema admiração.
Sua quedinha por Thalía cresceu quando ele ficou preso no armário dos zeladores, ocasião fruta de uma brincadeira idiota dos meninos que gostavam de ficar no seu pé sempre que possível. Aquele lugar pequeno causou uma irremediável crise de pânico. Sua batidas desesperadas na porta não foram de mais valia do que os gritos roucos que beiravam as lágrimas. Quando já estava perto de desistir, a tranca da porta se abriu como um passe de mágica, ele ficou tão incrédulo que não teve reação, nem quando a porta se abriu sozinha e mostrou Thalía do outro lado do corredor.
Ela sumiu por um tempo, mas depois Isaac descobriu que alguém envenenou o almoço de todo o grupo de idiotas valentões com alguma espécie de erva que fez com que todos se reunissem na emergência do hospital municipal. Foi naquela mesma época que Isaac foi transformado por Derek Hale, finalmente conseguindo força para sair daquele ciclo em casa e na escola. De algum modo ele achava que Thalía havia notado a mudança, o jeito que ela olhava para ele se tornou mais suave, mais gentil, como se começasse a entende-lo melhor.
Mas foi em uma aula de química quando conversaram pela primeira vez, quando ela lhe emprestou uma caneta antes da prova. Desde aquele dia ela parecia correr atrás de todas as oportunidade para conversar, Isaac agradecia, porque mesmo com a confiança lobisomem recém adquirida, não havia mordida no mundo que lhe desse o poder de não ficar com as bochechas vermelhas na frente de Thalía.
A aproximação foi rápida e antes que pudessem perceber haviam se tornado bons amigos, que passavam horas conversando e divagando sobre os mais improváveis assuntos. Era bom conversar com Thalía, como se o assunto não tivesse fim.
O primeiro encontro foi na casa de Thalía, um lugar que já havia se tornado confortável e seguro para os dois. Assistiram Jovens Bruxas, e a Thorne fez pequenos comentários que o deixaram um pouco pensativo, alguns rituais feitos no filme que ela dizia baixo "Não é assim" depois de um riso leve.
Depois de alguns meses de namoro, Isaac estava mais atento a esses momentos, porque sempre tentou deixá-la longe do mundo sobrenatural para a proteger, mas e se Thalía já estivesse presa nele?
Lahey fez uma pequena lista de coisas que poderiam indicar que Thalía era uma bruxa, algumas foram tiradas da internet em uma noite insone, outras que foram dicas de seu experiente alfa.
Ela tem um gato preto chamado Salem, o que para Isaac já era o bastante, mas Derek discordou. Dizendo que aquilo combinava perfeitamente com sua personalidade.
Thalía tem um pequeno caderno de couro feito a mão que leva para todos os lugares, mas sempre que é pega escrevendo coisas secretas nele, ela o fecha e lhe dá um sorriso suave. Derek disse que poderia ser um grimório. Ele mandou que desse uma checada no conteúdo, porém Isaac jamais iria violar a privacidade da namorada ao olhar o diário bem guardado. Andava bem mais observador do que o normal, esperava que não estivesse sendo muito estranho.
Havia acabado de entrar pela porta da cozinha da casa de Thalía para pegar um pouco de água para ela, que estava se arrumando no andar de cima. Olhou para a bancada, sentindo o cheiro de queimado. No centro de um prato de vidro, protegido por um círculo de sal grosso, estava uma vela branca, acessa. Um feitiço simples.
"Para que serve a vela na cozinha?" Isaac perguntou, colocando o copo de água gelada na penteadeira que Thalía estava sentada, passando chapinha nos fios tingidos.
"Proteção." Ele tinha que admitir, sua namorada tinha um talento especial para respostas vagas. Nem tirou os olhos do espelho. Lahey se aproximou, ficando atrás dela, passando os dedos pela raiz loira do cabelo, que começava a se tornar mais aparente. Notificando uma necessidade de um retoque em breve, os momentos mais diversos para ele.
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Isaac passava os dedos gelados com calma e carinho pela pele de Thalía, deitados na cama do quarto dela, a cabeça encostada na barriga dela, logo ao lado da tatuagem que tinha sua atenção, um pentagrama pequeno em linhas delicadas. Thorne lia um livro enquanto passava a mão pelas costas desnudas dele. Estava frio, o que dizia que tinham um cronograma regrado de deitar debaixo das cobertas, agarrados, assistindo filmes antigos.
Isaac divagava quase tanto quanto seus dedos que exploravam a pele exposta, Thalía estava encostada na cabeceira da cama e Lahey deitado em seu colo, o céu nublado tomava de conta da janela grande do quarto.
"Quantos anos tinha quando fez ela?" O garoto deixou um beijo casto em cima da tatuagem antes de se levantar sobre os cotovelos, encarando a namorada, que tinha o rosto brilhante de hidratante. Ela usava muita maquiagem e cuidava bem da pele. Era uma dedicação que Isaac ficava impressionado, mesmo morrendo de sonoo, Thalía nunca deixava os olhos pesados ganharem de uma boa skin care.
"Quinze, eu era um adolescente rebelde." Thalía abaixou o livro, passando a mão pelos cachos dourados do namorado. "Tem vontade de fazer uma?"
Isaac sabia que uma marca permanente na pele de lobisomens só poderiam ser feitas com fogo, mentiria se dissesse que não tem receio.
"Talvez." Lembrou da tatuagem de Derek e Scott, eram coisas com bons significados.
"E o que você faria?"
"O seu nome bem grande tatuado no peito." Passou o dedo de ponta a ponta no peitoral, arrancando uma risada sincera de Thalía, que o puxou, deixando um leve selar em seu lábios, carinhosos e gentis. Ele se ajeitou, deitando a cabeça em seu peito.
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Isaac estava andando pela floresta, rumo a propriedade dos Hale, para se encontrar com Derek. Sempre detestou como as árvores davam um jeito de parecer ainda mais sombrias quando ele estava desconfiado, os galhos que sussurravam coisas perigosas em seus ouvidos, os troncos que o faziam se enganar e virar a cabeça rapidamente achando que era alguém. Às vezes pisando em algum inseto escondido nas folhas caídas e o assustando. Seus ouvidos mais atentos do que o normal, captando cada pequeno movimento aos arredores.
Se esconderia para bisbilhotar quem estava abaixado no meio da floresta reunindo pequenos galhos, cantarolando uma melodia familiar das músicas do David Bowie, se esse alguém não fosse sua adorável namorada. O pescoço envolto de um cachecol dele, os braços tentando equilibrar os ramos secos enquanto procurava por mais. Descartou a possibilidade de ela estar juntando lenha, por que não havia necessidade já que possuía fogão a gás, e eram galhos pequenos e finos demais. Thalía os trazia para perto do rosto, os examinando, procurando os melhores, fazendo uma seleção minuciosa. Encostada em uma parede estava um galho mais grosso e alto, deveria chegar perto da altura dos ombros da Thorne.
Uma coisa veio a cabeça de Isaac imediatamente. Bruxas precisam de vassouras .
"O que está fazendo, meu amor?" Imaginava que tipo de desculpa ela daria para estar abaixada no meio da floresta segurando galhos secos. E do jeito que Thalía era boa nisso, inventaria algo com rapidez e a cara nem tremeria.
"E você, meu bem?" Thalía se levantou, não parecia surpresa ou assustada com a presença dele ali, talvez já soubesse que Isaac estivesse na floresta antes mesmo de ele entrar.
Isaac se aproximou, poucos centímetros os distanciavam, estava levemente cansado disso, desse esconde esconde, do mesmo jeito que inventava desculpas sobre a alcateia, ela traçava ótimas e convincentes mentiras sobre tudo que fazia. Sempre teve vontade de contar sobre sua vida secreta para ela, mas Derek sempre o aconselhou a mantê-la longe de tudo isso, que seria melhor e mais seguro assim. Sentia que não aguentaria esconder mais nada de si longe da luz, teria que dizer seus segredos para que Thalía pudesse fazer o mesmo, tinham que ser justos.
"Eu sei que você é uma bruxa." A frase saiu tão estupida de seus lábios que se achou idiota, se sentia envergonhado e iria colocar a cabeça em um buraco se Thalía risse.
Obviamente ela não riu, Isaac tinha certeza que nunca a viu com raiva, ou surpresa, era como se nada no mundo pudesse a tirar de seu envoltório de calma e tranquilidade, da sua expressão neutra e sorrisos bobos. Era como se Thalía estivesse a espera de tudo.
"Eu sei que você é um lobisomem." A afirmação baixa foi tão certeira e precisa quanto um corte de navalha. O coração de Isaac deu um leve pulo.
É claro que ela sabia, Thalía Thorne sabia de tudo de um jeito assustadoramente sobrenatural.
Ficaram se encarando por alguns segundos. Longos segundos, que logo foi quebrado por um riso nervoso de Isaac, perplexo, entre o desespero do segredo revelado e o choque de ela não ter negado a afirmação dele, era tudo que ele precisava para poder dormir em paz depois de tantas noites insones e dores de cabeça proporcionadas por martelar esse assunto em sua cabeça.
Thalía o acompanhou na risada, que a cada segundo se tornava mais real, mais leve e verdadeira. Isaac segurou seu rosto pálido entre as mãos grandes e a beijou com força, feroz e cru, a língua adentrado a boca dela assim que recebeu uma permissão satisfatória, os lábios pintados de vermelho mancharam os dele e Isaac não poderia se importar menos, sendo bem sincero, adorava borrar o batom dela em qualquer oportunidade. Principalmente quando estavam a sós.
Bruxa ou não, Thalía era a pessoa que Isaac mais adorava no mundo. E um pouco de magia apenas o puxaria ainda mais para perto do furacão que aquela mulher fatal era.
