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Aquela Noite (Labiar)

Summary:

O que poderia ter acontecido depois da maravilhosa frase de Jonas Aguiar: "Passa essa bandagem em mim?".

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

Labirinto mal conseguia se concentrar em tudo que estava acontecendo, diante de todo aquele caos. 

 

Por algum motivo, esse seu corpo parecia ser muito bom em dissociar em vários momentos. Sua mente divagava e percorria voltas e voltas enquanto se perdia em pensamentos. Agora era uma boa hora para isso acontecer, mas não. Seus ouvidos captavam tudo e seus olhos percorriam os olhares dos amigos até os dois últimos membros da equipe que faltavam chegar. Os dois abraçados, gritando e rindo alto, conversando a toda altura sobre suas aventuras. 

 

Os tiques começaram leves, ele começou a ficar incomodado com todo esse barulho e vozes conjuntas gritando. Estava irritado. Precisava de um pouco de silêncio. 

 

Quando abriu os olhos e levantou a cabeça para exigir um pouco de sossego, ele viu: 

 

— O que aconteceu aqui, pelo amor de Deus?! — Jae se pronunciou primeiro, se pondo um passo à frente de todos em direção a Henri e Aguiar. 

 

Eles estavam completamente ensanguentados.

 

O olhar de Labirinto foi direto para Aguiar, que era com certeza o mais machucado dos dois. Seu abdômen, braços e parte do peitoral estavam cheios de pequenas cicatrizes, como se tivessem irritado algum gato. Em seu pescoço, um pouco abaixo do meio dele, havia um grande corte, de onde ainda saia um pouco de sangue. E entre o pescoço e o ombro, essa parecia, de longe, a pior ferida de todas: uma enorme mordida. Vários dentes pareciam ter tentado mastigar a área depois de abocanhar. Um animal selvagem tinha feito aquilo? Só podia ser. 

 

Labirinto podia sentir seus olhos arregalados, sobrancelhas retas, corpo tremendo e tiques atacando. Tudo porque sentia que Aguiar estava praticamente morrendo e, mesmo assim, o cabeludo ria aos montes e pulava junto de Henri. Como se não estivesse acontecendo nada. E de onde tinha surgido aquele óculos?

 

— Tá olhando tanto porquê, hein, Laby? — A pergunta sugestiva veio de Henri, a voz fina e estridente impossível de confundir. Um sorriso brincalhão em seu rosto, fazendo companhia ao de Aguiar, com quem ainda estava abraçado.

 

— Você está muito machucado — disse Labirinto sério, ignorando a pergunta, enquanto continuava encarando o rosto de Aguiar. 

 

— Eu tenho umas bandagens aqui — anunciou outra vez o da voz estridente, começando a procurar em suas coisas. Mas Labirinto não desviou o olhar.

 

Aguiar, por sua parte, também observava o amigo. Seria difícil de perceber pelos óculos — uma espécie de juliete, meio acabada, mas que tinha caído muito bem nele — porém, por ser mais baixo, tinha que inclinar a cabeça para cima, o que era meio engraçadinho até.

 

Após algum momento em silêncio (da parte dos dois, já que o resto da casa continuava uma verdadeira baderna), Henri, com algumas risadas que pareciam mais com grunhidos, conseguiu achar as bandagens. Ele anunciou com um sorrisão o seu feito, esperando que Aguiar fosse pegá-las. O de cabelos ondulados, por sua vez, apenas estendeu a mão, não parando de olhar para Labirinto em momento algum. Com a bandagem em uma mão e a outra indo em direção aos seus óculos, ele soltou uma risadinha soprada, se misturando com a respiração ainda um pouco ofegante. Um sorriso ladino ficou em seu rosto, quando sua mão alcançou a haste do objeto, o levando um pouco para baixo, fazendo seus olhos finalmente aparecerem. De baixo para cima, ele encarou Labirinto, o olhar penetrante e intenso, enquanto, ainda com a respiração pesada, pediu:

 

— Passa essa bandagem em mim?

 

Os ombros do de cabelo raspado subiram, sua boca se abriu assim como seus olhos, arregalados. Tudo isso enquanto sentia, pela primeira vez, o sangue subindo até as bochechas e orelhas desse corpo.

 

°°°

 

— Esse é o máximo que posso fazer, acredito eu — decretou Labirinto ao terminar de colocar as bandagens na área da mordida. Sentindo suas mãos estranhamente vazias ao parar de manusear o pescoço do outro. Mas, claro, era só por ter ficado tanto tempo na mesma tarefa. Deve ter se acostumado rápido.

 

— Já tá ótimo, cara! — agradeceu, um sorriso largo tomando seu rosto machucado. — Me sinto novinho em folha. — Aguiar arrumou a postura, começando a fazer alguns alongamentos, mas, quando se virou para o lado onde estava a pior ferida, seu corpo se contraiu inteiro. — Puta que pariu…

 

— Ei. Você precisa descansar. — Colocou uma mão no ombro dele. — Para de fazer essas gracinhas.

 

— Tá… Desculpa aí. — Deu de ombros, se remexendo inquieto. 

 

Um silêncio se estabeleceu entre eles. 

 

Labirinto nem pareceu perceber. Se virou para o outro lado e começou a arrumar o restante da bandagem que não foi utilizada de forma que ficasse compacta e organizada, para poder utilizar depois, caso necessário. Porém, pela parte do mais baixo, esse silêncio não estava tão tranquilo assim. Aguiar estava elétrico. Talvez fosse efeito de ter colocado a máscara horas antes; no seu corpo ainda corria parte de toda aquela adrenalina que sentiu. Ele queria mais.

 

— O que houve? 

 

A voz do outro lhe tirou dos pensamentos.

 

— Hm?

 

— Você está batendo o pé. O que houve? Algo o incomoda?

 

Aguiar o encarou por poucos segundos antes de desviar o olhar, um sorriso inocente aparecendo em seu rosto.

 

— Acho que ainda tô com muita dor. — Do lado que estava menos machucado, Aguiar começou a fazer, com cuidado, alguns movimentos circulares de alongamento.

 

— Infelizmente vai arder um pouco por enquanto mesmo — explicou. — Não possuo nenhum ritual de cura. Pelo menos… eu não consigo sentir nada desse tipo. — Começou a olhar as próprias mãos, tentando verificar novamente o fato. 

 

— Não, não. ‘Cê não entendeu. — Aguiar pôs as mãos à frente do rosto. — Não é dor do ferimento, é dor de tipo… que seria resolvida talvez com uma massagem?

 

— Você quer que eu… te massageie? 

 

— Ah! Por que é que você falando fica tão estranho? — Deu uma risada soprada, balançando a cabeça. 

 

— Como? 

 

— Nada… Só… vem logo. — Segurou as mãos do outro, o guiando para ficar atrás de si, então, pôs as mãos dele em cima de seus ombros, soltando logo depois. — Aí. Hm… tá ótimo. Suas mãos são maravilhosas.

 

— Eu vou fazer isso porque você está machucado. Mas eu não sou o seu empregado. Que isso fique claro

 

— Ahan. Eu sei, relaxa. — Tranquilizou, ainda com o sorriso ladino tornando seu rosto travesso. 

 

Após algum tempo de massagem, os dois não poderiam estar se sentindo melhor. Labirinto sentia suas mãos preenchidas novamente, tocando o corpo de Aguiar como antes, mas dessa vez sem as ataduras. E pela outra parte, Aguiar também não poderia estar melhor, sendo massageado pelas mãos leves do outro.

 

Mas seu coração ainda batia acelerado. A adrenalina pedindo mais emoção. Tudo estava muito calmo. Tranquilo. Em quantos segundos será que ele conseguia deixar as coisas mais interessantes? 

 

— Hm? O que está fazendo? — Labirinto perguntou quando viu o ondulado inclinando a cabeça para trás, ficando cada vez mais perto dele. — Aguiar? 

 

— O que? — sussurrou, a voz rouca parecendo um ronronar.

 

— O que você…

 

Antes que pudesse terminar de falar, Aguiar abriu devagar a boca, levando seus dentes, devagar, até o maxilar de Labirinto, mordendo de leve a área. Labirinto deu um suspiro assustado, só conseguindo fechar a boca e arregalar os olhos enquanto sentia o corpo inteiro esquentando. A mordida ficou mais forte, mas não o suficiente para machucar. Aguiar soltou uma risadinha soprada, puxando a pele do outro até escapar de seus dentes, dando uma pequena lambida no local após isso.

 

— A… Aguiar? — gaguejou depois de alguns segundos em choque. — Você está bem? 

 

— Melhor impossível. — Riu baixinho. — Por quê? 

 

— Acho que essa tarde com o Henri te deixou meio… 

 

— Ah. — Deu mais uma risadinha. — Não é por causa do Henri. — Seu olhar desceu para a mochila no chão, onde estava a máscara que seu corpo aparentemente usava em seus massacres, e a que usou para acabar com aquela vampira desgraçada. Um senso de justiça fazia seu corpo estremecer de felicidade. O deu mais uma mordida, dessa vez mais perto do queixo. 

 

— Aguiar — Labirinto suspirou, fechando os olhos por um momento antes de se afastar. — Acho melhor a gente… — Seu corpo se contorceu em um tique nervoso. — Você parar.

 

— Ah, desculpa. — Ele não parecia arrependido. Labirinto estremeceu. Mais alguns tiques começaram. — Eu achei que você fosse gostar. 

 

Mais uma vez, uma quentura estranha subiu pelo seu corpo, contrastando com o frio que percorria sua espinha. 

 

— Gostar? 

 

— É… Tipo. Tem gente que gosta dessas coisas, né? — Deu um passo à frente, devagar, esperando que Labirinto não fosse perceber. — Queria testar.

 

— Testar? Eu… Eu não estou entendendo. 

 

Aguiar se aproximou mais alguns passos. Estava praticamente na frente de Labirinto agora. 

 

— Não? 

 

Labirinto balançou a cabeça, se mantendo no mesmo lugar. Talvez nem tivesse percebido a aproximação, o que deixou Aguiar ainda mais ansioso para quando estivessem colados um no outro. Não sabia porque estava pensando esse tipo de coisa de forma tão vívida; pensamentos que antes não se passavam de ideias soltas e sem sentido. Mas não estava afim de parar agora.

 

— Não quer que eu te mostre, então? — sussurrou daquela mesma forma outra vez, causando outro pequeno ataque de tiques no outro. 

 

Ele riu baixinho, não dos tiques, mas por perceber o quão nervoso ele estava. Aguiar também se sentia nervoso, entretanto, não podia estar ligando menos para isso.

 

Antes que pudesse dizer mais qualquer coisa, Labirinto sentiu os dentes de Aguiar outra vez em seu corpo, dessa vez na área do pescoço. Ao mesmo tempo, os braços fortes do policial rodeavam sua cintura. Seu corpo inteiro estremeceu, e sua respiração começou a acelerar gradativamente, conforme percebia o que estava acontecendo.

 

Mais tiques nervosos.

 

— Agu-

 

A mordida ficou um pouco mais forte antes dele puxar a pele e começar a morder em outras áreas do pescoço, indo do lugar mais firme para o mais sensível e vice-versa. Sua língua percorria as cicatrizes em formato de labirinto que ele possuía, enquanto suspirava.

 

— Aguiar, você… 

 

— Hm? — Levantou a cabeça de uma vez, sério, olhando nos olhos do outro de forma intensa. 

 

Labirinto ficou preso nesse olhar por um momento. Seu coração batendo acelerado e um calafrio passando pelo seu corpo. Algo percorreu sua mente, deixando-a em branco. Ia pedir para ele parar, perguntar porque estava agindo dessa forma, o que tinha dado nele e o que aconteceu em sua saída com Henri até o acampamento. Mas… ele realmente queria pensar em tudo isso agora? 

 

Sempre pensando em tudo; planos, metas, objetivos, rotas, meios, fins… Labirinto não poderia se dar uma folga? Aproveitar o que o seu, até então, "amigo" estava querendo fazer?

 

— C…Cuidado com os seus machucados… — foi tudo o que disse.

 

Um enorme sorriso vitorioso surgiu no rosto do outro e um rosnado pareceu sair de sua garganta. Ele apertou os braços no corpo de Labirinto, enquanto sua boca voltava a atacar o pescoço dele, descendo pela clavícula. Depois de algum tempo, ele começou a usar uma mão para acariciar a lateral do torso do mais alto, enquanto a outra abaixava o colarinho desgastado da roupa de Labi, sua boca percorrendo a área descoberta, dando mais mordidas e chupões, voltando com beijinhos, como se para anestesiar.

 

A cada mordida, a cada beijo, a adrenalina corria cada vez mais pelo sangue de Aguiar, fazendo os movimentos ficarem mais acanhados, o toque mais firme. Ele suspirava sempre como se estivesse quase ficando completamente sem ar. E Labirinto não estava muito diferente. 

 

— Ei… — chamou devagar, tentando conter a voz de sair suspirada. Enquanto isso, Aguiar não parecia mais querer parar por nada. — Aguiar? Não é melhor a gente… 

 

Mais uma vez, não foi possível terminar a frase. Uma mordida foi sentida em sua bochecha, beijinhos sendo espalhados por ali, inclusive no canto de sua boca. 

 

O queixo do mais alto caiu, e Aguiar viu nisso a oportunidade de chupar o lábio inferior dele, que fechou a boca por reflexo. Aguiar sorriu vitorioso, se afastando um pouquinho, o suficiente para ver o rosto de seu parceiro. Ao ver sua expressão assustada, olhos bem abertos e a boca começando a se entreabrir, Aguiar soltou uma boa risada, alta e rouca. Uma espécie de rugido escapou de sua garganta ao, finalmente, amassar sua boca contra a do outro. 

 

Labirinto nunca havia sentido o coração bater tão perto da garganta. O seu novo corpo parece até acostumado com certas coisas. Coisas grotescas, coisas nojentas. Mas um beijo? Vindo logo de Aguiar? Ele certamente não estava pronto para essa situação.

 

Os dois abriram a boca para suspirar quase ao mesmo tempo, provocando um breve ataque de risos dos dois. Labirinto permaneceu de olhos fechados, ao passo que Aguiar observava seu rosto, quase afobado. Suas duas mãos, quase inconscientemente, foram até as bochechas do outro, e então, com um puxão, trouxe os lábios dele para os seus outra vez. 

 

Labirinto, por reflexo, pôs as mãos no peitoral de Aguiar, mas não o afastou, apenas ficou com elas ali, enquanto o mais baixo o dava diversos selinhos, cada vez mais eufóricos, deixando os dois progressivamente mais ofegantes. O de cabelos ondulados pediu passagem com a língua, ação que foi aceita rapidamente pelo outro, que abriu a boca quase que automaticamente. 

 

O beijo começou, pouco a pouco, a tomar o ar dos dois, fazendo suas respirações ficarem pesadas, o corpo fraco, o cérebro ficar sem oxigênio o suficiente para raciocinar de forma coerente. Se é que já não pararam de pensar faz um tempo. Tanto que nenhum dos dois nem percebeu quando bateram em uma parede, continuando os beijos sem parar. Uma das mãos de Aguiar foi parar na nuca de Labirinto, arranhando de leve a área, descendo as unhas pequenas pelo pescoço dele, ao mesmo tempo em que as mãos de labirinto começavam a se movimentar devagar em seu peito, os dedos traçando caminhos por ali. Aguiar mordeu com tudo o lábio inferior do mais alto. 

 

5 minutos. Foi o tempo que levou para Aguiar conseguir fazer as coisas ficarem mais interessantes. Estava orgulhoso. 

 

— Eu não sabia… — grunhiu entre o beijo, abaixando a mão para alcançar as costas de Labirinto. — o quanto que eu queria isso. 

 

— Fico feliz que está sendo bom. — Sorriu pequeno, voltando a o beijar. 

 

— Bom? Isso tá ótimo! Você é do caralho. 

 

O beijo estava prestes a continuar. E as coisas possivelmente esquentariam mais, se não fosse pela presença de mais alguém ali entre eles. Na verdade, mais duas pessoas. 

 

— Não, não, podem continuar, não fiquem me olhando. — Henri anunciou, rindo de forma travessa. — É… Laby, acho que tá saindo um pouquinho de sangue da sua boquinha. — Gargalhou. 

 

— Liga não, gente! Já tamo’ indo nessa, viu? — Kemi garantiu, puxando o sacrifício pelo casaco com uma mão enquanto a outra carregava alguns tapetes. Este que continuou gritando coisas sugestivas para os dois. — Divirtam-se! 

 

Eles desceram as escadas, rindo e conversando entre si, nem disfarçando os comentários obscenos em relação aos dois pombinhos. 

 

Após a saída dos companheiros de equipe, Aguiar e Labirinto se olharam por alguns segundos em completo silêncio antes de cair na gargalhada. Labirinto nem sabia se já tinha rido tanto assim antes, cobrindo a boca surpreso ao notar que não conseguia parar. 

 

Aguiar cessou as risadas com um sorriso grande estampado na cara. Sua mão foi até a de Labirinto, a tirando da frente para depositar um último beijinho em sua boca. 

 

— Bora dormir? 

 

— Sim… acho que já está bem tarde. 

 

— Então bora. 

 

Os dois arrumaram tapetes no chão, improvisando com alguns panos e outras coisas um lugar para dormir. 

 

— Curtiu a resenha? 

 

— Defina “resenha”.

 

— Ah, vai dormir, vai. — Deu risada, arrumando sua posição no tapete. — Boa noite. 

 

Labirinto sorriu, se inclinando para depositar um beijo sobre a testa do outro. 

 

— Durma bem. 

 

Notes:

Escrevi mais por brincadeira, mas acabei gostando bastante do resultado e resolvi compartilhar! Espero que quem tenha lido tenha gostado!