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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2025-10-26
Words:
1,245
Chapters:
1/1
Kudos:
8
Hits:
131

Amor-Perfeito

Summary:

Robby sendo um marido carinhoso e cuidadoso com sua esposa.

Notes:

Amor-Perfeito significa "Você está sempre nos meus pensamentos."

Work Text:

"Pois eu amei um anjo, eu dormi com um anjo, eu vivi com um anjo, me chamando de paixão."

- Me chamando de paixão / Jorge Ben jor

 

Robby já tinha rodado quase todos os cantos do Pitt procurando por ela, olhou dentro do armário e até no necrotério, pediu para que Dana o avisasse se a visse se esgueirando por ali, tentando se esconder. Natalie tinha um super poder de se tornar invisível quando lhe era conveniente, Robby implorou por dicas, era uma habilidade bem útil que ela nunca compartilhou. 

 

O doutor estava passando pelo corredor da recepção, olhando ao redor com atenção para qualquer sinal daqueles cabelos escuros como penas de corvos, com poucos fios prateados. Trocou algumas palavras com Dana, que lhe ofereceu as informações necessárias depois de um bom suborno. Trabalhar como agente dupla tinha que ter seus privilégios, era arriscado demais. Mas nada que um copo de café realmente bom em um dia de plantão não faça naquele hospital.

 

Ele caminhou em passos firmes até uma das macas perto das salas de trauma, puxando a cortina privativa rapidamente. Fazendo a paciente deitada na maca dar um pulo involuntário e levar a mão ao peito com um suspiro pesado. Uma senhora de cabelos brancos como um floco de neve, de aparência simpática e péssimo gosto para roupas. Com o braço esquerdo apoiado em uma mesa de sutura. Natalie estava inclinada em cima do ferimento de tamanho mediano, com agulha e linha, nem sequer piscou ao ser encontrada de surpresa. Como sempre falava quando era pega, "eu não estava me escondendo."

 

"Deveria ter feito sua pausa uma hora atrás." Robby falou para a mulher, de costas para ele. Depois deu um sorriso simpático para a paciente, que o encarava com curiosidade.

 

"Desculpa, vou assim que acabar aqui." Natalie falou baixo. Robby conseguia até enxergar suas sobrancelhas franzidas de onde estava.

 

"Disse isso da última vez e na antes dessa." Ele suspirou, observando a mão dela tremer levemente quando puxou a linha. Tinha visto Natalie se encaminhando para a sala de descanso, mas a paciente tinha entrado em seu caminho e como a boa médica que era, se prontificou a ajudá-la imediatamente, imaginando o tempo exorbitante que ela deveria estar esperando para ser atendida. 

 

Uma das qualidades de Natalie que Robby mais adorava era seu coração bom e gentil, sempre aberto para acolher todos aqueles que necessitavam do modo mais atencioso possível. Sua empatia, porém, poderia fazer sua saúde ficar de lado boa parte das vezes. E nos votos de casamento, Robby havia dito de cuidaria muito bem de Natalie, e era o que sempre fazia. Sem se cansar, sem reclamar. Apenas gostava de dar a devida atenção para as necessidades da sua maravilhosa esposa.

 

Então não demorou muito para que voltasse com um sanduíche e uma caixinha de suco. Arrastou um banquinho para se sentar ao lado dela. 

 

"Robby, eu como depois, prometo." Natalie o observou começar a desembalar o sanduíche de frango, o favorito dela. 

 

"Nada disso, senhora Robbynavitch. Dana me disse que você não come a quatro horas."

 

"Traidora." Ela suspirou em derrota.

 

"Espero que a senhora não se importe." Robby olhou para a paciente, que sorria como se estivesse assistindo a melhor novela mexicana dos últimos tempos. 

 

Natalie já estava quase terminando e havia sido tão atenciosa, gentil e cuidadosa com ela, que não se importaria nem se Natalie a arrastasse para a sala de descanso e comesse um hamburguer gorduroso em cima de seu ferimento. Era difícil encontrar bons médicos como ela. E não poderia negar que aqueles dois eram um casal extremamente fofo.

 

Robby foi lhe dando suco na boca e algumas mordidas no sanduíche enquanto Natalie terminava com o braço da mulher. Sempre intercalando entre o líquido e a comida para que ela não tivesse problemas para engolir. No final, limpou sua boca com um guardanapo e se despediu das duas, voltando ao trabalho depois de uma missão concluída com sucesso.

 

"Peço desculpas por isso." Natalie sorriu sem graça, cortando o fio de sutura e preparando os equipamentos necessários para iniciar os curativos.

 

"Ah, querida, não me importo nem um pouco." A senhora lhe deu um tapinha no braço com um riso amigável. Não poderia negar que queria que seu marido ainda tivesse tal cuidado e zelo por ela. "São casados a quanto tempo?" Chutaria que estavam nos primeiros meses, por isso o amor ainda estava forte e tão presente.

 

"Quinze anos, quase dezesseis." 

 

"Meu Deus, garota." A mulher lhe olhou com os olhos arregalados. "Esse homem te ama."

 

"Eu sei que ganhei na loteria, ele é o melhor marido que eu poderia pedir." Natalie adorava se gabar por ter uma sorte grande na vida amorosa. Robby havia sido seu maior acerto. Isso era certeza absoluta. 

 

"Ele não tem nenhum irmão, não?"

 

[...]

 

"Jesus." Robby tentou conter o riso ao ver a esposa atravessar o corredor do hospital completamente descabelada, mechas enormes puxadas a força para fora do penteado perfeito que ela fazia quase todos os dias de trabalho. 

 

"Paciente difícil." Natalie não se impressionaria se tirassem um tufo de cabelo da mão bem fechada do paciente.

 

"Ele quase te deixou tão assanhada quanto eu deixo." 

 

"Quase." Ambos riram. Robby passou os dedos pelo cabelo dela, tirando os nós com suavidade, a mulher ficou de costas na sua frente. Bem paradinha enquanto o marido trabalhava no único penteado que ele havia aprendido e tinha confiança o bastante para fazê-lo rapidamente. 

 

Separando as mechas volumosas em três partes iguais e começando a fazer uma trança apertada. A língua entre os dentes para se concentrar melhor. 

 

"Estava pensando no que fazer para o jantar." Robby comentou.

 

Normalmente quando chegavam de um plantão muito longo, costumavam a pedir apenas alguma besteira pelo delivery, o que não era o mais apropriado para alguém da idade deles. Mas a preguiça de aquecer  a barriga no fogão sempre falou mais alto que a razão. 

 

"Talvez alguma massa, macarrão? Ou talvez uma lasanha." O homem sempre foi o que mais gostou de cozinhar na relação. Se responsabilizava por tudo que acontecia em seu território. 

 

"Só se for com aquele seu molho secreto especial." Natalie lhe entregou o elástico para amarrar seu cabelo quando Robby terminou a trança. 

 

"O que você quiser, querida." Ele a virou pelos ombros, deixando um beijo suave em sua têmpora. "Bom trabalho."

 

"Para você também." Ela sorriu, acenando enquanto seguia seu caminho pelo corredor.

 

Robby sempre foi o marido perfeito, lógico que a relação precisou de bastante manutenção para sobreviver a quinze anos de casamento, mas poderiam dizer que eram uma boa dupla. Sempre apoiando um ao outro em qualquer decisão, conversas sinceras. Sem mentiras, Robby nunca conseguiu esconder algumas coisa de Natalie por mais de cinco minutos, seu recorde foi oito minutos. Companheiros nos dias bons e ruins. Os abraços fortes sempre que voltavam de um plantão anormalmente grande. As crises de risos que compartilhavam. As noites de vinho e dança com música antiga. Quando tentavam ler um livro juntos, mas o ritmo era totalmente diferente, Natalie conseguia terminar um calhamaço em uma semana enquanto Robby se via preso na página dez por um mês, a esposa sempre lhe dava spoiler por não aguentar esperar para debater sobre o que leu, e ele adorava escutá-la divagar sobre tudo por horas, deitados na cama. Aprenderam sobre respeito e limites ao trabalhar juntos no hospital, teve vários erros, mas aprenderam com eles. Eram melhores amigos, confidentes e eternos amantes. Era coisa de alma.