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Tears run down my…

Summary:

Talvez um gentleman quieto consiga dominar o coração de uma borboletinha.

ou

Shinobu começa a observar um pouco mais Giyu tentando se aproximar dela desde quando suas visitar se tornaram mais frequentes.

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

Nos últimos dias, Shinobu se perguntava desde quando Giyu passou a frequentar a mansão Borboleta quase todas as tardes. Talvez devido aos acidentes e ferimentos de Giyu em lutas, ou talvez por conta da grande quantidade de missões realizadas juntos nos últimos tempos. Era difícil processar, mas sua companhia, nem de longe, era ruim.

 

A grande questão do momento era: “Desde quando ele ficou tão atraente fazendo uma simples xícara de chá para minhas meninas?”, era o que Shinobu pensava. Lógico que, por passar muito tempo a visitando, principalmente em dias em que ela tinha muita demanda, ele passou a dar atenção para as ajudantes da casa. Naho e Sumi sempre pediam para Tomioka cozinhar, e ela tinha que admitir: ele tinha um talento nato. Shinobu passou a observar essas pequenas ações, desde ouvir os pedidos que as meninas faziam até lavar as louças, coisa que era acordado entre eles: ele cozinhava e ela lavava, mas ele geralmente ignorava essa última parte.

 

— Você sabe que não precisa estar lavando a louça que sujamos, né? Até porque somos muitas, e de vez em quando você também cozinha pros pacientes que se alojam aqui. O trabalho não fica pesado pra você? - Shinobu pergunta, chegando levemente perto dele. “Que coisa, até o cheiro que esse cara exala tá diferente… merda, é viciante”, ela pensa. Está por trás dele, sua cabeça quase próxima ao ombro alto dele, conseguia sentir o cheiro dele de longe. Se ela fosse mais ousada, talvez daria um cheiro mais prolongado.

 

— Entre nós dois, acho que quem se esforça mais é você. Você comeu tudo? Estava gostoso? Eu tentei caprichar mais dessa vez. - Ele diz, olhando nos olhos dela com um olhar sereno. Um pequeno sorriso se instalava, deixando-a totalmente desconcertada.

 

— Tava tudo muito gostoso, Tomioka, obrigada de verdade por tudo que você faz, por mim e minhas meninas. - Ela retribui o sorriso, que faz com que ele se aproxime bem do rosto dela, com menos de um palmo de distância, fazendo-a ficar vermelha e nervosa. - O que você tá fazen-

 

— Kocho, você está vermelha. Está com febre? - Ele coloca a palma na testa dela. - Acho que está muito cansada. Vem, vou lhe acompanhar até seu quarto.

 

— Estou bem, não se preocupe, eu consigo ir sozinha. - Ele desce a mão para suas bochechas e as acaricia levemente.

 

— Vou acreditar em você. Eu já vou indo, se cuide, Kocho. - Ele se despede, deixando uma Shinobu desconcertada para trás.

 

— Perdeu a chance de arrastar ele pro seu quarto. - Kanao diz, encostada na porta por onde Tomioka acabou de sair. Sua aparição repentina a fez pular de susto.

 

— Kanao, você era mais comportada quando não falava. - Shinobu diz apressada, começando a subir as escadas em direção ao seu quarto. - E ele é só um colega Hashira, nada demais.

 

— Acho que o Tomioka não sabe disso. - Ela sussurra levemente.

 

Shinobu se tranca no quarto com a cabeça presa em um turbilhão de pensamentos, todos eles em Giyu Tomioka. “O que ele pensa que tá fazendo?”, “Ele tá bem? Ou tá ficando louco de vez?!”, “Se bem que ele fica um puta de um gostoso lavando a louça com aquele avental marcando a cinturinha dele.”Ela deu um pulo com o último pensamento que passou. Não era como se ela estivesse criando sentimentos por ele, mas não podia negar o quão atraente ele estava ficando aos seus olhos. Ela não deu muita corda, se deitou e foi dormir, achando que tudo isso era apenas cansaço.

 

Tomioka continuou indo à mansão durante os próximos dias. Shinobu não esteve presente, pois tinha recebido algumas missões, mas ele aproveitou o tempo para conversar com os meninos recém-chegados lá. Tanjiro, Inosuke e Zenitsu estavam acamados devido aos ferimentos de uma última luta, mas estavam se recuperando bem. Chegando próximo ao fim da semana, Shinobu retorna exausta e com um leve corte na testa, mas nada grave. As meninas a recebem e dão o devido tratamento. Com um leve curativo na testa, Shinobu mais uma vez se enfia no quarto para fazer suas pesquisas e anotações, mas, devido ao cansaço, acaba adormecendo sobre a escrivaninha.

 

— Kocho? Kocho. - Shinobu escuta ao ser levemente acordada, estranhando por já estar em sua cama.

 

— Hum? Tomioka? Como eu vim parar na cama? Eu estava trabalhando até agora há pouco.

 

— Eu a trouxe pra cá. Você não pode se esforçar assim logo após uma missão complicada, principalmente com um ferimento desses.

 

— Oh, por favor, não precisa se preocupar, Tomioka. Isso foi apenas um machucado leve. - Ela diz, sorrindo suavemente. - As meninas trocaram as flores do meu vaso? Essas são muito lindas e têm um aroma bastante agradável!

 

— Na verdade, fui eu que troquei. Vi que as outras já estavam murchas e apenas coloquei as novas. - Ela cora ao ver a ação do outro, mas não perde a oportunidade de provocá-lo.

 

— Quem diria… Tomioka me trazendo flores. O que você está querendo de mim? - Ela diz, na esperança de que ele responda à altura.

 

— Um pouco de generosidade, talvez? - Sorri suavemente. - Eu… achei que combinavam com você. - Ele pega Shinobu totalmente de surpresa.

 

Shinobu não estava acostumada com essa versão de Giyu. Tudo bem que, em suas missões juntos, ele sempre se mostrou um homem muito gentil e prestativo, mas com essa amizade crescendo, ela não podia deixar de reparar o quanto as atitudes dele falavam por ele, e o deixavam ainda mais bonito. Isso era estranho, era novo, mas ela confessa que não queria que isso acabasse. Talvez estivesse disposta a arrancar um pouco mais disso de Giyu.

 

— 🦋🌊 —

 

Shinobu estava completamente obcecada. Tudo girava em torno de Giyu, Giyu, Giyu e um pouco de Giyu. Ela não sabia se era seu cheiro, seu jeito, suas atitudes, mas até o soar de como ele a chamava era demais pra ela. Até que finalmente aceitou seus sentimentos, mas o que Giyu sentia por ela ainda era uma incógnita. Por mais que ele fosse gentil e carinhoso, Kocho ainda tinha suas dúvidas quanto aos sentimentos do outro. Shinobu decidiu investir no toque, pois Giyu era muito respeitoso com ela, então o máximo de contato físico que tinham era um aperto de mão, o que a enlouquecia, porque, ultimamente, seus pensamentos eram outros tipos de toque.

 

Disposta a entender os sentimentos de Tomioka sem perguntar diretamente, ela fez uma proposta: chamá-lo para jantar a sós e ver as estrelas no telhado da mansão, tudo como desculpa para que ele passasse a noite lá.

 

— Você sempre cozinha pra nós, então hoje eu resolvi fazer uma especialidade minha. Eu espero que você goste. - Ela diz com uma expressão tímida. - Saindo um salmão cozido com daikon delicioso. Confesso que só perde pro meu prato maravilhoso de gengibre tsukudani. Você devia experimentar, um dia.

 

— Você está pegando no meu ponto fraco com esse salmão cozido. Eu sou muito crítico em relação a isso. Pode ir se preparando, Kocho. - Ele fala em tom de brincadeira, mas ansioso por seu prato favorito. - Kocho?! - Ele diz surpreso ao dar a primeira garfada. - Isso tá incrível! Acho que nunca comi um salmão cozido com daikon tão delicioso como esse. Na verdade, mais do que delicioso… eu não sei nem como expressar em palavras. - Ela ri.

 

— Que bom que você gostou, Tomioka. Eu me esforcei pra ficar do jeito que você gosta.

 

— Kocho, eu casaria com você agora pra comer isso todos os dias.

 

— O quê?! - Ela se assusta, mas com esperança de que ele fale algo.

 

— Isso tá maravilhoso! Acho que eu nunca mais vou deixar de elogiar.

 

— O que você disse?

 

— Que nunca vou deixar de elogiar sua comida.

 

— Antes disso.

 

— Que tá maravilhoso.

 

— Argh. - Ela bufa. - Esquece. Eu enchi um pouco. Te espero lá em cima, ok?! E não precisa lavar os pratos.

 

— Me encontro com você em alguns minutos.

 

Shinobu acha que ele está evitando o assunto, mas na verdade ele só está sendo um bunda mole. Depois de alguns minutos, ele se juntou a ela no telhado. Eles ficaram em silêncio por alguns minutos, observando a paisagem, até que ela o quebra puxando assunto.

 

— Você gostou? - Shinobu diz, virando o rosto para ele.

 

— Do quê? - Ele retribui o olhar.

 

— Do que vê.

 

— Foi a coisa mais linda que eu já vi. - Ele diz, olhando no fundo dos olhos púrpura dela. Pareciam brilhar. Tomioka não entendia, mas se sentia hipnotizado por ela, gostava disso.

 

Shinobu aproxima seu rosto do dele, conseguiam sentir suas respirações, um pouco pesadas e ansiosas.

 

— Tomioka-

 

— Giyu.

 

— Quê? - Ela o olha com expressão confusa.

 

— Me chama de Giyu. - Na verdade, ela entendeu aquilo como: “No dia que transarmos, grite meu nome”, o que a fez arrepiar dos pés à cabeça.

 

— Pode me chamar de Shinobu, também. - Ela diz, alternando os olhares entre os olhos e os lábios dele. A química é forte - ambos sabem disso, principalmente Shinobu. A vontade dela era de chegar mais perto e agarrá-lo logo, com beijos profundos e até uma possível mão boba. Mas, do jeito tímido de Tomioka, talvez demorasse um pouco pra isso rolar.

 

— Eu acho que tenho que ir embo-

 

— Fica, por favor. - Ele já ia se levantando para sair quando Shinobu o interrompe, segurando seu punho, com os olhos mais insistentes que os de um cachorro pidão. - Você pode dormir aqui hoje… - Ela desvia o olhar timidamente.

 

— Eu posso? - Ele diz, chegando mais perto do rosto dela.

 

— Pode.

 

Os dois desceram de mãos dadas e caminharam até os interiores da mansão Borboleta.

 

— Eu vou me dirigir ao quarto de hóspedes.

 

— Ele está ocupado. - Mentira descarada. - Tanjiro e os meninos estão passando a noite aqui a pedido da Kanao e das meninas, por isso os quartos estão ocupados. - O que não era totalmente mentira, exceto pelo fato de que todos estavam dormindo no mesmo quarto.

 

— Você tem certeza disso?

 

— Absoluta. Sua companhia não é tão estranha assim, Giyu. Além de que já dormimos juntos em várias missões.

 

— Se você diz, então por mim tudo bem.

 

Tomioka não veio preparado para dormir na mansão. Apenas tirou seu haori. Estava calor, mas ele não achou conveniente tirar a blusa. O contrário de Shinobu, que estava com um pijama bem confortável; não estava muito coberto, mas também não era algo sexy, estava na medida. Por mais que tivesse uma cama de casal, ele preferiu colocar um futon ao lado para não incomodá-la. Eles logo se acomodaram, com Shinobu se deitando na beira da cama para ficar perto do futon de Tomioka.

 

— Você tem certeza de que vai dormir bem nesse futon? - Ela pergunta, deitando-se de lado e levantando a cabeça para olhar para ele.

 

— Na medida do possível. Como nas missões.

 

— Você sabe que pode vir dormir aqui comigo, né?

 

— Não quero incomodar.

 

— Tá difícil de entender que você não me incomoda?

 

— Talvez eu possa ser invasivo.

 

— E… se eu quiser? - Ela pergunta timidamente.

 

— O quê?

 

— Que você seja invasivo… - Ela desvia o olhar, corando levemente.

 

Giyu não diz uma palavra; apenas, gentilmente, deita-se ao lado dela na cama. Eles viram um para o outro e trocam longos olhares e sorrisos. Não houve nada além disso, mas Shinobu garante que, em algum momento da madrugada, eles dormiram abraçados. Diferente do amanhecer, no qual ela acordou e não o viu lá. De primeira, pensou que ele podia estar fazendo um café ou coisa assim, mas, quando se trocou e desceu, só viu Inosuke e Aoi fazendo biscoitos. Ela se chateou, e muito. Sentiu-se como se tivesse tido uma noitada e o cara tivesse ido embora no dia seguinte; a diferença é que eles realmente apenas dormiram. Ela tinha motivos para se sentir assim, mas não entendia. “Não foi bom pra ele?”, “Eu fiz algo de errado?” É normal perguntas assim surgirem após esses tipos de situações. Mas seria algo que ela finalmente conversaria e abriria seus sentimentos mais tarde.

 

— 🦋🌊 —

 

A vida pregava umas peças engraçadas. Acontece que, no mesmo dia, eles receberam uma missão juntos. O lado bom: a missão seria curta e rápida, o oni não era muito forte, mas o suficiente para que outros caçadores não aguentassem. O lado ruim é que eles estavam se estranhando. Mesmo durante a missão e após derrotarem o oni, eles não trocaram uma palavra, nem olhar, principalmente da parte de Shinobu. Por mais que não estivessem se falando direito, Giyu ainda fez questão de acompanhar Shinobu até os portões da mansão Borboleta.

 

— Shinobu, aconteceu al-

 

— Giyu, você tem problema na cabeça?

 

— O quê?

 

— Porra, eu achei que você ia pelo menos me dar um tchau ou coisa assim. Tudo bem que não rolou nada, nem algo do tipo, mas eu senti que você estava brincando com os meus sentimentos, ou melhor, está. Você entende o que faz? Você age desse mesmo jeito com outras pessoas? Você também é assim com a Mitsuri, por exemplo?

 

— Não! Eu juro que não foi a minha intenção, eu- - Ele é interrompido ao ser colocado contra as portas grandes e fechadas da mansão por ela.

 

— Me diz logo qual é a sua.

 

Tomioka entendeu o recado. Sua única reação foi puxá-la pela cintura, como se nunca mais fosse largá-la, e selar os lábios que tanto se desejavam. Apesar de tudo, Tomioka não deixava de ser um homem respeitoso. Uma mão pousava na cintura dela enquanto a outra estava em seu rosto, fazendo um leve carinho. Eles separaram os rostos, mas Shinobu entrelaçou os braços em volta de seu pescoço e o beijou novamente, dessa vez com mais intensidade. Ele permitiu que ela liderasse, pedindo passagem com a língua, fazendo com que o beijo tomasse outro rumo. Mais uma vez, eles distanciaram os rostos, com apenas um fio de saliva os unindo.

 

— Você conseguiu entender? - Giyu foi o primeiro a falar.

 

— Acho que preciso que você seja mais claro.

 

— Eu quero passar o resto dos meus dias com você. Você é única. Não trato ninguém assim além de você. Na verdade, você é uma das únicas mulheres com quem eu tenho contato. Eu te quero, e já tem tempo. Só não queria ser invasivo com você, tinha medo de tentar algo e acabar te machucando. Eu me sentiria péssimo e nunca mais iria encostar um dedo em você. Shinobu, eu amo você. - Ele sela levemente seus lábios. - Eu quero cuidar de você. - Ele deposita um pequeno beijo no pescoço dela. - Quero complementar a sua força. - Um beijo na bochecha. - Quero construir uma família com você. - E finaliza com um beijo na testa. - Você é incrível, e eu sei que você não se acha isso, mas talvez nunca tenha se enxergado com meus olhos.

 

— Ai, que merda… você é muito bonzinho. Sabe mesmo como tratar uma mulher. Eu amo isso.

 

— Juro que não tenho experiência com nenhuma outra. Você é minha primeira vez em tudo.

 

— Eu te amo, Giyu. Perdão por achar que você só estava brincando comigo, mas pode tomar atitude às vezes. Eu não mordo… a menos que você me peça. - Os dois riem confortavelmente, ainda sem se soltarem dos braços do outro. - Pra ser sincera, eu fui começando a te observar… começando a ver como você me tratava e tratava as pessoas. Passei a observar o seu jeito, sua personalidade, sua forma de demonstrar suas emoções e sentimentos, e fui me apegando a cada detalhe seu. Quando me dei conta, eu já sentia sua falta durante os dias. Eu ansiava pela sua comida, pela sua voz, pelo seu cheiro… por você. Eu quero ficar com você… - Eles se beijam novamente, um beijo carinhoso e rápido. - A propósito, se dependesse só de mim, eu teria acabado com você ontem à noite, se é que me entende. - Tomioka ri e começa a beijar seu pescoço, intensificando os beijos logo após.

 

— Que tal você acabar comigo agora? - Ele diz, afundado no pescoço dela, com as mãos segurando seus quadris com força, puxando-a pra perto.

 

— Eu acho uma ótima ideia.

Notes:

Minha primeira obra com um casal que estou há dias obcecada, espero que gostem, quem sabe eu possa trazer mais. Sinta-se a vontade para deixarem kudos e comentarem. Boas leituras! :)