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Foi como um estalo. Meu corpo reagiu à sua presença, antes mesmo que eu pudesse entender que era ele quem havia chegado. Seus olhos esverdeados me contemplavam com um sorriso leve. Eu senti a leve brisa daquele fim de tarde que, manchada em laranja, invadia o seu rosto e combinava belamente com seus fios banhados em sangue. O machado em sua mão lhe fazia boa companhia, como uma maldição; simplesmente não conseguia desviar o olhar.
Tentei expelir alguma palavra da minha boca, mas todas foram engolidas, por um sentimento do qual não sabia bem o nome, nem ousaria nomeá-lo. Ele também não dizia nada, apenas continuava a me encarar. Com uma certa… ternura? Meu coração parecia sangrar, era tão quente por dentro
Não pude deixar de sentir um mau pressentimento. Em um lugar de onde só jorrava sangue, agora existem as bandagens que tentavam estancar o fluxo.
Só percebi que segurava a respiração quando Aguiar deixou seu machado escorregar lentamente entre os dedos, se aproximando, suas mãos ensanguentadas se encaixaram em meu rosto, como se Deus as tivesse moldado exatamente para isso, para aquele momento. Selou seus lábios quentes em minha cabeça, de repente aquele simples gesto fez com que todas as coisas que eu temia desaparecessem; talvez elas nunca tivessem existido.
Seus beijos continuaram a me explorar, deixando suas marcas em meu pescoço, um arrepio me percorreu ao chegar em minha clavícula. Até que nossos lábios se chocaram de forma rude, senti o sangue quente descer entre nossos lábios tão lentamente. As folhas caíam de forma igual, como se quisessem acompanhar o ritmo; nossas línguas compartilhavam uma dança íntima, enquanto o forte querer entre nós suprimiu qualquer dor que ousava nos afligir. A fome que tínhamos por nos devorar um ao outro era terrivelmente maior.
Sua mão arrastou minha roupa até que conseguisse sentir minha pele, enquanto ele me pressionava contra a árvore. Ela vagava pelo labirinto, em meu corpo, buscando o caminho certo, passava pelas curvas claras da minha costa, até minha cintura, pressionando-a contra seus quadris. Enquanto sua outra, também coberta de sangue, convidava a minha, de forma intimista, a tocá-lo.
As batidas do meu coração estavam tão ensurdecedoras, mas as dele estavam tão altas quanto. Até que, então elas pareceram se sincronizar com as minhas, eu poderia jurar, ou talvez fosse só o nosso amor me entorpecendo. Era um sentimento parecido.
Nossas mãos se entrelaçaram de forma que, nem se quisermos elas se deixariam. Eu sabia qual seria nosso futuro, o destino que nos foi dado era certo, mas naquele momento, desejei que algo mudasse esse fato, implorei silenciosamente que uma chance de esquecer e mudar nos fosse concedida, porém eu sentia que, se viesse, não seria de uma boa maneira.
