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Archive Warning:
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Fandom:
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Characters:
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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2025-12-02
Completed:
2025-12-08
Words:
5,116
Chapters:
8/8
Comments:
16
Kudos:
52
Bookmarks:
1
Hits:
780

Oito Razões Para Te Querer

Summary:

Eloy só queria tocar bateria, não se apaixonar. Mas oito motivos e um guitarrista baixinho e piromaníaco mudam todo o plano. A Psikolera percebe antes dele, claro.

Notes:

Mais uma fic deles pq estou viciado neles!!!

Chapter Text

O domingo amanheceu preguiçoso e quente, daqueles que fazem qualquer pessoa considerar seriamente viver para sempre dentro de um ar-condicionado. Mas Eloy não tinha esse luxo. O ar-condicionado do quarto dele tinha morrido em 2017 e nunca mais voltou.
Franco, por outro lado, estava perfeitamente confortável. Principalmente porque estava espalhado sobre o peito do Eloy como um gato que se recusa a admitir que é um animal independente.
Eloy piscou, cheio de sono, e percebeu que Franco estava acordado. Não só acordado, encarando ele com um olhar muito específico.
Aquele olhar de quem está prestes a pedir alguma merda.
"O que foi?" Eloy perguntou, voz rouca.
"Me empresta uma camiseta?" Franco soltou como quem pede um copo d’água.
Eloy piscou.
Piscou de novo.
''…pra quê?"
''Só quero" Franco respondeu, escondendo o rosto no peito dele.
''Mas você tem camiseta. Eu vi você usando camiseta a vida inteira."
''Mas eu quero uma sua."
''Pra quê?"
''Eloy."
Era o famoso “Eloy, cala a boca e me dá o que eu pedi”.
Ele conhecia esse tom.
''Tá… mas qual?" Eloy perguntou, ainda desconfiado.
''Uma que você usou bastante" Franco respondeu, já levantando e indo direto pro armário do Eloy como se morasse ali. ''Tipo… essa."
Ele puxou uma camiseta preta com o logo antigo da Psikolera.
''Essa?" Eloy riu. "Você sabe que essa tem uns sete anos, né?"
''Tem cheiro de você. Serve." Franco disse.
Eloy abriu a boca pra perguntar outra vez o motivo, mas quando Franco jogou a camiseta por cima do ombro e sorriu daquele jeito de “não se mete na minha vida”, ele simplesmente… largou mão.
Era isso.
Era Franco.
Eloy já tinha aceitado.
''Tá, pega" ele disse, erguendo as mãos. ''Leva antes que eu mude de ideia."
''Obrigado." Franco respondeu, satisfeito. ''Prometo que não vou fazer nada estranho com ela."
''Você dizendo isso não ajuda."
''Eu sei."
O dia continuou normal ou tão normal quanto podia ser quando você dormia com um guitarrista teimoso que roubava suas roupas sem explicações.
No dia seguinte, o galpão velho onde a Psikolera ensaiava estava mais quente que um forno. Eloy entrou suando, carregando as baquetas, pronto pra mais um dia de bagunça musical
Ele não estava pronto, porém, para o que veio cinco minutos depois.
Franco entrou.
Com a camiseta dele.
Com aquela camiseta.
Eloy travou no lugar.
Literalmente travou, igual um NPC mal programado.
Franco passou por ele fingindo que era completamente normal aparecer com a camiseta do namorado-não-oficial no meio da banda inteira.
''Oi, bom dia." Franco disse, afinando a guitarra.
''Você…" Eloy apontou. ''A camiseta… você…"
''Hum?" Franco respondeu sem levantar o olhar, com a maior cara de inocência falsa da história.
''Você veio com ela."
''Vim."
''Ah."
''Ah."
Eloy ficou quieto.
Era isso. Não ia perguntar nada.
Cindy chegou, viu a cena, e abriu um sorriso do tamanho da Bahia.
''Ai, MEU DEUS" ela disse. ''Vocês tão iguais casal de TikTok."
"Cindy" Eloy resmungou. "A gente não se pega" ele disse.
"Cês se pegam sim" Cindy rebateu. "Vocês acham que tão escondendo muito, mas vocês parecem dois cachorros no cio."
"Cindy!" Eloy exclamou.
"Desculpa" ela corrigiu. "Dois cachorros no cio muito discretos."
Alê entrou na sala bem na hora, com a calma de quem vivia três dimensões acima.
Olhou Franco.
Olhou a camiseta.
Olhou Eloy.
E soltou:
"Então hoje é “dia do namorado usar roupa do namorado”? Que fofo."
Franco ficou vermelho.
Eloy queria morrer.
Alê piscou.
"Uhum. Claro. Não mesmo. Vocês são héteros inclusive."
Cindy gargalhou tão alto que ecoou na sala.
Caio chegou por último, viu Franco com a camiseta do Eloy e só disse:
"Ficou legal, hein."
"Obrigado" Franco disse.
"Só podia ter passado ferro."
"Vai tomar no cu, Caio" Eloy respondeu automaticamente.
O ensaio começou assim: caos, piadas, provocações e Eloy tentando não ficar olhando demais pro Franco, falhando miseravelmente.
Foram horas de ensaio barulhento, suor e risadas. A banda estava afinada, Caio estava finalmente acertando as partes dele, Alê estava surpreendentemente inspirado, e Cindy havia sido incrível. Um recorde.
Mas Eloy tinha passado o ensaio inteiro encarando a camiseta no Franco como se fosse uma visão proibida.
Quando todos estavam guardando os equipamentos, Franco se aproximou com naturalidade.
''Vou pra casa." disse.
"Tá."
Eloy hesitou um segundo.
Queria perguntar de novo o motivo.
Queria.
Mas não perguntou.
Só comentou:
"Ficou bom em você."
''Ficou, né?" Franco disse com aquele sorrisinho insolente.
''Ficou."
"Quer que eu devolva?"
''…não." Eloy respondeu sem pensar.
Os dois ficaram ali, a poucos centímetros um do outro, num daqueles silêncios que só acontecem quando você gosta muito de alguém e finge que é casual.
Franco sorriu pequeno.
"Valeu, grandão."
''De nada."
Eloy encostou levemente a testa na dele, um carinho rápido, quase imperceptível.
Mas foi suficiente.
"Te vejo depois?" Franco perguntou.
''A gente se vê."
Franco deu um beijo rápido no queixo dele, escondido, discreto, só deles e saiu.
Eloy ficou parado por um momento, respirando fundo, até Cindy aparecer atrás dele dizendo:
"Você tá ferrado, hein."
"Por quê?"
"Porque ele te ama."
''Cala a boca, Cindy."
''E você é trouxa, Eloy."
''Cala a boca, Cindy!"
''Não vou calar não, namorado do Franco!"
''CINDY!"
Ela saiu gargalhando.