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De Repente Você

Summary:

Draco Malfoy sempre soube o próprio valor - e o mundo também. Um ômega de família nobre, com reputação impecável e uma beleza capaz de parar corredores inteiros em Hogwarts. Tinha tudo sob controle... ou pelo menos achava que tinha.

Seu plano era simples: conquistar o melhor. E o melhor, obviamente, era Harry Potter, o alfa dourado que todos desejavam. Mas o que Draco não esperava era levar um fora - e ouvir, da boca do próprio Potter, que ele já estava interessado em outra pessoa.

Ferido no orgulho (e no ego), Draco fez o que qualquer Malfoy faria: mentiu. E agora, toda a escola acredita que ele tem um namorado misterioso - um belo americano que ninguém nunca viu.

O problema? A chegada de novos alunos faz com que suas mentiras comecem a ganhar rostos... e sotaques.
As coincidências são assustadoras, Harry começa a farejar algo errado, e o novo garoto parece perigosamente encantador.

Entre ciúmes, segredos e paixões fora de controle, Draco vai perceber que manter as aparências pode ser o seu maior erro.

✨ "De Repente, Você" - a fanfic que vai tirar o seu sono, bagunçar o seu coração e te fazer torcer pelo amor... até quando ele é uma completa confusão.

Chapter 1: O grande espetáculo de Draco Malfoy

Chapter Text

Draco Malfoy estava incrédulo.

Não — “incrédulo” era pouco. O termo certo seria em ruínas.

 

Ele fitava o alfa diante de si com os olhos ligeiramente arregalados, o corpo rígido e a respiração presa no meio do peito. Harry Potter, o maldito herói, o homem que o fazia perder o sono há semanas, o mesmo que o beijara dois dias atrás no jardim da Ala Leste — estava ali, parado, com aquela expressão sem graça de quem veio destruir sonhos e achou que um pedido de desculpas bastava.

 

— O que disse? — a voz de Draco saiu mais fina do que ele gostaria.

O silêncio entre eles pareceu se estender como um feitiço de suspensão no tempo.

Harry respirou fundo, passando a mão pelos cabelos em desalinho.

Merlin, por que até arruinando vidas ele conseguia ser bonito?

 

— Draco, eu sinceramente gosto de você — começou, hesitante, e cada palavra soou como uma facada gentil. — Você é divertido, inteligente, tem um humor… peculiar. Mas… — ele fez uma pausa dolorosa, buscando as palavras. — Mas não pra namorar. Quero dizer… você é todo espalhafatoso, dramático, intenso. Eu não sei se conseguiria lidar com isso. Sinto muito.

 

“Sinto muito.”

As duas palavras ficaram ecoando na mente de Draco como um trovão distante.

 

Ele queria rir, ou gritar, ou transformar o chão em vidro e desaparecer.

Mas o orgulho dos Malfoy era um manto pesado — e ele o vestia com maestria.

Então respirou fundo, piscou rápido para conter as lágrimas e sorriu. Um sorriso torto, venenoso, encantador como um feitiço de disfarce.

 

— Ohh — fez um som leve, quase debochado. — Entendo perfeitamente.

Deu uma risadinha seca. — Sabe, Potter, sinto muito se você confundiu as coisas… mas eu já tenho um namorado.

 

Mentira.

Uma grande e gloriosa mentira.

Mas era uma mentira que lhe dava poder — e naquele momento, poder era tudo o que restava.

 

Harry piscou, confuso. — Um namorado? — repetiu, franzindo o cenho. — E aquele beijo?

 

Draco sentiu o estômago se contorcer. Droga.

Por que ele foi lembrar do beijo? Aquele beijo quente, inesperado, com gosto de tempestade e algo perigosamente parecido com esperança.

 

Mas não podia fraquejar agora.

 

— Eu estava confuso — respondeu rápido demais, a voz quase firme. — É normal, não é? Você mesmo disse que sou… inconveniente.

 

— E-eu não quis dizer desse jeito, eu só… — Harry gaguejou, ruborizando, e aquilo só piorou tudo. Ele parecia genuinamente arrependido, e isso tornava o golpe ainda mais cruel.

 

Draco ergueu o queixo, o olhar glacial.

 

— Mas não senti nada, Harry. — As palavras doíam mais nele do que no outro. — Meu namorado é perfeito. Bonito, carinhoso… o alfa ideal.

 

Harry forçou um sorriso trêmulo. — Ótimo. — O tom dele era manso, triste, e por um instante pareceu que o ar se esvaziou da sala. — Fico feliz por você. Gina… Gina é a ômega certa pra mim.

 

O coração de Draco se partiu com um estalo surdo — invisível, mas mortal.

Ele sorriu, como quem sangra por dentro mas não quer sujar o chão.

 

— Claro — respondeu, a voz quase doce. — Então… amigos?

 

Harry hesitou, como se as palavras custassem a sair. — Amigos — disse, enfim, estendendo a mão.

 

Draco olhou para ela como se fosse uma adaga.

Mas aceitou. Fingiu naturalidade.

Seus dedos tocaram os de Harry por um segundo — e aquele toque simples foi uma despedida disfarçada.

 

— Melhores amigos — completou Draco, com ironia e veneno.

 

Então, sem olhar para trás, virou-se e saiu.

 

O som dos próprios passos ecoou no corredor como batidas de um relógio condenado. Draco andou rápido — rápido o bastante para parecer digno, mas não o suficiente para que Harry percebesse o tremor nos ombros. Assim que virou o corredor, o orgulho cedeu.

 

As lágrimas, quentes e silenciosas, começaram a cair.

Ele se encostou na parede fria de pedra e deixou o corpo deslizar até o chão, o peito doendo como se algo dentro dele tivesse se partido de vez.

 

“Ele escolheu Gina Weasley.”

As palavras ardiam na mente, um lembrete cruel da própria insuficiência.

“Ela é a ômega certa.”

Certa.

Draco riu entre soluços — um som quebrado, histérico.

 

— Certo… — murmurou, a voz rouca. — Claro. Sou só o erro elegante, o drama ambulante, o ‘divertido demais pra levar a sério’.

 

As mãos tremiam. Ele apertou o próprio peito, tentando conter a dor que latejava em ondas.

Tudo o que queria era correr até Harry e gritar que ele estava errado — que o amava, que era dele, que ninguém o entenderia como ele.

Mas amor, descobriu Draco, era uma poção amarga.

E ele, tolo que era, bebeu até o fim.

 

Levantou-se devagar, secando o rosto. A máscara voltou ao lugar.

O sorriso renasceu — bonito, preciso, perfeitamente falso.

 

— Você não vai me quebrar, Potter — sussurrou para o corredor vazio. — Eu sou um Malfoy.

 

E foi embora, cada passo um desafio ao próprio destino.

 

Mas, no fundo, Draco sabia:

Algumas feridas não se fecham com orgulho.

Elas apenas aprendem a sangrar em silêncio.

 

---

 

Tudo estava quase perfeito.

Quase.

Porque, obviamente, o destino — ou talvez o universo inteiro — tinha prazer em humilhar Draco Malfoy.

 

Sim, ele conseguira sair da conversa com Harry Potter com a cabeça erguida, um sorriso venenoso e uma mentira nos lábios: “Eu já tenho um namorado”.

Mas o problema é que ele não tinha.

E, pior, parece que toda a maldita Hogwarts acreditava que tinha.

 

Os corredores fervilhavam de cochichos.

“O namorado misterioso de Draco Malfoy.”

“Será que é estrangeiro?”

“Ou será um lorde de sangue puro escondido?”

“Será que é o Nott? Eles sempre tiveram química estranha…”

 

Cada teoria era mais absurda que a anterior.

E cada risadinha nos corredores era um lembrete cruel do que ele fizera para proteger o próprio orgulho.

 

Naquela manhã, o Salão Comunal da Sonserina estava abafado, com o fogo crepitando na lareira e o cheiro de café recém-feito se misturando ao perfume de menta que Draco usava para se manter calmo. Ele observava, à distância, o casal do outro lado do Salão Principal — Harry e Gina.

 

Eles pareciam saídos de uma pintura brega: sorrisos largos, mãos entrelaçadas, olhares melosos e um comportamento que faria qualquer um com um mínimo de dignidade vomitar.

 

Draco, é claro, os odiava com cada fibra de seu ser.

 

— Se você apertar mais forte vai esmagar o bolinho, Dray — comentou Gregory Goyle, olhando para o prato do amigo.

 

Draco desviou o olhar dos dois pombinhos e percebeu que estava, de fato, prestes a transformar o bolinho em farelo.

 

— Eles não têm pudor! — exclamou, largando o doce na mesa com um baque seco. — Estão no meio do Salão Comunal, pelo amor de Merlin!

 

Goyle deu de ombros. — Aparentemente, o amor não conhece limites geográficos.

 

— O amor deles devia conhecer um abismo — resmungou Draco, espetando seu pão com violência cirúrgica.

 

Pansy Parkinson, que observava tudo com o olhar de quem esperava exatamente aquele tipo de drama, deu uma mordida preguiçosa numa uva e disse, sem o mínimo tato:

 

— Dray querido, se não arranjar um jeito logo, todos vão perceber que estava mentindo. — Ela cruzou as pernas, arqueando uma sobrancelha. — E, francamente, parecer inferior ao Potter é uma tragédia social que nem eu conseguiria administrar.

 

Draco a olhou com indignação.

 

— Eu não estou mentindo! — mentiu com a graça de um ator shakespeariano. — E, é claro, tenho um namorado maravilhoso. Mil vezes melhor que Harry Potter.

 

— Aham, claro — Pansy respondeu, mordendo outra uva com desdém. — Qual o nome mesmo?

 

Draco abriu a boca para responder, mas antes que pudesse inventar algo minimamente plausível, uma coruja voou pelo alto das mesas. Uma linda águia-coruja cinzenta, que ele reconheceu imediatamente.

 

Alberta.

A coruja reserva da família Malfoy.

 

— Ué — murmurou Blaise, franzindo o cenho. — Achei que sua mãe usasse Dolores pra tudo.

 

— Dolores está velha demais pra longas viagens — explicou Pansy casualmente. — Essa deve ser uma carta da mãe dele.

 

Draco piscou, tentando pensar rápido. Tinha a opção lógica — admitir que sim, era uma carta de sua mãe — ou a opção Malfoy: dobrar a mentira.

 

Infelizmente, escolheu a segunda.

 

Porque bem naquele momento, ao levantar o olhar, viu Harry Potter se inclinando sobre Gina Weasley, murmurando algo em seu ouvido. A ruiva riu, toda corada, e pousou uma das mãos no peito dele.

 

O estômago de Draco deu um nó.

 

Ele não suportava aquela cena.

Então respirou fundo, estufou o peito e disse em alto e bom som, o suficiente para ecoar até a mesa da Grifinória:

 

— Claro que não, Pans. É do meu namorado.

 

O Salão pareceu silenciar por um segundo.

 

— Seu… quê? — Pansy perguntou, atônita.

 

Draco ergueu o envelope e a caixinha de chocolates com um sorriso radiante.

 

— Do meu namorado. — Ele balançou a carta teatralmente. — Ele me mandou chocolates e uma cartinha de bom-dia. Não é fofo?

 

Pansy o encarava como se ele tivesse enlouquecido.

Blaise quase cuspiu o café.

E Harry Potter, do outro lado, o olhava completamente incrédulo.

 

Perfeito.

Draco amava uma plateia.

 

Ele levantou-se com elegância, ajeitou o uniforme impecável e acrescentou, em tom triunfal:

 

— Desculpem-me, meus queridos. Vou ler a carta do meu alfa perfeito em particular.

 

E saiu desfilando pelo salão, abraçado à caixa de chocolates e com o coração batendo rápido demais.

 

Sim, ele estava completamente louco.

 

E a loucura, é claro, só piorou.

 

Nos dias seguintes, Draco mergulhou de cabeça em sua farsa.

Flores encantadas apareciam em seu dormitório. Poemas elegantes surgiam magicamente nas mesas da Sonserina. Ele mesmo encomendava presentes na loja de Hogsmeade e os fazia chegar com bilhetes assinados pelo misterioso “P.” — seu namorado fictício.

 

No início, todos acreditaram.

Afinal, era Draco Malfoy. Se alguém poderia ter um namorado enigmático e sofisticado, era ele.

 

Mas, como toda mentira bem contada, começou a desmoronar.

 

Os cochichos voltaram.

Os olhares de dúvida também.

E até mesmo Pansy, sua cúmplice involuntária, o cercou uma noite no Salão Comunal com os braços cruzados.

 

— Dray, meu amor, se esse namorado existe mesmo, por que ninguém nunca o viu?

 

Draco hesitou. — Ele é reservado.

 

— Reservado ou imaginário? — Blaise provocou, divertido.

 

— Ele estuda fora — rebateu Draco, rápido demais.

 

E assim nasceu o segundo erro fatal.

 

A mentira atingiu seu auge numa tarde de aula de Poções, onde Grifinórios e Sonserinos compartilhavam o mesmo espaço — ou, como Draco chamava, “inferno particular”.

 

Snape estava ocupado demais com o caldeirão de Longbottom para perceber que Draco suava frio.

 

Tudo corria bem até Potter — o irritante, magnífico, estúpido Potter — virar-se para ele com um sorrisinho curioso.

 

— Então, Malfoy — começou casualmente. — É verdade o que andam dizendo? Que seu namorado vem estudar aqui?

 

Draco piscou. — O quê?

 

— Ouvi dizer que ele vai se transferir — Harry continuou, fingindo inocência. — De Ilvermorny, não é?

 

Pansy virou-se lentamente, o olhar assassino.

Draco engoliu seco.

Agora era tarde para recuar.

 

— Sim — respondeu, forçando um sorriso. — Ele estuda em Ilvermorny. Mas logo será transferido para Hogwarts.

 

O silêncio foi imediato.

 

Harry apoiou o queixo na mão, fingindo desinteresse — mas Draco o conhecia bem demais.

Aquele era o olhar de quem sabia. O olhar do Auror em formação, do garoto que farejava segredos.

 

— Que legal — Harry disse, num tom lento, quase provocante. — Estou ansioso pra conhecê-lo.

 

Draco sentiu o coração pular uma batida.

Porque, é claro, não havia nenhum aluno vindo de Ilvermorny.

 

Ele estava, oficialmente, condenado.

 

Quando a aula terminou, Draco saiu apressado pelos corredores, o manto esvoaçando e o cérebro fervendo. Precisava pensar em algo. Rápido. Um nome. Um rosto. Uma história. Qualquer coisa que sustentasse aquela farsa por mais um dia.

 

Mas, no fundo, ele sabia:

Mentiras, por mais belas que sejam, têm data de validade.

E a dele estava prestes a vencer.

 

---

 

O dia parecia normal demais para Draco Malfoy.

E esse, para quem já conhecia o universo, era o primeiro sinal de que algo horrível estava prestes a acontecer.

 

Os pássaros cantavam. As sereias do Lago Negro pareciam ensaiar um coral. O café da manhã tinha vindo quente, a torrada dourada no ponto exato.

E, o mais milagroso de tudo, Harry Potter e Gina Weasley não estavam se agarrando em público.

 

Sim, eles estavam… brigados.

Draco quase ousou acreditar que havia justiça no mundo.

 

Ele até caminhou pelos corredores com leveza, as vestes impecáveis, o cabelo platinado brilhando sob a luz da manhã, e uma satisfação discreta no peito.

Se ignorasse as fofocas sobre seu “namorado americano”, o dia podia, sim, ser perfeito.

 

Até que, claro, não foi.

 

---

 

Tudo começou no jantar, quando Dumbledore se levantou.

E Draco sentiu, instintivamente, o arrepio gelado da tragédia.

 

— “Queridos alunos,” — começou o diretor, com aquele tom gentil e carregado de encrenca — “sei que não estamos acostumados a isso, mas recebemos um caso especial este ano. Alguns estudantes foram transferidos para Hogwarts.”

 

O garfo escorregou da mão de Draco e caiu no prato com um clang! metálico.

A respiração ficou presa.

“Não… não pode ser.”

 

— “Eles vêm de uma excelente escola dos Estados Unidos,” — continuou Dumbledore, os olhos azuis brilhando como se achasse tudo adorável — “Ilvermorny.”

 

Draco ficou branco feito papel.

O sangue fugiu do rosto.

Sentiu Pansy do lado dar um risinho histérico e Blaise cochichar:

 

— “Uau… olha só, o namorado internacional do Malfoy chegou.”

 

Ele girou a cabeça tão rápido que o pescoço estalou. — Cale a boca, Zabini.

 

Mas era tarde. Todo o Salão Principal já o observava com curiosidade crescente.

Harry, principalmente.

Draco podia sentir o olhar dele — quente, incisivo, cheio de desconfiança — queimando na nuca.

 

O coração batia descompassado.

 

“Não… não, não, não, não pode estar acontecendo. Isso é destino me torturando. Ou Potter conjurando azar.”

 

As portas do Salão se abriram.

Quatro alunos, vestidos de preto, entraram com passos firmes. Pareciam ter a idade deles — e todos carregavam aquele ar de “heróis encrenqueiros” que Draco reconhecia de longe.

 

Pansy sussurrou, rindo por trás da taça:

— “Parece que seu namorado é bem pontual.”

 

— “Pansy, se você não calar a boca, juro que...” — Draco começou, mas sua voz morreu quando o primeiro nome foi chamado.

 

---

 

— Annabeth Chase! — anunciou McGonagall.

 

Uma garota de cabelos loiros, olhar afiado e expressão desconfiada caminhou até o chapéu seletor.

O murmúrio ecoou pelas mesas — ela tinha uma aura intensa, inteligente, de quem não se deixava enganar facilmente.

 

O chapéu nem demorou.

— Corvinal! — gritou.

 

Draco respirou fundo.

“Ok. Uma corvinal. Posso lidar com isso. Tudo bem. Nada a ver comigo. Ainda dá pra fingir que não existo.”

 

Mas o destino, como sempre, não estava interessado na paz mental de um Malfoy.

 

— Nico di Angelo!

 

Um garoto de cabelos negros e olheiras profundas foi até o banco com passos lentos. O chapéu pareceu hesitar, resmungando algo inaudível.

— Lufa-Lufa! — proclamou, por fim.

 

Draco sentiu o ar faltar.

“Dois americanos. Dois nomes exóticos. Mas tudo bem… talvez nenhum deles me note…”

 

Mas o mundo quis vê-lo cair em chamas.

 

— Thalia Grace!

 

Uma garota de olhos tempestuosos e energia elétrica caminhou até o chapéu como se fosse dona da sala. As conversas pararam.

O chapéu mal tocou seus cabelos e já gritou:

— Grifinória!

 

Draco começou a suar frio.

“Merlin… isso está indo de mal a pior…”

 

E então veio o golpe final.

 

— Perseu Jackson!

 

Silêncio.

O nome ecoou no salão, e um garoto de cabelo bagunçado e olhos tão verdes quanto os de Harry — mas um pouco mais marítimos — se levantou.

Ele parecia entediado, de um jeito perigosamente confiante.

 

— Pode me chamar de Percy, — murmurou, caminhando até o chapéu.

 

Draco se levantou involuntariamente.

Não sabia por quê. Talvez instinto. Talvez pânico.

 

Os olhos do novo aluno cruzaram com os dele — e por um instante, tudo parou.

O murmúrio no salão cessou.

Os olhares se voltaram para os dois.

 

O chapéu seletor, mal tocando na cabeça de Percy, gritou com entusiasmo:

— Sonserina!

 

O salão explodiu em exclamações.

Pansy arfou.

Blaise caiu na gargalhada.

Harry Potter apertou os lábios, lançando um olhar que misturava choque e ciúme.

 

E Draco…

Draco simplesmente afundou na cadeira, os olhos arregalados e o coração batendo como se tentasse fugir do corpo.

 

“Não. Não. Não.”

Ele estava completamente e irreversivelmente fodido.

 

---

 

Mais tarde, no Salão Comunal da Sonserina, a tortura continuou.

 

— Então é você o famoso namorado de Draco? — Pansy perguntou com o sorriso mais falso de que se tem registro.

 

Percy, que ainda parecia perdido, piscou. — Namorado?

 

— Aham — Blaise entrou na conversa, divertido. — Draco aqui não parou de falar de você. Mandava cartas, chocolates, poemas...

 

Draco arregalou os olhos. — O quê?!

 

Pansy deu-lhe um empurrão discreto. — Anda, Dray, apresente-o direito.

 

Ele engoliu seco, encarando o americano de olhos oceânicos. Percy parecia prestes a rir.

Merlin, ele até era bonito demais pra uma mentira.

 

— Eu… — Draco começou, tentando soar natural. — Claro. Percy..Esses são pansy e blaise meus amigos...

 

— Amigos? — Percy ergueu uma sobrancelha. — Porque meu nome está em todos os seus bilhetes  ou porque acabei de ser jogado na sua casa por um chapéu falante?-O moreno resmungo baixo mais draco ouviu 

 

Draco piscou.

Pansy sussurrou: — Ele é esperto. Cuidado.

 

Percy cruzou os braços, um sorriso torto surgindo nos lábios. — Então… o que exatamente eu perdi?

 

Draco respirou fundo. — Longa história.

 

— Tenho tempo — respondeu Percy, encostando-se no sofá. — E uma leve curiosidade sobre por que metade da escola acha que a gente está namorando.—O moreno sussurrou no ouvido do ômega.

 

Blaise deu uma risadinha. — Ah, esse semestre promete.

 

Draco olhou para o teto, pedindo paciência aos deuses — e talvez ao próprio Salazar Sonserina.

 

Ele estava oficialmente em um relacionamento que não existia…

com um americano real, transferido por acidente para a mesma casa.

 

E, no canto mais distante da sala, Harry Potter observava tudo em silêncio, com o maxilar travado e o olhar escuro.

 

Draco Malfoy não sabia como, mas o destino acabara de aprontar a maior confusão da sua vida.

 

E no fundo — bem no fundo — parte dele adorava isso.

 

---

 

Nota da autora:

Sim, eu comecei outra fanfic.

Eu sei. Vocês sabem. O universo sabe. Dumbledore provavelmente também sabe.

Mas quem sou eu pra lutar contra o destino quando ele me entrega um Draco Malfoy mentindo descaradamente sobre um namorado americano enquanto Harry Potter tem a audácia de dizer “a Gina é a ômega certa pra mim”?

Sinceramente, se isso não é motivo suficiente pra reescrever as leis do drama, eu não sei o que é.

 

Preparem-se para uma montanha-russa emocional com glitter, lágrimas, sarcasmo e zero responsabilidade emocional — porque Draco Malfoy decidiu proteger o orgulho dele com uma mentira internacional, e agora tem um semideus americano morando na Sonserina.

Amo o caos. Alimento-me dele.

 

E sim, Harry vai se arrepender.

Com gosto.

 

Com amor (e um cálice de vinho dramático),

— A autora que jurou não começar nada novo, mas o universo disse “duvido.”

 

Ps:Essa fanfic não terá nada dos cânon principais, tudo será inventado por mim.