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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2025-12-14
Words:
2,620
Chapters:
1/1
Hits:
6

Um Amor Dourado

Summary:

No reino de Aerthos, onde a magia e a honra dos cavaleiros sustentam a paz, a princesa Eleonora cresce acreditando que o amor é a força mais invencível de todas. Criada sob o exemplo de um casamento conquistado contra convenções e alianças políticas, ela entrega o coração a quem jamais deveria: Kaelan, seu fiel cavaleiro e protetor.

Entre jardins floridos, promessas silenciosas e um noivado selado pela esperança, o destino parece sorrir para o casal — até que intrigas da nobreza e a ambição de um reino vizinho transformam o amor em moeda de guerra. Forçada a escolher entre o homem que ama e a vida daqueles que jurou proteger, Eleonora descobre que nem todo sacrifício é visto como heroísmo.

Um Amor Dourado é uma história sobre escolhas impossíveis, sobre a crueldade da política e sobre um sentimento que, mesmo aprisionado por coroas e espadas, jamais deixa de existir.

Notes:

Um Amor Dourado nasceu do encanto por histórias que não prometem finais fáceis, mas verdades profundas. É um conto sobre escolhas impossíveis, sobre o peso das coroas e sobre como o amor, mesmo quando não vence, ainda transforma tudo o que toca.

Esta história não fala apenas de uma princesa e de um cavaleiro, mas de todas as vezes em que sentimentos genuínos foram sacrificados em nome do poder, da política e da ambição. Eleonora e Kaelan representam amores que não puderam existir plenamente, mas que jamais deixaram de ser reais.

O final permanece em silêncio por escolha. Porque algumas histórias não se encerram — elas continuam vivendo na imaginação de quem as lê, nos olhares trocados, nas promessas não ditas e nas perguntas que nunca terão uma única resposta.

Que este amor dourado, ainda que marcado pela dor, permaneça brilhando onde nenhuma coroa pode alcançar.

Work Text:

A vida na corte era tecida de atuações calculadas e acordos selados entre taças de vinho, onde cada palavra educada proferida nos salões de baile ocultava segundas intenções.
No reino de Aerthos, a magia e a força de seus cavaleiros erguiam-se como o símbolo máximo de poder e prestígio, somadas às belezas que o reino oferecia — tanto na exuberância de suas terras quanto na harmonia física de seu povo.

A família real distinguia-se não apenas como a maior detentora de beleza, mas sobretudo por prezar por uniões firmadas pelo afeto, e não apenas por contratos comerciais ou alianças militares.
A princesa Eleonora crescera à sombra do amor de seus pais, ouvindo desde cedo os relatos das lutas que travaram para selar o próprio matrimônio — mesmo quando sua mãe fora prometida a outro nobre e seu pai quase se encontrava preso a um acordo irrevogável com a princesa de um reino vizinho.
Para Eleonora, o amor era uma força destinada a jamais conhecer derrota; enquanto houvesse amor, tudo lhe parecia possível.

Seus irmãos mais velhos ousavam, por vezes, zombar do amor; ainda assim, Eleonora sabia que também eles ansiavam pelo dia em que encontrariam aquela com quem poderiam partilhar uma vida serena e feliz. Ela própria nutria esse desejo, e seu coração já fizera a sua escolha…
seu afeto recaíra sobre aquele que lhe fora destinado como protetor: sir Kaelan, seu guarda pessoal.
Cresceram lado a lado, enquanto o jovem cavaleiro concluía seu treinamento sob o juramento de acompanhá-la e protegê-la. E, nos dias longos de convivência, entre silêncios partilhados e olhares contidos, o amor floresceu sem alarde, quase sem esforço, enraizando-se de forma natural em ambos os corações ainda juvenis.

Quando Kaelan concluiu seu treinamento, distinguindo-se como o melhor entre os aprendizes, Eleonora estava presente, vibrando com fervor por sua conquista.
Durante o evento de caça real, foi ele quem a representou e retornou trazendo consigo uma raposa branca ainda viva — criatura que domesticara com as próprias mãos, apenas para que a princesa tivesse com quem brincar e não se sentisse só durante longas horas de estudo.
Eleonora encantava-se com cada gesto daquele homem nobre de espírito, e seus pais não tardaram a perceber o sentimento que ali se fortalecia. Pouco lhes importava a origem do rapaz; bastava-lhes a certeza de que ele amaria e respeitaria a filha com toda a sua vida.

Por onde a jovem princesa passava, sua risada clara ecoava, e todos conheciam o motivo que a despertava. Diante deles revelava-se o mais puro dos afetos: duas almas destinadas a caminhar juntas, não importasse a era.
Ainda assim, entre os salões e corredores do palácio, alguns nobres — desprovidos de amor e carregados de inveja — não admitiam que um simples cavaleiro viesse a desposar uma filha da família real. Para eles, tal direito pertencia apenas às casas nobres e às realezas dos reinos vizinhos.
Contudo, suas lamentações jamais encontrariam eco junto ao monarca, pois o próprio rei carregava em sua história a prova de que o amor podia, sim, sobrepor-se a títulos e alianças.

Reunidos em conselhos velados, os membros da nobreza e da aristocracia esforçavam-se por arquitetar meios de afastar o jovem cavaleiro da capital, de modo a forçar a família real a uma posição em que o matrimônio por amor deixasse de ser considerado. Contudo, cada intento esbarrava em falhas inevitáveis.
Kaelan não oferecia brechas para acusações injustas, e o reino atravessava um período abençoado de paz e prosperidade.
Assim, os dias sucediam-se, e a tensão entre aqueles homens crescia de forma quase insuportável — ainda que jamais alcançasse os ouvidos do casal feliz. O rei fora claro: se sir Kaelan pedisse a mão de sua filha, o enlace teria sua bênção, e o amor seria celebrado com festividades por todo o reino.

Era o fim de uma tarde primaveril. Sir Kaelan percorria sua residência com passos quase leves demais para conter a alegria, e, ao ser questionado por seus pais, revelou-lhes que aquele seria o dia em que pediria em matrimônio sua amada princesa, Eleonora.
A joia, feita sob encomenda, fora entregue na noite anterior e agora reluzia como o mais belo raio de sol. Tratava-se de um delicado anel de ouro branco, adornado por pequenos quartzos rosados e, ao centro, um diamante da mesma tonalidade — símbolo de todo o amor que os unia.
Seus pais alegraram-se profundamente pelo filho querido e desejaram-lhe um dia abençoado ao lado de sua amada. Assim, Kaelan partiu em direção ao castelo, ao encontro de Eleonora.

O jovem cavaleiro chegou ao palácio e foi recebido pelos criados, todos a saudá-lo com sorrisos gentis. Encontrou a princesa em seu lugar predileto para os encontros silenciosos: o jardim real.
A visão de Eleonora entre rosas, tulipas, peônias e orquídeas, banhada pela luz do sol poente que atravessava a estufa de vidro, levou-o a crer na existência das fadas — e de que a mais bela dentre elas se encontrava ali, à sua frente, sorrindo com doçura enquanto cantarolava em voz suave.

Ao notar a presença do amado, a princesa chamou-o com alegria. Compartilharam um abraço afetuoso, daqueles que ambos desejavam poder prolongar por toda a eternidade.
Eleonora passou então a elogiar o cavaleiro, divertindo-se ao vê-lo corar sob suas palavras e demonstrar um leve nervosismo. Kaelan jamais soubera reagir aos seus elogios; insistia sempre que eram exagerados, mas ela os proferia movida pelo mais sincero dos sentimentos.
Para Eleonora, ele era tudo — o único que seu coração desejava dia e noite, aquele que imaginara ao folhear seus livros de romance e que tomava forma sempre que pintava, em silêncio, no ateliê.

Eleonora conduziu-o até a mesa disposta com as sobremesas de que ambos tanto gostavam e serviu-lhe o chá que sabia ser o seu preferido. Conversaram com alegria sobre os mais diversos assuntos, riram sem reservas e até se permitiram brincar, imitando conhecidos da corte.
O ambiente era leve, impregnado de sentimentos felizes, e foi naquele instante que Kaelan compreendeu que não havia momento mais justo.
Tomado pela emoção, ajoelhou-se diante da jovem princesa e, com a voz firme apesar do coração acelerado, proferiu a mais sincera das confissões. Então, revelando o anel escolhido, fez a pergunta tão aguardada:

— Vossa Alteza, aceitais os sentimentos deste simples cavaleiro e a promessa de partilharmos todos os anos de nossas vidas, unidos por amor e alegria?

Os olhos de Eleonora encheram-se de lágrimas — as mais puras lágrimas de alegria. Kaelan lhe pedia que compartilhassem uma vida inteira. Ela o amava de tal forma que seu coração parecia prestes a transbordar de tamanha felicidade.
Sem conter a emoção, lançou-se nos braços do jovem cavaleiro, repetindo entre sorrisos e lágrimas que aceitava, que o amava com todo o seu ser. Compartilharam então um beijo doce e delicado, incapazes de conter os sorrisos que lhes iluminavam o rosto.
Passada a exaltação inicial, seguiram de mãos dadas até a presença da família real para anunciar o noivado. A alegria foi imediata. O rei e a rainha acolheram-nos em um abraço caloroso e desejaram-lhes uma vida plena de felicidade.

O rei anunciou que, na semana seguinte, seria realizada uma grande comemoração para tornar público o compromisso do jovem casal. A noite seguiu entre brindes, felicitações e votos de felicidade, como se o amor pudesse, de fato, triunfar sobre qualquer circunstância.

Contudo, apenas três dias após o pedido, um mensageiro do reino vizinho chegou às pressas trazendo notícias inquietantes: a fronteira norte clamava por auxílio. Povos inimigos avançavam sobre as terras, tendo já tomado uma cidade vital para o comércio da região.
Diante da ameaça, todos os cavaleiros jovens e talentosos foram convocados para reforçar o combate e assegurar a integridade do reino. Entre eles, encontrava-se Kaelan.
A notícia pesou sobre o coração do casal. Nenhum dos dois desejava permanecer afastado por tanto tempo, mas, pela segurança de sua amada e do próprio reino, Kaelan estava disposto a lutar — mesmo em terras de clima imprevisível e destino incerto.

O dia da partida enfim chegara, e Eleonora dirigiu-se ao pátio para despedir-se do noivo. Abraçou-o com toda a força que lhe era possível, limitada apenas pela armadura reluzente que ele trajava, e, em um beijo carregado de saudade, Kaelan prometeu-lhe que retornaria em breve para vê-la ainda mais deslumbrante, vestida como sua noiva.

Aquela promessa alojou-se no coração de ambos e tornou-se combustível suficiente para enfrentar mil exércitos. As tropas partiram e, após uma jornada árdua, alcançaram o norte.
Kaelan estudou com atenção os mapas e as movimentações inimigas; à primeira vista, aquela ameaça não deveria representar grande perigo para os exércitos de Aerthos. Estava convicto de que não levaria muito tempo para que os invasores fossem forçados a bater em retirada.

Contudo, no instante em que o cavaleiro deixou a capital, os nobres gananciosos deram início ao assédio contra a família real — e, sobretudo, contra a princesa.

No primeiro mês, fizeram questão de espalhar boatos de que a situação no campo de batalha era muito pior do que todos imaginavam, falando em ataques incessantes por parte dos inimigos e em baixas significativas entre as tropas aliadas.
O rei empenhou-se em pôr fim a tais desaforos, chegando a apresentar os relatórios enviados com regularidade pelos comandantes e líderes militares. O próprio ministro da guerra encontrava-se no combate e assegurava que a situação era amplamente favorável às forças aliadas.

O combate em si, marcado por feridos e destruição, chegou ao fim após dois meses. Ainda assim, as tropas de Aerthos não retornariam de imediato, tanto em razão do súbito mau tempo quanto da necessidade de concluir as reformas nas cidades e vilas afetadas pela disputa. Estimava-se, assim, que seriam necessários mais três meses para um retorno seguro.

Durante esse período, Kaelan mantinha sua querida noiva informada sobre tudo o que ocorria, assegurando-lhe que, a cada dia, aproximava-se mais do momento de voltar.

Contudo, quando faltava apenas um mês para o seu retorno, nobres aliados ao reino de Kharos passaram a pressionar com insistência por uma aliança selada pelo matrimônio. Argumentavam que aquela era uma oportunidade singular de transformar um reino antes hostil em aliado, além de ampliar rotas comerciais e mercados.

O reino de Kharos deixou clara sua disposição em negociar e viver em paz com Aerthos, mas impôs uma condição inequívoca: a aliança deveria ser firmada por meio de um casamento entre as famílias governantes de ambas as nações.

O rei de Aerthos manifestou sua satisfação em manter relações cordiais com a nação vizinha e declarou-se disposto a permitir que um de seus filhos varões desposasse uma das princesas de Kharos, selando assim a aliança proposta. A resposta do outro monarca, porém, veio com rapidez e inflexibilidade.
Ele exigia que o acordo fosse firmado mediante a mão da única princesa de Aerthos.
Diante disso, a família real explicou que tal exigência não poderia ser atendida, pois sua filha encontrava-se formalmente prometida a sir Kaelan, e não havia meio — nem vontade — de dissolver aquele compromisso.

O rei de Kharos respondeu de forma agressiva, declarando que aquilo constituía uma afronta e uma humilhação para o seu reino. Questionou, com desdém, em que realidade a vida ao lado de um cavaleiro poderia ser superior àquela oferecida por um príncipe.
A rainha de Aerthos respondeu com firmeza serena, afirmando que nenhum título valeria um matrimônio alicerçado apenas em poder e riqueza. Sem amor, disse ela, não haveria espaço para que o afeto florescesse — apenas o rancor, crescendo a cada dia.
O rei de Kharos zombou da visão que chamou de excessivamente romântica da família real de Aerthos e declarou que a paz somente seria alcançada mediante o cumprimento de suas exigências.
Ao tomar conhecimento das intenções do reino vizinho por meio de seus irmãos, Eleonora agiu sem hesitar: enviou imediatamente uma carta a Kaelan, alertando-o sobre as tentativas de interferência em seu relacionamento.

Kaelan já esperava que algum movimento fosse feito contra eles, mas tratou de tranquilizar a jovem princesa, assegurando-lhe que tudo ficaria bem e que, em breve, retornaria à capital com suas tropas para pôr em seu devido lugar todos aqueles que ousavam ameaçá-los.
Eleonora sentiu-se um pouco mais serena, embora o temor ainda lhe pairasse sobre o coração.

Contudo, durante o caminho de retorno à capital, uma emboscada foi armada em meio a uma floresta coberta de neve. Kaelan acabou gravemente ferido. O ataque fora meticulosamente orquestrado em conluio com o reino de Kharos, contando ainda com o apoio de nobres de Aerthos.

A notícia do desastre alcançou o palácio real pouco tempo depois, trazida juntamente por uma comitiva militar de Kharos, que apresentou sua exigência sem rodeios: o casamento deveria ocorrer conforme seus termos, sob a ameaça de novas perdas — seja de vidas inocentes, seja da completa destruição do reino.

Eleonora mal podia acreditar no que se desenrolava diante de seus olhos e opôs-se com firmeza às investidas do reino vizinho. Declarou, sem hesitação, que seu coração permanecia fiel ao amado e que apenas ele teria o direito de tomá-la por esposa.

Diante da recusa, o rei de Kharos tornou-se ainda mais implacável. Proferiu seu ultimato sem disfarces: ou ela aceitava desposar o príncipe, ou sua família seria feita refém — e, quando o cavaleiro retornasse da campanha, seria executado em praça pública.

Ao ouvir tais palavras, a jovem princesa desabou em prantos, caindo ao chão. O peso do mundo pareceu recair sobre seus ombros, pois a vida de todos aqueles que amava passara a repousar em suas mãos.

O silêncio que se seguiu pareceu mais cruel que qualquer ameaça. Eleonora permaneceu ajoelhada por um longo instante, as mãos cerradas contra o peito, como se pudesse conter o coração que se despedaçava dentro de si.

Lentamente, ergueu o rosto ainda banhado em lágrimas. Em seus olhos já não havia apenas dor, mas uma resolução amarga, forjada pelo amor que carregava.

— Se minha escolha pode poupar a vida daqueles que amo… — sua voz vacilou, mas não se quebrou — então aceito carregar este fardo.

Cada palavra era uma lâmina. Não por falta de amor, mas por amor demais. Eleonora sabia que, ao pronunciar aquela decisão, enterrava todos os sonhos que nutrira desde a juventude. Ainda assim, preferia perder a própria felicidade a permitir que o sangue de Kaelan, de seus pais ou de seu povo fosse derramado por sua causa.

Em silêncio, prometeu a si mesma que jamais entregaria o coração que já pertencia a outro. Seu corpo poderia ser reclamado pela política, mas sua alma permaneceria fiel ao cavaleiro que amara além de qualquer título ou coroa.

Contudo, a jovem princesa só concordou com o casamento após o retorno seguro de seu querido cavaleiro. O rei de Kharos viu-se obrigado a aceitar tal condição, disposto a suportar a espera em troca daquilo que desejava.

Após meio mês de recuperação, Kaelan retornou à capital à frente de suas tropas — apenas para encontrar a amada abatida, o rosto marcado pelos vestígios de lágrimas incessantes. Não tardou para que soubesse da decisão que Eleonora fora forçada a tomar. Ainda que desejasse rebelar-se contra aquele destino, sua própria família encontrava-se sob ameaça dos nobres, e a família real permanecia em constante perigo até a conclusão da cerimônia.

Naquela noite, Kaelan e Eleonora derramaram, em silêncio e lágrimas, toda a dor que lhes transbordava do coração.

Na manhã seguinte, todos foram obrigados a testemunhar aquele espetáculo cruel. Os cidadãos lamentavam o desfecho trágico do belo casal, e Kaelan mantinha-se em pé entre a fileira de cavaleiros que aguardavam a entrada da noiva na igreja.

Eleonora surgiu com o semblante pesado, as lágrimas correndo livres, incapazes de serem contidas. Em um breve instante, ergueu o olhar até Kaelan e encontrou o reflexo exato de sua própria ruína — mas também uma promessa silenciosa, ardendo em seus olhos: ele se ergueria contra aqueles que a aprisionaram e os separaram, custasse o que custasse.