Work Text:
Único; eu não sei quanto tempo vou aguentar
Eu não quero saber todos os seus segredos porque eu vou contar
Já é difícil suficiente ficar sozinho comigo mesmo
Eu não sei quanto tempo vou aguentar
Eu sei que você tentou o seu melhor, eu sei que você tinha boas intenções
Mas você me empurrou até o limite e eu escorreguei e caí
Eu não sei quanto tempo vou aguentar
Like a Villain - Bad Omens
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A conversa ao luar entre Aguiar e Labirinto se tornou um conforto para o ocultista, que ainda procurava processar as coisas que ele viu no andar de baixo, as coisas que ouviu, e como isso o fez se sentir, a um ponto que Kemi acabou mesmo tentando o confortar.
Os dois homens estavam deitados naqueles colchões velhos, de barriga para cima, contando as estrelas no céu noturno, a lua em quarto crescente brilhando e banhando as peles de ambos com a sua luz roubada do sol. Os braços do delegado estavam fletidos atrás da sua própria cabeça, enquanto os de Labirinto estavam sobre o seu abdômen, as mãos unidas e os próprios dedos entrelaçados, os olhos do homem focados no tudo e no nada. Era reconfortante a certo ponto estar daquela forma, mas ao mesmo tempo, o silêncio podia ser perturbador por vezes, principalmente quando as vozes que ecoavam na sua cabeça com maior frequência que aquela que seria desejada.
— Está demasiado quieto aqui. — Após um silêncio que pareceu se prolongar por horas, ainda que tenham sido apenas minutos, Aguiar se manifestou, deitando-se de lado de forma a enxergar Labirinto com os seus orbes esverdeados, o rosto apoiado na sua mão. A mão livre pousou sobre as do outro homem, tecendo alí um carinho inconsciente, desenhando círculos na pele pálida e marcada por labirintos. — Mas pelo menos a noite está bonita.
— Você acha? Mesmo no meio de tudo isso? — O careca o fitou, questionando suas palavras. Ele também se deitou de lado para o observar melhor, os olhos acizentados se fixando nos verdes de Jonas, tentando perceber o que passava pela sua cabeça.
— Mesmo no meio disso tudo. Você ainda parece estar meio abalado, mesmo depois de termos falado.
— Não está sendo fácil digerir tudo o que está acontecendo. Mas eu vou conseguir, uma hora ou outra. Você precisa descansar, Aguiar. Você não bebeu água nem comeu direito, ainda vai...
Os lábios secos de Aguiar silenciaram os de Labirinto com carinho, a mão que antes pousava sobre as suas descendo para a sua cintura e o puxando para mais perto. Ele não teve pressa em saborear a boca do mais alto, se focando em manter aquele cuidado para com ele enquanto tecia um carinho na sua cinta, o ritmo cardíaco de ambos subindo um pouco com aquela interação tão singela, mas ao mesmo tempo, tão ternurenta. O ocultista retribuiu aquele cuidado, a sua mão acariciando o rosto do delegado, se focando apenas nele, e não nas vozes que exclamavam o nome de Veríssimo na sua consciência.
Labirinto aprofundou aquele carinho, a língua pedindo passagem por entre os lábios, que o delegado acedeu sem hesitar, um suspirar baixo escapando da sua boca.
A noite era longa e eles estavam sozinhos naquele andar. Mesmo que pudessem aproveitar um pouco mais, o cansaço era demasiado para o que quer que fosse.
O ósculo se apartou, Aguiar não demorando para se recostar contra o peito de Labirinto, fechando os olhos.
— Vamos dormir, Labi. Enquanto eu estiver aqui, você não será o vilão, e eu não deixarei as vozes da sua cabeça te dominarem.
Labirinto apenas sorriu, um dos seus raros momentos em que se permitia contorcer os seus lábios em uma expressão agradável. Ele fechou igualmente os olhos, se permitindo adormecer.
Certamente os pesadelos e as vozes não terminariam por ora, mas pela certa ele não seria mais o mau da fita na sua história enquanto o delegado estivesse do seu lado.
